sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entrevista com Cláudio Emanuel Abdala

(Extraída do boletim Leitor EME n.º 25 [agosto.2011], da Editora EME, de Capivari - SP - anunciando o lançamento do livro  "Contos da vida", do escritor e expositor espírita baiano, idealizador e dirigente da Sociedade Espírita Campo da Paz, localizada no Jardim Nova Esperança, em Salvador.)

Como você conheceu o Espiritismo?
Aos 16 anos, a convite de um irmão. Nessa idade, iniciou-e também meu interesse pela literatura.

Qual a importância do Espiritismo em sua vida?
A importância que tem o sangue e o ar para meu corpo físico. É meu norte. Foi a Doutrina Espírita que me apresentou Jesus como todo seu esplendor.

Você é médium? Como a mediunidade auxilia em seu livros e em seu cotidiano?
Sim. Nos livros, é inequívoca a inspiração dos amigos da Espiritualidade. Sinto-lhes a presença, toda vez que me dedico a escrever. Em meu cotidiano, a mediunidade, facilitando meu contato com a Espiritualidade, desde que sintonizado com o bem, deixa-me sereno diante das adversidades. Só não sou mais auxiliado por causa das inúmeras imperfeições que me caracterizam.

Como surgiu a ideia do Projeto Campo da Paz? Quais são os objetivos e quais atividades funcionam atualmente?
O sonho teve início há mais de 25 anos, quando participava da Juventude Espírita Maria Dolores. Temos o objetivo de acolher em tempo integral crianças órfãs com deficiência e, futuramente, idosos socialmente desamparados. Estamos hoje aguardando a chegada das crianças via Vara da Infância e Juventude. Atualmente, em nosso núcleo, realizados estudos sobre as obras de André Luiz e mediunidade, promovendo ainda o estudo sistematizado da Doutrina Espírita. Realizamos também reunião mediúnica. Estamos nos preparando para dar início à construção do salão doutrinário.

Qual a principal motivação para escrever o livro Contos da vida?
Um forte impulso que surgiu em meu coração, um desejo incontido de passar amor em histórias simples.

Alguém o incentivou a desenvolver esse trabalho?
Minha esposa e os companheiros de nossa casa de oração.

Teve alguma surpresa ou dificuldade para realizar o livro? Quais?
Não. Eu sentia a presença dos companheiros espirituais. Via como uma tela cinematográfica e ia escrevendo.

O que deseja transmitir aos leitores com essa obra?
Amor. Desejo entender os meandros da vida, lutando para mudar o possível e resignar-me diante do "impossível", entregando a Deus a nossa vida.

Os contos e as crônicas espíritas têm tanta importância quando os estudos doutrinários?
O maior Espírito que pisou na Terra, o mestre de todos nós, o senhor de nossas vidas, Jesus, iluminou o mundo contando histórias, as espetaculares parábolas. O Espiritismo é inesgotável, dando ensejo a estudos em todos os ramos do conhecimento.

Você aborda uma série de temas atuais. É difícil aplicar o conhecimento espírita em assuntos do dia a dia?
Foi para isso que nos foram ministrados. Toda a dificuldade está em nós. A renovação interior em urgência em nossas vidas, a dificuldade faz parte da jornada, estamos na viagem "do átomo ao arcanjo, que um dia fora átomo".

As drogas têm realmente "adotado" nossas crianças e jovens, sejam pobres ou ricos?
Estamos num momento de transição planetária, e toda transição é dolorosa. Muitas doutrinas comentam sobre a "besta do apocalipse", e a droga pode ser essa besta. Às vezes, a busca desenfreada pelas coisas materiais faz com que surjam os chamados "órfãos de pais vivos", e muitas vezes as drogas ocupam esse espaço. O vazio existencial também conduz a criatura a penetrar esse doloroso caminho.

O Espiritismo tem contribuído para um fortalecimento da espiritualidade em nossa sociedade?
Essa é a grande missão do Espiritismo: provar de forma racional que somos espíritos imortais, filhos de Deus, e que Jesus é o "caminho por onde devem trilhar nossos pés".

Você acredita que, nos dias atuais, é mais presente a solidariedade ou ainda o egoísmo?
O sofrimento é grande na Terra, entretanto, o amor também. Diante das catástrofes, o ser humano consegue exteriorizar o amor que jaz latente nas fibras mais íntimas da alma. O egoísmo ainda é a maior chaga da Humanidade, mas irá desaparecer envergonhado, quando o amor ganhar terreno no coração das criaturas, e se materializar na mais pura solidariedade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O imortal Offenbach

(Transcrito do boletim SEI - Serviço Espírita de Informações, editado pelo Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro. O texto que segue, de Giovanni Scognamillo, é continuação do trabalho iniciado em edição anterior à do número 2.015, correspondente à data de 11 de novembro de 2006.)


