sábado, 28 de dezembro de 2013

Revelação da vida

Francisco Muniz


"Jesus - a eterna revelação da vida
em seus dons supremos" - diz-nos
o Espírito Monsenhor José Horta
por intermédio de Chico Xavier.
Tomando por base essa divisa
passemos a avaliar nossa experiência
na relação estabelecida com o Cristo
sem perguntarmos o que Ele quer...

Pois já não está isso muito bem explicado
desde que um certo Saulo, de Tarso
recebeu seu encargo por voz direta
quando trilhava o caminho de Damasco?
Hoje, basta-nos a eloquente afirmação
de que Jesus, nosso Mestre e Pastor
é, da vida em seus dons supremos
a sempiterna revelação...

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A arte de apontar rumos

Francisco Muniz

Um dos objetivos da doutrinação de espíritos é apontar rumos às entidades comunicantes, grande parte delas ainda perdidas quanto ao que lhes aconteceu, pois não reconhecem estar numa outra dimensão além da dos chamados “vivos”, e necessitam de orientação quanto aos passos que deverão dar a partir da informação de que são espíritos imortais com a incumbência de colaborarem com o próprio progresso, submetendo-se aos desígnios divinos. Eis aí a beleza da tarefa dos esclarecedores, os médiuns chamados “doutrinadores” que têm a função de dialogar com essas entidades certos de que são os instrumentos de que o Alto se serve para socorrer mais eficazmente a quem se encontra como clandestinos no mundo espiritual, porquanto não sabem – ou se recusam a aceitar – que foram visitados pela morte do corpo material.
Na qualidade de instrumento, o médium doutrinador, ou esclarecedor, como prefere o Espírito André Luiz, deve entender que, dele mesmo, somente sua vontade de cooperar na tarefa e seu organismo oferece no momento do atendimento na Sala Mediúnica, porquanto tudo o mais é realizado pela Equipe Espiritual condutora dos trabalhos. Importa, por isso, sermos os melhores coadjuvantes junto aos abnegados Instrutores do Espaço, conscientizando-nos quanto ao bom procedimento, nos três campos em que somos exigidos disciplinarmente: o mental, o emocional e o comportamental. Nessas três esferas – que remetem ao trinômio estabelecido pelo Espírito Emmanuel ao convidar o médium Francisco (Chico) Cândido Xavier para uma atuação conjunta (das mais profícuas de que tenhamos notícia) – o exercício da meditação ganham significativa importância, para o despertamento do médium.
Através da meditação, que em nosso caso significará tão somente a reflexão constante e cada vez mais aprofundada acerca da natureza do trabalho mediúnico e de nossa participação nele, compreenderemos a necessidade de policiarmos os pensamentos, equilibrarmos o quanto possível as emoções e desenvolvermos atitudes pautadas impreterivelmente pelas lições do Evangelho. Uma mente em desalinho não dará, facilmente, espaço para a recepção das orientações espirituais direcionadas às entidades sofredoras, assim como médiuns com as emoções em desequilíbrio necessitará bem mais de cuidados do que poderão auxiliar a alguém; também é fato que os abusos negligentes quanto ao vestuário e à ingestão de alimentos, bebidas ou substâncias outras, configurando viciações, comprometem a tarefa e a própria condição do medianeiro. Assim sendo, como esse médium poderá apontar rumos dignificantes e fazer-se acreditar pelos irmãos infelizes senão dá a si próprio esse benefício?
Não desconhecemos que o dinamismo da prática da caridade revela que o que fazemos aos outros fazemos a nós mesmos e que os espíritos comunicantes, nesse sentido, vêm-nos abrir os olhos para nossa própria condição ao revelarem seus dramas, como a dizer-nos: “enquanto eu estava aí, agi como quis e agora estou sofrendo bem mais!” Já descobrimos, também, que não fazemos caridade a não ser a nós mesmos na intimidade da Sala Mediúnica. Essa caridade será tanto maior quanto nos disponhamos a exercitar os “ouvidos de ouvir” referenciados por Jesus, com vistas a, aprendendo a lição vinda do “outro lado” da vida, melhor correspondermos aos esforços da Espiritualidade.
A doutrinação, portanto, é uma arte a exigir empenho de cada um de nós, médiuns conscientes que pretendemos ser, e nesse aspecto também os psicofônicos são convidados à especialização, através do imprescindível estudo, dos exercícios de meditação e das práticas caritativas nas duas vertentes (moral e material), como forma de desenvolvermos a sensibilidade para com a dor do outro, afeiçoando-nos ao trabalho com o Cristo. Sim, o trabalho não é nosso. Como na parábola do Festim das Bodas, somos apenas os convidados de última hora para o banquete espiritual; contudo, para sermos dignos de ali nos encontrarmos, devemos estar usando a túnica nupcial, representada pelos pensamentos enobrecidos, pelos sentimentos marcados pelo espírito de fraternidade e pelas atitudes sóbrias quanto às coisas do mundo...

sábado, 14 de dezembro de 2013

Mãos à obra

Irmã Rafaela

Ouve, amigo, a voz amiga que ecoa em tua consciência, a fim de que te mantenhas em sintonia com a Divina Providência, que tudo faz a benefício das criaturas de Deus-Pai. Ouve, especialmente, a voz de teu coração, a dizer-te que tens deveres a cumprir no campo do sentimento, em favor dos teus semelhantes.
É da vontade de Deus, conforme expressa o Evangelho de Nosso Senhor, que olhes com misericórdia e fales com compaixão a teus irmãos de caminhada. Teu aprendizado, como não desconheces, inclui a compreensão dos sentimentos ainda desequilibrados deles todos, porquanto não podem ainmda expressar o que já consegues. E, se consegues, fica maior tua responsabilidade na manifestação das atitudes respeitáveis e solidárias, consoante o ensinamento do Cristo Jesus: "A quem muito foi dado, muito será pedido". E tens recebido tanto, não é mesmo?
Assim, sai a campo praticando todo o bem de que já és capaz, de forma a consolidar o Reino dos Céus em teu íntimo. Não te deixes vencer pela ociosidade nem pelos revezes que ocasionalmente te visitem, porquanto tais circunstâncias são os testes de tua perseverança. Segue em frente sem receio.
Vês a Terra - a humanidade! - se contorcer nos tormentos da indiferença para com a sorte dos infortunados, oferecendo o desprezo covarde a quem opta pelos caminhos da honradez que leva ao cultivo das virtudes. A sociedade estertora no desalento do imobilismo enquanto a Natureza se ressente dos maus tratos dos homens. Ou seja: tudo nos convida - aos corações plenos de boa vontade - a arregaçar as mangas parta o trabalho intimorato na Vinha do Senhor.
É tempo de mais esforços no Bem, para que um dia tua alma se alegre e a sementeira de hoje se converta em celeiros de paz onde o amor seja o fruto da colheita feliz.
Pé na estrada e mãos à obra, amigo, que o Cristo conta contigo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O livro

Editar um livro não é trabalho dos mais fáceis, como talvez seja certo que não há trabalho fácil neste mundo, no qual a felicidade não existe, segundo o Eclesiastes. Pois editei um livro, com a preciosíssima ajuda de um amigo afeito a essa área, e o resultado será lançado ao público na tarde do dia 17 deste mês de dezembro. Intitulado "Lições do Evangelho para a vida prática", a obra reúne em 28 pequenos textos minhas reflexões acerca do Espiritismo e do Evangelho de Jesus, com a compreensão de que somos levados a externar ao mundo todo nosso pequeno - estreito mesmo - entendimento acerca dos ensinamentos do Cristo, principalmente em vista de sua aplicabilidade nas ações do cotidiano.
Uma vez que o Evangelho de Jesus é a Boa Nova do Reino de Deus aos homens de boa vontade, é preciso que cada possibilidade de interpretação desses ensinos seja levada ao conhecimento do público interessado o mais amplamente possível, posto que somos todos - os discípulos de Jesus - comprometidos com essa propagação, por ser ponto da adesão ao sublime ideal cristão. Desse modo, a boa compreensão do Evangelho implicará sua necessária vivência tanto quanto essa vivência propiciará o alargamento dos esforços de entendimento, a fim de que o Cristo viva com intensidade e promova a efetivação de sua proposta libertadora na alma de quem se dê o inigualável prazer dessa experiência: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!"

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O que sai da boca

"A boca fala do que está cheio o coração."

Essas palavras do Cristo Jesus devem nos fazem refletir sobre o modo como conduzimos ou lidamos com nossos pensamentos, de forma a realizarmos o bom entendimento quanto às lições evangélicas.
De acordo com a indicação do Cristo, é o coração e não o cérebro, a sede de nossos pensamentos, depreendendo-se daí que os pensamentos não resultam da simples elucubração intelectual, antes, esse exercício é mais emocional ou sentimental, fazendo-nos modificar um pouco (!) o que seja propriamente a razão.
Assim, se a boca efetivamente diz o que se nos passa pelo coração, isso quer dizer - devemos entender! - que muito possivelmente não estamos devidamente educados sentimental ou emocionalmente e necessitamos enfatizar esse processo com vistas tanto a melhor compreendermos as lições do Evangelho quanto vivenciarmos seus postulados, agora com o auxílio da interpretação que nos oferece o Espiritismo.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Benefícios do perdão

Irmã Rafaela

Perdoar aos ofensores, aos agressores, aos que nos fazem mal... o Cristo nos ensina a proceder assim, para que nos libertemos de nossas imperfeições e melhor nos comprometamos com os divinos desígnios. Já pensastes como seria o mundo se vivêssemos presos à ação da antiga e malfadada lei do "olho por olho e dente por dente"? Sim, o caos imperaria e não haveria a participação de Deus no destino dos homens, entregues que estariam à própria sorte, pelo comportamento tresloucado da própria ignorância.
Mas não é assim e um dia esse panorama, que ainda se observa na Terra, se modificará, porque cada homem, consciente de sua condição de humanidade, voltará os olhos para o Alto e fará no mundo a vontade de seu Pai, amando o próximo como a si mesmo. E esse dia está bem próximo - só não o veem as pessoas ainda aferradas ao egoísmo, responsável pela desatenção que ela têm para consigo mesmas. No entanto, o Senhor não quer a destruição de seus filhos e os chama continuamente ao bom caminho.
Vós tendes a oportunidade de observar as verdades se concretizarem todos os dias diante de vossos olhares atentos e assim percebeis que o momento é chegado: o momento de arregaçar as mangas e trabalhar duro no aprimoramento de vossos caracteres, continuando a obra do Cristo em vós e em torno de vós.
Temos vos exortado a manifestar coragem ante as dificuldades, mostrando que são parte do trabalho de autotransformação a que sois chamados, bem como são os testes que vos capacitarão a assumir novas incumbências perante o Cristo, em nome da divina Vontade.

