terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Como a ti mesmo...

Irmã Rafaela



Abençoa teus pés trilhando os caminhos da tua redenção, porque nem sempre os preferiste, embrenhando-te nos desvios da estrada segura até que por fim caíste nos despenhadeiros da loucura ignominiosa...
Abençoa tuas mãos dedicando-te aos trabalhos de doação, porquanto nem sempre realizaste o bem, preferindo ocupá-las nas obras de rapina, em detrimento da necessidade alheia...
Abençoa teus braços emprestando tua força ao soerguimento dos moralmente fracos, a despeito de no passado te comprazeres na tortura da muitos que te procuravam por confiança em teu amparo...
Abençoa tua cabeça dirigindo teus pensamentos e tuas ideias para ações que promovam a inteligência, desprezando as insinuações das mentes refratárias que coibem a livre manifstação dos pendores das almas em redor.
Abençao teus olhos, ouvidos e boca, controlando teus impulsos acostumados a denegrir, voltando-os agora à tarefa da paciente compreensão ante  aqueles que te deem causa às amarguras, posto que ontem foste capaz de ver o mal onde este não havia; de escutar as vozes do opróbrio despezando os bons conselhos; e emitir sentenças condenatórias quando podias decidir pela libertação de muitas mentes escravizadas ao erro, assim consolando muitos corações e pacificando tua consciência...
Abençoa, enfim, todo o teu corpo, recordando que é ele o templo de tua alma e perfeita criação do Pai misericordioso, que o conce a seus filhos bem amados para que estes se aperfeiçoem na senda evolutiva do Espírito imortal.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Amizades espirituais

Francisco Muniz


Diz Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, que os melhores medianeiros são aqueles que se enganam menos, por simpatizarem mais com os bons espíritos. Tal simpatia, parece óbvio, é ao mesmo tempo semente e fruto de verdadeiras amizades que se espraiam nos dois lados da vida. Por isso, merece especial atenção a relação entre os médiuns e os espíritos elevados, qual a que envolveu a médium Yvonne do Amaral pereira e o Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, cujo aniversário de renascimento na carne, ocorrido em 1831, no Ceará, comemora-se no dia 29 de agosto. Eis uam razão para prestarmos uma humilde homenagem a esse valoroso trabalhador do Bem, que a Terra é reverenciado tanto como "o Kardec brasileiro", pelo muito que fez em prol da Doutrina Espírita, quanto "o médico dos pobres", por motivos evidentes.
Do ponto de vista do exercício mediúnico, a parceria entre Yvonne e Bezerra produziu valiosos exemplares da literatura espírita, que em muito enriqueceram o panorama intelectual do movimento espírita brasileiro, tanto pela beleza da expressão literária de cada obra quanto por seu conteúdo doutrinário. Pelas mãos da médium fluminense, nascida no municcípio de Valença (RJ), hoje rebatizado como Rio das Flores, e desencarnada no Rio de Janeiro, em 1984, surgiram preciosos trabalhos da lavra do prestimoso instrutor espiritual, a exemplo de Dramas da Obsessão, A Tragédia de Santa Maria e Nas Telas do Infinito - este, em conjunto com o Espírito Camilo Castelo Branco, também autor do clássico Memórias de um Suicida.
Mas além de ditar essas obras, Bezerra colaborou com Yvonne Pereeira supervisionando várioss trabalhos psicográficos, como os livros Devassando o Invisível (assistência do Espírito Charles, mentor da médium), A Família Espírita, Evangelho aos Simples, A Lei de Deus, Contos Amigos e O Livro de Eneida (assistência de Charles e Léon Tolstoi).
Talvez tenha sido o nome venerando de Bezerra de Menezes o facilitador da carreira literária espírita de Yvonne, uma vez que Nas Telas do Infinito foi seu primeiro livro publicado pela Federação Espírita Brasileira - editora de todas as suas obras -, antes de Memórias de um Suicida e Amor e Ódio. Conforme a médium relata nas páginas de abertura de À Luz do Consolador, sua submissão à FEB deveu-se a conselhos de "meus amados Guias Espirituais Bezerra de Menezes e Charles". Tais Espíritos, conta Yvonne,  lhe diziam: "Somente à Federação Espírita Brasileira confia as tuas produções literárais mediúnicas. Se, um dia, alguma delas for rejeitada, submete-te: guarda-a, a fim de refazê-la mais tarde, ou destrói-a. Mas, não a confies a outrem".
Por tal razão, Yvonne jamais doou nenhum livro que tenha psicografado às editoras que lhe solicitaram publicações, até porque, conforme relata no livro citado, ela amava e respeitava a Casa-Máter do Espiritismo no Brasil "desde a minha infância".
Não era por acaso o conselho espiritual, uma vez que Bezerra havia sido, quando encarnado, presidente da FEB em duas gestões diferentes, em 1889 e 1895, respectivamente, havendo desencarnado em pleno exercício do cargo. Em seu livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes (Ed. LAKE), o autor Ramiro Gama registra uma mensagem de nosso homenageado recebida através de Chico Xavier, outro médium que soube honrar sua amizade com os Espíritos. A mensagem, dirigida aos medianeiros, é uma verdadeira receita de estreitamento dos laços de amizade, pela prática da caridade. Nela, o "médico dos pobres" recomenda: "Quem deseja a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procura a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência".
Assim se acumularão tesouros no céu da consciência, consoanta a lição de Jesus, o Amigo Maior.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bons instrumentos e intépretes

Francisco Muniz

Que é mesmo a mediunidade e qual é de fato o papel do médium, detentor dessa faculdade? Todo aprendiz da Doutrina Espírita que realmente se interesse por viver essa condição com consciência e responsabilidade deverá, ao menos, pensar nessas questões, de forma a se sentir estimulado a frequentemente consultar as informações de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores na tentativa de encontrar as respostas mais pertinentes.
Isto quer dizer que o importante não é tanto encontrar as respostas, mas procurar por elas, ou seja, querermos e buscarmos continuamente as instruções e esclarecimentos que nos farão conhecedores dos assuntos que nos digam respeito, instrumentalizando- os como os bons intérpretes que devemos ser dos abnegadoss Instrutores espirituais e também bons instrumentos junto às entidades necessitadas da boa assistência.
Assim, pelo estudo sério e metródico e pela prática consciente e eficaz é que os médiuns se desenvolvem, capacitando-se para as tarefas grandiosas do futuro. Os aprendizes da mediunidade que se especializam nesse conhecimento pelo aprendizado do Espiritismo têm o dever de atentar para não apenas uma, mas várias tarefas que lhes pesam sobre os ombros, quando se trata de se educarem para tão nobre quanto complexo compromisso.
O médium, desse modo, há que estudar e estudar-se, quer dizer, além de consultar os livros que lhe vão instruir quanto à ciência, precisa observar o próprio comportamento nos três níveis de manifestação pessoal: emocional, físico e intelectual, isto é, na esfera dos pensamentos. Para tanto, é mister o medianeiro tanto se instrua quanto se moralize, através da assimilação, compreensão e vivência dos postulados evangélicos explicados pela Doutrina dos Espíritos.
Dessa forma é que se tornará intérprete fiel das orientaçoes dos bons Espíritos, candidatando-se a maiores encargos no futuro, consoante as palavra do Cristo exaradas no capítulo 24, versículos 45 a 51 do Evangelho de Mateus: "Bem-aventurado aquele servo a quem o seu Senhor, quando vier, achar assim fazendo. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens".


Jesus na cruz

Irmã Rafaela

Tirem Jesus da cruz
essa não é boa rima
Ele quer estar cá embaixo
e vocês o põem lá em cima?

Ele caminha conosco
nossos passos Ele conduz
é um favor a nós mesmos
retirar Jesus da cruz!

A cruz fica melhor
se nela estamos pregados;
não fica bem pra Jesus
mantê-lo crucificado.

Modifiquemos a conduta
trocando trevas por luz;
valorizemos a luta
tirando Jesus dessa cruz.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um pouco de boa vontade

Francisco Muniz



“Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade.” 

Naquela noite inolvidável do nascimento de Nosso Senhor na face escura do planeta a luz revelou-se à Humanidade cansada de estorcegar nas trevas da própria ignorância. A luz do Alto vinha aquecer os corações angustiados e iluminar a mente e os caminhos daqueles que ansiavam pela Verdade. Estes os homens de boa vontade, predispostos a ouvir e atender aos apelos dos Cimos a fim de se elevarem no concerto espiritual, correspondendo à Vontade do Senhor: paz na Terra.
O homem é senhor de sua vontade e importa mantê-la livre dos empeços que atrapalham a boa jornada no rumo da evolução, procurando fazer unicamente o bem. No entanto, a vontade do homem é ainda tíbia, porquanto ele se deixa levar por interesses outros, dando vez a vontades outras incompatíveis com suas necessidades de espírito imortal, quando tudo quanto deveria fazer seria ceder sua vontade à Vontade maior, a do Pai misericordioso, soberanamente justo e bom. Tal é a mensagem do Cristo em todo o Evangelho, indicando a natureza da vontade de Deus: “Que vos ameis uns aos outros”.
No homem, a vontade é o impulso da alma para a realização dos grandiosos propósitos da Divindade. Com sua consciência adormecida para as “coisas do Pai”, o homem necessita de estímulos tanto internos (a dor que corrige) quanto externos (as vicissitudes que freiam) a fim de aprender a conduzir sua vontade de acordo com as determinações espirituais. Por tal motivo Jesus pede que tenhamos bom ânimo, isto é, que nossa alma se deixe cativar pelos valores imperecíveis da Realidade Imortal para enfim instalarmos o Reino dos Céus no próprio coração.
Sem esse esforço, como experimentar uma existência de paz? O homem se ressente da falta de paz por ter esquecido de quem é, por ter perdido o endereço de Deus e adotar um estilo de vida marcado pelo materialismo, em detrimento de sua herança divina. O resultado é o permanente conflito em que se encontra, consigo próprio e com os demais, manifestando perturbação onde se encontre por estar em constante desequilíbrio.

