quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Das humanidades

Quando era eu um reles barnabé e prestava serviço à Universidade Federal da Bahia, ouvi de um professor da área médica que o Homem é uma verdadeira praga no corpo do planeta, por ser capaz de acumular arsenais bélicos com o poder de destruir a Terra três vezes! Então militante nas hostes da Doutrina Espírita, presunçosamente eu acreditava que sabia um pouco mais que o amigo acadêmico, apenas porque admitia a imortalidade da alma e ele, hoje na Pátria da Verdade, talvez fosse materialista, e assim considerei: "Se o Homem é o problema, ele também é a solução".
Sigo pensando do mesmo jeito, que ainda não encontrei, em meio ao negativismo reinante, motivos verdadeiramente fortes que me façam mudar de ideia. Sim, enquanto espécie, o Homem é tanto o bem quanto o mal no seio de Gaia e essa condição fica muito bem retratada nos poemas realistas de João Fernando Gouveia neste livro inspirado e inspirador. Nesses poemas, a humanidade é implacavelmente reduzida a suas duas feições naturais: forma e essência, das quais o leitor logo se aperceberá principalmente porque o autor se vale, magistralmente, do pensamento condutor de Augusto dos Anjos, cujo estro encharcado da seiva da vida angustiada ante a morte inevitável questiona a humana fragilidade.
João, desse modo, nos dá uma aula de filosofia, transitando do ponderável ao transcendental, das questiúnculas próprias do ser humano que só enxerga o mundo a partir de sua pequenez às graves argumentações da astronáutica e da biologia, da física e da economia. "Alguém possui uma resposta plausível?" - indaga ele, por sua vez, recordando a eterna dúvida sobre quem somos nós: "Baratas tontas?" - arrisca.
Mas ao mesmo tempo que interroga João Gouveia oferece possibilidades de solução do grande mistério que é o Homem, revelando pistas de sua milenar viagem pelo tempo em busca da razão de si mesmo. Enquanto isso, ele - o Homem - desenvolve sua história, cria o progresso, cresce perante a Natureza que o cerca e, queira ou não, ajoelha-se perante a poderosa força criadora que é seu Criador.
Gigante do pensamento, o Homem vai às distantes galáxias e apequena-se ante a dor que o aniquila; herói das sagas da formação dos povos, sofre ante os impositivos da morte. Que é o homem, por que nos dizemos humanos, que vem a ser nossa humanidade se o mais das vezes, belicosos como (ainda) nos vemos, comprazemo-nos derramando o sangue de um semelhante, desconhecendo ser esse sangue a mesma seiva que nos corre nas veias?
Mas um dia virá o despertamento - pela poesia? pela ciência? pela religião?
Um dia o Homem se descobrirá, revelando seu mais torturante enigma. Nesse dia, praza aos Céus, ele se lembrará de que o chão do planeta, ainda tão adusto, já foi pisado inúmeras vezes por antigos profetas, filósofos, luminares do saber, da arte e da ciência que deixaram aqui traços da imortal sabedoria, esperando que nós, seus herdeiros, refaçamos o caminho da ancestralidade e assim defrontemos nossa verdadeira face. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Os restos da Idade Média

AUTO DE FÉ DAS OBRAS ESPÍRITAS EM BARCELONA
(Revista Espírita, novembro de 1861 - por Allan Kardec)

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Nada informamos aos leitores sobre esse fato, que já não o saibam através da imprensa. O que é de admirar é que jornais na aparência bem informados, o tenham posto em dúvida. A dúvida não nos surpreende, pois o fato em si parece tão estranho nos dias que vivemos; está de tal modo longe de nossos costumes que, por maior cegueira que reconheçamos no fanatismo, a gente pensa sonhar ao ouvir dizer que as fogueiras da Inquisição ainda se acendem em 1861, às portas da França. Nestas circunstâncias, a dúvida é uma homenagem prestada à civilização europeia, ao próprio clero católico. Hoje, em presença de uma realidade incontestável, o que mais deve admirar é que um jornal sério, que diariamente cai com todas as forças sobre os abusos e invasões do poder sacerdotal, para assinalar esse fato não tenha senão algumas palavras de censura, acrescentando: “Em todo o caso, não seríamos nós que nos divertiríamos neste momento em fazer girar mesas na Espanha” (Le Siècle de 14 de outubro de 1861). Então o Siècle ainda está vendo o Espiritismo nas mesas girantes? Também ele ainda está suficientemente enceguecido pelo ceticismo para ignorar que toda uma doutrina filosófica, eminentemente progressiva, saiu dessas mesas, de que tanto zombaram? Ele ainda não sabe que esta ideia fermenta em toda parte; que em toda parte, nas grandes cidades como nas pequenas localidades, de alto a baixo da escala social, na França e no estrangeiro, esta ideia se espalha com inaudita rapidez; que por toda parte agita as massas que nela saúdam a aurora de uma renovação social? O golpe com que julgaram feri-lo não é um indício de sua importância? Ninguém se atira assim contra uma infantilidade sem consequências, e D. Quixote não voltou à Espanha para se bater contra moinhos de vento.

O que não é menos exorbitante, e nos admiramos de não se ver nenhum protesto enérgico contra isso, é a estranha pretensão que se arroga o Bispo de Barcelona, de policiar a França. O pedido de devolução das obras foi respondido com a recusa assim justificada: “A Igreja católica é universal, e sendo estes livros contra a fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países”. Assim, eis um bispo estrangeiro que se institui juiz do que convém ou não convém à França! Então a sentença foi mantida e executada, sem pelo menos isentar o destinatário das taxas alfandegárias, de que lhe exigiram o pagamento.

Eis o relato que nos foi dirigido pessoalmente:

“Hoje, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez e meia da manhã, na esplanada da cidade de Barcelona, no lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:

“A Revista Espírita, diretor Allan Kardec;
“A Revista Espiritualista, diretor Piérard;
“O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec;
“O Livro dos Médiuns, pelo mesmo;
“Que é o Espiritismo, pelo mesmo;
“Fragmento de sonata ditada pelo Espírito de Mozart;
“Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo Dr. Grand;
“A História de Joana d’Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufaux;
“A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo Barão de Goldenstubbe.

“Assistiram ao auto de fé:

“Um sacerdote com os hábitos sacerdotais, com a cruz numa mão e uma tocha na outra;
“Um escrivão encarregado de redigir a ata do auto de fé;
“O secretário do escrivão;
“Um empregado superior da administração da alfândega;
“Três serventes da alfândega, encarregados de alimentar o fogo;
“Um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.
“Uma inumerável multidão enchia as calçadas e cobria a imensa esplanada onde se erguia a fogueira.

“Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras espíritas, o sacerdote e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e maldições de numerosos assistentes, que gritavam: Abaixo a Inquisição!
“Várias pessoas, a seguir, aproximaram-se da fogueira e recolheram cinza”.

Uma parte dessas cinzas nos foi enviada, onde se encontra um fragmento do Livro dos Espíritos, consumido pela metade, que nós conservamos preciosamente, como um testemunho autêntico desse ato de insensatez.

