quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O que fazer?

Uma amiga, espírita, me faz um pedido, no Facebook:

- Olá... Muito boa tarde, amigo... Então, eu tenho tantas dúvidas... Em relação a nossa sociedade, exemplo: drogas, meio ambiente e violência... Estamos cada vez mais preocupados.. Se vc quiser, pode expressar seu ponto de vista?

Então digo-lhe o seguinte:

- Oi, L (não preciso declinar o nome dela, pois não?), muita paz. Meu ponto de vista coincide (ou reproduz) com o de Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo: a prática da caridade assegura a paz social. No domingo, um casal de amigos tentou me convencer a aderir a um pacote de viagens para o exterior ou simplesmente fazer um cruzeiro marítimo, tão em moda atualmente. Hoje, indo à Cobem, a pé, vi uma mendiga sentada numa calçada, e há muito tempo a vejo ali, como a via também em meu bairro, uma mendiga como tantos outros existentes em Salvador. E pensei: se meus amigos e os amigos deles com dinheiro suficiente para viajar ao exterior todos os anos se cotizassem e dessem uma casinha, a mais simples possível, para um - só um! - desses mendigos, seria um investimento espiritual e tanto! E alguns esses amigos são daqueles que têm medo da onda de violência e reclamam da falta de segurança. São dos que se trancam em casa, atrás de grades, pagam vigilantes para seus imóveis e bens... Meu ponto de vista é meio egoísta, pq penso mais no que os outros poderiam fazer e menos no que eu estou fazendo - e faço, em verdade, muito pouco em benefício de meu próximo. Mas não tenho medo, não me sinto inseguro e entendo que a esperança não deve ser descartada: tudo melhora. Assim, vou cada vez mais à frente, levando a palavra do Cristo aonde sou chamado: "Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras, mas não vos conturbeis, pois ainda não é o fim"...

E ela comenta:
- Somos tão insensatos ainda, e egoístas...

E digo, por minha vez:
- Pois é, mas temos só que observar a natureza das coisas e então compreenderemos como agir... quer dizer: os mendigos são uma necessidade em nossa vida, tanto quanto os chamados bandidos... para que aprendamos a lição do desapego...

Ponderada, essa amiga me observa o seguinte:
- Mas quando falo em relação a esses problemas sociais não é que eu tenha medo, mas, preocupados com os nossos irmãos, podemos fazer o quê?

Sigo pela via da moderação e da confiança irrestrita no poder supremo:
- Paciência, tudo está sob controle: Deus está no comando, confiemos e sigamos trabalhando, espalhando o bem por aí afora...

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Vocês concordam?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Distúrbios da mediunidade

