sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Calma e perseverança em Deus

Norma Lúcia Novaes



O homem vive incessantemente em busca da felicidade, mas não a encontra, porque felicidade sem mescla, sem "mistura", não é encontrada na Terra. Porém, se começarmos a dar importância aos bons sentimentos, que vêm dos bons pensamentos, vamos observar que na vida, apesar das instabilidades (as vicissitudes de que fala o Evangelho), o homem poderia gozar de relativa felicidade.
Como gozar dessa felicidade relativa? Não procurando a felicidade nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, instabilidade e inconstâncias que estão nos gozos materiais, que servem apenas à aprendizagem do espírito enquanto encarnado; uma forma de adquirir experiência. E não se ensoberbecendo com a vida material, esquecendo-se de cultivar as coias do mundo espiritual.
Os gozos da alma vêm a desenvolver no homem uma satisfação imperecível, porque eterna, e constitui-se num aprendizado a caminho da bem-aventurança.
A única felicidade real no mundo é a paz do coração. Mas o homem no mundo, tornando-se ávido de tudo o que o agita e o coloca em desordem, aflige-se e atrapalha-se, porque toda esta ligação desregrada com as coisas do mundo material obscurece a luz que está no fundo do seu coração e lhe dá o sentido de Deus. As coisas materiais não são apenas aquelas que o dinheiro pode comprar, mas também as de que está cheio o coração: maus pensamentos, maus sentimentos, devido a uma vivência toda calcada na personalidade, não se reconhecendo um filho de Deus - um espírito criado a Sua imagem e semelhança.
Com aluz obscurecida, o homem se torna desarmonizado, primeiramente, consigo e, depois, com o outro.
O coração turbado é que leva o homem a viver ainda o processo de desinteligência, porque a alma embaraça-se, perturba-se, turva-se, passando a revolver o que de pior há dentro de si, abrindo campo para as angústias, confusões mentais, psíquicas, de relacionamentos (pessoais, de amizade, familiares, profissionais e outros) e todo tipo de adoecimento, assim como de espíritos interferentes - os chamados obsessores - encarnados e desencarnados.
O Espírito Fénelon diz, na sua mensagem "Tormentos voluntários" (em O Evangelho Segundo o Espiritismo), que toda a experiência de conturbação do homem é muito singular, curiosa, até incompreensível... porque, afinal, qual o motivo de o homem aplicar a si mesmo os seus próprios tormentos? De onde vem essa má intenção consigo mesmo? A falta da busca de Deus em si próprio? Porque toda a boa construção humana e espiritual, para vivermos bem - espiritual e materialmente - e no bem está em nossas próprias mãos.
Os maiores tormentos que o homem cria para si mesmo, ainda segundo Fénelon, são os derivados da inveja e do ciúme. Para o invejoso e o ciumento, não há repouso mental. Vivem em uma grande agitação, observando o que não têm, mas ou outros têm - e isso lhes causa um tormento.
Observar o êxito dos outros, que considera rivais, os confunde e os excita e atrapalha. Todo o estímulo que têm na vida é encobrir a luz, o progresso das pessoas que lhes estão próximas. E aí sentem alegria de unirem-se aos insensatos, como eles próprios, para incitar-lhes a raiva, a desconfiança, o ciúme e a inveja que os devoram, formando grupos afins. Não imaginam, porém, que com o passar do tempo vão ter que deixar todas essas mesquinharias, insignificâncias e futilidades, cuja cobiça lhes envenena a alma e, consequentemente, a vida.
Não é a eles que se aplicam estas palavras de Jesus: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados", porque, completa Fénelon, "as preocupações dos insensatos não são aquelas que têm no céu as compensações merecidas".
Aquele, porém, que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é, sempre é rico, porque quando olha pra "baixo" de si, e não para "cima", vê sempre criaturas que têm menos do que ele; é calmo, porque não cria para si necessidades ilusórias.
"E a calma não é uma felicidade em meio às tempestades da vida?"

***

(Texto baseado na mensagens "Tormentos voluntários" (ESE), do Espírito Fénelon.)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O papel da mediunidade

Francisco Muniz

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Nas terças e quintas-feiras, o estudo coletivo do Evangelho Segundo o Espiritismo (terceira obra basilar da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec) na Casa onde trabalho é feito com a participação da assistência e assim o público é convidado a fazer perguntas por escrito sobre o tema abordado por um expositor. Desse modo, dúvidas são dirimidas e o aprendizado se facilita de parte a parte.
Dia desses, alguém dentre os participantes perguntou "qual o papel da mediunidade?", aproveitando que o assunto em análise - "Dom de curar", que abre o Cap. XXVI, "Dai gratuitamente o que de graça recebestes" - dava azo ao questionamento.
O expositor explicou muito bem a utilidade da faculdade mediúnica, concessão divina para o progresso espiritual das criaturas, mas fiquei imaginando que, a julgar pelas variadas informações dos Espíritos, mesmo a partir do que Kardec coloca em O Livro dos Médiuns, a mediunidade tem mais de um papel a desempenhar no mundo.
Então vejamos: temos a mediunidade como papel mata-borrão, que faz o médium, ultra-sensitivo, absorver as energias presentes nos ambientes onde se encontre, graças à lei do magnetismo, através do qual o perispírito manifesta a propriedade de atrair ou repelir fluidos, uns compatíveis, outros não.
Vemo-la também como papel carbono, que faz o médium assimilar, pelos mesmos princípios da lei de atração e de sintonia, os característicos de seus acompanhantes invisíveis: se são bons, procede bem; se não, comporta-se em desequilíbrio.
Mas, deixando as analogias de lado, a mediunidade tem um papel dos mais importantes no âmbito da ciência espírita, sendo o principal instrumento de investigação do objeto mesmo dessa ciência: o Espírito. Com essa ferramenta, torna-se possível devassar o panorama espiritual, através de faculdades como a vidência, a clariaudiência, o desdobramento e a psicometria, por exemplo.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Sábia, a coruja não fala