À parte qualquer opinião, este caso levanta grave questão de direito internacional. Reconhecemos ao governo espanhol o direito de interditar a entrada em seu território de obras que lhe não convenham, como a de todas as mercadorias proibidas. Se as obras tivessem entrado clandestina ou fraudulentamente, nada haveria a dizer, mas elas foram expedidas ostensivamente e apresentadas à alfândega. Havia, pois, uma permissão legalmente solicitada. A alfândega considera-se na obrigação de reportar-se à autoridade episcopal que, sem qualquer forma de processo, condena as obras à fogueira, pelas mãos de um carrasco. Então o destinatário pede que as obras sejam reenviadas para o lugar de sua procedência e por fim lhe respondem que seu pedido foi indeferido. Perguntamos se a destruição dessa propriedade, em tais circunstâncias, não é um ato arbitrário e contra o direito comum.

Se examinarmos o caso do ponto de vista de suas consequências, diremos, para começar, não haver dúvida de que nada poderia ser mais favorável ao Espiritismo. A perseguição sempre foi proveitosa à ideia que se quer proscrever. Por ela se exalta a sua importância, chama-se a atenção dos que a ignoravam e que passam a conhecê-la. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo na Espanha vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é ele. Eis tudo quanto desejamos. Podem queimar-se livros, mas não se queimam ideias. As chamas das fogueiras superexcitam-nas, em vez de abafá-las. Aliás, as ideias estão no ar, e não há Pireneus bastante altos para detê-las. Quando uma ideia é grande e generosa, encontra milhares de corações prontos a aspirar por ela. A despeito do que tenham feito, o Espiritismo já tem numerosas e profundas raízes na Espanha. As cinzas dessa fogueira vão fazê-las frutificar. Mas não é só na Espanha que se produzirá tal resultado. O mundo inteiro sentirá as suas consequências. Vários jornais da Espanha estigmatizaram esse ato retrógrado, como bem o merece. Las Novedades de Madrid, de 19 de outubro, contém um notável artigo a respeito, que será reproduzido em nosso próximo número.

Espíritas de todos os países! Não esqueçais a data de 9 de outubro de 1861. Ela ficará marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é o penhor de vosso próximo triunfo!

Entre as numerosas comunicações a respeito, ditadas pelos Espíritos, citaremos apenas as duas seguintes, dadas espontaneamente na Sociedade de Paris. Elas resumem as causas e todas as consequências desse fato.

SOBRE O AUTO DE FÉ DE BARCELONA

“O amor da verdade deve sempre fazer-se ouvir. Ela rompe o véu e brilha ao mesmo tempo por toda parte. O Espiritismo tornou-se conhecido de todos. Em breve será considerado e posto em prática. Quanto mais perseguições houver, tanto mais depressa esta sublime doutrina chegará ao apogeu. Seus mais cruéis inimigos, os inimigos do Cristo e do progresso, se conduzem de maneira a ninguém ignorar que Deus permite àqueles que deixaram esta Terra de exílio voltarem para junto daqueles que eles amaram.

“Tende certeza que as fogueiras apagar-se-ão por si mesmas, e se os livros são lançados ao fogo, o pensamento imortal lhes sobrevive.
(DOLLET)

NOTA: Este Espírito, que se manifestou espontaneamente, disse ser o de um antigo livreiro do século XVI.

OUTRA

“Era preciso que algo ferisse num golpe violento certos Espíritos encarnados, para que se decidissem a ocupar-se desta grande doutrina que deve regenerar o mundo. Nada é feito inutilmente em vossa Terra nesse sentido, e nós, que inspiramos o auto de fé de Barcelona, bem sabíamos que assim agindo contribuiríamos para um grande passo à frente. Esse fato brutal, incrível nos tempos atuais, foi consumado a fim de atrair a atenção dos jornalistas que ficavam indiferentes ante a profunda agitação reinante nas cidades e centros espíritas. Eles deixavam dizer e fazer, mas se obstinavam em fazer ouvidos moucos, e respondiam pelo mutismo ao desejo de propaganda dos adeptos do Espiritismo. De boa ou má vontade, é preciso que hoje falem. Uns constatando o caso histórico de Barcelona, e outros o desmentindo, deram lugar a uma polêmica que dará a volta do mundo e da qual só o Espiritismo tirará proveito. Eis por que hoje a retaguarda da Inquisição praticou o seu último auto de fé. Foi porque assim o quisemos”.
(SÃO DOMINGOS)

domingo, 8 de outubro de 2017

Apliquei a ideia de Kardec. A priori, parecer ter dado certo.

Wellington Balbo


Desde que o mundo é mundo que o homem preocupa-se com sua saúde física. Com Allan Kardec não foi diferente, ele também ocupou-se das curas físicas, mas com enfoque diferente da medicina oficial, que trata apenas a matéria.

Kardec foi a fundo na essência e pesquisou meios de se curar o Espírito, sede das enfermidades que trazem sofrimento ao corpo.

Na Revista Espírita do ano de 1867, mês de junho, no texto Grupo Curador de Marmande, Kardec traz relatos impressionantes de curas efetuadas pelo grupo dirigido pelo Sr. Dombre, que por meio da aplicação de passes, moralização de obsessores e exercício persistente da caridade promoveram curas excepcionais.

Kardec ressalta, ainda, um fato novo: a participação de parentes e amigos nos processos de cura dos enfermos.

Seria, muito provável, o componente do bem querer com mais intensidade a maximizar os efeitos da aplicação de fluidos e promover a cura?

Eis um tema para nossos estudos.

Pois bem. Resolvi colocar em prática a sugestão de Kardec e aplicar o magnetismo em um parente.

Mas antes preciso fazer breve relato para que fique compreensível o contexto.

No ano de 2011 fui surpreendido por 3 infartos. Tive de fazer a cirurgia e descobri que meus índices de colesterol eram altíssimos.

Pesada carga genética, informaram os médicos. Pensei: talvez pesada carga de vidas pregressas.

Minha preocupação, entretanto, foi com meus filhos. E após minha recuperação levei-os para realizar exames. Descobrimos que meu filho caçula, João Antônio, também tem problemas com colesterol, triglicerídeos, glicemia e etc.

Números altíssimos para uma criança de 13 anos. Seu HDL – colesterol ruim - , no jargão popular, gira em torno de 300 a 400 mg/dL. O normal para um adolescente de sua idade deve ser menor que 110 mg/dL.

Então, coloquei em prática a sugestão do professor Rivail e decidi aplicar o magnetismo em meu menino.

Antes, porém, fizemos exames no dia 11/07/2017, no laboratório LABCHECAP, em Salvador BA, e obtivemos o resultado exposto na tabela abaixo:


Após a data de 11/07/2017 iniciamos a aplicação do magnetismo três vezes por semana por meio da imposição das mãos.

Fazíamos em casa, no quarto, apenas eu e ele. Eu pedia ao garoto para deitar-se. Então, concentrava-me, pedia assistência dos bons Espíritos e aplicava-lhe o "passe".

Neste tempo, que foi do dia 11/07/2017 até 28/07/2017, portanto, 17 dias, não mudamos os hábitos e nem realizamos nada de diferente.