***

Minha filha querida: não temas; os dias difíceis são uma espécie de purificação para tua gloriosa reentrada em nosso mundo de luz, tão diferente do que vives aí na Terra. Aprende, contudo, que as duas realidades são uma só, são ambas criações de Deus. Nada, efetivamente, acontece para te martirizar, mas tais acontecimentos te fortalecerão a alma, aformoseando-te perante teus amigos espirituais e também junto àqueles com os quais ainda tens contas a ajustar, por isso te perseguem. Mas dá a eles o teu amor, paga o mal que recebes com o bem de que és capaz e não esperes recompensa, retribuição alguma. Pensa no bem maior que vem de Deus e se derrama sobre todos e verás que não tens motivos para queixas.
Mas não desfaleças; teu físico sente o rigos das lutas, mas não te deixaremos cair. Olha para cima, para o céu que de dia recebe a visita do Sol e à noite se povoa de estrelas - e perceberás que a divina luz é mais intensa entre as trevas. Assim, para que temer? Temer o quê? És uma filha querida e tão amada de todos nós que não queremos sequer que chores, ainda que compreendamos tuas lágrimas.
Estejas em paz.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sim à vida!

Francisco Muniz

Quem foi, na noite de 12 de novembro, à pré estreia do filme "Blood Money - o aborto legalizado" recebeu um DVD de "Eu, Vitória", documentário dirigido por Gláuber Filho e produzido pela Estação Luz, responsável por trazer ao Brasil o trabalho investigativo do diretor norte-americano David K. Kyle. "Eu, Vitória" é um dos muitos argumentos - infelizmente desprezados - contra as tentativas de legalização do aborto no Brasil, que é um dos poucos países em que essa prática ainda acontece à revelia da lei. Por enquanto, porque, assim como nos Estados Unidos, as pressões favoráveis ao abortamento deixaram de ser feitas sobre o Congresso e se dão agora junto aos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), que já consentiram no aborto de anencéfalos - que é justamente o caso de Vitória, uma menininha que, embora diagnosticada desde o ventre de sua mãe com acrania e anencefalia, foi aceita pelo muito amor de seus pais e sobreviveu durante dois anos.
Assim, Blood Money é uma contundente denúncia contra a lucrativa indústria do aborto em atividade nos EUA, sob o amparo da legislação de lá, revelando as artimanhas utilizadas pelos defensores dessa prática como uma tentativa de reduzir a população afrodescendente norte-americana, o que vem se observando estatisticamente desde 1973, quando o aborto foi legalizado. De acordo com a denúncia, trata-se mesmo de uma ação eugênica em nada diferente dos métodos utilizados na Alemanha nazista. É preciso, então, que não apenas os religiosos defensores da vida - católicos, protestantes e espíritas estiveram presentes à pré estreia -, mas toda a sociedade precisa se mobilizar em prol de medidas que garantam o respeito aos seres humanos que ainda não nasceram e se encontram em gestação, a exemplo do Estatuto do Nascituro, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, embora sofrendo a indiferença de vários parlamentares, especialmente daqueles vinculados ao Partido dos Trabalhadores.
O filme estreia pra valer nesta sexta-feira, dia 15 de novembro, em salas de cinema de todo o Brasil, mas tanto o ex-deputado federal Luiz Bassuma - um dos autores do Estatuto do Nascituro - quanto o produtor Luiz Eduardo Girão, da Estação Luz, acreditam que quanto mais interesse ele despertar nas mentes sensíveis e comprometidas com o Bem, mais influência essa denúncia terá sobre os condutores dos destinos dos brasileiros. Desse modo, compete a cada um de nós despertar a consciência para os males decorrentes da prática abortiva, que no mínimo causa estados agudos de depressão e podem levar ao suicídio, levando muitas mulheres a um arremedo de vida pelo sentimento de culpa que passam a abrigar no peito. O aborto, bem se vê, não é uma questão política, ou de saúde pública, como os governos querem fazer acreditar, mas um problema humanitário que precisa ser equacionado com sensibilidade.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A hora é já!

Irmã Rafaela

Socorre-te de ti mesmo, meu amigo, com os recursos que a Providência te põe ao alcance com a finalidade de melhorares. Não são poucos os bens que a Bondade Divina derrama sobre seus filhos, especialmente junto a quem se propõe modificar as próprias condições. Não é Ele, o grande Benfeitor, chamado de Pai? Não foi assim que o Cristo Jesus o conceituou, transformando as antigas ideias referentes ao Deus cruel, o Deus que castiga os ímpios e persegue os inimigos dos crentes? Deus, portanto, é Aquele que auxilia sempre, que se doa permanentemente em prol de cada um de seus filhos amados.
Socorre-te de ti mesmo, disse, porquanto cada um é o autor de seus sucessos quanto de seus fracassos, embora as divinas Leis colaborem para o aprimoramento constante das criaturas de Deus. Se hoje sofres, tens aí um grande motivo para tua regeneração, promovendo teu retorno à realidade divina, pelo reconhecimento de tua condição de espírito imortal, criado com a potencialidade de Deus. "Vós sois deuses", afirmou o Cristo.
Busca, portanto, os meios de te aperfeiçoares na trilha da vivência evangélica que te conduzirá à necessária moralização com que alistarás em definitivo às hostes dos seguidores de Jesus, às quais és convocado desde priscas eras. Eis que é chegado o tempo de tua decisão e esta não deve mais ser postergada, sob pena de comprometeres até mesmo a felicidade de que desfrutas momentaneamente, ao receberes estar orientações. Anima-te então para a luta, que doravante será cada vez mais renhida, a exigir coragem e determinação dos servidores fiéis.
Os percalços são muitos e grande parte deles são postos em teu caminho por ti mesmo, por tua invigilância e também por tua fragilidade na fé. É preciso superar tais obstáculos manifestando plena confiança nAquele que, em nome de Deus, responde pelos caminhos de libertação que esperam o homem decidido. O Cristo conta com teus esforços e, através de seus muitos emissários, fortalece tuas disposições e amparando-te nos momentos de desfalecimento.
Vem marchar ao nosso lado, pois, que também te aguardamos a companhia e felizes estaremos em te ter por perto, porquanto, de nossa parte, estamos sempre ao teu lado, sem que percebas. Vem, a hora é já!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Adoração

Irmã Rafaela

Começa ao despertar tua adoração a Deus, agradecendo as bênçãos do sono que te proporcionou o noturno reencontro com os benfeitores espirituais, renovando-te as disposições para o dia de trabalho no Bem; agradece também pelas atividades de que pudeste participar junto a tão benfazejas companhias, assim como deves manifestar gratidão pela oportunidade de mais um dia na Terra, para te aprimorares no serviço abnegado em prol das criaturas do Pai. Louva ao teu Deus, em seguida, sorrindo e bendizendo ao Deus no outro, nos irmãos que te partilham a experiência doméstica.
Depois, repara nas dádivas da Natureza e aí reconhecerás o infinito poder de Deus derramando-se sobre tudo e todos, a fim de plenificar as criaturas com o divino Amor. Contempla, pois, o Sol que nasce a cada dia, trazendo a luz que ilumina quanto aquece a Terra e seus habitantes; se chove, observa a bênção que vem do Alto para suavizar os ares, limpar a superfície em que pisas e fertilizar a terra, para a produção de teu alimento.
Vê: os pássaros cantam dizendo de sua alegria; as flores exibem suas cores e perfumes para o encanto dos homens; insetos e animais vários dão-se ao trabalho, obedecendo às leis que regem o Universo, mostrando a harmonia presente no movimento dos astros e no funcionamento dos órgãos de cada corpo material. Tudo isto é obra de Deus, o inigualável Artista que nos convida a complementar e manter a Criação, a partir do aperfeiçoamento de nós mesmos, seus filhos muito amados.
No entanto, não te prendas à contemplação, porquanto toda observação deve resultar em aprendizado, uma vez que por trás de cada fenômeno há uma lição, ao menos uma mensagem a merecer reflexão e a consequente prática. Por exemplo, observa o monturo onde aparentemente não se recolhe o que se aproveite; contudo, Deus age também ali e, se prestares atenção, verás a plantinha tenra ensaiar-se para  a vida, ali onde não suporias haver condição para tal. E não é nas águas de fundo lodoso que floresce a bela lótus?
Assim, pois, compreende que até mesmo o que não parece belo é expressão da beleza porque nasce das mãos do Criador. Do mesmo modo, teus irmãos, quanto tu mesmo, vão um dia desabrochar como flores no jardim do Sublime Jardineiro, reconhecendo sua condição divina e, realizando o necessário burilamento interior, alçarem-se aos cimos da Beleza, da Justiça e da Verdade, proclamando bem alto a excelsa realidade de Deus.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Caminho de salvação

Irmã Rafaela

O pão que te sobra à mesa alimentará outros corpos; a roupa que tens a mais vestirá um desnudo; a água que te dessedenta, igualmente poderá saciar a sede de mais alguém; a luz que te clareia o caminho também poderá ser levada a quem se encontra em trevas; a palavra esclarecedora que profiras será útil a ouvidos desatentos, mas necessitados do conhecimento da Verdade.
Por certo entenderás que é muito pouco o que já consegues realizar, que a tarefa é maior do que podes perceber; no entanto, Deus, nosso Pai, confia em ti conforme te apresentas, com teus esforços ainda incipientes. Mas Ele põe ao teu alcance os recursos com que desempenharás teus deveres e desenvolverás tuas potencialidades.
Importa, portanto, que estejas atento, em oração e vigilância, de forma a corresponderes á Divina Vontade. Trabalhar, assim, é a palavra de ordem e o Cristo já disse que o Pai trabalha desde sempre e que Ele também trabalha.
Olha, pois, para as necessidades dos teus irmãos de caminhada; semelhantes às tuas mesmas, as dores e carências alheias têm o condão de despertar tua atenção para os cuidados em prol de ti mesmo, fazendo por cada um deles, os pequeninos que o Pai nos confiou, o que gostaríamos nos fizessem. Tal é o caminho da salvação...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Viver com alegria

