sábado, 30 de junho de 2012

Chico Xavier não foi - e não é - santo!

Pedro Camilo

Desde a desencarnação de Chico Xavier, tenciono escrever algumas linhas sobre ele, sua vida, sua obra. Em verdade, esse desejo é maior do que comporta o espaço de uma crônica e, por certo, se transformará em um trabalho um pouco maior. Entretanto, considerando-se que hoje, 30 de junho de 2012, completam-se 10 (dez) anos do seu retorno à pátria espiritual – se é que ele se encontrava distante de lá –, animei-me para fazer, dentre as muitas que têm ocupado minha mente, uma reflexão, em especial: por que transformamos Francisco Cândido Xavier numa espécie de santo?

Antes de indicar algumas razões, convém identificar fatos e comportamentos que nos revelem essas atitudes, por assim dizer, santificadoras da figura do médium mineiro. Além disso, recomendo ao leitor que, ainda que algumas palavras o incomodem e inquietem, não se furte a acompanhar o texto até o final, para que possa melhor se certificar das minhas intenções ao traçar estas linhas.

Em primeiro lugar, desde a década de 1970 e a aparição de Chico no programa “Pinga-fogo”, Uberaba se transformou em uma espécie de Meca para os espíritas, parada obrigatória, local sagrado de visitação. Não se concebia que alguém, sendo espírita, nunca tivesse visitado a cidade para se avistar com o médium, aquele médium tão conhecido e que foi veículo de tantos espíritos distintos e reconhecidamente operosos. Lá, filas imensas eram formadas por pessoas que desejavam beijar-lhe as mãos ou, simplesmente, chorar diante deles, a fazerem seus mil pedidos e orações, na esperança de obterem graças tão desejadas. Como classificar tais comportamentos?

Nessa esteira, transformamos as palavras de Chico Xavier, ou dos espíritos por seu intermédio, em verdades absolutas, incontestes, não passíveis de discussão. Esquecemos que cada médium e cada espírito trazem suas opiniões, como alerta Kardec, e nos deixamos seduzir por qualquer noticiário que nos chegue, desde que justificados pela assinatura de Chico ou dos espíritos que o acompanharam. Como classificar tal postura?

Falamos de sua vida, repetimos fatos de sua história, de suas dificuldades, como se falássemos de um ser sagrado e que o foi, sobretudo, em virtude da capacidade “extraordinária” de contato com os espíritos. Exaltamos sua mediunidade e os fenômenos produzidos, como se o tivessem sido por ele mesmo, Chico, esquecidos de que os livros e os fenômenos foram provocados pelos espíritos (médium significa intermediário, afirma Allan Kardec), estes sim, seus verdadeiros autores e que devem, com justiça, merecer os louros pelo que fizeram. Como classificar tal distanciamento doutrinário?

Após sua desencarnação, Pedro Leopoldo e Uberaba se transformaram, para muitos, lugares sagrados. Peregrinações para conhecer o lugar onde viveu aquele grande ser, para orar diante do seu túmulo e de sua estátua (???). Aliás, tal estátua virou até lenda, afirmando-se que produz uma água milagrosa que cura males e enfermidade, que já é até engarrafada por pessoas que lá vão e se colocam, vivamente emocionadas, a exortar e a prantear suas agruras diante da imagem do ser venerado. Como classificar tal distorção?

Homenagens se multiplicam mundo afora, em verdadeira demonstração de que temos confundido a pessoa com seu trabalho, desconhecendo o papel secundário que os médiuns desempenham na tarefa mediúnica.

E outros tantos exemplos poderíamos dar, deste processo de santificação de Chico Xavier.

Tudo isso temos feito por nossa lamentável ignorância sobre os seguintes aspectos:

- mediunidade não é privilégio de pessoas especiais, por não se tratar de um dom sobrenatural, e sim faculdade natural, que todos possuímos, embora em graus e intensidade diferentes;

- médiuns não são deuses, e sim pessoas normais, comuns, “filhas de Deus, nessa canoa furada” em que nos encontramos. São pessoas que vivem e respiram como todos os demais e que não estão livres dos dissabores da vida;

- temos uma herança atávica terrível, que ainda nos dita a necessidade de criarmos os nossos cultos externos e “inventarmos” pessoas para idolatrar. Seja pela educação recebida, seja pelas marcas ainda muito vivas das experiências religiosas de outras encarnações, ainda precisamos, no fundo d’alma, criar mitos para venerar, o que em nada se coaduna com a proposta libertadora e renovadora que o Espiritismo traz.