Deixei-o alimentar-se a vontade, sem qualquer restrição. Vale lembrar, contudo, que pessoas portadoras de problemas deste tipo devem consultar o médico, manter dieta regular e, a depender do caso, fazer o uso de medicação. O meu garoto, por exemplo, há muito tempo é um drogadependente e utiliza sinvastatina de 30 mg. Naturalmente que não suspendi o uso da medicação ao realizar o teste.

Eis, abaixo, os resultados dos exames realizados em 11/07/2017 e 28/07/2017, após as aplicações de magnetismo.


Resultados impressionantes em curto espaço de tempo. Chamou-me atenção para os Triglicerídeos, pois seus índices reduziram-se de maneira absurda.

Fica a sugestão de leitura do texto de Kardec e, quem sabe, a utilização desta técnica para cura dos males do corpo e da alma.

sábado, 23 de setembro de 2017

Ocupações dos Espíritos no outro lado da vida

Resultado de imagem para trabalho no mundo espiritualFrancisco Muniz



Diz Emmanuel, em Mediunidade e Sintonia (psicografia de Chico Xavier), no capítulo intitulado “Trabalho além da Terra”, que “além da morte, a alma continua naquilo que começou a fazer na existência física”. Entendemos, assim, que a mudança de dimensão não oferece solução de continuidade para ninguém, de modo que podemos afirmar, observando o que as pessoas fazem por aqui: ou continuamos trabalhando ou vamos continuar dando trabalho. E trabalho é o que não falta nos dois planos da Vida, embora muitos por aqui – e por lá também, como não? – prefiram manter-se na ociosidade, porque, como informa Allan Kardec, toda atividade útil é trabalho e há ocupações que não se enquadram nessa definição.

Segundo o Codificador, o trabalho é lei da vida e é com uma frase nesse mesmo padrão que Manoel Philomeno de Miranda abre seu texto no cap. 17 do livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco), salientando que “em toda parte o movimento trabalha em favor da ordem e do equilíbrio”. A razão nos diz, então, que nada há imóvel no Universo e, sendo assim, os Espíritos, em suas múltiplas atividades, correspondem à vontade divina e executam seu papel de cocriadores. “Por consequência, o repouso, a ociosidade propiciariam a ocorrência do caos”, ressalta o Instrutor espiritual.

Pela leitura e consequente reflexão sobre o texto de Philomeno, depreende-se que nas esferas além da crosta planetária tudo respira intensa atividade de trabalho: há pesquisas nas diversas áreas do pensamento – artes, ciência, tecnologia e fé religiosa –, escolas e universidades atuam intercambiando conhecimentos de esferas superiores para os “laboriosos buscadores da verdade, que se capacitam para os futuros cometimentos iluminativos”. Em tudo, afirma o prestimoso repórter pela pena mediúnica de Divaldo Franco, os beneficiários somos nós, os Espíritos encarnados, para onde tais conquistas são transferidas “em ministérios enriquecedores e felizes”.

Voltando ao antigo mentor de Chico Xavier, ele afirma (ibidem) que “em razão de cada criatura transportar consigo a experiência a que se afeiçoa, a Sabedoria Divina concede a cada espírito encarnado determinada tarefa que, na essência, vale por ensaio precioso, à frente do serviço que lhe competirá no amanhã eterno”. Isso quer dizer que só ficará “desempregado” no Além quem não se afeiçoou ao trabalho enquanto transitou por aqui. Mas importa considerarmos que Emmanuel se refere às tarefas de cunho moral e não profissional, mesmo que abranja este exercício, de modo que importante mesmo não é o que fazemos mas como fazemos o que somos chamados a fazer.

Assim, “não basta erguer braços ágeis, deitar fraseologia preciosa ou provocar excessivo movimento em torno de teus dias, porque há muitas mãos operosas na extensão da sombra, muito verbo faustoso na exploração menos digna e muito ruído vão, provocando, onde existe, tão-somente amargura e cansaço” – diz o Mentor. E Emmanuel prossegue, finalizando suas reflexões, que devem merecer nossa mais sincera apreciação: “Ama o serviço que o Senhor te confiou, por mais humilde que seja, e oferece-lhe as tuas melhores forças, porque do que hoje fazes bem, no proveito de todos, retirarás amanhã o justo alimento, para a obra que te erguerá do insignificante esforço terrestre para o trabalho espiritual”.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Espairecimentos espirituais

Francisco Muniz


De acordo com o dicionário, espairecimento é o ato de espairecer, que significa distrair-se, passear, divertir-se. É atividade de recreio, ou de lazer, portanto. No Plano Espiritual isso também acontece, entre os Espíritos de relativa evolução, de modo não somente recreativo, mas também educativo ou instrutivo, afinal, o lazer também promove a aculturação. Esse é o tema que o Instrutor Manoel Philomeno de Miranda explora no capítulo 16 de seu livro Reencontro com a Vida, pela psicografia do médium Divaldo Franco. Aí, o autor espiritual relata a natureza dessas atividades que, ao contrário do que se experimenta ou se observa amiúde na Terra, "não cansam, não produzem tédio, quando passam, ou saudade após fruídas, porque se incorporam ao Espírito, vitalizando-o com energias especiais que lhe dão alegria e facultam permanente bem-estar".
Assim, Manoel Philomeno nos fala da possibilidade de se entreter, os desencarnados, nas cidades espirituais em que se encontrem, com a audição de músicas de incomparável qualidade; com exibições teatrais sem paralelo na Terra; e com espetáculos de dança nos quais se materializam os quadros grandiosos do passado, evocando a cultura greco-romana. Além disso, também são realizadas conferências de ilustres visitantes de esferas mais altas, sobre assuntos "que encantam e iluminam a inteligência sem produzir entorpecimento".
Mas quem tomasse conhecimento de tais atividades unicamente pela leitura da obra de Manoel Philomeno talvez estranhasse a natureza do relato. No entanto, desde que o Espírito André Luiz iniciou seu trabalho de repórter do Além, nos anos 1940, enviando por Chico Xavier os informes referentes à Colônia Nosso Lar, esses fatos se tornaram comuns. No livro Nosso Lar, o primeiro da série A Vida no Mundo Espiritual, da FEB, André comenta a existência dessas atividades de lazer, às quais os moradores daquela colônia têm acesso mediante o crédito de "bônus-hora"; em outros momentos, podem eles aproveitar instantes de refazimento no Bosque das Águas, no contato com a natureza convidativa à reflexão. Numa outra obra sua, especificamente Os Mensageiros, André Luiz refere a vida social e relata visitas entre famílias de colônias diferentes, em ambiente fraternal. Durante esses encontros, acontecem concertos e recitais, em clima de grande encantamento, sendo as conversações marcadamente edificantes, bem ao contrário do que se observa na Terra.
Ainda segundo Philomeno, esses espairecimentos são verdadeiros "programas de engrandecimento moral e espiritual em forma de recreação para a mente e sua educação, para os hábitos e sua modificação para melhor (...), ensejando crescimento pessoal enquanto se estabelecem novos roteiros de renovação psíquica e emocional sempre com vistas à plenitude".
Mas seria oportuno perguntarmos - uma vez que tais informes nos chegam como lição - em que, objetivamente, os relatos de André Luiz e Manoel Philomeno nos aproveitam, especialmente aos médiuns trabalhadores. Mas pensemos: após nosso retorno ao mundo das causas e consequências, de duas, só uma coisa vai nos acontecer: ou vamos continuar trabalhando ou continuaremos dando trabalho. E Philomeno pontua: "Não somente o trabalho existe em nossas Esferas espirituais, mas também as bênçãos de Deus expressam-se de formas muito variadas, demonstrando-nos o Seu amor e o Seu interesse constante no burilamento das imperfeições e superação total da inferioridade".
E nosso Instrutor arremata: "Conforme, portanto, as aspirações e realizações de cada Espírito, este se sediará em ambiente adequado ao seu desenvolvimento intelecto-moral, encarregado da ascensão a planos cada vez mais felizes, sem sombra nem dor, sem ansiedade nem aflição". Será preciso dizer mais?

