quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O médium cristão consciente


Francisco Muniz



"É impossível ser feliz sozinho." 
A frase é verso de música de um conceituado compositor brasileiro e mostra uma verdade que não se resume à relação de um casal apaixonado. Pelo contrário, esse conceito é observável em todos os aspectos da atividade humana, pelo fato de um homem só se realizar através de seus semelhantes, em suas necessidades evolutivas, considerando que todos somos espíritos em crescimento. Por isso nascemos em família, vivemos em grupo, convivemos em sociedade e nos encontramos na Humanidade. Só assim é possível experimentarmos o que se chama felicidade.
Nesse aspecto, a experiência como cristãos exige de nós uma responsabilidade considerável, porque se trata de irmos bem além do rótulo. Ser cristão implica bem mais que adotarmos esta ou aquela religião pautada nos ensinamentos do Cristo. Significa, em verdade, cumprirmos em nós mesmos as determinações de Jesus quanto à convivência em grupo, já que não vivemos sozinhos e precisamos uns dos outros para, nesse processo de interdependência, identificarmo-nos com a essência divina e assim termos sucesso nos relacionamentos todos que fazemos pela vida a fora.
Convém-nos, primordialmente, focalizar nestas reflexões o cristão-espírita, chamado mais diretamente a considerar e vivenciar sua condição de trabalhador consciente de sua condição nas esferas de atividade em que se vê convidado a colaborar, nas lides do Cristianismo Redivivo. A esse respeito, importa avaliarmos profunda e convenientemente nosso papel de médiuns, seja na Casa Espírita, seja nos vários setores da vida prática, a fim de construirmos e manifestarmos a necessária condição de seres conscientes da realidade que nos é própria.
Recordemos, a propósito, que a faculdade mediúnica, mercê da misericórdia divina, decorre de um compromisso em prol da auto iluminação, razão pela qual o estudioso da Doutrina Espírita, principalmente, não deve malbaratar os esforços da Espiritualidade em seu benefício, desprezando as ocasiões de serviço caritativo. Segundo o benfeitor espiritual Emmanuel, a mediunidade é “oportunidade de progresso e de redenção” para quantos recebam seus influxos, posto que os médiuns são os “filhos misérrimos” de Deus. Daí se entende por que é preciso aceitar a tarefa e desempenhá-la com responsabilidade.
É preciso entender, também, que essa conscientização guindará o médium à condição de mediunato, posto que, como trabalhador, ele tem uma missão da realizar no mundo, como instrumento dos Espíritos. É necessário, portanto que ele se aprimore sabendo que sua vida de devotamento será o mais das vezes um calvário, pelas lutas que será chamado a enfrentar. "Quando o médium atinge a plenitude de seu desenvolvimento mediúnico, começam as verdadeiras dificuldades", avisa o Espírito Vianna de Carvalho, colaborando para a consciência dos sensitivos em atuação na esfera do Consolador: "Esse é o momento em que ele, mais do que nunca, precisa de conselhos, de prudência e experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe vão ser preparadas". 
Eis porque não dá para sermos felizes sozinhos. É necessário recorrermos uns aos outros, os mais incipientes apelando para os mais experientes e estes reciclando continuamente seus conhecimentos e aprimorando suas habilidades, a fim de que todos colaborem para a grande obra de regeneração da Humanidade, consoante os propósitos do Evangelho e da Doutrina dos Espíritos. Nesse sentido, o benfeitor Vianna de Carvalho alerta aos médiuns, especialmente àqueles que estão iniciando sua jornada de trabalho: “Se o médium pretender muito cedo voar com suas próprias asas, não tardará em ser vítima de espíritos mentirosos, que não se descuidarão de lhe explorar a presunção”. É imperioso, portanto, refrear os ímpetos e, amparados na prudência, buscarmos uma postura mais humilde e fazermo-nos instrumentos seguros e dóceis dos Espíritos do Senhor, recordando o convite do Cristo: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Honrar pai e mãe


Mensagem do dia 15.novembro.2011

(a propósito da lição de O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre “honrar pai e mãe”)


Teus filhos, meu filho, tanto quanto teus pais, fazem o quanto podem e sabem a fim de explicitarem o que já conseguem compreender das recomendações divinas, consoante aquilo que chamamos desígnios de Deus. Há que compreendê-los, aceitá-los e estimulá-los na tarefa, que eles exercitam muitas vezes inconscientemente. Há que apoiá-los, pacientemente, sabedor de que, se ainda dormem para a verdade de si mesmos, um dia despertarão e farão melhor, assim como pensas já estares fazendo.
É certo que há muito a ser feito para a instalação definitiva do Reino de Deus na Terra, transformando a face escura do planeta numa filial das luminosidades celestiais. Mas, como bem explicam os textos santos, há um tempo propício para tudo. Há um tempo pra esperar e fazer; para calar e dizer; para ensinar e aprender. É tarefa de cada um observar seu tempo e comportar-se de acordo com o que já tem condições de compreender.
No entanto, a boa cooperação é imprescindível para que seja cada vez mais breve o tempo do entendimento e nesse aspecto aqueles que já detêm o conhecimento são mais exigidos. Trabalha, portanto, pelo bem comum, atendendo aos apelo silenciosos dos teus semelhantes, e silenciosamente operando para a harmonização coletiva, em teu lar e fora dele, a fim de que vivas em paz.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Chico Xavier e a educação de crianças birrentas