É preciso lembrar que Chico também foi – e continua sendo – gente! Privou de muitas dificuldades íntimas, lidou com os males físicos que, para ele, se fizeram irremediáveis, se viu envolvido em problemas de toda ordem, possuía limitações diversas, o que faz concluir que não estava entre nós por acaso – também ele possuía suas questões a resolver.

Não era uma alma perfeita, evoluída, mas que soube aproveitar algumas oportunidades para trabalhar, em si, virtudes como paciência, resignação, devotamento e humildade, e mais por isso, do que propriamente pelos fenômenos mediúnicos, é que deve ser lembrado e respeitado em sua tarefa.

Estejamos bem atentos no que fazemos, quando levamos adiante esse clima santificador em torno de Chico Xavier. Reconhecê-lo humano, de carne e osso, com suas limitações e conflitos, o torna muito maior do que esse santo que tanto pintamos. É muito mais encorajador reconhecer a verdade e nos sentirmos verdadeiramente confiantes para arrostar as tempestades de nossas vidas, por termos, como exemplo, um igual, do que fantasiar e imaginar poderes sobre-humanos inexistentes, distanciando-o da nossa realidade e imaginando inalcançável a sua superação.

Com isso, não estamos desconsiderando o grande valor pessoal e doutrinário de Chico Xavier. Sua contribuição mediúnica foi fundamental para redefinir os rumos do Movimento Espírita e da própria Doutrina, bem como seus exemplos são sobremodo reveladores do avanço moral que conseguiu consolidar na presente encarnação.

Contudo, seja como médium, seja como pessoa, Chico não necessita de homenagens e de idolatria! Encarnado, sempre fugiu desses confetes e dessas deturpações. Por que o forçarmos a recebê-las agora, quando, na condição de espírito, necessita de tranquilidade para cuidar de seus interesses?

Farei minhas as palavras seguras e firmes de outra médium notável, Yvonne do Amaral Pereira, que tinha e sabia o que dizer:

"O médium não tem que receber privilégios, nem elogios, nem homenagens especiais. Esse erro tem entravado, prejudicado e até destruído o progresso de muitos médiuns. O médium é um ser no Bem como outro qualquer, e, como intermediário entre o Invisível e a Terra, está cumprindo o seu dever como os demais adeptos cumprem o deles. Precisa, sim, é de caridade... e orações que lhe deem forças para o mandato que deverá desempenhar. Lembremos de que o próprio Mestre disse aos seus apóstolos: 'Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis porque fizemos apenas o que devíamos fazer' (Lucas, 17:3 a 10)". (Do livro Pelos caminhos da mediunidade serena)

Dissemos e repetimos: nem Chico é um santo, nem nós necessitamos desse culto externo para reconhecer o seu valor. Se quisermos verdadeiramente homenageia-lo e reconhecer sua importância, adotemos dois comportamentos: estudemos longamente os livros que produziu, buscando divulgá-los e esclarecê-los para toda gente (aquela caridade para com a Doutrina de que nos falou Emmanuel), e sigamos seus exemplos de renúncia, humildade e devotamento ao Bem.

Aí, sim, estaremos cumprindo – e bem cumprindo – o nosso papel!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Férias espíritas?

Geraldo Campetti Sobrinho

O espírita tem direito a férias? Os Espíritos saem de férias? A Casa Espírita pode tirar férias?

