quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A sombra e a luz

Por mais densas que pareçam, as sombras não conseguem ofuscar a luz, assim como as negras nuvens das borrascas não apagam a luz do Sol. Aprendei a tirar o véu de trevas de vossos olhos e compenetrai-vos do amor de vosso Pai para com todos. Ide sem medo à luta santificante, em favor do movimento libertador das consciências, a começar da vossa mesma, a fim de que a Humanidade se beneficie dos pequenos mas intensos esforços de cada um de vós, refletindo a ação misericordiosa de Deus em socorro de vossas fraquezas.
O mundo exige vossa colaboração nestes tempos tormentosos. Os bons espíritos que em nome do Senhor laboram para a transformação da face escura do planeta em estância luminosa, esperam a cooperação cada vez mais estreita dos homens de boa vontade, dispostos a tomar a charrua do Evangelho e disseminar na Terra as sementes de bem-aventurança.
O Cristo deu-vos esta missão e também espera que sejais pródigos de amor para fazer com que os dias sejam cada vez mais luminosos e os homens, nas esferas de suas responsabilidades, se ocupem da difusão da Verdade consoante as mensagens de esclarecimento e consolação depositadas no coração de todos. Ninguém está afastado do dever se ser, na Terra, um representante de Deus junto a seus irmãos e por isto formamos todos uma grande família destinada às alegrias imperecíveis da imortalidade.
Como irmãos, deveis engrandecer esse propósito e estender as mãos amigas para que todos, cada vez mais, possam entender a extensão da Divina Providência. Coragem, amigos, a luta é árdua, mas a vitória não é só uma possibilidade ante a luta: é certeza que deve ser concretizada pelo amor à ação. O movimento é do Cristo e vós sois seus colaboradores. Coragem!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mensagem de liberdade

Ah, quantos querem ser livres nesse mundo onde o homem constrói todos os dias vínculos de dependência doentia, esquecidos de que, espíritos imortais que são, devem esforçar-se para romper os grilhões da matéria. Ah, quanto ainda há a crescer, a se modificar, para realmente aproveitar a força abençoada que se chama liberdade!
O homem nasceu, foi criado para a liberdade, pois o espírito sopra onde quer, como bem disse o Cristo. Mas, encarcerado na prisão do corpo, ele pouco percebe de sua condição essencial, vendo-se e identificando-se verdadeiramente como filhos do Altíssimo, criados para os altos voos da alma liberta da escravidão material. Deus, o Pai amoroso, assim o quer, que seus filhos enxerguem os planos mais altos que devem conquistar e libertarem-se enfim da prisão que eles mesmos criaram.
A liberdade será assim a grande conquista daquele que busca a renovação de si mesmo, compreendendo a grande necessidade de ser quem verdadeiramente é, libertando-se da ilusão que o afasta da integração com a Divindade, vivendo sua relação com o Mais Alto em completa integridade.
A liberdade é não só o fim como também o meio de se alcançar semelhante benefício, desde que o filho compreenda a vontade de seu Pai e envide os esforços necessários no sentido da libertação. E só sendo livre é que o homem se encaminhará para as alegrias da liberdade.
Há que se perseverar nesse caminho, discernindo erros de acertos, equívocos de possibilidades de realização. Há que lutar em meio às dificuldades todas para que haja sentido nas conquistas que se almeja. Há que se esforçar diuturnamente, incansavelmente, para retirar de si o quinhão de imperfeição e moldá-lo com as luzes e energias transformadoras que farão nascer as qualidades imprescindíveis ao homem renovado, candidato às perenes alegrias celestiais.
O esforço é individual, cabendo a cada uma das criaturas de Deus empregarem seu tempo e sua vontade na realização da grande obra de transformação íntima, para que se dê, enfim, o progresso coletivo tão anelado pela Humanidade, sequiosa de paz e infinita alegria, que é o bem estar experimentado pelas almas conscientes de seus deveres a cumprir, a bem de todos.
Deus, o Senhor da Vida, espera de cada um e a todos oferece as oportunidades de trabalho. Os de consciência desperta aproveitarão os recursos e se porão em campo, agindo responsavelmente, enquanto outros ainda se encontrem à margem, desprezando as benesses dos Céus. Mas o exemplo falará mais alto e os filhos ingratos um dia se envergonharão de sua negligência e, não encontrando espaço para sua inação, recorrerão à Casa Paterna, implorando as bênçãos que jamais lhes faltaram.
Coragem, amigos! Trabalhai, o Cristo é convosco. E nós também!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Paciência

(Retirado do perfil de Antonio Celso Poltronieri no Facebook.)