Esse estado doentio, no entanto, é passível de cura e eis que o Divino Médico das almas desce ao mundo para curar os enfermos ao mostrar-lhes o caminho da renovação íntima: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e eu vos aliviarei”.  Há que se ter a boa vontade de atender ao dúlcido apelo do Cristo, renovado todos os dias junto àqueles necessitados do lenitivo e ansiosos por conhecer a verdade que liberta, para que então o mundo viva em paz e os homens, finalmente, glorifiquem o Pai nas alturas celestiais de si mesmo...

domingo, 9 de novembro de 2014

O primeiro doutrinador

Francisco Muniz



Aprendemos, com Allan Kardec, que o Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências moralizantes que trata das relações entre o mundo material e o mundo dos Espíritos. Como filosofia, o Espiritismo nos leva a pensar sobre os fatos espíritas observados na realidade física, eminentemente fenomênica, possibilitando a elaboração de hipóteses que somente pela utilização da ferramenta chamada mediunidade poderão ser comprovadas ou afastadas, conforme o Codificador pondera em O Livro dos Médiuns.
Fazemos esse preâmbulo numa tentativa de facilitar a compreensão em torno do pensamento segundo o qual o médium psicofônico é o primeiro doutrinador do Espírito comunicante. Essa expressão causa estranheza e pruridos no médium esclarecedor, também denominado doutrinador, talvez por ver comprometida sua função na tarefa mediúnica, como se houvesse a possibilidade de perder seu "emprego". Nada disso. O fato é que, recepcionando o comunicante em seu campo vibratório, o psicofônico oferece-lhe as condições preparatórias e facilitadoras da atuação do esclarecedor.
O relato que apresentamos abaixo, feito por um médium psicofônico e observado no início do intercâmbio mediúnico, pode dar uma explicação um tanto quanto satisfatória, mas ficará a critério de cada um o estudo que levará às melhores conclusões em torno de tão palpitante questão, que envolve a ação de diferentes faculdades anímicas e mediúnicas, tais o desdobramento, a clarividência e a clariaudiência, principalmente.
Eis a narrativa:
"Eu vi o Espírito - detesto a palavra "entidade"! - e ele estava sujo, reclamava de dores. Dispus-me a ajudá-lo e nesse momento ele saiu correndo. Fui atrás dele e chegamos à frente de um hospital. Ele me disse que estava ali, mas ninguém lá dentro parecia se importar com seu caso - e ele precisava de ajuda! Entramos no hospital e fomos procurar pelo local onde ele (o corpo dele) estaria. Como não encontrássemos nenhuma pista, ele saiu do hospital e eu fui atrás. Atravessamos uma grande avenida, com duas pistas, pelo meio dos carros.
"Do outro lado, avistamos um prédio muito simples com uma porta fechada. Abrimos a porta e entramos e lá dentro havia um grande salão muito iluminado e cheio de camas. Então eu disse ao Espírito que devíamos deitar numa dessas camas, afirmando que eu estava muito cansado. Ele fez isso e, depois de descansar um pouco, virei-me para ele e disse que ele ficasse ali mais um pouco porque alguém viria ajudá-lo e eu precisava trabalhar.
"Deixei ele lá e retomei meu corpo, no Centro Espírita onde trabalho e naquele momento me preparava para atuar na tarerfa mediúnica. Logo em seguida, o mesmo Espírito entrou em meu campo e começou a dar sua comunicação..."
Esse relato faz recordar os registros de pesquisadores brasileiros como L. Palhano Jr., no Espírito Santo, e Luiz Gonzaga Pinheiro, no Ceará, em experiências que remontam àquelas realizadas pelo próprio Allan Kardec na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, durante as quais médiuns videntes descreviam o aspecto das entidades comunicantes, enquanto outros, desdobrados, descreviam cenas do plano espiritual confirmando as comunicações recebidas. As páginas da Revista Espírita e também de O Livro dos Médiuns trazem vários exemplos disso.
Como se percebe, a narrativa do médium psicofônico feita mais acima em nada contrapõe a atuação do médium doutrinador, que realiza seu exercício no momento propicio, mesmo sem ter a "vantagem" de visualizar a entidade comunicante e suas condições. No entanto, para que seu trabalho se dê a contento, suprindo a aparente "desvantagem" em relação ao colega psicofônico, ele precisa estar esclarecido quanto a seu mister e, durante a função, ligar-se ao mentor espiritual a fim de receber as boas inspirações.
Assim, ainda que o médium psicofônico seja visto e proclamado como "o primeiro doutrinador", o esclarecedor não pode descurar de seu papel, desdourando a importância do intercâmbio mediúnico, para o qual foi chamado a título de confiança com a finalidade de adquirir méritos através de sua dedicação, que deve ser sexecutada tanto humilde quanto competentemente. Porque também sobre ele pesam as ponderações do Espírito Ferdinando no último tópico do capítulo VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo ("Bem-aventurados os pobres de espírito").
Nesse tópico, intitulado "Missão do homem inteligente na Terra", Ferdinando faz uma pergunta que deve merecer profunda reflexão por parte dos médiuns, especialmente dos doutrinadores: "A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer?". Ora o instrumento do doutrinador é a palavra que esclarece e consola, que ele deve manejar com cuidado e carinho, estando atento para não ferir suscetibilidades nem deixar de usá-la a bem do comunicante. Mas vale ver toda a mensagem de Ferdinando para bem cumprirmos nossas funções junto aos espíritos, a fim de não nos vermos nas condições descritas naquele texto...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Uma lição aos namorados

Francisco Muniz


Há alguns anos, conheci o Sr. Geraldo Leite em Salvador, por inttermédio de companheiros do Centro Espírita Deus, Luz e Verdade, especialmente sua filha, Graça. mas somente quando soube, depois, que ele havia sido reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é que minha memória voltou no tempo e me recordei de um episódio - no qual o educador Geraldo Leite teve participação preponderante - que não teria a mínima importância, e cairia completamente no esquecimento, se, ao comentar a descoberta com a esposa, ela não se lembrasse de um detalhe singular (as mulheres, como se sabe, jamais esquecem!).
Era início do ano 1978, possivelmente o mês de março, e eu, pouco mais que um adolescente, houvera sido informado de que seria pai. A namorada, com quem me casaria em maio daquele ano, meio apressadamente, engravidara. Vivíamos, contudo, em cidades diferentes - ela, em Feira de Santana, e eu, na Capital - e só nos encontrávamos nos fins de semana. Assim, após a reevelação da gravidez, minha felicidade me fez comprar um par de alianças e improvisar uma cerimônia de noivado.
Era um sábado, portanto, e Beatriz, a namorada, fora me esperar na estação rodoviária. Talvez por sugestão dela, buscamos justamente o ambiente bucólico da UEFS para formalizar em definitivo nossa união. Sentam, pois, num dos muitos bancos sob as árvores e, como os casais apaixonados que se reencontram, trocamos afetos, mais intensos em razão da importância do momento.
Pensávamos estar relativamente a salvo das interferências alheias, uma vez que os poucos estudantes - àquela época - passavam à distância. Somente quando um funcionário nos abordou, pedindo que o seguíssemos à sala da Reitoria, é que percebemos estar sendo vigiados. Já um universitário na Capital, eu estranhei que o próprio reitor, o qual reputava um servidor infenso às questiúnculas do ambiente da Universidade, por ter responsabilidades das mais graves sobre os ombros, nos chamasse para um prosaico puxão de orelhas. Mas, tanto a curiosidade quanto o respeito formado pela educação doméstica falaram mais alto e simplesmente ouvimos a peroração do Sr. Reitor, que em seguida nos dispensou e fomos embora do campus, Beatriz e eu.
Naturalmente, com tantos anos passados, já não me lembro das palavras ouvidas naquela sala, embora não seja difícil imaginá-las. Em verdade, quem nos chamou ali - hoje vejo - não foi extamente o reitor da UEFS, mas o educador comprometido com seu ideal e atento a suas funções. E o que ouvimos foram exortações acerca da impropriedade da escolha do ambiente escolar, qual o da Universidade, para encontros amorosos, mesmo um tanto inocentes como o daqueles dois adolescentes que faziam planos para a inauguração de uma família...

domingo, 2 de novembro de 2014

Música

Emmanuel, por Chico Xavier



Deixa que o teu coração voe, além do horizonte, nas asas da música sublime que verte do Céu à Terra, a fim de conduzir-nos da Terra ao Céu...
Ouve-lhe os poemas deeterna beleza, em cuja exaltação da harmonia tudo é gloriosa ascensão.
Nesse arrebatamento às Esferas do Sem Fim, o silêncio será criação excelsa em tua alma, a lágrima ser-te-á soberana alegria e a dor será teu cântico.
Escuta e segue na flama do pensamento que transpõe a rota dos mundos, associando tuas preces de jubilosa esperança às cintilaações das estrelas!...
Não te detenhas.
Cede à cariciosa influência da melodia que te impele à distância da sombra, para que a luz te purifique, pois a música que te eleva a emoão e e descerra a grandeza da vida significa, entre os homens, a mensagem permanente de Deus.

sábado, 1 de novembro de 2014

Filhos pródigos

Irmã Rafaela


Sim, meu amigo, a jornada do Homem sobre a Terra pode ser comparada ao comportamento do moço da Parábola do Filho Pródigo, referida pelo Mestre Jesus, antes de sua decisão de retornar à Casa Paterna, onde o espera a festa do reencontro com o coração que manifesta o verdadeiro amor.
O Homem vagamene intui esse momento do reconforto, mas os atrativos e os interesses do mundo ainda confundem sua percepção espiritual e assim ele se demora provando o que é próprio dos animais, adiando ad infinitum a gloriosa volta ao lar da imortalidade.
No entanto, o Pai é também Todo-Paciente e espera cada um de seus filhos com a calma das eras que se sucedem sobre os infortúnios do Homem, sobre cada minuto de desatenta manifestação de ignorância a comprometer o progresso individual dos seres ainda pouco conscientes de suas necessidades de engrandecimento.
Somente a consciência desperta é o que lhes falta, porquanto o conhecimento está neles e ao alcance de cada um, bastando, pois, um pequenino esforço para que se modifique a condição transitória e o Homem, enfim, alce voo rumo às moradas celestiais que são de sua herança divina.
A esses filhos pódigos do Pai Misericordioso é que o Cristo conclama a caminhar Seus caminhos, oferecendo parcela significativa de luz suficiente para clarear os caminhos da mente desejosa de modificar as atitudes equivocadas, ainda dirigidas pelo quantum de orgulho e egoísmo que caracterizam as criaturas encarnadas, em sua grande maioria.
Despertemos sem tardança! O tempo é cada vez mais escasso e não se pode desperdiçá-lo impunemente, vez que a presença do Homem no planeta que o abriga momentaneamentte tem a finalidade de socorrê-lo em suas dores provocadas pela ignorância em que se encontra. Urge, pois, levantar-se do imobilismo e caminhar na direção dos gloriosos objetivos traçados pela Divina Providência.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Mediunidade a serviço da imortalidade

(Texto extraído da revista O Espírita, de Set./Dez. de 2013.)