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os gritos da Noite de São Bartolomeu

Allan Kardec (Revista Espírita – Set 1858, página 385)



De Saint-Foy, em sua Histoire de l’ordre du Saint-Esprit, edição de 1778, cita a seguinte passagem, retirada de uma coletânea escrita pelo marquês Christophe Juvénal des Ursins, tenente-general do governo de Paris, lá pelos fins do ano de 1572, e imprimida em 1601.

“No dia 31 de agosto de 1572, oito dias após o massacre de São Bartolomeu, eu havia ceado no Louvre, nas dependências da senhora Fiesque. O calor tinha sido grande durante todo o dia. Assentamo-nos sob uma pequena latada, às margens do rio Sena, para aspirar o ar fresco; de repente, ouvimos no ar um barulho horrível, de vozes tumultuosas e de gemidos misturados a gritos de raiva e de furor; ficamos imóveis, tomados de pavor, olhando-nos de instante em instante, mas sem coragem de falar. Creio que esse barulho tenha durado cerca de meia hora. Por certo o rei Carlos IX também o ouviu, ficou apavorado, não dormiu mais durante o resto da noite e, embora não comentasse o fato no dia seguinte, perceberam-lhe o ar sombrio, pensativo, alucinado.

“Se algum prodígio não deve encontrar incrédulos, seguramente este é um deles, atestado por Henrique IV. Conforme d’Aubigné, no livro I, capítulo 6, página 561, esse príncipe várias vezes nos contou, entre seus familiares e cortesãos mais chegados – e tenho várias testemunhas vivas que jamais relataram o fato, sem se sentirem ainda tomadas de pavor – que oito dias após o massacre de São Bartolomeu viu uma grande quantidade de corvos empoleirar-se e crocitar sobre o pavilhão do Louvre; que nessa mesma noite, duas horas após haver deitado, Carlos IX saltou de sua cama, fez se levantarem os que estavam em seu quarto e ordenou verificassem o que por ali se passava, pois ouvia no ar um grande barulho de vozes a gemer, em tudo semelhante ao que percebera na noite do massacre; que todos esses gritos eram tão impressionantes, tão marcantes e de tal forma articulados que Carlos IX, julgando que os inimigos dos Montmorency e de seus partidários os haviam surpreendido e os atacavam, enviou um destacamento de seus guardas para impedir esse novo massacre; que os guardas informaram que Paris estava tranqüila e que o barulho que se ouvia permanecia no ar.”

Observação – O fato narrado por Saint-Foy e Juvénal des Ursins tem muita analogia com a história do fantasma da senhorita Clairon, relatado em nosso número do mês de janeiro, com a diferença de que, nessa ocasião, um único Espírito se manifestou durante dois anos e meio, ao passo que, depois da noite de São Bartolomeu, uma quantidade inumerável de Espíritos teria feito o ar retinir apenas por alguns instantes. Aliás, esses dois fenômenos têm, evidentemente, o mesmo princípio que o dos demais fatos contemporâneos e da mesma natureza que já relatamos, deles não diferindo senão pelo detalhe da forma. Interrogados sobre a causa dessa manifestação, vários Espíritos responderam que era uma punição de Deus, o que é fácil de compreender.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Calma e perseverança em Deus

Norma Lúcia Novaes



O homem vive incessantemente em busca da felicidade, mas não a encontra, porque felicidade sem mescla, sem "mistura", não é encontrada na Terra. Porém, se começarmos a dar importância aos bons sentimentos, que vêm dos bons pensamentos, vamos observar que na vida, apesar das instabilidades (as vicissitudes de que fala o Evangelho), o homem poderia gozar de relativa felicidade.
Como gozar dessa felicidade relativa? Não procurando a felicidade nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, instabilidade e inconstâncias que estão nos gozos materiais, que servem apenas à aprendizagem do espírito enquanto encarnado; uma forma de adquirir experiência. E não se ensoberbecendo com a vida material, esquecendo-se de cultivar as coias do mundo espiritual.
Os gozos da alma vêm a desenvolver no homem uma satisfação imperecível, porque eterna, e constitui-se num aprendizado a caminho da bem-aventurança.
A única felicidade real no mundo é a paz do coração. Mas o homem no mundo, tornando-se ávido de tudo o que o agita e o coloca em desordem, aflige-se e atrapalha-se, porque toda esta ligação desregrada com as coisas do mundo material obscurece a luz que está no fundo do seu coração e lhe dá o sentido de Deus. As coisas materiais não são apenas aquelas que o dinheiro pode comprar, mas também as de que está cheio o coração: maus pensamentos, maus sentimentos, devido a uma vivência toda calcada na personalidade, não se reconhecendo um filho de Deus - um espírito criado a Sua imagem e semelhança.
Com aluz obscurecida, o homem se torna desarmonizado, primeiramente, consigo e, depois, com o outro.
O coração turbado é que leva o homem a viver ainda o processo de desinteligência, porque a alma embaraça-se, perturba-se, turva-se, passando a revolver o que de pior há dentro de si, abrindo campo para as angústias, confusões mentais, psíquicas, de relacionamentos (pessoais, de amizade, familiares, profissionais e outros) e todo tipo de adoecimento, assim como de espíritos interferentes - os chamados obsessores - encarnados e desencarnados.
O Espírito Fénelon diz, na sua mensagem "Tormentos voluntários" (em O Evangelho Segundo o Espiritismo), que toda a experiência de conturbação do homem é muito singular, curiosa, até incompreensível... porque, afinal, qual o motivo de o homem aplicar a si mesmo os seus próprios tormentos? De onde vem essa má intenção consigo mesmo? A falta da busca de Deus em si próprio? Porque toda a boa construção humana e espiritual, para vivermos bem - espiritual e materialmente - e no bem está em nossas próprias mãos.
Os maiores tormentos que o homem cria para si mesmo, ainda segundo Fénelon, são os derivados da inveja e do ciúme. Para o invejoso e o ciumento, não há repouso mental. Vivem em uma grande agitação, observando o que não têm, mas ou outros têm - e isso lhes causa um tormento.
Observar o êxito dos outros, que considera rivais, os confunde e os excita e atrapalha. Todo o estímulo que têm na vida é encobrir a luz, o progresso das pessoas que lhes estão próximas. E aí sentem alegria de unirem-se aos insensatos, como eles próprios, para incitar-lhes a raiva, a desconfiança, o ciúme e a inveja que os devoram, formando grupos afins. Não imaginam, porém, que com o passar do tempo vão ter que deixar todas essas mesquinharias, insignificâncias e futilidades, cuja cobiça lhes envenena a alma e, consequentemente, a vida.
Não é a eles que se aplicam estas palavras de Jesus: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados", porque, completa Fénelon, "as preocupações dos insensatos não são aquelas que têm no céu as compensações merecidas".
Aquele, porém, que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é, sempre é rico, porque quando olha pra "baixo" de si, e não para "cima", vê sempre criaturas que têm menos do que ele; é calmo, porque não cria para si necessidades ilusórias.
"E a calma não é uma felicidade em meio às tempestades da vida?"

