terça-feira, 18 de outubro de 2016

O que virá depois

Nestas ponderações, constantes do livro Perturbações Espirituais, o Instrutor Manoel Philomeno de Miranda exorta os médiuns espíritas a assumirem suas responsabilidades decorrentes do conhecimento da vida além do corpo.

 


Oh! Irmãos da Terra! Que tendes feito do manancial sublime da fé libertadora que Jesus vos oferece como archote iluminativo para a travessia do vale de sombras no rumo da perene madrugada rica de imortalidade? Meditai em torno das comunicação sérias dos Espíritos felizes que vos advertem, mas, sobretudo, daqueles que são sofredores, porque fracassaram na vilegiatura carnal e retornam de alma dilacerada em busca do consolo que negaram ao próximo, falando-vos do que a todos aguarda após a dissolução da matéria, quando não se comporta conforme os padrões morais do Evangelho.
“Tende ânimo e estai atentos para as vossas responsabilidades, pois conheceis a vida além do corpo, e, por mais se prolongue a viagem orgânica, momento surge em que se dilui e o retorno ao Grande Lar é inevitável. Sereis convidados a prestar contas de como aplicastes o tempo e o conhecimento, de como agistes em relação ao vosso próximo, em conseqüência, a vós mesmos, e à vossa consciência, na qual está escrita a Lei de Deus, que abrirá campo à instalação da culpa e ao sofrimento que poderiam ser evitados, se houvésseis agido de maneira diversa, conforme aprendemos todos com a Revelação espírita.
“Vigiai as nascentes do coração, de onde procedem tanto o bem quanto o mal, conforme acentuou Jesus em outras palavras. Despertai e reflexionai com mais tento, porque o vosso é compromisso de alta responsabilidade, por tratar-se do seu caráter imortal. Sois Espíritos mergulhados na matéria temporariamente e deveis ter sempre em conta essa questão. Não muitos dão a impressão que viverão no corpo indefinidamente, em caráter de exceção, tão presunçosa é a sua sombra.
“Estais sob vigilância de ativos mensageiros da Treva, embora vos encontreis amparados pelo amor do Mestre inolvidável. Nada obstante, a questão é de sintonia. Como parece mais fácil tergiversar, divergir, ser original, desfrutar do prazer imediato do ego, do que ser fiel, fraterno, seguir a trilha da verdade, atender as necessidades da renúncia, a sintonia com as Entidades insanas torna-se mais simples e imediata.
“Jesus não nos solicitou que vencêssemos montanhas e atravessássemos desertos inóspitos ou mergulhássemos nos abismos oceânicos para servi-lO. Somente nos solicitou que nos amássemos, sem desejar ao irmão tudo aquilo que não anelamos para nós próprios. É tão pequena a quota que Ele nos solicitou, que não deixa de ser estranhável que nos embreemos pelo matagal das complexidades e desafios, para evitar atender-Lhe o apelo dulçuroso e afável.

“Não temais a morte nem receeis a vida, porque uma é continuação da outra, já que estais mergulhados no sublime oceano da imortalidade. A perspicácia dos vigilantes da impiedade acompanha-vos. Sede os vencedores do mal, onde quer que ele tente homiziar-se, nas paisagens do vosso coração ou nos encantados reservatórios da mente. Cantai a alegria de amar e de servir à doutrina que vos apresenta a bússola de orientação para o porto da plenitude. Jesus conduz a barca terrestre e leva-a com segurança ao seu destino.”

Os cuidados do médium passista com a saúde

Francisco Muniz 




No livro Os Mensageiros – ora em estudo no CEDLV, em turmas do Módulo Avançado –, o Espírito André Luiz fala-nos, pela mediunidade de Chico Xavier, de uma rara modalidade do passe magnético: o sopro. Segundo o escritor Wenefledo de Toledo, autor de Passes e Curas Espirituais, “o sopro é uma das formas de transfusão de energia em benefício do doente, é uma das técnicas do passe. É uma modalidade do passe não muito divulgada entre os espíritas”. Mas apesar de rara, essa técnica não é nenhuma novidade, conforme atesta Alfredo, personagem da primeira obra citada: “Isto não é novo. Jesus, além de tocar naqueles a quem curava, concedia-lhes, por vezes, o sopro divino. O sopro da vida percorre a Criação inteira. Toda página sagrada, comentando o princípio da existência, refere-se a isso. Nunca pensaram no vento, como sopro criador da Natureza?”, relata Alfredo.

Na obra de André Luiz, seu companheiro junto ao instrutor Aniceto, Vicente, questiona se essa técnica está à disposição de todo espírito encarnado, recebendo o esclarecimento de Alfredo: “O bem divino, para manifestar-se em ação, exige a boa vontade humana. Nossos técnicos do assunto não se formaram de pronto. Exercitaram-se longamente (...); para isso, precisam conservar a pureza da boca e a santidade das intenções”.

Ainda segundo Alfredo, “nos círculos carnais, para que o sopro se afirme suficientemente, é imprescindível que o homem tenha o estômago sadio, a boca habituada a falar o bem, com abstenção do mal, e a mente reta, interessada em auxiliar. Obedecendo a esses requisitos, teremos o sopro calmante e revigorador, estimulante e curativo. Através dele, poder-se-á transmitir, também na Crosta, a saúde, o conforto e a vida”.

