domingo, 29 de novembro de 2015

Em busca da Verdade

Francisco Muniz




Um certo “koan” zen-budista narra que determinado homem, disposto a alcançar a iluminação de si mesmo, retirara-se para o alto de uma montanha e ali se dispunha a meditar, longe de tudo e de todos. O tempo foi passando e uma certa fama foi se formando e crescendo em redor desse homem. Um dia, alguém resolveu também atingir a iluminação e subiu aquela montanha desejoso de aprender com aquele homem que a fama tornara sábio.  Chegando lá, esse alguém encontrou o eremita sentado na posição de lótus, meditando de olhos fechados. Assim, sentou-se em frente a ele e aguardou que o sábio despertasse. Quando isto enfim aconteceu, o eremita pôs-se a fixar seus olhos no recém-chegado, sem nada dizer. O outro, igualmente, manteve-se em silêncio durante algum tempo até que manifestou o cansaço da impaciência e questionou:
- Então, quando é que você vai começar a me ensinar?
O eremita, nesse momento, abriu a boca e declarou:
- Eu pensei que você tivesse vindo me ensinar!



E
ssa historinha é bem representativa da dificuldade que o homem encontra em sua busca pelo conhecimento da Verdade, sendo a verdade aquilo que nos esclarece acerca de nós mesmos – daí a necessidade de se atingir a iluminação -, mostrando nossa natureza mais intrínseca, nossas origens, nossa destinação, a razão das circunstâncias felizes ou perturbadoras que enfrentamos, bem como os meios de superarmos os obstáculos, garantindo nossa perfeita felicidade, se possível vencendo o que se nos apresenta como o maior dos percalços, porquanto inevitável: a morte.
É certo que durante muito tempo essas questões tiraram e ainda tiram o sono de muita gente, e a despeito dos esforços dos filósofos, dos profetas da Antiguidade, dos gurus do Oriente e dos homens sábios de todas as cultura – muitas delas já sepultadas -, quase ninguém, isto é, bem pouca gente, na vasta floresta humana, se dispõe a mergulhar fundo nas orientações de um certo Mestre que há distantes dois mil anos proclamou ser ele mesmo a Verdade que tanto buscamos.
Será que são recebidas como presunçosas suas palavras – “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...”? O fato é que as pessoas simples que desde o início têm ouvido a voz do Filho do Carpinteiro são vistas com reservas pelos homens “sábios e prudentes” do mundo, ainda semelhantes àqueles referidos por Jesus no Evangelho e sobre os quais deu graças ao Pai por revelar essas verdades aos pequeninos em vez de àqueloutros.
Percebe-se assim que a verdade é de fácil compreensão quando aceita com simplicidade, na pureza dos corações, e somente dessa forma é que ela será conhecida. A bem dizer, de acordo com o que se pode perceber, a Verdade não está acessível ao homem a não ser que este já esteja em condições de recepcioná-la, de modo que a Verdade é apenas revelada mediante o amadurecimento intelecto-moral das criaturas sencientes.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade – o próprio Jesus – diz-nos que “todas as verdades se encontram no Cristianismo”, avisando-nos, porém, que no corpo dessa doutrina há erros “de origem humana”, sendo portanto dever nosso separar o joio do trigo, a fim de bebermos a linfa pura dos ensinamentos do Cristo.
Por tais razões, haveremos de convir que a Verdade não pode ser ensinada, apenas buscada, sendo revelada unicamente aos homens que tenham desenvolvido “olhos de ver e ouvidos de ouvir”. O que se ensina, e isto o Cristo fez excelentemente, é o modo como se deve buscar a Verdade, ainda conforme a recomendação do Mestre: “Aprendei de Mim que sou brando e humilde de coração”. Eis aí, pois, os pré-requisitos que nos permitem alcançar o conhecimento da Verdade.
Desse modo se compreende por que motivo Jesus se calara ante a interrogação de Pilatos sobre o que seria a Verdade. O governador romano da Palestina não possuía os qualificativos morais para compreender a dimensão espiritual da verdade do Cristo – Ele mesmo! E quanto a nós? Também será necessário despojarmo-nos de toda vaidade, das ilusões do mundo, a fim de nos fazermos merecedores desse conhecimento, além do que já nos é permitido saber.
Em seu livro Buscando a Verdade, o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, indica várias etapas dessa busca, mostrando com isso que o alcance da Verdade é algo simples mas dispensa atitudes simplistas. Assim, o Mentor aponta para a busca concomitante de atributos como a paz, a confiança, o equilíbrio, a disciplina e diversos outros fatores que predisporão o buscador à necessária aptidão para a recepção da Verdade que lhe será então naturalmente revelada.
Vale dizer que essas diversas buscas indicadas por Irmão Jerônimo tratam unicamente dos esforços que o buscador deve fazer para o desenvolvimento das virtudes, prosseguindo no caminho do conhecimento da Verdade, para que ele viva com plenitude, despojado dos vícios e da tendência aos erros, porquanto Jesus afirmou que em conhecendo a Verdade esta nos libertará de nós mesmos, ou seja, do que trazemos de inferior na alma...