Irmã Rafaela

A alegria é o sinal dos filhos de Deus confiantes no Poder e no Amor do Pai Celeste. A alegria produz doces frutos para a eternidade. Além da confiança de que falamos, ela abriga a alma na tranquilidade necessária á superação das angústias e à resolução dos mais atrozes problemas. É, como dissemos, a marca dos filhos do Altíssimo porque a Criação Divina - podem observar! - é uma festa permanente: vejam as flores e suas cores alegres, seus perfumes e seus encantos; vejam os pássaros a cantar, mesmo engaiolados pelo egoísmo dos homens oferecendo sua musicalidade. Tudo é alegria, sensação mais próxima da harmonia que reina no Universo.
Ser alegre, então, é comungar dessa harmonia, sendo um com a Divindade. É importante que assim seja, para o reconhecimento de que somos filhos de Deus e herdeiros de seu Amor. Demonstrar essa alegria é viver em paz - e os espíritos pacificados reinarão sobre a Terra, como diz o Cristo ao pronunciar o Sermão das Bem-aventuranças. Sejam felizes, alegres, vibrando em harmonia com todos e com tudo e logo não haverá dissabores, porque o coração estará em paz.
Deus quer seus filhos assim, apesar da rebeldia de muitos deles. Mas será junto a pessoas conscientes de si mesmas que os filhos rebeldes poderão, um dia, compreender as próprias responsabilidades. Um dia todos serão chamados ao retorno à Pátria espiritual, cada um a seu turno, mas bem poucos estarão aptos a ali permanecerem, pela desatenção quanto à própria condição quando na Terra, realizando as experiências na matéria.
Os que já se esforçam e dispõem de méritos poderão ficar mais um pouco conosco, antes de continuarem seu aprendizado, uma vez que a vida segue, convidando-nos a novas tarefas sob os auspícios do Amor de Deus. Fiquem, pois, tranquilos, vivendo com alegria, confiantes em que Deus nos abençoa a todos.
Muita paz.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Um livro para estudo

Francisco Muniz


O Espírito Emmanuel, mentor do médium Francisco (Chico) Cândido Xavier, encontrou um meio tão prático quanto útil de se estudar “O Livro dos Médiuns”, a obra monumental em que o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, oferece-nos os conceitos científicos necessários à compreensão e vivência eficaz do intercâmbio espiritual através da mediunidade. Em “Seara dos Médiuns”, contudo, Emmanuel transcende a simples conceituação científica exarada por Kardec e a aprofunda em pontuações morais, porquanto é por sua evangelização que o médium encontrará a simpatia dos bons espíritos e manifestará autoridade sobre as entidades endurecidas. Fazem sentido, assim, os “estudos e dissertações em torno da substância religiosa de O Livro dos Médiuns” enfeixados no volume publicado pela editora FEB, da Federação Espírita Brasileira, em 1961.
É dessa data o prefácio do livro, também de autoria do referido Mentor, no qual ele justifica a importância e necessidade de seus apontamentos, feitos no ano anterior, durante as reuniões de estudo acerca do intercâmbio mediúnico realizadas por Chico Xavier e seus correligionários da Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba (MG), em torno de O Livro dos Médiuns. Informa-nos Emmanuel que os textos examinados na obra de Kardec – epigrafados em Seara dos Médiuns – “foram escolhidos pelos companheiros encarnados” e só mereceram suas considerações, após os comentários efetuados, quando “fomos compelidos a deslocar do tema proposto, à face de acontecimentos eventuais, surgidos nas assembleias”. Com isto, Emmanuel contextualizava suas intervenções, oferecendo vertentes interpretativas concernentes às necessidades momentâneas dos participantes daquelas reuniões. São, para nós, valiosos ensinamentos que nos tiram da frieza da letra e nos impulsionam para a área mais abrangente do intercâmbio, fazendo-nos cientes de que o médium atua, mesmo, 24 horas por dia. É, em suma, o entendimento do que Chico Xavier dizia : “Na Casa Espírita vivemos o Espiritismo prático; lá fora devemos vivenciar a prática do Espiritismo”.
Com sua modéstia, o nobre mentor do inesquecível médium mineiro informa-nos, ainda no prefácio de Seara dos Médiuns, que seu único motivo na realização de semelhante trabalho “é apenas o de encarecer o impositivo crescente do estudo sistematizado da obra de Allan Kardec – construção basilar da Doutrina Espírita, a que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo oferece a cobertura perfeita – a fim de que mantenhamos o ensinamento espírita indene da superstição e do fanatismo que aparecem, fatalmente, em todas as fecundações de exotismo e fantasia”. Eis porque cabe ao médium proceder a tais estudos com a finalidade de se esclarecer e preservar-se de perigos, com a convicção de que apenas os livros não responderão por sua qualificação perante o intercâmbio, sendo imperioso o processo de autoeducação pelo conhecimento de si mesmo, o que leva à reforma íntima. É preciso, pois, que o médium espírita estude e estude-se, para que seja um fiel instrumento junto às equipes espirituais de cujas atividades de auxílio fraterno às entidades sofredoras seja chamado a participar.
No prefácio de Seara dos Médiuns, Emmanuel não se peja de referir-se a si próprio como alguém sem a devida capacidade para emitir “contribuições mais claras e mais eficientes em torno da palavra imperecível do grande Codificador”, uma vez que ele dissera, certa vez, a seu tutelado, que se afirmasse algo que contradissesse Allan Kardec, esquecesse Chico suas palavras e ficasse com os conceitos codificados pelo sábio de Lyon. Mas no dito prefácio, o Mentor assegura que “os campos da Ciência e da Filosofia, nos domínios doutrinários do Espiritismo, são continentes de trabalho a se perderem de vista”, exigindo empenho de muita gente disposta e sensível o bastante para oferecer contributo a novas interpretações – e aqui nos lembramos do esforço dos integrantes do projeto Manoel Philomeno de Miranda, que trouxeram a lume o utilíssimo “Estudando o Livro dos Médiuns”. Por isso, diz Emmanuel, “aqui ficamos em nossa tarefa de apagado expositor da religião espírita, que é a religião do Evangelho do Cristo, para sublimação da inteligência e aprimoramento do coração”.

sábado, 28 de setembro de 2013

Discurso do Casamento: uma cerimônia - ou Palavras aos noivos

Minha fala na Cerimônia Poética do casamento de minha filha Ananda e Gabriel, na Academia de Letras da Bahia, aberta e presidida pelos "imortais" João Eurico Matta e Aleilton Fonseca, respectivamente, tendo por mestre de cerimônia o radialista Marcos Castelhano, da Rádio Educadora. Foi algo inédito para a Academia e inusitado para quem participou. Ah, a cerimônia contou também com a musicalidade da cantora Manuela Rodrigues, amiga dos noivos.
O texto abaixo foi inspirado pela amiga espiritual Irmã Rafaela.

***

Há muito tempo – e já se passaram 20 séculos – houve no mundo uma certa festa de bodas na qual faltou vinho, tido como ingrediente importante naquela como em toda celebração desse gênero. Um homem fora chamado a suprir essa carência e, segundo reza a tradição, ele transformou água em vinho – e era um vinho de excelente qualidade.
Aqueles dentre nós minimamente versados em Religião sabem que falamos do Cristo Jesus e do episódio das Bodas de Caná. Há um simbolismo nessa passagem evangélica que acreditamos seja significativo para o dia de hoje, o dia em que Gabriel e Ananda formalizam o mútuo “sim”, um sim, em verdade, dito quando os olhares de ambos se cruzaram há aproximadamente sete anos. Hoje é o dia em que eles começam a descobrir, portanto, que a transformação da água em vinho deverá ser uma constante na vida deles. O vinho de antes era mesmo sem gosto, em comparação com o vinho novo, o vinho das alegrias imorredouras.
No entanto, transformar água em vinho é uma arte dominada por poucos, especialmente na esfera conjugal, razão pela qual pensamos dever ministrar aqui algumas orientações à guisa de conselhos aos jovens noivos – e que bom seria que ouvidos atentos as tomassem por importantes, ainda que não tenhamos a pretensão de converter ninguém e por nos vermos sem a devida qualificação para tal.
Quem me conhece sabe que, na condição de espírita, sou reencarnacionista e por isto acredito que o olhar de Gabriel sobre Ananda – e vice-versa – traz a luz de um passado para nós desconhecido e, para eles, estranhamente intuído, como se se perguntassem: onde já vi esse rosto antes?
Quem me conhece, igualmente sabe que sou o pai de Ananda, a quem dei o nome de Felicidade – é este o significado do nome de minha filha em sânscrito. Ananda, portanto, traz a felicidade consigo e por isto, Gabriel, você não precisa se esfalfar para fazê-la feliz. Digo-lhe que você não o conseguirá, porque cada um é feliz por si mesmo. Você deve, porém, fazer-se feliz ao lado dela – e é então que você terá ocasião de transformar água em vinho. Do mesmo modo, Ananda não precisa fazer Gabriel feliz, bastando externar sua felicidade intrínseca até o ponto em que ele possa, como o colibri atraído pela exuberante sutileza da flor, contaminar-se e assim sorver o vinho capitoso advindo da água transformada pelos esforços inteligentes com a finalidade de superar a rotina por vezes sufocante que tortura os casais em suas tentativas de convivência, no que chamamos de vida em comum.
E há uma causa para isso, responsável pela inobservância da milagrosa quão necessária transformação da água em vinho: e é que as pessoas, pretendendo unirem-se em matrimônio, não realizam o imprescindível autocasamento. Sim, é preciso que, antes de casarem um com o outro, casem-se íntima e solitariamente, aliando suas duas naturezas – a humana e a divina, ou espiritual –, para o abrandamento das provações futuras, uma vez que são inevitáveis. É quando os corações sensíveis e sensibilizados necessitam recorrer a Deus, ao Cristo, aos auxiliares invisíveis, reconhecendo a Potência Divina que dormita em nosso íntimo, à qual denominamos fé, como o bastião de todas as possibilidades de harmonização entre os seres.
Importa, portanto, reconhecer, cada um, a dimensão ignota da própria alma em suas manifestações na realidade material. Isto configura o indispensável autoconhecimento, o que em suma significa estarmos conscientes de nós mesmos, no tocante à integralidade do ser, e dessa forma promovermos a valorização de nossas relações, fazendo aos outros o que Deus faz por todos e por cada um de nós, ou, conforme as palavras do Cristo, só fazermos aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito – tal é a Regra de Ouro para o sucesso dos relacionamentos.
Assim sendo, esta cerimônia se reveste de um sentido tão poético quanto transcendental – levando em conta que a Poesia é mesmo um exercício transcendente, levando-nos ao encontro das Musas, numa dimensão que diríamos para-humana, porquanto essencialmente espiritual, fazendo-nos afeitos ao romantismo. E é próprio das pessoas românticas viverem como se mergulhadas num livro – de prosa ou de poesia –, desejosas de tornar a vida algo grandioso – humano, sim, mas sem as agruras e as perturbações que acompanham a existência na Terra, vivendo um mundo à parte das provas concernentes a cada um.
Mas a Utopia é um não-lugar e precisamos, em nome da deusa Razão, viver com alegria e convicção o ambiente momentâneo, com a finalidade de transformá-lo e aprendermos a abandoná-lo no instante em que isto se imponha como necessidade. Bem viver, eis o grande desafio, para cuja vitória todos nós somos chamados, individualmente, na intimidade de nosso ser. No entanto, essa aventura espiritual, de cunho eminentemente moral ou moralizante, pode ser feita em conjunto – e a dois poderá ser bastante agradável, desde que saibamos carregar a própria cruz, cada um por si mesmo, embora cientes da importância do auxílio mútuo, em nome da Fraternidade.
Ananda e Gabriel acreditam ser chegada a vez deles. Cabe-nos apoiá-los nessa decisão e por isto aqui estamos, manifestando condescendência para com os esforços de ambos; mas que este testemunho não seja nunca, de nossa parte, conivência ante as atitudes desarvoradas que porventura venhamos a observar em seu comportamento. Juízo, meninos! Confiamos em vocês e esta confiança decorre da complacência divina perante a determinação demonstrada por ambos, e por tal razão não precisamos perguntar, ao contrário da tradição, se vocês aceitam um ao outro como seu legítimo compartilhante de tristezas e alegrias, posto ser isto, para todos nós, uma evidência.
Portanto, Ananda; portanto, Gabriel, beijem-se e vivam sua felicidade responsavelmente, sob as nossas bênçãos e, sobretudo, as bênçãos de Deus, nosso e vosso Pai.
- Laurinha, pode trazer as alianças!