A doente se queixava em desespero, a senhora que lhe velava o leito perguntou:
 - Permite que eu leia para seu reconforto algum pequeno trecho de Allan Kardec?
 - Deus me livre! - gritou a enferma, cuspindo-lhe aos pés.
 Ainda assim, as mãos abnegadas da companheira continuaram ajeitando-lhe os lençóis...
 - Quero água! - exigiu a doente.
 A amiga trouxe-lhe água pura e fresca.
 De copo às mãos, a enferma, num ímpeto, atirou-lhe todo o líquido à face, vociferando:
 - Água imunda!... Como se atreve a tanto? Quero outra!
 Paciente e humilde, a senhora enxugou o rosto molhado e, em seguida, trouxe mais água.
 - Quero chá.
 E o chá surgiu logo.
 - Chá malfeito! Chá frio! O conteúdo da taça foi projetado ao peito da outra, ensopando-lhe a blusa.
 - Traga chá quente! Foi a ordem obedecida.
 - Você aceita agora o remédio? - indagou a assistente.
 - Que venha depressa.
 Ao tomar, contudo, a poção, a dama inconformada agarra a colher e vibra um golpe no braço da amiga.
 Surge pequeno ferimento, mostrando sangue.
 E a enferma cai em crise de lágrimas.
 Chora, chora e depois diz:
 - Anália, se a religião espírita que você abraçou é o que lhe ensina a me suportar com tanta calma, leia o que quiser.
 A interpelada sentou-se.
 Tomou "O Evangelho segundo o Espiritismo" e leu a formosa página intitulada A Paciência, no capítulo IX, que começa afirmando:
 "A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos..."
 Acalmou-se a doente, que acabou aceitando o socorro do passe e o benefício da água fluída.
 Conversaram ambas.
 A enferma, asserenada, ouviu da companheira os planos que arquitetava para o futuro, em benefício dos meninos abandonados à rua.
 No dia seguinte, ao despedir-se, a obsidiada em reequilíbrio beijava-lhe as mãos e dava-lhe os primeiros dois contos de réis para começar a grande obra.
 Essa enfermeira admirável de carinho e devotamento era Anália Franco, a heroína da Seara Espírita paulista, que se fez sublime benfeitora das criancinhas desamparadas.

***

Hilário Silva - Psicografia de Chico Xavier
Extraído do livro "A Vida Escreve"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A música das esferas (I)