O vocábulo férias é um substantivo feminino plural que significa “período de descanso a que têm direito empregados, servidores públicos, estudantes etc., depois de passado um ano ou um semestre de trabalho ou de atividades.”(1) O conceito vale para labor remunerado ou prestação de serviços.
A Lei Divina do Trabalho insere em suas diretrizes a necessidade do repouso.(2) Como ser humano e profissional, o espírita tem direito de usufruir as férias decorrentes da sua prestação de serviços. É comum que parte ou totalidade desse período de férias também seja utilizada para uma pausa em suas atividades na Casa Espírita. Alguns aproveitam parcela desse tempo para dedicação aos afazeres espiritistas, ofertando outra porção de tempo aos interesses particulares, familiares e sociais. Nada que fuja à normalidade, considerando-se a necessidade de cuidar da vida material. Porém, cabe lembrar: na vida cotidiana, somos espíritas todos os dias.
No que tange aos Espíritos saírem de férias, aprendemos que a Lei do Repouso é rigorosamente observada por eles. Quando consciente de seu papel na construção de um mundo melhor, o Espírito aproveita utilmente o “tempo livre”. A palavra férias se aplica mais a nós que aos Espíritos libertos do corpo físico, sobretudo àqueles evoluídos.
A terceira questão é complexa e exige seguro posicionamento. A Casa Espírita jamais deve fechar as suas portas, pois a necessidade não tira férias e a dor não tem hora marcada. Por esta razão, há que se organizar equipes de trabalho para se garantir o ininterrupto funcionamento das atividades destinadas ao atendimento do público, encarnado e desencarnado. Feriados como Natal, Ano Novo, Carnaval, entre outros, são oportunidades de servir. É recomendável manterem-se ativos, principalmente, os serviços de palestras públicas, passes, atendimento fraterno e reuniões mediúnicas.
A Casa Espírita é uma fonte de luz constante para assistência, consolo e esclarecimento aos necessitados do corpo e do espírito.

(1) Assim define o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. 
(2) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto. 1. ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2007. q. 674-685a.

***

(Texto copiado da página de artigos da Federação Espírita Brasileira.)

Esboço V

Francisco Muniz

"Ouvistes o que foi dito aos antigos; eu, porém, vos digo..."
Com estas palavras Jesus iniciava o novo ensinamento ao povo, de forma a fazer as pessoas superarem a fase primária do aprendizado espiritual e se afeiçoarem à proposta revolucionária da reconstrução de si mesmas, para se transformarem verdadeiramente em seres espirituais, "filhos do homem" como ele próprio. Jesus, pois, pregava uma revolução, mas unicamente na dimensão do espírito, para que este, renovado, pudesse se manifestar na experiência humana sua condição intrínseca, compatível com a vivência dos postulados divinos e instalando, na prática, o Reino de Deus na Terra, espiritualizando assim a própria condição material. Essa renovação de cada um implica mudança radical de hábitos, disposições e conceitos acerca de si mesmo, do outro e da vida, pela crescente conscientização do papel que se representa no contexto local, social, planetário e cósmico, tanto como espírito encarnado quanto em sua realidade própria...

Dúvida

Os iluminados irradiam a própria luminosidade ou recebem luz? Se recebem, qual é a fonte?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

As visões de Carequinha



Carequinha, o mais famoso palhaço do Brasil, teve visões dias antes de morrer, e fotos feitas por sua neta, com o celular, revelaram a presença de um espectro luminoso junto ao artista, nos seus últimos dias de vida. A informação está estampada na edição de 21 de abril de 2006 do tablóide carioca “Meia Hora”, que dedicou página inteira ao assunto. A reportagem, da jornalista Tiana Ellwanger, ouviu a filha de Carequinha, Marlene Gomes, de 60 anos, a quem o palhaço contou o ocorrido.
“Três dias antes de morrer (a 5 de abril de 2006), ele disse que tinha visto fantasmas no seu quarto. A primeira aparição foi uma moça muito bonita, que estendeu a mão a ele. Papai não teve medo e tentou pegar a mão dela, mas não conseguiu” – lembra Marlene, acrescentando: “Depois, ele viu um rapaz bem jovem acenando, como se estivesse dando adeus. Quando o moço sumiu, ele ficou rodeado de crianças, que corriam em volta da sua cama”.
Carequinha viu a mulher ainda mais uma vez, na sala de sua casa, em São Gonçalo (RJ), enquanto contava para a filha sobre o que vira. Segundo Marlene, seu pai nunca tinha tido visões e não gostava de falar em espíritos, por ter medo. “Não imaginávamos que papai fosse morrer em breve. Depois, vimos que as aparições foram a preparação para sua passagem. Hoje, ele está no plano espiritual, intercedendo junto a Jesus para nos ajudar” – conclui.
Outro fato que intrigou a família do artista foram as fotos feitas por sua neta Stephanie Savalla, de 16 anos. Numa delas, tirada dois dias antes de Carequinha morrer, aparece um vulto branco com a mão no ombro do artista. “Ele adorou, queria ampliar a foto em papel e dizia que o ‘fantasma’ que apareceu ao seu lado era sua proteção” – conta a neta. Em outra ocasião, Stephanie estava com a tia no quarto do avô, brincando de filmar, quando viu um vulto e apontou o celular para ele. Apesar da escuridão, pois era quase meia-noite, e do celular não possuir flash, uma forte luz apareceu ao lado de Carequinha, na foto. “Temos certeza de que era a mãe dele, que nasceu no Peru e tinha a pele morena” – acrescenta outra filha de Carequinha, Silvia Gomes, de 45 anos.