O profeta Jereemias (46:18) dá o Tabor como símbolo do poder de Deus. O rei Davi (Salmo 88:13) o exalta no Salmo como referência para a verdadeira alegria. Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas destacaram o fenômeno da transfiguração e da materialização em seus apontamentos, numa das mais impressionantes passagens do Evangelho.
Entre todos, Jesus escolheu apenas três apóstolos: Pedro, João e Tiago para acompanhá-lo ao cume do Monte. Possivelmente, os três eram médiuns de efeitos físicos e colaboraram, sem o saberem, com o sucesso do evento. Lá, as vozes do céu consagraram o cristo: "Este é o filho dileto de Deus".
Moisés e Elias, como legítimos representantes da raça judaica, ali estavam visíveis e o rosto e as vestes de Jesus resplandeciam como o Sol. Pairava uma felicidde tão intensa que Pedro desejou armar três tendas para alojá-los e perpetuar aquele momento: "Senhor, como é bom estarmos aqui." (Mt, 17:4)
Para a comunidade espírita-cristã, além da prova da imortalidade da alma, a transfiguração e a materialização no Monte Tabor sugerem a integração de interesses e sentimentos que devem nortear os nossos atos nos dias que correm. Por que Jesus materializou Moisés e Elias, e não João Batista, que fora seu precursor?
Moisés, Elias e João Batista são o mesmo espírito em encarnações diferentes. A explicação passa pelo fato de que João Batista criticara fortemente as imoralidades de Herodes. Se ele aparecesse no Monte provocaria uma revolta nos poderes dominantes, dificultando a mensagem de Jesus.
Compreendemos como uma atitude de extrema inteligência e sabedoria divina. Ao homenagear duas das mais importantes lideranças do judaísmo, o Cristo deu uma lição de fraternidade em seu sentido mais absoluto.
Fica o exemplo! Quando há tanta inveja nos ambientes religiosos, em que irmãos de fé deveriam se respeitar, promovem a desagregação que campeia em todos os meios, como obra pérfida do espírito do anticristo, como tão bem coloca o Apocalipse. Não servem ao Cristo, servem-se do Cristo, na exaltação da própria vaidade.
Aos que ainda não adquiriram a verdadeira consciência cristã e que se julgam impunes por serem espíritas, bom seria que lessem e relessem a mensagem do Espírito de Verdade, intitulada "Os obreiros do Senhor", que está no capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo. É de estarrecer, pela energia da advertência.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre a importância do passe

Francisco Muniz

Um trabalhador de certa Casa Espírita de nossa cidade é dono de uma vistosa calvície, tão acentuada quanto precoce, ao ponto de sofrer a "perseguição" de um seu amigo, para quem ele ficou careca de tanto tomar passes. Claro, é só por brincadeira que o amigo diz isso. Histrionismo à parte, convém dizermos que o passe não causa malefício algum, antes pelo contrário, sendo bastante significativas as bênçãos que do Alto recaem sobre os necessitados da alma, proporcionando inclusive importantes alterações no estado de saúde dos pacientes enfermos.
Sendo assim, devemos, mais uma vez, perguntar-nos o que é o passe e por que ele produz tais benefícios. O passe é uma transfusão de energias salutares alterando o campo celular dos indivíduos que a ele se submetem. Desse modo compreendemos que, nesse momento, renovando o próprio pensamento, manifestando fé nos poderes celestiais, tudo se modificará conosco. Na assistência magnética os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma.
É forçoso notar que o passe como técnica terapêutica é conhecido desde a antiguidade e Jesus era visto frequentemente impondo as mãos para beneficiar enfermos do corpo e da alma. O próprio Allan Kardec, quando ainda atendia pelo nome do Prof. Rivail, era seguidor das ideias de Franz Anton Mesmer, criador do processo curativo conhecida como mesmerismo, que preconizava a utilização do magnetismo animal para a cura de muitas enfermidades a partir do século XVIII. Os biógrafos do Codificador atestam que Kardec era um magnetizador dos mais competentes, um dos melhores de Paris em sua época.
As anotações de Kardec relativas ao passe fazem-nos entender que essa terapêutica tem importância notável nas ações da mediunidade de cura. Em O Livro dos Médiuns, diz ele que o fluido magnético, presente em toda e qualquer criatura humana, desempenha importante papel no exercício da faculdade mediúnica curativa, gênero este que consiste, principalmente, no dom que as pessoas dela dotadas possuem para curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação.
Kardec, no entanto, faz uma distinção entre o médium e o simples magnetizador, afirmndo que "todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo". Sim, porquanto a mediunidade é uma faculdade natural e por isso os Espíritos trataram de esclarecer o Codificador relativamente a essa questão.
No tópico referente aos médiuns curadores (cap.XIV), Kardec, sabiamente, submete o assunto à avaliação dos Espíritos Superiores e estes garantem que todas as pessoas dotadas de força magnética são efetivamente médiuns, sendo um erro fazer distinção entre elas. Da mesma forma, independe que tais magnetizadores descreiam dos Espíritos, porquanto eles sempre serão intermediários das potências invisíveis na realização de fenômenos nessa área.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

E viva o professor!

Edinice Ataíde dos Santos

(Durante recente evento comemorativo do Dia do Professor, realizado pelas turmas do Grupo de Estudos Espíritas Irmão Jerônimo, do C. E. Deus, Luz e Verdade, em Salvador (BA), a companheira Edinice leu o texto seguinte, de sua autoria, após agradecer a Deus, ao Mestre Jesus, aos Instrutores espirituais, a Allan Kardec, insigne pedagogo, ao Mentor da Casa, Irmão Jerônimo, bem como a sua equipe, além dos dirigentes encarnados.)



O grande escritor e poeta Rubens Alves afirma que a educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Diz ele que, sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido, e que a educação deve ensinar a ver, educar os olhos, porque o ato de ver não é natural, precisa ser aprendido; ele afirma ainda que há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem: "Os olhos são janelas do corpo, aparecem refletidas dentro da gente". E prossegue Rubens Alves: "Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como uma criança, jamais será sábio".
Com muita razão, ensinou o Mestre galileu: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus é para aqueles que a eles se assemelham". E mais: 'Ninguém pode ver o Reino de Deus se não não nascer de novo".
E Rubens Alves aconselha:

"Ama a simplicidade,
ama a vida,
ama a beleza,
ama a poesia,
ama as coisas que dão alegria,
ama a natureza e a reverência pela vida,
ama os mistérios,
ama a Deus."

O eminente educador francês André Morin destacou os quatro pilares da educação com base no autoconhecimento do ser e vejam a conclusão a que ele chegou: 1.º - aprender a conhecer; 2.º - aprender a fazer; 3.º - aprender a conviver; e 4.º - aprender a ser.
A nobre mentora Joanna de Ângelis, na sua obra Educando os Sentimentos, psicografia de Divaldo Franco, analisando os valores destacados por Morin, afirma que esses valores encontram-se embutidos na pedagogia de Jesus, porque o Mestre Incomparável sempre se preocupou com a nossa auto iluminação, retirando o ser da ignorância, da rebeldia, mostrando-lhe os caminhos novos do amor, porque pregava pelo exemplo, motivando relacionamentos saudáveis, realizações nobres e dificantes, evitando assim a maledicência, os rancores, os ciúmes, as disputas insensatas que provocam mal estar, e esses ensinamentos Jesus apresentava de maneira didática em oportunidades especiais na companhia dos discípulos ou na proximidade dos fariseus.
E prossegue o nobre Espírito: "É o amor o grande elixir tonificante para a saúde do corpo e do espírito. O amor é a solução para todos os problemas, enfermidades do corpo da alma e que a educação não deve ser apenas formal, aquela que apenas transmite conehcimentos científicos, mas deve se aplicar na transmissão dos valores morais". Não foi esta a pedagogia do jovem galileu?
Aqui, nesta Casa, apendemos grandes lições para que sejamos "relativamente" perfeitos: dos orientadores do Plano Espiritual. orientadores do plano material, dos dirigentes da Casa, dos coordenadores das turmas e demais grupos de estudos.
Aqui vai nossa gratidão ao nosso coordenador Chico Muniz, que por seu jeito de ensinar as lições evangélicas de Jesus e as lições das histórias de vida, por seu companheirismo, sua humildade e seu jeito amigo de ser, nos encoraja com alegria para prosseguirmos na caminhada;
- a Fátima Sales, por sua dedicação, procurando sempre ampliar os nossos espaços de conhecimentos, tanto do Evangelho de Jesus quanto de outras áreas, nas visitas a museus, convites para viagens, histórias de outros povos, outras gentes etc.;
- a Anemaura, outra facilitadora dedicada, por seu companheirismo fraternal nas histórias sobre o passado para compreender o presente, para que também compreendamos as lições evangélicas, buscando sempre, continuamente, a etimologia das palavras, para nosso crescimento.
Somos gratos por sua amizade e carinho.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Três vezes três verbos

Francisco Muniz


Em sua função na intimidade da Sala Mediúnica, o médium espírita especializado na tarefa do esclarecimento tem por diretriz a observação de três verbos, necessários para o sucesso de sua atuação junto às entidades sofredoras trazidas a tratamento na Casa Espírita. São eles os verbos ouvir, diagnosticar e tratar. À semelhança da anamnese realizada nos consultórios médicos do mundo, a conjugação consciente desses verbos garantirá a eficácia da participação do doutrinador, desde que, durante sua atividade, ele esteja atento à inspiração dos mentores espirituais.

Ouvir, portanto, corresponderá à necessidade de se estabelecer a empatia com a entidade comunicante, devendo, para tanto, o médium colocar-se no lugar daquele que desabafa seus dramas e quer como que apenas o colo do acolhimento sincero. Ouvir o outro, suas queixas e angústias, é uma arte que precisa ser aprendida especialmente no âmbito da seara espírita, uma vez que o Espiritismo é uma doutrina eminentemente consoladora e aqueles que a professam devem estar imbuídos da responsabilidade de reacender a chama da esperança nos corações aflitos, especialmente nos encarnados que perderam contato com a própria imortalidade.

Somente ouvindo o desabafo das entidades sofredoras é possível identificar os reais motivos dessas lamentações e assim oferecer-lhes o lenitivo a que fazem jus. Desse modo se fará o diagnóstico da verdadeira "enfermidade" que acomete nossos irmãos da erraticidade que buscam junto aos médiuns o socorro espiritual para suas dores morais. Para tanto, os esclarecedores deverão estar suficientemente treinados, tanto teórica quanto empiricamente, isto é, pelo exercício disciplinado, sério e constante a que a prática do Espiritismo nos convida, a fim de sermos verdadeiramente úteis na ação benemérita empreendida pelos Espíritos Benfeitores.