João Cabete foi um destes tantos lutadores e divulgadores da música espírita. Escreveu mais de 200 composições, interpretadas hoje por vários grupos e corais espalhados pelo Brasil. Entre as mais conhecidas, estão músicas como "Fim dos Tempos", "Além das Grandes Estrelas", e "Alma das Andorinhas".
Filho de imigrantes portugueses e caçula de cinco filhos, Cabete nasceu em 03 de abril de 1919, na cidade de São Paulo (SP), local onde passou sua infância e juventude.
Apesar dos momentos difíceis, principalmente por ter perdido o pai aos 08 anos de idade, a veia musical esteve presente. Desde pequenino, acompanhado de seu inseparável violão, já fazia apresentações em movimentos promovidos pelas rádios da comunidade portuguesa.
Ao longo da vida, João Cabete conquistou muitos amigos e irmãos sinceros dentro da Doutrina Espírita, bem como parceiros musicais, entre eles Welson Barbosa, Rafael Ranieri, Caribe e outros. Este último foi muito marcante, pois foi em sua casa, localizada em São Bernardo do Campo (SP), que Cabete, reunido com outros poetas como Formiga Babete, escreveu um grande número de letras musicais. Mas sua fonte de inspiração verdadeira sempre foi a natureza e Deus em sua grandeza.
A maioria de suas composições foram feitas ao pé do piano, instrumento para o qual nunca estudou, mas que tocava muito bem.
Casado com Ady Lourdes, hoje desencarnada, Cabete teve cinco filhos: Dinazara, Denise Cinira, João Euclides, Domota e Lílian Cristina (filha adotiva). E é Dinazara quem recorda como era o pai. "Falar de meu pai se torna ainda mais difícil, porque ele sempre pensou muito na família, era amoroso e amigo com todos. Até mesmo os netos, que não tiveram a oportunidade de conviver muito tempo com ele, recordam-se nitidamente de sua doce presença", conta.
Além da sua paixão pela música, João Cabete concluiu o curso da Faculdade de Direito depois dos 40 anos de idade, ocasião em que foi orador de sua turma. Tornou-se tabelião na cidade de Cruzeiro (SP), no 20º Cartório de Notas e Ofícios, em 1953. Na mesma década, fundou o Grupo da Fraternidade Carmem Cinira, que iniciou como orfanato e hoje abriga 80 crianças em regime de creche.
Segundo sua família, João Cabete sempre foi uma pessoa muito disposta e que usou seu tempo na terra como algo precioso. Entre as diversas atividades, pertenceu ao Rotary Club (do qual foi presidente) e fundou uma obra social denominada "S.O.S". Dentro do Movimento da Fraternidade, era filiado à "Oscal", da qual foi um dos fundadores e um membro atuante. Entretanto, o coração físico de Cabete infelizmente não comportou tantas atividades e emoções. As palestras que fazia ao violão foram sendo reduzidas e foi impossibilitado de viajar e ver os amigos, sofrendo muito com tal situação.
Em 26 de agosto de 1987, João Cabete desencarnou, vítima de insuficiência cardíaca. Um grande nome da música espírita partiu para o Plano Espiritual, mas as notícias ainda chegam por meio de mensagens psicografadas através de alguns amigos, principalmente por Glória Caribe, uma grande amiga da família.
Cabete não chegou a gravar um cd, mas tinha um amor muito grande pelo coral Scheilla, de Belo Horizonte (MG), e também pelo Coral de Juiz de Fora (MG), tanto que suas músicas foram gravadas e interpretadas por diversos cantores, Grupos e Corais Espíritas. O Grupo Sinfonia do Amor, por exemplo, traz músicas compostas por Cabete nos CDs Soberana Sinfonia, Cabete por Elói Braga, Sinfonia para o amor e Alma das Andorinhas.
Raimundo Santos, presidente do sinfonia do Amor, conta como surgiu a idéia de gravar as músicas de João Cabete: "Uma senhora Telma, que convivia com Cabete enquanto encarnado e reside em Niterói (RJ), comentou comigo que, certa vez, ele havia dito em uma conversa que partiria da terra sem divulgar suas obras. Eu não sei porque, mas no momento em que ouvi isso, respondi logo que iria desenvolver o trabalho e assim iniciamos.
Trata-se de uma tarefa difícil, mas que vale a pena, porque o resultado do trabalho tem beneficiado muitas pessoas no sentido espiritual". Para Raimundo, trabalhar junto com Cabete é uma grande honra, um compromisso difícil, mas maravilhoso. "Ele é alguém de muita importância, é um espírito de Luz voltado para a Paz", analisa.
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo - Especial Música, edição nº 01.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um livro histórico

(Do boletim do Serviço Espírita de Informações, com a chancela do Conselho Espírita Internacional, edição de outubro.2011)


De 1910 a 1959, a cidade mineira de Pedro Leopoldo via caminhar por suas ruas um de seus cidadãos mais ilustres: Francisco Cândido Xavier. Os registros da vida do mais conhecido médium espírita do mundo naqueles tempos estão agora ao alcance de todos graças a um livro lançado em setembro pela Vinha de Luz  –  Serviço Editorial. Em “Pedro Leopoldo vista por Chico Xavier – 1910-1959: 49 anos da presença do maior médium de todos os tempos”, Geraldo Lemos Neto, organizador da obra, reúne dezenas de fotos e documentos históricos que recontam essa trajetória. E o livro realmente resgata muitas preciosidades. Entre elas, a cópia da ficha funcional do médium na Fazenda Modelo e cartas de Chico a pessoas amigas. Com 318 páginas e 20x20cm, o livro pode ser adquirido em www.vinhadeluz.com.br/site/produtos.php, pelo telefone (31) 2531-3200
ou correio informacoes@vinhadeluz.com.br. Custa R$35,00.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A conversão de Coelho Neto



Sobre a conversão do notável e saudoso escritor Coelho Neto ao Espiritismo, eis a entrevista publicada pelo "Jornal do Brasil", de sete de julho de 1923 que ora transcrevemos:

