quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um pouco de paz

Rafaela (Espírito)

Um pouco de paz, será que já não experimentas? Repara que as vicissitudes da vida atribulam a todos e não é diferente contigo, que tens ainda tuas contas a certar com a divina Lei, a exemplo de todos encarcerados na Terra. Mas vê: as alegrias são mais numerosas, porquanto tu estás atento ao convite para o trabalho na vinha do Senhor; já és capaz de doar de teu tempo e de teu amor a benefício de muitos; já cooperas com os Obreiros do Senhor e as bênçãos que recebes em troca são significativas. Tudo isto é paz e luz em teu caminho, é pão que sacia tua fome espiritual, tornando-te capacitado para maiores incumbências que só as grandes almas recebem do beneplácito do Pai.
Não deves, contudo, declinar de teus deveres, sob pena de veres aumentadas tuas provas. Nós te convidamos reiteradas vezes a não esqueceres a tarefa sagrada de crescer, transformando-te, sendo cada vez mais útil na obra do Cristo, que deseja a Terra, lar dos homens, saneada e conduzida ao progresso dos mundos. Todos são chamados a cooperar, porém, poucos estão suficientemente esclarecidos e por isso a disposição para o trabalho ainda é tíbia. Assim, vem tu; nós te infundiremos a força necessária e, com tua coragem e determinação, haveremos de lograr o êxito que o Cristo estabelece - o de aumentar o contingente de aprendizes do Evangelho, pelas atitudes fraternas no campo da solidariedade, do amor ao próximo.
Vê, são grandes os tormentos que afligem as alma na Terra, unicamente porque elas ainda não aprenderam a ver que suas alegrias não estão exatamente na face escura do planeta, mas nas ignotas dimensões espirituais que já consegues perceber e sabes poderem ser elas alcançadas mesmo no mundo, enquanto se purga as dores da encarnação. Feliz, portanto, de quem desperta para a Verdade, ampliando sua consciência para assimilar a realidade da Vida imortal. No mundo, tudo perece, tudo é ilusório, exceto a dor, ela mesma um instrumento para o despertar da criatura ainda rebelde quanto às misericordiosas determinações de Deus, a bem de todos os Seus filhos.
Então, se caminhas a trilha do dever com responsabilidade e consciência do que és, é claro que experimentas a paz. Não essa paz ilusória apresentada pelo mundo, que empresta lenços às lágrimas mas não estanca o sangue das feridas provocadas pelas inúmeras torturas a que o ser se oferece enquanto não compreende a grandeza de seu destino. Não, a paz que todos buscam não é essa que se faz pela distribuição de migalhas aos famintos enquanto se explora corpos e mentes escravos da ignorância que corrompe e encarcera nas trevas os incautos. Ao contrário, vives a paz da consciência tranquila de quem elegeu servir ao Cristo incondicionalmente, fazendo ao outro o que gostarias que este te fizesse. Vives a paz dos discípulos que junto ao Mestre recebe as lições enobrecedoras, confiando no auxílio do tempo e empregando seus esforços em obras meritórias que sabes não seres tuas, mas do Senhor. Esta, sim, é a paz a ser buscada.

Mensagem aos espíritas brasileiros

Eurípedes Barsanulfo

“Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face a essa onda de pessimismo que toma conta dos brasileiros, frente aos embates que o país atravessa, nós, os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa mensagem de fé, de coragem e de estímulo. Estamos irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil. Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra, a fim de que maior número de médiuns possa captá-la. Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a gradação que lhe forem peculiares.

Estamos convidando todos os espíritas para se engajarem nesta campanha. Há urgente necessidade de que a fé, a esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda de pessimismo, de descrédito e de desalento é tão grande que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e aspirando realizar algo de construtivo e útil para o país, em qualquer nível, veem-se tolhidos em seus propósitos, sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras quase intransponíveis.

É preciso modificar esse clima espiritual. É imperioso que o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos de nossa nação, varra para longe os miasmas do desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e espaços para que brilhe a luz da esperança. Somente através de esperança conseguiremos, de novo, arregimentar as forças de nosso povo sofrido e cansado.

Os espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento. Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé! Ah! a fé no nosso futuro! A certeza de que estamos destinados a uma nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa vacilação, a nossa incúria podem retardar.

Responsabilidade nossa. Tarefa nossa. Estamos cientes de tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus de perigo inimaginável.

