quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A música das esferas (I)



João Cabete foi um destes tantos lutadores e divulgadores da música espírita. Escreveu mais de 200 composições, interpretadas hoje por vários grupos e corais espalhados pelo Brasil. Entre as mais conhecidas, estão músicas como "Fim dos Tempos", "Além das Grandes Estrelas", e "Alma das Andorinhas".
Filho de imigrantes portugueses e caçula de cinco filhos, Cabete nasceu em 03 de abril de 1919, na cidade de São Paulo (SP), local onde passou sua infância e juventude.
Apesar dos momentos difíceis, principalmente por ter perdido o pai aos 08 anos de idade, a veia musical esteve presente. Desde pequenino, acompanhado de seu inseparável violão, já fazia apresentações em movimentos promovidos pelas rádios da comunidade portuguesa.
Ao longo da vida, João Cabete conquistou muitos amigos e irmãos sinceros dentro da Doutrina Espírita, bem como parceiros musicais, entre eles Welson Barbosa, Rafael Ranieri, Caribe e outros. Este último foi muito marcante, pois foi em sua casa, localizada em São Bernardo do Campo (SP), que Cabete, reunido com outros poetas como Formiga Babete, escreveu um grande número de letras musicais. Mas sua fonte de inspiração verdadeira sempre foi a natureza e Deus em sua grandeza.
A maioria de suas composições foram feitas ao pé do piano, instrumento para o qual nunca estudou, mas que tocava muito bem.
Casado com Ady Lourdes, hoje desencarnada, Cabete teve cinco filhos: Dinazara, Denise Cinira, João Euclides, Domota e Lílian Cristina (filha adotiva). E é Dinazara quem recorda como era o pai. "Falar de meu pai se torna ainda mais difícil, porque ele sempre pensou muito na família, era amoroso e amigo com todos. Até mesmo os netos, que não tiveram a oportunidade de conviver muito tempo com ele, recordam-se nitidamente de sua doce presença", conta.
Além da sua paixão pela música, João Cabete concluiu o curso da Faculdade de Direito depois dos 40 anos de idade, ocasião em que foi orador de sua turma. Tornou-se tabelião na cidade de Cruzeiro (SP), no 20º Cartório de Notas e Ofícios, em 1953. Na mesma década, fundou o Grupo da Fraternidade Carmem Cinira, que iniciou como orfanato e hoje abriga 80 crianças em regime de creche.
Segundo sua família, João Cabete sempre foi uma pessoa muito disposta e que usou seu tempo na terra como algo precioso. Entre as diversas atividades, pertenceu ao Rotary Club (do qual foi presidente) e fundou uma obra social denominada "S.O.S". Dentro do Movimento da Fraternidade, era filiado à "Oscal", da qual foi um dos fundadores e um membro atuante. Entretanto, o coração físico de Cabete infelizmente não comportou tantas atividades e emoções. As palestras que fazia ao violão foram sendo reduzidas e foi impossibilitado de viajar e ver os amigos, sofrendo muito com tal situação.
Em 26 de agosto de 1987, João Cabete desencarnou, vítima de insuficiência cardíaca. Um grande nome da música espírita partiu para o Plano Espiritual, mas as notícias ainda chegam por meio de mensagens psicografadas através de alguns amigos, principalmente por Glória Caribe, uma grande amiga da família.
Cabete não chegou a gravar um cd, mas tinha um amor muito grande pelo coral Scheilla, de Belo Horizonte (MG), e também pelo Coral de Juiz de Fora (MG), tanto que suas músicas foram gravadas e interpretadas por diversos cantores, Grupos e Corais Espíritas. O Grupo Sinfonia do Amor, por exemplo, traz músicas compostas por Cabete nos CDs Soberana Sinfonia, Cabete por Elói Braga, Sinfonia para o amor e Alma das Andorinhas.
Raimundo Santos, presidente do sinfonia do Amor, conta como surgiu a idéia de gravar as músicas de João Cabete: "Uma senhora Telma, que convivia com Cabete enquanto encarnado e reside em Niterói (RJ), comentou comigo que, certa vez, ele havia dito em uma conversa que partiria da terra sem divulgar suas obras. Eu não sei porque, mas no momento em que ouvi isso, respondi logo que iria desenvolver o trabalho e assim iniciamos.
Trata-se de uma tarefa difícil, mas que vale a pena, porque o resultado do trabalho tem beneficiado muitas pessoas no sentido espiritual". Para Raimundo, trabalhar junto com Cabete é uma grande honra, um compromisso difícil, mas maravilhoso. "Ele é alguém de muita importância, é um espírito de Luz voltado para a Paz", analisa.
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo - Especial Música, edição nº 01.

2 comentários:

  1. Eu não sei dizer para onde vão as almas das andorinhas..............
    Eu sei só sei dizer que amo essa música.Obrigado amigo onde quer que estejas, um abraço fraterno do irmão Eduardo

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  2. João Cabete merece, sim, toda nossa reverência, Eduardo. Obrigado por suas palavras.

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