"Sim, tens razão. Combati, com todas as minhas forças, o que sempre considerei a mais ridícula das superstições. Essa doutrina, hoje triunfante em todo o mundo, não teve, entre nós, adversário mais intransigente, mais cruel do que eu.
Em casa, onde a propaganda, habilmente insinuada, conseguira fazer prosélitos, todos temiam-me, apesar da minha conhecida tolerância em matéria de fé, porque eu não deixava passar um só dos livros de preparação e opunha-me, com energia, às tais sessões reveladoras. Mas que queres? Não tiveram os cristãos inimigo mais acirrado do que Saulo até o momento em que, na estrada de Damasco, por onde ia para a sua campanha de perseguição, o céu abriu-se em luz e uma voz do Alto o chamou à fé. E de inimigo que era não se tornou, o tapeceiro de Tarso, o mais fervoroso e abnegado apóstolo do Cristianismo, saindo a pregar a Palavra suave ao gentio pagão? Pois, meu caro, a minha estrada de Damasco foi o meu escritório e, se nele não irradiou a luz celestial, que deslumbrou S. Paulo, soou uma voz do Além, voz amada, cujo eco não morre em meu coração.
Sabes que, depois da morte da pequenina Ester, que era o nosso enlevo, a vida tornou-se sombria. A casa, dantes alegre com o riso cristalino da criança, mudou-se em jazigo melancólico de saudade. Passei a viver entre sombras lamentosas.
Minha mulher, para quem a netinha era tudo, não fazia outra coisa senão evocá-la, reunindo lembranças: roupas que ela vestira, brinquedos que a acompanharam até a última hora, entre os quais a boneca, que foi com ela para a cova, porque a pobrezinha não a deixou até expirar.
Júlia... coitada! Nem sei como resistiu a tão fundos desgostos; seis meses depois do marido, a filha.
Pensei perdê-la. Todas as manhãs lá ia ela, para o cemitério, cobrir o pequenino túmulo de flores, e lá ficava, horas e horas, conversando com a terra, com o mesmo carinho com que conversava com a filha. Ia depois ao túmulo do marido e assim vivia entre mortos, alheia ao mais, indiferente a tudo.
Propus mudarmo-nos para Copacabana. Opôs-se. Insistiu em ficar na casa em que fora feliz e desgraçada, mas onde perduravam recordações do seu tempo de ventura.
Temi que a seduzissem para o Espiritismo, que a lançassem ao turbilhão do mistério em que se agitam as almas do nosso tempo, comoendemoninhados da Idade Média corriam ao sabbat, nos desfiladeiros sinistros. No estado de abatimento moral em que ela se achava, seria arriscado perturbar-lhe a razão com práticas nigromânticas.
As minhas ordens, dadas em tom severo, foram obedecidas. Júlia passava os dias no quarto, que fora da pequena, e de fora ouvíamo-la falar, rir, contar histórias de fadas, exatamente como fazia durante a vida da criança.
Tais ilusões dolorosas eram bálsamos que mitigavam o sofrimento da alma, como a morfina alivia as dores. Cessada a ilusão, o desespero irrompia mais acerbo.
Uma noite, minha mulher entrou-me pelo escritório, lavada em lágrimas, e disse-me, abraçando-se comigo, que a filha enlouquecera.
- Por quê?! perguntei.
- Está lá embaixo, ao telefone, falando com Ester.
- Que Ester?
- A filha...
Encarei-a demoradamente, certo que a louca era ela, não Júlia.
Como se compreendesse o meu pensamento, ela insistiu:
- Lá está. Se queres convencer-te, vem até a escada. Poderás ouvi-la.
Fui. Como sabes, tenho dois aparelhos: um no "hall", outro, em extensão, no meu escritório.
Ficamos os dois, minha mulher e eu, junto à balaustrada do primeiro andar.
Júlia falava baixo, no escuro.
Por mais esforço que fizéssemos, não conseguíamos ouvir uma palavra. Era um sussurro meigo, cortado de risinhos. O que me pareceu (por que não dizê-lo?) foi que a conversa era de amor.
Tive ímpetos de violar o segredo de minha filha, mas o escrúpulo do meu cavalheirismo conteve-me.
- Por que dizes que ela fala com Ester? perguntei à minha mulher.
- Por quê? Porque ela mesmo me confessou e não imaginas com que alegria!
Fiquei estatelado, sem compreender o que ouvia. De repente, numa decisão, entrei no escritório, desmontei lentamente o fone do aparelho, apliquei-o ao ouvido e ouvi.
Ouvi, meu amigo. Ouvi minha neta. Reconheci-lhe a voz, a doce voz, que era a música da minha casa... Mas não foi a voz que me impressionou, que me fez sorrir e chorar, senão o que ela dizia.
Ainda que eu duvidasse, com toda a minha incredulidade, havia de convencer-me, tais eram as referências, as alusões que a pequenina voz do Além fazia a fatos, incidentes da vida que conosco vivera o corpo do qual ela fora o som...
Mistificação? E que mistificador seria esse que conhecia episódios ignorados de nós mesmos, passados na mais estreita intimidade entre mãe e filha? Não! Era ela, a minha neta, ou antes, a sua alma visitadora que se comunicava daquele modo com o coração materno, levantando-o da dor em que jazia para consolação suprema.
Ouvi toda a conversa e compreendi que nos estamos aproximando da grande era; que os tempos se atraem - o finito defronta o infinito, e das fronteiras que os separam, as almas já se comunicam. E eis como me converti, eis porque te disse que a minha estrada de Damasco foi o escritório onde, se não fui deslumbrado pelo fogo celestial, ouvi a voz do céu, a voz do Além, da outra Vida, do mundo da Perfeição...
- Ouviste-a ao telefone... E por que não a ouves no ar, como a ouviu... São Paulo, por exemplo?
- Por quê? Porque o espírito precisa de um meio em que se demonstre. Para viver conosco, encarna-se. O próprio Espírito de Jesus encarnou-se. O lume precisa de um combustível para arder e o lume é luz, eternidade: o som precisa de um órgão para vibrar. Todo o imaterial carece de um veículo para agir.
- Uma pergunta, apenas: - Como consegue Dona Júlia pôr-se em comunicação com o espírito da filha? Não me consta que a "Companhia Telefônica" tenha ligação com o Além.
- Respondo-te. Quando Júlia - disse-me ela própria - deseja comunicar-se com a filha, invoca-a, chama-a com o coração, ou melhor: com o amor, e ouve-lhe imediatamente a voz. Falam-se, entretêm-se, continuam a vida espiritual. A que está lá em cima é feliz na bem-aventurança, e a que ficou na orfandade já não sofre, como dantes sofria, porque o que era esperança tornou-se certeza...
- Certeza de quê?
- De uma vida melhor e maior, de vida puramente espiritual, como a claridade, vida sem dores, sem os tormentos próprios da carne, que não é mais do que um cadinho em que nos depuramos em sofrimento para alcançarmos a Perfeição."