Uma vez feito o diagnóstico da problemática apresentada pelo comunicante - e para isto o doutrinador conta com um tempo por demais exíguo e no entanto suficiente para a empreitada -, convém oferecer-lhe a condução que seu caso requer. Ainda aí, importa ter o médium a mente sintonizada com o Alto, de modo a fazer corresponder suas palavras às orientações dos integrantes da Equipe Espiritual que dirige a reunião mediúnica. É nesse momento que se utilizará a terapêutica indicada ao desfazimento das ideias fixas, mostrando a realidade do Espírito enfermo, bem como o apontar rumos para sua recuperação, enfatizando, o quanto possível, a verdade de que nenhum dos filhos de Deus está ao desamparo.

O estudioso do Espiritismo interessado em seu crescimento espiritual também precisa ter em mente outros três verbos que em muito o auxiliarão nesse tentame: observar, aprender e partir. O iniciado na Doutrina sabe que, além de estudar, isto é, consultar as obras esspíritas, precisa mais ainda estudar-se, de forma a poder consolidar sua pretendida reforma íntima. É nisto que consiste a observação: prestar atenção a si mesmo para corrigir desvios e preencher lacunas no quesito dos valores que deve desenvolver com vistas a ser cada vez melhor aos olhos de Deus, fazendo o bem o quanto possa.

Com tal procedimento, o espírita sincero assegurará seu aprendizado, tornando-se um verdadeiro cristão, um homem de bem consciente de suas potencialidades e limitações, desenvolvendo ainda mais aquelas e tentando superar estas últimas. Somente assim se evidenciará seu progresso no rumo da Evolução, como meio de reduzir o ciclo das reencarnações, significando assim a conjugação do verbo partir, porquanto nossa presença no planeta é e deve ser compreendida como uma etapa de nosso crescimento espiritual.

Por fim, outros três verbos se apresentam ao entendimento do aprendiz em razão do objetivo a ser alcançado. São eles: aumentar, diminuir e manter. Os três estão vinculados ao exercício de autoaprimoramento e por isso o espírita atento a seus deveres compreenderá ser preciso aumentar sempre mais as aquisições de virtude, tanto quando deve ampliar sua percepção de espírito comprometido com todo o Universo a partir das ações abnegadas no plano terreno. Assim também, precisa diminuir o conjunto das próprias imperfeições e, de igual modo, manter as conquistas realizadas. Como se percebe, a expressão "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" utilizada pelo evangelista João pode ser tomada além de sua dimensão meramente mística...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Retorno ao Evangelho

Bezerra de Menezes
(psicografia do médium Divaldo Franco, recebida em setembro de 2013)


Eis que vos foi dito: "Amareis aqueles que vos amam e odiareis aqueles que vos odeiam. Eu, porém, vos digo: Amareis aqueles que dos odiarem", para que estejais perfeitamene integrados no espírito da solidariedade.
Meus filhos, o Evangelho de Jesus tem regime de urgência na intinidade de nossos corações. Este é o século da tecnologia de ponta, da ciência, na sua mais elevada postura, mas haverá de ser também o século do amor. Devemos atrair o sentimento de amor para que ele produza a sabedoria em nosso ser.
Sereis muitas vezes hostilizados pela brandura de coração; sereis discriminados pela conduta rígida no cumprimento do dever; experimentareis ironia e descaso pela fidelidade a Jesus. Crede, é transsitório o carro carnal, e quando dele nos despojarmos a consciência irá conduzir-nos ao país do remorso ou ao continente das bem-aventuranças.
Vivei de tal forma que podereis olhar aqueles que vos criam embaraços nos olhos sem abaixardes as vossas vistas. É necessário muita coragem para esse logro. Assevera-se que aquele indivíduo que é bom, que é humilde, é um covarde. É necessário, porém, muita coragem para beber-se a taça da amargura, sem reprimenda, sem reclamação e transformá-la em licor que dê energia e vitalize a existência.
Não foi o acaso que vos convocou para o encontro desta hora em que a sociedade estorcega na impiedade, na loucura, na sexolatria, na toxicomania. Sede vós pacíficos e pacificadores. Produzi em vossos lares o reino dos céus, construí-o no aconchego da alma que está ao lado da vossa alma, dos filhinhos que vos foram confiados, cuja conduta será consequência da educação que lhes administrardes, em forma de paz.
...E encontrareis aa razão de viver nesse sentimento do amor pulcro e penetrante que irriga a vida de alegria, que ilumina as ansiedades com paz.
Filhas e filhos da alma: não desperdiceis o tempo que urge, e ele se chama agora. Não postergueis a vossa oportunidade de autoiluminação. Jesus já veio ter conosco. Hoje espera-nos e manda à Terra os Seus embaixadores para que nos levam de volta ao Seu doce aconchego e repita suavemente: "Vinde a mim e eu vos consolarei".
Ide de retorno a vossos lares, mansos e pacíficos, porque será assim que se dará início à era da regeneração, que vem sendo trabalhada desde o dia em que a Codificação chegou à Terra, quando o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte; quando os rosais colocaarão as suas pétalas para dentro dos lares; quando as sombras forem clareadas pelas estrelas luminíferas que fazem parte da divina corte.
Amai! O amor redime a criatura humana. E depois, discípulos de Jesus, o Mestre nos espera.
Muita paz!
Que o Senhor de bênçãos vos abençoe.
São os votos do servidor humílimo e paternal,

Bezerra.



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Campos mórficos e o mundo espiritual

João da Silva Carvalho Neto
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n. 18 - Ano 2 - 1999)

Desde a segunda metade do século XIX, com o advendo do Espiritismo e das pesquisas da metapsíquica, da parapsicologia, da psicotrônica, que a ciência acadêmica, dita oficial, vem buscando refutar a tese da existência do "mundo espiritual" e de suas possíveis relações com o "mundo material". Quase sempre com uma vvisão preconceituosa e pouco afim com a metodologia científica, pesquisadores empreenderam exaustivas experiências que jamais puderam referendar a proposta organicista materialista. Como o tempo caminha inexoravelmente, deixando as marcas da renovação que pressagiam novas conquistas, podemos, agora, sentir a suave brisa da verdade que se descortina perante a incredulidade humana.
Em 1926, o cientista alemão Werner Heisenberg elabora o "Princípio da Incerteza", marcando irrevogavelmente a forma de percepção do mundo, ao determinar o fim de um modelo de universo determinístico, nos moldes de Laplace. Com base nesse princípio, reformulou-se a mecânica de Newton para o surgimento da mecânica quântica, introduzindo o elemento da imprevisibilidade às experiências que descrevem o universo. Ou seja, foi observado que a medição da velocidade e da posição de partículas subatômicas em sistemas semelhantes, iniciados da mesma maneira, não apresentavam um único resultado, mas uma diversidade de resultados possíveis e incapazes de ser especificados por sistema.
Tentando-se explicar esses fenômenos, surgiu a hipótese da existência de um domínio diretor, imanente à estrutura atômica, organizando-a e dando-lhe individualidade comportamental. Esse domínio não estaria presenta apenas nas subpartículas do átomo, mas na conjunção desses átomos ao formar moléculas, células, tecidos e os organismos complexos, caracterizando-se cada um com seu domínio diretor específico e individualizado.
Na edição de fevereiro de 1999 da revista Galileu, da Editora Globo, encontramos excelente entrevista com o biólogo inglês Rupert Sheldrake, da Universidade de Cambridge, que fala de sua tese sobre os campos mórficos e a ressonância mórfica. Sheldrake, autor de vários livros, conceitua campos mórficos como "estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material". À capacidade que esses campos possuem de "distribuírem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados", chama de ressonância mórfica.
Em uma proposta que vem revolucionando o pensamento científico contemporâneo, Sheldrake justifica a distribuição das células pelo modelo organizador dos campos mórficos. Diz ele que "a maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células dentro dos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não está programada no código genético. Dadosos genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maniera, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente".
Por outro lado, a ressonância mórfica explicaria a evolução do ser humano, que se dá individual e coletivamente ao longo dos milênios. Conquistas adquiridas pelas gerações passadas vão sendo incorporadas ao patrimônio psíquico das ferações futuras, nos moldes dos arquétipos coletivos idealizados por Jung. Divagando um pouco na excitação de nossas expectativas, lembramo-nos das questões 84 e 85 de O Livro dos Espíritos:
84 - Os Espíritos constituem um mundo à parte, além daquele que vemos?
- Sim, o mundo dos Esspíritos ou das inteligências incorpóreas.
85 - Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal na ordem das coisas?
- O mundo espírita; ele preexiste e sobrevive a tudo.
Parece que as lutas e difamações sofridas pelos pioneiros da divulgação espírita, nos tempos difíceis de perseguições políticas e religiosas, valeram a pena. No ano de 1861, o bispo de Barcelona determinou, pelo Santo Ofício, fossem queimados mais de 300 livros espíritas, usando como argumento que "a Igreja Católica é universal e, estes livros sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que sirvam a perverter a moral e a religião dos outros países".(1)
Os homens passam pela exigência da morte física, os dogmas caem sob o guante das pesquisas científicas, e as luzes do amanhã prenunciam um período de maior sabedoria. Coube ao Espiritismo descortinar esse tempo, derrubando as barreiras dos preconceitos religiosos e científicos. Cabe ainda ao Espiritismo demonstrar, com clareza, as implicações filosóficas e religiosas que as novas descobertas trarão no rumo de um futuro mais feliz para a humanidade.

(1) Moreil, André; Vida e obra de Allan Kardec, 1a. edição, Edicel, 1986, São Paulo.



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Universidade investiga o método de Kardec

Uma defesa de mestrado realizada pelo historiador Marcelo Gulão Pimentel levou para o Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, um tema de interesse para espíritas e não espíritas, ao apresentar na academia o método utilizado por Allan Kardec para a investigação dos fenômenos mediúnicos.
A questão é de suma importância, porque toca em um dos pontos mais debatidos pelos céticos e pelos cientistas materialistas que não consideram o espiritismo ciência, muitas vezes pela falta de estudo e entendimento do método que Kardec buscou desenvolver para obter informações úteis e confiáveis sobre a dimensão espiritual do universo.
A tese teve orientação do professor dr. Alexander Moreira-Almeida e coorientação do professor dr. Klaus Chaves Alberto, respectivamente, coordenador geral e coordenador da área de ciências humanas do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, que funciona na mesma universidade desde 2006. 
Participaram da banca examinadora o professor dr. Silvio Seno Chibeni, da Universidade Estadual de Campinas, e o professor dr. Gustavo Arja Castañon, da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Marcelo Pimentel concentrou sua pesquisa na leitura e análise de toda obra publicada por Kardec: seus livros e os doze volumes da Revue Spirite: Journal d'Études Psychologiques. 
Foram também obtidos e analisados documentos originais inéditos de Kardec, em viagem de pesquisa por um mês na França com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais.