***

(Texto baseado na mensagens "Tormentos voluntários" (ESE), do Espírito Fénelon.)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O papel da mediunidade

Francisco Muniz

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Nas terças e quintas-feiras, o estudo coletivo do Evangelho Segundo o Espiritismo (terceira obra basilar da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec) na Casa onde trabalho é feito com a participação da assistência e assim o público é convidado a fazer perguntas por escrito sobre o tema abordado por um expositor. Desse modo, dúvidas são dirimidas e o aprendizado se facilita de parte a parte.
Dia desses, alguém dentre os participantes perguntou "qual o papel da mediunidade?", aproveitando que o assunto em análise - "Dom de curar", que abre o Cap. XXVI, "Dai gratuitamente o que de graça recebestes" - dava azo ao questionamento.
O expositor explicou muito bem a utilidade da faculdade mediúnica, concessão divina para o progresso espiritual das criaturas, mas fiquei imaginando que, a julgar pelas variadas informações dos Espíritos, mesmo a partir do que Kardec coloca em O Livro dos Médiuns, a mediunidade tem mais de um papel a desempenhar no mundo.
Então vejamos: temos a mediunidade como papel mata-borrão, que faz o médium, ultra-sensitivo, absorver as energias presentes nos ambientes onde se encontre, graças à lei do magnetismo, através do qual o perispírito manifesta a propriedade de atrair ou repelir fluidos, uns compatíveis, outros não.
Vemo-la também como papel carbono, que faz o médium assimilar, pelos mesmos princípios da lei de atração e de sintonia, os característicos de seus acompanhantes invisíveis: se são bons, procede bem; se não, comporta-se em desequilíbrio.
É, ainda, o papel ofício, considerando a responsabilidade do médium que se orienta pelo Espiritismo de ser um servidor do Cristo junto aos necessitados, sejam eles os desencarnados ou os encarnados. Há que se admitir que a mediunidade foi concedida aos homens - a todo e qualquer - para o devido aperfeiçoamento moral, desde quando se instruam e compreendam que essa faculdade não é sua, sendo utilizada unicamente pelos Espíritos que a trabalho lhes vêm orientar.
Mas, deixando as analogias de lado, a mediunidade tem um papel dos mais importantes no âmbito da ciência espírita, sendo o principal instrumento de investigação do objeto mesmo dessa ciência: o Espírito. Com essa ferramenta, torna-se possível devassar o panorama espiritual, através de faculdades como a vidência, a clariaudiência, o desdobramento e a psicometria, por exemplo.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Sábia, a coruja não fala

Francisco Muniz

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Diz-se que a coruja é o símbolo da sabedoria - e sabe por quê? Porque ela não fala, apenas observa, prestando atenção, com seus grandes olhos, aos acontecimentos em redor. O homem pode e deve proceder de forma análoga, utilizando os sentidos físicos da visão e da audição para seu aprendizado no mundo e, à maneira da coruja, deixar a fala para os momentos mais condizentes a esse exercício.
Não por acaso, o Cristo ensinou-nos a desenvolver educativamente tanto o olhar quanto a audição, ao pontificar que "quem tem olhos de ver, veja; quem tem ouvidos de ouvir, ouça". Compreende-se então por qual razão não é a fala mais um dos sentidos físicos à disposição do homem em sua representação corporal, mas um recurso de que o princípio inteligente se utiliza para entrar em relação com os semelhantes.
E se se trata de um ser inteligente, qual o Espírito, deve ele fazer uso racional de tão importante instrumento de comunicação. Ouvir primeiro, falar depois, para não agirmos intempestivamente - eis a necessidade. Ouvir mais que falar, porquanto assim se reflexiona melhor, tornando possível o aprendizado através das conclusões lógicas a que se pode chegar a respeito dos assuntos expostos. Nunca falar sem pensar, como aconselham os mentores espirituais, instruindo-nos no caminho da sabedoria, corolário do ser pensante.

domingo, 6 de agosto de 2017

Terrorismo de natureza mediúnica

Pelo Espírito Vianna de Carvalho 
(Psic. Divaldo Franco, XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha.) 



Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico.

Existe um reaparecimento do passado no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-morais, o qual deve ser examinado com imparcialidade.

Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos.

Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas...

O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos.

Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando, através da Lei de Causa e Efeito, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, porque sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas... De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação.

Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos, ou de outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores. De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte.

Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento.

O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante as situações dolorosas. As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal.

Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam.

O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos.

A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação.

A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver.

Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina.

A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam.

Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.

Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...

O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina.

Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.

Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes.

Que é mesmo o mundo espiritual?

Francisco Muniz



Não é de hoje que a Humanidade tem notícia do mundo dos Espíritos, malgrado a incredulidade e o ceticismo de alguns homens, porquanto de tempos em tempos a Divindade promove movimentos com a finalidade de nos despertar para a realidade verdadeira da vida. É todo um continente esperando ser (re)descoberto e volta e meia nos chegam notícias de lá. Com frequência, viajores se dirigem para aquelas plagas, mas poucos de nós nos dispomos a empreender a viagem do conhecimento naquela direção. Os viajores? Ah, eles não voltam, dizem os céticos, ou, se voltam, quando voltam, não se dão a conhecer, tal a dificuldade imposta pelos que aqui estamos, presos à ilha da ignorância.

Quando o Espírito André Luiz ditou seu primeiro livro à mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier, contando a realidade da Colônia Nosso Lar, o próprio medianeiro estranhou o relato, pondo em dúvida aquelas informações. Foi preciso que o autor espiritual promovesse uma visita toda especial de Chico àquela cidade do plano espiritual, para diminuir a influência do médium mineiro na recepção da obra. E lá se foi Chico Xavier, em desdobramento mediúnico, confirmar a realidade, conhecendo detalhes arquitetônicos da colônia, como a Governadoria, os seis Ministérios – nos quais atuam 72 ministros – e o Bosque das Águas. Mais tarde, tanto sua visão quanto as notícias de André, a partir de então reconhecido como o “repórter do mundo espiritual”, foram confirmadas pela médium, também mineira, Heigorina Cunha, que no livro Cidade do Além mostra desenhos das localidades descritas por André Luiz.