Fontes:
Portal do Espírito (www.espirito.org.br)
Revista Espírita Allan Kardec, ano XII, nº 44
Jornal Mundo Espírita, Março de 2001

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

E os gênios continuam surgindo

(Texto de Sérgio Lourenço publicado numa antiga edição (data desconhecida) da revista Presença Espírita.)

Ultimamente, casos de crianças com visíveis provas de reencarnação estão aparecendo no mundo todo. Antes, o assunto ficava restrito a um pequeno meio regional. Atualmente, pela ação dos veículos de comunicação de massa e o acesso do povo a esses recursos, tudo se divulga e se sabe. O que acontece nesse campo, lá do outro lado, aqui chega em poucos minuto. Sinal do avanço da ciência. Apenas um sinal, porque, embora evidente a causa desses fatos, continuam, os homens de saber, tentando ignorar a Verdade.
É o caso de um menino músico, outro desenhista, outro voltado para a adiantada informática, enfim, gênios, fazendo, com pouco tempo de vida, coisas que crianças normais, pela lógica do ensino, necessitariam de vários cursos e de longos e penosos anos de estudo para assimilar.
Só a reencarnação é que pode explicar esses fenômenos. No entanto, ainda são classificados de gênios ou superdotados. É muito cômodo. É muito fácil. E fica tudo como está. A criança é um gênio e pronto...
O mais recente fenômeno dessa natureza nos vem da Inglaterra. O garoto John Adams, de apenas nove anos de idade, se diverte com matemática. É o mais jovem britânico a ter aprovação em um exame aplicado em jovens de dezessete  dezoito anos, antes do ingresso na Universidade. Com nove anos apenas supera o tão temido vestibular.
Seus pais informaram que John começou a ler aos onze meses de idade, e aos três anos já resolvia problemas de álgebra. Seu pai é professor de matemática e sua mãe, especialista em estatística. Diz o garoto que estuda matemática porque acha a matéria divertida... Diz, também, que pretende lecionar quando tiver dezesseis anos... Sem comentários.
Este nato na mão de cientistas preconceituosos terá explicação simplista. Será o inconsciente do pai ou da mãe captado pelo garoto... Tudo muito fácil. Como os pais manipulam o assunto, fornecem meios para que a mente do garoto capte o conhecimentos.
O interessante é que esse inconsciente aculturado dos pais não é captado pela maioria dos filhos. Tem muito intelectual com filhos, lamentavelmente, com QI inferior. É muito fácil dar explicações. O difícil é entender!