Como você analisa a importância de Kardec como pesquisador?
Allan Kardec foi importante, porque desenvolveu pesquisas pioneiras sobre os fenômenos mediúnicos. Ele propôs uma abordagem abrangente das manifestações mediúnicas que ocorriam na metade do século 19. Kardec buscou analisar as principais teorias a respeito do tema e concluiu que a hipótese da existência dos espíritos era aquela que melhor explicava o conjunto dos fenômenos observados.

Em que o método de Kardec se diferencia?
Kardec foi além dos demais pesquisadores, utilizando os médiuns como modo de acesso direto a dados empíricos a respeito do mundo espiritual. Para ele, o mundo relatado pelos espíritos não era metafísico, e sim uma parte do mundo natural ainda pouco explorado. Em diversas passagens da obra de Kardec podemos vê-lo comparando o mundo espiritual com o mundo microscópico. Algumas vezes ele fazia a analogia do médium como um microscópio do mundo espiritual.
Kardec também se diferenciava pela busca ativa por informações a respeito dos princípios que integraram o espiritismo. Ele procurava ampliar sua base de dados empíricos utilizando diversos médiuns, muitas vezes desconhecidos uns dos outros. Enfatizava a descrição e a interpretação do conteúdo das mensagens obtidas durante o transe mediúnico, comparando semelhanças e diferenças entre elas em busca de informações úteis que pudessem integrar sua teoria.
Kardec dava uma grande ênfase na análise do conteúdo das informações, sendo menos relevante a autoria das mensagens. No decorrer de sua pesquisa, contou com um número cada vez maior de correspondentes que foi de grande importância para a multiplicação dos relatos mediúnicos com os quais ele criou, desenvolveu e reformulou os seus princípios acerca do mundo espiritual.
A Revista Espírita foi um espaço destacado de debates com os seus correspondentes, contribuindo para o amadurecimento das ideias a respeito do espiritismo. Pesquisador ativo, Kardec também se utilizava de casos históricos acerca dos fenômenos mediúnicos e também de pesquisas de campo, visitando médiuns e locais onde as manifestações espirituais se davam. Do conjunto de informações obtidas, ele desenvolveu a teoria espírita.

Quais as contribuições que uma melhor compreensão da metodologia do espiritismo pode trazer à ciência?

Pode contribuir para o debate acadêmico acerca dos fenômenos anômalos que envolvem experiências conhecidas como espirituais, psíquicas ou mediúnicas. Investigações históricas não só do método de Allan Kardec, mas também de outros pesquisadores que conduziram pesquisas sobre o tema poderiam retomar teorias e metodologias fomentadoras de novas abordagens empíricas, bem como tornar mais bem conhecida uma longa tradição de investigações no campo da mediunidade.
No nosso grupo temos um doutorando, Alexandre Sech Júnior, que está investigando outro pioneiro, William James. Há um crescente interesse no meio acadêmico sobre as relações entre espiritualidade e ciência.

Por quê?
Cada vez mais tem surgido em diversas partes do mundo estudos sobre os impactos positivos da espiritualidade na saúde do ser humano e as suas implicações em diversos ramos da sociedade.

Em sua dissertação, você defende o caráter progressivo da pesquisa de Kardec. Por que isso aconteceu?
Kardec via o espiritismo como uma ciência, portanto passível de ser aprimorada e modificada.
Em um primeiro momento, contava com um número restrito de médiuns (cerca de dez), contudo, à medida que esse número foi ampliado, devido à repercussão de sua obra em diversas regiões do mundo, ele passou a recolher uma base maior de dados, o que permitiu o aprofundamento de aspectos de sua teoria.
É o que se pode perceber com a leitura do 'Ensaio teórico das sensações dos espíritos', publicado na segunda edição de O livro dos espíritos. O ensaio é resultado de uma pesquisa que pode ser acompanhada desde a primeira edição de O livro dos espíritos, passando pelas edições da Revista Espírita de 1858 até o mês de dezembro, quando Kardec publica o artigo 'Sensações dos espíritos' em que apresenta suas primeiras conclusões sobre o tema. Este artigo ainda recebe algumas modificações baseadas na análise das informações dadas pelos médiuns entre 1859 e 1860 até a sua publicação na segunda edição de O livro dos espíritos, em 1860.

Você acredita ser necessário retomar os estudos sobre os aspectos históricos e filosóficos das pesquisas científicas sobre as relações entre espiritualidade e saúde?
Sim. Os estudos atuais nesse campo têm tido uma grande repercussão no meio acadêmico e na sociedade em geral. Contudo, pouco se sabe sobre a história dessas pesquisas. Estudos que busquem investigar suas tradições podem fortalecer essa área academicamente e fomentar novos trabalhos.

E na área da metodologia científica, isso poderia provocar uma revisão de teorias?
Como historiador, é difícil medir o impacto desse estudo na área de metodologia científica. Em seus aspectos históricos, acredito que sim. Apesar da repercussão que o espiritismo teve entre pesquisadores renomados da Europa na segunda metade do século 19, e na história da saúde mental no Brasil, o método de Allan Kardec é pouco conhecido. Acredito que com mais discussões e estudos acadêmicos sobre Kardec e seu método de investigação a academia possa inseri-lo como um dos pioneiros das pesquisas psíquicas, em especial, da mediunidade. O espiritismo não foi suficientemente explorado em seu aspecto metodológico de investigação. Além disso, Kardec não buscou apresentar seus estudos sobre espiritismo no ambiente acadêmico.

Uma poesia carregada de sentido e sentimento

(Por Pedro Camilo)


Alfred de Musset (1810-1857) foi considerado o "maior poeta da França" do seu tempo. Denso, romântico, boêmio e amante inveterado, seus versos são grandemente marcados pelas desilusões sofridas, sobretudo pela frustração do romance vivido com George Sand, com quem viveu um romance apaixonado e cheio de decepções.
Foi poeta festejado em seu tempo, mesmo em terras brasileiras. Castro Alves chegou a traduzi-lo e, por certo, nele se inspirou para suas aventuras poéticas.
Abaixo, apresento um dos últimos escritos dele, já no ano de seu decesso, 1857, em tradução minha, livre.


ÚLTIMOS VERSOS

A hora de morrer, depois de tantos meses
Por todos os lados soa em meus ouvidos
Depois de tantos meses pelo tempo combalido
É tudo o que sinto, é tudo o que vejo

Quanto mais luto contra minha desdita
Mais se aviva em mim o instinto do sofrer
E quando desejo pisar o chão, correr
Sinto parar no peito um coração que se agita

A coragem de lutar já se desgasta, se esvai
Então, tudo em meu descanso é combate
E como um corcel quebrado, meu corpo se debate,
Minha coragem cambaleia e cai.

(1857)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tens sede?

Irmã Rafaela

O deserto de tua alma encontra refrigério no oásis do amor do Cristo, onde as criaturas sedentas obtêm a água viva que se derrama sobre os corações de boa vontade, para que nunca mais tenham sede.
Mas que é a secura em que vives? Não será ela um indicativo de que deves ir à fonte? O mundo não te pode ajudar nesse procedimento, pois o que o mundo te faz é exigir que te entregues a ele irrefletidamente; mas como tal comportamento termina por cansar, faz-se necessário lembrares-te de Deus e nesse momento o Cristo se te apresenta, como o Amigo que nunca falta, posto que nunca te abandonou - tu é que te havias desviado da senda libertadora.
Reclama para ti a presença desse Amigo e, mais que isso, faze-te presença permanente junto a Ele, como forma de perceberes e receberes os benefícios da Divina Misericórdia, aplacando tua sede.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Madame Allan Kardec

Revista Reformador de fevereiro de 1983 - Homenagem ao Centenário de desencarnação de Amélie-Gabrielle Boudet -, republicado na edição de janeiro de 2003.

Catorze anos depois do decesso de H. L. D. Rivail (Allan Kardec), retornava ao Mundo dos Espíritos, não sem antes lutar denodadamente, com significativa desenvoltura e tirocínio na orientação e administração dos interesses espirituais da Doutrina, quando da inicial consolidação do Movimento Espírita, no Planeta, Amélie-Gabrielle Boudet, a viúva Allan Kardec.
Aos 31 de março de 1869, ao desencarnar subitamente, Allan Kardec parecia ter deixado um vazio no coração dos espíritas, como se tivera - além de todos os dons e virtudes que lhe ornavam o caráter de Missionário da Terceira Revelação - igualmente a marca da insubstituibilidade na fulgurante aura de luz que o identificava.
Passados, porém, os dias de impacto que se seguiram à ruptura de um aneurisma de aorta, eis que as coisas começam a retornar à normalidade habitual, embora se registrasse uma grande ausência. Mas, principiando nova tarefa missionária - que os olhos humanos nem sempre notavam - ali, diante do patrimônio - sobretudo moral e espiritual - transmitido pelo Mestre de Lyon, para todos os seres e todos os tempos, à frente da atividade humana e terrestre do Cnsolador Prometido por Jesus, velava e esmerava-se a sublime figura de Amélie Boudet.
Foi ela quem tudo proveu e invariavelmente conduziu, com rara lucidez e pertinácia, na fase duríssima das hostilidades e processos, das acusações e escândalos que a Treva promove no mundo contra o apostolado do Bem. Discípulos do Codificador quais Leymarie e Crouzet, afora outros, assessoravam a admirável Madame Kardec e dela recebiam aa tranquila palavra de ordem, para os cometimentos kardequianos durante os anos de provas e testemunhos que a história registrou.
Coroando seus cabelos brancos, aos 87 anos (1795-1883) chegou-lhe no frio inverno europeu, naquele 21 de janeiro, o diadema da vitória e glória dos justos e abnegados servidores do Cristo de Deus no sopro suave de pacífica desencarnação.
Com a volta de Amélie Boudet à vida do Infinito, teve início a transferência para estas terras da Árvore do Espiritismo, como previsto por Ismael, o Legado do Senhor, no Brasil, e isso nçao aconteceu senão através da iniciativa de Augusto Elias da Silva, que, com poucas horas de diferença, no mesmo dia 21 distribuía a primeira edição de Reformador.
Homenageamos, em espírito e verdade, Amélie Boudet a generosa individualidade do Cristianismo Redivivo, no Ano do Centenário de conclusão de sua grandiosa missão, suplicando para ela as mais sublimes bênçãos de maria de Nazaré, a Mãe Santíssima.

