segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Brasil

Castro Alves

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Brasil, o Mundo a escutar-te,
Pergunta hoje: "O que é?"
Ah! Terra de minha vida,
Responde às Nações de pé!
Das montanhas altaneiras,
Dentro das próprias fonteiras,
Alonga os braços - Sansão!
Sem prepotência ou vanglória,
Grava no Livro da História,
Novo rumo à evolução!

Contempla a sombra da guerra,
Dragão do lodo a rugir,
Envenenando a Cultura,
Ameaçando o Porvir!...
Fala - assembleia de bravos -
Aos milhões de homens escravos,
Sábios loucos Prometeus...
Do píncaro a que te elevas
Dissolve os grilhões das trevas
Na Fé que te induz a Deus!

Brada - gigante das gentes -
Proclama com destemor
Que o Cristo aguarda na Terra 
Um novo Mundo de Amor!
Ante a grandeza que estampas,
Os mortos voltam das campas,
Sublimando-te a visão!
Ao Progresso, Fernão Dias!...
O Dever mostra Caxias,
Deodoro a renovação!...

Dos sonhos do Tiradentes,
Que se alteiam sempre mais,
Fizeste Apóstolos, Gênios,
Estadistas, Generais...
De todos os teus recantos
Despontam palmas de santos,
Augustos pendões de heróis!...
Astros de brilhos tamanhos,
Andrada, Feijó, paranhos,
Em teus céus brilham por sóis!...

Desde o dia em que nasceste,
Ao fórceps de Cabral,
O tempo se iluminou,
Na Bahia maternal!...
Hoje, que o mundo te espera
Para as leis da Nova Era,
Por Brasília envolta em luz,
Que em ti a vida de integre,
De Manaus a Porto Alegre,
No Espírito de Jesus!...

Ao resguardar o Direito,
Mantendo a Justiça e o Bem,
Luta e rasga o próprio peito,
Mas não desprezes ninguém!...
Levanta o Grande Futuro,
Ergue, tranquilo e seguro,
A paz nobre e varonil!...
À Humanidade que chora,
Clamando: "Senhor... e agora?!"
O Cristo aponta: Brasil!...

***
(Psicografado por Francisco C. Xavier mo programa Pinga-Fogo [TV Tupi], no dia 20 de dezembro de 1971.)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sobre o binômio saúde - doença

Francisco Muniz

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No último seminário que realizou em Salvador, no Salão Doutrinário do C. E. Deus, Luz e Verdade, o psiquiatra mineiro Roberto Lúcio de Souza deixou estas informações, que merecem nossas reflexões:

Sobre a mente: "A mente é uma das mais nobres manifestações do Espírito, responsável pela transformação da vontade em raciocínio analítico".

Sobre o animismo, citando Chico Xavier: "Quando o fenômeno mediúnico é muito bom, ele é 80% anímico".

Sobre o conceito de saúde: "Não sabemos o que é saúde, só doença. Emmanuel está certo quando diz que todos no mundo são doentes em busca da cura".

Sobre o conceito de normalidade: "Normalidade, para a medicina, tem a ver com estatística".

Ainda sobre normalidade: "Todo mundo é doido. Todo mundo é doído na alma."

Sobre saúde: Saúde é a real conexão da criatura com o Criador, realizando as leis divinas ou naturais - fenômeno multidimensional e interdependente".

Sobre doença, citando o Espírito Joseph Gleber, autor do livro "O homem sadio": "Doença não é a perda da compreensão da Verdade, é a rebeldia de não vivê-la ou de querer ignorá-la".

Ainda sobre doença: "Diabetes é doença de rebeldes mitômanos".

De novo sobre doença: "É falta de fé, por não reconhecer Deus em seu lugar; fé é insegurança, que expressa egoísmo e dá vez à rebeldia; daí nasce, depois, a culpa que se transforma em remorso e abre campo para a doença, além de possibilitar quadros de obsessão".

Sobre a cura: "É processo de transformação pelo arrependimento, que leva à reparação e à expiação".

Ainda sobre a cura: "É preciso assumir que se está doente, pois a negação só traz alívio dos sintomas (quando o enfermo busca tratamentos), ao passo que a consciência do estado enfermiço, por sua constatação, leva à busca do autoconhecimento".

