quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Codificador

Francisco Muniz


Allan Kardec nasceu para o mundo no dia 18 de abril de 1857, em Paris, França, na data em que esse nome apareceu pela primeira vez na capa de uma publicação intitulada O Livro dos Espíritos. Tratava-se em verdade de um pseudônimo, porque quem se responsabilizou pela divulgação da obra foi o professor Hippolyte Lèon Denizard Rivail, um filósofo e homem de ciências conhecido em toda a França e em boa parte da Europa como autor de livros de matemática e gramática francesa, nascido no dia 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lyon. Kardec, portanto, já nasceu com 53 anos.
O pai de Hippolyte Rivail era um magistrado chamado Jean Baptiste, o qual, desejando legar ao filho a melhor das instruções, fê-lo estudar na cidade de Yverdun, na Suíça, com o célebre educador Henry Pestalozzi. O jovem Rivail destacou-se a tal ponto nesse aprendizado que logo tornou-se um auxiliar direto de seu mestre, cuidado das turmas quando Pestalozzi precisava de ausentar.
Concluído seu curso, ele se transfere para Paris, capital da França, e abre uma escola onde passa a ensinar jovens alunos com todo o rigor metodológico aprendido com o pedagogo suíço. Essa dedicação seria de importância capital quando, no futuro, ele assumiria o encargo de codificador da Doutrina Espírita, imprimindo um caráter eminentemente educativo aos conceitos trazidos pelos Espíritos Superiores que em nome de Jesus cuidaram da Terceira Revelação de Deus aos homens, trazendo o Consolador à Terra angustiada pela dor e pela ignorância quanto aos problemas do mundo.
Mas quem era esse Espírito, que história ele trazia ao planeta para representar papel tão destacado, embora se ocultasse em sua humilde dedicação às tarefas grandiosas? Contam as crônicas espirituais que ele era a reencarnação de Jan Huss, importante educador e líder protestante na região da Boêmia, na Europa Central. Mas levando em consideração que o Espírito de Verdade não é outro senão o Cristo, Kardec haveria de ser alguém muito próximo ao Mestre de Nazaré e assim vamos identificá-lo com João, o evangelista, aquele a quem Jesus confiou uma tarefa no futuro ao dizer estas palavras: "Importa que João fique até que eu volte."
Sim, o Cristo voltaria como o Consolador Prometido e João/Rivail/Kardec seria seu arauto. Sob o lema "trabalho, solidariedade e tolerância", ele realizaria a obra monumental que é a Doutrina Espírita, que viria restabelecer todas as coisas e complementar o ensinamento do Cristo naquilo em que a mensagem cristã ficou quase inacessível por conta do véu de mistério sobre algumas lições de Jesus. Com a orientação dos Espíritos Superiores, Rivail/Kardec daria a interpretação enfeixada nos livros da Codificação - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese -, com o propósito de a Humanidade aí encontrar as respostas para seus anseios e a diretriz para o aprimoramento moral de todas as criaturas...


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