Francisco Muniz

Nos primórdios dos estudos sobre a mediunidade pensava-se e dizia-se que o exercício dessa faculdade poderia causar perturbações à saúde física e mental do médium. As pesquisas sérias realizadas por homens criteriosos, espíritas ou não, mostraram exatamente o contrário, isto é: a mediunidade, praticada de acordo com as orientações proporcionadas pelo Espiritismo, é um preservativo da loucura e do suicídio. Entretanto, a ignorância quanto a tais resultados faz com que pessoas desavisadas se mantenham acreditando e repetindo essas informações equivocadas.
Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec aborda a questão, no capítulo referente aos inconvenientes e perigos da mediunidade. O Codificador interroga possivelmente o Espírito São Luiz e recebe dele noções esclarecedoras quanto às relações entre mediunidade e (falta de) saúde. De acordo com o mentor espiritual, a faculdade mediúnica é indício, algumas vezes, de um estado anormal, mas não patológico. Ele ajunta que há médiuns de saúde bastante vigorosa como há também os que são doentes, mas cuja enfermidade se deve a outras causas.
Há ocasiões em que é prudente – diz São Luiz – e necessário o médium se abster ou moderar o uso de sua faculdade, embora isso dependa do estado físico e moral do sensitivo. Cremos que tal conselho se prenda apropriadamente a mulheres no período menstrual, principalmente aquelas sobre as quais o descontrole hormonal é mais acentuado, provocando o que hoje se chama de tensão pré-menstrual (TPM). Também há casos em que o médium – não importando o sexo – se sente extenuado e por isso deve impor alguma restrição ao exercício mediúnico. Nesses momentos, o médium sente quais são suas condições, geralmente, e deve abster-se da faculdade, avisa São Luiz.
Há quem abrigue a ideia de que o contato com as entidades desencarnadas sofredoras pode causar psicoses nos médiuns. Procurando rebater tal equívoco, o Projeto Manoel Philomeno de Miranda esclarece que não têm razão os que assim pensam nem os que assim procedem. O médium espiritista – diz o PMPM – tem conhecimento, através da doutrina que professa, dos antídotos e dos medicamentos para manutenção do próprio equilíbrio. O Projeto chama a atenção, porém, para o fato de que há médiuns em desalinho mental em todos os departamentos humanos, inclusive os arraiais do Espiritismo. A diferença, pondera, é que nas células espiritistas de socorro eles aparecem na condição de enfermos em tratamentos especiais e demorados, pois já vieram em tormentos e se demoram sem qualquer esforço de renovação íntima.
Em “Médiuns e mediunidades”, o Espírito Vianna de Carvalho informa, pela pena de Divaldo Franco, que a suposta geração de enfermidades pelo exercício mediúnico não tem qualquer legitimidade. Quem afirme em contrário apenas repetirá chavões que a experiência dos fatos demonstrou ultrapassados, revela o instrutor espiritual. Segundo Vianna, a mediunidade, como qualquer outra faculdade orgânica, exige cuidados específicos para um desempenho eficaz quão tranquilo. É forçoso entender, então, que os distúrbios atribuídos ao exercício mediúnico decorrem das distonias emocionais do médium que, espírito endividado, reencarnou enredado no cipoal das próprias imperfeições, das quais derivam seus conflitos, suas perturbações, sua intranquilidade.
André Luiz (Espírito), por sua vez, ressalta que, uma vez sabendo que todo sofrimento orgânico é uma prova espiritual, dentro das leis cármicas, o médium, especialmente se matriculado nas hostes espíritas, jamais deverá recear a dor, mas aceitá-la e compreendê-la com desassombro e conformação. É extremamente valioso, diz ainda esse amigo espiritual, que o médium aproveite a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação dos valores alusivos à convicção religiosa. Porque a enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé, completa André Luiz.

Referências

Franco, Divaldo P. – Médiuns e Mediunidades. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. 5ª ed. Livraria Editora Alvorada (LEAL). Salvador, 1999.
Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns. 68ª ed. IDE. Araras (SP), 2004.
__________ - O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Brasília, 2000.
Projeto Manoel Philomeno de Miranda – Qualidade na Prática Mediúnica. 2ª ed. LEAL. Salvador, 2000.
Vieira, Waldo – Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz. 17ª ed. FEB. Brasília, 1994.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Música e elevação espiritual

Francisco Muniz

Antigamente, costumávamos cantar muito na casa espírita, como forma de criar um clima propício para a atuação dos Espíritos coordenadores e executores das tarefas em benefício de encarnados e desencarnados. Eram hinos singelos, de uma simplicidade que lhes emprestava uma beleza ímpar, pela suavidade e amplitude das letras, ainda que as melodias, algumas vezes, fossem emprestadas de canções populares um tanto quanto conhecidas. Esse hábito está atualmente em desuso e só cantamos em momentos especialíssimos, assim mesmo utilizando o recurso dos grupos vocais, enquanto a massa de frequentadores se mantém passivamente na condição de ouvinte.

Tudo tem sua razão de ser e hoje sabemos que nem todo mundo é um Pavarotti e, como na canção de João Gilberto, facilmente desafinamos, provocando uma desarmonia sonora que, em vez de ajudar no trabalho espiritual, causa uma perturbação terrível no panorama astral, comprometendo tanto o tratamento quanto a integridade dos equipamentos utilizados pelos Espíritos na realização de delicados processos cirúrgicos.