Sobre o autoconhecimento: "Essa busca gera o reconhecimento de si próprio, que desenvolve a humildade pelo arrependimento e ocasiona o despertamento das potencialidades e a consciência de ser herdeiro de Deus, proporcionando saúde; o autoconhecimento também produz o reconhecimento do outro e da realidade do Criador, levando á aceitação da paternidade divina (fé), possibilitando a vivência da Lei, o que configura a saúde integral, que é a perfeita harmonia da alma".

Por fim,

Sobre a loucura nossa de cada dia: "Louco é quem faz as mesmas coisas todos os dias e espera resultados diferentes" - e citou a Rainha de Copas, personagem do livro "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carrol.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Sobre o livro "Muita luz", de Berthe Fropo

Ery Lopes e Rogério Miguez
(Tradutores)

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Para se compreender bem uma doutrina, além de se estudar a sua essência teórica e seus postulados, é imperativo conhecer a sua historiografia, contextualizando as atividades práticas de seu entorno, ou seja, os acontecimentos históricos que lhe dizem respeito; é preciso conhecer as causas, os propósitos e a efetivação do seu lançamento, bem como o seu desenvolvimento, os desdobramentos, as consequências no seu próprio meio, entre os seus correligionários, e no ambiente externo com o qual tem contato, inclusive as reações adversas a essa doutrina.

Acreditamos que a historiografia espírita é bem pouco considerada, até mesmo, de forma geral, pelos próprios espíritas. Fala-se quase nada sobre este tema, sabe-se muito pouco sobre este assunto. Até mesmo a respeito de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, o desconhecimento é comum, tendo em vista que muitas informações clássicas sobre sua biografia estão sendo reformuladas a partir de novas fontes históricas recém-descobertas.

Em suma, tudo isso vem a corroborar com o velho chavão: o Espiritismo é bem pouco compreendido.

Beaucoup de Lumière vem, então, contribuir para que nos voltemos às origens históricas da nossa querida Doutrina Espírita, a partir de informações que foram ignoradas pelo tempo em que essa obra permanecera no anonimato. E a sua motivação, quer dizer, o que fez com que sua autora empreendesse tal publicação, foi mais do que justa: foi emergencialmente necessária. O Espiritismo, que sempre sofreu com ataques externos, então periclitava por ação direta de agentes internos.

Todas as suas bases doutrinárias estavam sendo sabotadas por dentro; o fundamento da racionalidade, de que tanto Kardec fazia questão de enfatizar, estava sendo corrompido pelo misticismo e religiosismos, levando os espíritas ao ridículo. Era mister um apelo, tal qual propõe a obra de Fropo.

Os poucos trabalhos que se ocupam com a historiografia espírita geralmente têm colocado a figura de Pierre-Gaëtan Leymarie como um legítimo continuador da obra de Kardec e, por conseguinte, um grande trabalhador da causa espírita. Pois, com efeito, esta consideração, em face das novas informações, precisa ser repensada. Leymarie — conforme demonstra Madame Berthe Fropo — foi, ao contrário, um prestador de grande desserviço ao Espiritismo, para não dizermos diretamente um grande traidor. Os fatos apontam realmente que ele desvirtuou a Doutrina dos Espíritos, rebaixando-a ao nível das seitas religiosistas mais vulgares e ao rol das pseudociências exotéricas e místicas, inspiradas no que o orientalismo tem de mais banal. À frente da redação da Revista Espírita, Leymarie fez do mais influente jornal espírita do mundo um catálogo das mais esdrúxulas práticas, tal a de venda de bolas de cristal e cartas de leitura da sorte. Em meio a uma miscelânea de crenças, confundiu as ideias kardecistas com a pretensa "revelação da revelação" de Jean-Baptiste Roustaing e com a obscura doutrina teosófica originária da enigmática Helena Blavatsky, então atada às megalomanias do "soi-disant" americano coronel Olcott.

Não é nossa intenção difamar deliberadamente a figura de Leymarie, mas, como recurso e consequência do curso historiográfico, responsabilizá-lo pelo que adveio com a Doutrina Espírita, que ele tinha por missão — e até por ofício profissional, já que era pago para tal — defender e propagar respeitando sua essência doutrinária. O fato é que Leymarie e seus afiliados esfacelaram o movimento espírita francês e mudaram o rumo da Terceira Revelação. Bem poderia ser que o movimento espírita francês não fosse sobreviver por muito tempo às demais — e não poucas — frentes de ataque, advindas impiedosamente de todos os lados. Contudo, nenhum golpe parece ter tido maior impacto e contribuição para a derrocada do movimento espírita na França e demais países da Europa do que este desferido pelos que seriam as sentinelas da doutrina consoladora.