(Fonte: nucleoaurea.vilabol.uol.com.br)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O legado de Luiz Olímpio Teles de Menezes

Francisco Muniz

No mês de julho, a imprensa espírita comemora aniversário. Em 2007, a marca histórica de 138 anos! Entretanto, não se tem, ainda, no seio do movimento espírita, a preocupação de registrar tal efeméride com a imponência que talvez ela mereça, recordando a figura do ilustre baiano Luiz Olímpio Teles de Menezes. Há algum tempo, indagaram-nos acerca da inexistência de dados biográficos desse grande homem que, grande que era, deixou este mundo materialmente pobre e esquecido, sem o reconhecimento que os homens prestam à vaidade e ao orgulho.
Grandes homens o são para e pelo mundo. Luiz Olímpio, certamente, incluía-se neste última qualificação, pelo pouco de sua história que conhecemos, figurando na plêiade de abnegados trabalhadores do Cristo e do Espiritismo, tais quais Bezerra de Menezes, Francisco Cândido Xavier e tantos outros.
Fundador do primeiro veículo informativo da Doutrina Espírita em terras brasileiras, nos últimos anos do século XIX, Luiz Olímpio fez de “O Echo D´Além-Túmulo” um instrumento de libertação de consciências e também de corpos. Como assim? Explica-se: a cada assinatura do jornal vendida, dez por cento do valor correspondente eram destinados à compra e imediata alforria de negros escravos, na Bahia de 1869 em diante...
Com isso, acreditamos, dezenas de irmãos escravizados lograram integrar-se à vida de liberdade que deve ser o objetivo de todos os homens, malgrado os tempos difíceis de exclusão a que os negros eram forçados a se submeter, naquele distante Brasil cujas marcas ainda estão presentes na sociedade contemporânea, através do preconceito e do racismo.
Recordando Luiz Olímpio, assim, retomamos a lembrança imperativa dos ensinamentos de Jesus, que propõem a vivência da fraternidade entre as pessoas e os povos, as nações, para que as condições de convivência sejam sempre as mais harmoniosas. Para tanto, é preciso que exemplos grandiosos, que são sempre uma lição moralizante, sejam imitados e profundamente vivenciados. E exemplos nesse sentido não faltam.
Os homens que se fizeram grandes pelo e não para o mundo – isto é, não objetivaram a adulação nem a carícia sempre fugidia das homenagens vãs embaladas em palavras pomposas e transitórios monumentos de pedra – são as fontes nas quais o espírito sedento vai beber estímulos para seguir na estrada reta da perfeição moral, porquanto tão grandes almas sempre beberam, por sua vez, na fonte de água viva que é o Cristo Jesus.

domingo, 24 de junho de 2012

A má inclinação - história para reflexão

(Resumo de uma história verídica vivenciada pelo médium espírita Divaldo P. Franco.)

