segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sobre a doutrinação de espíritos

Francisco Muniz



As reuniões mediúnicas, compreendidas do ponto de vista dos Espíritos, são um recurso terapêutico em favor das entidades em tratamento, com vistas a sua readaptação ao plano espiritual. Os médiuns são chamados a colaborar nesse processo através da doação do que tenham de melhor, a partir da boa vontade em ajudar os necessitados, ajudando-se a si mesmos. Essa contribuição se faz, primeiramente, pela transfusão fluídica que constitui o chamado “choque anímico”, quando os encarnados doam fluido animalizado e absorvem as energias deletérias que impedem o Espírito sofredor de se readaptar à realidade que lhe é própria. Em troca, este recebe o componente energético mais sutil e salutar que o fará mais maleável às orientações e esforços dos Amigos Espirituais. Deve-se compreender, portanto, que os Espíritos trazidos/levados a uma reunião mediúnica são, em sua maioria, pacientes hospitalares e como tal devem ser respeitados, merecendo, da parte dos encarnados chamados a oferecer colaboração, toda a consideração que se dispensa a um doente internado em qualquer estabelecimento de recuperação da saúde, na Terra.
Mas não é somente o “choque anímico” (“atrito” entre almas seria uma definição aceitável) que as entidades desencarnadas em tratamento vão necessitar no momento do intercâmbio mediúnico. Sabemos que durante o processo de doutrinação, ou esclarecimento, como prefere o Espírito André Luiz, podemos – nós, os médiuns especializados nessa tarefa, junto aos psicofônicos – utilizar diversos recursos para proporcionar aos comunicantes um pouco de consciência acerca de sua condição sofredora, tornando-o apto a passar à etapa seguinte, que é a mudança de postura perante a vida, para o que contam sempre com o auxílio dos Instrutores Invisíveis.
Dentre esses recursos, um dos principais é a terapia da palavra, através da qual o médium veicula energias magnéticas que, se bem conduzidas, ajudam a entidade sofredora a retirar de si, enquanto mantém a conversação, as impressões negativas que seus dramas pessoais exercem sobre seu ser, observando nesses momentos uma súbita e inexplicável melhora de seu quadro “clínico”. A palavra bem empregada imanta-se de poderosa força magnética provinda não propriamente do médium, mas dos integrantes da Equipe Espiritual condutora da reunião mediúnica. Mas o médium não é uma simples peça do processo e dele se requer muito mais que a disposição em servir. Ele precisa estar capacitado para manter a concentração e assim se fazer intérprete dos mentores, além de manifestar aptidão para compreender em que momento deverá interferir na fala ou no silêncio do comunicante e oferecer sua colaboração.
A doutrinação, como se percebe, não é um ato solitário, isto é, não é tarefa unicamente do médium esclarecedor, posto que também o psicofônico é chamado a cooperar no processo estimulando, mentalmente, o comunicante a ouvir as orientações, através da vibração resultante da concentração e do sentimento de fraternidade. Com isso assegura-se o sucesso da empreitada tanto do lado de cá quanto de lá, ainda que a Equipe Espiritual possa neutralizar possíveis deslizes e compreensíveis falhas dos encarnados, a bem do trabalho. Mas os médiuns não devem contar com a ação neutralizadora dos Amigos Espirituais e se esforçarem para desempenhar condignamente sua atividade, reconhecendo-se, como diz Francisco de Assis em sua prece, verdadeiros instrumentos da paz e da verdade junto a quem mais precisa...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Noticiário do Além