No caminho...

Irmã Rafaela

Marca, meu filho, a suavidade deste dia com a prece de agradecimento a Deus, tornando teu coração receptivo às renovadas bênçãos que te chegam pela oportunidade do serviço abnegado em favor de teus irmãos. A luz que do Alto te acompanha e te faz perceber as doces emanações da Providência estimula-te a prosseguir no caminho, certo de que tuas realizações são precedidas pelo amparo incessante com que os Emissários divinos te favorecem, mercê do esforço do Cristo em prol de seus servidores atentos.
Busca doares-te um pouco mais, sem cansaço, porquanto a ação benfazeja conduz-nos todos a mais remecimentos sob o olhar compassivo de nosso Pai amoroso. Segue em frente perseverando na luta pelo próprio esclarecimento e ajudando a quem ainda necessita por debater-se nas vascas da própria ignorância. O Cristo nos chama a conhecer a Verdade que liberta, sendo ela mesma a luz que vem afastar nossas trevas íntimas, fazendo brilhar nossa essência espiritual.
Eis aí o processo de nossa divinização, ou melhor, de nossa unificação com a própria dimensão de Deus, representando nosso imprescindível renascimento para a condição em que fomos criados. Sim, somos seres espirituais por excelência e, quando na carne, temos a percepção mais reduzida, perdendo de vista a verdadeira realidade. E para não nos demorarmos tanto nessa momentânea cegueira é que o Cristo veio até nós, convidando-nos ao esclarecimento e à vivência da Lei de Amor, a fim de, despertos para a luz da Verdade, sejamos úteis na obra de regeneração que começa em nós mesmos.
Assim, agradeçamos a Deus e ao Amigo de todas as horas esta oportunidade de servirmos na nobre Causa e o Criador nos cumulará com suas bênçãos, para trabalharmos em paz e com alegria.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

À guisa de esclarecimento

Francisco Muniz

Convém recordarmos sempre, em meio ao aprendizado espírita, as judiciosas ponderações de Allan Kardec acerca da diferença entre a Doutrina Espírita e as práticas mediúnicas. Não basta, segundo o Codificador, travarmos contato com os Espíritos para nos considerarmos espíritas. Espírita, na perfeita acepção do termo, é o estudante da Doutrina e, mais ainda, aquele que, em decorrência desse estudo, faz esforços em prol de sua transformação moral. Ora, médium todos o somos e os praticantes da mediunidade são incontáveis neste planeta. Serão todos espíritas? Não é possível que o sejam.
Após 150 anos de presença da Revelação Espírita na Terra, nem todos os homens tiveram notícia do ensinamento dos Espíritos, malgrado seu caráter universal, tanto quanto muitos ainda desconhecem as lições do Cristo Jesus. Mas, mesmo que seja urgente a tarefa de divulgação das verdades divinas contidas na Codificação Espírita, aqui também a pressa é inimiga da perfeição. Ademais, como frisa Humberto de Campos nos relatos evangélicos de "Boa Nova", transmitido por intermédio do lápis bendito de Chico Xavier, nossa causa não é a do número.
Não nos deve interessar o fazer prosélitos, mas auxiliar na obra da Criação através do esclarecimento dos irmãos nos quais não se acendeu no íntimo a luz do conhecimento sobre a realidade espiritual. Uma vez feito esse trabalho, os irmãos ainda ignorantes de si mesmos despertarão por si sós, conscientemente, e, praza aos céus, cerrarão fileira conosco.

Chico Xavier - mediunidade com Jesus e Kardec

Editorial da revista Reformador - órgão divulgador da Federação Espírita Brasileira (FEB) - abril de 2010 [Ano 128 - Nº. 2.173]

A mediunidade, faculdade que possibilita ao homem comunicar-se com os espíritos desencarnados, existe desde que o ser humano se encontra na Terra, tendo sido sempre instrumento da Providência Divina para a evolução da Humanidade.
A caridade, conforme a entende Jesus, ou seja, "benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas" (1), é, para o homem, a expressão mais elevada da Lei de Amor que emana de Deus.
A Doutrina Espírita, revelada pelos Espíritos, inserida nas obras básicas de Allan Kardec, a qual se constitui no Consolador prometido por Jesus, trouxe-nos a clara compreensão de que somos Espíritos imortais em constante processo de evolução, através de múltiplas encarnações, e que existem as leis morais regendo a nossa vida, cabendo-nos respeitá-las, em nosso próprio interesse.
Francisco Cândido Xavier, seguindo disciplinadamente os princípios da Doutrina Espírita, os quais possibilitam melhor compreensão do Evangelho de Jesus, demonstrou a todos nós que estes princípios não são apenas os mais nobres e elevados que se encontram ao alcance de todos os homens, mas, também, que é perfeitamente possível colocá-los em prática com fidelidade, sem desvios ou distorções.
Pondo a mediunidade a serviço do Evangelho, Chico Xavier possibilitou uma compreensão mais aprofundada dos ensinos que a Doutrina Espírita nos apresenta, e, tendo por diretriz de vida a prática fiel da caridade, tal como Jesus a ensinou e exemplificou, deixou um roteiro de vida que, se seguido, permitirá que saiamos, gradativa e seguramente, da faixa dos Espíritos, encarnados ou desencarnados, que vivem no círculo vicioso da dor e do engano, na faixa dos Espíritos que, pela dedicação ao bem, começam a construir uma paz interior decorrente da tranquilidade de consciência, por se esforçarem na vivência da Lei de Amor que emana do Criador e rege a nossa existência.
Sabemos, com a Doutrina Espírita, que Jesus é o Guia e Modelo da Humanidade. Agora temos, também, mais próximo de nós, o exemplo de Chico Xavier, que orienta, motiva e serve de referência para o exercício na prática do bem, que nos cabe realizar.

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(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 886.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Da amizade

Francisco Muniz



"Amigo é aquele que chega quando todo mundo já foi."

Logo, concluímos, amigo é aquele nos ama, e não aquele a quem amamos.

Jesus, portanto, por nos amar imensamente, é mais nosso amigo do que somos dele.

Consequente e logicamente, esse é o fulcro de nosso aprendizado na Terra: fazer amizades sólidas, tornarmo-nos verdadeiramente amgos uns dos outros, agindo solidária e alteritariamente, sob o ponto de vista do espírito da caridade moral, isto é, sem esperarmos e muito menos exigirmos qualquer reciprocidade, da mesma forma como o Cristo faz em relação a cada uma das ovelhas de sseu rebanho, especialmente as desgarradas...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mediunidade monitorada

Francisco Muniz

O guia ou mentor espiritual é aquele amigo invisível que junto ao medianeiro se responsabiliza por 50% do monitoramento da faculdade mediúnica, quando de fato o exercício é realizado em tarefa de fraternidade, tendo como finalidade o autoaprimoramento espiritual e moral do servidor encarnado. No entanto, não se tome em termos absolutos o percentual acima apresentado, indicativo apenas do regime de parceria, porquanto o quantitativo correspondente à responsabilidade  seguramente deverá alcançar os 100% no que diz respeito ao trabalho do médium, a quem cabe deveres intransferíveis para o bom desempenho de sua tarefa ao lado dos Espíritos – sejam eles encarnados ou desencarnados.
Assim é que será preciso compreender a recomendação de Allan Kardec nesse sentido: “Os melhores médiuns não são aqueles que dão as comunicações mais bonitas, mas os que ouvem somente a orientação dos bons Espíritos”. Fica claro que os bons Espíritos aí não são senão os guias espirituais dos médiuns, aqueles com os quais os intérpretes do Mundo Espiritual junto aos homens precisam se afinar para que se tornem eficazmente os canais por onde as bênçãos do Céu se derramarão em proveito dos necessitados, a começar por eles próprios, uma vez que “quem acende uma vela ilumina a si mesmo primeiramente”.
Desse modo, convém observarmos alguns exemplos bastante elucidativos no que tange à participação dos mentores na ação mediúnica, como as relações entre Emmanuel e Chico Xavier; Charles e Bezerra de Menezes junto a Yvonne do Amaral Pereira; Joanna de Angelis com Divaldo Franco, dentre outros. Talvez assim possamos avaliar melhor como se dá o contato entre nós, médiuns trabalhadores do CEDLV – psicofônicos e doutrinadores (ou esclarecedores) –, com os respectivos guias espirituais, ainda que não lhes vejamos a face ou saibamos o nome, bem como não tenhamos com eles um compromisso do porte de uma missão, como é o caso de Irmão Jerônimo e da médium Bernadete Santana, encarregados desta obra que objetiva iluminar consciências e nos encaminhar ao porto seguro do crescimento espiritual.
De vez em quando, um ou outro médium trabalhador nos traz notícias de seu contato com seus mentores, ressaltando dificuldades – sentem os mentores em seu campo vibratório mas eles nãos e comunicam – peculiaridades do processo de intercâmbio ou aspectos que causam estranheza, como a visualização de traços fisionômicos ou de certos adereços do vestuário do guia. Mas tanto Chico Xavier quanto Yvonne Pereira, Divaldo Franco, Bernadete Santana ou qualquer um de nós oferecemos para tal estudo a questão disciplinar como o ponto chave entre a assistência dos instrutores espirituais e a boa realização do exercício mediúnico. Já sabemos que, como médiuns atuantes 24 horas por dia, esse cuidado transcende o trabalho na sala mediúnica, justamente para que este transcorra com real aproveitamento.
Com efeito, os guias e mentores, afeiçoados a seus tutelados, não lhes passam a mão na cabeça, antes, apontam-lhe o caminho a seguir; não são rigorosos, mas diligentes quanto ao trabalho em parceria; não invadem a seara alheia, respeitando o livre-arbítrio do médium. Como se percebe, como são eles quem verdadeiramente se utiliza da faculdade mediúnica, compete ao médium realizar a contento sua parte na tarefa, para não se ver na posição delicada daquele que mais atrapalha que ajuda, o que significará possível interrupção do exercício e afastamento do ambiente de trabalho. Sejamos, portanto, aqueles instrumentos dóceis de que o Alto se vale para fazer valer na Terra a vontade de Deus, conforme a sublime recomendação do Cristo: “Faz tua parte e o Céu te ajudará.”

