sábado, 23 de junho de 2018

O sublime triângulo

Emmanuel
(psicografia de Chico Xavier)




A Ciência, a Filosofia e a Religião constituem o triângulo sublime sobre o qual a Doutrina do Espiritismo assenta as próprias bases, preparando a Humanidade do presente para a vitória suprema do Amor e da Sabedoria no grande futuro.
Recorramos, assim, às três vigorosas sínteses da Codificação Kardequiana para comentar, com mais segurança, o tríplice aspecto de nossos princípios redentores.
Com a Ciência, asseverou o grande missionário: "A fé sólida é aquela que pode encarar a razão, face a face."
Com a Filosofia, afirmou, peremptório: "Nascer, viver, morrer, e renascer de novo progredindo sempre, tal é a lei."
Com a Religião, disse bem alto: "Fora da Caridade não há salvação."
Não será justo, assim, em nosso movimento libertador da vida espiritual, prescindir da ciência que estuda, da filosofia que esclarece e da religião que sublima.
Buscando a verdade, colheremos o conhecimento superior; conquistando o conhecimento superior, penetraremos as faixas da evolução e absorvendo-lhes a claridade divina, compreenderemos que somente pela caridade que é amor puro é que viveremos em harmonia com a justiça imutável, erguendo-nos, enfim, à gloriosa ascenção.
Abracemos, pois, em nossa fé santificante, o trabalho paciente da pesquisa honesta e a construção do entendimento, para que a fraternidade cristã possa insculpir em nós mesmos a viva pregação do ideal que esposamos, no serviço aos outros que significa serviço a nós mesmos.
Em suma, instruamo-nos e amemo-nos, uns aos outros, descerrando o coração ao sol da boa vontade infatigável e incessante e o Espírito da Verdade nos tomará na Terra por instrumentos preciosos na edificação do Reino de Deus.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Impositivos do retorno à Pátria Espiritual

Francisco Muniz

Resultado de imagem para Manoel Philomeno de Miranda

Uma observação mais judiciosa quanto aos esforços dos Espíritos Superiores, em nome do Cristo, de virem nos fazer despertar, através do trabalho exemplar de Allan Kardec, para a realidade da Vida Imortal, levar-nos-á a concluir que o Espiritismo constitui, para todo aquele que se dispuser a estudá-lo, um curso de educação para a morte. Trata-se, portanto, da renovação do convite do Cristo para a mudança de pensamento e atitude com relação à vida material, por si mesma transitória, ante a verdade da vida futura, sendo imperioso o exame aprofundado destas palavras de Jesus: “Estais no mundo mas não pertenceis a ele”.
É disso que o Instrutor Manoel Philomeno de Miranda (foto) vem tratar no primeiro capítulo da segunda parte de seu livro Reencontro com a Vida, pela psicografia de Divaldo Franco, chamando-nos a atenção para o fato de que a inexorabilidade da morte física é parte inseparável da equação da vida biológica. No entanto, a criatura humana é mais, muito mais que o amontoado de carne, ossos e sangue, porque um ser pensante, e por isso deveria ao menos observar a transitoriedade da vilegiatura carnal, embora veja e sinta o periclitar das forças e das condições do carro orgânico, que assinalam o fim do ciclo existencial.
Segundo Philomeno, ao homem “tudo lhe fala sobre a fragilidade do organismo, a sua temporalidade, os riscos a que está sujeito, no entanto, o engodo que se permite o indivíduo faz que ignore esses impositivos de alta significação”. Não se faz, assim, planos para a despedida, apenas para o gozo, através do acúmulo de quinquilharias e da disputa de primazias e favores, lutando-se por migalhas enquanto se explode de ira e cólera ante as contrariedades. Quando se poderia adotar um comportamento mais lógico e saudável: “Considerasse, no entanto, a jornada material na condição de uma experiência com limites estabelecidos de tempo e oportunidade, muito diferente seria a sua maneira de viver e de ser”, pondera o Instrutor.
Para ele, “a preparação para a morte merece um tratamento pedagógico semelhante ou talvez mais cuidadoso do que aquele apresentado pelo currículo existencial”. Ou seja, as escolas, nas suas variadas expressões de ensino, deveriam oferecer meios para a reflexão, por parte de seu alunos, sobre tão crucial momento, o da iminência do retorno ao mundo da verdade, porquanto a Religião tem se mostrado ineficaz nesse propósito de desfazer as impressões materialistas na mente das criaturas. “Criando o hábito de pensar na interrupção das atividades, na cessação dos programas, a ação teria procedimentos felizes e enriquecedores de paz”. Quem fala assim tem a autoridade de quem já vive do “outro lado”, onde quem não fez um bom estágio na Terra padece às vezes terrivelmente.
“Morrem sem dar-se conta da ocorrência, continuando na azáfama a que se entregavam”, revela Philomeno, salientando que “terrível frustração sucede a esses que assim procedem, quando o guante da desencarnação lhes interrompe o galopar dos desejos e da loucura a que se entregam”. Não houve, conclui-se, o necessário despertamento facilitador da readaptação ao plano espiritual, uma vez que “a leviana indiferença em torno da morte faculta o encharcar-se mais nas paixões sensoriais, nos impulsos primários, nas lutas pela posse, pela dominação de coisas e pessoas”.
Assim, ao chegar ao “outro lado”, essa pessoa só encontra confusão de decepções. “A morte”, atesta o Autor Espiritual, “é somente uma experiência de desvestir uma para assumir outra indumentária, entretanto, prosseguindo na vida”, e esta é incessante e não oferece solução de continuidade: “Quanto menos se prepara o indivíduo para o seu enfrentamento [da morte], mais dolorosa se lhe apresenta no momento em que se impõe”. Por isso “o hábito de pensar no fenômeno inevitável produz aceitação da ocorrência, predispondo a uma natural conduta diante dele, o que faculta mais imediata liberação das ataduras e fixações emocionais em relação ao fardo celular”.