Francisco Muniz

As pessoas “comuns”, isto é, aquelas que se pautam pelo pragmatismo nas questões do mundo, dizem, ao se reportarem às coisas transcendentais, especialmente no tocante à vida além da morte física, que “ninguém nunca voltou para dizer como é”. Com isso atestam seu ceticismo e, pior, sua ignorância acerca da própria vida, que nos convida a um exame mais acurado de todos os seus aspectos. Afinal, informações há de sobejo à disposição de quem queira pelo menos ilustrar-se no conhecimento da Verdade, principalmente para quem deseja mudar de ideia a respeito das próprias convicções.
Ora, o “correio do Além”, se assim podemos nos expressar, jamais esteve inativo e a história da Humanidade é pródiga a esse respeito. É certo, portanto, que “eles” voltam para contar como é “lá” e, se não vêm, recepcionam quem se disponha a buscar notícias na fonte, a exemplo do poeta renascentista italiano Dante Alighieri, os gregos iniciados nos mistérios de Elêusis, o sueco Emmanuel Swedenborg e tantos outros que devassaram o véu do Invisível e se fizeram narradores especialíssimos dos panoramas e ocorrências referentes a um mundo tão nosso conhecido, o qual julgamos, contudo, não nos pertencer, ao ponto de o chamarmos de “outro”.
Coube ao pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail tornar patente a realidade da vida extrafísica, revelando-a, através do concurso dos habitantes do Mundo Espiritual, como o conhecimento mais proveitosa de encetarmos as modificações de mente e caráter (disposição moral) de que necessitamos para nos sentirmos sempre bem (bem se vê que aqui transcendemos a simples questão de saúde física e/ou mental). Com o pseudônimo de Allan Kardec, o pesquisador francês tornou-nos possível, desde o século XIX, rasgar o véu do “outro mundo” ao nos apontar a todos na condição de médiuns, ou seja, detentores da “chave” que abre as portas da realidade transcendental. Na qualidade de médiuns, entramos em contato com seres não tão desconhecidos de nós mesmos, descobrindo que eles já estiveram aqui com conosco, assim como procedemos de “lá”. A mediunidade, então, é o “xis” que soluciona o problema.
Foi com essa incógnita que o mineiro Francisco Cândido Xavier, então com 17 anos de idade, deparou-se um dia, ele que desde cedo já experimentava ocorrências próprias de sua condição de médium. Adolescente, ele conheceu os amigos encarnados – o casal Perácio – José Hermínio e Carmem – que o iniciariam nas lides do intercâmbio espiritual a partir do conhecimento da Doutrina dos Espíritos. Fato semelhante também aconteceu com o baiano Divaldo Pereira Franco, com a fluminense Yvonne do Amaral Pereira e muitos outros médiuns no Brasil e alhures, chamados a desempenhar um papel preponderante na disseminação das verdades relativas à imortalidade do ser, dando prosseguimento à tarefa de anunciar a Boa Nova do Reino executada por Jesus há mais de dois mil anos.
É imperioso, assim, que saibamos atentar para a praticidade desse “correio”, aumentando nossa percepção acerca da Vida, uma vez que o intercâmbio entre os dois mundos propõe por finalidade a transformação moral dos homens. A praticidade está em não só fazermo-nos condignos desse intercâmbio com os Espíritos, através da adoção de posturas responsáveis em benefício de nós mesmos e dos outros – “eles”, inclusive –, mas sobretudo precavendo-nos quanto às surpresas desagradáveis que por desventura nos assaltem no pós-vida, em razão de nossa indiferença para com os deveres morais/conscienciais, que nos exortam a praticar o bem.
Vemos, assim, na mediunidade uma ferramenta pedagógica que, se bem utilizada, fará de seu portador tanto um bom canal a serviço dos missivistas do Além, quanto um autêntico representante de Jesus na Terra, retransmitindo incessantemente a Boa Nova do Reino dos Céus, a fim de que cada vez mais tenham os homens a possibilidade de reencontrar o caminho para Deus.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A lição começa em casa

Francisco Muniz


Sem ideias para escrever este artigo, peço sugestões a amigos espíritas e as mulheres é que opinam. Rita sugere “algo a respeito da família, do papel dos pais no crescimento dos filhos, de até onde a gente pode interferir...”, enquanto Fátima Christina aponta um assunto “voltado para a educação - escola e pais - como dar limites?” Como se vê são temas correlatos e se complementam com uma das sugestões de uma outra Fátima, que pretende eu escreva sobre “o estudar como fator de transformação” ou, mais especificamente, “estudar e o crescimento espiritual”, principalmente em razão dos tempos de transição que já vivemos no planeta desde o século passado e se intensifica neste terceiro milênio.
São temas pertinentes, convenhamos, e eis que acordo de madrugada matutando acerca do impositivo e eis que me recordo que há aproximadamente 10 anos comentei, no posfácio ao livro “Os novos tempos chegaram”, que o amigo espírita feirense Evilásio Menezes publicou pela Editora DPL, algumas linhas relativas à pedagogia espírita. Dizia, naquela ocasião, que a evangelização de crianças e jovens no âmbito da casa espírita deveria ser acompanhada necessariamente pela instrução moral dos familiares, especialmente seus pais, para se garantir esse aprendizado diferenciado, motivando a troca de pensamentos e ideias voltados para a harmonia geral.
Em seu livro Evilásio Menezes iniciou a exploração de uma temática que iria aprofundar em “Pedagogia da consciência”, sua mais recente obra, agora publicada pela Editora EME. “Os novos tempos chegaram”, dentre várias informações, traz-nos ao conhecimento um curioso diálogo transcorrido na Grécia clássica dos filósofos, numa certa residência onde um pai interroga seu filho a respeito da educação que este recebe por conta de um certo filósofo. O menino, contudo, escusa-se de responder à inquirição paterna informando não poder fazê-lo naquele momento. Mas o pai insiste, afinal, é seu filho e quer que as instruções que receba sejam as melhores, de modo que insiste com seu garoto. Este, porém, mantém-se na recusa e por fim seu pai se irrita e enfurecido ante o que pensa ser a rebeldia do filho, desfere-lhe uma sonora bofetada no rosto. O garoto, então, chorando e afagando a face dolorida, exclama: “Eis aí, meu pai, o que tenho aprendido: a respeitar os mais velhos, a perdoar os ofensores, a fazer o bem até mesmo a quem me faz o mal!”
Desde tempos os mais remotos, não é tarefa muito fácil educar os filhos, pois ora os mimamos em demasia, ora negamos-lhe a necessária cota de carinho e das duas formas provocamos dramas motivados pela carência de atenção que no futuro poderão se manifestar até mesmo como incentivo à criminalidade. Mas como caminhar o caminho do meio, oferecendo aos espíritos reencarnantes o devido esclarecimento sem derrapar na excessiva liberalidade nem na repressão castradora? Como observar os limites apontamds pela amiga Rita?
Na atualidade, psicólogos e pedagogos se debruçam com maior ênfase sobre o problema e há que louvarmos importantes contribuições literárias como a de Içami Tiba, que em “Quem ama, educa” oferece informações técnicas sobre como não transformar os filhos em criaturinhas tiranas na família nem adultos de caráter malformado, representando um peso para a sociedade. A contribuição espírita, no entanto, precisa ser seriamente considerada, porquanto se o profissionais leigos vêm a expressão do problema, o Espiritismo preconiza suas causas na origem de fato, que é a personalidade da alma imortal, viajora do tempo e do espaço e assim realizando seu lento aprendizado de conformação moral ante os ideais de engrandecimento que somente a consciência burilada poderá avaliar. Enquanto tal não se dá, é compreensível que os seres se comportem de maneira inadequada quanto aos valores que devem nortear uma sociedade harmonizada, cabendo aos líderes, a começar pelos pais, o papel de bons condutores,
A ação evangelizadora levada a efeito na intimidade da Casa Espírita deverá, portanto, transcender seus limites físicos e encontrar eco nos lares de suas redondezas, especialmente no de seus frequentadores, mesmo aqueles que o sejam eventualmente, preconizando o imprescindível culto doméstico do Evangelho e o comparecimento ao menos às reuniões públicas de esclarecimento, cujos temas deverão sempre abordar as ideias de transformação de hábitos, sentimentos e maneira de ver o mundo, facilitando aos pais a tarefa de serem exemplos para aqueles que eles desejam serem, um dia, pessoas de bem.