O desânimo e seus companheiros, o desalento, a descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os grupos, a própria comunidade. São como o cupim a corroer, no silêncio, as estruturas. Não raras vezes, insuflado por mentes em desalinho, por inimigos do progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da luta. Diante desse quadro de forças negativas, tornam-se muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado geral.

Que cada Centro, cada grupo, cada reunião promova nossa campanha. Que haja uma renovação dessa psicosfera sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas pelas provações, encontrem em nossas Casas um clima de paz, de otimismo e de esperança! Que vocês levem a nossa palavra a toda parte. Aqueles que possam fazê-lo, transmitam-na através dos meios de comunicação. Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.

São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São essas forças que o levam a crer e lutar por um futuro melhor. Meus irmãos, o mundo não é uma nau à matroca. Nós sabemos que “Jesus está no leme!” e que não iremos soçobrar. Basta de dúvidas e incertezas que somente retardam o avanço e prejudicam o trabalho. Sejamos solidários, sim, com a dor de nosso próximo. Façamos por ele o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever indeclinável de fazê-lo, sobretudo transmitindo o esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas também, que a solidariedade exista em nossas fileiras, para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e confiantes na preparação do futuro de paz por todos almejado.

E não esqueçamos de que, se o Brasil “é o coração do mundo”, somente será a “pátria do Evangelho” se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido por cada um de nós”.


(Mensagem recebida no Centro Espirita “Jesus no Lar” – Médium: Suely Caldas Schubert)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A boa conversa


Conversemos, meus filhos, conversemos. A vida nos chama a maiores, cada vez maiores realizações, na pauta das atitudes responsáveis que devemos adotar perante nós mesmos e também perante os outros, como instrumentos da bondade divina junto aos homens. A boa palavra é a alavanca do progresso entre as criaturas; os bons sentimentos são o fermento das construções felizes que todos são chamados a realizar; os bons pensamentos são o veículo da vontade de ver tudo melhorar e progredir, na marcha ascensional do Bem.

A boa conversa, portanto, nasce de um coração tranquilo e bem intencionado na direção de outro coração. Sabeis, todos vós, das dificuldades a enfrentar, nesse mundo onde as dores ainda são uma necessidade coletiva. Mas não vos assusteis com a rudeza de vossas provas, não vos queixeis, posto que a Providência vos dá sempre os recursos para superardes os empecilhos, sendo cada vez mais necessário perseverar no caminho.

O Cristo, nosso Mestre e Senhor, vos disse ser a perseverança o caminho da salvação e que somente por ele é que se alcança a dimensão do Pai. Aqui estamos para vos envolver nessa doce energia que Seu amor nos infunde, a fim de que estejais sempre animados de força e coragem para seguir em frente. Aqui estamos para vos manter firmes na fé e confiantes na vitória que resulta do empenho determinado que só os crentes são capazes de manifestar.

Vede, o futuro se aproxima, metas são atingidas a cada passo e estais cada vez mais dispostos a marchar. Então sentis, por vezes, como que brisa nova a soprar vossos rostos, como o vento a impulsionar as velas da embarcação.

Somos nós, vossos auxiliares invisíveis, na tarefa de colaborar com vossos empreendimentos na busca da Verdade que possibilita o bem estar espiritual de que tanto necessitais. Também sentimos, de nossa parte, vossa gratidão e nos alegramos por nos fazermos percebidos e aceitos. Sim, amigos, graças ao bom Deus e ao Cristo que nos une, conscientizamo-nos juntos para o trabalho engrandecedor e isto é ainda só o começo. Tudo ainda está por vir. Atentai, portanto, para a necessidade de meditardes e estabelecerdes melhor contato conosco.

É bem verdade que tentais e bem sabemos de quantas dificuldades há a superar, mas todo esforço é recompensado, toda ação benemerente resulta em benefício, de modo que agora sois nossos bons instrumentos e desejamos que o progresso, o bem supremo, seja o prêmio de nossa colaboração. Andai na paz, na direção do Cristo, e Ele estará sempre convosco.