sábado, 21 de setembro de 2013

Perseverança

Irmã Rafaela

Entrega tuas esperanças de felicidade nas mãos de Deus. O mundo onde te encontras ainda verá muitos padecimentos até que tenhas a alegria de ver tuas dores asserenadas, pela quitação de teus muitos débitos para com as leis divinas. Confia, pois, no Pai Supremo, depositando no Banco do Futuro os recursos com os quais esperas os lucros de teu labor.
Coragem, tuas provas aguardam teu empenho e não será da noite para o dia que te verás renovado e indene aos percalços que tu mesmo colocaste em teu caminho. A bondade divina, apesar de tudo, se derrama em bênçãos sobre ti, fortalecendo tua determinação em prol do trabalho de reconstrução íntima.
Sim, um dia "verás a Deus", conforme a amorosa ponderação do Cristo em seu discurso das bem-aventuranças dirigido aos homens. Para tanto, deves trabalhar com denodo, fazendo tua parte para que a Divina Providência te dê o acréscimo de misericórdia a que fizeres jus.
Na condição de discípulo do Senhor, sabes que não deves descurar do atendimento aos necessitados, porquanto assim é que alcançarás as culminâncias do progresso espiritual, transformando num céu de alegrias as dificuldades momentâneas em que vives. E lembra: aqueles ao teu lado são os "pequeninos do Pai"...

sábado, 14 de setembro de 2013

Na subida...

Irmã Rafaela

Repara, pois, a cruz que trazes aos ombros, a cruz do olvido, da incompreensão e também da deserção daqueles que começaram a jornada contigo e hoje se deixam levar por outros caminhos. Não os julgues, mas compreende a tua tarefa ascensional. Sim, desejas alcançar os cimos, no entanto, recorda as lições de fraternidade e caridade, para que a subida não te seja tão penosa e tenhas que retornar sobre tuas pegadas.
Olha para eles e ajuda-os o quanto possível. Eles também cultivam os mesmos ideias, mas de maneira diversa da tua. Compreende, pois, servindo e passando, não se retendo aos empecilhos da estrada que eles palmilham, mas repara que um dia já procedeste assim. Em tua vez, encontraste ajuda - e hoje deves auxiliá-los, para que não se demorem na vã contemplação.
Sofres a dor do isolamento? Não estás a sós, contudo. Sofres a dor da incompreensão? Teus bens não estão na Terra! Sofres a ansiedade, ador do silêncio ante o desejo de partilhar tuas impressões com os demais? Lembra daquele que, do Alto, te atrai para Seu amor inconfundível, onde a solidão, o silêncio e o convívio são a paz em plenitude.
Anda, portanto, atento aos afazeres mais comezinhos de tua jornada no rumo do progresso espiritual, consciente de que outrem não a fará por ti. Mas estamos contigo, hoje e sempre.

sábado, 7 de setembro de 2013

A inspiração no processo criativo

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 18 - Ano II - 1999)

"O artista é, por excelência, intuitivo, foge das análises demoradas; de um 'sopro intuitivo' cria sua obra, quase sempre sem retoques." Esta frase do psiquiatra e expositor espírita Jorge Andréa dos Santos, baiano radicado no Rio de Janeiro, resume o livro A inspiração espiritual na criação artística, compilado pela escritora carioca Cristina da Costa Pereira. O livro, editado pelas Publicações Lachâtre, reúne depoimentos de artistas dos mais diferentes gêneros acerca do processo artístico, desde a elaboração das ideias até a concretização da obra. Os testemunhos mostram que muitos escritores, pintores, músicos, teatrólogos, coreógrafos e até bailarinos estão convictos de que se sentem orientados espiritualmente para a realização de sua arte, que não é, portanto, uma atividade mecânica obtida unicamente do domínio de certas técnicas.
Embora preencha uma lacuna existente na ampla literatura espírita no Brasil, Cristina não quis fazer um livro doutrinário nem rotular a arte, deixando para o leitor a tarefa de chegar à conclusão quanto à evidência da inspiração no processo criativo do artista. Segundo ela, a preocupação maior foi relatar a vivência dos artistas depoentes - nenhum de expressão mercadológica, digamos assim, mas todos representativos dos respectivos campos de atuação -, dos quais muitos têm consciência do envolvimento anímico ou mediúnico em seu trabalho. Essa consciência precisa alcançar todo aquele que lida com as artes, diz a autora, acrescentado que "o artista não pode fingir-se irresponsável" neste momento da humanidade, em que as mudanças impelem à verificação e aceitação da influência espiritual.
O artista tem a obrigação de fazer melhor uso de seu dom, afirma a autora, em achar que, sabendo da orientação espiritual, sua arte terá menor apreciação. Muito pelo contrário, o processo de criação fluirá melhor, salienta Cristina. Além do prefácio de Jorge Andréa, A inspiração espiritual... tem apresentação de Léon Denis, através de mensagem mediúnica datada de outubro de 1997, psicografada no Círculo de Pesquisa Espírita (Cipes), em Vitória (ES). Na mensagem, Denis observa que "arte e espiritualidade precisam estar juntas no seio da humanidade, para que se restabeleça de vez o esplendor das cores celestiais diante dos olhos humanos, ávidos da presença divina, ainda não totalmente percebida".
Professora de literatura no Rio de Janeiro, Cristina Pereira é autora de outros cinco livros e ressalta sua vivência espiritualista nos meios social e familiar como preâmbulo para chegar à presente obra, dividida em três partes: influência da espiritualidade na arte, com os depoimentos; artífices da palavra e a esfera espiritual, onde relata como Fernando Pessoa, Federico Garcia Lorca, Cecília Meireles e Teresa de Ávila consideravam a inspiração; e caravana literária, desfile de trechos de depoimento de João Guimarães Rosa sobre seu fazer literário e de poemas de autores do porte de Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Manuel Bandeira, Mário Quintana e Cora Coralina, dentre outros.
Lançado em abril (de 1999), durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro vem sendo apresentado nas principais capitais brasileiras e no dia 28 de outubro Cristina autografou no centro de convenções do Parlamundi, da Legião da Boa Vontade, em Brasília.

A cruz

Irmã Rafaela

Sim, meu amigo, sofre e trabalha, na direção da luz divina, porquanto é preciso suportar o peso da cruz que trazes sobre os ombros. Os servidores do Cristo devem ser intimoratos, desenvolvendo seu potencial de amor com coragem e responsabilidade, posto ser dele, do Divino Amigo, a obra a que te afeiçoas.
Repara na lição do cireneu, o estrangeiro chamado a colaborar, e entende que a boa colaboração não prescinde dos esforços que todos devemos manifestar perante o Cristo. Pois não pediu Jesus que carregasse sua cruz todo aquele que se dispusesse a segui-lo?
Cala, então, teus ressentimentos e abraça a irmã amargura, acalentando-a em ondas de amor, e não seguirás amargurado. Compreende quem te trata com desdém e desamor como a resposta a teus rogos no caminho da pacificação. Sim, tu tens tua cota de responsabilidade nisso tudo e deves aceitar as reprimendas agradecido à Bondade Divina, consciente de que, se hoje já não pro
cedes para merecê-las, é que elas se prendem ao teu passado.
Prossegue trabalhando, amando e perdoando, fazendo na Terra o que ensina o Cristo. Mais uma vez te dizemos: não estás sozinho, e deves trilhar a senda do aprimoramento perseverando no Bem. Confia e segue em frente. Deus abençoa teus passos - hoje, agora e sempre.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Música & mensagem - Maracangalha

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 18 - Ano II - 1999)

Maracangalha
Dorival Caymmi

Eu vou pra Maracangalha, eu vou
Eu vou de uniforme branco, eu vou
Eu vou de chapéu de palha, eu vou
Eu vou convidar Anália, eu vou
Mas se Anália não quiser ir, eu vou só
Eu vou só, eu vou só sem Anália
Mas eu vou

***
 Uma das mais difíceis tarefas de quem abraça a Doutrina Espírita é, sem dúvida, a própria transformação moral, a tão falada "reforma íntima", que implica na superação de defeitos, vícios e paixões em favor de bons hábitos e virtudes que distinguem o verdadeiro homem de bem. "O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua mais completa pureza", pondera o Espírito Santo Agostinho no complemento à questão 918 de O Livro dos Espíritos, na qual Allan Kardec pergunta pelos sinais com que se reconhece no homem o progresso real que deve elevar seu espírito na hierarquia espírita, para atingir a perfeição a que se destina.
Podemos, assim, entender a "Maracangalha" de Caymmi como essa perfeição de que o espírito necessita, para elevar-se a Deus. Para tanto, é preciso que ele se liberte de tudo que o prende à Terra, na figura de suas más tendências, do que o faz ainda "material". Em suma, é necessário que ele tenha seu "uniforme branco", representado pela pureza de coração e sincera intenção de acertar sempre, cumprindo os ditames divinos, seja atendendo aos ensinamentos evangélicos, seja seguindo a própria consciência (o "chapéu de palha") no que esta recomenda à prática do Bem.
Nesse processo, é comum nos descobrirmos discípulos do Cristo e seguidores de suas palavras no que ele nos recomenda divulgar a Boa Nova a quantos nos partilham o caminho, e eis por que convidamos "Anália" para nos acompanhar nessa trajetória. Entretanto, esse convite nada tem de impositivo e porque todos têm seu livre-arbítrio, sendo donos da própria vontade, a cada qual é dado o direito de aceitar ou recusar esse convite, o qual, embora o acreditemos irrecusável, diz respeito apenas ao indivíduo, isto é, trata-se do autoconvencimento, que se processa pelo uso da razão. Assim , "se Anália não quiser ir, eu vou só", porquanto quem já se iniciou nessa marcha pela autotransformação dificilmente se desviará desse objetivo, posto que o bom, o belo e o verdadeiro plenificam o ser que não se contenta com o ilusório, com o que só satisfaz aos sentidos físicos.

