sábado, 18 de agosto de 2012

Despertamento

Francisco Muniz

O homem é um ser individual; apesar de viver experiências na coletividade, todo seu aprendizado resultará em crescimento pessoal, se se aplicar com afinco na prática das lições enobrecedoras, ou em prejuízo próprio caso não aproveite as oportunidades que lhe são concedidas para fazer o bem.
Cada um sendo espírito imortal, tal a essência divina que nos vibra no íntimo, identificada como alma, importa-nos perceber que nossa passagem pela Terra, através do processo da reencarnação, implica responsabilidade quanto aos atos praticados, como também em relação à indiferença ou à incúria no trato das coisas espirituais.
Ou seja: como espíritos na experiência humana, transitória, somos convidados pela própria consciência a espiritualizar a vivência material o máximo possível. Pra tanto, a sabedoria divina nos dá inestimáveis quão infinitos recursos, de modo que o aprendizado seja realmente eficaz e producente.
Assim, não se justifica que o homem, considerando a necessidade de prestar contas de sua vida na matéria, argumente não saber da realidade do espírito. Não se fere lei alguma impunemente, muito menos a legislação divida, inscrita a fogo na consciência de cada criatura.
Desse modo, impõe-se a urgência do despertamento, para que o homem, do alto de seu amadurecimento psíquico, desenvolva qualidades morais capazes de catapultá-lo para as grandes realizações espirituais, a qualquer tempo...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Necessidades

Francisco Muniz

Muitas pessoas, senão todas, necessitam do afago de uma mão amiga. Sendo todas elas criaturas de Deus, o Pai Supremo as acolhe em seu coração misericordioso, transbordando-as de bênçãos. Poucos são, contudo, aquelas que atentam para esse fato, tão preocupados se encontram com seus interesses pessoais, a maioria deles voltada para a realidade material. Pouquíssimos são, portanto, os seres conscientes, neste mundo, de sua condição de espíritos imortais, de verdadeiros filhos de Deus.
Mas para a grande totalidade dos indiferentes, exatamente aqueles que manifestam maior grau de sofrimento, o Senhor envia seus emissários, para os consolar e instruir na santa doutrina, a verdade que separa o joio do trigo, para que o Homem reconheça sua herança paterna e caminhe com firmeza na direção da sublime luminosidade que haverá de afastar as trevas da ignorância e conduzir as criaturas ao regaço de Deus-Pai, de onde todos procedemos...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

À beira do abismo...

Francisco Muniz

Há, na vida, pessoas às quais nos afeiçoamos e, em vista de suas necessidades pessoais, queremos ajudar, tomando suas mãos e conduzindo-as no caminho que parece-nos o da salvação. E lastimamos que essas tentativas por vezes resultem improfícuas, por não recordarmos, talvez, que não nos cabe salvar ninguém, que essa é uma tarefa eminentemente individual e que forçar alguém a agir como gostaríamos é ferir o livre-arbítrio alheio.
Embora nos cause dor ver tais pessoas caminharem na direção do precipício, incapazes de enxergar ou mesmo vendo o perigo adiante, é necessário deixá-las prosseguir, pois é direito de cada um traçar os próprios rumos, a despeito de todo conselho e todos os avisos. Não terá sido assim conosco no passado? Não desprezamos muitas vezes a orientação dos próprios pais, por considerá-la incompatível com nossos interesses do momento? Pois com essas pessoas queridas acontece o mesmo, ressalvadas as proporções, uma vez que nossa preocupação é semelhante à que os pais manifestam para com os filhos.
O que elas fazem, portanto, é a própria experiência motivada pelas escolhas pessoais que, mesmo trazendo aparentes prejuízos, enriquecerá as respectivas trajetórias evolutivas. Desse modo, contabilizarão os erros e acertos para que no tempo propício possam despertar a consciência que clarificará os novos rumos, identificando os objetivos mais consentâneos com a necessidade de aperfeiçoamento.
É preciso, pois, agirmos pacientemente, confiando sobretudo em que a Misericórdia Divina, atenta a tudo e a todos, não esquece de ninguém e que um dia essas pessoas decidirão caminhar ao nosso lado. Tal não-ação, para nós, resultará em aquisição de sabedoria, condutora infalível da consciência que nos indicará o momento de interferir ou o de somente acompanhar, posto que a indiferença castradora dos bons empreendimentos relacionais já não existirá em nós...

domingo, 5 de agosto de 2012

Mãos unidas

Irmã Rafaela

De mãos unidas devemos todos caminhar na direção do progresso comum. De mãos dadas se obtém o entendimento do perdão, necessidade de todos os dias entre os seres encarcerados na carne. É uma prisão para muitos que reclamam, mas oportunidade de reajustamento para todos, pois assim impõe a Justiça Divina.
Os espíritos que no passado delinquiram hoje vêm à Terra ressarcir seus débitos para com a Magna Lei, através da convivência com os que atraiçoaram em ocasiões transatas, sofrendo agora o guante das relações doentias.
Reclamar, quem há-de?, uma vez que a responsabilidade recai sobre todos? Ainda assim, há quem se queixe, perdido nas malhas da própria ignorância que o faz rebelde à boa assistência do Alto. Pobres almas que ainda não iniciaram o aprendizado com a consciência desperta! Terão de experimentar o sofrimento rude que é como o cozimento no fogo das situações conflitivas.
Não estão, contudo, ao desamparo e a bondade do Pai Supremo se faz incessante sobre todos, mais ainda quando esses corações atormentados de bom grado se voltam para o Céu, implorando o socorro.
Mas é necessário cooperar com a Providência, fazendo esforços de compreensão e aceitação resignada da circunstância dolorosa até que seja possível a superação. Isto é o perdão que faz, beneficiando algozes e vítimas momentâneas do infortúnio, até que todos passam a marchar juntos. De mãos unidas.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Amiga Dor