Ainda assim, é preciso reconhecer que a música é um precioso recurso terapêutico do ponto de vista espiritual e psicológico, recomendável para a harmonização interior que proporciona a sintonia com o Alto. Bem se vê que não falamos de qualquer tipo de som, mas de música propriamente, aquela que eleva o pensamento e enleva a alma, uma vez que o que mais ouvimos atualmente, especialmente na Bahia, é só barulho, um arremedo de música que, ao invés de propiciar a sintonia com os Espíritos Superiores, explora os instintos primitivos e mantém a criatura descuidada nos círculos vibracionais inferiores.

Fazemos tais reflexões em lembrança do último capítulo do livro "Boa Nova", em que Humberto de Campos descreve os últimos dias de Maria, a mãe de Jesus, na Terra e relata sua desencarnação. Uma caravana de Espíritos abnegados recepciona a Santíssima em sua reentrada no plano espiritual e ela deseja rever os panoramas da Palestina onde sofreu e se alegrou com seu filho bem-amado. Depois, Maria externa a intenção de ir até Roma, onde sabe que os seguidores do Cristo são martirizados no circo.

A comitiva então se desloca à pátria dos césares e Maria penetra uma das celas onde os fiéis esperam, aglomerados e tristes, o momento de adentrar a arena. A mãe do Senhor aproxima-se de uma jovem, toca em sua fronte e diz, na acústica do pensamento da moça: "Canta, minha filha!" A menina, subitamente inspirada, inicia timidamente um hino. Em seguida, os demais se contagiam e engrossam o coro. Quando a porta da prisão se abre, chegado o momento do sacrifício, todos marcham cantando louvores a Deus, preparados para entregar o corpo às feras...

Léon Denis, em seu livro “O grande enigma”, vem falar da música das esferas, informando que todo movimento no universo, como o dos astros em sua caminhada cósmica, orbitando uns aos outros, é vibração musical. Talvez por isso o filósofo Huberto Rohden dissesse que a Musica, tanto quanto a Matemática e a Mística, é uma das linguagens de Deus.

Como se depreende, a música vem a ser um poderoso contributo para a harmonização tanto dos ambientes quanto das criaturas em demanda do equilíbrio psicofísico e espiritual, predispondo à oração e à meditação. O Espírito André Luiz, no livro “Nosso Lar” dá-nos um precioso exemplo nesse sentido. Retornando ao hospital, depois de sua primeira viagem de aeróbus, o “repórter do Além” ouve, com seu enfermeiro, em plena via pública, belas melodias atravessando o ar, ouvindo de Lísias a seguinte explicação:

“- Essas músicas procedem das oficinas onde trabalham os habitantes de “Nosso Lar”. Após consecutivas observações, reconheceu a Governadoria que a música intensifica o rendimento do serviço, em todos os setores de esforço construtivo. Desde então, ninguém trabalha em “Nosso Lar” sem esse estímulo de alegria.”

