sábado, 31 de agosto de 2013

Implosão da moral na Torre de Babel

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Pressionado pela opinião pública e, certamente, pela direção da Rede Globo, o autor da novela Torre de Babel (em cartaz naquele ano), exibida no horário das 20 horas, decidiu eliminar parte de seus personagens, incluindo aqueles mais polêmicos. Numa explosão do shopping center que ambientava algumas cenas foram embora o par de mulheres homossexuais, o pai do presidiário, a velhinha da cadeira de rodas, o filho do dono do shopping, viciado em drogas, e vários figurantes.
A pressão dos telespectadores se deveu à forte carga de amoralidade presente na novela, chamando a atenção não apenas das pessoas comuns como daquelas comprometidas com a formação de crianças e jovens, a exemplo do próprio cardeal do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, um dos primeiros a demolir verbalmente a "torre" da Globo. A partir de então, entidades representativas de vários setores, principalmente religiosos, também passaram a bradar.
Sob o argumento de que a realidade muitas vezes supera a ficção, não poucos escritores se ocupam de fatos reais para compor suas obras, dando vazão a ideias que muitas vezes chovam o senso comum. É bem verdade que, hoje em dia, esse senso, indicador do nível moral da sociedade, anda meio vilipendiado, mas ele deve sempre prevalecer como parâmetro das relações humanas. A novela começou recheada de tipos moralmente desajustados e embora esteja se depurando, por força das pressões, ainda incomoda muitas pessoas.

Babel moral

Talvez incomode por retratar a realidade - e é aí que Torre de Babel choca. É certo que todos estamos expostos a situações por vezes embaraçosas mal pomos os pés na rua. No entanto, pensamos sempre estar resguardados de tais episódios no recesso do lar, onde a TV é o passatempo mais frequente, nestes tempos, malgrado os programas jornalísticos invadirem nossas casas com todas as cores e sons da violência praticada no mundo. A novela, que deveria ser um refrigério após tantas imagens da miséria cotidiana, em vez de trazer-nos entretenimento reforça o horror.
Mais grave é que as cenas atinjam também a mente em formação das crianças, que têm seu senso de moral deturpado pela "naturalidade" com que certos conceitos são colocados, seguramente em desacordo com o ensinamento da maioria dos pais. E num país, como o Brasil, em que as pessoas pouco têm acesso ao sistema formal de educação, vez que a exclusão predomina entre o povo, é até mesmo cruel ficarmos entregues aos critérios e/ou falta de critérios de quem comanda a programação televisiva.
Mas sempre recebemos da misericórdia divina o que merecemos e necessitamos. Sendo assim, a "torre" da Globo só faz retratar a babel moral em que se tornou a vida moderna, de forte competição pelas conquistas sociais, revelando nosso grau de merecimento, já que pensamos não necessitar daquele tipo de mensagem.
Podemos, então, dividir a sociedade atual em duas camadas: a primeira, formada pelas pessoas interessadas em colaborar para a elevação do senso comum, pautando suas atitudes pela ética, o que significa seguir sempre o caminho do bem; a segunda, composta por quem pretende tirar partido da fraqueza alheia para auferir benefícios próprios, que deseja conquistar o melhor da vida sem se importar com os meios utilizados para isso, ou seja, vendo no semelhante um obstáculo e não um parceiro nessa conquista.

Experimentar Jesus 

Cremos ser pertinente, agora, relatar uma história real que muito bem pode explicar a razão por que a humanidade (em muitas coisas, nós, brasileiros, repetimos e assimilamos a condição de vários outros povos) se encontra nesse caos moral.
Ao final da Segunda Grande Guerra, quando o mundo se ocupava da reorganização da vida em cada país, uma revista de grande circulação nos Estados Unidos lançou um concurso para saber das pessoas de que forma seria possível estruturar as sociedades de tal maneira que pudessem superar os conflitos. Oferecia, em troca, uma elevada soma em dinheiro.
Terminada a fase de sugestões, os promotores do concurso passaram à apuração das milhares de ideias enviadas à redação da revista. Para surpresa dos leitores e dos próprios organizadores, os jurados resolveram premiar o autor de uma frase simples, elaborada com apenas duas palavras. Dizia a sugestão vencedora: "Experimentem Jesus".
Apenas isso, bastava experimentar Jesus, ou seja, vivenciar as lições do Mestre contidas em seu Evangelho de amor, para que a face do mundo se transformasse, pela própria transformação moral das pessoas. Era só seguir os exemplos do Cristo para deixarmos a barbárie e começarmos a atingir a condição de santos e, depois, dos anjos. Bastava sermos instrumentos da paz para que as guerras fossem abolidas, irmanando-nos finalmente num grande e único rebanho sob a direção do amoroso Pastor.
Entretanto, em vista do estágio em que ainda nos encontramos, aquela sugestão vencedora do concurso citado acima não foi aplicada a contento e eis-nos fazendo parte dessa babel onde a decadência moral em quase tudo faz lembrar os fariseus que, ao tempo do Cristo, aborreciam-se com a palavra rigorosa de Jesus, que não transigia com os hipócritas que por fim o levaram à cruz, mancomunados com os doutores da lei. O mundo precisa, mais do que nunca, do Evangelho, precisa experimentar Jesus e seus ensinamentos, para que o caos enfim resulte em ordem.

As benesses

Irmã Rafaela

Sim, de Deus vêm todas as benesses, apesar da ingratidão dos homens. Como o Pai amantíssimo que é, Ele tudo faz e fará por suas criaturas, ainda que estas se aferrem à rebeldia irresponsável, esquecidas de que um dia, mais cedo ou mais tarde, terão de responder por todos os atos cometidos contra as eternas leis. Chorarão, então, mas já sem direito a reclamações; pelo contrário, implorarão a ocasião do ressarcimento, preparando-se para novas provas na carne.
Pobres homens que o orgulho corrompe! Dia virá em que buscarão o chão sob seus pés e não o encontrarão, por terem desperdiçado a oportunidade da semeadura e desprezado os conselhos do Alto. Será então que o Pai que desconheceram lhes enviará seu Anjo, a fim de que despertem a consciência para a prática do Bem, corrigindo-se.
Mas vós já tendes a tarefa iniciada, meus filhos, e deveis marchar intimoratos, certos de que as bênçãos de Deus vos preenchem o ser, impulsionando-vos na caminhada. Segui, pois, para que os demais vejam em vós o exemplo a seguir.
Deus vos abençoe sempre.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Análise de filme - Armageddon

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Até onde o filme "Armageddon" é ficção?
Será que, às portas do terceiro milênio, um asteroide colidirá com a Terra, ameaçando a vida no planeta?
A proposta de um "fim do mundo" (físico) com a destruição do planeta Terra por um meteoro é fomentada pelo medo da proximidade do ano 2000.
Igualmente aconteceu com a Humanidade nos fins do primeiro milênio: todos achavam-se perto do fim dos tempos e que tudo terminaria.
Sabiamente, o governo americano vende a imagem de que os habitantes da Terra não temos que estar preocupados com o "armagedom", pois eles - os norte-americanos - têm o controle nas mãos.
Mas o que nos dizem os Espíritos a respeito?
Primeiro, que nosso planeta se encontra num processo de mudança: deixará de ser um mkundo de provas e expiações para se transformar num mundo de regeneração; porém, não no sentido material, mas, sim, moral. Chegaremos, pois, aos anos 2000, 2001, 2002... e tudo isso acontecerá sem maiores perturbações.
Segundo, que nossa humanidade, ainda atrasada, sempre esteve em conflitos, guerras e destruições, o que não deixará de existir até que os homens tiremos de nosso íntimo os princípios egoístas arraigados. E isso levará tempo, pois a natureza não dá saltos.
Terceiro, o universo encontra-se controlado: a inteligência suprema dirige absolutamente tudo, e nosso orbe está protegido.
A proposta espírita é otimista. Depois que realizarmos nossa reforma íntima conjuntamente, nosso planeta dará sinais de ter ingressado num nova etapa, na tão ansiada Era do Espírito.
Até lá, é trabalhar em nós mesmos e confiar.