Sonhos - mensagens espirituais

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 18 - 1999)

O espírito jamais está inativo - informaram a Allan Kardec as entidades superiores que lhe ditaram as respostas às perguntas de O Livro dos Espíritos. Assim é que, enquanto o corpo físico repousa, durante o sono, os liames que o unem ao espírito se afrouxam e este percorre o espaço, entrando em relação mais direta com ous outros espíritos. Podemos julgar dessa liberdade do espírito durante o sono exatamente pelos sonhos, dizem-nos os tutelados do Espírito de Verdade, salientando que então espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília, tendo a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro. Enganamo-nos, muita vez, asseguram os amigos espirituais, quando acreditamos que inexista verossimilhança em muitos de nossos sonhos que consideramos bizarros ou mesmo horríveis (OLE, questões 400 e seguintes).
Fazemos tal intróito para comentar as experiências do confrade João Pinto Bastos da Silva, militante do movimento espírita baiano, com relação aos sonhos premonitórios. Antes de registrá-las, porém, vejamos o que Kardec, devidamente assessorado pelos Espíritos Superiores, diz-nos a respeito das premonições através dos sonhos. Podem ser algumas vezes, tais sonhos - dizem -, "um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar, a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhe está acontecendo? O que são essas aparições, senão a alma ou o Espírito dessas pessoas, que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem a ver com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento, durante a vigília?"
Vamos, então, aos relatos de João Pinto da Silva. No município de Mata de São João, distante 70 km de Salvador, uma irmã deste confrade construiu uma casa e o convidou a ir conhecer o imóvel. Na noite anterior à viagem, João sonhara que se deslocava à referida cidade, vendo, com perfeita nitidez, que toma o trem e, pouco tempo depois, saltava na estação, subia por uma ladeira e, ao chegar à praça principal, olhava à esquerda, deparando-se com a construção que ia visitar, observando-lhe todos os detalhes, inclusive as cores. Quando, no dia seguinte, procedeu exatamente como no sonho, olhando à esquerda ao chegar à praça e após ter subido a ladeira ao sair da estação, tele ele a convicção de que havia ido em espírito a Mata de São João.
De outra feita, o trabalho levou João Pinto a Brasília, conhecendo na capital federal a livraria da Federação Espírita Brasileira, na Galeria dos Estados, além de uma banca de livros espíritas da União Espírita de Brasília, perto da estação rodoviária. João voltou a Salvador com a ideia de instalar na cidade uma livraria fora do centro espírita que frequentava. Depois de muita procura, encontrou uma loja dentro de suas possibilidades econômicas, embora seus recursos fossem insuficientes para a compra imediata. Mas ele tinha, além da caderneta de poupança, também umas ações do Banco do Brasil que poderia negociar, mas ficara em dúvida se se desfaria delas ou não. À noite, entretanto, João sonhara que alguém se lhe aproximava e dizia: "Venda, que vai baixar". No dia seguinte ele procurou um corretor que o orientou a não vender os papéis, alertando para uma provável valorização. Mesmo assim, João preferiu a venda. Dois anos depois, apensa da inflação à época, os títulos tinham se desvalorizado abaixo da metade do valor pelo qual foram negociados. Nisso, a loja tinha sido comprada e a livraria, instalada.
Após sua aposentadoria, João Pinto da Silva adquiriu um sítio perto de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo, onde pôs um trabalhador, Antonio, para tomar conta da roça. Semanalmente, João inspecionava o local, sempre às sexta-feiras. Havia um trecho de um quilômetro, na estrada, que, quando chovia, impedia o tráfego de carros. Para evitar tal transtorno, João comprara dois burros: um, branco e vagaroso, o qual Antonio montava sempre; o outro, marrom, tinha sido adquirido junto a um empregado de uma usina. Aqui deixamo o autor contar a história que ele intitulou "Os quatro burros":
"Compramos madeira para fazer cercas, descarregada no início da estrada lamacenta. Na sexta-feira pedimos a Antonio para pegar os burros e colocar a madeira na roça. Na semana seguinte resolvemos antecipar nossa ida ao sítio para quinta-feira. Na noite de quarta, sonhamos que Antonio estava se afastando da roça montado no burro marrom. Quando chegamos, encontramos a madeira no mesmo lugar e Antonio preparando os animais para levá-la para dentro. perguntamos a ele por que não executara a tarefa, já que ele tivera quatro dias para isso. Antonio respondeu que tinha coisas para fazer fora e não ia ficar aqui dentro. Despedimos Antonio, que, naturalmente, levou suas coisas montado no burro branco. Tempos depois nos aparece um preposto da usina para nos informar que o empregado que houvera nos vendido o burro marrom não podia tê-lo feito, pois ainda não havia pago totalmente o animal. E assim nosso sonho, que fora premonitório, realizara-se integralmente: saíra o burro marrom e Antonio. Temos aí a história dos quatro burros: o branco, o marrom, Antonio, que perdeu o emprego, e..." 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Panteísmo

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 21 - Ano II - Junho.2000)

As questões 14 a 16 de O Livro dos Espíritos fecham o primeiro capítulo, dedicado ao tema "Deus", e abordam exclusivamente a noção de panteísmo, falsa doutrina segundo a qual tudo é a divindade, uma vez que tudo no universo foi criado por Deus. O estudo acurado do Espiritismo nos mostra que tal pensamento carece de solidez. "Não podendo ser Deus, quer o homem ser, ao menos, uma parte de Deus", respondem os Espíritos Superiores a Allan Kardec (questão 15), revelando a inconsistência do panteísmo, resultado da pouca compreensão dos homens acerca do universo, da natureza e do próprio Deus.
Em decorrência desse pouco entendimento, os homens primitivos idealizaram a crença em pretensas representações de Deus, através de ídolos, chegando ao cúmulo de a eles fazerem oferendas, incluindo-se aí até mesmo o sacrifício de animais e de seres humanos. Mais tarde, a teologia elaborou o conceito de que os homens foram feitos à imagem e semelhança do Criador e assim concebeu-se um Deus antropomorfizado. Tal ideia leva a pensar que cada um, então, imagina Deus a partir de si próprio, com as virtudes e imperfeições que tiver, o que é absurdo.
- Deus é um ser distinto ou, como pensam alguns, será a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do universo?, indaga o Codificador (q. 14), recebendo dos amigos espirituais esta resposta: "Se assim fosse, Deus não existiria, porque seria efeito e não causa. E ele não pode ser simultaneamente uma e outra coisa". Isso porque, como já vimos anteriormente, Deus é a "causa primeira de todas as coisas", conforme a definição dos Espíritos, na pergunta que abre a primeira obra da Codificação Espírita. "Deus existe - não podeis duvidar - e isto é o essencial", frisam os Espíritos Superiores.
Continuando, eles dizem: "Não queirais ir além. Não vos percais num labirinto de onde não podereis sair. Isto não vos tornaria melhores, mas talvez mais orgulhosos, porque acreditaríeis sabe quando na verdade não sabeis. Então ponde de lado todos esses sistemas; há mujitas coisas que vos tocam diretamente, a começar por vós mesmos. Estudai vossas imperfeições, a fim de vos desembraçardes delas; isto será mais útil do que pretender penetrar o impenetrável".
Neste momento vem bem a calhar a ponderação do dramaturgo inglês William Shakespeare: "Há muito mais entre o céu a terra do que sonha nossa vã filosofia" (o grifo é nosso). Mas é do homem dar asas à imaginação e por vezes essa asas são a cegueira e a incoerência, até que por fim venha o esclarecimento, à custa de muito esforço. Somente então é que se chega ao entendimento das palavras do Cristo, segundo as quais precisamos adorar a Deus "em espírito e verdade".
Assim, os que professam o panteísmo - por incrível que possa parecer, essa crença ainda persiste, mesmo em meio a homens ditos esclarecidos - "pensam nele achar a demonstração de alguns atributos de Deus. Sendo os mundo infinitos, por isso mesmo Deus o é também", pondera Kardec. Seguindo esse pensamento, o Codificador inquire os Espíritos: Não havendo o vácuo em parte alguma, Deus está em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, a todos os fenômenos da natureza ele dá uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a esse raciocínio?" A resposta é a da lógica, da coerência e do bom senso que caracterizam a Doutrina Espírita: "A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo", dizem os Espíritos Superiores.
Por fim, Kardec rechaça o panteísmo nestes termos: "Essa doutrina faz de Deus um ser material e, posto que dotado de uma inteligência suprema, seria em ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno. Ora, desde que a matéria se transforma incessantemente, se assim fosse, Deus não teria estabilidade; estaria sujeito a todas as vicissitudes, a todas as necessidades da própria humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da divindade: a imutabilidade. Não é possível aliar as propriedades da matéria à ideia de Deus sem o rebaixar em nosso pensamento; e todas as sutilezas doi sofisma não conseguirão resolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos tudo que ele é, mas sabemos aquilo que ele não pode ser, e esse sistema (o panteísmo) está em contradição com suas propriedades mais essenciais; ele confunde o Criador com a criatura, do mesmo modo como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse uma parte integrante do mecânico que a idealizou. A inteligência de Deus se revela em suas obras, como a de um pintor em seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, do mesmo modo que o quadro não é o pintor que o concebeu e realizou" (grifo nosso).

