sábado, 28 de fevereiro de 2015

Deve estudar-se o Espiritismo?

Pedro Franco Barbosa


O conheccimento adquire-se, normalmente, pelo estudo, que é o esforço metódico para aprender. Ninguém aprende, portanto, seja o que for, não estudando o assunto. Para ser médico, é preciso estudar Medicina, um dos ramos da Ciência. O Espiritismo é uma ciência complexa, a ciência da alma. E mais do que ciência, é uma Doutrina, alicerçada em princípios filosóficos e ético-morais. Portanto, para conhecer a Doutrina Espírita é preciso estudá-la, e muito.
Por isso mesmo, no meio espírita mais responsável, muita ênfase se vem dando à necessidade do estudo do Espiritismo, porque, infelizmente, muitos de seus adeptos, até mesmo os médiuns, não o conhecem, mesmo em seus fundamentos e princípios gerais.
A pesquisa tem demonstrado que as sessões mediúnicas são muito procuradas, enquanto as de estudo doutrinário transcorrem vazias ou com frequência mínima. Os próprios dirigentes de Centros, em muitos casos, não leram Kardec ou misturam preceitos doutrinários os mais diversos, como se se tratasse de Espiritismo.
Há necessidade de uma educação em moldes espíritas e o estudo se inclui nela, para que possa ser integral e contínua. Eis o que pensa a respeito Deolindo Amorim, capacidade exegeta da Doutrina: "E afinal, que é a educação, segundo a Doutrina Espírita? Não é apenas instruir, não é simplesmente incutir hábitos externos, é transformar o homem, dando-lhe uma concepção de vida fundamentada na supremacia do espírito e dos valores morais. A educação, segundo a Doutrina Espírita, é finalista, porque visa a um fim. E se assim não fosse, naturalmente não teria sentido prático e cairia no formalismo. Mas o fim da educação, em termos espíritas, não é simplesmente imediato ou profissional. O fim, neste caso, é abranger o homem real em sua totalidade, isto é, corpo e espírito, tendo em vista a vida atual e a vida futura. Já se vê, portanto, que é um finalismo superior."
Eis a lição do Codificador: "A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos, e os conhecimentos que esse ensinamento encerra são muito sérios para serem adquiridos por outro modo que não por um estudo profundo e continuado, feito no silêncio e no recolhimento." (Grifamos.)
Seu pensamento melhor se expressa, todavia, quando, em Obras Póstumas, fala da necessidade de "um curso regular de Espiritismo... com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios", curso que "teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as ideias espíritas e desenvolver grande número de médiuns".
Em O Livro dos Médiuns, Cap. I, 14, 7º, Allan Kardec afirma, peremptório: "A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, de suas cauasa e suas consequências morais, constitui toda uma ciência e toda uma Filosofia que exigem estudo sério, perseverante e aprofundado".
Nós, espíritos tão imperfeitos ainda, tão avessos ao estudo e à meditação, tão apegados aos atrativos da vida mundana, meditemos sobre esses conselhos e possamos segui-los, como meio capaz de assegurar o progresso moral e a libertação dos erros, da ignorância e da superstição, porque, como disse Jesus, somente assim conheceremos a verdade, capaz, realmente, de nos tornar livres.
Ouçamos, por último, os queridos guias da Espiritualidade, a respeito: "A auto-iluminação é filha do esclarecimento intelectual. O convite ao estudo, em Espiritismo, não pode, desse modo, ser desconsiderado." (Lins de Vasconcellos, por Divaldo Franco, em Crestomatia da Imortalidade).
De Emmanuel citamos estas sínteses magistrais: "Recorda que, em Doutrina Espírita, é preciso estudar e aprender, entender e explicar."; "O sábio não poderá tomar uma criança para confidente, embora a criança invariavelmente detenha tesouros de pureza e simplicidade que o sábio desconhece."
Há mais de um século o Espírito da Verdade nos mostrava a rota verdadeira: "Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
Instrução e educação são processos inalienáveis de aperfeiçoamento moral do Homem, pela cultura e pela integração na Humanidade. Educar para a vida futura é o papel preponderante do Espiritismo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Aprendamos a renunciar

Irmã Rafaela


Meu filho, tu bem sabes que o Divino Amigo nos convidou a todos os Seus seguidores a renunciarmos aos bens do Mundo, depositando em suas mãos generosas todos os nossos anseios de felicidade. Renunciar a si mesmo, portanto, é tarefa espinhosa a que os fiéis servidores do Cristo estão vinculados, a fim de merecerem justamente esse qualificativo.
Sim, bem sabemos das angústias, das dores e prantos silenciosos que experimentarão os corações dispostos a semelhante procedimento, mas isto somente porque ainda se encontram presos à gleba material. É preciso que se saiba projetar ao campo do Espírito a natureza do trabalho a realizar na Terra, para que a renúncia, que afinal vem a ser tão somente luta abnegada, ganhe sentido, elevando a criatura aos padrões da evolução consciente.
Por vezes tu te sentes desfalecer, mas observa que teus esforços não passam despercebidos. Em nome do Cristo, braços amigos te amparam; mentes solidárias te inspiram enviando-te pensamentos de esperança. Anima-te, pois; o trabalho ainda está longe de terminar; tens uma longa jornada a cumprir e necessitas corresponder ao empenho do Amigo da Luz que te atrai ao doce convívio.
Deves marchar intimorato, confiante nos bons resultados de teus préstimos, desde que não demonstres cansaço, o cansaço que leva à desistência da tarefa iniciada. Ânimo, te pedimos. Conforme tens pensado ultimamente, "amarra teu arado a uma estrela" e assim verás teus esforços unidos aos ideais de Jesus, que opera incessantemente o melhoramento do planeta e da Humanidade inteira...