Análise de filme - Titanic

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Há uma cena no filme "Titanic" que merece alguma reflexão por parte dos espírita e das pessoas interessadas nesses temas. É quando, no final, a personagem Kate, idosa e incógnita no vaio de pesquisa, desencarna e retorna ao Titanic afundado, indo encontrar-se com o antigo namorado, que a esperava juntamente com toda a tripulação (passageiros, inclusive). Fantasia do diretor da fita, procurando dar um final feliz a sua produção? Nem tanto. Do mesmo modo como muitos espíritos ficam perto de seus despojos físicos, desconhecendo terem desencarnado, aqueles que pereceram por naufrágio igualmente permanecem sob as águas, até que um dia a consciência lhes esclareça sua real situação. A título de melhor elucidação, recomendamos o livro "Às margens do rio sagrado", no qual o autor espírita Edgard Armond cita o trabalho de equipes espirituais responsáveis pelo atendimento a espírito que se mantêm "afogado" no Rio Ganges, na Índia.

Amor aos criminosos

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

O Evangelho do Cristo nos ensina a não julgar ou condenar os atos de quem quer que seja, porque pela medida que julgarmos seremos julgados. O próprio Jesus, segundo nos conta o relato bíblico contido no Novo Testamento, isentou-se de julgar a mulher adúltera que lhe apresentaram, por se reconhecer sem esse direito. À turba enfurecida, simplesmente argumentara: "Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra". Um por um, todos foram embora e o Cristo, que rabiscava na areia, alteia os olhos amorosos e, vendo que os acusadores já não estavam ali, dispensa a pecadora: "Se ninguém te acusa, eu também não te condeno. Vai e não peques mais".
Fazemos esse preâmbulo para falar do homem que a imprensa, naquele ano, rotulou de "maníaco do parque", autor de crimes bárbaros contra mulheres jovens da cidade de São Paulo. De acordo com a psiquiatria e a psicologia, ele certamente se enquadra nas descrições dos tipos tidos como psicopatas, portador de distúrbios que o impedem de se relacionar bem com as mulheres, no caso em questão. Conforme declaração da mãe desse rapaz, ainda no vigor de sua juventude, ele jamais mostrara algum traço de anormalidade, portando-se em casa conforme o que se espera de alguém social e moralmente sadio.
Então, como avaliar suas confessadas atitudes criminosas a não ser do ponto de vista da obsessão, estado psicopatológico responsável por uma variada gama de tragédias que têm acometido muitas pessoas em todas as partes do mundo? Trata-se, evidentemente, de uma mente em desequilíbrio sintonizada com outra(s) mente(s) também desequilibradas. Eis por que ele teria dito, já na prisão, que, se fosse posto em liberdade, iria "engolir viva uma mulher". O transtorno mental, agora, se escancara porque já não há necessidade de mistificar ou se esconder: o criminoso foi descoberto e ele já não tem nada a ganhar fingindo, pelo contrário, seu ego carente de atenções chama para si os holofotes.
A obsessão guarda suas origens no recôndito da alma, perdendo-se nas incontáveis experiências vivenciadas pelo Espírito nas múltiplas existências. Os criminosos de hoje são tanto algozes (aos olhos do mundo) quanto vítimas de sua própria condição espiritual, inferiorizada pelas más tendências, que os obsessores se encarregam de explorar.
Os Espíritos Manoel Philomeno de Miranda, André Luiz e Bezerra de Menezes, dentre outros, traçam, em livro como Loucura e Obsessão (psicografia de Divaldo Franco) e Libertação (por Chico Xavier), as paisagens dessa psicopatologia. paralelamente, ensinam que a terapia do perdão sincero e do serviço nas obras beneméritas são o remédio mais eficaz para superação dos dramas que afetam famílias e superlotam manicômios, hospitais, sem que os médicos sequer entendam o que acontece. Alguns, mais sensatos, recomendam que o paciente recorra a um centro espírita, que, sendo sério, poderá ajudar bastante.

Compaixão

Embora os criminalistas vejam esse homem - o "maníaco do parque" - apenas como um assassino frio e cruel, é preciso ver nele também e principalmente um espírito perturbado e merecedor de piedade, justamente por ter se deixado enveredar pela senda criminosa. Como um obsesso que certamente é, foi levado, por invigilância, aos caminhos nefastos que os apelos do sexo tornaram-lhe irresistíveis. Desse modo, convém sempre não fazermos eco às acusações que lhe pesam, porque, além da justiça terrena, ele também responderá perante os tribunais de sua própria consciência.
É o que nos ensina o Evangelho do Cristo: se devemos amar-nos uns aos outros, por que motivo esse amor não deveria abarcar também aqueles que se transviaram no caminho, preferindo trilhar as sombras? Não somos todos semelhantes, filhos do mesmo Deus? As ovelhas desgarradas também são do interesse do pastor e ele as quer de volta ao aprisco.
Sobre esse tema, o Espírito Elizabeth de França, tal como relatado por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, reforça: "Amai-vos, pois, como filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre vós, para vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados à prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências".

O espírita perante as eleições

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro de 1998)

Ainda que no Brasil - e no resto do mundo, inclusive nos países considerados desenvolvidos - a atividade política seja vista como prática ilícita, tantas são as notícias de corrupção envolvendo governantes e representantes dos interesses do povo, o brasileiro, de modo geral, é instado, nessas ocasiões, a tomar partido, mesmo que indiretamente, por este ou aquele candidato. Embora seja um direito do cidadão, o voto, neste País, é obrigatório e sua abstenção impõe sanções ao eleitor. Assim, todos são "democraticamente" convocados a comparecer às urnas e cumprir esse dever para com a pátria, independentemente de qualquer ideologia.
Os espíritas, é claro, não fogem à regra e também são chamados a se pronunciar através do voto. Como se trata de tentativas (renovadas a cada quatro anos) de construção de uma nação comprometida com os ideais que norteiam o progresso sócio-cultural da população, cabe principalmente aos espíritas irem às urnas com a intenção fervorosa de que o panorama político do País realmente se modifique, para que nos anseios por uma vida digna resultem em conquistas satisfatórias para a maioria da população, senão para todos os brasileiros.
É comum observar-se no Movimento Espírita uma certa indiferença e até mesmo uma franca oposição à participação política, tal o conceito negativo de que os políticos modernos se revestem, com as devidas ressalvas. Mas quem age ou pensa assim talvez desconheça que a vida em sociedade é totalmente política e essa função está presente até mesmo no âmbito do Movimento Espírita. O progresso espiritual não prescinde das relações políticas, inclusive a de nível partidário, por implicar também o progresso material, obtido pelo trabalho intelectual dos homens.
Como a evolução não se dá apenas no nível individual, importa que os membros da coletividade estejam irmanados e imbuídos do desejo de transformação (melhoramento) geral, para que, mudando intimamente, alcancem a mudança abrangente necessária. É essa a lição educativa do Espiritismo, que objetiva dar aos espíritos encarnados (principalmente) em processo evolutivo a noção exata de fraternidade, isto é, o trabalho de cada um em favor da comunidade em que vive, porque, em suma, o bem de todos é benefício para cada indivíduo que o promova.