Francisco Muniz

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Diz-se que a coruja é o símbolo da sabedoria - e sabe por quê? Porque ela não fala, apenas observa, prestando atenção, com seus grandes olhos, aos acontecimentos em redor. O homem pode e deve proceder de forma análoga, utilizando os sentidos físicos da visão e da audição para seu aprendizado no mundo e, à maneira da coruja, deixar a fala para os momentos mais condizentes a esse exercício.
Não por acaso, o Cristo ensinou-nos a desenvolver educativamente tanto o olhar quanto a audição, ao pontificar que "quem tem olhos de ver, veja; quem tem ouvidos de ouvir, ouça". Compreende-se então por qual razão não é a fala mais um dos sentidos físicos à disposição do homem em sua representação corporal, mas um recurso de que o princípio inteligente se utiliza para entrar em relação com os semelhantes.
E se se trata de um ser inteligente, qual o Espírito, deve ele fazer uso racional de tão importante instrumento de comunicação. Ouvir primeiro, falar depois, para não agirmos intempestivamente - eis a necessidade. Ouvir mais que falar, porquanto assim se reflexiona melhor, tornando possível o aprendizado através das conclusões lógicas a que se pode chegar a respeito dos assuntos expostos. Nunca falar sem pensar, como aconselham os mentores espirituais, instruindo-nos no caminho da sabedoria, corolário do ser pensante.

domingo, 6 de agosto de 2017

Terrorismo de natureza mediúnica

Pelo Espírito Vianna de Carvalho 
(Psic. Divaldo Franco, XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha.) 



Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico.

Existe um reaparecimento do passado no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-morais, o qual deve ser examinado com imparcialidade.

Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos.

Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas...

O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos.

Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando, através da Lei de Causa e Efeito, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, porque sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas... De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação.

Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos, ou de outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores. De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte.

Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento.

O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante as situações dolorosas. As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal.

Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam.

O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos.

A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação.

A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver.

Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina.

A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam.

Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.

Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...

O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina.

Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.

Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes.

Que é mesmo o mundo espiritual?

Francisco Muniz



Não é de hoje que a Humanidade tem notícia do mundo dos Espíritos, malgrado a incredulidade e o ceticismo de alguns homens, porquanto de tempos em tempos a Divindade promove movimentos com a finalidade de nos despertar para a realidade verdadeira da vida. É todo um continente esperando ser (re)descoberto e volta e meia nos chegam notícias de lá. Com frequência, viajores se dirigem para aquelas plagas, mas poucos de nós nos dispomos a empreender a viagem do conhecimento naquela direção. Os viajores? Ah, eles não voltam, dizem os céticos, ou, se voltam, quando voltam, não se dão a conhecer, tal a dificuldade imposta pelos que aqui estamos, presos à ilha da ignorância.

Quando o Espírito André Luiz ditou seu primeiro livro à mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier, contando a realidade da Colônia Nosso Lar, o próprio medianeiro estranhou o relato, pondo em dúvida aquelas informações. Foi preciso que o autor espiritual promovesse uma visita toda especial de Chico àquela cidade do plano espiritual, para diminuir a influência do médium mineiro na recepção da obra. E lá se foi Chico Xavier, em desdobramento mediúnico, confirmar a realidade, conhecendo detalhes arquitetônicos da colônia, como a Governadoria, os seis Ministérios – nos quais atuam 72 ministros – e o Bosque das Águas. Mais tarde, tanto sua visão quanto as notícias de André, a partir de então reconhecido como o “repórter do mundo espiritual”, foram confirmadas pela médium, também mineira, Heigorina Cunha, que no livro Cidade do Além mostra desenhos das localidades descritas por André Luiz.

Mas se o próprio Chico manifestou incredulidade, o movimento espírita brasileiro também não recebeu bem a publicação de Nosso Lar, livro considerado fantasioso até que a confirmação de Heigorina e o próprio tempo viessem fazer a diferença. O problema é que nas obras da Codificação Allan Kardec não faz qualquer menção a essas cidades astrais, daí as dúvidas sobre relatos como os de André Luiz, embora sejam antigas as informações a respeito, como dissemos mais acima. Antes mesmo que Kardec fosse chamado pela Espiritualidade para a tarefa ímpar de codificar a Doutrina dos Espíritos, já Emanuel Swedenborg publicava, no século XVIII, o relato de suas visões mediúnicas devassando o panorama espiritual, descrevendo cidades, vestuários e outras peculiaridades da realidade do mundo dos imortais.

Bem mais anteriormente ainda, o poeta renascentista italiano Dante Alighieri relatava na monumental obra A Divina Comédia o que observou em suas viagens astrais ao “Céu”, ao “Inferno” e ao “Purgatório”, em companhia do Espírito Virgílio, seu guia, que quando encarnado foi também poeta de renome em sua época. O conhecimento sobre o mundo espiritual, portanto, não é novidade, embora os homens façam dele uma ideia muito particular. É disso que o Espírito Manoel Philomeno de Miranda vem tratar no capítulo 13 de seu livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco), procurando desfazer o véu de estranheza, para dizer o mínimo, ainda existente acerca da realidade do pós-vida. Diz Philomeno ser preciso considerar as palavras de Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O caderno de Deus

Francisco Muniz (por inspiração)



Eu ainda estava com os olhos fechados, no início do dia, mas já não dormia. Fiquei na cama, concentrado, ouvindo as conversas que normalmente se ouve nesses momentos de entressono, e entre elas distingui um relato que me chegou certamente por inspiração, falando nestes termos:

Depois que sua esposa muito amada ficou doente e tiveram a recorrer à cooperação fraterna de alguns amigos para custear as despesas médicas, certo homem combinou com a querida companheira, tão logo ela recuperou-se da enfermidade, não mais incomodarem seus bondosos amigos por conta de dinheiro. E para garantirem que teriam sucesso nessa tarefa, decidiram tomar uma providência muito simples mas eficaz: adquiriram um caderno, desses comuns, e puseram na capa esta inscrição: "Caderno de Deus".
Segundo o acordo mútuo, nesse caderno eles colocariam, entre as folhas, uma cédula de qualquer valor pensando em cobrir quaisquer despesas futuras, desde que correspondessem de fato a uma necessidade. No entanto, ele era um homem dedicado ao trabalho e ainda que ganhasse um salário modesto ocasionalmente deixava uma cédula, por menor que fosse o valor, guardada entre as folhas do caderno. Vez por outra ela recorria ao "Caderno de Deus" para retirar algum dinheiro para pagar pela substituição do botijão de gás que acabou sem aviso prévio, mas em geral nenhum dos dois tocava no caderno a não ser para incluir uma nota entre as folhas do caderno.
Com o passar do tempo, o Caderno de Deus foi sendo esquecido, pois o homem, com seu trabalho, não deixava nada faltar em casa, de modo que o dinheiro, ou sua exiguidade, deixou de ser um problema naquela casa. O caderno só era mesmo lembrado quando havia uma cédula para ser também "esquecida" ali. Principalmente, a saúde da esposa estava em ordem e as preocupações diziam respeito apenas aos pequenos detalhes da vida em comum.
Um dia, porém, um imprevisto veio modificar a rotina e a tranquilidade do lar, na forma da indesejada visita da morte: sem aviso prévio, o coração daquele homem parou de bater, abrindo portas para a tristeza e a desesperação. E eis que os amigos compareceram, trazendo o consolo e a participação nas providências para o funeral, comprometendo-se a arcar com as despesas correspondentes. Mas ela se lembra do antigo acordo e busca pelo "Caderno de Deus"; ao manuseá-lo, nota o quanto o caderno havia engordado durante os anos em que fora alimentado com as cédulas e quando, por fim, a viúva faz o balanço daquela poupança feita com tanto carinho, descobre que o valor encontrado supria o custo do velório e do sepultamento.
"E o mais?", quiseram saber os amigos, sempre solícitos.
"Quanto a tudo mais", disse ela, esperançosa e confiante, "Deus sempre ajuda!".

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Há um século (*)

Hilário Silva, Espírito
(*)Resumo da mensagem homônima constante do livro O Espírito da Verdade [FEB, 1961], psicografado por Chico Xavier.



Paris, numa fria manhã de abril de 1860, Allan kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, estava exausto. Apesar da consolidação da Sociedade Espírita de Paris e da promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam confiado. A pressão aumentava, cartas sarcásticas chegavam.
Quando se mostrava mais desalentado, a esposa, Madame Rivail, entrega-lhe uma encomenda. O professor abre o embrulho e encontra uma carta de um encadernador de livros. E lê: "Sr. Allan Kardec: Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso".
O autor da carta relatava que, desesperado após a morte de sua esposa, planejou suicidar-se. Certa madrugada, buscou uma ponte. Ao fixar a mão direita para atirar-se às águas tocou um objeto que se deslocou da amurada, caindo-lhe aos pés. Surpreendido, viu um livro. Procurando a luz que um poste, leu: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A. Laurent".
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de O Livro dos Espíritos ricamente encadernado. Na página do frontispício leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, ams também outra: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. Joseph Perrier".
Após a leitura, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro. Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, em radiosa esperança: "Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas". O mundo necessitava de renovação e consolo. Allan Kardec levantou-se, abriu a janela à sua frente, respirou profundamente e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima.

O Espiritismo e o Movimento Espírita

Paulo de Tarso


Uma vez o médium Divaldo Franco, parafraseando Deolindo Amorim, disse que o movimento espírita está bastante movimentado. De fato, eis uma boa verdade. De um lado, revivemos aqueles perfis de detratores listados por Kardec em Obras Póstumas, quais eram: Os divertidos, que só se interessam pela alegria dos fenômenos; os parasitas, que se utilizam do movimento para ganhar fama e poder; os de contrabando, que estão na doutrina para insuflar as mais comezinhas pequenezas humanas, destilando insubordinação e conflitos nos agrupamentos aos quais pertencem e os discordantes do método, os quais ainda insistem em discordar dos métodos de Kardec e do resultado do seu trabalho, afirmando estarem em desacordo com a atualidade.Além destes, temos ainda os claudicantes, que desfalecem ante a não obtenção das graças desejadas de curto prazo e os abnegados e sinceros, os quais querem profundamente compreender mais do que serem compreendidos, firmar uma razão sobre os postulados históricos da doutrina, legada à humanidade como remédio às suas feridas existenciais. Todos estes perfis fazem o que se chama de movimento espírita.
A Doutrina Espírita, por sua vez, é um ente separado, que serve de referência para o movimento, sem emprestar-lhe qualquer relação de dependência. A falência de um movimento não enseja a falência da doutrina que lhe serve de modelo, visto que a mesma pode ser deturpada de inúmeras formas, pelos mais diversos motivos. Basta ver o que fizeram do Cristianismo para se ter uma pálida ideia do que somos capazes. Os fundamentos espíritas, bem como a ciência e a filosofia de ordem moral que lhes são consequentes, são legado para a humanidade e estarão vivos e atuais mesmo com o passar dos milênios. Se esta não é compreendida, vivida, experienciada, não é por falha sua, mas por falta de estudo, prática e estágio evolutivo dos seus profitentes.
Acabe o movimento espírita e a Doutrina dos Espíritos estará lá, viva e atual, pronta para ser compreendida e experimentada por quaisquer que sejam os povos e culturas. Ela é intercambiável nas religiões e agrupamentos étnico-sociais; ela é base de sustentação para outras correntes filosóficas e existenciais. Jamais será peça descartada por consequência da nossa indolência em compreendê-la na sua inteireza.
Se há relatos de agrupamentos humanos ditos espíritas em dissintonia com aquilo que era esperado da perfeita vivência do espiritismo, não se deve confundir estes atos com a doutrina. São apenas homens vivendo as suas imperfeições na ilusão de que a consequência pode ser maior do que a causa, o que seria uma imensa falta de lógica. A doutrina nos ensina a ter com estes a indulgência e, se por acaso formos as vítimas de tais circunstâncias, haverá sempre o recurso do perdão. Além disto, a percepção de que somos espíritos imortais, legatários da nossa própria ceifa, amplia as possibilidades de ressignificação dos problemas, abrindo um leque de outras opções de recomeço e acerto. O espiritismo não será o que fizermos dele, mas nós podemos ser aquilo que o espiritismo fizer de nós.

Salvador, 24/07/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Terapias - curas simples por meios naturais

Orlando Campos



1 - Evangelhoterapia - Cura através da leitura do Evangelho, cujo hábito diário nos faz descobrir a bússola diretiva da nossa vida. A necessidade de aprender...