Mas se o próprio Chico manifestou incredulidade, o movimento espírita brasileiro também não recebeu bem a publicação de Nosso Lar, livro considerado fantasioso até que a confirmação de Heigorina e o próprio tempo viessem fazer a diferença. O problema é que nas obras da Codificação Allan Kardec não faz qualquer menção a essas cidades astrais, daí as dúvidas sobre relatos como os de André Luiz, embora sejam antigas as informações a respeito, como dissemos mais acima. Antes mesmo que Kardec fosse chamado pela Espiritualidade para a tarefa ímpar de codificar a Doutrina dos Espíritos, já Emanuel Swedenborg publicava, no século XVIII, o relato de suas visões mediúnicas devassando o panorama espiritual, descrevendo cidades, vestuários e outras peculiaridades da realidade do mundo dos imortais.

Bem mais anteriormente ainda, o poeta renascentista italiano Dante Alighieri relatava na monumental obra A Divina Comédia o que observou em suas viagens astrais ao “Céu”, ao “Inferno” e ao “Purgatório”, em companhia do Espírito Virgílio, seu guia, que quando encarnado foi também poeta de renome em sua época. O conhecimento sobre o mundo espiritual, portanto, não é novidade, embora os homens façam dele uma ideia muito particular. É disso que o Espírito Manoel Philomeno de Miranda vem tratar no capítulo 13 de seu livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco), procurando desfazer o véu de estranheza, para dizer o mínimo, ainda existente acerca da realidade do pós-vida. Diz Philomeno ser preciso considerar as palavras de Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O caderno de Deus

Francisco Muniz (por inspiração)



Eu ainda estava com os olhos fechados, no início do dia, mas já não dormia. Fiquei na cama, concentrado, ouvindo as conversas que normalmente se ouve nesses momentos de entressono, e entre elas distingui um relato que me chegou certamente por inspiração, falando nestes termos:

Depois que sua esposa muito amada ficou doente e tiveram a recorrer à cooperação fraterna de alguns amigos para custear as despesas médicas, certo homem combinou com a querida companheira, tão logo ela recuperou-se da enfermidade, não mais incomodarem seus bondosos amigos por conta de dinheiro. E para garantirem que teriam sucesso nessa tarefa, decidiram tomar uma providência muito simples mas eficaz: adquiriram um caderno, desses comuns, e puseram na capa esta inscrição: "Caderno de Deus".
Segundo o acordo mútuo, nesse caderno eles colocariam, entre as folhas, uma cédula de qualquer valor pensando em cobrir quaisquer despesas futuras, desde que correspondessem de fato a uma necessidade. No entanto, ele era um homem dedicado ao trabalho e ainda que ganhasse um salário modesto ocasionalmente deixava uma cédula, por menor que fosse o valor, guardada entre as folhas do caderno. Vez por outra ela recorria ao "Caderno de Deus" para retirar algum dinheiro para pagar pela substituição do botijão de gás que acabou sem aviso prévio, mas em geral nenhum dos dois tocava no caderno a não ser para incluir uma nota entre as folhas do caderno.
Com o passar do tempo, o Caderno de Deus foi sendo esquecido, pois o homem, com seu trabalho, não deixava nada faltar em casa, de modo que o dinheiro, ou sua exiguidade, deixou de ser um problema naquela casa. O caderno só era mesmo lembrado quando havia uma cédula para ser também "esquecida" ali. Principalmente, a saúde da esposa estava em ordem e as preocupações diziam respeito apenas aos pequenos detalhes da vida em comum.
Um dia, porém, um imprevisto veio modificar a rotina e a tranquilidade do lar, na forma da indesejada visita da morte: sem aviso prévio, o coração daquele homem parou de bater, abrindo portas para a tristeza e a desesperação. E eis que os amigos compareceram, trazendo o consolo e a participação nas providências para o funeral, comprometendo-se a arcar com as despesas correspondentes. Mas ela se lembra do antigo acordo e busca pelo "Caderno de Deus"; ao manuseá-lo, nota o quanto o caderno havia engordado durante os anos em que fora alimentado com as cédulas e quando, por fim, a viúva faz o balanço daquela poupança feita com tanto carinho, descobre que o valor encontrado supria o custo do velório e do sepultamento.
"E o mais?", quiseram saber os amigos, sempre solícitos.
"Quanto a tudo mais", disse ela, esperançosa e confiante, "Deus sempre ajuda!".

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Há um século (*)

Hilário Silva, Espírito
(*)Resumo da mensagem homônima constante do livro O Espírito da Verdade [FEB, 1961], psicografado por Chico Xavier.



Paris, numa fria manhã de abril de 1860, Allan kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, estava exausto. Apesar da consolidação da Sociedade Espírita de Paris e da promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam confiado. A pressão aumentava, cartas sarcásticas chegavam.
Quando se mostrava mais desalentado, a esposa, Madame Rivail, entrega-lhe uma encomenda. O professor abre o embrulho e encontra uma carta de um encadernador de livros. E lê: "Sr. Allan Kardec: Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso".
O autor da carta relatava que, desesperado após a morte de sua esposa, planejou suicidar-se. Certa madrugada, buscou uma ponte. Ao fixar a mão direita para atirar-se às águas tocou um objeto que se deslocou da amurada, caindo-lhe aos pés. Surpreendido, viu um livro. Procurando a luz que um poste, leu: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A. Laurent".
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de O Livro dos Espíritos ricamente encadernado. Na página do frontispício leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, ams também outra: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. Joseph Perrier".
Após a leitura, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro. Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, em radiosa esperança: "Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas". O mundo necessitava de renovação e consolo. Allan Kardec levantou-se, abriu a janela à sua frente, respirou profundamente e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima.

O Espiritismo e o Movimento Espírita

Paulo de Tarso


Uma vez o médium Divaldo Franco, parafraseando Deolindo Amorim, disse que o movimento espírita está bastante movimentado. De fato, eis uma boa verdade. De um lado, revivemos aqueles perfis de detratores listados por Kardec em Obras Póstumas, quais eram: Os divertidos, que só se interessam pela alegria dos fenômenos; os parasitas, que se utilizam do movimento para ganhar fama e poder; os de contrabando, que estão na doutrina para insuflar as mais comezinhas pequenezas humanas, destilando insubordinação e conflitos nos agrupamentos aos quais pertencem e os discordantes do método, os quais ainda insistem em discordar dos métodos de Kardec e do resultado do seu trabalho, afirmando estarem em desacordo com a atualidade.Além destes, temos ainda os claudicantes, que desfalecem ante a não obtenção das graças desejadas de curto prazo e os abnegados e sinceros, os quais querem profundamente compreender mais do que serem compreendidos, firmar uma razão sobre os postulados históricos da doutrina, legada à humanidade como remédio às suas feridas existenciais. Todos estes perfis fazem o que se chama de movimento espírita.
A Doutrina Espírita, por sua vez, é um ente separado, que serve de referência para o movimento, sem emprestar-lhe qualquer relação de dependência. A falência de um movimento não enseja a falência da doutrina que lhe serve de modelo, visto que a mesma pode ser deturpada de inúmeras formas, pelos mais diversos motivos. Basta ver o que fizeram do Cristianismo para se ter uma pálida ideia do que somos capazes. Os fundamentos espíritas, bem como a ciência e a filosofia de ordem moral que lhes são consequentes, são legado para a humanidade e estarão vivos e atuais mesmo com o passar dos milênios. Se esta não é compreendida, vivida, experienciada, não é por falha sua, mas por falta de estudo, prática e estágio evolutivo dos seus profitentes.
Acabe o movimento espírita e a Doutrina dos Espíritos estará lá, viva e atual, pronta para ser compreendida e experimentada por quaisquer que sejam os povos e culturas. Ela é intercambiável nas religiões e agrupamentos étnico-sociais; ela é base de sustentação para outras correntes filosóficas e existenciais. Jamais será peça descartada por consequência da nossa indolência em compreendê-la na sua inteireza.
Se há relatos de agrupamentos humanos ditos espíritas em dissintonia com aquilo que era esperado da perfeita vivência do espiritismo, não se deve confundir estes atos com a doutrina. São apenas homens vivendo as suas imperfeições na ilusão de que a consequência pode ser maior do que a causa, o que seria uma imensa falta de lógica. A doutrina nos ensina a ter com estes a indulgência e, se por acaso formos as vítimas de tais circunstâncias, haverá sempre o recurso do perdão. Além disto, a percepção de que somos espíritos imortais, legatários da nossa própria ceifa, amplia as possibilidades de ressignificação dos problemas, abrindo um leque de outras opções de recomeço e acerto. O espiritismo não será o que fizermos dele, mas nós podemos ser aquilo que o espiritismo fizer de nós.

