domingo, 9 de novembro de 2014

O primeiro doutrinador

Francisco Muniz



Aprendemos, com Allan Kardec, que o Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências moralizantes que trata das relações entre o mundo material e o mundo dos Espíritos. Como filosofia, o Espiritismo nos leva a pensar sobre os fatos espíritas observados na realidade física, eminentemente fenomênica, possibilitando a elaboração de hipóteses que somente pela utilização da ferramenta chamada mediunidade poderão ser comprovadas ou afastadas, conforme o Codificador pondera em O Livro dos Médiuns.
Fazemos esse preâmbulo numa tentativa de facilitar a compreensão em torno do pensamento segundo o qual o médium psicofônico é o primeiro doutrinador do Espírito comunicante. Essa expressão causa estranheza e pruridos no médium esclarecedor, também denominado doutrinador, talvez por ver comprometida sua função na tarefa mediúnica, como se houvesse a possibilidade de perder seu "emprego". Nada disso. O fato é que, recepcionando o comunicante em seu campo vibratório, o psicofônico oferece-lhe as condições preparatórias e facilitadoras da atuação do esclarecedor.
O relato que apresentamos abaixo, feito por um médium psicofônico e observado no início do intercâmbio mediúnico, pode dar uma explicação um tanto quanto satisfatória, mas ficará a critério de cada um o estudo que levará às melhores conclusões em torno de tão palpitante questão, que envolve a ação de diferentes faculdades anímicas e mediúnicas, tais o desdobramento, a clarividência e a clariaudiência, principalmente.
Eis a narrativa:
"Eu vi o Espírito - detesto a palavra "entidade"! - e ele estava sujo, reclamava de dores. Dispus-me a ajudá-lo e nesse momento ele saiu correndo. Fui atrás dele e chegamos à frente de um hospital. Ele me disse que estava ali, mas ninguém lá dentro parecia se importar com seu caso - e ele precisava de ajuda! Entramos no hospital e fomos procurar pelo local onde ele (o corpo dele) estaria. Como não encontrássemos nenhuma pista, ele saiu do hospital e eu fui atrás. Atravessamos uma grande avenida, com duas pistas, pelo meio dos carros.
"Do outro lado, avistamos um prédio muito simples com uma porta fechada. Abrimos a porta e entramos e lá dentro havia um grande salão muito iluminado e cheio de camas. Então eu disse ao Espírito que devíamos deitar numa dessas camas, afirmando que eu estava muito cansado. Ele fez isso e, depois de descansar um pouco, virei-me para ele e disse que ele ficasse ali mais um pouco porque alguém viria ajudá-lo e eu precisava trabalhar.
"Deixei ele lá e retomei meu corpo, no Centro Espírita onde trabalho e naquele momento me preparava para atuar na tarerfa mediúnica. Logo em seguida, o mesmo Espírito entrou em meu campo e começou a dar sua comunicação..."
Esse relato faz recordar os registros de pesquisadores brasileiros como L. Palhano Jr., no Espírito Santo, e Luiz Gonzaga Pinheiro, no Ceará, em experiências que remontam àquelas realizadas pelo próprio Allan Kardec na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, durante as quais médiuns videntes descreviam o aspecto das entidades comunicantes, enquanto outros, desdobrados, descreviam cenas do plano espiritual confirmando as comunicações recebidas. As páginas da Revista Espírita e também de O Livro dos Médiuns trazem vários exemplos disso.
Como se percebe, a narrativa do médium psicofônico feita mais acima em nada contrapõe a atuação do médium doutrinador, que realiza seu exercício no momento propicio, mesmo sem ter a "vantagem" de visualizar a entidade comunicante e suas condições. No entanto, para que seu trabalho se dê a contento, suprindo a aparente "desvantagem" em relação ao colega psicofônico, ele precisa estar esclarecido quanto a seu mister e, durante a função, ligar-se ao mentor espiritual a fim de receber as boas inspirações.
Assim, ainda que o médium psicofônico seja visto e proclamado como "o primeiro doutrinador", o esclarecedor não pode descurar de seu papel, desdourando a importância do intercâmbio mediúnico, para o qual foi chamado a título de confiança com a finalidade de adquirir méritos através de sua dedicação, que deve ser sexecutada tanto humilde quanto competentemente. Porque também sobre ele pesam as ponderações do Espírito Ferdinando no último tópico do capítulo VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo ("Bem-aventurados os pobres de espírito").
Nesse tópico, intitulado "Missão do homem inteligente na Terra", Ferdinando faz uma pergunta que deve merecer profunda reflexão por parte dos médiuns, especialmente dos doutrinadores: "A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer?". Ora o instrumento do doutrinador é a palavra que esclarece e consola, que ele deve manejar com cuidado e carinho, estando atento para não ferir suscetibilidades nem deixar de usá-la a bem do comunicante. Mas vale ver toda a mensagem de Ferdinando para bem cumprirmos nossas funções junto aos espíritos, a fim de não nos vermos nas condições descritas naquele texto...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Uma lição aos namorados