Olhos de ver



Se não vês, ao menos pressentes os amigos invisíveis que te rodeiam e em nome do Pai, do Divino Amor, procuram te estimular no bom proceder, sugerindo-te bons pensamentos a fim de que tuas provas sejam realizadas com o sucesso que esperas. Confia, pois, em tua boa intuição e prossegue, certo de que a vitória sobre ti mesmo será só a consequência de teus atos positivos no dia de hoje.
Arma-te da coragem, reconhece a força de que és portador e segue avante, rumo ao objetivo traçado. Não estás a sós, contas com inestimável auxílio da parte daqueles que te querem muito bem. Vai, tens um longo e valoroso trabalho a realizar nas falanges de Jesus, que conta sempre com teu esforço em prol de tua própria renovação.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Rodoviárias e cemitérios

Márcio Lima

Cemitérios são como rodoviárias:
Boa viagem! Até logo! Volte sempre!
Não, não, não, não se vá!...

O viajante diz: eu não sou daqui
Espero você lá...
Agora lembrei Victor Hugo
"O corpo morre, mas a ideia fica de pé."

Que conversa feia é essa?
Negócio de morte,
Estou falando de Vida.
Viva a Vida
Viva as viagens
Aproveitemos as viagens
Esqueçamos as rodoviárias...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A importância de dizer bom dia