Salvador, 24/07/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Terapias - curas simples por meios naturais

Orlando Campos



1 - Evangelhoterapia - Cura através da leitura do Evangelho, cujo hábito diário nos faz descobrir a bússola diretiva da nossa vida. A necessidade de aprender...

2 - Reformoterapia - Cura pela reforma íntima, talvez a mais simples e a mais importante de todas, pois requer um grande esforço pessoal de combate às negatividades, como o orgulho, o ódio, a ira, o ciúme, etc.

3 - Aeroterapia - Cura pela renovação do ar ou respiração, quando se processa a inspiração do oxigênio que, depois do mecanismo da transformação interna, é expelido em forma de gás carbônico, impróprio para o ser humano.

4 - Fisioterapia - Cura pelos exercícios físicos dos músculos, bem orientados para que no futuro não haja distensões musculares.

5 - Helioterapia - Cura pelos raios solares ou energia do sol, aplicada em hora certa, em todo o corpo ou partes determinadas. Cuidado com o câncer de pele!

6 - Geoterapia - Cura com as camadas de terra que contêm substâncias medicinais geralmente aplicadas em compressas ou fricções. Necessita de orientação abalizada.

7 - Cromoterapia - Cura pela energia das cores. Taiz energias precisam ser estudadas científica e espiritualmente para que sejam observadas suas aplicações.

8 - Musicoterapia - Cura pela música relaxante lenta ou menos lenta, de acordo com o estado emocional do paciente.

9 - Dançoterapia - Cura pela dança altamente relaxante, com movimentos corporais lentos ou não, conforme orientação.

10 - Hidroterapia - Cura pela força energética da água. Banhos térmicos, banhos normais, aplicação de gelo, saunas, etc.

11 - Hidroginástica - Combinação da hidroterapia com a ginástica, ou seja, ginástica dentro da água.

12 - Hidromassagem - Combinação da hidroterapia com massagem. Massagem dentro da água, com orientação segura.

13 - Hidrodançoterapia - Combinação da hidroterapia com a dança, ou seja, dança dentro da água. Balé aquático.

14 - Fluidoterapia - Aplicação dos passes magnéticos ou espirituais.

15 - Terapia do amor - Todas essas curas são frutos da maior de todas as curas, a Terapia do Amor, que nos impele para o bem.

16 - Autoterapias - São as curas de você para você mesmo, pela fé atuante.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Não morreram, partiram antes

Amado Nervo

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Choras teus mortos com tamanho desconsolo que, dir-se-ia, és imortal.
Not dead, but gone before, diz sabiamente o prolóquio inglês.
Não morreram, partiram antes.
Tua impaciência se move como loba faminta, ansiosa de devorar enigmas.
Pois não morrerás logo depois, e forçosamente não virás a saber a solução de todos os problemas que são de uma diáfana e deslumbrante sutilidade?
Partiram antes... Por que interrogá-los com nervosa insistência?
Deixa que eles sacudam o pó do caminho, que descansem no regaço do Pai e ali curem as feridas de seus pés andarilhos; deixa que ponham seus olhos nos verdes prados da paz...
O trem espera. Por que não preparar o bornal de viagem? Esta seria mais prática e eficaz tarefa.
Ver teus mortos é de tal modo premente e inevitável que não deves alterar com a menor ansiedade as poucas horas do teu repouso.
Eles, com um conceito total do tempo, cujas barreiras transpuseram de um salto, também te aguardam tranquilamente. Foi que simplesmente tomaram um dos trens anteriores.

A arte de cultivar virtudes


Neto ajuda o avô no plantio de árvores de fruto — Fotografia de Stock #90673368
Autor Desconhecido


Um avô e seu neto, caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de quatro anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho sempre que este o visitava.

Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia: "Quem planta colhe, né, vovô”?

Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes.

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil.

Ia ensinando que para obter frutos saborosos e flores perfumadas é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento.

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita.

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim.

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras em arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz...

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores.

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos.

É mais pela observação dos atos, do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres.

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições.

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias.

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de virtudes e valores.

Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear na alma infantil as sementes das quais surgem as virtudes, ao tempo em que as preservam das ervas daninhas, das pragas, da seca e das enchentes. Sem esquecer o adubo do amor.

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem.

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais.

Por isso a importância dos cuidados desde cedo. E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação.

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados.

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem.

Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos.

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos.

Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.

Pense nisso!

Para que você seja um bom cultivador de almas, é preciso que tenha em sua sementeira interior as mudinhas das virtudes.

Somente quem possui pode oferecer. Somente quem planta, pode colher.

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.





Sejamos instrumentos de paz

Mensagem do Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, transmitida no dia 18 de novembro de 2002, pela médium Bernadete de Oliveira Santana:



Que a paz do divino Mestre, amigos queridos, reine forte no coração de cada um de nós. Que esta paz seja o lenitivo sublime da alma, a luz vibrante para a vida de vocês, a força sublime para a coragem, energia renovadora para a vida de cada um de nós.

Creiam no Deus onipotente que em todos nós habita. Creiam em Jesus Cristo, o Seu filho amado que veio nos ensinar como seguir pelo caminho!

Não deixem suas mentes em oscilação. Quando essa energia começa a oscilar, é fácil para a fraqueza, a doença, problemas e problemas e problemas chegarem, na vida de vocês e daqueles que estão ao seu redor. Sejamos a luz vibrante que o Deus onipotente quer que sejamos, o instrumento de paz como Jesus quer que sejamos e tenhamos certeza do que somos, nesta caminhada. É uma caminhada segura, pois temos os pés no chão, com a mente elevada a Deus. São momentos felizes, para quem entra em vigília, e esta vigilância é exigida do amanhecer ao anoitecer. Se vocês passam um dia que não é bom, sentem-se infelizes e preocupados, levarão, para o percurso da noite, esta infelicidade, esta preocupação. Em que momento irá experimentar a paz? Amigos bondosos estão, para encorajá-los, ao lado de cada um de vocês. Que felicidade experimenta aquele que não sabe vigiar e orar? O mundo está cheio de bondade e infelicidade, repleto de luz e, ao mesmo tempo, escuridão, na mente de cada um. O sol irradia, pela sua luminosidade; na sua intensidade, domina a Terra. O homem, na sua escuridão de vida, tropeça, cai, pela baixo moral constante.