A experiência de quem está lá

Tem sido comum alguns espíritas demonstrarem ojeriza à participação política, por conta dos casos de corrupção, fraudes e falcatruas envolvendo alguns dos ditos representantes do povo. De acordo com Luiz Bassuma e Carlito Moreira Menezes, respectivamente vereadores em Salvador e em Feira de Santana (àquela época), essa visão negativa sobre a política precisa ser melhor avaliada pelo Movimento Espírita. Bassuma, engenheiro paranaense radicado na Bahia, atua há 15 anos (à época) no movimento espírita. Segundo ele, o militante espírita não tem o direito de se afastar enquanto não houver equilíbrio social no País. "É egoísmo nosso nos afastarmos quando podemos contribuir com a comunidade", salienta. Carlito Moreira, por sua vez, recorda que o maior representante que o Espiritismo já teve no Brasil, o médico Adolfo Bezerra de Menezes, também exerceu mandatos políticos no Rio de Janeiro, sendo um exemplo de probidade para quantos o queiram imitar.
O vereador feirense, que já ocupou cargos no movimento espírita, a exemplo da presidência da (então) Aliança Regional Espírita 5 (ARE-5), sediada em sua cidade, ressalta ainda um lembrete de Allan Kardec, segundo o qual "na ausência dos bons os maus prosperam". Assim, a presença de homens de bem nos cargos representativos é imprescindível. Para Luiz Bassuma, a militância sindical, paralelamente à atuação no movimento espírita, ajudou na decisão pela candidatura à Câmara Municipal de Salvador. Como vereador, diz, teve a oportunidade de ampliar o trabalho executado na Creche-Escola Allan Kardec, no Nordeste de Amaralina, um dos bairros mais carentes da capital baiana.
Como para justificar que o envolvimento no Espiritismo não garante eleição, Bassuma afirma que só teve 60 votos na comunidade do Nordeste de Amaralina, dentre os 4.500 obtidos no total. De qualquer modo, "não tive a pretensão de vincular a prática assistencial com a política", completou. Com votos conquistados nos vários segmentos sociais, nem Luiz Bassuma, nem Carlito Moreira se acreditam representantes exclusivos dos espíritas nas respectivas municipalidades. Pelo contrário, colaboram mais para o conjunto da sociedade. Carlito, por exemplo, diz apresentar projetos benéficos para a área social de Feira de Santana.
De acordo com Carlito, tudo no País depende de decisão política e por isso não faz sentido as pessoas, principalmente os espíritas, dizerem que se trata de uma atividade suja, mesquinha, e que não é coisa para homens sérios. Caso contrário, pondera, como mudar as coisas? "É preciso colocarmos pessoas sérias e determinadas nos locais sérios". Tanto Carlito, em Feira, quanto Bassuma, em Salvador, garantem que fogem ao estereótipo do político comum por não entrarem nas discussões inócuas e por se pautarem eticamente, adeptos que são de um tipo de moral que não se adequa às práticas de bastidores. Conscientes da condição espiritualista que adotaram, Bassuma afirma não desprezar as intuições vindas do Alto e Carlito, por sua vez, diz que ora muito para obter serenidade nos trabalhos legislativos e sempre conversa com lideranças espíritas para reafirmar apoio e discutir alguns projetos conjuntos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Quevedo?

Francisco Muniz
(compilação de matéria publicada originalmente na revista Visão Espírita n.° 10 - Ano 2 - Março.2000)

O padre jesuíta Oscar González-Quevedo, contumaz contraditor do Espiritismo, ocupava, em março de 2000, o lugar do mágico "Mister M" no programa Fantástico, da Rede Globo, como atração quinzenal nas noites de domingo. Enquanto o mágico mascarado revelava os segredos por trás dos truques de mágica, dos mais simples aos mais complicados, Pe. Quevedo tratava de "desvendar", conforma acredita, os mistérios da paranormalidade, dando-se a autoridade de parapsicólogo que apenas reduz todos os fenômenos mediúnicos à ação do inconsciente, seja individual, seja coletivo. Até 1983, Quevedo dirigia o Centro Latino-Americano de parapsicologia (CLAP), cujas atividades foram interrompidas por seus superiores eclesiásticos. Vejamos por que.
Acontece que o jesuíta é também pesquisador dos ditos fenômenos paranormais e tem na Bíblia sua principal fonte de estudo, graças aos quais publicou alguns livros polêmicos. Um deles foi o que causou sua punição e o consequente sumiço da mídia no início dos anos 80. No tal livro, intitulado "Antes que os demônios voltem", lançado em 1982, Quevedo chocou a cúpula da Igreja Católica ao sustentar sem rodeis, segundo revelado pela revista IstoÉ de 22 de outubro de 1986, "que todos os casos bíblicos ou pós-bíblicos de possessão demoníaca nada têm de sobrenaturais e podem ser tranquilamente explicados pela parapsicologia", Nesse aspecto, convenhamos, Quevedo está certo, mas para seus pares ele errou ao negar um dos dogmas impostos pelo Vaticano, que é a crença na "existência" e nos "poderes" de demônios. Então, assim como aconteceu também ao ex-frade franciscano Leonardo Boff, o jesuíta Quevedo foi condenado temporariamente ao silêncio.
Por determinação de seu superior regional, o padre João Augusto Mac Dowell, ele foi mproibido de exercer a atividade de parapsicólogo (razão pela qual suas aparições na TV Àquela época foram estranhamente suspensas), de publicar livros, dar aulas ou fazer conferências. "Não posso nem conceder entrevistas, receber telefonemas ou cartas, nada", declarava Quevedo à IstoÉ, 13 anos antes desta reportagem.
Algum tempo após essa medida, o próprio Quevedo mandou um bilhete ao pesquisador espírita Henrique Rodrigues, no qual ratava do "ponto final" (palavras do jesuíta) dado ao CLAP: "Olhando para trás, numa avaliação sincera nós acreditamos ter realizado uma tarefa realmente frutífera, embora muito inferior aos nossos ideais. Sentimo-nos satisfeitos por tantos esforços e anseios dedicados ao serviço de Deus. (...) Mas a 31 de agosto de 1984 foi fechado o CLAP (e eu também). Completamente. Confiamo-nos no juízo de Deus. Encomendamos a nossa padroeira, Virgem de Guadalupe, as pessoas que de alguma maneira poderiam precisar de nosso trabalho. E pedimos que Ela apresente a seu Filçho o holocausto do CLAP".
Como se vê, Quevedo não cita os motivos do fechamento do instituto, onde dava cursos e promovia eventos na área de parapsicologia, mostrando às pessoas, muitas delas incautas, que os fenômenos mediúnicos podiam ser comparados a simples truques de mágica. É o que demonstra, por exemplo, o advogado Guaracy Lourenço da Costa, de Araraquara (SP), que participou, em 1999, de um desses cursos ministrados por Pe. Quevedo, na Universidade de Araraquara. Em essência, nesse curso Quevedo teria apenas feito alguns truques, além de lançar petardos verbais contra o Espiritismo e Allan Kardec, sem consubstanciar seus ataques.
O citado Henrique Rodrigues, hoje desencarnado, protagonizou uma disputa com Quevedo por conta das aparições registradas no pisoi da cozinha de uma casa numa cidadezinha da Espanha, Belmez de la Moraleda, na província de Jaén. Sem ter estado na localidade, o jesuíta refutou a ocorrência do fenômeno, declarando à imprensa na época (1972) que tudo não passava de fraude. Tais declarações provocaram a indignação do professor Hans Bender, diretor do Instituto para Desenvolvimento da Psicologia e Psico-higiene de Friburgo (Alemanha). Bender transmitiu por carta a Henrique Rodrigues sua opinião de que os rostos de Belmez eram de origem paranormal, dizendo não compreender "como o padre Oscar González-Quevedo pode permitir-se um juízo quando jamais esteve em Belmez".
Seria isto o bastante para o leitor configurar o perfil dessa estranha personagem. Quando Henrique Rodrigues publicou seu testemunho - nas páginas da Visão Espírita - sobre "as caras de Belmez de la Moraleda", ele citava o fato de o padre Quevedo estrar desaparecido para os debates com os espíritas e convidava o religioso católico a voltar às pugnas ideológicas. "Volte, padre Quevedo, agrida, porque na defesa vamos ficar mais fortes", bradava Rodrigues em seu artigo.
Bem, Quevedo está de volta e tomara que a Rede Globo tenha o bom senso de permitir mais debates entre seu "astro" e pesquisadores espíritas, como já deu mostras ao convidar o baiano Clóvis Nunes, especialista em transcomunicação instrumental (TCI).