Análise de filme - Melhor impossível

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 21 - Ano II - Junho.2000)

Muitos dos frequentadores de casas espíritas adentram os pórticos do Espiritismo com a firme determinação de buscar respostas convincentes para suas inquietações existenciais, além do simples consolo para as dores morais e até mesmo físicas. Assim, não raro se deparam com a necessidade da reforma íntima, como condição sine qua non pra a obtenção, assimilação e continuidade dos benefícios buscados.
O filme estrelado pelo ator Jack Nocholson oferece-nos ensejo para comentários sobre o tema. Reforma íntima, em essência, é o entendimento da frase cunhada por Allan Kardec no tópico 4 do capítulo "Sede perfeitos" de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado "Os bons espíritas". A frase reza o seguinte: "Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz pra dominar suas más inclinações".
Sabemos que todos somos possuidores de vícios (defeitos) e virtudes, em maior ou menor grau na relação entre estas e aqueles. A reforma que cada um de nós precisa fazer em si mesmo é jsutamente equilibrar essa relação, o que significa dizer que as virtudes devem preponderar sobre os defeitos, como numa balança em que um dos pratos deve estar muito abaixo do outro.
Para tanto, o trabalho no campo moral impõe-se como catalisador desse equilíbrio, levando o ser a se pautar pelo comportamento exemplificado pelas lições do MEstre Jesus. Tal é o impositivo da Lei de Evolução a que todos estamos submetidos. Para mais esclarecimentos, sugerimos consulta à obra Fundamentos da reforma íntima, ditada pelo Espírito Cairbar Schutel ao médium Abel Glaser. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Análise de filme - O pequeno Stuart Little

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 21 - Ano II - Junho.2000)

Uma fantasia para divertimento das crianças também pode nos oferecer pontos para reflexão. No caso desse filme, uma das principais lições é a do convívio com as diferenças. No campo espiritual, em se sabendo que os espíritos foram criados simples e ignorantes e evoluem cada qual a seu tempo, a desigualdade de aptidões morais e intelectuais é também patente, ao ponto de Allan Kardec ter elaborado uma escala espírita.
No plano físico, essas diferenças podem ser observadas melhor desde o âmbito familiar, como é ressaltado no filme. Ainda que os casais se formem também pela afinidade física, em complemento do afeto que os una, os pais por vezes se surpreendem com a heterogeneidade que marca sua prole, iludindo-se com a vaidade de que os filhos herdam traços de seu caráter, além dos componentes genéticos.
Na verdade, cada um desses seres é um espírito, uma individualidade, de acordo com as palavras de Jesus, quando afirmou que "o que vem da carne é carne, o que vem do espírito é espírito", embora o espírito do filho não proceda do espírito dos pais. O que Jesus quis dizer, segundo nos esclarece a Doutrina Espírita, é que os espíritos vêm à Terra procedentes do mundo espiritual, enquanto o ambiente físico é próprio da carne, ou seja, da matéria.
"Os pais transmitem aos filhos uma porção de sua alma, ou nada mais fazem do que lhes dar a vida animal, a que uma nova alma vem juntar depois a vida moral?", pergunta Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. Em resposta, os Espíritos Superiores informam: "Somente a vida animal, porque a alma é indivisível. Um pai estúpido pode ter filhos inteligentes e vice-versa".
Compete aos pais procurar equilibrar essas diferenças, através da educação ministrada aos filhos, corrigindo más tendências que se manifestem desde cedo, e estimulando o exercício das virtudes. Aqueles que se interessarem pelo aprofundamento do tema poderão recorrer ao livro Nossos filhos são espíritos, do escritor espírita Hermínio Miranda.

Música & mensagem - O velho Francisco

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 21 - Ano II - Junho de 2000)

Essa música de Chico Buarque (letra abaixo) dá-nos ótima oportunidade para abordarmos aqui a tese comprovada da reencarnação. Comprovada porque renomados cientistas, a exemplo do norte-americano Ian Stevenson e o indiano Hamendras Banerjee, além do brasileiro Hernani Guimarães Andrade, já se debruçaram cobre a questão e deixaram claro - menos, talvez, para os negadores sistemáticos - em suas conclusões que os sucessivos renascimentos são uma realidade. Isso demonstra a verdade por trás das revelações do Espiritismo, que veio descortinar para o homem comum a existência de leis naturais que regem a vida e mostrar que o Espírito não é criado no momento em que a criatura sai do ventre materno. Pelo contrário, cada criança que vem ao mundo seguramente já teve por vezes muito mais existências que os próprios pais e terá várias outras até que alcance um estado em que não precise mais reencarnar. Tal é o impositivo da Lei de Evolução, que regula o progresso em todos os setores do universo, assegurando a vontade de Deus, cuja justiça soberana estabelece que tudo deve caminhar para a perfeição.
Acredite-se ou não na reencarnação, na condição todos estamos submetidos a ela. O fato é que a rigor não recordamos de nossas vidas anteriores, o que leva grande parte das pessoas a duvidar dessa realidade. O esquecimento do passado, entretanto, decorre da aplicação da justiça divina, como acréscimo de misericórdia pra nós. Imagine-se uma situação em que membros de uma família se descobrissem inimigos de outras existências, durante as quais mataram, traíram, roubaram e vilipendiaram-se mutuamente, provocando ódios, dores e muito sofrimento. Ora, a justiça da reencarnação está em que os seres precisam depurar os sentimentos negativos, aprendendo a superar as situações afligentes comportadas no relacionamentos, a fim de que avancem na senda do progresso espiritual. Recordando tudo (ou quase tudo) que fez ou sofreu no passado, que condições de melhoramento terá uma pessoa que ainda guarda feridas abertas no coração, em função de ver ao lado aqueles a quem causou dor ou deles fora vítima?
Assim, o ser espiritual tem a seu favor, constantemente, as bênçãos do céu, de acordo com as palavras dos Espíritos Superiores a Allan Kardec, em resposta à questão 171 de O Livro dos Espíritos: "Um bom pai deixa sempre a seus filhos uma porta aberta para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto privar irremissivelmente da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o próprio melhoramento? Não são todos os homens filhos de Deus? Só entre os homens egoístas é que se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos irremissíveis". Aí é que se evidencia o ensinamento de Jesus, quando disse a Nicodemos "necessário vos é nascer de novo" para entrar no Reino de Deus, pois não é possível realizar em uma só existência todas as transformações morais que farão o Espírito atingir a condição dos seres venturosos que se encontram mais próximos de Deus, gozando daquela perfeição relativa que é a meta a que todos nos conduzimos.

O velho Francisco

Já gozei de boa vida
tinha até meu bangalô
cobertor, comida
roupa lavada
vida veio e me levou

Fui eu mesmo alforriado
pela mão do imperador
tive terra, arado
cavalo e brida
vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
vem aí meu grande amor
ela vem toda de brinco
vem todo domingo
tem cheiro de flor

Quem me vê, vê meu bagaço
do que viu quem me enfrentou
campeão do mundo
em queda de braço
vida veio e me levou

Li jornal, bula e prefácio
que aprendi sem professor
frequentei palácio
sem fazer feio
vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
vem aí meu grande amor
ela vem toda de brinco
vem todo domingo
tem cheiro de flor

Eu gerei dezoito filhas
me tornei navegador
vice-rei das ilhas
da Caraíba
vida veio e me levou

Fechei negócio da China
desbravei o interior
possuí mina
de prata, jazida
vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
vem aí meu grande amor
hoje nem deram almoço, né
acho que o moço até
nem me lavou

Acho que fui deputado
acho que tudo acabou
quase que
já não me lembro de nada
vida veio e me levou

domingo, 1 de setembro de 2013

A "máquina de fazer doido" está descontrolada

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 4 - Ano I - Julho de 1998)

É notório que a televisão é o mais poderoso e influente meio de comunicação que o homem já inventou. Em apenas meio século (data do final dos anos 40 sua invenção), ela passou a ser um forte indicativo do progresso entre todas as camadas sociais. Até o começo da década de 1980, quem não possuía um aparelho de TV não estava integrado à sociedade (de consumo, como se definiu depois). Hoje, essa integração está tão disseminada que qualquer barraco, por mais humilde que seja, exibe um televisor (os preços caíram muito desde 1960), muitas vezes o único responsável pelos momentos de lazer e diversão de famílias inteiras.
E é esse poder de penetração da TV, principalmente junto às camadas menos esclarecidas da população, que torna esse sistema de comunicação tão útil quanto perigoso. Questionados a respeito do progresso material, os Espíritos responderam a Allan Kardec que toda invenção é boa desde que os homens façam bom uso dela. Perguntamos, por nossa vez, se temos feito bom uso da televisão, um instrumento de comunicação instantânea que deveria, segundo entendemos, propiciar meios de educação coletiva, esclarecendo mentes e diminuindo de modo gradativo as disparidades sociais.
O que se vê, ao contrário, são emissoras generalizando e banalizando os aspectos mais grotescos e menos instrutivos do comportamento humano. Cenas de violência, sexo, hábitos insalubres e barbarismo são comuns, atualmente, nas telas de TV (a "máquina de fazer doido", na definição do escritor e humorista Sérgio Porto, já desencarnado e reconhecido pela alcunha de Stanislaw Ponte Preta), influenciando principalmente crianças e adolescentes. Recentemente, um programa infantil japonês causou distúrbios psicopatológicos em várias pessoas - tanto crianças quanto jovens e adultos - devido aos efeitos produzidos pela manipulação de cores e luzes.