As duas faces cruéis do egoísmo


Francisco Muniz




F
oi durante uma atividade no Grupo de Autoconhecimento que surgiu a dúvida: egoísmo é não fazer nada pelos necessitados do caminho ou fazer esperando retribuição? Mas depois de um pouco de reflexão e constante meditação, a resposta veio clara como vidro translúcido: de uma forma ou de outra, será sempre egoísmo, a considerar-se o ensino de Jesus na parábola do bom samaritano e também a orientação do mentor espiritual Emmanuel, que recomenda fazermos caridade mesmo com segundas intenções, porque assim vamos nos acostumando com esse procedimento e quando menos notarmos já estaremos agindo desinteressadamente. Mas convém examinarmos mais detidamente esses dois tipos de comportamento, o da omissão e o da exploração. 
Segundo o que expõe Allan Kardec nos capítulos iniciais de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cada geração tem seu vício que a perderá e sua virtude que a salvará, acrescentando que a virtude de nossa geração é o progresso intelectual, responsável pelo conforto material que experimentamos; em contrapartida, o vício que nos perde, desde o século XIX, é a indiferença moral. Ou seja, pouco ou nada nos interessamos pela condição sofrida dos companheiros de jornada evolutiva, principalmente se eles não fazem parte de nosso círculo mais próximo de parentes e amigos diretos. É como se transitássemos unicamente entre o lar e o ambiente de trabalho, em linha reta e de olhos fechados, como o sacerdote e o levita da parábola de Jesus. Consideremos, então, que procedendo assim o coração estará mais fechado que os olhos, voltado para si mesmo, para o ganho da própria vida. O Mestre Nazareno, no entanto, avisa-nos que aquele que quiser ganhar sua vida irá perdê-la...
Se esse posicionamento egóico já se mostra por si mesmo cruel, denotando a inferioridade moral de quem por ele se guia, o da exploração o é ainda mais, porquanto tirar vantagem da condição sofredora de alguém é afrontar sua dignidade, escravizando-o, muitas vezes, a uma situação deprimente que a caridade tem por dever minorar o quanto possível. Uma outra passagem do Evangelho chama a atenção para esse procedimento equivocado: trata-se da parábola do credor incompassivo, que teve suas dívidas perdoadas pelo Senhor mas foi incapaz de agir de igual modo para com um seu devedor, mandando-o para a cadeia embora este lhe pedisse a mesma clemência que ele pedira e tivera do Senhor, que ao saber disso o puniu severamente.

No entanto, como Deus não se empobrece de compaixão, nós somos continuamente beneficiados com a oportunidade e os recursos necessários para a renovação íntima através da dedicação às obras beneméritas que no fim das contas resultarão em crescimento espiritual. Em sua magnanimidade, o Pai amantíssimo e ainda muito pouco amado por seus filhos desatentos, prossegue convidando-nos ao complemento de sua Obra perfeita, mas inacabada, fazendo tudo a “cada um dos pequeninos de meu Pai”, conforme pede Jesus. Afinal, como bem ponderou nosso Mestre, qual é o pai que, vendo seu filho com fome, em vez de um pão lhe dá uma pedra? Aprendamos, portanto, a ver em cada um dos necessitados do caminho, sejam eles encarnados ou desencarnados, como um filho querido que precisa de nosso amparo, de nossa compaixão, exatamente como Deus procede junto a cada um de nós, uma vez que a maior dádiva que ele nos concedeu é a capacidade de doar. E doar não dói!