Há muito nós passávamos para vocês que as porteiras se abriam e que espíritos tomavam o planeta Terra sem saber o que desejam desta vida que levam, tanto espíritos encarnados como desencarnados. As porteiras se abriram e não é de agora não! Há muito nós falávamos... Neste caldeirão fervente, o homem cai, pela falta de vigilância. Não mais retornará para cuidar deste solo abençoado chamado planeta Terra. Irão para um planeta ainda “vale de lágrimas e expiação”, já que o planeta Terra está a caminho de ser um planeta de regeneração. Ponha uma farinha numa peneira e observe: a farinha vai passando aos poucos; o mais grosso fica, só passando o mais fino. Assim é o planeta Terra. Está sendo peneirado para que o mal seja posto bem longe, para que possamos continuar a sermos governados pelo amigo Jesus, até os últimos tempos. Últimos tempos? Sim! Jesus tinha uma sabedoria grandiosa. Ele já dizia que os últimos tempos chegarão. É para o homem atual se preocupar? Não! O homem precisa se preocupar com a sua evolução para poder ocupar, sim, planetas como a Terra um dia se tornará... Tornar-se-á um planeta de paz, de força, de poder. Jesus, na sua luminosidade, brilhando mais em luz, confundindo os olhos dos que o perseguiam, dizia: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Trabalhem, amigos queridos, para permitirem-se uma morada ao sol, no planeta maravilhoso, em próxima encarnação. Vocês já podem experimentar um pedaço do céu, enquanto estão aqui vivendo. Não entrem nessa energia grosseira porque, aqui mesmo, vocês já podem experimentar um pedacinho do céu. O inferno grosseiro já está fora de vocês. Não se envolvam. Observem o que está passando ao seu redor. Lancem preces de amor e poder a Deus, para proteger os pobres e infelizes, pois são pobres e infelizes os filhos de Deus perfeito que ainda não tomaram consciência do que são, para que vieram e por que aqui chegaram. No tumulto da vida, aqueles que vieram para o mundo, em suas mentes não pensam em Deus. “Viveis no mundo e não pertenceis a ele”. Aquele que vive no mundo e pensa que pertence a este mundo, que um pedaço do mundo pertence a ele, este é o egoísta, cheio de poder mas só material. Tem o desejo só do material... mas no espiritual, que fracasso!

Àqueles que estão galgando uma escadaria melhor, nesta montanha maravilhosa, coragem, pois chegaremos lá, queiramos ou não, amigos queridos. Chegaremos com coragem e que o cansaço não atrapalhe! Chegaremos com coragem e que a dúvida não seja empecilho; chegaremos com coragem, e que a nuvem negra se desfaça com urgência onde não haja ignorância da incompreensão para entender que “tudo é possível àquele que crê”. É preciso agir com sabedoria, coragem, discernindo o bem do mal, cortando atalhos. Onde há uma barreira imensa, aquele que tem coragem sabe ultrapassar. E quem colocou a barreira se não vocês mesmos? Mas, com coragem e capacidade, saberão ultrapassar. A luz vibrante, do seu interior, já irradia; a escuridão já não é tão intensa; a nuvem negra vai passando; a brisa amena vem chegando e uma suavidade, pela beleza divina do Pai, te envolve. Ao te envolver, você se sentirá mais feliz, mais consciente, percebendo que, deste mundo, nada quer. Deste mundo, eu agradeço a Deus onipotente por me encontrar aqui. Agradeço por este corpo, que está sob minha responsabilidade, que me serve para a evolução, neste mundo, como também a família, o trabalho, a sociedade, os amigos e até mesmo aqueles que dizem não gostar de mim. Louvem a Deus por tudo isso e jamais se acovardem. Louvem a Deus, porque o clima de energia grosseira, como uma nuvem negra, está correndo pelo planeta Terra. Toda nuvem, toda escuridão, tudo passa. Nessa nuvem negra os homens estão como cachorros loucos, sem moral, sem escrúpulos. Se vocês compararem, o que fazem os cachorros loucos e os homens inteligentes?...

Que Deus os proteja, amigos queridos. Mergulhem vocês, do amanhecer ao anoitecer, na fé e orem. Não temam... não temam... não temam nada, por caridade! Se vocês temerem, fracassarão. Não temam, em nome de Deus. A coisa está engrossando, mas sairemos desta, porque o Deus onipotente assim o permitirá, e o Jesus amigo, com sua mão divina, já aponta para o planeta com a força do amor e do poder.

Deus os abençoe e muita paz. Que Deus ilumine nossos seres com a doce claridade das virtudes.

Muita paz e muita paz, pelo amor de Deus. Muita paz, muita paz. Deus fique com todos...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Matemática vivenciada

Nea Faro

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Um agrupamento espírita não se faz por acaso. Reunimo-nos por afinidades, necessidade de aprendizagem, por compromissos e comprometimentos. Assim, a matemática moderna nos dá uma visão de como estabelecer relacionamento fraterno na Casa Espírita.
Trazemos as nossas individualidades compondo o que somos (nossa bagagem espiritual). As nossas diferenças não formam a equipe.
(A – B – C)

Estabelecemos uniões com alguns companheiros pelas afinidades que trazemos.
(A + B) (B + C)

As afinidades, que nem sempre são positivas, geram divisões, subconjuntos na equipe. As nossas semelhanças deformam a equipe.
(A + B – C)

Os que se ligam por afinidades estarão associando-se por críticas em situações graves e inoportunas.
(A + B = C)

Os que se isolam não revelam o que são nem o que sentem, não inspiram confiança.
(C = A + B / C = 0)

Somente o ideal, campo de intersecção entre os espíritos agrupados, será base segura para a vivência da fraternidade, da tolerância e do trabalho na Casa Espírita.

(A + B + C = Trabalho, Tolerância e Fraternidade)

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Nea Faro, já desencarnada, destacou-se nas lides espiritistas de Salvador (BA) desde que veio do Rio de Janeiro, onde nasceu, e aqui integrou-se às atividades promovidas pela Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) em sua sede histórica, hoje conhecida como Casa de Petitinga, localizada no Centro Histórico de Salvador. Na sede atual da FEEB, ela e outras companheiras desenvolveram ações no campo social atendendo às crianças de comunidades carentes do entorno. Logo depois, tendo recebido um imóvel por doação, transferiram esse trabalho para a comunidade da Polêmica, onde inaugurou-se a Casa de Oração Manoel Philomeno de Miranda, que Nea dirigiu até retirar-se, em razão de seu estado de saúde física, para São Paulo, onde vivia uma de suas duas filhas. O clima paulista não a favoreceu, porém, e, bastante debilitada, reornou a Salvador, onde desencarnou em 2016.