Francisco Muniz

Quando Jesus disse, certa vez, que seja nosso falar “sim, sim; não, não”, certamente ele estava nos informando da imperiosa necessidade de sermos sempre positivos, propositivos e otimistas quanto coerentes e mesmo justos em nossas palavras, só dizendo coisas boas a qualquer pessoa que nos cruze o caminho, a começar daqueles com quem convivemos. Assim, desde o despertar devemos estar ocupados nessa construção de um ser melhor, dando de nós mesmos, aos outros, exatamente o que nós merecemos. Pois não foi o Cristo quem ensinou a amar o próximo como a si mesmo? Uma vez, uma pessoa que nos foi pedir auxílio contou algo a respeito de si mesma, deixando-nos uma preciosa lição de boa convivência. Todos os dias, aos sair de casa, segundo nos disse, ela costumava desejar um bom dia ao gari que toda manhã varria a rua onde ela morava. Mas nossa amiga reparava que ele jamais respondia. Um dia, ela acordou tarde e, atrasada para o trabalho, arrumou-se e alimentou-se com pressa e saiu, preocupada em não perder o dia de serviço. Com isso, esqueceu-se de dizer bom dia ao varredor de rua, que estava ali, como de hábito, em sua função de limpeza. No entanto, antes que ela se afastasse muito, ele a chamou, dizendo que não recebera seu bom-dia. Nossa amiga teve de parar e fazer a saudação, ouvindo estas palavras do gari: “Saiba que todos os dias você me diz ‘bom dia’ e eu não respondo, mas eu estou pedindo a Deus por você!”
Esse depoimento nos leva a refletir acerca do quanto nossas palavras, muitas vezes despretensiosas, têm um alcance inimaginável. Essa história é semelhante a um dos muitos relatos feitos a propósito da vida do médium Chico Xavier, quando este ainda estava encarnado, em Pedro Leopoldo (MG), e cumpria sua rotina de trabalho na Fazenda Modelo. Um dia, Chico também saíra de casa com pressa para chegar ao local de suas tarefas ordinárias quando uma vizinha o chamou para uma consulta qualquer. “Não tenho tempo”, disse-lhe o médium, afastando-se, mas logo em seguida aparece-lhe seu mentor espiritual, Emmanuel, e este pede a Chico que vá ouvir o que a vizinha quer lhe dizer. Obediente, Chico acede e conversa cerca de dez minutos com a mulher e por fim vai embora. Ele não se afasta cem metros quando Emmanuel retorna e lhe pede que olhe para trás, na direção da casa da vizinha. Chico volta-se e vê jatos de energia luminosa vindo na direção dele, que recebe de seu mentor esta observação: “Agora imagine o que viria se você tivesse se negado a atendê-la!”
Pois é, se julgarmos que, como disse o apóstolo Paulo, estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas invisíveis, certamente pensaremos melhor ao tomar qualquer atitude, especialmente vigiando pensamentos e palavras direcionados aos outros. As palavras, como é sabido, podem elevar quanto ofender muito uma pessoa, de modo que é nosso dever vigiarmos constantemente pensamentos e ações verbais para não sermos surpreendidos por consequências desagradáveis que poderíamos evitar. Do mesmo modo, somos convidados a não só vigiar, mas também a orar incessantemente a fim que que nossas companhias invisíveis sejam mais as que ajudam que as que atrapalham, para termos sucesso tanto nas pequenas quanto nas conversações de vulto.
A esse respeito, recordamos um episódio narrado pelo motorista de um táxi que utilizamos certa vez, o qual vem a ser um amigo nosso. Contava ele, na ocasião, que, ao conversar com uma outra pessoa de suas relações, esta, “de repente”, ofendeu-se e o destratou, coisa que ele não conseguiu compreender porque, segundo afirmou, nada disse que pudesse gerar aquela situação. “É que você não falava sozinho nem ela ouvia sozinha”, eu disse a ele, sem refletir, naquele momento, acerca da profundidade de minhas palavras.
Mas essa é a verdade, não estamos jamais a sós e teremos sucesso em nossos relacionamentos se mais ouvirmos do que falarmos e, se chamados a dar algum parecer, proferirmos palavras que venham embaladas pela suavidade de uma prece, a fim de atrairmos sempre boas companhias que nos auxiliarão no sentido de superarmos obstáculos que se exteriorizam nas dissensões e se prolongam nos ressentimentos. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, como reza antigo “slogan” do Exército Brasileiro...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

18 de abril

Francisco Muniz

Há 155 anos o Espiritismo prossegue espargindo luz nova sobre os homens, consolando enquanto esclarece sobre a realidade da vida espiritual, dizendo que ninguém morre: aqueles nossos entes queridos que julgávamos ter "perdido" simplesmente partiram antes e nos recepcionarão à nossa chegada ao Mundo da Verdade; e esclarece consolando, ao informar que já vivemos antes e continuaremos vindo à Terra (mundo material) quantas vezes sejam necessárias até que corrijamos todo um passado de erros e condicionemo-nos à felicidade plena, sendo os únicos autores de nossas desditas e alegrias, dando total correspondência às palavras do Cristo, cuja doutrina o Espiritismo revive, quanto a ser dado a cada um, a qualquer tempo, de acordo com as próprias obras.
Salve, Allan Kardec, que no dia 18 de abril de 1857 presenteou o mundo com a portentosa obra que é O Livro dos Espíritos, contendo o ensinamento luminoso dos Invisíveis que, em nome e sob as ordens de Jesus, inauguraram no planeta a Era do Espírito! Mais tarde, essa obra se desdobraria nos quatro livros que compõem o chamado pentateuco da Doutrina Espírita: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, coleção imprescindível na biblioteca de todo aquele que realmente esteja interessado em conhecer a Verdade.

domingo, 15 de abril de 2012

Canto de louvor

Eu canto, amigos, eu canto louvores a Deus, nosso pai, sempre misericordioso e atento às necessidades de cada um de seus filhos, todos bem amados por seu coração magnânimo. Eu canto, então, louvores e os convido a cantar cada vez mais alto, todos os dias. Cantemos; a vida é um belo e precioso cântico em louvor da grandeza do Pai. Cantemos, todos juntos, encarnados e desencarnados, um hino de gratidão e de comunhão com a Natureza, fazendo-nos participantes responsáveis das alegrias da Vida. Cantemos, amigos, cantemos o hino de paz e concórdia entre os homens, nossos irmãos, manifestando a solidariedade na mais perfeita noção de fraternidade, conforme preconizou o Cristo.

sábado, 14 de abril de 2012

Recado 2

Então, se é o que queres, por contares com todo o amparo do Alto e com os recursos com que Deus capacita os escolhidos, esforça-te na tarefa do aprendizado a fim de te transformares numa luzinha um pouco maior que esta que já apresentas. Busca mais, que a busca se te afeiçoa, e encontrarás cada vez mais oportunidades de servir à Causa justa, que é a de reunir as ovelhas esparsas do rebanho, para que sejas um fiel auxiliar do Divino Pastor.
Trabalha em teu proveito ajudando os demais, dando de ti a quem ainda não descobriu que tem e amparando aqueles que ainda não sabem caminhar. Tua luz apontará um dia o melhor caminho a percorrer, assim como o Cristo veio certa vez ao mundo mostrar a via da Verdade aos homens, para que mais ninguém ande perdido.
Caminha, retirando os obstáculos do caminho e tornando a senda mais confiável aos que vêm na retaguarda. É este teu fanal na Terra e se fizeres bem teu trabalho grande será tua recompensa. Trabalha, pois, consciente de que são do trabalhador as alegrias que envolvem aqueles que se empenham no serviço de elevação.
Muita paz.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Recado