2 - Reformoterapia - Cura pela reforma íntima, talvez a mais simples e a mais importante de todas, pois requer um grande esforço pessoal de combate às negatividades, como o orgulho, o ódio, a ira, o ciúme, etc.

3 - Aeroterapia - Cura pela renovação do ar ou respiração, quando se processa a inspiração do oxigênio que, depois do mecanismo da transformação interna, é expelido em forma de gás carbônico, impróprio para o ser humano.

4 - Fisioterapia - Cura pelos exercícios físicos dos músculos, bem orientados para que no futuro não haja distensões musculares.

5 - Helioterapia - Cura pelos raios solares ou energia do sol, aplicada em hora certa, em todo o corpo ou partes determinadas. Cuidado com o câncer de pele!

6 - Geoterapia - Cura com as camadas de terra que contêm substâncias medicinais geralmente aplicadas em compressas ou fricções. Necessita de orientação abalizada.

7 - Cromoterapia - Cura pela energia das cores. Taiz energias precisam ser estudadas científica e espiritualmente para que sejam observadas suas aplicações.

8 - Musicoterapia - Cura pela música relaxante lenta ou menos lenta, de acordo com o estado emocional do paciente.

9 - Dançoterapia - Cura pela dança altamente relaxante, com movimentos corporais lentos ou não, conforme orientação.

10 - Hidroterapia - Cura pela força energética da água. Banhos térmicos, banhos normais, aplicação de gelo, saunas, etc.

11 - Hidroginástica - Combinação da hidroterapia com a ginástica, ou seja, ginástica dentro da água.

12 - Hidromassagem - Combinação da hidroterapia com massagem. Massagem dentro da água, com orientação segura.

13 - Hidrodançoterapia - Combinação da hidroterapia com a dança, ou seja, dança dentro da água. Balé aquático.

14 - Fluidoterapia - Aplicação dos passes magnéticos ou espirituais.

15 - Terapia do amor - Todas essas curas são frutos da maior de todas as curas, a Terapia do Amor, que nos impele para o bem.

16 - Autoterapias - São as curas de você para você mesmo, pela fé atuante.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Não morreram, partiram antes

Amado Nervo

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Choras teus mortos com tamanho desconsolo que, dir-se-ia, és imortal.
Not dead, but gone before, diz sabiamente o prolóquio inglês.
Não morreram, partiram antes.
Tua impaciência se move como loba faminta, ansiosa de devorar enigmas.
Pois não morrerás logo depois, e forçosamente não virás a saber a solução de todos os problemas que são de uma diáfana e deslumbrante sutilidade?
Partiram antes... Por que interrogá-los com nervosa insistência?
Deixa que eles sacudam o pó do caminho, que descansem no regaço do Pai e ali curem as feridas de seus pés andarilhos; deixa que ponham seus olhos nos verdes prados da paz...
O trem espera. Por que não preparar o bornal de viagem? Esta seria mais prática e eficaz tarefa.
Ver teus mortos é de tal modo premente e inevitável que não deves alterar com a menor ansiedade as poucas horas do teu repouso.
Eles, com um conceito total do tempo, cujas barreiras transpuseram de um salto, também te aguardam tranquilamente. Foi que simplesmente tomaram um dos trens anteriores.

A arte de cultivar virtudes


Neto ajuda o avô no plantio de árvores de fruto — Fotografia de Stock #90673368
Autor Desconhecido


Um avô e seu neto, caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de quatro anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho sempre que este o visitava.

Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia: "Quem planta colhe, né, vovô”?

Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes.

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil.

Ia ensinando que para obter frutos saborosos e flores perfumadas é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento.

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita.

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim.

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras em arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz...

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores.

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos.

É mais pela observação dos atos, do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres.

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições.

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias.

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de virtudes e valores.

Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear na alma infantil as sementes das quais surgem as virtudes, ao tempo em que as preservam das ervas daninhas, das pragas, da seca e das enchentes. Sem esquecer o adubo do amor.

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem.

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais.

Por isso a importância dos cuidados desde cedo. E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação.

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados.

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem.

Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos.

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos.

Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.

Pense nisso!

Para que você seja um bom cultivador de almas, é preciso que tenha em sua sementeira interior as mudinhas das virtudes.

Somente quem possui pode oferecer. Somente quem planta, pode colher.

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.





Sejamos instrumentos de paz

Mensagem do Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, transmitida no dia 18 de novembro de 2002, pela médium Bernadete de Oliveira Santana:



Que a paz do divino Mestre, amigos queridos, reine forte no coração de cada um de nós. Que esta paz seja o lenitivo sublime da alma, a luz vibrante para a vida de vocês, a força sublime para a coragem, energia renovadora para a vida de cada um de nós.

Creiam no Deus onipotente que em todos nós habita. Creiam em Jesus Cristo, o Seu filho amado que veio nos ensinar como seguir pelo caminho!

Não deixem suas mentes em oscilação. Quando essa energia começa a oscilar, é fácil para a fraqueza, a doença, problemas e problemas e problemas chegarem, na vida de vocês e daqueles que estão ao seu redor. Sejamos a luz vibrante que o Deus onipotente quer que sejamos, o instrumento de paz como Jesus quer que sejamos e tenhamos certeza do que somos, nesta caminhada. É uma caminhada segura, pois temos os pés no chão, com a mente elevada a Deus. São momentos felizes, para quem entra em vigília, e esta vigilância é exigida do amanhecer ao anoitecer. Se vocês passam um dia que não é bom, sentem-se infelizes e preocupados, levarão, para o percurso da noite, esta infelicidade, esta preocupação. Em que momento irá experimentar a paz? Amigos bondosos estão, para encorajá-los, ao lado de cada um de vocês. Que felicidade experimenta aquele que não sabe vigiar e orar? O mundo está cheio de bondade e infelicidade, repleto de luz e, ao mesmo tempo, escuridão, na mente de cada um. O sol irradia, pela sua luminosidade; na sua intensidade, domina a Terra. O homem, na sua escuridão de vida, tropeça, cai, pela baixo moral constante.