Francisco Muniz

A dor é bênção que Deus envia a seus eleitos, dizem-nos os benfeitores espirituais, com o propósito não só de avivar-nos a esperança em dias melhores, mas principalmente, cremos, para estimular-nos ao bem viver. A vida, conforme a informação do Alto, é feita de mil nadas que terminam por ferir, por serem como picadas de alfinetes. As menores contrariedades constituem o cortejo das amarguras que o ser experimenta ao longo da existência, mas, por serem quase imperceptíveis, conseguem disfarçar seu potencial de dor, que costuma desabar com todo seu peso quando uma tragédia se nos abate.
Eis, então, que a criatura, chamada ao testemunho, deve manifestar sua resignação, aceitando a prova sem murmurar, obediente às sábias determinações da Lei Divina. Entretanto, poucos de nós, espíritos encarnados, atentamos para a importância do momento de aprendizado e em geral reclamamos, revoltados ante o chamado à compreensão e à vivência das provas que nos habilitarão às alegrias espirituais resultantes do progresso alcançado.
O espírita consciente, contudo, sabe comportar-se perante os reveses da "sorte" e agradece a visita da amiga dor, revelando com o exemplo desprendido a excelência do conhecimento doutrinário e consequente vivência evangélica, capazes de fazê-lo caminhar sobre as ondas dos acontecimentos infelizes sem se infelicitar. Põe-se, assim, na condição dos "eleitos do Senhor", atuando como fiel discípulo do Cristo, por entender que é um ser em trânsito pela Terra.
"Quanto mais o homem se prende aos bens deste mundo, menos compreende sua destinação", informam-nos os Amigos espirituais através de Allan Kardec. É nosso dever, portanto, esforçarmo-nos para atingir tal merecimento, estudando com afinco o repositório das lições transcendentais que nos capacitarão a viver na Terra a dimensão do espírito imortal. Afinal, estamos no mundo para aprendermos a sair dele, o que só conseguiremos mediante a observação das sábias orientações que nos chegam por inspiração e revelação do Alto.
E a propósito do benefício da dor, vale registrarmos esta lição que o médium Francisco Cândido Xavier - o Cisco de Deus! - relatou a ao publicitário Laerte Agnelli, que escreveu o belo livro "Traços de Chico Xavier" (Ed. GEEM, 2004). É a história de um homem que procurou ajuda espiritual por atravessar um curioso episódio enfermiço que a medicina convencional não conseguia diagnosticar nem tratar. Logo que completou seus 30 anos, seu corpo começou a apresentar manchas avermelhadas que lembravam e ardiam como queimaduras, mas isto só se dava durante uma semana, a cada mês. Esse problema incomodava muito, mas não impedia que esse homem desenvolvesse suas atividades, especialmente as de ordem social, posto que estimando as práticas abnegadas da caridade, como prega o Evangelho de Jesus, ele amparava a infância sofrida cuidando de um certo número de crianças em Uberaba, onde vivia.
Procurando, afinal, o médium Chico Xavier, esse rapaz soube, por revelação mediúnica, que sua enfermidade resultava de um carma contraído numa existência anterior, ocasião em que, ambicionando a fortuna do próprio pai, não teve paciência para esperar a herança e matou o genitor, ateando fogo em sua cama enquanto este dormia. De posse dessa informação, Chico então lhe disse que, devido a sua dedicação às crianças desamparadas, seu carma fora reduzido e, assim, mensalmente ele só tinha "uma semaninha de dor"...



A grande viagem


Francisco Muniz

Que a vida é efêmera ninguém discute. Que ela é um estágio de aprendizado para os espíritos é fato. Que a morte marca a libertação do espírito de sua prisão na carne nós também sabemos. Por vezes ficamos felizes, se somos espíritas conscientes, quando alguém, que supomos ter cumprido suas provas na matéria, volta para casa - a pátria espiritual.
Mas quando esse movimento de retorno se intensifica e observamos muitos amigos e parentes fazendo a "grande viagem", pensamos logo em nossa vez, que pode estar próxima, e nos perguntamos não quando será, mas se estamos prontos para ela. Será que estamos fazendo o necessário para sairmos daqui com algum crédito? Será que conseguiremos, de fato, reencontrar aqueles que nos são caros e nos antecederam na partida?
Então compreendemos que é preciso redobrar os esforços no desenvolvimento das virtudes, procedendo à propalada reforma interior, fazendo a faxina da casa mental: é necessário espanar as teias de aranha que são os velhos hábitos; varrer (não para debaixo do tapete) os conceitos equivocados; assear os pensamentos negativos; polir as ideias; lavar a alma com o sabão do perdão e pô-la para secar ao sol da caridade no varal da compreensão.
Só assim estaremos aptos a abandonar o barco físico como o passageiro ao final da viagem, descendo no porto de destino. Que não seja esse abandono provocado por um naufrágio, porque então será preciso encontrar uma outra embarcação e não é possível, nesses casos, precisar quando chegará o próximo navio...