Uma aula de Doutrinação

Francisco Muniz


É indubitável que o escritor Hermínio Correia de Miranda deixou uma obra das mais representativas para a literatura espírita no campo da mediunidade. Seus livros oferecem precioso manancial de conhecimentos teórico-práticos para a compreensão dos tipos psicológicos dos Espíritos comunicantes, sendo, por isso mesmo, indicados para o estudo voltado para o bom exercício da doutrinação.
Se o livro Diálogo com as Sombras, publicado pela Federação Espírita Brasileira, pode ser visto como um manual dos doutrinadores, a série Histórias que os Espíritos Contaram – além do primeiro, que leva esse título, os interessados devem conhecer O Exilado, A Dama da Noite e A Filha do Vizir – constituem, a nosso ver, verdadeiras aulas de doutrinação, porquanto ali Hermínio se revela não como aquele que ensina a técnica friamente, mas como o trabalhador de boa vontade sujeito a falhas mas sobretudo disposto a ajudar os necessitados de esclarecimento e consolação, aprendendo com eles a ser melhor, como servidor consciente do Mestre Jesus nas hostes do Espiritismo. Ele é autor também de um marco da literatura espírita no Brasil, o livro Diversidade dos Carismas, em que examina com profundidade as múltiplas faculdades mediúnicas.
Além de trabalhador da mediunidade, Hermínio, desencarnado no início de 2013, foi um acurado pesquisador dos temas ligados ao espiritualismo, que explorava segundo as luzes do Consolador Prometido, deixando um legado que em muito enriquece a biblioteca espírita. São livros como, dentre vários outros, As Marcas do Cristo, que em dois volumes comparam as vidas de Paulo de Tarso e Martinho Lutero; Os Cátaros ou a Heresia Católica, no qual destrincha a perseguição que a Igreja moveu contra a seita cátara no Sul da França, no século XIII, até seu extermínio, graças à instituição da famigerada Inquisição; e Nossos Filhos São Espíritos, verdadeiro libelo contra o aborto e inteligente manual de educação baseado nas noções de reencarnação trazidas pela Doutrina Espírita.
Mas falaremos aqui preferencialmente das obras em que Hermínio coloca sua experiência e seus conhecimentos teóricos sobre a doutrinação, como a série Histórias que os Espíritos Contaram e Diálogo com as Sombras, acima citados. Nesses livros o autor define os tipos espirituais que constituem a generalidade das comunicações mediúnicas, deixando à parte a orientação dos mentores, ou dirigentes espirituais das reuniões. São eles o sofredor comum, o revoltado, o obsessor e o inimigo do Cristo ou da Doutrina. Importa analisar as comunicações para que possamos fazer tal identificação e, imbuídos de boa vontade quanto do imprescindível conhecimento doutrinário, oferecera a essas entidades o auxílio de que necessitam para melhor conduzirem seus caminhos a partir do esclarecimento.
Nunca é demais recordar que, como espírita, Hermínio Miranda era também fiel seguidor das recomendações de Allan Kardec e essa condição transparece em todos os seus escritos. Contudo, ele soube desenvolver, a partir das orientações do mestre lionês, um trabalho marcadamente centrado em seu entendimento acerca do Evangelho de Jesus, nos moldes que Emmanuel proclamara um dia a seu pupilo, Chico Xavier: ‘Se alguma vez eu lhe disser algo que contrarie Jesus e Kardec, esqueça o que eu disse e fique com Jesus e Kardec”.
Desse modo, no texto de abertura de Histórias que os Espíritos Contaram – primeira edição publicada pela Livraria Espírita Alvorada Ltda. (LEAL) em 1980 -, prefaciado por ninguém menos que a Veneranda Joanna de Ângelis, Hermínio propõe um pacto com o leitor ao alertar para a veracidade dos casos ali relatados. Segundo ele, trata-se de “um momento grave e solene que precisa ser vivido e presenciado com dignidade e respeito ao ser que ali está expondo suas feridas mais íntimas”. Com efeito, é assim que deve se comportar o doutrinador comprometido com o bem e a verdade, em nome do Cristo e da Doutrina que abraçou e lhe dá a oportunidade do serviço, na intimidade da Sala Mediúnica.
É, portanto, dever do médium esclarecedor enriquecer seus estudos e conhecimentos com a leitura dessas obras, a fim de melhor colaborar nos esforços do Cristo no resgate das ovelhas transviadas de seu rebanho, além de aproveitar essas experiências para o próprio crescimento espiritual. “É das sombras dessas tragédias e dessas dores superlativas que emergem renovadas esperanças e que se revela, em toda a sua beleza, a maravilhosa perfeição das leis universais do Amor”, ressalta Hermínio na introdução de seu trabalho, salientando que foi por isso que resolveu tornar públicas as conversas mantidas com esses nossos irmãos sofredores desencarnados.

