quarta-feira, 24 de junho de 2015

Mediunidade e mistificação

Emmanuel
(Relativamente à questão 303 de O Livro dos Médiuns (A. Kardec), no livro Opinião Espírita, por Chico Xavier e Waldo Vieira, com a participação de André Luiz, Espírito.)


Compreendendo-se que na experiência humana enxameiam espíritos desencarnados de todos os estalões, seja lícito comparar os médiuns, tão-somente médiuns, aos instrumentos de comunicação usados pelos homens, no trato com os próprios homens.

Médiuns de transporte.

Vejamos o guindaste que opera por muitos estivadores.
Tanto pode manejá-lo um chefe culto, quanto o subordinado irresponsável.

Médiuns falantes.

Observemos o aparelho de gravação.
O microfone que transmitiu a mensagem edificante assinala com a mesma precisão um recado indesejável.

Médiuns escreventes.

Analisemos o apetrecho de escrita.
O mesmo lápis que atendeu à feitura de um poema serve à fixação de anedota infeliz.

Médiuns sonâmbulos.

Estudemos a hipnose.
Na orientação de um paciente, tanto consegue estar um magnetizador digno que o sugestiona para a verdade, quanto outro, de formação moral diferente, que o induza à paródia.

***

A força mediúnica, como acontece à energia elétrica, é neutra em si,
A produção mediúnica resulta sempre das companhias espirituais a que o médium se afeiçoe.
Evidentemente, o médium é chamado a garantir-se na sinceridade com que se conduza e na abnegação com que se entregue ao trabalho dos Bons Espíritos que, em nome do Senhor, se encarregam do bem de todos.
Em tais condições, nada pode o médium temer, em matéria de embustes, porque todos aqueles que se consagram e se sacrificam pelo bem dos semelhantes jamais mistificam, por se resguardarem na tranquilidade da consciência, convictos de que não lhes compete outra atitude senão a de perseverar no bem, acolhendo quaisquer embaraços por lições, a fim de aprenderem a servir ao bem com mais segurança, já que o merecimento do bem cabe ao Senhor e não a nós.
Fácil reconhecer, assim, que não se carece tanto de ação da mediunidade no Espiritismo, mas em toda parte e com qualquer pessoa, todos temos necessidade urgente do Espiritismo na ação da mediunidade.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ah, o amor!...

Francisco Muniz


O amor gruda em seu calcanhar tão logo você acorda; aliás, ele já está com você enquanto você dorme, entranhado em seus pensamentos. Ele não é o que você pensa, mas o que você sente quando está pensando. O amor está além de seus pensamentos.
Ele não é o caminho que você trilha e lhe leva onde você quer ir, mas os passos que você dá para chegar ao caminho; ele é cada pedra que machuca seus pés na caminhada, e é também as meias que suavizam seus pés mesmo quando os sapatos estão apertados.
O amor não é a lenha que fará sua fogueira na noite fria, mas o fogo que queimará sua fogueira e a manterá ardendo durante todo o inverno.
O amor chega antes de você em qualquer lugar e mesmo assim ele é sua principal companhia na jornada.
O amor não é a paisagem que adorna seu caminho, mas o modo como você vê a paisagem. O amor, portanto, está em seus olhos e também além de seu olhar.
O amor é tão grande e abrangente que toma todo seu ser e ainda assim você não o percebe...

O sofrimento humano e a hora do Evangelho

(Irmã Rafaela)


Filho meu, filho querido, a ti as bênçãos do Céu.
O Deus bom e misericordioso, pai amoroso de todos os seus filhos, quer que nos reunamos, encarnados e desencarnados, para o concerto sublime das bem-aventuranças. Por intermédio do Cristo Jesus e de sua imensa legião de emissários, dentre os quais também me inscrevo, o Pai Altíssimo manifesta sua soberana vontade para com toda a Humanidade sofredora, ainda padecendo sob os golpes da própria incúria, da própria ignorância.
Os homens sofrem a dor de não saberem que são esses filhos bem-amados do Criador de tudo. Eles precisam ser esclarecidos e para tanto os esforços do Alto são sempre incessantes. Cada vez mais os prepostos do Senhor têm se esmerado nesse mister, a fim de fazerem com que a luz que o meigo Rabi da Galileia espalhou sobre a superfície escura do planeta continue a brilhar.
É sempre hora, portanto, do Evangelho, embora uma parte da Humanidade lhe dê as costas, mesmo sentindo-lhe a necessidade, mesmo antevendo-lhe a presença, mesmo entreouvindo-lhe os apelos libertadores. O homem, incauto qual se encontra, teima em manter-se cativo de si mesmo, desatento quanto às próprias responsabilidades e, por isso, distante da tão almejada felicidade.
Compete aos devotados cooperadores do Cristo a tarefa de esclarecê-los, através do verbo lúcido e comprometido com os sagrados ideais, para que a grande massa dos desvalidos encontre não só o lenitivo para as dores imediatas, mas principalmente o remédio que lhes trará a cura definitiva dos grandes males que encarceram a alma nos resvaladouros do crime e da loucura, prisões essas que, pela imensa bondade do Senhor, já deveriam ter desaparecido da Terra.
É preciso que cada vez mais irmãos nossos despertem - com alguma urgência - para a realidade que lhes é própria e, vivendo a condição de espíritos imortais, passem a cantar conosco o doce hino do compromisso com aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida e nos convida para o grande banquete da vida eterna...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Aprender a ler

Francisco Muniz

O apóstolo Paulo nos ensina, há dois mil anos, a examinarmos que nos chega ao conheccimento e assim retermos somente o que seja bom, porquanto "tudo me é lícito, mas nem tudo me convém", como bem ele próprio salientou. Desse modo, o aprendiz do Espiritismo deve também aprender a selecionar suas leituras, mas sem desprezar o que ainda não conhece, para que possa separar, depois, o joio do trigo, como ensina-nos o Mestre de Nazaré. Assim veremos, portanto, que há livros e livros; há livros aproveitáveis e livros dispensáveis. E para bem fazermos essa seleção, talvez baste ouvirmos a recomendação de Emmanuel a Chico Xavier:
- Se algum dia eu lhe disser algo que contrarie Jesus ou Kardec, esqueça o que eu disse e fique com Jesus e Kardec.
Eis, então, uma boa régua para medirmos nosso aprendizado espírita.
Mas digo isso para referir-me a um livro famoso de um autor norte-americano famoso, um médium como o é James Van Praagh. Em seu livro, intitulado "Falando com os Espíritos", ele ensina, lá pelo final, um recurso para contatar os invisíveis. É assim: para saber se há a presença de uma entidade no ambiente, deve-se pedir que ela faça ouvir uma batida; se não houver, que faça duas batidas...
Não é ridículo?