Em nome de nossa Mãe Maria, em vos saúdo, com a alma cheia de alegria,

Rafaela

sábado, 12 de maio de 2012

Luta e esquecimento


Sim, a luz não se cansa de auxiliar as trevas, apontando caminhos e dando ânimo novo àqueles que porfiam para vencer as asperezas da vida em que se encontram, limando as arestas da própria personalidade, burilando a própria alma, aformoseando-a para Deus, atendendo a Seu suave convite.
A luz não se cansa, mas o homem, este sim, por muitas vezes se deixa vencer pelo cansaço da luta, esquecido de que ele pediu a rudeza das provas em que se debate; esquecido das próprias forças, sempre renovadas pelas bênçãos com que o amor do Pai Altíssimo o cumula.
O homem se esquece, também, de que precisa esforçar-se ao máximo, perseverando na senda escolhida, em demanda de uma condição mais feliz para si mesmo. Nenhuma realização de vulto será conseguida sem o necessário esforço e nós, do lado de cá, emprestamos a todos os necessitados a parcela de auxílio a que cada um faça jus, empenhando-se nas boas aquisições e pedindo do Alto a cota indispensável de misericórdia.
O homem, pois, esquece-se de que não está sozinho e vê vã a luta que move em prol de seu melhoramento, mostrando-se, ainda, ingrato para com Deus, de onde tudo promana em favor das criaturas.
É tempo de abrir os olhos e ver a Realidade: o Céu e suas belezas são construção do próprio homem disposto à transformação que o redimirá perante o longo passado de dores, de erros e de iniquidades. É tempo de refazer a marcha, redobrando os esforços para superar os obstáculos, com coragem, acreditando sempre que o melhor está por vir.
Deus os ampare hoje e sempre.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Invisíveis, mas não ausentes

(Redação do Momento Espírita ) 

Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris. Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação, o genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte. Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras: 

"A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto. Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra, coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade. Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo, de que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É por demais pesado para esta Terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível. O mundo do luminoso é o que não vemos. Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta. A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal. A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a Terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação. Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz, aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito".

* * *

Muitos consideram que a morte de uma pessoa amada é verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se.
Assim, diante dos que partiram na direção da morte, assuma o compromisso de preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.
Prossiga em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem, pois elas serão valiosas, quando você fizer a grande viagem, rumo à madrugada clarificadora da eternidade.


Última homenagem

Francisco Muniz
(Na foto, ela está vestindo listras, sorridente como sempre, ao lado de Fátima Sales.)

Nossa amiga-irmã Dalva Falcão deixou a Terra, findada sua permanência entre nós, e demandou outros voos, agora percebendo ao lado, mais incisivamente, a companhia dos amigos espirituais. Enquanto viveu sua encanação, que talvez não tenha sido a última por aqui, ela batalhou nas hostes do Espiritismo, cooperando nas lides do Centro Espírita Deus, Luz e Verdade, onde a conhecemos e desenvolvemos com ela uma bela amizade. Nesse período a víamos entre o Departamento Assistencial Francisco de Assis (Depas) e as reuniões dos grupos de estudo, aí incluído o de estudos mediúnicos, pois ela aspirava servir ainda mais ao Cristo como instrumento medianímico dos Bons Espíritos.
No entanto, "estava escrito" que Dalva não precisava confinar-se numa sala mediúnica para ser o canal através do qual a "água viva" jorraria do Alto para dessedentar os necessitados e nas vezes em que ela se submeteu aos encontros com a Irmã Bernadete, para as famosas seleções realizadas com o auxílio do Mentor Irmão Jerônimo, ela era sempre preterida. Ficava para outra vez. E essa vez, acreditamos, era desnecessária porque Dalvinha, como a chamávamos carinhosamente, precisava voltar logo pra casa, onde certamente desenvolverá seu trabalho caritativo, continuando as ações beneméritas realizadas na Terra. Ela, que tanto gostava de ganhar um abraço nosso, deixa-nos saudosos e ansiosos por, um dia, ganharmos um abraço seu. Até esse dia, Dalva, que tinha nome de estrela e brilhará agora em outra dimensão!