Há muito nós passávamos para vocês que as porteiras se abriam e que espíritos tomavam o planeta Terra sem saber o que desejam desta vida que levam, tanto espíritos encarnados como desencarnados. As porteiras se abriram e não é de agora não! Há muito nós falávamos... Neste caldeirão fervente, o homem cai, pela falta de vigilância. Não mais retornará para cuidar deste solo abençoado chamado planeta Terra. Irão para um planeta ainda “vale de lágrimas e expiação”, já que o planeta Terra está a caminho de ser um planeta de regeneração. Ponha uma farinha numa peneira e observe: a farinha vai passando aos poucos; o mais grosso fica, só passando o mais fino. Assim é o planeta Terra. Está sendo peneirado para que o mal seja posto bem longe, para que possamos continuar a sermos governados pelo amigo Jesus, até os últimos tempos. Últimos tempos? Sim! Jesus tinha uma sabedoria grandiosa. Ele já dizia que os últimos tempos chegarão. É para o homem atual se preocupar? Não! O homem precisa se preocupar com a sua evolução para poder ocupar, sim, planetas como a Terra um dia se tornará... Tornar-se-á um planeta de paz, de força, de poder. Jesus, na sua luminosidade, brilhando mais em luz, confundindo os olhos dos que o perseguiam, dizia: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Trabalhem, amigos queridos, para permitirem-se uma morada ao sol, no planeta maravilhoso, em próxima encarnação. Vocês já podem experimentar um pedaço do céu, enquanto estão aqui vivendo. Não entrem nessa energia grosseira porque, aqui mesmo, vocês já podem experimentar um pedacinho do céu. O inferno grosseiro já está fora de vocês. Não se envolvam. Observem o que está passando ao seu redor. Lancem preces de amor e poder a Deus, para proteger os pobres e infelizes, pois são pobres e infelizes os filhos de Deus perfeito que ainda não tomaram consciência do que são, para que vieram e por que aqui chegaram. No tumulto da vida, aqueles que vieram para o mundo, em suas mentes não pensam em Deus. “Viveis no mundo e não pertenceis a ele”. Aquele que vive no mundo e pensa que pertence a este mundo, que um pedaço do mundo pertence a ele, este é o egoísta, cheio de poder mas só material. Tem o desejo só do material... mas no espiritual, que fracasso!

Àqueles que estão galgando uma escadaria melhor, nesta montanha maravilhosa, coragem, pois chegaremos lá, queiramos ou não, amigos queridos. Chegaremos com coragem e que o cansaço não atrapalhe! Chegaremos com coragem e que a dúvida não seja empecilho; chegaremos com coragem, e que a nuvem negra se desfaça com urgência onde não haja ignorância da incompreensão para entender que “tudo é possível àquele que crê”. É preciso agir com sabedoria, coragem, discernindo o bem do mal, cortando atalhos. Onde há uma barreira imensa, aquele que tem coragem sabe ultrapassar. E quem colocou a barreira se não vocês mesmos? Mas, com coragem e capacidade, saberão ultrapassar. A luz vibrante, do seu interior, já irradia; a escuridão já não é tão intensa; a nuvem negra vai passando; a brisa amena vem chegando e uma suavidade, pela beleza divina do Pai, te envolve. Ao te envolver, você se sentirá mais feliz, mais consciente, percebendo que, deste mundo, nada quer. Deste mundo, eu agradeço a Deus onipotente por me encontrar aqui. Agradeço por este corpo, que está sob minha responsabilidade, que me serve para a evolução, neste mundo, como também a família, o trabalho, a sociedade, os amigos e até mesmo aqueles que dizem não gostar de mim. Louvem a Deus por tudo isso e jamais se acovardem. Louvem a Deus, porque o clima de energia grosseira, como uma nuvem negra, está correndo pelo planeta Terra. Toda nuvem, toda escuridão, tudo passa. Nessa nuvem negra os homens estão como cachorros loucos, sem moral, sem escrúpulos. Se vocês compararem, o que fazem os cachorros loucos e os homens inteligentes?...

Que Deus os proteja, amigos queridos. Mergulhem vocês, do amanhecer ao anoitecer, na fé e orem. Não temam... não temam... não temam nada, por caridade! Se vocês temerem, fracassarão. Não temam, em nome de Deus. A coisa está engrossando, mas sairemos desta, porque o Deus onipotente assim o permitirá, e o Jesus amigo, com sua mão divina, já aponta para o planeta com a força do amor e do poder.

Deus os abençoe e muita paz. Que Deus ilumine nossos seres com a doce claridade das virtudes.

Muita paz e muita paz, pelo amor de Deus. Muita paz, muita paz. Deus fique com todos...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Matemática vivenciada

Nea Faro

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Um agrupamento espírita não se faz por acaso. Reunimo-nos por afinidades, necessidade de aprendizagem, por compromissos e comprometimentos. Assim, a matemática moderna nos dá uma visão de como estabelecer relacionamento fraterno na Casa Espírita.
Trazemos as nossas individualidades compondo o que somos (nossa bagagem espiritual). As nossas diferenças não formam a equipe.
(A – B – C)

Estabelecemos uniões com alguns companheiros pelas afinidades que trazemos.
(A + B) (B + C)

As afinidades, que nem sempre são positivas, geram divisões, subconjuntos na equipe. As nossas semelhanças deformam a equipe.
(A + B – C)

Os que se ligam por afinidades estarão associando-se por críticas em situações graves e inoportunas.
(A + B = C)

Os que se isolam não revelam o que são nem o que sentem, não inspiram confiança.
(C = A + B / C = 0)

Somente o ideal, campo de intersecção entre os espíritos agrupados, será base segura para a vivência da fraternidade, da tolerância e do trabalho na Casa Espírita.