Dias de caos

Por Divaldo Franco - professor e conferencista espírita
(Artigo publicado no jornal A Tarde (Salvador-BA), coluna Opinião, em 31.05.2018)

Resultado de imagem para divaldo franco
Democracia constitui o mais audacioso e nobre estado de liberdade para a governança de um povo. Acostumadas as criaturas aos regimes arbitrários e violentos, acreditam que o direito da força é capaz de substituir a força do direito, e normalmente derrapam no cerceamento das liberdades de pensar, de agir, de contribuir em favor da coletividade.
De igual maneira os regimes totalitários utilizam-se da fragilidade e ignorância do povo para instalar-se, mediante promessas de suborno das consciências e de falsa igualdade de direitos, estimulando as classes menos favorecidas para a fidelidade, oferecendo-lhes migalhas, enquanto se locupletam no abuso do poder e da indignidade, mantendo a miséria moral, social e econômica.
À comodidade, fruto inevitável do desconhecimento dos direitos à cidadania, acredita-se feliz com os parcos recursos que lhe são fornecidos pelo Estado delinquente, e homenageia os seus ditadores como sendo salvadores dos seus problemas.
É muito mais fácil oferecer-se “pão e circo” às massas do que dignidade aos indivíduos.
A situação lamentável em que se encontra a sociedade brasileira neste momento, resulta, sem dúvida, da negligência dos governantes anteriores que estabeleceram leis injustas e inadequadas para manter-se no poder, pensando somente nos seus e nos interesses dos partidos aos quais pertencem.
Esses administradores infiéis contam com o apoio dos enganados que se fanatizam e somente pensam nas miseráveis compensações que recebem, levando a nação ao caos da desordem e do sofrimento. Nesse clima de instabilidade e desconforto encontram-se os vírus das desoladoras revoluções e desastrosas soluções para pior.
Este é um momento muito grave, talvez dos mais difíceis para a nacionalidade brasileira.
Não é momento para humor, mas para a busca de soluções legais, a fim de que se voltem a instalar a serenidade e o respeito aos códigos que vigem em toda sociedade democrática.
Quando, porém, o desprezo pelas leis e a corrupção se instalam nas altas cortes da administração, que deveriam pautar a sua conduta pelos estatutos da dignidade, o problema faz-se mais grave, exigindo que o povo venha às ruas impor o cumprimento dos deveres por aqueles que devem zelar pela honradez da sociedade.
Não foram outros os motivos que derrubaram a Bastilha em 14 de julho de 1789 e deram início à Revolução Francesa, que também derrapou nos tremendos crimes do denominado período do terror.
O Brasil, que possui tradições cristãs arraigadas e que sempre se caracterizou pelos valores da paz, deve repetir neste momento o gesto corajoso de enfrentar os dislates da corrupção e exigir imediata reforma nacional para restabelecer a paz e o progresso.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