domingo, 6 de maio de 2012

Especialidade do médium doutrinador

Francisco Muniz

O benfeitor Manoel Philomeno de Miranda, considerado hoje o sucessor do Espírito André Luiz, oferece-nos proveitosas orientações sobre a doutrinação de espíritos infelizes, sobretudo os que se apresentam na condição de obsessores. No livro "Tramas do destino, produzido por intermédio de Divaldo Franco, ele nos diz, por exemplo, que "o médium doutrinador é precioso colaborador nas tarefas desobsessivas, graças à perfeita identificação com o programa de libertação, por emitir e exteriorizar as vibrações especiais que são próprias à vida física, atuando em nosso plano de ação como recursos ideoplástico expressivo, bem assim funcionando na qualidade de força energética mais carregada de potencial humano resultante da filtragem pelo corpo físico" (grifo do autor espiritual).
Como se percebe, o benfeitor espiritual anota os valores morais do médium como algo necessário para o sucesso das tarefa a que se propõe: "Verdadeiro transreceptor, é-lhe indispensável gerar energias puras, salutares, de que nos utilizamos para os complexos misteres de restauração de perispíritos enfermos e organizações somáticas lesadas..." Para que isso aconteça, é mister que o médium esteja em dia com seus deveres relativos à própria moralização e evangelização, cumprindo as diretrizes disciplinadoras a que se obriga, a fim de ser um instrumento dócil à ação das equipes espirituais.
Mas de que forma o médium doutrinador é um "recurso ideoplástico", como diz Philomeno, recapitulando ideias de André Luiz? É que é do médium que os Espíritos vão retirar o fluido animalizado com que que poderão auxiliar as entidades sofredoras ou ainda empedernidas que estejam em tratamento no plano que lhe é próprio.
Deriva daí a conscientização quanto a maior noção de responsabilidade por parte do médium, uma vez que que sua carga energética estiver impregnada dos fortes apelos da matéria, tais como a inclinação a comportamentos viciosos, assim como a conduta moral reprochável, ele não será o instrumento de que os bons espíritos se servirão nas tarefas socorristas. Eis porque é imprescindível a atenção do médium esclarecedor quanto à reforma íntima nos níveis físico e moral, transformando o caráter o máximo possível e adotando hábitos salutares na vida de relação, ajustando-se pela moderação em todo procedimento. Pois se ao médium é exigido o contributo dos fluidos animalizados, há que serem, esses fluidos, os mais puros possível.

Jesus e desafios

Francisco Muniz

É inequívoco que a vinda do Cristo à Terra passou por um rigoroso planejamento. Nada obedece à lei fria do acaso e por isso é que o Cristo vem cumprir uma promessa feita havia milênios aos espíritos que vieram povoar o planeta. Disso falam as escrituras. Muitos emissários desceram à Terra com a finalidade de preparar os homens para o Advento. No entanto a dureza dos corações humanos só tornou complicada a missão do Redentor.
Desde Moisés, as circunstâncias determinantes da fé viva conheceram empecilhos que ainda hoje exigem prolongados esforços de superação. Porém, a promessa deve ser cumprida e o Cristo executa durante cerca de dois mil anos a assepsia planetária para sua descida, para realizar o batismo de fogo ante a aspereza dos caminhos do coração do Homem.
Hoje, mais do que nunca, é necessário fazermos nova avaliação dessa promessa e sua realização, tanto quanto a de nosso comportamento decorrente da visita que o Cristo fez à Terra, há mais de 2.000 anos, e de sua permanência entre nós.
Quando aqui esteve, Ele convidou os homens a caminharem Seus caminhos como forma de conhecermos a Verdade e herdarmos verdadeiramente a Vida. Eis aí o desafio a enfrentar, a fim de nos encontrarmos sempre bem e nos vermos vencedores do mundo, sem nos acomodarmos ao desejo de conquistar o mundo, as coisas do mundo... O Cristo nos desafia a conquistar algo muito maior e mais valioso: nossa própria alma, significando, em Suas palavras, a construção do Reino de Deus no próprio coração.
E essa conquista de nós mesmos também obedece a um planejamento, embora não saibamos precisar há quanto tempo vimos alimentando tal plano. O fato é que ele se desenvolve conforme nos esforçamos pelo esclarecimento e manifestação da fé e da confiança que devemos ter na grandeza de Deus e em nós próprios, fazendo melhor por nós mesmos e pelo próximo, tal como nos recomenda o Evangelho.

