sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Um livro de mistério

Francisco Muniz

Há alguns anos, quando meu amigo Cláudio Emanuel Abdala pediu-me para revisar os originais de seu livro Mubzi, fiquei de escrever algumas palavras à guisa de prefácio, o que realmente fiz, mas o texto se extraviou entre meus papéis e o livro foi publicado sem minha participação. Faço agora o devido reparo, pedindo mais desculpas ao autor. Eis o texto:

Ao povo baiano, especialmente o que nasceu e habita Salvador, credita-se, tradicionalmente, um quê de misticismo que vem ser o resultado de uma fusão cultural como não há igual em outra parte do mundo - podemos dizer.
O índio que aqui já vivia à chegada dos portugueses empresta suas crenças anímicas à riqueza desta cultura, somadas sobretudo às manifestações religiosas da raça africana, para cá atraída à força da escravidão.
A própria religiosidade do europeu deu novas cores à formação cultural do baiano, sofrendo e fazendo sofrer os efeitos pertinentes à necessária mistura de pensamentos e sentimentos tão distintos, mistura essa que encontra sua real expressão no que se convencional chamar baianidade.
Tal é o pano de fundo da obra idealizada por Cláudio Abdala neste livro, de cujo conteúdo nos absteremos de comentar, respeitando o tom de mistério que o autor lhe imprimiu, a partir do próprio título.
Em Mubzi Cláudio capta a alma mística do baiano, num trabalho que, como ele nos confidenciou, surgiu alheio a suas ocupações e preocupações. Veio-lhe a história praticamente completa, em jatos de inspiração, e em pouco tempo, questão de dias, o livro estava pronto.
Uma psicografia? O autor recusa o termo, por não ser médium de efeitos mecânicos, digamos assim, por sabermos que a psicografia é, no contexto do Espiritismo, manifestação de efeito inteligente, tal como a Designou Allan Kardec.
Assim, fica o convite para conhecermos e desvendarmos o mistério de Mubzi.

Pai Nosso

Monsenhor José Silvério Horta, Espírito; Chico Xavier, médium; do livro À Luz da Oração


Pai Nosso, que estás nos Céus,
Na luz dos sóis infinitos,
Pai de todos os aflitos
Deste mundo de escarcéus.

Santificado, Senhor,
Seja o Teu nome sublime,
Que em todo o Universo exprime
Concórdia, ternura e amor.

Venha ao nosso coração
O Teu reino de bondade,
De paz e de claridade
Na estrada da redenção.

Cumpra-se Teu mandamento
Que não vacila nem erra,
Nos Céus, como em toda a Terra
De luta e de sofrimento.

Evita-nos todo o mal,
Dá-nos o pão do caminho
Feito da luz, no carinho
Do pão espiritual.

Perdoa-nos, meu Senhor,
Da iniquidade e da dor
Os débitos tenebrosos,
De passados escabrosos.

Auxilia-nos também,
Nos sentimentos cristãos,
A amar nossos irmãos
Que vivem longe do bem.

Com a proteção de Jesus,
Livra a nossa alma do erro,
Sobre o mundo de desterro
Distante da Tua luz.

Que Tua ideal igreja
Seja o altar da Caridade
Onde se faça a vontade
De Teu amor...
Assim seja,

Você e os outros

(Texto atribuído à Madre Tereza de Calcutá)


Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
Se você tem paz, é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Segundo o Espiritismo

Francisco Muniz

Segundo o Espiritismo, a vida na Terra é apenas uma estação de aprendizado para os Espíritos aqui estacionados momentaneamente. Que esse aprendizado é, por assim dizer, infinito, porquanto todo o conhecimento reside em Deus e este o parâmetro inalcançável de nosso processo de aperfeiçoamento.
Segundo o Espiritismo, a Terra é só um dos muitos bilhões de mundos habitados neste imenso Universo criado por Deus e mantido em funcionamento através de leis sábias e perfeitas e, por isso mesmo, imutáveis.
Segundo o Espiritismo, Deus é a causalidade de tudo que chamamos vida em todas as partes do Universo, sendo também a soberana justiça e bondade, porquanto reúne a absoluta Perfeição.
Segundo o Espiritismo, o Espírito e a matéria, ao lado de Deus, são os elementos constitutivos de tudo que existe. Ao lado deles há um elemento aglutinador chamado fluido universal, que pode ser entendido como a matéria primordial da qual tudo se forma pela divina Vontade.
Segundo o Espiritismo, os Espíritos influenciam a vida dos homens sutil ou ostensivamente. Essa influência se deve à existência, no homem, de um sentido extra chamado mediunidade, responsável pelo intercâmbio constante entre os seres dos mundos físico e extrafísico.
Segundo o Espiritismo, o homem é um Espírito encarnado cuja presença no planeta é sempre renovada numa sucessão de mortes e renascimentos, configurando a reencarnação, parte da lei de Evolução que garante o melhoramento dos seres espirituais e de tudo que se apresente como Criação Divina.



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Não perdoar

 Hilário Silva, Espírito - Chico Xavier, médium, do livro Almas em Desfile


Bezerra de Menezes, já devotado à Doutrina Espírita, almoçava, certa feita, em casa de Quintino Bocaiúva, o grande republicano, e o assunto era o Espiritismo, pelo qual o distinto jornalista passara a se interessar.
Em meio da conversa, aproxima-se um serviçal e comunica ao dono da casa:
- Doutor, o rapaz do acidente está aí com um policial.
Quintino, que fora surpreendido no gabinete de trabalho com um tido de raspão que, por pouco, não lhe atingiu a cabeça, estava indignado com o servidor que inadvertidamente fizera o disparo.
- Manda-o entrar - ordenou o político.
- Doutor - roga o moço preso, em lágrimas -, perdoe o meu erro! Sou pai de dois filhos... Compadeça-se! Não tinha qualquer má intenção... Se o senhor me processar, que será de mim? Sua desculpa me livrará! Prometo não mais brincar com armas de fogo! Mudarei de bairro, não incomodarei o senhor...
O notável político, cioso da própria tranquilidade, respondeu:
- De modo algum. Mesmo que o seu ato tenha sido de mera imprudência, não ficará sem punição.
Percebendo que Bezerra se sentia mal, vendo-o assim encolerizado, considerou, à guisa de resposta indireta:
- Bezerra, eu não perdoo, definitivamente não perdoo...
Chamado nominalmente à questão, o amigo exclamou desapontado:
- Ah! você não perdoa!
Sentindo-se intimamente desaprovado, Quintino falou, irritado:
- Não perdoo erro. E você acha que estou fora do meu direito?
O Dr. Bezerra cruzou os braços com humildade e respondeu:
- Meu amigo, você tem plenamente o direito de não perdoar, contanto que você não erre...
A observação penetrou Quintino como um raio.
O grande político tomou um lenço, enxugou o suor que lhe caía em bagas, tornou à cor natural e, após refletir alguns momentos, disse ao policial:
- Solte o homem, o caso está liquidado.
E para o moço que mostrava profundo agradecimento:
- Volte ao serviço hoje mesmo, e ajude na copa.
Em seguida, lançou inteligente olhar para Bezerra e continuou a conversação no ponto em que haviam ficado.