As nuvens do céu, em sua alva coloração, por vezes se transmutam para que a chuva fecunde a terra... Assim, o que era só beleza e suavidade aparentes torna-se estranho, mas útil. Esta imagem deve mostrar aos filhos de Deus, o Pai amantíssimo, que as tempestades beneficiam a atmosfera, tornando-a mais respirável; os abalos da Terra a colocam em condição mais harmônica; os conflitos respondem pela necessária tentativa de pacificação; os choques são essenciais ao equilíbrio; a dor é o caminho para a superação, assim como a doença do corpo é indicativo de cura para a alma.
Confia e trabalha, pois, em meio às tuas dificuldades, que elas te mostrarão as alegrias que têm confortar o coração. Tem coragem, sobretudo, que tuas provas ainda não cessaram. Deus, o fiel dispensador de todas as benesses, te cumula com suas bênçãos; o Cristo amigo vela sobre tuas ansiedades. Não estás ao desamparo, como vês. Confia e caminha mais ainda à frente. Descobre em tua alma dolorida a força que te vem do Pai.
Choras quando teus dramas parecem sem resposta, mas compreende que tuas lágrimas são um bálsamo para tua alma aflita. Mas que elas não te afoguem o entendimento. Ao teu lado velam os amigos que em nome do Altíssimo te confortam, orientando-te os passos no sentido do progresso espiritual. Que mais queres? Tudo te é dado de acordo com tuas necessidades e teu merecimento. Confia, trabalha apor teu reequilíbrio e espera que o mais te venha do Senhor.
Confia, te pedimos. Ninguém está ao desabrigo dos Céus e a Terra ainda é um mundo onde as dores devem se fazer sentir com alguma intensidade para que os filhos de Deus possam enfim caminhar de volta para o Pai, que os espera a todos, solícito, para lhes apresentar a herança que lhes cabe – o reino prometido por Jesus.
Confia, portanto, certa de que teus dias se dilatarão em alegria quanto mais faças por suportar as agruras do caminho que te conduzirá às esperanças do futuro tão risonho quanto almejas.  Abençoada sejas, filha. Que Deus, o Cristo e tua mãe Maria, nossa Mãe Santíssima, tenham misericórdia de ti, pois que tu és querida entre nós.

domingo, 8 de abril de 2012

A sede das emoções

Francisco Muniz

Os estudiosos da realidade extrafísica sabem que a ligação entre o corpo material e o espírito ou alma é feita através de uma estrutura sutil, de matéria quintessenciada, chamada perispírito. Mas para que a união entre um e outro se efetive é preciso que haja uma energização constante, o que é garantido pelos centros de força, também conhecidos pela denominação de "chakras", que em sânscrito quer dizer "rodas", posto que se assemelham a pequenos vórtices que captam a energia etérea e a canalizam para o corpo somático através dos vários plexos nervosos, muitos dos quais correspondem ao sistema endócrino, regulando as diversas funções corporais. Mas, do mesmo modo como trazem energia para o corpo, os chakras também realizam o trabalho inverso, retirando impurezas energéticas do organismo e substituindo-as por substâncias reenergizantes com poder até mesmo curativo.
De acordo com os percipientes orientais, os chakras principais são em número de sete e estão localizados em áreas estratégicas da organização física: no alto da cabeça (o coronário, chamado assim por apresentar a forma de uma coroa); no centro da testa (o frontal, por razões óbvias); na garganta (o laríngeo); no tórax (o cardíaco); na região do baço (o esplênico); na altura do umbigo (o solar); e na área genital (o básico). Se esses são os principais é porque há vários outros centros de força espalhados pelo corpo, até mesmo na palma das mãos, na ponta dos dedos e na sola dos pés.
É sobre o cardíaco, localizado junto ao coração, que queremos tecer alguns comentários. Por demais importante, ele é o ponto de integração de todo o sistema de chakras, produzindo efeito global no campo do equilíbrio corporal, tanto psíquica quanto emocionalmente, sendo, por isso, fator fundamental da transformação espiritual. Está ligado à glândula timo, que atua significativamente sobre todo o sistema imunológico. O cardíaco energiza também os pulmões e dirige a emotividade, canalizando a forma, o grau e a qualidade do amor em cada ser humano, sofrendo, contudo, forte influência do plexo solar, que canaliza energias muitas vezes perturbadoras.
O cardíaco, atuando sobre o coração e recebendo diretamente as energias provenientes do coronário, gera uma qualidade particular de energia - o amor. Por regular as emoções e os sentimentos, quando esse chakra é despertado faz o ser desenvolver um sentido de tato cada vez mais sutil, o que permite sentir diretamente o campo energético de outras pessoas, detectando mais facilmente distúrbios e doenças. Para despertar esse centro de força é necessário desenvolver a sensibilidade ante a beleza e importância da vida e da Criação, com o que se chegará ao entendimento e prática tanto do auto quanto do alo-amor, evidenciando-se a famosa recomendação do Cristo, de amar ao próximo como a si mesmo.