(A + B + C = Trabalho, Tolerância e Fraternidade)

***

Nea Faro, já desencarnada, destacou-se nas lides espiritistas de Salvador (BA) desde que veio do Rio de Janeiro, onde nasceu, e aqui integrou-se às atividades promovidas pela Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) em sua sede histórica, hoje conhecida como Casa de Petitinga, localizada no Centro Histórico de Salvador. Na sede atual da FEEB, ela e outras companheiras desenvolveram ações no campo social atendendo às crianças de comunidades carentes do entorno. Logo depois, tendo recebido um imóvel por doação, transferiram esse trabalho para a comunidade da Polêmica, onde inaugurou-se a Casa de Oração Manoel Philomeno de Miranda, que Nea dirigiu até retirar-se, em razão de seu estado de saúde física, para São Paulo, onde vivia uma de suas duas filhas. O clima paulista não a favoreceu, porém, e, bastante debilitada, reornou a Salvador, onde desencarnou em 2016.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os perigos da toxicodependência

Francisco Muniz



No terceiro capítulo de seu livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco), ora em estudo em nossa Seara, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda tece preciosos comentários acerca da toxicodependência, isto é, do vício em substâncias psicoativas, incluindo-se aí as drogas lícitas e ilícitas. Segundo o autor espiritual, uma variedade de causas respondem por esse drama que acomete principalmente a juventude, algumas vezes desde a infância, perturbando pais e educadores que se veem incapacitados para resolver tão grave problema. Quanto às causas, Philomeno aponta aqueles decorrentes do egoísmo, que “solapa os ideais de fraternidade e de ventura coletiva”.

Recordemos que em O Livro dos Espíritos Allan Kardec questiona os Espíritos Superiores sobre qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família, para deles receber esta resposta enfática: “Uma recrudescência do egoísmo” (Q. 775). Também ali, no quinto capítulo do Livro III, sobre a Lei de Conservação, o Codificador trata dos limites traçados pela Natureza para o limite de nossas necessidades, por meio de nossa própria organização física (Q. 716). Respondendo, os Espíritos confirmam esse limite, mas ponderam que “o homem é insaciável” e que, a despeito do limite traçado pela Natureza, os vícios alteraram a constituição física do homem “e criaram para ele necessidades que não são reais”.

Percebe-se que as pessoas envolvidas em tal problemática são espíritos portadores de anomalias psicológicas devidas a seu estágio evolutivo a reclamar melhor atenção por parte da sociedade. A esse respeito, Manoel Philomeno salienta ser urgente “uma política séria sobre as drogas químicas, a fim de ser corrigida e mesmo evitada a drogadição e criados centros reeducativos para seus dependentes, através dos quais haja seriedade no estudo, análise e aplicação dos esquemas de educação para a infância e a adolescência, ao lado de confiável compromisso familiar no que diz respeito à estruturação psicológica do educando”.

Assim como na Obra basilar da Doutrina Espírita, cujo aniversário de 160 anos desde sua publicação em abril de 1857, em Paris, já suscita diversas homenagens, em seu livro Philomeno aponta os excessos como o principal vetor da drogadição. “Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.” Essa frase do Espírito Emmanuel, pinçada do capítulo intitulado “Alienação mental” do livro Religião dos Espíritos (psicografia de Chico Xavier), ajuda-nos a refletir acerca das consequências dos excessos.

Conta-se que no pórtico do Oráculo de Delfos, erguido em louvor do deus Apolo, na Grécia clássica, havia uma outra inscrição ao lado daquela imortalizada pelo filósofo Sócrates e aproveitada pelos Emissários de Jesus nas páginas de O Livro dos Espíritos (Q. 919) quanto ao conhecimento de si mesmo. Segundo os estudiosos da cultura helênica, essa outra expressão dizia apenas “nada em excesso”, levando-nos a considerar ser necessário ensinar a moderação em tudo, para que não se instalem na criatura desavisada os quadros pavorosos das obsessões, nas quais “hóspede e hospedeiro interdependem-se na usança das drogas devastadoras”, muitas vezes prolongando esse sofrimento no além-túmulo, como nos alerta Emmanuel na obra supracitada.

Mediunidade e luta

Humberto de Campos, Espírito (Irmão X)



Diz você que a mediunidade parece não encontrar recanto entre os homens e, decerto, você argumenta com sobejas razões.

Basta que a criatura evidencie percepções inabituais, entrando em contato com as Inteligências desencarnadas, para que sofra policiamento constante. Examina-se-lhe a ficha social, pede-se-lhe o grau de instrução, analisam-se-lhe os hábitos de leitura e emprestam-se-lhe qualidades imaginárias para que se lhe cataloguem os serviços de intercâmbio no capítulo de fraude inconsciente. E encontrada essa ou aquela brecha naturalmente humana, no conjunto da personalidade medianímica, por mais convincentes hajam sido as demonstrações da vida espiritual por seu intermédio, vê-se marcado o sensitivo à conta de embusteiro confesso.

Sabe-se que as irmãs Fox, pioneiras do Espiritismo, quando em plenitude das forças psíquicas, foram ameaçadas de linchamento, num salão de Rochester, porque distinta comissão de pessoas insuspeitas se manifestou à legitimidade das comunicações de que se faziam intérpretes, e, mais tarde, quando fatigadas da incompreensão e sofrimento se afizeram ao uso de certos aperitivos, como acontece a algumas damas distintas e infelizes da sociedade moderna, foram consideradas ébrias impenitentes, que fraudaram a vida toda.

Convença-se, contudo, de que não é propriamente o médium o objeto da injúria e sim a realidade da sobrevivência além-túmulo, que a maioria dos homens, atolada no egoísmo, não quer aceitar.

Depois de soberbas e irrecusáveis demonstrações da imortalidade da alma, com a chancela de sábios eminentes, nas mais cultas nações do Globo, a ciência terrestre, manobrando inconcebíveis sutilezas de raciocínio, procurou desterrar a Doutrina Espírita e seus areópagos e experimentos, fundando a metapsíquica e a parapsicologia, com o intuito evidente de procrastinar a verdade.

Há mais de um século, doutos pesquisadores, dignos, aliás, do maior respeito, observam médiuns e fenômenos mediúnicos quais cobaias e reações do laboratório, mas, com raras exceções, se inquiridos quanto à existência da alma, esboçam clássico sorriso de superioridade e desprezo.
O que o homem, por enquanto, não deseja absolutamente admitir é a responsabilidade de viver.

Entretanto, isso não é motivo para esmorecimento de nossa parte.
A idéia da imortalidade foi apaixonadamente perseguida em nosso Divino Mestre.