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Soberanas leis

Francisco Muniz

A Vida pulsa vibrantemente em tudo, em toda parte. Tudo é criação divina e o Homem, perante ela, ora é um simples, ora um grande colaborador. E é um simples cooperador quando não participa diretamente desse trabalho de co-criação, e por sua ignorância apenas põe entraves à marcha dos progresso. Sim, pois Deus quis que tudo que fez caminhasse sempre na trilha da perfeição.
O Homem, pois, é e será um grande auxiliar da Divindade se se põe a favor das leis que regem a vida nas duas direções, atuando em benefício das construções meramente humanas, no plano da vida material, ou cooperando estreitamente com o trabalho em prol das grandes realizações espirituais, que se espraiam além dos panoramas da vida física.
Sim, Deus qui que tudo - cada pensamento, cada ato de seus filhos, encarnados ou não - contribuísse para um fim comum, qual seja o de aperfeiçoar ou complementar sua Obra. Para tanto pôs em funcionamento as soberanas leis, garantidoras da Vontade suprema de nosso Criador.
Tudo, portanto, em a Natureza e em todo o Universo caminha em obediência a tais leis, que vibram incessantemente na consciência dos homens, mesmo quando se mostrem momentaneamente ignorantes, e na experiência sensória dos vegetais e animais, quanto na semi-imobilidade dos minerais, em latência.
São as mesmas leis, regendo os fenômenos da vida material e controlando as relações entre as almas. A lei que condiciona a aglutinação das moléculas, permitindo a expansão da vida nos reinos superiores, é a mesma, guardadas as proporções, suscitando a atação entre os espíritos, levando aos encontros felizes ou infelizes, a depender do grau de amadurecimento de cada um deles.
No capítulo referente aos seres inteligentes da Criação - os espíritos - essas leis Allan Kardec as classificou como "As leis morais da vida", em contraposição às leis que regem a matéria. As leis morais são estas que nos possibilitam viver e conviver bem uns com os outros, tanto no mundo visível quanto no chamado mundo invisível - a verdadeira realidade da Vida, de onde procedemos e para onde retornaremos ao fim de nosso estágio supervisionado na Terra.
Para aqui somos trazidos para a prática dessas leis - e sofrer-lhes o impacto retificador -, trabalhando por nossa elevação espiritual e auxiliando os demais, na medida de nossas possibilidades, sendo solidários e promovendo a igualdade de tratamento com base nas lições de tolerância e abnegação do Cristo Jesus, que nos convida a sermos fraternos, fazendo ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse.
Essas leis divinas, dizem-nos os Espíritos Superiores nas obras da Codificação espírita, nós as temos inscritas na consciência. Para segui-las obedientemente, a fim de vivermos verdadeiros momentos felizes, importa conhecermo-nos, consultando a própria consciência, que nos revela as potencialidades e limitações.

Curai-nos!


Aprendemos contigo, bom Jesus
O caminho do esclarecimento
Aceitando o sofrimento
Carregando nossa cruz,
Pois a ti ele nos conduz
Por caminhos renovadores;
Quais Zaqueus arrependidos
Ávidos da água da Vida
Queremos curar a ferida
Que em nossa alma se abriu;
Cura-nos, Jesus, do vazio
Que é o coração sem esperança
Faze-nos de novo crianças...
Divino Médico, curai-nos!

Visita


Quantos Zaqueus, hoje em dia,
Que o Cristo quer visitar!
Procura o Mestre, na estrada,
Almas que o convidem à casa
Mas Zaqueu não quer ainda...

Contente com suas conquistas
Seu ouro, família e poder
Zaqueu vive a querer
Mais coisas que o mundo tem
Sem se importar com ninguém.

Pobre Zaqueu, que não vê
Que o Cristo já se aproxima,
Pois é pequeno, baixinho
Em sua estatura moral
E a multidão atrapalha...

Corre, vai, procura e acha
A árvore boa que o elevará;
É a vontade de melhorar
Que o impele para o alto
A fim de o Mestre encontrar.

Jesus então se aproxima
E vê Zaqueu lá em cima
E diz-lhe: “Desce daí, meu irmão,
Vim salvar a tua casa
Pois vejo que tua morada
Abriu-se à salvação”...

Esboço 7


“Muito se pedirá a quem muito recebeu.” (Jesus )

Todo mundo sempre recebeu e continua recebendo um tanto da misericórdia divina, a começar da oportunidade da reencarnação. Quando se trata das lições do Cristo, são os cristãos que devem se sensibilizar ante esse ensinamento, principalmente se não o põem em prática. Mas levando-se em conta que nem todo mundo é cristão, mas todos somos espíritos reencarnados, há que notar-se que toda a população mundial tem assistência dos Espíritos.
A todo instante estamos recebendo conselhos e orientações que nos indicam o caminho a seguir, embora o respeito a nosso livre-arbítrio. É que o ensinamento dos Espíritos se propaga por todos os cantos do planeta e repetem, na linguagem que cada um possa entender, todas as máximas do Cristo, verdadeiramente o governador da Terra e pastor deste imenso rebanho que é a Humanidade inteira!