O livro espírita

Emmanuel

Cada livro edificante é porta libertadora.
O livro espírita, entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida.
*
O livro científico livra da incultura; o livro espírita livra da crueldade, para que os louros intelectuais não se desregrem na delinquência.
O livro filosófico livra do preconceito; o livro espírita livra da divagação delirante, a fim de que a elucidação não se converta em palavras inúteis.
O livro piedoso livra do desespero; o livro espírita livra da superstição, para que a fé não se abastarde em fanatismo.
O livro jurídico livra da injustiça; o livro espírita livra da parcialidade, a fim de que o Direito não se faça instrumento de opressão.
O livro técnico livra da insipiência; o livro espírita livra da vaidade, para que a especialização não seja manejada em prejuízo dos outros.
O livro de agricultura livra do primitivismo; o livro espírita livra da ambição desvairada, a fim de que o trabalho da gleba não se envileça.
O livro de regras sociais livra da rudeza de trato; o livro espírita livra da irresponsabilidade que, muitas vezes, transfigura o lar em atormentado reduto de sofrimento.
O livro de consolo livra da aflição; o livro espírita livra do êxtase inerte, para que o reconforto não se acomode em preguiça.
O livro de informações livra do atraso; o livro espírita livra do tempo perdido, a fim de que a hora vazia não nos arraste à queda em dívidas escabrosas.
*
Amparemos o livro respeitável, que é luz de hoje; no entanto, auxiliemos e divulguemos, quanto nos seja possível, o livro espírita, que é luz de hoje, amanhã e sempre.
O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.

(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 25.2.1963, em Uberaba, MG.)

sábado, 7 de abril de 2012

Aprendendo a lavar pratos

Francisco Muniz


As tarefas rotineiras costumam desagradar a muita gente, mas certamente é porque bem poucas pessoas reconhecem o prazer que há por trás de atividades repetitivas, daí a insatisfação. Querem sempre novidades, mas se tivessem “olhos de ver”, como ensina o Cristo, veriam que tudo é novo, melhor, tudo na vida é renovado, mal o dia nasce. O Sol traz-nos a possibilidade de vermos a vida, em seus aspectos costumeiros, sob um novo prisma. Por outro lado, não há, convenhamos, nada de novo sob o Sol: as questões e os problemas são os mesmos; as situações da vida e as condições dos homens – sociais, familiares, funcionais... – permanecem de certo modo inalteradas. Mas é para o homem que o Sol nasce todos os dias, trazendo o convite da renovação através da retomada das atividades cotidianas. Essa repetição não quer ensinar senão a necessidade de nos disciplinarmos perante a vida, a fim de melhor compreendermos suas lições e nos adequarmos aos impositivos de autotransformação, que exige do homem uma postura humilde a fim de fazer-se merecedor.
Assim é que funções relegadas à subalternidade, tais como varrer a casa, forrar as camas e lavar pratos, por exemplo, podem se revestir de preciosos estímulos à renovação simplesmente por possibilitar a reflexão. Enquanto ocupamos as mãos no trabalho benemerente (há um resultado feliz a ser observado!), não temos tempo para divagar, o que quer dizer distração, uma vez concentrados na tarefa considerada importante naquele exato momento. Os pensamentos, então, estarão controlados, ou, no mínimo, condicionados e seguirão a direção que lhes dermos. É assim que podemos meditar em meio aos afazeres rotineiros, o que poderá, afinal, desenvolver-nos a disciplina mental com resultados até mesmo comportamentais (corporais), possibilitando a boa disposição de saúde pela interação corpo-mente, equilibrando pensamentos e emoções pela alegria de servir a uma causa justa, ainda que esta seja, por enquanto, apenas a arrumação de nossa casa física. Mas logo nos veremos arejando principalmente nossa casa mental, que vem a ser a alma, em seus aspectos psíquico e emocional /sentimental.
No Evangelho, encontramos certas passagens da vida do Cristo que nos permitem aprofundar esse entendimento. Uma delas é a ocasião da visita que o mestre faz às irmãs de seu amigo Lázaro, Marta e Maria, na cidade de Betânia. Narra a Boa Nova que Marta entregara-se aos afazeres para bem recepcionar em sua casa o ilustre visitante e seus companheiros, mas faz suas tarefas, que compreendemos serem habituais, de modo assoberbado, porquanto certamente acostumara-se a contar com a ajuda de sua irmã. Maria, no entanto, sabedora da importância daqueles visitantes, pôs-se à parte de suas obrigações rotineiras para participar das alegrias do Reino, posto que Jesus, o celeste emissário, ali estava pessoalmente, para seu contentamento. O Messias aguardado por toda Israel visitava sua casa e seu coração não se enganava na reverência que devia prestar a ele a qualquer tempo. Então, Maria, como diria o Cristo naquele mesmo dia, escolheria a melhor parte, ao passo que sua irmã entregava-se às atividades de ordem material, sem ter internalizado ainda a informação de que o Reino de Deus não vem para nenhum de nós com as aparências da exterioridade. Eis que isto – ou seja, as circunstâncias da vida material – termina por cansar e Marta encontra-se fatigada pelo trabalho a que se propôs por simples obrigação, não emprestando nem encontrando o mínimo de satisfação no que fazia, e apela ao Cristo no sentido de obter o auxílio de sua irmã.
Jesus, porém, não atende a esse pedido; pelo contrário, diz a Marta que ela se ocupa com muitas coisas quando só uma é necessária, afirmando, por fim, que Maria escolhera a melhor parte e, como ele não pode fazer ingerência sobre a escolha de ninguém, respeitando o livre-arbítrio de cada um de nós, disse ainda que essa melhor parte escolhida por Maria não lhe seria tirada, de modo que Marta teria que se responsabilizar sozinha pelas tarefas assumidas ou, se quisesse, sentar-se junto de sua irmã e dos apóstolos para também entreter-se agradavelmente com as lições relativas ao Reino dos Céus que começava a se instalar na Terra desde aquele momento.
É desse modo que santificamos tudo que fazemos na Terra, com vistas à condição que queremos experimentar no futuro, sentindo que estamos efetivamente ao lado do Cristo na realização de nossos deveres, mesmo os mais comezinhos, até termos condições de dar maiores passos no caminho do autoaprimoramento. E, como bem disse o Mestre, essa caminhada exige o esforço da renúncia e da perseverança, de maneira que haveremos de repetir incansavelmente a lição terminada no dia anterior, razão pela qual a rotina se estabelece perante nós como instrumento de autodisciplina, predispondo-nos para a transcendência através da meditação ou, quando menos, da concentração no trabalho a que estamos entregues no momento, a fim de que ele alcance o objetivo proposto.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Missionários da luz

