domingo, 6 de agosto de 2017

Que é mesmo o mundo espiritual?

Francisco Muniz



Não é de hoje que a Humanidade tem notícia do mundo dos Espíritos, malgrado a incredulidade e o ceticismo de alguns homens, porquanto de tempos em tempos a Divindade promove movimentos com a finalidade de nos despertar para a realidade verdadeira da vida. É todo um continente esperando ser (re)descoberto e volta e meia nos chegam notícias de lá. Com frequência, viajores se dirigem para aquelas plagas, mas poucos de nós nos dispomos a empreender a viagem do conhecimento naquela direção. Os viajores? Ah, eles não voltam, dizem os céticos, ou, se voltam, quando voltam, não se dão a conhecer, tal a dificuldade imposta pelos que aqui estamos, presos à ilha da ignorância.

Quando o Espírito André Luiz ditou seu primeiro livro à mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier, contando a realidade da Colônia Nosso Lar, o próprio medianeiro estranhou o relato, pondo em dúvida aquelas informações. Foi preciso que o autor espiritual promovesse uma visita toda especial de Chico àquela cidade do plano espiritual, para diminuir a influência do médium mineiro na recepção da obra. E lá se foi Chico Xavier, em desdobramento mediúnico, confirmar a realidade, conhecendo detalhes arquitetônicos da colônia, como a Governadoria, os seis Ministérios – nos quais atuam 72 ministros – e o Bosque das Águas. Mais tarde, tanto sua visão quanto as notícias de André, a partir de então reconhecido como o “repórter do mundo espiritual”, foram confirmadas pela médium, também mineira, Heigorina Cunha, que no livro Cidade do Além mostra desenhos das localidades descritas por André Luiz.

Mas se o próprio Chico manifestou incredulidade, o movimento espírita brasileiro também não recebeu bem a publicação de Nosso Lar, livro considerado fantasioso até que a confirmação de Heigorina e o próprio tempo viessem fazer a diferença. O problema é que nas obras da Codificação Allan Kardec não faz qualquer menção a essas cidades astrais, daí as dúvidas sobre relatos como os de André Luiz, embora sejam antigas as informações a respeito, como dissemos mais acima. Antes mesmo que Kardec fosse chamado pela Espiritualidade para a tarefa ímpar de codificar a Doutrina dos Espíritos, já Emanuel Swedenborg publicava, no século XVIII, o relato de suas visões mediúnicas devassando o panorama espiritual, descrevendo cidades, vestuários e outras peculiaridades da realidade do mundo dos imortais.

Bem mais anteriormente ainda, o poeta renascentista italiano Dante Alighieri relatava na monumental obra A Divina Comédia o que observou em suas viagens astrais ao “Céu”, ao “Inferno” e ao “Purgatório”, em companhia do Espírito Virgílio, seu guia, que quando encarnado foi também poeta de renome em sua época. O conhecimento sobre o mundo espiritual, portanto, não é novidade, embora os homens façam dele uma ideia muito particular. É disso que o Espírito Manoel Philomeno de Miranda vem tratar no capítulo 13 de seu livro Reencontro com a Vida (psicografia de Divaldo Franco), procurando desfazer o véu de estranheza, para dizer o mínimo, ainda existente acerca da realidade do pós-vida. Diz Philomeno ser preciso considerar as palavras de Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

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