A humanidade pressentiu que Ele trazia a maior mensagem da Vida Eterna, por todos os meios, hostilizou-lhe a presença.

Contemplado à distância, Jesus apareceu como alguém injustamente corrido de toda parte.

Recusado pelas estalagens de Belém, é constrangido a buscas as sombras da estrebaria para nascer. Mal descerra os olhos, é transportado por Maria e José, em demanda do Egito, fugindo à espada de inesperadas humilhações. Detém-se, de retorno, nas alegrias de Nazaré, fruindo a convivência dos familiares mais íntimos, no entanto, em pleno ministério de amor, é escarnecido pelos seus. Qual mestre sem lar, jornadeia de vila em vila, consagrando-se aos sofredores. Ele mesmo registra a dureza de Betsaida e lastima os remoques que lhe são desfechados em Corazim e em Cafarnaum. Em todos os lugares, há quem lhe ironize o trabalho. Encontra por refúgio a casa da Natureza e mobiliza, por tribunas da Boa Nova, pobres barcos de alguns amigos. Após inolvidáveis ações, em que positiva a perpetuidade do espírito, visita Jerusalém, mais uma vez, para o testemunho de fé santificante; contudo, malquisto no Templo, por dizer a verdade, é preso e conduzido ao Sinédrio. Os grandes sacerdotes, tentando turvar-lhe o ânimo, enviam-no a Pilatos para julgamento sub-reptício. O magistrado, entretanto, receando-lhe a força moral, remete-o ao exame de Herodes. Mas este, irônico e matreiro, devolveu-o ao Juiz inseguro que o entrega, então, à ira do populacho que, não sabendo onde mais o coloque, dependura-o no lenho da ignomínia como vulgar malfeitor. Glorificado, volta Jesus, redivivo, à intimidade dos homens, mas ainda aí, os principais do templo subornaram soldados e guardiães com dinheiro de contado para desmoralizarem a mensagem da ressurreição do Senhor.
E, no transcurso de quase três séculos, todos os seguidores fiéis do Nazareno, por lhe guardarem o ensinamento puro, foram batidos, vilipendiados, espoliados, caluniados, encarcerados ou lançados às feras, nos espetáculos públicos, até que a política e o profissionalismo religioso escondessem a Divina Revelação na intrincada vestimenta do culto externo.

Como vê, meu caro, a perseguição gratuita a que se refere é de todos os tempos. Sirvamos, contudo, à realidade do espírito com destemor e seriedade, porquanto a morte é o velho meirinho da grande renovação que não poupa a ninguém.

***

Do livro Relatos da Vida - psicografia de Francisco C. Xavier.

Hora de morrer e desencarnar

Francisco Muniz



No capítulo 12 do livro Reencontro com a Vida, ora em estudo no CEDLV, o autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda expõe, pela pena do médium Divaldo Franco, tanto a diferença conceitual entre morrer e desencarnar quanto traça as peculiaridades desses dois processos de despedida da experiência material pelo Espírito imortal. Para Philomeno, morrer é apenas deixar o invólucro carnal que retinha o ser na esfera física, ao passo que desencarnar representa a liberação do Espírito das sensações corporais e seus arrastamentos, facultando a readaptação ao plano espiritual sem maiores perturbações.

Mas é certo que há grande diferença, mesmo, entre morrer e desencarnar, significando tudo isso a possibilidade de uma mudança cultural na esfera da economia espiritual. Isto é: importa fazermos a distinção, a convite do Espiritismo, entre os valores do passado e os do presente, facultando-nos voluntariamente a um novo modo de proceder na vida material, com vistas a uma melhor condição na vida futura, eminentemente espiritual. Em outras palavras, desmaterializarmo-nos.

Porque informa-nos Manoel Philomeno não haver duas mortes iguais e que só desencarna quem aprender , desde a experiência física, a se desvencilhar das fixações emocionais e físicas. Não obstante, o momento da morte, segundo esse autor espiritual, falando genericamente, “sempre se reveste de grave significação para a alma, que é tomada de aturdimento e de aflição”. É o que Allan Kardec chama de perturbação pós-morte, estado esse que pode durar algumas horas até séculos – e por uma razão bastante simples: é que a morte biológica não modifica o ser espiritual, “não interrompe os hábitos mentais (...) continuando a predominar nas paisagens das aspirações íntimas e dos anseios do sentimento do Espírito”.

Por isso, “a desencarnação ocorre somente quando o ser, livre das sensações materiais, permite-se a lucidez e o reencontro consigo mesmo, podendo experimentar as alegrias e as bênçãos da libertação”. Com essa explicação de Philomeno, compreendemos que a desencarnação resulta do esclarecimento do Espírito quanto à própria realidade – e isto pode se dar também no plano espiritual –, uma vez que a pessoa se submeta aos procedimentos disciplinares desenvolvidos em seu favor, porque “à medida que o cadáver entra em decomposição, não raro, as sensações de dores físicas e angústias morais, se prolongam pelo tempo necessário à sua diluição nos equipamentos mentais”.

“Não fosse o amor de Deus que se manifesta através dos Anjos guardiães, encarregados de ajudar os seus pupilos, e tal situação se prolongaria indefinidamente, dando a impressão de eternidade, como, às vezes, pensam alguns alucinados que permanecem nesse estado de desespero”, pondera Manoel Philomeno. Assim, compete aos aprendizes da Verdade pelo Espiritismo, principalmente, envidarem esforços no sentido de se purificarem, a fim de evitar surpresas desnecessárias no além-túmulo, porquanto Jesus declarou que quem estiver sem a túnica nupcial será retirado do banquete e jogado às trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes.

Opinião espírita sobre o purgatório

Richard Simonetti
  


Que se deve entender por purgatório?
Resposta: Dores físicas e morais: o tempo da expiação. Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas. (Questão 1.013 de O Livro dos Espíritos

O purgatório não está na Bíblia, foi criado pelo catolicismo para resolver um problema teológico: a salvação.
O purgatório para eles seria uma região no Além onde estagiam as almas que, embora arrependidas e “na graça de Deus”, ou seja, por se submeterem a sacramentos religiosos (batismo, crisma, etc.), não são suficientemente puras para elevarem-se ao Céu, nem tão ruins para merecerem o inferno. Morrem abençoadas, mas não perdoadas.