Influência espiritual

Há algum tempo, a psicóloga transpessoal baiana Ruth Brasil Mesquita - atualmente diretora do Departamento de Assuntos Doutrinários da Federação Espírita da Bahia (FEEB) - referiu-se, numa palestra ao público espírita, à influência dos espíritos fascinadores sobre as pessoas encarregadas de coordenar a programação das estações de TV e também ,sobre os donos dessas emissoras. Segundo Ruth, tais espíritos, que se incluem facilmente no primeiro degrau da escala espírita elaborada por Kardec ("espíritos impuros"), se encarregam de tornar os programadores menos criteriosos na hora de suscitar a criação local e de comprar filmes e programas estrangeiros, priorizando o que tenha mais apelo popular. O principal critério seria, então, o da excitação dos sentidos, ou dos instintos mais primários.
A tese de Ruth explicaria, em parte, o volume de informações sobre o qual se debruçam educadores, psicólogos, sociólogos e "comunicólogos" (estudiosos do processo de comunicação), na tentativa de enxergar a natureza dos efeitos da TV no comportamento humano. Atitudes éticas, pautadas no bom senso, poderiam talvez evitar que crianças, procurando imitar ídolos criados pela TV (e pelo cinema), saíssem armadas para intimidar colegas e professores e até matá-los, como aconteceu em março (de 1998), nos Estados Unidos.
Quem detém um poder como o da televisão - e no Brasil ele é uma concessão governamental -, capaz de manipular consciências, tem responsabilidades muito grandes. Um programa de TV, antes de ser apenas entretenimento, deve promover o ser humano e não tratá-lo ao nível de animais, como é visto hoje em dia. Não é por acaso, portanto, que programas religiosos tenham que comprar espaços pra exibir suas mensagens e muitas vezes só conseguem uma faixa de horário em que boa parte do público ainda está dormindo. É claro, alguns religiosos conseguem ter sua própria emissora e até mesmo uma rede de TV.

Exceções

Quanto aos espíritas, já é possível ter alternativas, mesmo na chamada TV comercial. Quem deseja ver e ouvir as mensagens do verdadeiro e único Espiritismo encontra opções principalmente na Rede Globo e na TV Bandeirantes. E emissora carioca, que já produziu novelas com temáticas espíritas e pelo menos três vezes por ano (até então) realiza reportagens sobre mediunidade, veicula(va) toda quinta-feira, cinco minutos antes do Telecurso, a mensagem de "bom dia" da Federação Espírita Brasileira (FEB). A Band, por sua vez, transmite (não mais), em Salvador, o "Visão Social", programa conduzido nas manhãs de sábado pelo médium José Medrado; no Rio de Janeiro, no mesmo dia e horário, vai (ou ia) ao ar o "Despertar do Terceiro Milênio", com apresentação de Joel Vaz, um dos diretores da Globo.
Correndo por fora, o "Espiritismo via Satélite", transmitido diretamente de Salvador para todo o Brasil e América do Sul, desempenha há mais de dois anos a tarefa de divulgar a Doutrina Espírita para, pelo menos, cinco milhões de pessoas, principalmente onde a TV comercial não tem presença muito forte e os aglomerados populacionais carecem de atividades de entretenimento educativo. Com seu programa, o apresentador Alamar Régis Carvalho tem procurado dissipar, todos os domingos, o véu de misticismo que cerca o Espiritismo por este Brasil afora, tentando livrar as consciências da ignorância e do apego a pensamentos e valores que não condizem mais com o adiantamento moral e intelectual que se exige da Humanidade.

sábado, 31 de agosto de 2013

Implosão da moral na Torre de Babel

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Pressionado pela opinião pública e, certamente, pela direção da Rede Globo, o autor da novela Torre de Babel (em cartaz naquele ano), exibida no horário das 20 horas, decidiu eliminar parte de seus personagens, incluindo aqueles mais polêmicos. Numa explosão do shopping center que ambientava algumas cenas foram embora o par de mulheres homossexuais, o pai do presidiário, a velhinha da cadeira de rodas, o filho do dono do shopping, viciado em drogas, e vários figurantes.
A pressão dos telespectadores se deveu à forte carga de amoralidade presente na novela, chamando a atenção não apenas das pessoas comuns como daquelas comprometidas com a formação de crianças e jovens, a exemplo do próprio cardeal do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, um dos primeiros a demolir verbalmente a "torre" da Globo. A partir de então, entidades representativas de vários setores, principalmente religiosos, também passaram a bradar.
Sob o argumento de que a realidade muitas vezes supera a ficção, não poucos escritores se ocupam de fatos reais para compor suas obras, dando vazão a ideias que muitas vezes chovam o senso comum. É bem verdade que, hoje em dia, esse senso, indicador do nível moral da sociedade, anda meio vilipendiado, mas ele deve sempre prevalecer como parâmetro das relações humanas. A novela começou recheada de tipos moralmente desajustados e embora esteja se depurando, por força das pressões, ainda incomoda muitas pessoas.

Babel moral

Talvez incomode por retratar a realidade - e é aí que Torre de Babel choca. É certo que todos estamos expostos a situações por vezes embaraçosas mal pomos os pés na rua. No entanto, pensamos sempre estar resguardados de tais episódios no recesso do lar, onde a TV é o passatempo mais frequente, nestes tempos, malgrado os programas jornalísticos invadirem nossas casas com todas as cores e sons da violência praticada no mundo. A novela, que deveria ser um refrigério após tantas imagens da miséria cotidiana, em vez de trazer-nos entretenimento reforça o horror.
Mais grave é que as cenas atinjam também a mente em formação das crianças, que têm seu senso de moral deturpado pela "naturalidade" com que certos conceitos são colocados, seguramente em desacordo com o ensinamento da maioria dos pais. E num país, como o Brasil, em que as pessoas pouco têm acesso ao sistema formal de educação, vez que a exclusão predomina entre o povo, é até mesmo cruel ficarmos entregues aos critérios e/ou falta de critérios de quem comanda a programação televisiva.
Mas sempre recebemos da misericórdia divina o que merecemos e necessitamos. Sendo assim, a "torre" da Globo só faz retratar a babel moral em que se tornou a vida moderna, de forte competição pelas conquistas sociais, revelando nosso grau de merecimento, já que pensamos não necessitar daquele tipo de mensagem.
Podemos, então, dividir a sociedade atual em duas camadas: a primeira, formada pelas pessoas interessadas em colaborar para a elevação do senso comum, pautando suas atitudes pela ética, o que significa seguir sempre o caminho do bem; a segunda, composta por quem pretende tirar partido da fraqueza alheia para auferir benefícios próprios, que deseja conquistar o melhor da vida sem se importar com os meios utilizados para isso, ou seja, vendo no semelhante um obstáculo e não um parceiro nessa conquista.

Experimentar Jesus 

Cremos ser pertinente, agora, relatar uma história real que muito bem pode explicar a razão por que a humanidade (em muitas coisas, nós, brasileiros, repetimos e assimilamos a condição de vários outros povos) se encontra nesse caos moral.
Ao final da Segunda Grande Guerra, quando o mundo se ocupava da reorganização da vida em cada país, uma revista de grande circulação nos Estados Unidos lançou um concurso para saber das pessoas de que forma seria possível estruturar as sociedades de tal maneira que pudessem superar os conflitos. Oferecia, em troca, uma elevada soma em dinheiro.
Terminada a fase de sugestões, os promotores do concurso passaram à apuração das milhares de ideias enviadas à redação da revista. Para surpresa dos leitores e dos próprios organizadores, os jurados resolveram premiar o autor de uma frase simples, elaborada com apenas duas palavras. Dizia a sugestão vencedora: "Experimentem Jesus".
Apenas isso, bastava experimentar Jesus, ou seja, vivenciar as lições do Mestre contidas em seu Evangelho de amor, para que a face do mundo se transformasse, pela própria transformação moral das pessoas. Era só seguir os exemplos do Cristo para deixarmos a barbárie e começarmos a atingir a condição de santos e, depois, dos anjos. Bastava sermos instrumentos da paz para que as guerras fossem abolidas, irmanando-nos finalmente num grande e único rebanho sob a direção do amoroso Pastor.
Entretanto, em vista do estágio em que ainda nos encontramos, aquela sugestão vencedora do concurso citado acima não foi aplicada a contento e eis-nos fazendo parte dessa babel onde a decadência moral em quase tudo faz lembrar os fariseus que, ao tempo do Cristo, aborreciam-se com a palavra rigorosa de Jesus, que não transigia com os hipócritas que por fim o levaram à cruz, mancomunados com os doutores da lei. O mundo precisa, mais do que nunca, do Evangelho, precisa experimentar Jesus e seus ensinamentos, para que o caos enfim resulte em ordem.

As benesses

Irmã Rafaela

Sim, de Deus vêm todas as benesses, apesar da ingratidão dos homens. Como o Pai amantíssimo que é, Ele tudo faz e fará por suas criaturas, ainda que estas se aferrem à rebeldia irresponsável, esquecidas de que um dia, mais cedo ou mais tarde, terão de responder por todos os atos cometidos contra as eternas leis. Chorarão, então, mas já sem direito a reclamações; pelo contrário, implorarão a ocasião do ressarcimento, preparando-se para novas provas na carne.
Pobres homens que o orgulho corrompe! Dia virá em que buscarão o chão sob seus pés e não o encontrarão, por terem desperdiçado a oportunidade da semeadura e desprezado os conselhos do Alto. Será então que o Pai que desconheceram lhes enviará seu Anjo, a fim de que despertem a consciência para a prática do Bem, corrigindo-se.
Mas vós já tendes a tarefa iniciada, meus filhos, e deveis marchar intimoratos, certos de que as bênçãos de Deus vos preenchem o ser, impulsionando-vos na caminhada. Segui, pois, para que os demais vejam em vós o exemplo a seguir.
Deus vos abençoe sempre.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Análise de filme - Armageddon

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Até onde o filme "Armageddon" é ficção?
Será que, às portas do terceiro milênio, um asteroide colidirá com a Terra, ameaçando a vida no planeta?
A proposta de um "fim do mundo" (físico) com a destruição do planeta Terra por um meteoro é fomentada pelo medo da proximidade do ano 2000.
Igualmente aconteceu com a Humanidade nos fins do primeiro milênio: todos achavam-se perto do fim dos tempos e que tudo terminaria.
Sabiamente, o governo americano vende a imagem de que os habitantes da Terra não temos que estar preocupados com o "armagedom", pois eles - os norte-americanos - têm o controle nas mãos.
Mas o que nos dizem os Espíritos a respeito?
Primeiro, que nosso planeta se encontra num processo de mudança: deixará de ser um mkundo de provas e expiações para se transformar num mundo de regeneração; porém, não no sentido material, mas, sim, moral. Chegaremos, pois, aos anos 2000, 2001, 2002... e tudo isso acontecerá sem maiores perturbações.
Segundo, que nossa humanidade, ainda atrasada, sempre esteve em conflitos, guerras e destruições, o que não deixará de existir até que os homens tiremos de nosso íntimo os princípios egoístas arraigados. E isso levará tempo, pois a natureza não dá saltos.
Terceiro, o universo encontra-se controlado: a inteligência suprema dirige absolutamente tudo, e nosso orbe está protegido.
A proposta espírita é otimista. Depois que realizarmos nossa reforma íntima conjuntamente, nosso planeta dará sinais de ter ingressado num nova etapa, na tão ansiada Era do Espírito.
Até lá, é trabalhar em nós mesmos e confiar.