O reconhecimento desses desvios doutrinários de Leymarie, longe de objetivar degradar sua imagem, ajuda-nos hoje a termos consciência da falibilidade dos homens, mesmo dos melhores intencionados, especialmente porque, como é sabido, os grandes encargos estão passiveis de grande provações, dentre as quais a de assédio de Espíritos obsessores — ao que não seria prudente a nenhum de nós se considerar imune. Caiu um Leymarie onde qualquer outro poderia cair. E aos falidos, nada menos que nosso mais sincero sentimento de caridade, na firme esperança de que este nosso irmão, de consciência refeita, oferte-se ao Espírito Verdade para uma nova e reparadora jornada terrena, pela qual venha desfraldar a bandeira espírita e contribuir para o projeto evolutivo da humanidade.

A queda de Leymarie ajuda-nos a sermos mais racionais com relação aos dirigentes, médiuns e ativistas espíritas — dentre os quais os supostos guias espirituais; ajuda-nos a repensar o movimento espírita atual, pondo-o em comparação com os verdadeiros ideais da Codificação Espírita, os propósitos e metas estabelecidas pela espiritualidade para fazer avançar a humanidade. Esse comparativo, a partir de sua nascente até as gerações subsequentes, é uma das razões pelas quais tanto defendemos a necessidade de se valorizar a historiografia, para que possamos compreender o cenário atual e projetarmos o porvir, requalificando nossas ações atuais a partir dos erros do passado.

***

Você lê o livro na íntegra aqui.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Programa reencarnatório

Francisco Muniz

“Não vos espanteis do que eu disse, que é preciso que nasçais de novo. O Espírito sopra onde quer, e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde ele vem e para onde ele vai. Ocorre o mesmo com todo homem que é nascido do Espírito.” 
(João, 3:1 a 12) 
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De vez em quando, um crítico do Espiritismo busca um adepto da Doutrina para contestar determinados princípios, como, por exemplo, a afirmação de que os Espíritos evoluem principalmente no aspecto moral, criticando o fato de que o crime, a violência, as guerras e os vícios campeiam na Terra. Também fazem questão de se colocar contrariamente à tese da reencarnação, também ligada ao processo evolutivo, sob o argumento de que se fosse como os espíritas apregoam, haveria o mesmo número de encarnados, do ponto de vista populacional, e o progresso moral seria então efetivo. No entanto, dizem, a população do globo só aumenta e os distúrbios entre os homens parece apontar para uma direção completa oposta às afirmações do Espiritismo.

Estaríamos errados, segundo a concepção apriorística dos críticos. E eles seriam melhor informados se se dispusessem a ler com mais atenção certas obras espíritas, a exemplo de Reencontro com a Vida (Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco), em cujo capítulo 20 da primeira parte, intitulado “Programa reencarnatório”, no qual o autor espiritual explica o panorama conflitivo do planeta na atualidade. Segundo Philomeno, a causa de muitos dos problemas sociais, relacionais e comportamentais que experimentamos presentemente está na reencarnação praticamente em massa de verdadeiras legiões de Espíritos ainda na inferioridade, necessitados do devido reajustamento perante as sábias leis divinas.

Convém notarmos, para o bom entendimento das lições desse capítulo, que a palavra “programa” não significa exatamente planejamento, mas ação dos benfeitores espirituais que, em nome de Deus e do Cristo, executam o processo de recambiamento dos Espíritos para as experiências corretivas na matéria. E para compreendermos um pouco mais a diferença entre programa e planejamento, basta recordarmos a informação de André Luiz nas páginas de Missionários da Luz (psicografia de Francisco Cândido Xavier) ao referir-se à reencarnação de Segismundo. Aí, André salienta que a atividade de planejamento de uma encarnação é algo excepcional, porquanto a grande maioria dos reencarnantes obedece a “moldes padronizados”.

Com efeito, Manoel Philomeno ressalta que os bilhões de Espíritos ainda estacionados nas expressões do primarismo e da inferioridade moral são “programados de urgência para que mergulhem nas roupas físicas, a fim de apressarem o processo de evolução pessoal”. Sendo assim, é fácil concluirmos que, nesse processo, não é possível delinear qualquer planejamento específico. Quer dizer, não há um roteiro especial para o aprendizado desses seres, que, digamos assim, são deixados à própria sorte, ainda que assistidos pela divina misericórdia, que a ninguém desampara: “À medida que assumem as vestimentas orgânicas, desvelam os valores que lhes são peculiares, não poucas vezes dificultando a marcha ascensional das demais criaturas ou embaraçando-as com as torpezas que lhe são normais”.