Ecos de um congresso espírita


De todas as palestras e conferências ministradas no 12.° Congresso Espírita da Bahia, realizado de 27 a 30 de outubro de 2005, no Centro de Convenções, a de Roberto Crema foi das mais impactantes. Pensa ele – como é o caso dos grandes homens preocupados com a situação da humana presença no planeta – que já passa da hora de cada um de nós tomarmos medidas drásticas voltadas para a percepção de seu papel na Terra. O Homem está/continua a agir irresponsavelmente, tanto no nível particular quanto no geral, e são poucos os exemplos de atitudes comprometidas com o bem-estar coletivo.
“Não sou otimista”, diz ele, que é um dos fundadores da Universidade da Paz, em Brasília. “Não tenho otimismo das pessoas ingênuas e sei que é preciso fazer esforços para que haja condições de melhoramento. Mas não sou pessimista. Se o Homem é o problema, pode ser a solução.” Crema, que, segundo se sabe, não é espírita, entende que é preciso se dar mais atenção ao que o Homem traz de transcendente em si – não importa o nome que lhe deem – capaz de promover sua integração cósmica.
Enquanto ele falava, eloquente e simples, com sua voz baixa, deixava-se penetrar por uma energia desconhecida que o quase transfigurava, e devolvia essa energia transformada por seu amor – energia essa que, impregnada da força singela de suas palavras, invadia corações e mentes sensíveis na plateia presente ao Teatro Yemanjá, onde mais tarde o físico Raul Teixeira falaria sobre o desenvolvimento da consciência espiritual.
Ao final de suas palavras e reunindo em torno de si aquela poderosa energia decorrente de sua humilde condição de um dos líderes morais da Humanidade, Crema foi aplaudido. Era, sabemos, a forma como o público costuma demonstrar seu contentamento, mas os aplausos quebraram todo o ritmo energético que se experimentava ali. Compreensivo, o médico conferencista fez uma silenciosa reverência às pessoas que o aplaudiam, felizes e já esquecidas das palavras ouvidas – e se retirou. As pessoas, por sua vez, foram saciar o estômago...

Esboço 6


Diz Huberto Rohden, filósofo brasileiro, que são necessários dois pré-requisitos para que o homem desejoso de realizar sua busca pelo sagrado (a Verdade) obtenha sucesso: silêncio e solidão. Silenciando o mundo – tanto interna quando externamente – será possível ouvir os sons cósmicos e as vozes inauditas da consciência, o que só possível estando em solidão. A esses dois primeiros “S” eu ouso acrescentar mais um, o qual, embora implícito nas duas condições originais, parece-me necessário, posto que tanto prévio quando consequente àquelas. É a sintonia, possibilitadora da intuição, por abrir-lhe os canais da percepção psíquica relativas às expressões da realidade espiritual...

Esboço 5

É a paz resultado do entendimento entre os homens? Poderia ser, mas se assim fosse as grandes negociações, os grandes tratados deveriam representar mais que as conquistas temporárias dos líderes de facções beligerantes. E mais: seria muito mais significativo tomar atitudes pacificadoras se se olhasse o ser humano não como uma peça no grande quebra-cabeças da Humanidade, no jogo de poder entre os países, mas, ao contrário, como individualidades importantes e comprometidas com o progresso geral tanto quanto delas mesmas. Em suma, se os homens se compreendessem seres em evolução, realizando aprendizado no sentido da autotransformação, aí, sim, haveria o entendimento que resultaria na paz. Sendo espíritos ainda imperfeitos na compreensão de si mesmos e comprometidos uns com os outros, os homens naturalmente são guindados ao conflito em suas relações. O Evangelho, o Espiritismo e o Esperanto são alguns recursos para a solução e superação desses conflitos, bastando que as almas e os corações se abram para o esforço do automelhoramento.