domingo, 17 de agosto de 2014

As crianças de Bebé

Recentemente, Alexandre, pai de meus netos, e eu fomos visitar Mamãe no C. E. Nosso Lar, em Mata de São João. Ela não estava lá, mas encontramos Bebé, chefe da cozinha da creche municipal que funciona nas instalações do Centro e a quem Alexandre revelou haver gostado muito do aspecto das escolas do município, que primam pela apresentação externa. "Pois se você entrar numa delas vai se apaixonar", disse Bebé, que passou a relatar a preocupação dos gestores municipais com a área de educação, bem como episódios vivenciados no âmbito da creche, que abriga crianças carentes na faixa etária de dois a seis anos.
Dentre outras coisas, Bebé comentou a situação familiar dessas crianças, muitas delas praticamente órfãs, uma vez que perderam ou o pai ou a mãe, ou ambos, vitimados pelos vícios ou pela violência da criminalidade, havendo algumas que não têm em casa nada para se alimentarem. Uma ou outra vez ela e Mamãe já presenciaram desmaios de crianças logo ao chegarem à creche numa segunda-feira porque passaram o fim de semana sem pôr nada no estômago. Com efeito, é na creche, onde a Prefeitura não deixa faltar o necessário, que esses meninos e meninas garantem sua nutrição.
Apesar de tudo, hoje a situação está muito melhor para a população carente de Mata, disse Bebé, salientando que em passado recente havia famílias que passavam fome mesmo. Os programas sociais como o Bolsa Escola e o Bolsa Família são responsáveis pela modificação desse cenário estarrecedor, na avaliação de Bebé, salientando também o comprometimento do poder público municipal em tornar mais humanizadas as condições de vida da população...
Na semana que vem pretendo voltar lá, para rever esse pessoal querido e, quem sabe, ouvir outras pequenas grandes histórias como a desta encantadora sexta-feira...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Perdoar dá trabalho

Francisco Muniz

Muitos de nós reclamamos da dificuldade em perdoar as ofensas, afirmando que a pessoa que nos ofende não se emenda e está constantemente nos submetendo a situações vexatórias, constrangedoras, humilhantes... Ainda assim, somos compelidos a perdoá-las constantemente, embora estejamos magoados, ressentidos, chateados mesmo.
Perdoar, portanto, dá muito trabalho e muitos de nós logo nos cansamos do exercício e e retribuímos a ofensa, para vermos se o outro se coloca no devido lugar. Com esse comportamento, porém, esquecemos que a lição do Cristo é perdoarmos o tempo todo, a todo mundo, por tudo quanto nos façam, incessante, incansável e incondicionalmente.
Perdoar é trabalhoso, sim, mas ninguém disse que seria fácil e, a bem da verdade, esse é apenas um dos dois trabalhos que vimos fazer no mundo - e notem que o semideus Hércules da mitologia grega precisou realizar doze! Só temos duas tarefas: perdoar os outros e a nós mesmos e desapegarmo-nos das coisas e das pessoas.
Observando bem, o perdão já é um instrumento de desapego e também de amor, porquanto este sentimento, em seu aspecto verdadeiro, promove nossa libertação das vinculações doentias, fazendo-nos entender então porque Jesus disse que devemos nos reconciliar depressa com os adversários enquanto estamos a caminho com eles...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A palavra do amor infinito

Francisco Muniz

É notável que o apóstolo Paulo se refira, em sua Epístola aos Coríntios, ao uso da língua em suas considerações acerca do exercício do amor. Sem este, de que adianta falar, de que vale usar a língua se não for para promover o bem? Eis aí parte importante do aprendizado do espírito encarnado. No livro Legado Kardequiano, o Espírito Marco Prisco dica a Divaldo Franco estas palavras:
"A inflexão de sua voz traduz os reflexos do pensamento, e a sua conduta narra a história do mundo íntimo que você procura ocultar (...) Procure renovar-se sempre no bem. Fale e ajude, renovando-se (...) Quebre a corrente da mentira. Destrua a voz da calúnia. Asfixie o brado da injúria (...) Aplique a boa palavra como quem coloca um chumaço de algodão perfumado."
Essa moderação no falar é caridade principalmente consigo mesmo, pois preserva das más influenciações. Em sua carta aos coríntios, Paulo também diz que "o amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece". Ou seja: o amor verdadeiro não se manifesta com as mesclas das paixões humanas, quais a inveja, o ciúme e a vaidade, filhos do orgulho e do egoísmo.
O amor é, pois, o condutor do homem no caminho do bem, porque o homem precisa ser bom. "Será que é tão difícil assim ser bom?" - pergunta o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, no livro Buscando a Verdade, ditado à médium Bernadete Santana, completando que "se você aprender a se libertar das amarras do mal, torna-se mais fácil seguir o caminho do bem".
Para tanto, é preciso parar de alimentar hábitos negativos, especialmente os mentais, renovando os pensamentos. Isso é imprescindível principalmente para aquele que exerce a função de intérprete dos espíritos, na condição de médium trabalhador de acordo com as diretrizes espíritas.
Nesse sentido, convém ponderar as palavras do Benfeitor Emmanuel exaradas no livro Seara dos Médiuns (psicografia de Chico Xavier) nestes termos: "Sempre que te disponhas à tarefa de servir, na mediunidade, és alguém junto de alguém. Vaso em que se transporte a mensagem do Amor Infinito para os caminhantes da Terra, deixa que a compaixão seja em tua alma o fixador do divino auxílio".
O Amor Infinito há de ser aquele que nos ensina o Mestre de Nazaré desde há mais de dois mil anos, num verbo que os homens, em sua maioria, ainda não sabem conjugar. Por isso há, entre nós, tanta dissenção, tanta animosidade e manifestações de violência. Vinte séculos depois da passagem do Cristo pela Terra, sua doutrina permanece esquecida, conforme observa Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Segundo o Codificador, as numerosas seitas que nasceram da doutrina cristã pretenderam ter a verdade exclusiva e jamais se puseram de acordo, "esquecendo o mais importante dos divinos preceitos, aquele do qual jesus havia feito a pedra angular de seu edifício e a condição expressa de salvação: a caridade, a fraternidade e o amor ao próximo (...)"
O apóstolo Paulo compreendeu isso durante os seis anos em que passou meditando, ainda na personalidade de Saulo, após seu famoso encontro com o Cristo no caminho de Damasco. E quando estava convicto das novas verdades abraçadas ele foi se oferecer a Pedro na Casa do Caminho e em seguida iniciou sua tarefa de pregação, levando a Boa Nova do Reino de Deus a quantos se dispusessem a ouvi-lo, em nome daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mediunidade

O autor deste texto não pode ser outro senão Emmanuel...

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Esmagadora maioria dos estudantes do Espiritismo situam na mediunidade a pedra basilar de todas as edificações doutrinárias, mas cometem o erro de considerar por médiuns tão somente os trabalhadores da fé renovadora, com tarefas especiais, ou os doentes psíquicos que, por vezes, servem admiravelmente à esfera das manifestações fenomênicas. 
Antes de tudo, é preciso compreender que tanto quanto o tato é o alicerce inicial de todos os sentidos, a intuição é a base de todas as percepções espirituais e, por isso mesmo, toda inteligência é médium das forças invisíveis que operam no setor de atividade regular em que se coloca.
Dos círculos mais baixos aos mais elevados da vida, existem entidades angélicas, humanas e sub-humanas, agindo através da inteligência encarnada, estimulando o progresso e divinizando experiências, brunindo caracteres ou sustentando abençoadas reparações, protegendo a natureza e garantindo as leis que nos governam.
Desvendando conhecimentos novos à Humanidade, o Espiritismo incorpora ao nosso patrimônio mental valiosas informações sobre a vida imperecível, indicando a nossa posição de espíritos imortais em temporário aprendizado, nas classes da raça, da nação e do grupo consangüíneo a que transitoriamente pertencemos na Terra.
Cada individualidade renasce em ligação com os centros de vida invisível do qual procede, e continuará, de modo geral, a ser instrumento do conjunto em que mantém suas concepções e seus pensamentos habituais. Se deseja, porém, aproveitar a contribuição que a escola sublime do mundo lhe oferece, em seus cursos diversos de preparação e aperfeiçoamento, aplicando-se à execução do bem, nos menores ângulos do caminho, adquirindo mais amplas provisões de amor e sabedoria, é aceita pelos grandes benfeitores do mundo, nos quadros da evolução humana, por intérprete da assistência divina, onde quer que se encontre, seja na construção do patrimônio de conforto material ou na santificação da alma eterna.
É necessário, contudo, reconhecer que, na esfera da mediunidade, cada servidor se reveste de características próprias.
O conteúdo sofrerá sempre a influenciação da forma e da condição do recipiente.
Essa é a lei do intercâmbio.
Uma taça não guardará a mesma quantidade de água suscetível de ser sustentada numa caixa com capacidade para centenas de litros.
O perfume conservado no frasco de cristal puro não será o mesmo, quando transportado num vaso guarnecido de lodo.
O sábio não poderá tomar uma criança para confidente, embora a criança, invariavelmente, detenha consigo tesouros de pureza e simplicidade que o sábio desconhece.
Mediunidade, pois, para o serviço da revelação divina reclama estudo constante e devotamento ao bem para o indispensável enriquecimento de ciência e virtude.
A ignorância poderá produzir indiscutíveis e belos fenômenos, mas só a noção de responsabilidade, a consagração sistemática ao progresso de todos, a bondade e o conhecimento conseguem materializar na Terra os monumentos definitivos da felicidade humana.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Codificador

Francisco Muniz


Allan Kardec nasceu para o mundo no dia 18 de abril de 1857, em Paris, França, na data em que esse nome apareceu pela primeira vez na capa de uma publicação intitulada O Livro dos Espíritos. Tratava-se em verdade de um pseudônimo, porque quem se responsabilizou pela divulgação da obra foi o professor Hippolyte Lèon Denizard Rivail, um filósofo e homem de ciências conhecido em toda a França e em boa parte da Europa como autor de livros de matemática e gramática francesa, nascido no dia 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lyon. Kardec, portanto, já nasceu com 53 anos.
O pai de Hippolyte Rivail era um magistrado chamado Jean Baptiste, o qual, desejando legar ao filho a melhor das instruções, fê-lo estudar na cidade de Yverdun, na Suíça, com o célebre educador Henry Pestalozzi. O jovem Rivail destacou-se a tal ponto nesse aprendizado que logo tornou-se um auxiliar direto de seu mestre, cuidado das turmas quando Pestalozzi precisava de ausentar.
Concluído seu curso, ele se transfere para Paris, capital da França, e abre uma escola onde passa a ensinar jovens alunos com todo o rigor metodológico aprendido com o pedagogo suíço. Essa dedicação seria de importância capital quando, no futuro, ele assumiria o encargo de codificador da Doutrina Espírita, imprimindo um caráter eminentemente educativo aos conceitos trazidos pelos Espíritos Superiores que em nome de Jesus cuidaram da Terceira Revelação de Deus aos homens, trazendo o Consolador à Terra angustiada pela dor e pela ignorância quanto aos problemas do mundo.
Mas quem era esse Espírito, que história ele trazia ao planeta para representar papel tão destacado, embora se ocultasse em sua humilde dedicação às tarefas grandiosas? Contam as crônicas espirituais que ele era a reencarnação de Jan Huss, importante educador e líder protestante na região da Boêmia, na Europa Central. Mas levando em consideração que o Espírito de Verdade não é outro senão o Cristo, Kardec haveria de ser alguém muito próximo ao Mestre de Nazaré e assim vamos identificá-lo com João, o evangelista, aquele a quem Jesus confiou uma tarefa no futuro ao dizer estas palavras: "Importa que João fique até que eu volte."
Sim, o Cristo voltaria como o Consolador Prometido e João/Rivail/Kardec seria seu arauto. Sob o lema "trabalho, solidariedade e tolerância", ele realizaria a obra monumental que é a Doutrina Espírita, que viria restabelecer todas as coisas e complementar o ensinamento do Cristo naquilo em que a mensagem cristã ficou quase inacessível por conta do véu de mistério sobre algumas lições de Jesus. Com a orientação dos Espíritos Superiores, Rivail/Kardec daria a interpretação enfeixada nos livros da Codificação - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese -, com o propósito de a Humanidade aí encontrar as respostas para seus anseios e a diretriz para o aprimoramento moral de todas as criaturas...