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Novo esboço

Francisco Muniz

Quis a Inteligência Suprema que a luz brilhasse nas trevas ("Fiat lux!"), porque a luz é boa e as trevas são em si mesmas um estado transitório em necessidade de iluminação. Assim é que as trevas têm a luz em germe e por essa razão Jesus vem nos dizer que deixemos brilhar nossa luz, seres ainda mergulhados nas trevas que nos caracterizam o estágio evolutivo. E mesmo que andemos em meio às trevas, a luz nos atrai, isto é, a luz do Grande Sol atrai para si as pequenas luminosidades dos espíritos ainda na inferioridade do conhecimento que é a própria Luz. Pede-nos também o Amigo Celeste que deixemos brilhar nossa luz diante dos homens, para que cada luzinha, comunicando umas com as outras, adquira o desejo de brilhar intensamente e cada vez mais. É pouco que um ponto luminoso desponte em meio à escuridão. Esta, como um breve momento antes da completa iluminação, precisa deixar de existir, mas até lá necessita que a luz a cative, aquecendo-a em doce encantamento, num enamoramento em que a luz lhe fará a corte até que as trevas percebam que devem mergulhar na luz e aí experimentar a verdadeira felicidade e o real sentido de sua existência: só morrendo para a luz é que as trevas viverão, "apagadas" em si mesmas para brilhar  na vida do Sol amado, plenificando-se em luz, em brilho e cor.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Os atributos de Deus

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 20 - Ano II - Março de 2000)

"Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma ideia completa de seus atributos?" - pergunta Allan Kardec aos Espíritos Superiores, na questão 13 de O Livro dos Espíritos. Em resposta, os autores da Doutrina dos Espíritos dizem o seguinte:
Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo; mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais vossa linguagem, limitada às vossas ideias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz, com efeito, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois se tivesse uma delas de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo, e por conseguinte não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber. Deus é eterno. Se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada, ou, então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade. É imaterial. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria. É único. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder, na organização do universo. É todo-poderoso. Porque ele é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele, que assim não teria feito todas as coisas e aquelas que ele não tivesse feito seriam obra de um outro Deus. É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar nem de sua justiça, nem de sua bondade.
Ora, recordemos, a respeito desta matéria, as palavras de Jesus conforme narradas por Lucas (18:18-19): "E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus." Com efeito, entendendo a bondade como a soma de todas as virtudes, de todos os atributos da suprema perfeição, os quais só se encontram na Divindade, compreenderemos porque nem mesmo Jesus ousou comparar-se ou igualar-se a Deus. Embora o Mestre tivesse afirmado "eu e o Pai somos", o significado dessa frase talvez seja mais de identificação com os divinos desígnios e menos de assunção, por parte do Cristo, das qualidades que atribuímos a Deus.
Entendemos, assim, o quanto está ultrapassado, porque inexato, o conceito teológico que impõe ser o homem criado à imagem e semelhança de Deus, posto que tal ideia revela apenas a natureza humana, enquanto, por outro lado, humaniza Deus, o que é inconcebível. Certo é que, sendo Deus tal como são os homens, o Criador perderia muitos de seus atributos, dentre os quais a perfeição absoluta, o que é inadmissível. Do mesmo modo que o mestre não pode se confundir com seus alunos, assim também o Criador não pode ser confundido com suas criaturas. Deus, portanto, será sempre algo inconcebível em sua plenitude, porquanto ainda nos encontraremos limitados em nosso conhecimento das coisas intangíveis.
Entretanto, a noção de similitude ganha melhor sentido ao nos compararmos a Deus a partir de nossa essência espiritual, porquanto som os todos partes da Divindade e trazemos em nós seu germe. "Não está escrito: 'vós sois deuses'?", perguntou Jesus a seus discípulos, revelando que podemos fazer tudo o que o Mestre fez quando caminhou entre os homens, "e muito mais". Assim, devemos compreender Deus como o grande objetivo a ser alcançado além de uma infinita escadaria que subimos incessantemente, reunindo em nós, nessa jornada, os atributos que nos identificam com o Criador, segundo o pensamento de Léon Denis.
Deus, para esse grande pensador espírita francês, é a suprema Justiça: "Se há neste mundo uma necessidade imperiosa para todos os que sofrem, para quantos têm a alma dilacerada, não é essa a de crer, de saber que a justiça não é uma palavra vazia; que há, de qualquer maneira, compensações para todas as dores, sanção para todos os deveres, consolação para todos os males? Ora, essa justiça absoluta, soberana, quaisquer que sejam nossas opiniões políticas e nossas vistas sociais, devemos reconhecer perfeitamente, não é de nosso mundo. As instituições humanas não a comportam". Destarte, é imperioso reconhecer, Deus é essa justiça, essa bondade, essa perfeição, esse tudo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Possibilidades de pacificação

Francisco Muniz
(publicado originalmente no editorial da revista Visão Espírita n.° 14 - Ano II - 1999)