Mediunidade nos animais: existe?


Francisco Muniz



A
 dúvida é pertinente, porquanto até mesmo Allan Kardec questionou os Espíritos Superiores acerca desse problema. A razão dessa dúvida, desses questionamentos, é o fato de que observamos em vários animais a capacidade de “ver” e “ouvir” Espíritos e mesmo de serem condicionados a obedecer a certas ordens humanas, o que faria deles médiuns. Entretanto, não é assim e, para justificar essa negação, o Codificador se vale de proveitosa análise do Espírito Erasto, que em O Livro dos Médiuns faz ponderações importantes e incontestes em prol de nosso esclarecimento a respeito desse tema.
Para começo de conversa, Erasto explica a Kardec que a condição de médium cabe exclusivamente aos homens, uma vez que os Espíritos se comunicam com seus iguais, porque encontram nos homens o material necessário a essa comunicação. Assim é que no cérebro humano estão as informações de que os Espíritos se utilizam para manifestar suas idéias, o que não pode acontecer no tocante aos animais: “Ora bem! Que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Tem ele ali palavras, números, letras, sinais quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo o menos inteligente?” – questiona o instrutor espiritual.
Outra coisa que Erasto, antigo discípulo do apóstolo Paulo de Tarso, esclarece é que a mediunidade foi concedida por Deus ao homem para este avançar no rumo do progresso espiritual. Nesse sentido, compreenderemos que, conforme diz esse Espírito, os animais, estando ao nosso lado para nos secundar nas tarefas materiais, fazendo-nos companhia e nos alimentando, não estão submetidos à mesma lei de progresso que nós. É o que salienta Erasto em suas considerações na segunda obra da Codificação.
Então, o que há nos animais ao ponto de fazer alguns de nós pensarmos ainda sejam eles médiuns? Pois não percebemos neles um comportamento próprio de quem vê ou ouve espíritos? Os cães latindo para determinado ponto; os cavalos e muares empacando em certos trechos da estrada; os gatos eriçando os pelos ante algo invisível aos nossos olhos não indicam a presença de uma faculdade mediúnica neles?
A resposta é sempre não. O que parece mediunidade nos animais – informa-nos Erasto – mais não é do que manifestação dos instintos. E ainda que alguns de nossos irmãos da ordem inferior na escala evolutiva demonstrem facilidade em cumprir as ordenações humanas, não é possível magnetizá-los a fim de que executem as tarefas próprias dos médiuns, assevera Erasto: “Os fatos mediúnicos não podem dar-se sem o concurso consciente, ou inconsciente, dos médiuns; e somente entre os encarnados, Espíritos como nós, podemos encontrar os que nos sirvam de médiuns. Quanto a educar cães, pássaros, ou outros animais, para fazerem tais ou tais exercícios, é trabalho vosso e não nosso”.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vem!

Irmã Rafaela



Quanta beleza há nas flores, quanto perfume a inebriar os sentidos humanos. Deus, o eterno Criador e benfeitor da Humanidade nos vários mundos deste imenso Universo, proporciona esses estados d'alma a partir dos contatos físicos com o belo, representativo da Divina Grandeza, expressada pela Verdade e pela Justiça a favor das criaturas.
Tu te sentes bem? Agradece a Deus. Não estás tão bem quanto gostarias? Agradece ainda e trabalha por melhorares, porquanto os recursos o Pai Magnânimo os dispensa a todos os seus filhos necessitados. Anda, sê mais diligente e busca os meios à tua disposição a fim de estares realmente bem pelo modo como serves a teus irmãos de caminhada.
A alegria que experimentas com as companhias espirituais deve ser a mesma em relação a teus iguais aí mesmo, principalmente junto àqueles que mais esperam de ti e até mesmo te exigem maior dose de devotamento. Podes contá-los onde te encontras, pois os conheces muito bem. Ama-os servindo, jamais reclamando. Lembra-te de que um dia já procedeste assim, como um filho rebelde, e a Misericórdia do Pai amantíssimo te socorreu, reerguendo-te às dimensões do trabalho renovador.
Alegra-te! Vem para nosso lado que o ensolarado nos convida à constante comunhão com o Alto. Vem para junto de nós que é próximo o dia do reencontro e novo Sol brilhará nas almas - e a tua, querido filho, terá mais luz e calor. Vem!