Francisco Muniz


Há alguns anos, conheci o Sr. Geraldo Leite em Salvador, por inttermédio de companheiros do Centro Espírita Deus, Luz e Verdade, especialmente sua filha, Graça. mas somente quando soube, depois, que ele havia sido reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é que minha memória voltou no tempo e me recordei de um episódio - no qual o educador Geraldo Leite teve participação preponderante - que não teria a mínima importância, e cairia completamente no esquecimento, se, ao comentar a descoberta com a esposa, ela não se lembrasse de um detalhe singular (as mulheres, como se sabe, jamais esquecem!).
Era início do ano 1978, possivelmente o mês de março, e eu, pouco mais que um adolescente, houvera sido informado de que seria pai. A namorada, com quem me casaria em maio daquele ano, meio apressadamente, engravidara. Vivíamos, contudo, em cidades diferentes - ela, em Feira de Santana, e eu, na Capital - e só nos encontrávamos nos fins de semana. Assim, após a reevelação da gravidez, minha felicidade me fez comprar um par de alianças e improvisar uma cerimônia de noivado.
Era um sábado, portanto, e Beatriz, a namorada, fora me esperar na estação rodoviária. Talvez por sugestão dela, buscamos justamente o ambiente bucólico da UEFS para formalizar em definitivo nossa união. Sentam, pois, num dos muitos bancos sob as árvores e, como os casais apaixonados que se reencontram, trocamos afetos, mais intensos em razão da importância do momento.
Pensávamos estar relativamente a salvo das interferências alheias, uma vez que os poucos estudantes - àquela época - passavam à distância. Somente quando um funcionário nos abordou, pedindo que o seguíssemos à sala da Reitoria, é que percebemos estar sendo vigiados. Já um universitário na Capital, eu estranhei que o próprio reitor, o qual reputava um servidor infenso às questiúnculas do ambiente da Universidade, por ter responsabilidades das mais graves sobre os ombros, nos chamasse para um prosaico puxão de orelhas. Mas, tanto a curiosidade quanto o respeito formado pela educação doméstica falaram mais alto e simplesmente ouvimos a peroração do Sr. Reitor, que em seguida nos dispensou e fomos embora do campus, Beatriz e eu.
Naturalmente, com tantos anos passados, já não me lembro das palavras ouvidas naquela sala, embora não seja difícil imaginá-las. Em verdade, quem nos chamou ali - hoje vejo - não foi extamente o reitor da UEFS, mas o educador comprometido com seu ideal e atento a suas funções. E o que ouvimos foram exortações acerca da impropriedade da escolha do ambiente escolar, qual o da Universidade, para encontros amorosos, mesmo um tanto inocentes como o daqueles dois adolescentes que faziam planos para a inauguração de uma família...

domingo, 2 de novembro de 2014

Música

Emmanuel, por Chico Xavier



Deixa que o teu coração voe, além do horizonte, nas asas da música sublime que verte do Céu à Terra, a fim de conduzir-nos da Terra ao Céu...
Ouve-lhe os poemas deeterna beleza, em cuja exaltação da harmonia tudo é gloriosa ascensão.
Nesse arrebatamento às Esferas do Sem Fim, o silêncio será criação excelsa em tua alma, a lágrima ser-te-á soberana alegria e a dor será teu cântico.
Escuta e segue na flama do pensamento que transpõe a rota dos mundos, associando tuas preces de jubilosa esperança às cintilaações das estrelas!...
Não te detenhas.
Cede à cariciosa influência da melodia que te impele à distância da sombra, para que a luz te purifique, pois a música que te eleva a emoão e e descerra a grandeza da vida significa, entre os homens, a mensagem permanente de Deus.

sábado, 1 de novembro de 2014

Filhos pródigos

Irmã Rafaela


Sim, meu amigo, a jornada do Homem sobre a Terra pode ser comparada ao comportamento do moço da Parábola do Filho Pródigo, referida pelo Mestre Jesus, antes de sua decisão de retornar à Casa Paterna, onde o espera a festa do reencontro com o coração que manifesta o verdadeiro amor.
O Homem vagamene intui esse momento do reconforto, mas os atrativos e os interesses do mundo ainda confundem sua percepção espiritual e assim ele se demora provando o que é próprio dos animais, adiando ad infinitum a gloriosa volta ao lar da imortalidade.
No entanto, o Pai é também Todo-Paciente e espera cada um de seus filhos com a calma das eras que se sucedem sobre os infortúnios do Homem, sobre cada minuto de desatenta manifestação de ignorância a comprometer o progresso individual dos seres ainda pouco conscientes de suas necessidades de engrandecimento.
Somente a consciência desperta é o que lhes falta, porquanto o conhecimento está neles e ao alcance de cada um, bastando, pois, um pequenino esforço para que se modifique a condição transitória e o Homem, enfim, alce voo rumo às moradas celestiais que são de sua herança divina.
A esses filhos pódigos do Pai Misericordioso é que o Cristo conclama a caminhar Seus caminhos, oferecendo parcela significativa de luz suficiente para clarear os caminhos da mente desejosa de modificar as atitudes equivocadas, ainda dirigidas pelo quantum de orgulho e egoísmo que caracterizam as criaturas encarnadas, em sua grande maioria.
Despertemos sem tardança! O tempo é cada vez mais escasso e não se pode desperdiçá-lo impunemente, vez que a presença do Homem no planeta que o abriga momentaneamentte tem a finalidade de socorrê-lo em suas dores provocadas pela ignorância em que se encontra. Urge, pois, levantar-se do imobilismo e caminhar na direção dos gloriosos objetivos traçados pela Divina Providência.