quinta-feira, 18 de abril de 2013

Louvor a Kardec

Francisco Muniz

Um tempo novo, um novo Sol a romper as trevas densas da ignorância humana a respeito de seus destinos - eis aí o que representa o esforço de Allan Kardec ao permitir-se ser o intérprete dos emissários do Senhor que vieram trazer a lume a Terceira Revelação. O Espiritismo, com o outrora a palavra do Cristo, fará um dia com que os homens passem a considerar verdadeiramente o sentido de sua presença na Terra e de sua relação com a Divindade, redescobrindo-se os filhos transviados de Deus, as ovelhas tresmalhadas que necessitam retornar ao aprisco pela ação abnegada do Divino Pastor.
Glória a Allan Kardec, cujo empenho intimorato lega aos dias de hoje o estímulo com que os seguidores da novel Doutrina saberão honrar o exemplo do Codificador, estudando os princípios que regem a ciência do bem viver conforme as regras do Evangelho de Jesus. Os espíritas, sabedores da nobre missão da Doutrina dos Espíritos, qual seja a de promover a transformação moral de toda a humanidade, são aqueles que se esforçam por se tornarem homens de bem, verdadeiros cristãos, desde que se pautam pelos valores imperecíveis do Bem e da Verdade.
Instrumento, verdadeiro apóstolo do Cristo para esse entendimento, Allan Kardec há de merecer toda a consideração dos homens, especialmente nas décadas futuras, quando o Espiritismo for finalmente compreendido como o futuro das religiões, conforme preconizou Léon Denis, e facultar assim às sociedades terrenas a vivência dos ideais de amor, respeito e solidariedade de que os povos necessitam para enfim estabelecerem as bases do progresso moral na Terra...

Ação fraterna

Irmã Rafaela

É dando que se recebe, amigos, como bem disse o santo de Assis, a quem louvais com o nome de Francisco. E dois chamados a dar, portanto, como forma de merecerdes e mais receberdes da Divina Providência, como acréscimo de misericórdia. Doar-se, sem nada exigir, é a grande prerrogativa dos filhos de Deus orientados pelo Evangelho do Senhor, que a todos chama ao trabalho santificante como meio de reajustarem-se depressa ante os impositivos da Lei.
Tendes muito a fazer, ainda, nesse mundo que se debate entre as dores do parto, pois que um mundo novo, regenerado, surgirá das entranhas do mundo velho, que se despede em estertores de agonia, angústia e perturbação. Tudo isto observais com alguma perplexidade, mas importa saberdes agir proveitosamente em favor de todos, fazendo o melhor por vós mesmos, o que quer dizer esclarecer-vos de acordo com a luz da Verdade apregoada pelo Cristo através de seu novo mensageiro - o Espiritismo.
Saí a campo, pondo em prática vossas boas qualidades, a fim de cada vez mais desenvolverdes as virtudes que acalentais em vosso ser de luz, porquanto luminosa é toda a criação divina. Olhai para a frente e, de olhos bem abertos, vede a vereda pontilhada pelas alegrias esperançosas do porvir e, em meio a elas, as dores dos irmãos obcecados pelas ações da própria ignorância, enfermos que se encontram e necessitados da boa medicina da alma.
Não estareis sozinhos na jornada, bem sabeis, posto que as bênçãos celestiais caem incessantemente sobre vós, dando-vos o incentivo necessário para continuardes a tarefa. Pensai naqueles que não podereis ajudar diretamente e enviai a cada um deles um pouco de vosso sentimento amoroso, envolvendo-os docemente na luz que emana de vós em direção à humanidade sofredora.

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Amiga de minha alma, filha querida, sossega teu coração e pensa que muitas vezes a paciência é a melhor solução de muitos problemas. Age pelo coração, abençoa com teus olhos, pacifica com teu carinho e perdoa com tuas mãos - se me entendes verdadeiramente.
Deus é o senhor de nossos atos - deixa, pois, que Ele, em sua soberana vontade, aja sobre sobre nós, fazendo-nos aptos para auxiliarmos a quantos nos exijam a colaboração.
Sossega teu coração e tua mente, pois nada está fora de controle, tudo se encaminha para um fim proveitoso e por isso mantenhamo-nos confiantes no supremo Amor.

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Ficai todos em paz, na doce convivência com o amigo Jesus.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Neutralidade?


"Tendes aprendido que foi dito: olho por olho, dente por dente. - Eu vos digo para não resistirdes ao mal que se vos quer fazer; mas se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra; - e se alguém quer demandar contra vós para tomar vossa túnica, abandonai-lhe ainda vossa capa; - e se alguém quer vos constranger a fazer mil passos com ele, fazei ainda dois mil. - Dai àquele que vos pede, e não repilais àquele que quer emprestar de vós." 
Palavras de Jesus no Evangelho de Mateus (5:38-42). Coloco-as a propósito da frase atribuída ao bispo sul-africano Desmond Tutu, segundo a qual a neutralidade em situações de violência e injustiça configura tomar o partido do agressor. Não penso assim, caso contrário estaria negando o ideal cristão que abraço com muita responsabilidade. A violência é um mal e resistir a ela, recalcitrando, reclamando, brigando, altercando... é dar força ao mal. O Cristo nos esclarece que bem melhor é perdoar a todos por tudo que nos façam.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos, no capítulo XII, intitulado "Amai os vossos inimigos", o tópico "Se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra", informando-nos que "os preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar o ponto de honra dão essa suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e da exaltação da personalidade, que leva o homem a restituir injúria por injúria, insulto por insulto, o que parece a justiça para aquele cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrestres (...)".
É sempre oportuno pensarmos um pouco mais profundamente, destituídos das paixões que nos fazem perder a medida do comedimento e do equilíbrio, manifestando atitudes das quais só muito tempo depois vamos nos arrepender. Por isso o comportamento equilibrado é muitas vezes confundido com neutralidade que nesses casos tais pessoas entendem como indiferença, querendo sempre que lhe deem razão em seus momentos de desvario emocional, somente porque se acham "com razão"...
Mas se recordássemos, pelo aprendizado sincero e consequente, as lições de Jesus, agora bela e eficazmente interpretadas pelo Espiritismo, meditaríamos as palavras de Allan Kardec, que nos pede: "Dirigi vossos olhares para a frente; quanto mais vos eleveis pelo pensamento, acima da vida material, menos sereis magoados pelas coisas da Terra".