Francisco Muniz

Diz-nos o Instrutor Alexandre, no livro Missionários da Luz (André Luiz/F. C. Xavier), que os esforços da Espiritualidade junto aos trabalhadores da mediunidade se concentram mais frutuosamente nos círculos dos desencarnados infelizes, porque os encarnados, em grande parte, não se dispõem - "mesmo aqueles que já se interessam pela prática espiritista" - ao "aproveitamento real dos valores legítimos de nossa cooperação". E ante a perplexidade de André ele explica:
- É muito lenta e difícil a transição, entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior. Nesse sentido, há sempre, entre os homens, um oceano de palavras e algumas gotas de ação.
Tais ensinamentos fazem com que observemos com um pouco mais de atenção nosso comportamento de espíritas - e médiuns! - tanto no ambiente de nosso aprendizado espiritual, especificamente na intimidade da sala mediúnica, quanto nos diversos setores da sociedade onde atuamos, muitas vezes perdendo de vista nossa condição, digamos, religiosa. Estando sujeitos a todo tipo de tentações, por vezes nos deixamos levar pela onde de certos acontecimentos, geralmente os mais banais, e sem querer, inconscientemente, traímos nossos propósitos de renovação interior. Convém frisar que isso só acontece quando tais propósitos não estão suficientemente lastreados na vontade firme, posto que o conhecimento não nos falta.
Movimentamo-nos, então, no oceano de nossas próprias palavras produzindo apenas algumas gotas de realização no bem, o mesmo bem que gostaríamos nos acompanhasse o tempo todo. Mas fica fácil deduzir que o oceano de palavras a que se refere o Instrutor Alexandre, em vez de nos plenificar, resultando em convicção acerca de nossas reais necessidades e espíritos imortais, acaba por nos afogar na ilusão de nós mesmos. E a causa, como bem salienta o orientador de André Luiz, é a grosseira animalidade em que nos fixamos, quando temos o dever de transitar com alguma urgência para a espiritualidade superior, nas 24 horas de nosso dia, pelo menos.
Ao médium espírita cabem tarefas que ele é chamado a desempenhar todo o tempo, onde esteja e junto a qualquer pessoa, no tocante à incessante prática da caridade em seus múltiplos desdobramentos. Para tanto ele contará com o concurso dos bons espíritos, desde que se ponha favoravelmente a esse auxílio. Pois não é a mediunidade propriedade do médium, mas ferramenta de que a Espiritualidade se serve para derramar sobre a Terra todo o acréscimo de misericórdia a que os necessitados fazem jus, mercê da Divina Providência. Instrumentos dos Espíritos, portanto, os médiuns devem sê-lo o mais conscientemente possível, a fim de nos tornarmos, hoje ainda, verdadeiros missionários da luz.