De caminhões e bagagens


Francisco Muniz


Uma amiga revelou que mudar não é fácil. Brincando, mas falando sério, eu comentei que, na verdade, o processo de mudança é simples: basta embalar as coisas e, depois, contratar um caminhão.
Preciso, agora, explicar essa simbologia.
Pra começo de conversa, o que entrava nosso bem estar espiritual é o apego às coisas materiais (as pessoas, representadas pelo corpo, estão nesse bojo), de modo que é isso que devemos "embalar", quer dizer, identificar e ter a coragem de nos desfazer de toda bagagem inútil – o “lixo” debaixo do “tapete” da consciência. Essa bagagem, ou lixo, é tudo que constitui nossa “sombra”, aquilo que trazemos em nós, consciente ou inconscientemente, e que nos incomoda mas não sabemos ou não queremos resolver. São, em suma, as dificuldades que enfrentamos para o bem viver, posto que estamos por demais envolvidos com o viver bem e esquecemos de nos desenvolver, conquistando virtudes. E assim nos deixamos “entupir” de ressentimentos e mágoas, de medos e traumas, de preguiça e indiferença...
Uma vez feita essa identificação, resta “contratar o caminhão”, ou seja, entregar ao tempo nossas demandas, porquanto todo esse processo de transformação espiritual ou moral é muito lento. Ninguém seja, portanto, imediatista quanto a isso, sob pena de acumular decepção após decepção. É preciso confiar em Deus e, usando o talismã do tempo, fazer o trabalho incessante e incansável da formiga, trabalhando um defeito de cada vez e assim, ao mesmo tempo, desenvolver uma qualidade correspondente.
Em meu livro Lições do Evangelho para a vida prática há comentários mais dilatados sobre esse escorço a que todo homem é chamado a realizar em prol de seu crescimento espiritual, mormente quando ele já começou a despertar para a realidade do Espírito imortal.


Resultado de imagem para caminhão FNM carregado

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Brasil

Castro Alves

A imagem pode conter: 1 pessoa

Brasil, o Mundo a escutar-te,
Pergunta hoje: "O que é?"
Ah! Terra de minha vida,
Responde às Nações de pé!
Das montanhas altaneiras,
Dentro das próprias fonteiras,
Alonga os braços - Sansão!
Sem prepotência ou vanglória,
Grava no Livro da História,
Novo rumo à evolução!

Contempla a sombra da guerra,
Dragão do lodo a rugir,
Envenenando a Cultura,
Ameaçando o Porvir!...
Fala - assembleia de bravos -
Aos milhões de homens escravos,
Sábios loucos Prometeus...
Do píncaro a que te elevas
Dissolve os grilhões das trevas
Na Fé que te induz a Deus!

Brada - gigante das gentes -
Proclama com destemor
Que o Cristo aguarda na Terra 
Um novo Mundo de Amor!
Ante a grandeza que estampas,
Os mortos voltam das campas,
Sublimando-te a visão!
Ao Progresso, Fernão Dias!...
O Dever mostra Caxias,
Deodoro a renovação!...

Dos sonhos do Tiradentes,
Que se alteiam sempre mais,
Fizeste Apóstolos, Gênios,
Estadistas, Generais...
De todos os teus recantos
Despontam palmas de santos,
Augustos pendões de heróis!...
Astros de brilhos tamanhos,
Andrada, Feijó, paranhos,
Em teus céus brilham por sóis!...

Desde o dia em que nasceste,
Ao fórceps de Cabral,
O tempo se iluminou,
Na Bahia maternal!...
Hoje, que o mundo te espera
Para as leis da Nova Era,
Por Brasília envolta em luz,
Que em ti a vida de integre,
De Manaus a Porto Alegre,
No Espírito de Jesus!...

Ao resguardar o Direito,
Mantendo a Justiça e o Bem,
Luta e rasga o próprio peito,
Mas não desprezes ninguém!...
Levanta o Grande Futuro,
Ergue, tranquilo e seguro,
A paz nobre e varonil!...
À Humanidade que chora,
Clamando: "Senhor... e agora?!"
O Cristo aponta: Brasil!...

***
(Psicografado por Francisco C. Xavier mo programa Pinga-Fogo [TV Tupi], no dia 20 de dezembro de 1971.)