domingo, 1 de abril de 2012

Obsessão

Francisco Muniz

Para compreendermos a natureza da obsessão um pouco mais além do que nos informa Allan Kardec, para quem a obsessão é, tecnicamente, a ação maléfica que um espírito exerce sobre outro, talvez seja útil analisarmos mais detidamente a noção de mal. Para tanto, importa refletirmos acerca do que já sabemos da Divindade, na qual reconhecemos todos os atributos da Perfeição. Dessa maneira, devemos convir que a perfeição absoluta não engendra a imperfeição absoluta, porquanto do perfeito não sai o imperfeito, resultando, pela lógica, que Deus, sendo o criador do sumo Bem, não é o autor do mal. E que este, por tal entendimento, não tem existência real, apenas factual, dado seu caráter transitório relativo à momentânea imperfectibilidade da criatura humana - e não à condição do espírito imortal, criado perfeito em sua essência, onde reúne, em germe, todo o potencial de virtudes, com o compromisso de desenvolvê-lo a cada encarnação.
O mal, desse modo, deve ser observado como a ignorância do bem, tanto quanto a deliberada deturpação, ou corrupção desse mesmo bem, do que é bom, justo e verdadeiro. Neste aspecto, a obsessão corresponde ao pensamento de Kardec, ainda que os chamados espíritos obsessores só o sejam também transitoriamente, uma vez que um dia eles despertarão para a necessidade de atenderem  conscientemente aos impositivos da Lei de Evolução e praticarão o bem por sua vez. Não há  espíritos maus, portanto, no sentido de existirem criaturas que rivalizem com a Divindade. O que há são seres ainda na ignorância que fogem do bem por resistirem, em muitos casos, aos instrumentos retificadores da Lei de Amor e Justiça, quais sejam a Dor e a Reencarnação. E, por se ressentirem daqueles que se colocam favoráveis a tais processos, movem-lhes perseguição, até mesmo por pensarem que estes lhes são devedores, por situações provocadas num passado de delitos comuns.
O calceta, pois, sente-se no direito do desforço e, aproveitando que a vítima, agora resguardada nos limites da matéria, não lhe pode resistir, exerce sobre ela todo o peso de sua maldade. Entretanto, não sabe ele que essa ação maléfica produzirá consequências inesperadas para ele próprio, posto ser da lei que a cada um será dado de acordo com seus atos, como bem explicou o Cristo. Assim será que, de conformidade com a justiça divina, o algoz se verá constrangido, no tempo propício, ao reajustamento, ainda que a vítima, chamada à reeducação de si mesma, relute em sua transformação.  

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