quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O imortal Offenbach

(Transcrito do boletim SEI - Serviço Espírita de Informações, editado pelo Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro. O texto que segue, de Giovanni Scognamillo, é continuação do trabalho iniciado em edição anterior à do número 2.015, correspondente à data de 11 de novembro de 2006.)


"O caro leitor que vem prestigiando este boletim, acolhendo com carinho aquilo que nele é divulgado, tem recebido comentários sobre os enredos de óperas enriquecidos por fenômenos mediúnicos, produzidos por médiuns conscientes ou não; e tomando conhecimento de mensagens, via música, que afirmam a pluralidade das existências e as influências, boas ou más, que exercem os Espíritos obre nós, os encarnados.
No artigo anterior (SEI 2.010, de 7 de outubro), prometemos mostrar o quanto podem Espíritos condicionados ainda ao uso do fumo e do álcool influenciar as pessoas que, por invigilância, se colocam sob sua dependência, convertendo-se em vasos humanos passivos, por mio dos quais aqueles viciados do Além procuram, de alguma sorte, satisfazer a dependência que adquiriram durante a permanência no corpo físico.
Devemos lembrar, por outro lado, que o assédio espiritual dura até o momento em que a pessoa resolve reagir, quer pela oração quer pela modificação de hábitos e, mais ainda, quando apela para a necessária reforma íntima. Eliminada a causa, o efeito desaparece.
Na ópera "Os contos de Hoffmann", de (Jacques) Offenbach (1819-1880), deparamos com uma cena singular, no interior de uma taverna inteiramente tomada por amantes de bebidas alcoólicas, seres humano que ali costumavam encontrar motivações para as suas ilusórias alegrias. Ocorre que, segundo o enredo de Offenbach, uma outra multidão ocupava o espaço não-visível aos olhos dos encarnados: eram os numerosos desencarnados, que ali compareciam para saciar a sede de bebidas e, para tanto, contavam com a colaboração material daqueles festivos companheiro de copo. O libreto da ópera reproduz, com fidelidade absoluta, o que se passa no interior da casa noturna, dizendo: "Vindo dos bastidores, ouve-se um breve coro dos Espíritos da cerveja e do vinho, que entoam louvores às beberagens a eles (os Espíritos) respectivamente associadas como dissipadoras da melancolia dos homens". E basta o uso do bom-senso pra que se aceite esta como uma séria e providencial advertência.
Também remetemos ao prezado leitor, para as devidas reflexões, esta preciosa descrição que faz o Espírito André Luiz, dando detalhes do interior de uma casa noturna onde a moral e os bons costumes estavam ausentes nos que a frequentavam. Cedemos a palavra àquele orientador: "A casa de pasto regurgitava... Muita alegria, muita gente. Lá dentro, certo recolheríamos material adequado a expressivas lições. Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar. Junto a fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectante. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar... outras aspiravam o halito de alcoólatras impenitentes." E, para mais informações, o leitor pode consultar o capítulo 15 da esclarecedora obra desse Espírito amigo: "Nos domínios da mediunidade", psicografada por Chico Xavier e publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Como dissemos, a personagem central do melodrama chama-se Antônia, médium de amplos recursos e que, como um ser humano normal, também passava por dificuldades e problemas. Numa determinada prova, sentindo-se necessitada de amparo, recorre ao Espírito da saudosa mãe, na expectativa de ser atendida pela amorosa entidade, cuja lembrança estava preservada por um retrato que ela cuidava com muita estima. E foi diante da imagem da mãe que ela orou, implorando proteção. Ocorre, então, um singular caso de efeitos físicos, quando o retrato parece adquirir vida e movimento, e a voz da falecida mãe se faz ouvir, chamando a filha pelo nome, advertindo-a e implorando que não deixasse de atendê-la, antes que fosse demasiado tarde. Este fenômeno é conhecido na literatura doutrinária como voz direta.
Sem dúvida, esta valiosa criação operística de Jacques Offenbach, como aquelas outras anteriores, emolduradas por linhas melódicas que promovem a alegria sadia, suas óperas e operetas muito ajudaram na criação de psicosfera receptiva aos trabalhos desenvolvidos por Allan Kardec em sua tarefa libertadora.
Oportuno lembrar: um dos mais lindos e apreciados poemas sinfônicos conhecidos faz parte desta ópera: "La Barcarola" (a pequena barca), que, por si só, já bastaria para imortalizar o nome de Offenbach.

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