Análise de filme - Titanic

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Há uma cena no filme "Titanic" que merece alguma reflexão por parte dos espírita e das pessoas interessadas nesses temas. É quando, no final, a personagem Kate, idosa e incógnita no vaio de pesquisa, desencarna e retorna ao Titanic afundado, indo encontrar-se com o antigo namorado, que a esperava juntamente com toda a tripulação (passageiros, inclusive). Fantasia do diretor da fita, procurando dar um final feliz a sua produção? Nem tanto. Do mesmo modo como muitos espíritos ficam perto de seus despojos físicos, desconhecendo terem desencarnado, aqueles que pereceram por naufrágio igualmente permanecem sob as águas, até que um dia a consciência lhes esclareça sua real situação. A título de melhor elucidação, recomendamos o livro "Às margens do rio sagrado", no qual o autor espírita Edgard Armond cita o trabalho de equipes espirituais responsáveis pelo atendimento a espírito que se mantêm "afogado" no Rio Ganges, na Índia.

Amor aos criminosos

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

O Evangelho do Cristo nos ensina a não julgar ou condenar os atos de quem quer que seja, porque pela medida que julgarmos seremos julgados. O próprio Jesus, segundo nos conta o relato bíblico contido no Novo Testamento, isentou-se de julgar a mulher adúltera que lhe apresentaram, por se reconhecer sem esse direito. À turba enfurecida, simplesmente argumentara: "Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra". Um por um, todos foram embora e o Cristo, que rabiscava na areia, alteia os olhos amorosos e, vendo que os acusadores já não estavam ali, dispensa a pecadora: "Se ninguém te acusa, eu também não te condeno. Vai e não peques mais".
Fazemos esse preâmbulo para falar do homem que a imprensa, naquele ano, rotulou de "maníaco do parque", autor de crimes bárbaros contra mulheres jovens da cidade de São Paulo. De acordo com a psiquiatria e a psicologia, ele certamente se enquadra nas descrições dos tipos tidos como psicopatas, portador de distúrbios que o impedem de se relacionar bem com as mulheres, no caso em questão. Conforme declaração da mãe desse rapaz, ainda no vigor de sua juventude, ele jamais mostrara algum traço de anormalidade, portando-se em casa conforme o que se espera de alguém social e moralmente sadio.
Então, como avaliar suas confessadas atitudes criminosas a não ser do ponto de vista da obsessão, estado psicopatológico responsável por uma variada gama de tragédias que têm acometido muitas pessoas em todas as partes do mundo? Trata-se, evidentemente, de uma mente em desequilíbrio sintonizada com outra(s) mente(s) também desequilibradas. Eis por que ele teria dito, já na prisão, que, se fosse posto em liberdade, iria "engolir viva uma mulher". O transtorno mental, agora, se escancara porque já não há necessidade de mistificar ou se esconder: o criminoso foi descoberto e ele já não tem nada a ganhar fingindo, pelo contrário, seu ego carente de atenções chama para si os holofotes.
A obsessão guarda suas origens no recôndito da alma, perdendo-se nas incontáveis experiências vivenciadas pelo Espírito nas múltiplas existências. Os criminosos de hoje são tanto algozes (aos olhos do mundo) quanto vítimas de sua própria condição espiritual, inferiorizada pelas más tendências, que os obsessores se encarregam de explorar.
Os Espíritos Manoel Philomeno de Miranda, André Luiz e Bezerra de Menezes, dentre outros, traçam, em livro como Loucura e Obsessão (psicografia de Divaldo Franco) e Libertação (por Chico Xavier), as paisagens dessa psicopatologia. paralelamente, ensinam que a terapia do perdão sincero e do serviço nas obras beneméritas são o remédio mais eficaz para superação dos dramas que afetam famílias e superlotam manicômios, hospitais, sem que os médicos sequer entendam o que acontece. Alguns, mais sensatos, recomendam que o paciente recorra a um centro espírita, que, sendo sério, poderá ajudar bastante.

Compaixão

Embora os criminalistas vejam esse homem - o "maníaco do parque" - apenas como um assassino frio e cruel, é preciso ver nele também e principalmente um espírito perturbado e merecedor de piedade, justamente por ter se deixado enveredar pela senda criminosa. Como um obsesso que certamente é, foi levado, por invigilância, aos caminhos nefastos que os apelos do sexo tornaram-lhe irresistíveis. Desse modo, convém sempre não fazermos eco às acusações que lhe pesam, porque, além da justiça terrena, ele também responderá perante os tribunais de sua própria consciência.
É o que nos ensina o Evangelho do Cristo: se devemos amar-nos uns aos outros, por que motivo esse amor não deveria abarcar também aqueles que se transviaram no caminho, preferindo trilhar as sombras? Não somos todos semelhantes, filhos do mesmo Deus? As ovelhas desgarradas também são do interesse do pastor e ele as quer de volta ao aprisco.
Sobre esse tema, o Espírito Elizabeth de França, tal como relatado por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, reforça: "Amai-vos, pois, como filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre vós, para vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados à prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências".

O espírita perante as eleições

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro de 1998)

Ainda que no Brasil - e no resto do mundo, inclusive nos países considerados desenvolvidos - a atividade política seja vista como prática ilícita, tantas são as notícias de corrupção envolvendo governantes e representantes dos interesses do povo, o brasileiro, de modo geral, é instado, nessas ocasiões, a tomar partido, mesmo que indiretamente, por este ou aquele candidato. Embora seja um direito do cidadão, o voto, neste País, é obrigatório e sua abstenção impõe sanções ao eleitor. Assim, todos são "democraticamente" convocados a comparecer às urnas e cumprir esse dever para com a pátria, independentemente de qualquer ideologia.
Os espíritas, é claro, não fogem à regra e também são chamados a se pronunciar através do voto. Como se trata de tentativas (renovadas a cada quatro anos) de construção de uma nação comprometida com os ideais que norteiam o progresso sócio-cultural da população, cabe principalmente aos espíritas irem às urnas com a intenção fervorosa de que o panorama político do País realmente se modifique, para que nos anseios por uma vida digna resultem em conquistas satisfatórias para a maioria da população, senão para todos os brasileiros.
É comum observar-se no Movimento Espírita uma certa indiferença e até mesmo uma franca oposição à participação política, tal o conceito negativo de que os políticos modernos se revestem, com as devidas ressalvas. Mas quem age ou pensa assim talvez desconheça que a vida em sociedade é totalmente política e essa função está presente até mesmo no âmbito do Movimento Espírita. O progresso espiritual não prescinde das relações políticas, inclusive a de nível partidário, por implicar também o progresso material, obtido pelo trabalho intelectual dos homens.
Como a evolução não se dá apenas no nível individual, importa que os membros da coletividade estejam irmanados e imbuídos do desejo de transformação (melhoramento) geral, para que, mudando intimamente, alcancem a mudança abrangente necessária. É essa a lição educativa do Espiritismo, que objetiva dar aos espíritos encarnados (principalmente) em processo evolutivo a noção exata de fraternidade, isto é, o trabalho de cada um em favor da comunidade em que vive, porque, em suma, o bem de todos é benefício para cada indivíduo que o promova.

A experiência de quem está lá

Tem sido comum alguns espíritas demonstrarem ojeriza à participação política, por conta dos casos de corrupção, fraudes e falcatruas envolvendo alguns dos ditos representantes do povo. De acordo com Luiz Bassuma e Carlito Moreira Menezes, respectivamente vereadores em Salvador e em Feira de Santana (àquela época), essa visão negativa sobre a política precisa ser melhor avaliada pelo Movimento Espírita. Bassuma, engenheiro paranaense radicado na Bahia, atua há 15 anos (à época) no movimento espírita. Segundo ele, o militante espírita não tem o direito de se afastar enquanto não houver equilíbrio social no País. "É egoísmo nosso nos afastarmos quando podemos contribuir com a comunidade", salienta. Carlito Moreira, por sua vez, recorda que o maior representante que o Espiritismo já teve no Brasil, o médico Adolfo Bezerra de Menezes, também exerceu mandatos políticos no Rio de Janeiro, sendo um exemplo de probidade para quantos o queiram imitar.
O vereador feirense, que já ocupou cargos no movimento espírita, a exemplo da presidência da (então) Aliança Regional Espírita 5 (ARE-5), sediada em sua cidade, ressalta ainda um lembrete de Allan Kardec, segundo o qual "na ausência dos bons os maus prosperam". Assim, a presença de homens de bem nos cargos representativos é imprescindível. Para Luiz Bassuma, a militância sindical, paralelamente à atuação no movimento espírita, ajudou na decisão pela candidatura à Câmara Municipal de Salvador. Como vereador, diz, teve a oportunidade de ampliar o trabalho executado na Creche-Escola Allan Kardec, no Nordeste de Amaralina, um dos bairros mais carentes da capital baiana.
Como para justificar que o envolvimento no Espiritismo não garante eleição, Bassuma afirma que só teve 60 votos na comunidade do Nordeste de Amaralina, dentre os 4.500 obtidos no total. De qualquer modo, "não tive a pretensão de vincular a prática assistencial com a política", completou. Com votos conquistados nos vários segmentos sociais, nem Luiz Bassuma, nem Carlito Moreira se acreditam representantes exclusivos dos espíritas nas respectivas municipalidades. Pelo contrário, colaboram mais para o conjunto da sociedade. Carlito, por exemplo, diz apresentar projetos benéficos para a área social de Feira de Santana.
De acordo com Carlito, tudo no País depende de decisão política e por isso não faz sentido as pessoas, principalmente os espíritas, dizerem que se trata de uma atividade suja, mesquinha, e que não é coisa para homens sérios. Caso contrário, pondera, como mudar as coisas? "É preciso colocarmos pessoas sérias e determinadas nos locais sérios". Tanto Carlito, em Feira, quanto Bassuma, em Salvador, garantem que fogem ao estereótipo do político comum por não entrarem nas discussões inócuas e por se pautarem eticamente, adeptos que são de um tipo de moral que não se adequa às práticas de bastidores. Conscientes da condição espiritualista que adotaram, Bassuma afirma não desprezar as intuições vindas do Alto e Carlito, por sua vez, diz que ora muito para obter serenidade nos trabalhos legislativos e sempre conversa com lideranças espíritas para reafirmar apoio e discutir alguns projetos conjuntos.