sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que é mesmo o Espiritismo?

Francisco Muniz

De acordo com o sábio de Lyon, França, Hipollyte Léon Denizard Rivail, que com o pseudônimo de Allan Kardec codificou a Doutrina Espírita, isto é, transportou para os livros o ensinamento recebido dos Espíritos Superiores que em nome do Cristo vieram instruir a Humanidade quanto às verdades primordiais que nos compete recordar e vivenciar daqui por diante, o Espiritismo é a ciência filosófica de consequências moralizantes que trata do mundo dos espíritos e de sua relação com os homens. Eis a mais sintética conceituação da também chamada Doutrina dos Espíritos, que não é fechada em si mesma, uma vez que, conforme ponderou Kardec, caminhará passo a passo com a Ciência e se modificará naquilo em que a Ciência diga que é erro, e por isso permite a seus profitentes, sempre aprendizes, ajuizar conceitos decorrentes da compreensão de seus postulados.
Eis que os grandes continuadores da obra kardequiana, natural e necessariamente vinculados às Inteligências siderais - as "Vozes do Céu", tal como o Espírito de Verdade considerou no prefácio de O Evangelho Segundo mo Espiritismo -, puderam e continuam podendo emitir conceitos elucidativos a respeito da Doutrina. Foi assim com homens de escol como Léon Denis e com entidades espirituais do porte de Emmanuel e André Luiz, só para citarmos alguns exemplos. Desse modo, é pertinente que também outros de nós, desde que vestindo sempre o manto da humildade, possamos desenvolver o pensamento procurando compreender um pouco mais acerca do que nos é dado perceber, de maneira a igualmente colaborarmos para o entendimento dos demais.
Temos essa liberdade porque o Espiritismo é uma doutrina libertadora, que nos estimula a desenvolver o pensamento, raciocinando, sem a peia dos dogmas que escravizavam as mentes no passado. Hoje, só se mantém escravizado quem quer ou não se dispõe, pelos mais diversos motivos, a romper esse domínio escravizante. Assim sendo, o Espiritismo, que respeita o livre-arbítrio de seus simpatizantes, não nos diz o que pensar, pelo contrário, ensina-nos a pensar, utilizando a razão para que consigamos, a qualquer tempo, expandir a consciência de nós mesmos e do que nos cerca, alcançando as dimensões cósmicas. O propósito da Doutrina Espírita, então, é formar livres pensadores cujos pensamentos sejam estribados nos princípios norteadores exarados nos ensinamentos do Cristo. Eis aí, portanto, o primeiro dos conceitos devidos à compreensão dos princípios doutrinários.
Um outro é que o Espiritismo apresenta-se-nos como possibilidade de mudar de ideia a todo instante. Isto se deve não só ao caráter dinâmico da Doutrina, que se moderniza concomitantemente com os avanços científicos e com o amadurecimento psicológico e intelectual dos homens. Mas também como necessidade de aperfeiçoamento de cada um de nós quanto ao conhecimento da Verdade, que nos chega sempre como revelação compatível com o grau de compreensão já alcançado. Como bem diz o escritor espírita Hermínio Correia de Miranda, autor, dentre outros, do livro "Nossos filhos são espíritos", só é possível aprender o Espiritismo se desaprendermos tudo que sabemos. De que outra maneira poderemos mudar frequentemente de ideia, substituindo conceitos equivocados, senão pela convicção de que nada sabemos, conforme a proposição do filósofo Sócrates?
E para não nos estendermos demasiadamente neste artigo, convém agora ponderarmos acerca do seguinte conceito, igualmente concernente a um entendimento particular, embora estreitamente ligado à natureza da Doutrina: o Espiritismo é a convivência com os Espíritos. Com efeito, não existe Espiritismo sem espíritos e o fato é que estamos o tempo todo na companhia dos seres invisíveis, sejam os que nos oferecem boas orientações e proteção, sejam os que nos assediam para o mal e nos perseguem. Afinal, sendo os homens todos médiuns em maior ou menor grau, como afirmou Allan Kardec, esse intercâmbio com o Além é evidentemente constante e existe desde que o homem caminha sobre a Terra. Em consequência disso ressalta a necessidade de todos conhecerem a realidade fenomênica e dela apreendermos o ensinamento subjacente. Por tal razão, também dizemos que (quase) ninguém precisa ser espírita, mas todo mundo deveria conhecer o Espiritismo...  

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