Esboço (4)

Francisco Muniz

Livres pensadores

O Espiritismo não nos diz o que pensar - ensina-nos a pensar! Tal frase encontra paralelo nas palavras de Allan Kardec, o codificador da Doutrina dos Espíritos, segundo as quais o Espiritismo se propõe formar livres pensadores, através da análise e compreensão de seus postulados. Estabelecendo o crivo da razão como parâmetro para o exame dos fatos - os do mundo material e, sobretudo, os do plano espiritual -, o Codificador convida-nos a, 20 séculos após o Cristo, conhecer a Verdade que liberta, oferecendo-nos informações provindas do Alto com a finalidade de iluminarmos a mente, ampliarmos a consciência e desenvolvermos a inteligência...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Esboço (3)

Francisco Muniz
Esoterismo e exoterismo espíritas

Por sua abrangência interpretativa das realidades física e espiritual, falando diretamente à instância psíquica, ou anímica, de cada um de nós, o Espiritismo, doutrina codificada pelo sábio francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, com o pseudônimo de Allan Kardec, é tanto esotérico quanto exotérico. É esotérico ao considerar a dimensão intra-humana e incutir no homem a noção de que ele é algo além da estrutura física e como tal deve cuidar revolucionariamente de sua essência espiritual, promovendo ações internas e externas que resultem em sua transformação íntima, consoante o ensinamento segundo o qual o "homem velho" precisa "morrer" para que nasça o "homem novo", conforme assevera o Cristo. E é exotérico por tratar da dimensão extrafísica, ao trazer-nos o ensino dos Espíritos desencarnados como recurso indispensável para procedermos à viagem interior com algum sucesso, a depender sempre do esforço que façamos para compreender e praticar essas lições.
Nesse sentido, entre em pauta uma condições no homem tão antiga quanto ele mesmo, que se estabelece como subsídio para melhor assimilação das mensagens do Invisíveis, qual seja a mediunidade, que faz de cada um o meio propício para que os Espíritos, que vivem numa dimensão paralela a esta dos "vivos", manifestem-se e interajam conosco. O médium, portanto, é o canal por onde fluem as águas que, "caídas" do Alto, vêm dessedentar os carentes de consolação e entendimento perante as duas realidades que compõem a dupla natureza humana: a corporal e a espiritual. É condição natural, portanto, entendida de modo esotérico como concessão divina para o homem alavancar seu progresso espiritual...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Esboço (2)

Francisco Muniz
Matéria invisível

A Ciência anseia por encontrar uma tal "matéria escura" no Universo, também relacionada com a antimatéria, que seria um efeito daquela. De escura, na verdade, ela só tem o nome, como indicativo de oculto. É algo que os cientistas sabem existir mas ainda não conseguiram comprovar nem sequer imaginam do que se trata, sabendo somente que ela provoca interações gravitacionais sobre a matéria visível, como as estrelas e galáxias. A matéria escura corresponderia a 90% de todo o Universo, apesar de ser invisível. Ao que parece, nossos mais potentes equipamentos de detecção e análise são ainda insuficientes para o sucesso da empreitada. Mas então existe algo por demais imponderável no Espaço - o que seria?
Em O Livro dos Espíritos, Kardec interroga os Superiores acerca dos elementos constitutivos do Universo e eles informam que tais elementos são dois: o Espírito e a matéria, sendo que acima destes há Deus, formando a Trindade Universal. Mas além desses três elementos há um quarto, o fluido cósmico universal, necessário à formação das coisas e à ligação do elemento espiritual com o elemento material. Seria esse fluido, que adquire propriedades as mais diversas, a tal matéria escura perseguida pela Ciência? O que os cientistas percebem, em seus experimentos, é que alguma coisa interfere em suas pesquisas, embora seus equipamentos não detectem a causa dessa interferência, só reparando nos efeitos... 

Esboço (1)

Francisco Muniz

Evangelho e reforma íntima

A necessidade de nos aprofundarmos no conhecimento e compreensão do Evangelho, para a imprescindível vivência de seus postulados, faz-nos perceber, graças ao estudo do Espiritismo, as duas dimensões do Cristo: a humana, corporificada na personalidade de Jesus, e a divina ou cósmica, que transcende os limites da matéria e vemos presente em nós mesmos e em diversos setores da vida prática. Por essa razão, tal aprofundamento fará com que penetremos com mais segurança nas questões referentes à nossa propalada reforma íntima, indo além da superficialidade dos conceitos, de todo modo belos e valiosos, mas ainda capazes de nos mostrar alguma dificuldade em nossas tentativas de transformação interior, por não entendermos a contento o que isso quer efetivamente dizer...