Muda-se o homem e logo o mundo estará perfeito! Eis aí a grande batalha a ser travada por aqueles que se devotam ou se preocupam com a transformação planetária: as crises, os escândalos, as conflagrações mundiais mais não são que resultado dos instintos belicosos do homem e, no instante em que as guerras espoucam aqui e ali (estudos da ONU apontam para a existência de mais de 60 conflitos armados em várias partes do globo), o mundo pede pela paz. Mas quando e como haverá paz se ela não existe no coração do homem? Desarmem-se os espíritos de toda intenção revanchista, refreiem-se os ânimos violentos e, sobretudo, atente-se para as noções de fraternidade e então se pacificarão os povos. A paz nasce primeiramente no interior de cada um e depois se expande, contagiando a tudo e a todos em volta do indivíduo pacífico.
Até lá, entretanto, ainda conviveremos com as crises que se agigantam em torno de nós, provocando até mesmo o medo de sairmos às ruas, porque já não confiamos nos semelhantes, ao passo que eles também não confiam em nós... Orar e vigiar, assim, impõem-se-nos como tarefa insuperável que, por outro lado, deve ser vista como simples cumprimento do dever. Tanto quanto devemos conhecer a verdade, para que ela nos liberte da ignorância em que nos aferramos, importa estarmos vigilantes e conscientes de nossas atribuições como espíritos de Deus, co-autores da grande obra que é a Vida, e assim procurarmos agir em conformidade com os sábios desígnios da Lei Maior. Fora desse conhecimento, são as trevas que prevalecerão e, se queremos avançar para a luz, será preciso por a candeia no ponto mais alto do velador, como ensina o Cristo.

Milton Gaúcho - a serviço do teatro espírita

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n. 14 - Ano II - 1999)

O teatro espírita que se faz na Bahia deve muito a Milton Gaúcho, como deve a Maria Schüler, Jorge Lyrio e ouros expoentes dessa arte a serviço da divulgação do Espiritismo. Milton Gaúcho, hoje aos 83 anos (completados em outubro daquele ano de 1999), entretanto, é reconhecido também fora dos palcos espíritas, posto que, como ator, teve presença marcante nas grandes produções teatrais e cinematográficas realizadas na Bahia, com destaque para o filme O Pagador de Promessas, que conquistou a Palma de Ouro no festival de Cannes, na França. Atualmente, ele empresta seu talento ao Teatro Espírita Leopoldo Machado (Telma, cujas instalações físicas estão em construção no bairro da Boa Viagem, em Salvador), do qual é diretor artístico.
Há dois anos, Milton enveredou também pela literatura e publicou o livro Miltônias, uma obra de peso que, através de várias crônicas, procura desmistificar diversos aspectos observados na Igreja Católica, do ponto e vista da Doutrina Espírita. Segundo o autor, esse livro deu-lhe uma "grande honra", a qual é a de estar inscrito na "galeria dos malditos" do Catolicismo. Na obra, Milton cita, por exemplo, a campanha contra o Espiritismo encetada pelo então arcebispo primaz do Brasil, D. Avelar Brandão Vilela, que chegou a enviar uma carta ao jornal O Globo, pedindo a retirada do ar de um quadro de temática espírita veiculado no programa Fantástico, da Rede Globo.
Os comentários a respeito do livro têm sido os mais entusiásticos. Carlos de Brito Imbassahy, de Niterói, ressaltou o seguinte: "O livro tem o grave defeito de estar muito bem escrito, contendo excelente material e, de forma escorreita, apresenta assuntos deveras curiosos para se analisar. (...) Por sinal, todo o livro é um acervo primoroso de citações oportunas, trazendo inúmeras informações, em linguagem pesada, de estilista emérito". Na imprensa baiana, o colunista Juarez Conrado narrou, em A Tarde: "Pena, amigos, que o velho Milton Gaúcho não se alongasse mais em suas crônicas, abordando outros interessantes assuntos, como aquela complicada história da morte de João Paulo I, o 'papa do sorriso', na qual o autor se revelou um grande pesquisador, além de grande conhecimento de muita coisa que se passa (ou já se passou, há alguns séculos) nos bastidores da Santa Sé".
Além de suas atividades artísticas, Milton Gaúcho (nascido Milton Magalhães - o "Gaúcho" foi emprestado de um futebolista de seus tempos de garoto) é espírita militante há mais de 40 anos e exerce a função de médium passista no Telma, casa dirigida pelo reconhecido escritor Carlos Bernardo Loureiro. Ali, ele vem ensaiando, atualmente, mais duas peças espíritas; uma delas é Pedras no lago, escrita por Lúcia Loureiro e encenada pela primeira vez há 15 anos. Milton se ressente da pouca atenção dos centros espíritas para com o teatro na Bahia, onde praticamente apenas o Telma e o grupo de Maria Schüler dão ênfase a essa arte, que é, na opinião do próprio Allan Kardec, Léon Denis, Emmanuel e outros, um dos melhores meios de divulgação da Doutrina Espírita. "No Sul, raras são as casas que não têm seu grupo de teatro e chegam a fazer festivais por ano", avalia.
Do alto de suas oito décadas, Milton reconhece que, agora, o Espiritismo está tendo muito melhor divulgação que no passado recente, ainda mais com o advento do programa Espiritismo via Satélite e da revista Visão Espírita. Por essa razão, ele se declara entusiasta do projeto da SEDA, idealizado por Alamar Régis. Ele também salienta o aparecimento de vários novos escritores que têm contribuído para o trabalho de evolução da Doutrina, ampliando seu raio de ação e entendimento junto às parcelas leigas da população brasileira.

domingo, 18 de agosto de 2013

Deus e o infinito

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n. 14 - Ano II - 1999)

Na última edição, citamos as três primeiras questões do primeiro capítulo de O Livro dos Espíritos, referentes ás causas primárias, à compreensão de Deus e do infinito. Ali, vemos que, pela definição dada pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec, "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Com isso entendemos que tudo quanto nos cerca, tanto como nós mesmos, tudo que existe é efeito de um ato criador cuja causa é exterior e transcende nossos limitados conhecimentos. Se nada acontece fortuitamente, ao sabor do acaso, evidencia-se uma autoria para os fenômenos da existência: se, de fato, não somos nós, os homens, os criadores de situações fora do domínio de nossas capacidades, o autor, então, há de ser o ente que chamamos de Deus.
Os mentores da Doutrina Espírita também nos esclarecem, através de Kardec, que nossa pobreza de linguagem é insuficiente para definir as coisas que estão além de nossa inteligência. Os Espíritos se referem à nossa compreensão acerca do infinito, que muitos ainda confundem com o Criador. Essa é a resposta que eles dão a Kardec quando o Codificador questionou se poderíamos dizer que Deus é o infinito. No conceito dos Espíritos Superiores, o infinito é "aquilo que não tem começo nem fim: o desconhecido; todo o desconhecido é infinito". O questionamento de Kardec é cabível, desde quando mais adiante os mentores nos informariam que, diferentemente do espírito, Deus existe de todo o sempre, não tendo começo nem fim...
Daí o comentário subsequente de Allan Kardec, esclarecendo-nos que "Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é". De acordo com J. Herculano Pires, um dos tradutores do primeiro livro da Codificação e autor de uma esclarecedora introdução e das notas de rodapé da edição comemorativa do centenário de O Livro dos Espíritos (LAKE, 1957), quando tratam das noções do infinito, os Espíritos se referem ao universo. "Tudo quanto nele conhecemos tem começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no infinito", diz o autor de Educação para a Morte.