A psicologia aplicada à educação tem exercido grande influência, nas últimas décadas, nos métodos de orientação e educação da infância, algumas das escolas chegando ao ponto de recomendarem a total eliminação dos castigos às crianças, por mais moderados que sejam, sob o argumento de que inibem o completo desenvolvimento físico e mental delas.
Marlene Rossi Severino Nobre, em seu livro Lições de Sabedoria, retransmite-nos fato muito interessante que lera ou ouvira de Fernando Worm:


“Ao final da sessão em que o médium Luiz Antonio Gasparetto, em transe, pintou telas com assinaturas de Picasso, Manet, Modigliani, Tissot, Delacroix, Van Gogh e vários outros, Chico Xavier submeteu-se a uma espécie de sabatina acessível às centenas de pessoas presentes à reunião do Grupo Espírita da Prece.
“Por exemplo, discutia-se o problema de meninos integrantes de lares bem postos que cedo se mostram ineducáveis, seduzidos por viciações e estilos de vida que por vezes os levam ao suicídio entre a idade de 12 a 14 anos. Uma educadora participante fazia colocações do problema, abrangendo desde Freud até as modernas conquistas pedagógicas nesse campo. Depois de ouvi-la, Chico Xavier fez o seguinte comentário:
“Vocês, de certo, conhecem a lenda indu do marajá que não permitia fossem contrariados os desejos de seu filho de seis anos? Não conhecem? Então vamos lá! Certo dia, esse menino manifestou desejo de montar num elefante, no que foi prontamente atendido pelos servos do poderoso marajá. Sucedeu que uma vez montado, não quis descer do lombo do animal. Os servos lhe serviram ali mesmo o café e as demais refeições e, à noite, como se negasse a descer da montaria, arranjaram uma cama para que dormisse como melhor lhe apetecesse. No dia seguinte, preocupado com a permanência do filho naquela situação, mandou chamar um médico, um psicólogo e um professor, mas estes não conseguiram que a criança arredasse pé dali. Finalmente, já aflito, o marajá mandou buscar às pressas um velho tibetano que vivia na montanha e tinha fama de muito sábio. Ali chegando, o ancião, inicialmente, pediu uma escada, no que foi atendido. Tendo subido, cochichou meia dúzia de palavras ao ouvido da criança. Foi o bastante para que esta de pronto descesse do animal. Encantado com o notável feito, perguntou o marajá: ‘Mas, afinal, o que é que o senhor disse ao meu filho que fez com que ele descesse tão depressa?’
“’Disse-lhe’ – retrucou o sábio montanhês – ‘que se não descesse dali imediatamente, iria lhe aplicar uma boa surra de vara’.”

Livro:  O Apóstolo do Século XX – Chico Xavier. Weimar Muniz de Oliveira. FEEGO - Federação Espírita do Estado de Goiás.

domingo, 6 de novembro de 2011

Quando...

No recente IV Congresso Espírita da Bahia, o médico, pesquisador e expositor espírita Luiz Barreto, tratando do tema "Fecundação e reencarnação", citou trecho de uma mensagem do médium e escritor espírita Rubens Romanelli. Interessado em reproduzir aqui as belas palavras pronunciadas na ocasião, recorri ao Google e encontrei a mensagem completa, que deixo à reflexão de quem se dispuser a fazer conexão com esta Alma... A mensagem se intitula "Quando" e retirei-a do site "Mensagens do Coração" (http://semgrilo.zip.net/), de onde vem também a ilustração.

***

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos Busca-Me: eu sou Aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas. 

QUANDO te julgares incompreendido pelos que te circundam e vires que em torno a indiferença recrudesce, acerca-te de Mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos. 

QUANDO se te extinguir o ânimo, as vicissitudes da vida e te achares na eminência de desfalecer, chama-Me: eu sou a Força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidade do mundo. 

QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de Mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito. 

QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te julgares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-Me: eu sou a PACIÊNCIA que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis. 

QUANDO te abateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por Mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos. 

QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a Mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à fraqueza de tuas atitudes e à excelsitude de teus ideais. 

QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por Mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior. 

QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para Mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e acalenta os sonhos. 

QUANDO a impiedade se recusar a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-Me: eu sou o PERDÃO, que te eleva o ânimo e promove a reabilitação de eu espírito. 

QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre a Mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te reabilita para a conquista da felicidade. 

QUANDO já não aprovares a sublimidade de uma afeição sincera e te desiludires do sentimento de seu semelhante, aproxima-te de Mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo. 

QUANDO, enfim, quiseres saber quem Sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da Vida e a harmonia da Natureza; chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito. Estende-Me, pois, a tua mão... alma filha de minha alma que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do infinito, sob a luz brilhante da ETERNIDADE.