Eis aí uma descrição dos tempos de intolerância, de preconceito, de exacerbação do egoísmo que presenciamos neste momento, confirmando as palavras do Cristo acerca do escândalo, que, embora necessário, penalizará aqueles que o promovam. Também convém salientar que reagir a tal comportamento é igualmente escandalizar, de forma que somos exortados a cada vez mais insistentemente orarmos e vigiarmos, para não nos vermos enredados no mesmo cipoal. Mais que execração, esses nossos irmãos infortunados carecem de maior manifestação de caridade, na forma de esclarecimento, e compaixão de nossa parte, de forma a também quitarmos uma parte de nossos muitos débitos contraídos junto à Lei.

A esse respeito, Philomeno nos diz que, ante esse quadro, não devemos ver o predomínio do mal entre as criaturas: “Há muito joio na seara, no entanto, o trigal nutriente é mais exuberante e produtivo”, afirma o Orientador, acrescentando que “para transformar a erva má em alimento, é que a reencarnação faculta a todos as mesmas oportunidades de modificação da estrutura fundamental de que se constituem”. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Das humanidades

Quando era eu um reles barnabé e prestava serviço à Universidade Federal da Bahia, ouvi de um professor da área médica que o Homem é uma verdadeira praga no corpo do planeta, por ser capaz de acumular arsenais bélicos com o poder de destruir a Terra três vezes! Então militante nas hostes da Doutrina Espírita, presunçosamente eu acreditava que sabia um pouco mais que o amigo acadêmico, apenas porque admitia a imortalidade da alma e ele, hoje na Pátria da Verdade, talvez fosse materialista, e assim considerei: "Se o Homem é o problema, ele também é a solução".
Sigo pensando do mesmo jeito, que ainda não encontrei, em meio ao negativismo reinante, motivos verdadeiramente fortes que me façam mudar de ideia. Sim, enquanto espécie, o Homem é tanto o bem quanto o mal no seio de Gaia e essa condição fica muito bem retratada nos poemas realistas de João Fernando Gouveia neste livro inspirado e inspirador. Nesses poemas, a humanidade é implacavelmente reduzida a suas duas feições naturais: forma e essência, das quais o leitor logo se aperceberá principalmente porque o autor se vale, magistralmente, do pensamento condutor de Augusto dos Anjos, cujo estro encharcado da seiva da vida angustiada ante a morte inevitável questiona a humana fragilidade.
João, desse modo, nos dá uma aula de filosofia, transitando do ponderável ao transcendental, das questiúnculas próprias do ser humano que só enxerga o mundo a partir de sua pequenez às graves argumentações da astronáutica e da biologia, da física e da economia. "Alguém possui uma resposta plausível?" - indaga ele, por sua vez, recordando a eterna dúvida sobre quem somos nós: "Baratas tontas?" - arrisca.
Mas ao mesmo tempo que interroga João Gouveia oferece possibilidades de solução do grande mistério que é o Homem, revelando pistas de sua milenar viagem pelo tempo em busca da razão de si mesmo. Enquanto isso, ele - o Homem - desenvolve sua história, cria o progresso, cresce perante a Natureza que o cerca e, queira ou não, ajoelha-se perante a poderosa força criadora que é seu Criador.
Gigante do pensamento, o Homem vai às distantes galáxias e apequena-se ante a dor que o aniquila; herói das sagas da formação dos povos, sofre ante os impositivos da morte. Que é o homem, por que nos dizemos humanos, que vem a ser nossa humanidade se o mais das vezes, belicosos como (ainda) nos vemos, comprazemo-nos derramando o sangue de um semelhante, desconhecendo ser esse sangue a mesma seiva que nos corre nas veias?
Mas um dia virá o despertamento - pela poesia? pela ciência? pela religião?
Um dia o Homem se descobrirá, revelando seu mais torturante enigma. Nesse dia, praza aos Céus, ele se lembrará de que o chão do planeta, ainda tão adusto, já foi pisado inúmeras vezes por antigos profetas, filósofos, luminares do saber, da arte e da ciência que deixaram aqui traços da imortal sabedoria, esperando que nós, seus herdeiros, refaçamos o caminho da ancestralidade e assim defrontemos nossa verdadeira face.