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que é mesmo o Espiritismo?

Francisco Muniz

De acordo com o sábio de Lyon, França, Hipollyte Léon Denizard Rivail, que com o pseudônimo de Allan Kardec codificou a Doutrina Espírita, isto é, transportou para os livros o ensinamento recebido dos Espíritos Superiores que em nome do Cristo vieram instruir a Humanidade quanto às verdades primordiais que nos compete recordar e vivenciar daqui por diante, o Espiritismo é a ciência filosófica de consequências moralizantes que trata do mundo dos espíritos e de sua relação com os homens. Eis a mais sintética conceituação da também chamada Doutrina dos Espíritos, que não é fechada em si mesma, uma vez que, conforme ponderou Kardec, caminhará passo a passo com a Ciência e se modificará naquilo em que a Ciência diga que é erro, e por isso permite a seus profitentes, sempre aprendizes, ajuizar conceitos decorrentes da compreensão de seus postulados.
Eis que os grandes continuadores da obra kardequiana, natural e necessariamente vinculados às Inteligências siderais - as "Vozes do Céu", tal como o Espírito de Verdade considerou no prefácio de O Evangelho Segundo mo Espiritismo -, puderam e continuam podendo emitir conceitos elucidativos a respeito da Doutrina. Foi assim com homens de escol como Léon Denis e com entidades espirituais do porte de Emmanuel e André Luiz, só para citarmos alguns exemplos. Desse modo, é pertinente que também outros de nós, desde que vestindo sempre o manto da humildade, possamos desenvolver o pensamento procurando compreender um pouco mais acerca do que nos é dado perceber, de maneira a igualmente colaborarmos para o entendimento dos demais.
Temos essa liberdade porque o Espiritismo é uma doutrina libertadora, que nos estimula a desenvolver o pensamento, raciocinando, sem a peia dos dogmas que escravizavam as mentes no passado. Hoje, só se mantém escravizado quem quer ou não se dispõe, pelos mais diversos motivos, a romper esse domínio escravizante. Assim sendo, o Espiritismo, que respeita o livre-arbítrio de seus simpatizantes, não nos diz o que pensar, pelo contrário, ensina-nos a pensar, utilizando a razão para que consigamos, a qualquer tempo, expandir a consciência de nós mesmos e do que nos cerca, alcançando as dimensões cósmicas. O propósito da Doutrina Espírita, então, é formar livres pensadores cujos pensamentos sejam estribados nos princípios norteadores exarados nos ensinamentos do Cristo. Eis aí, portanto, o primeiro dos conceitos devidos à compreensão dos princípios doutrinários.
Um outro é que o Espiritismo apresenta-se-nos como possibilidade de mudar de ideia a todo instante. Isto se deve não só ao caráter dinâmico da Doutrina, que se moderniza concomitantemente com os avanços científicos e com o amadurecimento psicológico e intelectual dos homens. Mas também como necessidade de aperfeiçoamento de cada um de nós quanto ao conhecimento da Verdade, que nos chega sempre como revelação compatível com o grau de compreensão já alcançado. Como bem diz o escritor espírita Hermínio Correia de Miranda, autor, dentre outros, do livro "Nossos filhos são espíritos", só é possível aprender o Espiritismo se desaprendermos tudo que sabemos. De que outra maneira poderemos mudar frequentemente de ideia, substituindo conceitos equivocados, senão pela convicção de que nada sabemos, conforme a proposição do filósofo Sócrates?
E para não nos estendermos demasiadamente neste artigo, convém agora ponderarmos acerca do seguinte conceito, igualmente concernente a um entendimento particular, embora estreitamente ligado à natureza da Doutrina: o Espiritismo é a convivência com os Espíritos. Com efeito, não existe Espiritismo sem espíritos e o fato é que estamos o tempo todo na companhia dos seres invisíveis, sejam os que nos oferecem boas orientações e proteção, sejam os que nos assediam para o mal e nos perseguem. Afinal, sendo os homens todos médiuns em maior ou menor grau, como afirmou Allan Kardec, esse intercâmbio com o Além é evidentemente constante e existe desde que o homem caminha sobre a Terra. Em consequência disso ressalta a necessidade de todos conhecerem a realidade fenomênica e dela apreendermos o ensinamento subjacente. Por tal razão, também dizemos que (quase) ninguém precisa ser espírita, mas todo mundo deveria conhecer o Espiritismo...  

sexta-feira, 21 de março de 2014

Feminismo

Augusto Cezar (*)

Pergunta-me você o que seja feminismo, talvez supervalorizando a minha capacidade de resposta.
O assunto, no entanto, me faz lembrar uma história, aliás, repetida por vários cronistas, interessados nas tradições populares.
Dou-lhe esta explicação para que você não me considere plagiário com adjetivos jocosos e zombeteiros.
Conta-se que Jesus, acompanhado por alguns discípulos, seguia, dos arredores de Jerusalém, demandando a cidade de Jericó. O Mestre alterara o plano de excursão, através de muitas veredas, a fim de visitar necessitados e doentes.
Em dado instante, o grupo não soube acertar com o verdadeiro caminho e apareceu acalorada troca de opiniões.
Nisso, salientou-se, não longe, a figura de um viandante cuja presença pareceu providencial aos companheiros da Boa-Nova. Notando que o desconhecido se abeirava dos circunstantes, Simão pedro barrou-lhe a frente e interpelou-o:
- Amigo, acaso poderá a sua bondade informar-nos quanto ao exato caminho para Jericó?
O desconhecido trancou a face que lhe evidenciava o descontentamento e replicou em seguida:
- Quem lhe falou que sou guia de vagabundos? Tenho mais que fazer. Não me arrisco a contato com malfeitores e ladrões. Sigam para onde quiserem...
Dito isso, afastou-se, estugando o passo, e Pedro, desapontado, dirigiu-se a Jesus, comentando:
- Mestre, viu só que insolência? Não é justo suportar desaforos! Decerto que o Céu castigará esse brutamontes, impondo-lhe a punição que faz por merecer...
O Cristo ouviu, apreensivo, e ponderou:
- Pedro, não julgue sem o conhecimento preciso... Quem será esse homem? Talvez seja um doente ou um desesperado...
A expectativa reapossava-se dos apóstolos, quando surgiu, à frente deles, bela jovem carregando um cântaro de água na cabeça. Simão Pedro adiantou-se, interpelou-a repetindo a petição que fizera ao viandante agressivo e exasperado.
- O melhor caminho para Jericó? - indagou a morra sorrindo. De imediato, depôs no chão o vaso que trazia e passou a explicar com gentileza de que modo atingiriam a cidade sem obstáculos maiores. Além disso, encorajou os apóstolos à caminhada, com expressões de encantador otimismo.
Terminado o diálogo, ei-la retomando o vaso transbordante de água límpida, seguindo estrada afora...
Simão Pedro aconchegou-se a Jesus e lhe falou com intimidade:
- Mestre, notou a diferença? O bruto que nos desconsiderou e essa menina generosa se parecem a um animal e a uma flor...
Ante o Senhor, que se fizera pensativo, Pedro insistiu:
- Senhor, qual será a recompensa que o Céu concederá a essa jovem que nos prestou um serviço tão grande?
Jesus sorriu e falou ao apóstolo em voz alta:
- Sim, Pedro, essa jovem será recompensada; e o prêmio dela será casar-se com o homem brutalizado que passou por aqui, a fim de que consiga educá-lo para Deus e para a vida.
Surpresa geral encerrou o assunto.
É isso aí, meu caro. Se a mulher nos abandonar à própria sorte, negando-se a cumprir a missão que o Céus lhe atribuiu, com certeza, nós todos, os homens vinculados ainda à Terra, estaremos perdidos...

***

(*) Psicografia de Chico Xavier inserida no livro "Fotos da vida" (lição n.° 4), ed. GEEM.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Eternas bênçãos

Irmã Rafaela

As bênçãos de nossa Mãe Maria caiam sobre ti, filha querida. Que as santas alegrias da vida espiritual te alcancem neste dia em que socorremos tuas carências, estimulando-te à paciência, à esperança e à confiança na sábia vontade de nosso Pai.
Bem te dissemos e te reafirmamos essa verdade: nada termina, tudo continua, em se tratando da vida imortal do Espírito. Confia, teus dias serão coroados de glória e logo virão os momentos em que serás bem mais feliz ao te reunires aos teus nos planos da Espiritualidade. Não tenhas pressa, contudo, pois os planos de Deus são os melhores para seus filhos.
Filha amada, querida amiga: os laços que se rompem  na Terra são reafirmados no Céu graças à sinceridade dos afetos e da convivência com as lições e os ideais do Cristo, fazendo-nos merecedores de toda a solicitude divina, pois Deus, o Pai extremoso, cuida bem dos filhos diligentes, tanto quanto não abandona aqueles que se transviaram.
Ainda uma vez te pedimos: tem paciência, tolera os que não podem ainda te tolerar e envolve em tua ânsia de felicidade todos os que de alguma maneira te prejudicam. Sê em Deus tu mesma e Suas bênçãos serão eternas.