Análise de filme - Patch Adams (O amor é contagiante)

Francisco Muniz

A arte de proporcionar condições de cura a pessoas doentes deveria fazer parte do currículo dos cursos de Medicina. Entretanto, os médicos acreditam ser detentores do poder curativo e sequer avaliam que os pacientes não são somente matéria, mas essencialmente espíritos que necessitam ser analisados e não a doença propriamente. Essa é a mensagem que podemos entender nesse filme, pontilhado de conceitos espirituais muito bem colocados, como no momento em que a personagem central, vivida pelo ator Robin Williams, desesperada com a morte da colega/amada, pensa em abandonar os estudos e a atividade junto aos pacientes. Literalmente à beira do abismo, ele pede aos céus um sinal que o faça entender que deve continuar sua luta e que a vida humana não é um simples capricho na ordem universal. O sinal não vem do céu, porém, e ele se volta para apanhar a mala e ir embora. Mas sobre a mala voeja uma borboleta e Patch, emocionado, recorda-se das últimas palavras trocadas com a companheira, quando ela dizia que, em criança, via-se como uma lagarta que fatalmente se transformaria numa borboleta quando conseguisse romper o casulo. Não há melhor metáfora para explicar a transitoriedade da vida física e a migração do ser encarnado para o mundo espiritual, conforme assim registrou o próprio Allan Kardec.

Análise de filme - Energia Pura

Francisco Muniz

Esse filme, disponível em vídeo e na Web, trata do preconceito e do medo que experimentamos frente ao desconhecido, ainda que este se mostre inofensivo ou benéfico. E como somos, na maioria, ignorantes de nós mesmos e do que nos cerca, preferimos destruir o que não compreendemos. Eis um breve resumo da história da personagem central de "Energia pura", um rapaz cuja mãe sofre a descarga de um raio momentos antes de dar à luz um bebê que mais tarde se revelaria intelectualmente superdotado, um gênio que atraía dissabores mais do que simpatia. Isso se devia, em grande parte, a sua aparência, ressaltando o quanto julgamos os outros pelo que mostram e não como são. É, no fundo, uma releitura da vida de Jesus, cuja mensagem não teve simpatizantes de imediato, apesar da grandeza de seus ensinamentos, sendo levado ao sacrifício da própria vida em consequência da incompreensão do mundo. No filme, esse sacrifício tem uma outra interpretação: enquanto o Cristo teve de morrer para estar mais próximo dos Homens, a personagem da fita escolhe se integrar à Natureza, deixando-se desintegrar, vendo-se incapaz de modificar a natureza moral de quem não o compreendia e, por isso, não o aceitava nem lhe preenchia as carências. Vitimado pelo preconceito, filho da ignorância, ele opta por "voltar para casa". Confiram.

sábado, 17 de agosto de 2013

João Ubaldo Ribeiro às voltas com obsessores

Francisco Muniz
(publicado na revista Visão Espírita n. 14 - Ano II - 1999)

O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, "imortal" da Academia Brasileira de Letras radicado no Rio de Janeiro, é dono de "maluquices" que não esconde de ninguém. Em dezembro de 1998 essas maluquices ubaldianas foram tratadas num centro espírita baiano, quiçá na aprazível Itaparica, como obsessão espiritual. O próprio escritor confessou o tratamento numa crônica publicada no jornal O Globo (edição de 6 de dezembro daquele ano). Ali, Ubaldo relata suas últimas férias na Bahia e diz que "tenho sido levado a um centro espírita muito simpático, que, segundo amigas muito persuasivas de minha irmã, resolve casos de maluquice iguais aos meus com grande proficiência".
O autor de "Sargento Getúlio" suspeita de que não esteja bom de todo, mas reconhece que o tratamento "tem suas qualidades. Venho entrando em contato com meus obsessores e quero crer que, em matéria de obsessor, tenho grande destaque. No começo, me assustei um pouco, mas acabei me acostumando". O que João Ubaldo narra do tratamento (sua metodologia) deixa entrever que o centro em tela não segue a orientação do Espiritismo conforme a Codificação kardequiana. Ainda assim, vale a pena seguir o relato, porque ilustra com alguma exatidão os fenômenos mediúnicos.
"Tem um (obsessor), incorporado num médium enorme, que foi botar as mãos em meus ombros e caiu duro, havendo sido necessário carregá-lo com esforço para a sala contígua. Mas o que mais me detesta chega numa senhora de aparência agradável, que se modifica inteiramente, ao me ver. Na última vez, ela ficou em minha frente, me olhou biliosamente e protestou.
"- Por que me fazem isso? gritou. Por que me põem na frente desse desgraçado? Assassino! Assassino!"
O susto foi grande, confessou o antigo redator dos áureos tempos do jornal Tribuna da Bahia. "Jamais havendo, que eu saiba, assassinado alguém, fiquei muitíssimo abalado. Ia perguntar detalhes, mas ela (ele?) não queria conversa, só queria me xingar. Muito pacientemente, o pessoal a pegou para levá-la para outra sala, onde o outro continuava estatelado. Mas ela não desistiu e continuou me xingando: Desgraçado! Assassino! Eu vou acabar com ele, eu acabo ele!"
Para a alegria de João Ubaldo, os obsessores não acabam facilmente com suas vítimas, desde que estas tomem os cuidados necessários ("orai e vigiai", alertou o Cristo). "Ando bastante preocupado com os obsessores", disse o escritor na crônica dominical. "Não conhecia nenhum até agora e vou tomar minhas precauções. (...) Mas me disseram também que, no fundo, eles são boas pessoas, que só precisam de um pouco de compreensão e paciência."

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os espíritos curam?

Francisco Muniz
(publicado na revista Visão Espírita n. 14 - 1999)