Em torno dessa idéia central criou-se toda uma mitologia, com crendices que circulou durante a Idade Média, servindo de instrumento para exploração da ingenuidade popular.

Como o catolicismo pregava que aquele que fosse para o inferno de lá não sairia mais (penas eternas), o purgatório seria a região onde os, nem tão bons e nem tão ruins, teriam a chance de serem julgados para ver se iriam para o céu ou para o inferno. E o critério para este julgamento estava nas mãos dos parentes aqui na Terra. Assim foi criado a Doutrina das Indulgências que permitia às famílias abastadas (ricas) promover a transferência de seus mortos do purgatório para o céu, mediante a doação de largas somas de dinheiro às organizações religiosas. Quem adquirisse “relíquias” (supostamente parte do corpo de um santo – osso, dente, cabelos, unhas – ou qualquer objeto que tenha usado ou que tocou seu cadáver), compradas a peso de ouro, o efeito seria mais seguro.

As “relíquias” prestavam-se a vergonhosas fraudes. Como poderiam os fiéis saber se eram autênticos pedaços da cruz onde foi sacrificado Jesus, os cabelos de Pedro, as sandálias de Paulo ou as pedras que imolaram Estevão?

No folclore religioso existe até mesmo a idéia de que é interessante pedir ajuda às almas do purgatório para resolver nossas dificuldades, pois estas estariam sempre dispostas a nos ajudar, a fim de acumularem méritos suficientes para se livrarem de suas penas.

As “penas eternas” é uma aberração teológica incompatível com a justiça e a misericórdia de Deus. Se o arrependimento no momento da morte livra o indivíduo do inferno, levando-o ao purgatório, por que Deus não perdoaria os impenitentes que encontram-se no inferno? Afinal, a experiência demonstra que, ante sofrimentos prolongados, mesmo os indivíduos mais rebeldes acabam modificando suas disposições.

ENTÃO, O QUE É PURGATÓRIO PARA OS ESPÍRITAS?

Então, nós espíritas, entendemos por purgatório, as dores físicas e morais: o tempo da expiação. Tempo onde carregamos as cruzes confeccionadas por nós ao transgredirmos as leis divinas. Quase sempre, é na Terra que fazemos o nosso purgatório, ou seja, que expiamos (resgatamos) as nossas faltas. Purgatório significa purgação, purificação. O purgante é o remédio que limpa o organismo. E as dores e aflições é o purgante que limpa a alma das transgressões à Lei Divina. Podemos dizer que, o caminho mais rápido e seguro entre o purgatório e o Céu, é “O PRÓXIMO”. Na medida em que estivermos dispostos a respeitar, ajudar, compreender e amparar aqueles que nos rodeiam, seja o familiar, o colega de serviço, o amigo, o indigente, o doente, estaremos habilitando-nos à felicidade, contribuindo para que ela se estenda sobre o Mundo. Portanto, não nos elevaremos se não tivermos dispostos a auxiliar os companheiros que conosco estagiam no purgatório terrestre.

Sintomatologia mediúnica

Francisco Muniz



Vem da pena do poeta seiscentista Gregório de Matos um conceito acerca dos sintomas que caracterizam as enfermidades que poderíamos, por analogia, adaptar aos estudos sobre a eclosão das faculdades mediúnicas, motivados pelo texto de Manoel Philomeno de Miranda no livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco).

Assim, parafraseando o poeta baiano, observemos o candidato aos labores mediúnicos: já toma ele consciência de sua faculdade? – sim, toma; toma coragem para vencer os percalços da caminhada evolutiva nesse mister? – sim, toma; toma as necessárias providências para se moralizar? – sim, toma; toma os cuidados imprescindíveis para atender aos bons Espíritos e auxiliar os mais necessitados? – sim, toma. Então, com tantos “sintomas”, ele já pode se considerar pronto para a tarefa do intercâmbio espiritual.

Ora, é sabido que, no passado, a ignorância a respeito da mediunidade fez com que essa ferramenta de comunicação com os Espíritos fosse tomada como fator de distúrbios físicos e mentais ou efeito da ação diabólica sobre certas pessoas. Esse entendimento equivocado levou muitos médiuns à fogueira, durante a Idade Média, e aos hospícios, na contemporaneidade. Para a Psiquiatria, a causa era a loucura, a perturbação mental a atrapalhar a convivência em sociedade.

No entanto, graças aos esforços e aos estudos de Allan Kardec, diversos profissionais das Ciências se debruçaram, desde o século XIX, sobre o que se convencionou chamar de fenômenos paranormais. Desse modo, já se entende que a mediunidade nada tem de enfermiça e se sua manifestação faz pensar dessa forma, é que se trata dos distúrbios provacionais aos quais o detentor da faculdade se submete com vistas a seu reajustamento às leis divinas. É o que pondera Philomeno no capítulo 8 do livro supracitado, afirmando que “não poucas vezes [a mediunidade] é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência”.

Convém recordarmos a preciosa colaboração que nosso companheiro André Ribeiro nos deu, no último Aprimoramento, ao abordar esta questão, citando os estudos do médico Dr. Pacheco que na primeira metade do século XX concluía por responsabilizar a mediunidade eclodida pelo estado de insanidade de alguns de seus pacientes, combatendo por isso o Espiritismo. Certamente o nobre esculápio não conhecia – ou não se interessou – a tese de um ilustre colega seu, Adolfo Bezerra de Menezes, que no final do século XIX publicara o livro A Loucura sob Novo Prisma, no qual procura desmistificar a faculdade mediúnica.

Quando, porém, nos comprometemos com o estudo sério, avaliando não só o “sintoma”, mas toda a história de vida da pessoa “atormentada”, conhecendo suas crenças, suas tendências e modos de relacionamento com os demais, e se temos o mínimo esclarecimento advindo da Ciência Espírita, compreenderemos que não se trata, a mediunidade, nem de doença nem de fator de enfermidade.

É, como aprendemos, instrumento de progresso concedido indistintamente a todos os filhos de Deus, merecendo tão somente a devida conscientização para que se lhe dê bom uso e permita, em conseqüência, alcançar os sublimes desideratos.