Testamentos

Francisco Muniz

A cada terça-feira tenho, como diz uma amiga, meu dia especial. É quando desenvolvo atividades na Casa Espírita que aceita minha colaboração - o C. E. Deus, Luz e Verdade, permitindo-me, mercê da autorização do Alto, atuar na coordenação de uma turma do grupo de estudos, no estudo público do Evangelho e numa reunião mediúnica fechada. Pode parecer pouco, mas isso exige três vezes mais dedicação e preparo, o que faço convidando a turma do grupo de estudo para uma atividade prática que consiste na visita a instituições caritativas que nos permitem compreender o que os livros de fato nos querem dizer sobre a necessidade de fazer o bem incondicionalmente.
Uma dessas instituições é o abrigo de idosos Lar Irmão José, onde fizemos alguns amigos, especialmente D. Antonia, a quem considero uma mãe, e Antonio Carlos, um jovem de 74 anos que ontem (4 de abril) fez aniversário. Antes de ir parar ali, Antonio dava aulas de Filosofia e agora, com seus movimentos e voz limitados talvez por um AVC, encontra companhia nos livros que adora ler, mantendo assim sua mente sempre ativa, movida pelas inquietações de um verdadeiro investigador das peculiaridades da vida, tanto neste quanto no outro plano da existência, uma vez que ele é identificado com a Doutrina Espírita, o que nos deixa à vontade para tratar de temas transcendentais.
Assim é que em nossa última visita, nesta "terça-feira santa", dia 3 de abril, após cantarmos os parabéns com que homenageamos seu natalício, falamos sobre o Evangelho e o ouvimos comentar, emocionado, sobre sua grande certeza na vida: a de que "meu reino não é deste mundo", conforme revelou o Cristo Jesus há mais de dois mil anos. Para corroborar suas palavras, Antonio Carlos afirmou já ter lido as duas partes da Bíblia, o Velho e o Novo Testamentos. Ao ouvi-lo, propus-lhe um enigma, à guisa de brincadeira: "Então você já sabe com quem fica a fortuna, não é?" E ele devolveu  no mesmo tom, com seu jeito bem-humorado: "Com o testamenteiro".
Ele tem razão, a julgar pelo que podemos concluir das leituras das obras que nos falam da Verdade, a exemplo de O Evangelho Segundo o Espiritismo, em sua lição acerca da verdadeira propriedade, informando que o homem só tem de seu o que leva para o mundo espiritual. Tudo o mais é de Deus e a Inteligência Suprema dispensa seus bens a todos os seus filhos, mais a uns que a outros, para que eles aprendam a  multiplicá-los dividindo-os. Desse modo, quem não tem sempre terá alguma coisa; quem tem pouco sempre terá um pouco mais; e quem tem muito, sempre mais terá. Tal é a economia espiritual explicada pelo Cristo, quando disse que "ao que tem se lhe dará, mas ao que não tem até o que tem lhe será tirado", simplesmente porque não soube dividir, retendo como seu o que lhe foi dado por empréstimo.  

domingo, 1 de abril de 2012

Obsessão

Francisco Muniz

Para compreendermos a natureza da obsessão um pouco mais além do que nos informa Allan Kardec, para quem a obsessão é, tecnicamente, a ação maléfica que um espírito exerce sobre outro, talvez seja útil analisarmos mais detidamente a noção de mal. Para tanto, importa refletirmos acerca do que já sabemos da Divindade, na qual reconhecemos todos os atributos da Perfeição. Dessa maneira, devemos convir que a perfeição absoluta não engendra a imperfeição absoluta, porquanto do perfeito não sai o imperfeito, resultando, pela lógica, que Deus, sendo o criador do sumo Bem, não é o autor do mal. E que este, por tal entendimento, não tem existência real, apenas factual, dado seu caráter transitório relativo à momentânea imperfectibilidade da criatura humana - e não à condição do espírito imortal, criado perfeito em sua essência, onde reúne, em germe, todo o potencial de virtudes, com o compromisso de desenvolvê-lo a cada encarnação.
O mal, desse modo, deve ser observado como a ignorância do bem, tanto quanto a deliberada deturpação, ou corrupção desse mesmo bem, do que é bom, justo e verdadeiro. Neste aspecto, a obsessão corresponde ao pensamento de Kardec, ainda que os chamados espíritos obsessores só o sejam também transitoriamente, uma vez que um dia eles despertarão para a necessidade de atenderem  conscientemente aos impositivos da Lei de Evolução e praticarão o bem por sua vez. Não há  espíritos maus, portanto, no sentido de existirem criaturas que rivalizem com a Divindade. O que há são seres ainda na ignorância que fogem do bem por resistirem, em muitos casos, aos instrumentos retificadores da Lei de Amor e Justiça, quais sejam a Dor e a Reencarnação. E, por se ressentirem daqueles que se colocam favoráveis a tais processos, movem-lhes perseguição, até mesmo por pensarem que estes lhes são devedores, por situações provocadas num passado de delitos comuns.
O calceta, pois, sente-se no direito do desforço e, aproveitando que a vítima, agora resguardada nos limites da matéria, não lhe pode resistir, exerce sobre ela todo o peso de sua maldade. Entretanto, não sabe ele que essa ação maléfica produzirá consequências inesperadas para ele próprio, posto ser da lei que a cada um será dado de acordo com seus atos, como bem explicou o Cristo. Assim será que, de conformidade com a justiça divina, o algoz se verá constrangido, no tempo propício, ao reajustamento, ainda que a vítima, chamada à reeducação de si mesma, relute em sua transformação.