sexta-feira, 20 de junho de 2014

Perdoar dá trabalho

Francisco Muniz

Muitos de nós reclamamos da dificuldade em perdoar as ofensas, afirmando que a pessoa que nos ofende não se emenda e está constantemente nos submetendo a situações vexatórias, constrangedoras, humilhantes... Ainda assim, somos compelidos a perdoá-las constantemente, embora estejamos magoados, ressentidos, chateados mesmo.
Perdoar, portanto, dá muito trabalho e muitos de nós logo nos cansamos do exercício e e retribuímos a ofensa, para vermos se o outro se coloca no devido lugar. Com esse comportamento, porém, esquecemos que a lição do Cristo é perdoarmos o tempo todo, a todo mundo, por tudo quanto nos façam, incessante, incansável e incondicionalmente.
Perdoar é trabalhoso, sim, mas ninguém disse que seria fácil e, a bem da verdade, esse é apenas um dos dois trabalhos que vimos fazer no mundo - e notem que o semideus Hércules da mitologia grega precisou realizar doze! Só temos duas tarefas: perdoar os outros e a nós mesmos e desapegarmo-nos das coisas e das pessoas.
Observando bem, o perdão já é um instrumento de desapego e também de amor, porquanto este sentimento, em seu aspecto verdadeiro, promove nossa libertação das vinculações doentias, fazendo-nos entender então porque Jesus disse que devemos nos reconciliar depressa com os adversários enquanto estamos a caminho com eles...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A palavra do amor infinito

Francisco Muniz

É notável que o apóstolo Paulo se refira, em sua Epístola aos Coríntios, ao uso da língua em suas considerações acerca do exercício do amor. Sem este, de que adianta falar, de que vale usar a língua se não for para promover o bem? Eis aí parte importante do aprendizado do espírito encarnado. No livro Legado Kardequiano, o Espírito Marco Prisco dica a Divaldo Franco estas palavras:
"A inflexão de sua voz traduz os reflexos do pensamento, e a sua conduta narra a história do mundo íntimo que você procura ocultar (...) Procure renovar-se sempre no bem. Fale e ajude, renovando-se (...) Quebre a corrente da mentira. Destrua a voz da calúnia. Asfixie o brado da injúria (...) Aplique a boa palavra como quem coloca um chumaço de algodão perfumado."
Essa moderação no falar é caridade principalmente consigo mesmo, pois preserva das más influenciações. Em sua carta aos coríntios, Paulo também diz que "o amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece". Ou seja: o amor verdadeiro não se manifesta com as mesclas das paixões humanas, quais a inveja, o ciúme e a vaidade, filhos do orgulho e do egoísmo.
O amor é, pois, o condutor do homem no caminho do bem, porque o homem precisa ser bom. "Será que é tão difícil assim ser bom?" - pergunta o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, no livro Buscando a Verdade, ditado à médium Bernadete Santana, completando que "se você aprender a se libertar das amarras do mal, torna-se mais fácil seguir o caminho do bem".
Para tanto, é preciso parar de alimentar hábitos negativos, especialmente os mentais, renovando os pensamentos. Isso é imprescindível principalmente para aquele que exerce a função de intérprete dos espíritos, na condição de médium trabalhador de acordo com as diretrizes espíritas.
Nesse sentido, convém ponderar as palavras do Benfeitor Emmanuel exaradas no livro Seara dos Médiuns (psicografia de Chico Xavier) nestes termos: "Sempre que te disponhas à tarefa de servir, na mediunidade, és alguém junto de alguém. Vaso em que se transporte a mensagem do Amor Infinito para os caminhantes da Terra, deixa que a compaixão seja em tua alma o fixador do divino auxílio".
O Amor Infinito há de ser aquele que nos ensina o Mestre de Nazaré desde há mais de dois mil anos, num verbo que os homens, em sua maioria, ainda não sabem conjugar. Por isso há, entre nós, tanta dissenção, tanta animosidade e manifestações de violência. Vinte séculos depois da passagem do Cristo pela Terra, sua doutrina permanece esquecida, conforme observa Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Segundo o Codificador, as numerosas seitas que nasceram da doutrina cristã pretenderam ter a verdade exclusiva e jamais se puseram de acordo, "esquecendo o mais importante dos divinos preceitos, aquele do qual jesus havia feito a pedra angular de seu edifício e a condição expressa de salvação: a caridade, a fraternidade e o amor ao próximo (...)"
O apóstolo Paulo compreendeu isso durante os seis anos em que passou meditando, ainda na personalidade de Saulo, após seu famoso encontro com o Cristo no caminho de Damasco. E quando estava convicto das novas verdades abraçadas ele foi se oferecer a Pedro na Casa do Caminho e em seguida iniciou sua tarefa de pregação, levando a Boa Nova do Reino de Deus a quantos se dispusessem a ouvi-lo, em nome daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.