O médium espírita Divaldo P. Franco conta a história de um garoto que foi abandonado aos seis meses de idade na Instituição Mansão do Caminho, que ele dirige (www.mansaodocaminho.com.br).
Este garoto, aos quatro anos de idade, fazia faquinhas e ameaçava as voluntárias que ajudavam Divaldo a tomar conta das crianças. Ele dizia que queria enfiar a faca em alguém para sentir o sangue quente escorrer em suas mãos. Divaldo perguntava como ele sabia que o sangue era quente, e ele respondia que não sabia como, mas ele tinha certeza que era quente.
Quando este garoto completou 12 anos, as voluntárias que auxiliavam Divaldo tinham medo dele. Divaldo então, fez uma terapia de choque. Chamou o garoto e disse que ele teria que ir embora da instituição. O garoto se assustou, pediu desculpas e prometeu não ameaçar mais. Estudou e foi evangelizado pela instituição espírita Mansão do Caminho.
Aos 18 anos, o menino pediu a emancipação. Divaldo disse:
- Dou sua emancipação com uma condição: quando você desejar matar alguém, você vem aqui e me mata.
- Mas, tio? . . . - disse o garoto, assustado.
- Sim, porque eu falhei. A sociedade me entregou você com seis meses, a sociedade nos dá tudo, você não tem nada contra a sociedade, espero, porque a sociedade é a humanidade. Se você matar alguém, é porque eu falhei. Antes, me mate, por causa do meu fracasso em relação a você.
O garoto concordou e foi embora. Após 10 anos, eles se reencontraram. Divaldo então, aproveitou e perguntou se ele sentiu vontade de matar. O garoto disse que sim, mas que toda vez que sentiu essa vontade, ele via o rosto de Divaldo na sua frente dizendo: "Venha e me mate primeiro"; então, ele se desarmava. Ele agradeceu dizendo que, se não fosse Divaldo e o Espiritismo, ele estaria num cárcere. Divaldo, então, esclareceu:
- Agradeça a sua consciência, que assimilou toda a educação moral evangélica que recebeu na Mansão do Caminho. Você fez bom uso do livre arbítrio. Hoje, você pode entender, por isso vou lhe contar que os bons espíritos me disseram que você foi um criminoso na encarnação anterior, meu filho. Você trazia no inconsciente a lembrança do sangue jorrando em sua mão quando esfaqueava alguém. Estava tão dentro de você, que explodia na sua memória atual, eram flashes do passado.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um pouco de nós mesmos

Francisco Muniz

Com o título acima publiquei em agosto de 1976, num jornalzinho mimeografado chamado "O Jovem", descrito como "jornal filosófico e informativo". Era um dos inúmeros veículos de divulgação da Doutrina Espírita existente na Bahia na ocasião e este especialmente circulava em Feira de Santana, supostamente editado por Ariston Santana Teles, hoje um  dirigente espírita militante na região de Brasília. Não por acaso, é dele o artigo de abertura do jornalzinho em tela, um periódico mensal de apenas duas páginas! Meu texto, assinado apenas com meu sobrenome, ocupava metade do verso, dividindo espaço com uma interessante psicografia de Divaldo Franco ditada pelo Espírito Padre Ovídio, personagem importante da história de Feira de Santana. Mas vamos aos pensamentos que me estimulavam na época, quando já vivia em Salvador e ainda estava afeiçoado às atividades da juventude espírita, matriculado, na ocasião, na Mocidade Espírita Mensagem de Esperança (MEME), conduzida por Luís Alberto e Raimunda no Instituto Espírita da Bahia. Eis o texto:

"Pois que a vocês eu pareço um livro fechado: só se vê a capa!
Não podemos ser assim!
Não posso ser assim! É preciso abrir-me e ao mesmo tempo abrir-nos.
Temos que abrir o livro de nossas vidas, abrir nossas almas, nossos braços, nossos corações  e acolhermos a quem precisa de nossa acolhida.
Abramos nossos livros e meditemos sobre a mensagem que for escolhida e levemo-la ao conhecimento de todos. Não apenas nós precisamos ouvir palavras de consolo, conforto ou alegria; também aqueles que não possuem oportunidades como nós as temos. Clamemos a todos as alegrias do Reino, a necessidade do sentimento puro e a realidade da reencarnação e estaremos desta maneira levando amparo às desditosas almas, alegrias aos infelizes e conforto aos desventurados.
Lembremo-nos do Apóstolo João, que pregava lindas mensagens aos seus companheiros e estes, por sua vez, as transmitiam ao povo. Certa vez, três deles vieram a João e o indagaram, se não havia uma nova mensagem para levar ao conhecimento do povo? João calou, meditou e por fim disse: "Dizei isto ao povo: Filhos, amai-vos uns aos outros!".
Os discípulos espantaram-se: "Como, se já antes dissemos isto a eles? Não tendes uma mensagem mais nova que esta?" E João, sereno, lhes responde: "Ainda que bela seja uma mensagem, ela envelhecerá, mesmo que nova. Mas dizei-a sempre e ela se alojará no coração de todos. Portanto, ide e dizei ao povo: Meus filhos, amai-vos uns aos outros!"

***

O curioso é que, tendo esquecido esse texto - lá se vão mais de 30 anos! -, mesmo assim tenho repetido essa mensagem do apóstolo João, o Evangelista, nas palestras a que sou chamado a ministrar, na atualidade...

domingo, 17 de junho de 2012

A cura pela fé

Francisco Muniz

O Espiritismo vem ao Homem, como revelação de Deus, com duas propostas distintas e complementares. A primeira surge como auxílio às criaturas que padecem as dores do corpo e da alma, proporcionando alívio e cursa de muitas enfermidades, que nascem na alma doente e se manifestam na estrutura orgânica, ou somática. Assim é que, compadecido da dor de seus filhos, Deus  envia seus mensageiros, os "Espíritos do Senhor" de que nos fala o prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo, a fim de socorrerem os infortunados, através da ação benfazeja, voluntária e gratuita  dos médiuns que, alistados nas hostes do Espírito de Verdade, que é o próprio Cristo, realizam a doação espontânea de fluidos salutares aos enfermos de toda sorte, confiando em que, pela ação misericordiosa da Providência, todos experimentem o bem estar desejado, o que algumas vezes se configura como cura.
Para tanto, isto é, para que a cura se faça efetiva, é preciso que se atente para a segunda proposta que a Doutrina Espírita estabelece na Terra junto a seus profitentes: o esclarecimento das criaturas acerca das causas de seus males, sejam espirituais ou físicos. Cabe ao Espiritismo, como continuador da obra do Cristo no mundo, disseminar as informações sobre a real condição ou natureza do ser humano, de forma a torná-lo consciente da realidade espiritual - que é a sua - e assim capacitar-se para o convívio o mais constantemente possível com a dimensão divina, que vibra no íntimo de cada um de nós. Tudo isto quer dizer que o grande dever do Homem é reconhecer sua essência espiritual e, instruindo-se nessa verdade, exercer todos os esforços que resultarão na cura efetiva de seus males. Não é por outra razão que as casas espíritas falam em reforma íntima, correspondendo a Kardec e a Jesus, o que só é possível pelo conhecimento que cada um tenha de si mesmo, identificando as mazelas que o prendem à inferioridade e despertando o potencial renovador que o elevará às esferas das realizações superiores.
É certo que a fé, ou seja, a confiança e a certeza de que Deus age sempre em benefício de seus filhos bem amados, tem papel preponderante nos processos de cura. O próprio Jesus, que realizou, conforme observamos no Evangelho, vários fenômenos de cura, referiu-se à fé como o mecanismo indispensável para se alcançar esse melhoramento relativo à saúde. No entanto, Ele deixou claro que nenhuma daquelas curas foi feita por ato único de Sua vontade, mas todas corresponderam á manifestação do potencial de fé das criaturas beneficiadas. "A tua fé te curou", dizia ele, alertando, contudo, para o fato de que cabe a nós mesmos curarmos nossas enfermidades, ao explicar que, ajudando-nos, o Céu nos ajudará, sendo imperioso, portanto, buscar o Reino de Deus para que tudo o mais nos seja dado por acréscimo de misericórdia.
Tudo isto, entretanto, exige um aprendizado e até lá é justo e válido que se recorra a terceiros com o propósito de se alcançar os benefícios que proporcionem a desejada cura. Não se deve esquecer, porém, que é a própria vontade que deve ser mobilizada em todos os sentidos no tocante à obtenção do estado mais saudável, sendo necessário, nesse âmbito, adotar uma postura diferenciada perante a vida e perante a própria consciência. Isto significa a realização da propalada reforma interior, que deve acontecer pela seriedade dos fatos e pela responsabilidade por parte de quem deseja efetivamente libertar-se dos males afligentes, sob pena de se prolongarem essas mazelas. "Vai e não peques mais, para que te não suceda coisa pior", avisou o Mestre.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Uma alma vestida de ar"