Tem a revista IstoÉ (em 1999!) uma seção intitulada "Polêmica", na qual fatos estimuladores da opinião pública são comentados parte favorável e parte desfavoravelmente. Na edição de 27 de março de 1996, dois médicos externavam sua concepção a respeito das curas espirituais. "Os espíritos curam?", perguntava a revista. O primeiro profissional da Medicina, Luiz Augusto Queiroz, defendia o "sim", enquanto Bráulio Luna Filho negava o fato. Queiroz ocupava, na época, a presidência do Lar Frei Luiz, instituição espírita do Rio de Janeiro, ao passo que Luna Filho fazia parte do Conselho Regional de Medicina de São Paulo.
Para o conselheiro, as pessoas acreditam que a medicina espiritual funciona porque grande parte das doenças tem um forte componente emocional, ressaltando que a literatura médica mundial atesta que até 30% das recuperações de doenças, inclusive as muito graves, podem ser atribuídos ao efeito placebo, técnica utilizada nas pesquisas para comprovar a eficácia de certas drogas. "As pessoas imaginam estar tomando certos medicamentos, mas não estão de fato e mesmo assim se curam. Como explicar esse fenômeno? Não há dúvida de que a confiança em um médico ou em um tratamento, além da disposição emocional de melhorar, está intimamente ligada a essa regressão espontânea."
Luna Filho, porém, revela que "a medicina ainda não sabe explicar exatamente como acontecem as recuperações aparentemente milagrosas", referindo-se a casos de pacientes com câncer que se recuperaram totalmente desse mal, depois da medicina tê-los desenganado. "Quando isso acontece fora do meio médico", disse ele, "evidentemente, vira milagre". Milagre é o termo usado quando se depara com algo que a Ciência não consegue explicar, o que não é o caso quando se procura estudar os fenômenos de curas espirituais do ponto de vista do Espiritismo. Nesse ponto abrimos espaço para o médico Luiz Augusto Queiroz.
Segundo o então presidente do Lar Frei Luiz, "apesar da negação de alguns, hoje, no mundo inteiro, pesquisadores isentos procuram trabalhar em busca de respostas que ajudem a humanidade a avançar um pouco mais. Com os novos paradigmas da ciência, como a holografia, a mecânica quântica e a relatividade, estamos munidos de um instrumental teórico que torna perfeitamente possível aceitar que a vida se estenda a outras dimensões. Mais alguns dias e a convivência com o mundo dos espíritos poderá ser matéria comum do dia a dia. Em alguns lugares, para quem quiser ver, assim já é".
Abrimos parênteses para Léon Denis, que em seu livro Depois da Morte, no capítulo tocante aos médiuns, procura esclarecer: "Digamos ainda que uma multidão de sensações inexplicáveis provém da ação oculta dos Espíritos. Alguns médiuns servem também de intermediários aos Espíritos para transmitirem aos doentes e valetudinários eflúvios magnéticos que aliviam e, algumas vezes, curam esses infelizes. É uma das mais belas e úteis formas da mediunidade". Fecha parênteses.
Para Queiroz, "a medicina espiritual, mesmo para aqueles que não acreditam que seus efeitos são provocados pela intervenção dos espíritos, abre porta a conceitos muito mais profundos, evidentemente com mais perguntas que respostas. Nessa ótica ampla, o conceito de saúde supera o da doença. Procura-se não só a moléstia física, mas o ser humano por inteiro".
O médico lamentou que alguns de seus colegas se mostrem cegos para essa realidade: "É triste ver que ainda hoje, n o limiar do século XXI, quando a própria ciência se surpreende com o que a natureza apresenta aos olhares atônitos de físicos e químicos, possa haver num campo tão importante - pois lida diretamente com o sofrimento humano - médicos que neguem por negar e dogmatizem como se fossem donos da verdade, à semelhança das autoridades religiosas da Idade Média".

Música e mensagem - Dona da minha cabeça

Francisco Muniz
(publicado na revista Visão Espírita n. 20 - Março de 2000)

Dona da minha cabeça, ela vem com o carnaval
toda paixão recomeça, ela é bonita, é demais
não há um porto seguro, futuro também não há
mas faz tanta diferença quando ela dança, dança
eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais

Dona da minha cabeça, quero tanto lhe ver chegar
quero saciar minha sede milhões de vezes, milhões de vezes
na força dessa beleza é que eu sinto firmeza e paz
por isso nunca desapareça, nunca me esqueça
não te esqueço jamais

Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita

Uma vez que o que "faz" nossa cabeça é verdadeiramente a consciência, podemos entender que a "dona da min ha cabeça" de que fala a música de Geraldo Azevedo seja a conscientização a respeito de nós mesmos - e isto a Doutrina Espírita nos proporciona com grande excelência -, que surge quase sempre nos momentos de "carnaval", isto é, quando atravessamos mais momentos de turbulência que de alegria.
É então que, imersos em dúvidas, incertezas e, por vezes, em terrores e pesadelos, somos levados a nos confrontar com algo superior a nossa vontade, a nossos conceitos, à simples ideia do que seja a realidade, porquanto já não aceitamos a situação de verdadeira morbidade em que nos encontramos, com as emoções em desalinho, condição própria do paroxismo das paixões.
Assim, pois, a conscientização representa o instante em que nos damos conta de que ferimos as leis divinas, as leis que regulam a natureza, seja em nosso íntimo, seja fora de nós, e entendemos que se torna necessária a correção que nos beneficiará modificando essa condição anômala para nos fazer trilhar o caminho da felicidade novamente - eis, portanto, porque a conscientização "é bonita, é demais"...
Nas questões 619 e seguintes de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec faz perguntas acerca do conhecimento da lei natural, recebendo a informação de que todos os homens podem conhecê-la, embora bem poucos a compreendam, e que esse conhecimento é condição sine qua non para o progresso da Humanidade. Não se trata aí do progresso material, bem entendido.
Até a compreensão dessa lei, porém, ficamos como que levados ao sabor dos ventos e das correntezas, sem âncora, sem boia de salvação, sem abrigo ante a tempestade em que padecemos; assim, "não há um porto seguro, futuro também não há". Mas quando caímos em nós, conscientizando-nos finalmente de nossas fraquezas e potencialidades, ah! quanta diferença!
Está escrita na consciência de cada um a lei de Deus, conforme disseram os Espírito Superiores a Kardec (OLE, questão 621). Mas, devido a nossa incúria e ao entorpecimento de nossos sentidos espirituais frente às ilusões da matéria, nós nos esquecemos quase sempre de consultar a consciência e, qual fora um computador que armazenasse tais informações, esquecemos de acessar conhecimento tão importante. Por isso adquirimos conceitos e culturas que absolutamente não condizem com nossa condição espiritual e ao sermos confrontados com a verdade demoramos a reconhecê-la e a todo custo tentamos modificá-la segundo nosso canhestro entendimento; assim é que "eu digo e ela não acredita".
Em nosso estado de mendicância espiritual, ansiando pela luz do entendimento das verdades imorredouras, o que mais queremos é ver a chegada da "dona da minha cabeça", ou seja, o momento em que se nos iluminará a consciência. Como na imagem alegórica da luz no fim do túnel, essa iluminação só chega, porém, após caminharmos no escuro de nós mesmos, enfrentando os perigos do caminho.
Por outro lado, podemos acender uma lanterna que nos ajudará a chegar mais facilmente à luz maior; essa lanterna é o Evangelho de Jesus, melhor revelado através do conhecimento do Espiritismo, que, em suma, resgata a essência dos ensinos do Cristo de Deus. A simples leitura do Evangelho tem o poder de "saciar minha sede milhões de vezes". À luz do Espiritismo - doutrina de consolação e esclarecimento - refletimos que é "na força dessa beleza" que "eu sinto firmeza e paz" e, de posse de um novo estado de ânimo, em que a fé brota dos escombros deixados pela dor ou simplesmente da terra adubada pelo entendimento, reconhecemos a necessidade de enxergar a nós próprios não mais como antes, de um ponto de vista mesquinho e exclusivista, mas com largueza de visão, vendo-nos realmente como seres comprometidos com os planos de Deus em tornar este e outros mundos melhores, a começar de nós mesmos. E assim enxergamos a beleza, a justiça e a paz verdadeiras, das quais não queremos jamais nos separar.