"O caro leitor que vem prestigiando este boletim, acolhendo com carinho aquilo que nele é divulgado, tem recebido comentários sobre os enredos de óperas enriquecidos por fenômenos mediúnicos, produzidos por médiuns conscientes ou não; e tomando conhecimento de mensagens, via música, que afirmam a pluralidade das existências e as influências, boas ou más, que exercem os Espíritos obre nós, os encarnados.
No artigo anterior (SEI 2.010, de 7 de outubro), prometemos mostrar o quanto podem Espíritos condicionados ainda ao uso do fumo e do álcool influenciar as pessoas que, por invigilância, se colocam sob sua dependência, convertendo-se em vasos humanos passivos, por mio dos quais aqueles viciados do Além procuram, de alguma sorte, satisfazer a dependência que adquiriram durante a permanência no corpo físico.
Devemos lembrar, por outro lado, que o assédio espiritual dura até o momento em que a pessoa resolve reagir, quer pela oração quer pela modificação de hábitos e, mais ainda, quando apela para a necessária reforma íntima. Eliminada a causa, o efeito desaparece.
Na ópera "Os contos de Hoffmann", de (Jacques) Offenbach (1819-1880), deparamos com uma cena singular, no interior de uma taverna inteiramente tomada por amantes de bebidas alcoólicas, seres humano que ali costumavam encontrar motivações para as suas ilusórias alegrias. Ocorre que, segundo o enredo de Offenbach, uma outra multidão ocupava o espaço não-visível aos olhos dos encarnados: eram os numerosos desencarnados, que ali compareciam para saciar a sede de bebidas e, para tanto, contavam com a colaboração material daqueles festivos companheiro de copo. O libreto da ópera reproduz, com fidelidade absoluta, o que se passa no interior da casa noturna, dizendo: "Vindo dos bastidores, ouve-se um breve coro dos Espíritos da cerveja e do vinho, que entoam louvores às beberagens a eles (os Espíritos) respectivamente associadas como dissipadoras da melancolia dos homens". E basta o uso do bom-senso pra que se aceite esta como uma séria e providencial advertência.
Também remetemos ao prezado leitor, para as devidas reflexões, esta preciosa descrição que faz o Espírito André Luiz, dando detalhes do interior de uma casa noturna onde a moral e os bons costumes estavam ausentes nos que a frequentavam. Cedemos a palavra àquele orientador: "A casa de pasto regurgitava... Muita alegria, muita gente. Lá dentro, certo recolheríamos material adequado a expressivas lições. Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar. Junto a fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectante. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar... outras aspiravam o halito de alcoólatras impenitentes." E, para mais informações, o leitor pode consultar o capítulo 15 da esclarecedora obra desse Espírito amigo: "Nos domínios da mediunidade", psicografada por Chico Xavier e publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Como dissemos, a personagem central do melodrama chama-se Antônia, médium de amplos recursos e que, como um ser humano normal, também passava por dificuldades e problemas. Numa determinada prova, sentindo-se necessitada de amparo, recorre ao Espírito da saudosa mãe, na expectativa de ser atendida pela amorosa entidade, cuja lembrança estava preservada por um retrato que ela cuidava com muita estima. E foi diante da imagem da mãe que ela orou, implorando proteção. Ocorre, então, um singular caso de efeitos físicos, quando o retrato parece adquirir vida e movimento, e a voz da falecida mãe se faz ouvir, chamando a filha pelo nome, advertindo-a e implorando que não deixasse de atendê-la, antes que fosse demasiado tarde. Este fenômeno é conhecido na literatura doutrinária como voz direta.
Sem dúvida, esta valiosa criação operística de Jacques Offenbach, como aquelas outras anteriores, emolduradas por linhas melódicas que promovem a alegria sadia, suas óperas e operetas muito ajudaram na criação de psicosfera receptiva aos trabalhos desenvolvidos por Allan Kardec em sua tarefa libertadora.
Oportuno lembrar: um dos mais lindos e apreciados poemas sinfônicos conhecidos faz parte desta ópera: "La Barcarola" (a pequena barca), que, por si só, já bastaria para imortalizar o nome de Offenbach.