Francisco Muniz

No grupo Amigos Espíritas do Facebook registrei, secamente, uma frase do astrônomo francês Camille Flammarion, espírita de boa cepa, ao ver uma jovem tomando banho ao ar livre, por ocasião de um passeio no campo: "É uma alma vestida de ar!", disse o autor de “Urânia”, livro de onde a frase foi destacada. Como poucas postagens na rede social passam despercebidas, os amigos Alvaro Figueiredo e Cleo Pinheiro fizeram comentários. Entusiasta da língua inglesa, que costuma misturar com expressões em português em suas postagens, Alvinho referiu-se ao dito de Flammarion nestes termos: “So parnasiano...!!!” (a palavra “so”, em inglês pode ser traduzida como “tão”, neste caso). Cleo seguiu pelo mesmo caminho apontado por Alvinho e comentou: “Que romântico”. Estimulado por esses comentários, aproveitei para fazer um adendo à guisa de explicação: “Parece romântico - e até parnasiano - mas é simplesmente científico (será que essa palavra perde em poesia?). Quando Flammarion disse isso, ele fazia digressões filosóficas acerca da vida em outros mundo, sobre como seriam os espíritos que habitam outras esferas e, consequentemente, qual é nossa real natureza. Ele concluiu então que, tirando tudo que seja matéria em nós, sobraria então o espírito inefável em sua roupagem etérea - daí essa moça ser "uma alma vestida de ar"... Como vemos, o encanto não se perdeu, né? Ciência também pode ser poesia - vide Augusto dos Anjos”.

Quem foi Camille Flammarion? Astrônomo chefe do Observatório de Paris no final do século XIX, Flammarion foi contemporâneo de Allan Kardec e coube a ele fazer o discurso de despedida quando o os restos mortais do Codificador foram sepultados em definitivo no Cemitério Pére Lachaise, em Paris, em 1869. Nessa ocasião, Flammarion declarou que Kardec tinha sido, em vida, “o bom senso encarnado”. Homem de ciência, não foi difícil para ele compreender e aceitar os princípios espíritas, posto que também médium, tendo na Doutrina dos Espíritos encontrado muitos recursos para responder suas inquietações científicas, chegando a declarar que a Astronomia seria a religião do futuro, uma vez compreendendo que o Homem encontrará no Espaço a resposta para as eternas indagações da Filosofia: quem sou?, de onde venho?, para onde vou? Como espírita, deixou patenteadas em vários livros suas reflexões acerca da vida espírita tanto na Terra quanto fora do planeta, a exemplo de obras como “Narrações do infinito”, “Urânia” e “Deus na natureza”, dentre outros, os quais todo estudioso do Espiritismo deve conhecer.

domingo, 10 de junho de 2012

Desprendimento

Francisco Muniz

É enganoso pensarmos que estamos na Terra, espíritos reencarnados que somos, preparando nossa bagagem para a viagem de retorno à Pátria Espiritual. Em verdade, nosso dever é esvaziar a mala cheia das imperfeições e equívocos cometidos nas experiências transatas. O Cristo mesmo avisou-nos de que não deveremos levar nada quando demandarmos o Reino dos Céus, pois o que estiver conosco impedirá nossa passagem pela porta estreita. E vem o apóstolo Paulo confirmar essas palavras ao dizer que vimos ao mundo sem nada e sem nada o deixaremos, o que Emmanuel ratifica informando-nos de que nosso trajeto é solitário: não devemos contar com nada nem ninguém, embora devamos auxiliar a todos e a tudo, em nome do amor ao próprio bem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Alegria