Análise de filme (XVI) - Segredos da Vida

Francisco Muniz

Disponível nas videolocadoras, esse filme estrelado por Robin Williams narra, em cinco episódios diferentes, a trajetória de um homem em busca do sentido de sua vida, esclarecendo como o Espírito necessita de várias encarnações para realizar o aprendizado necessário à libertação de suas imperfeições. Cada existência é uma oportunidade de educação para o Espírito, mas como a cada renascimento ele esquece dos antigos compromissos assumidos junto à própria consciência, o processo de reeducação é sempre mais difícil. Desse modo, o Espírito prossegue vezes sem conta cometendo os mesmos erros, principalmente quanto aos relacionamentos com os demais, atrasando em parte sua marcha evolutiva. É claro, há alguns acertos, mas até que uma existência tenha completo sucesso é preciso que o Espírito se dê conta do quanto tem errado e se disponha à correção, através da readequação de comportamentos, reavaliando conceitos e transformando hábitos equivocados em atitudes mais salutares. Hoje, com o estudo do Espiritismo, vemos que em tudo há uma causa e consequências, de forma que o sentido da vida, que tanto tira o sono dos filósofos e cientistas, está em observarmos nossa vida e fazer com que as consequências do que fizermos sejam sempre benéficas para nós e principalmente para os outros.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Análise de filme (XV) - O Show de Truman

Francsico Muniz

Os Espíritos são criados simples e ignorantes e precisam da encarnação para experimentar situações que os levem à condição de anjos, fazendo escolhas que ora os beneficiam, ora os infelicitam, através do uso mais ou menos satisfatório do livre-arbítrio. Com isso, adquirem os conhecimentos intelecto-morais necessários ao esclarecimento próprio, no caminho de sua elevação, segundo reza a lei de evolução, à qual estamos todos submetidos. Assim, em cada etapa reencarnatória temos a oportunidade de construir nossa destinação futura, procurando os melhores meios para conduzir nossa vida de acordo com o que julgamos coerente com nosso entendimento.  Eis uma releitura que podemos fazer desse filme, segundo os ensinamentos do Espiritismo, doutrina libertadora que nos revela nossa essência divina e nosso papel na vida. Fica patente na fita a luta do Espírito encarnado para modificar-se, vencendo seus medos e todos os obstáculos e vicissitudes que ainda o identificam como o "homem velho" de que falava o apóstolo Paulo, libertando-se no "homem novo" sabedor de si mesmo e construtor de seu futuro. A espíritos assim a horizontalidade da vida mundana é incapaz de satisfazer os anseios por cada vez mais esclarecimentos acerca de si próprios: sua origem, sua natureza, sua destinação... Desse modo, importa aplicarmo-nos no aprendizado acerca do que nos fará realmente livres, desapegando-nos de valores, cultura e condicionamentos que impossibilitam nosso avanço em direção do mundo novo quem é nossa realidade espiritual, da mesma forma como procedeu a personagem principal do filme citado.

Somos todos aprendizes

Sebastião (Espírito)
(médium Adelina Campos)

Somos todos aprendizes
nesta escola de amor
contentes seguimos sempre
sem nunca pensar na dor.

Do orgulho e do egoísmo
buscamos nos corrigir
praticando a caridade
felizes em poder servir.

A nossa fé nos eleva
pois queremos fazer jus
a merecer o amor
do nosso Mestre Jesus.

Então venha, amigo
fique conosco também
vamos de braços dados
unir forças, fazer o bem.

Todos são sempre bem-vindos
neste tempo, nesta irmandade
nossa casa é o Centro
Deus, Luz e Verdade.

Com Jerônimo nos guiando
com a força de Bernadete
venceremos com amor
no Norte, Sul ou no Leste.

Agradeçamos então
a toda a equipe de luz
que nos leva em segurança
ao encontro de Jesus.


domingo, 11 de agosto de 2013

A bandeira da Caridade

Irmã Rafaela

Que a Mãe do Alto, nossa benquista Maria de Nazaré, nos anime na pra´tica do bem, na compreensão de nossa condição de instrumentos da Caridade junto aos necessitados de todos os caminhos, em nome da Divina Misericórdia representada pelo Cristo Jesus. Abençoados sejos vossos esforços e que a Divina Luz clareie vossas intenções e vossas ações todo o tempo.
Os dias passam céleres, quase não vemos mais o passar das horas, e isto significa que o trabalho se intensifica, especialmente para os servidores conscientes das responsabilidades assumidas junto ao Cristo. É dom de Deus que tenhais despertado para a realização de semelhante tarefa, meus filhos, e nossos corações se rejubilam por ver-vos animados de coragem para empunhar a bandeira da paz e da caridade, desfraldando-a primeiramente no altar de vossas almas.
Oh! quanto é doce a angústia, a alegre angústia dos que militam ao lado do Cristo, sob a orientação de seus diletos mensageiros! Sabemos de vossos secretos prantos, de vossas dores, de vossa renúncia para o bom cumprimento da missão. Tende fé e perseverai, porquanto a vitória sobre vós mesmos exige tal empenho.
Um dia fostes dos mais devedores e hoje tendes a oportunidade da quitação de vossos débitos contraídos perante as divinas leis. Alegrai-vos, pois, certos de que a Bondade Divina não esquece os filhos do Calvário. Renovai vossas forças e caminhai com denodo, tendo como meta o encontro feliz com o Cristo, que vos espera no campo sublime da Realidade espiritual.
Vossos irmãos de caminhada igualmente vos esperam, ainda que desconheçam que também precisam marchar para o mesmo destino, vestindo a túnica nupcial da integração nas obras do bem. Ide até eles, acalentando suas dores, desfazendo suas ilusões perturbadoras e asserenando suas angústias, a fim de que despertem e aprendam a ser mais doadores que receptores das divinas bênçãos.
Estamos convosco.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Bênçãos

Irmã Rafaela

Abençoado este dia em que as boas resoluções animam vossos seres, meus filhos. Deus, o Cristo, a Mãe Santíssima e todos nós, os obreiros do Senhor, contamos com vossos esforços no trabalho santificante de pacificar a Terra. Sois aqueles a quem o Mestre convidou a lançar mão do arado sem olhar para trás.
Sim, a obra é para o futuro e começa agora, ante os percalços que vós mesmos colocastes em vosso caminho e será com o empenho de vossa boa vontade de os tirareis todos, contando sempre com nossa ajuda, em nome do Cristo.
Trabalhai, pois, com alegria, recebendo as bênçãos de cada novo dia e não desfalecereis em meio às perturbações da época. O Senhor conta convosco. Sede sinceros em vossa fé, animai aqueles que ainda titubeiam, levantai os alquebrados, esclarecei os ignorantes, consolai os tristes e amparai os fracos - eis o que tendes a fazer, segundo o convite do Grande Amigo Jesus.
Os pequeninos do Pai, como ele os chamou, proliferam diante de vossos olhos, atraindo-vos ao trabalho fraterno. Despertai, então, e lançai mãos à obra, certos de que trabalhais para o Cristo e isto resultará em mérito para vós mesmos.
Caminhar para a frente é imprescindível, neste momento em que as atenções celestiais se voltam para a transformação por que o planeta está passando. Entendei, assim, que o tempo urge e sois convocados a atuar ao nosso lado, auxiliando na grande obra. Coragem!
Deus vos abençoe.