Francisco Muniz

Alegria. É o sentimento que nutre o coração que ama. Alegra-te, e segue amando para que essa emoção seja uma constante em tua vida. Busca respirar os ares amenos da tranquilidade a que os filhos da alegria fazem jus, prosseguindo na senda do Bem.
Trabalha com equilíbrio nesse propósito e verás tuas alegrias multiplicadas. Arma-te da coragem indispensável ante os desafios da vida e segue em frente, confiante em que o Bem sempre prepondera. Confia, o Pai te amor e misericórdia não te esquece e te cerca de proteção e conforto. Nossa Doutrina te esclarece e te dá os estímulos para a marcha.
Vai em frente, na direção de teu objetivo, que é o encontro contigo mesmo e com o Cristo, o amigo que responde pelas alegrias do mundo. Contas com Ele desde sempre e ele também espera de ti. Vive em paz, pois.

Bem estar

Francisco Muniz

Que é preciso entender para que estejamos todos sempre bem? A vida exige esse esforço de nossa parte e espera que a enxerguemos com olhos mais compassivos, como o coração deve estar pleno de compaixão por nós mesmos e pelos demais.
Não nos torturemos tanto, pois, maltratando o veículo físico com pensamentos, emoções e atitudes desconexas ante o ideal do bem. O cristo nos ensinou a amar aos outros como amamos a nós mesmos, revelando aí o princípio do bem viver, que se manifesta pelos cuidados que devemos ter para conosco mesmos, com os outros, com a vida.
Tenhamos fé, o Cristo está conosco.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entusiasmo e trabalho

Irmã Rafaela

Em Deus encontras o entusiasmo, que é a alegria de viver servindo, posto que em Deus tudo é convite ao trabalho. Deste modo, convidados são todos ao movimento, que é a atividade benéfica em prol de si mesmo e dos outros, os mais esclarecidos auxiliando os ainda ignorantes, a luz desfazendo as trevas.
O Sol trabalha oferecendo tranquila luminosidade para que as emanações da noite se traduzam em aprendizado pra os homens conscientes de sua realidade. Espíritos que todos o somos, importa reconhecermos com urgência a condição essencial que nos vibra no íntimo e iniciarmos sem tardança a caminhada para o Alto, na direção de Deus, na direção de nós mesmos - e aí encontraremos a Perfeição.
Relembra o ensinamento do Cristo: sermos perfeitos como perfeito é o Pai Celestial. Não há outro caminho.
O homem, embora tenha em si duas naturezas, a divina e a humana, isto é, material, é chamado ao conhecimento de si mesmo para transcender a dimensão enganadora de sua realidade imediata, para alcançar os patamares grandiosos da Divindade, pela experiência espiritual. Este é o caminho a seguir, numa caminhada só possível pela renúncia do que se pensa que se é, mudando constantemente de estado ou condição, até se fixar no estágio em que o aprendizado se fará mais eficaz.
A autodescoberta possibilita ao homem reconhecer os obstáculos de sua trajetória e eleger os recursos imprescindíveis para as conquistas definitivas que realizará em decorrência desse auto-encontro. Eis então porque é recomendado estudar e vivenciar o Evangelho, uma vez que as imortais lições de Jesus são o pão que alimenta a alma, saciando a fome que inquieta, e luz para os viajores nas sendas escuras da experiência humana na superfície do planeta.
Cada reencarnação é, para esses espíritos atormentados, oportunidade de esclarecimento que não deve ser desperdiçada. É dever de cada um procurar vencer as intempéries da vida escolhida em razão das próprias provas, a fim de mais depressa atingir o nível que o permita estar mais próximo de Deus.
Nós te ajudaremos, estamos sempre contigo. Não desfaleças e pede sempre a renovação de tuas forças para que nossa presença junto a ti seja cada vez mais efetiva e assim oferecermos a cooperação de que o Cristo necessita para o florescimento de sua obra na Terra.
Fica em paz.