E é Wenefledo de Toledo quem comenta esses critérios elencados por Alfredo: estômago sadio – cuidado com a alimentação, abstenção de álcool, fumo, vapores de condimentação, molhos apimentados, etc., buscar uma alimentação saudável para o corpo, a fim de que se possa doar o melhor de si; boca habituada a falar o bem – se o que entra pela boca, sem o necessário cuidado de seleção, contamina o sopro, que dizer então da boca que não se resguarda de palavras de baixo calão que criam nuvens escuras em torno de sua aura e as irradia para o próximo? É estarmos atentos e conscientes do nosso papel enquanto cristãos-espíritas, enquanto médiuns. Estarmos sempre vigilantes, tendo a consciência de que o que falamos nos envolve em energia do mesmo teor, é termos cuidado com o que falamos; mente reta, interessada em auxiliar – a necessidade de nossa reforma intima, da meditação, para que possamos trilhar na senda evangélica por pensamento, palavras e obras; e, finalmente, saúde física – o médium precisa estar clinicamente saudável para que não projete algo de sua própria condição enfermiça sobre os pacientes que se sintonizarem passivamente à sua faixa vibratória.

Essas recomendações, em verdade, transcendem a técnica do sopro e alcançam a generalidade dos passes. Para o Espírito Vianna de Carvalho, no livro Médiuns e Mediunidades (psicografia de Divaldo Franco), “a conduta sadia, que decorre de uma vida moral equilibrada, faculta mais poderoso intercâmbio de energias propiciadoras da saúde. Por sua vez, o médium que ora e se enriquece valores espirituais mais desenvolve a aptidão inata, ampliando o seu campo vibratório, aumentando o vigor da energia que canaliza para a saúde, tornando-se um dínamo valioso para o bem geral”. Daí a recomendação da Benfeitora Joanna de Ângelis em Florações Evangélicas, também através de Divaldo Franco: "Recorre aos recursos espíritas; ora, e ora sempre, para adquirires resistência contra o mal que infelizmente ainda reside em nós; permuta conversação enobrecida, pois que as boas palavras renovam as disposições espirituais”.

Por sua vez, o mentor Irmão Jerônimo relata, em Aprimoramento Mediúnico (psicografado pela médium Bernadete Santana), que “(...) é preciso que o passista tenha boa saúde, não dê passes quando se sentir doente ou intoxicado por excesso de alimentos ou medicamentos, pois tais fluidos por si mesmos são maléficos. Os médiuns devem purificar corpo e espírito para possuírem fluidos salutares e benéficos. É importante um trabalho de auto-limpeza, que consiste num mergulho em si mesmo. Sem a reforma íntima, não poderão realizar o bem desejado”.

(Agradecimentos a Ananias, Erlan, Itana, Luciene e Terezinha.)

domingo, 17 de julho de 2016

O vinho bom

Francisco Muniz



“Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.
(Paulo, o apóstolo, ESE, cap. XV, item 10)

Convém que primeiro eu me apresente, antes de contar minha história. Eu sou Joaquim, filho de Zacarias e moro em Caná da Galileia desde que nasci. Fui um dos garçons que serviram na festa das bodas de Samuel e Ruth, durante a qual deu-se o prodígio que nos espantou a todos. Ainda hoje não entendo o que aconteceu. Bastou a mãe daquele homem dizer-nos que fizéssemos como ele ordenasse e a festa, que praticamente havia acabado, junto com o vinho, tomou outra dimensão, recomeçando com inusitado encanto, porquanto os convidados exultaram ao experimentar o vinho novo que saía das ânforas onde antes havia apenas água. A mesma água com que aquele Jesus mandou-nos encher as talhas.
Como ele fez aquilo? Como a água se transformou em vinho? E por que jamais se provou vinho igual? – sim, pergunto isso porque também eu bebi um pouco desse vinho e afirmo que nenhum dos que provei após aquela festa apresentou qualidade ao menos parecida. Era um vinho tão bom que por mais que o bebêssemos não nos embriagávamos! Fiquei intrigado e resolvi seguir aquele homem, para de alguma forma compreender sua magia, pois só pode ter sido mágica aquela façanha. Quem era aquele homem, aquele Jesus capaz de realizar o que somente nosso pai Moisés fez, para libertar nossos antepassados da escravidão no Egito? Resolvi que eu iria descobrir. E é aqui que começa minha história, a história de um seguidor desconfiado que depois...
Bem, eu o segui, como disse, depois de me despedir de meus pais e meus irmãos, levando apenas alguns poucos suprimentos. Quando Ele e seu pequeno grupo deixaram Caná, vi que sua mãe os acompanhava e deduzi que fossem seus familiares. Concluí que estivessem voltando à não muito distante Nazaré e isto me contentou, pois não teria de andar em demasia. Mantive-me a certa distância deles, mas observei que em determinado momento um rapazinho ao lado de Jesus virou-se e apontou para mim, certamente denunciando-me. No entanto, nada aconteceu, ninguém se importou com o fato de que eu estivesse caminhando atrás deles e durante todo o trajeto até Nazaré nenhum outro olhar se virou em minha direção.
Já na pequena cidade, mantive-me nas proximidades da casa onde se refugiaram e não precisei esperar muito até que Jesus saiu, dirigindo-se à Sinagoga, levando com ele um grupo bem menor. Postei-me à porta e o vi dirigir-se ao púlpito para ler nas Escrituras os vaticínios do Profeta Isaías sobre a vinda do tão aguardado Messias, que viria libertar Israel do domínio dos conquistadores estrangeiros e dar ao nosso povo a condução do mundo, pois sabíamos ser, desde muito tempo, os escolhidos por Deus para disseminar Seu santo nome pelas eras a fora, como Ele dissera ao nosso Pai Abraão. Então Jesus leu a profecia e fechou o Livro, dizendo com toda naturalidade que naquele dia se cumpriam aquelas palavras.
Como?
Sim, do mesmo modo que eu não entendi, os homens ali presentes, os próprios concidadãos de Jesus ficaram perplexos e começaram a discutir uns com os outros até que por fim se indispuseram com o filho daquela gentil Maria, porque não aceitaram o que ouviram de seus lábios. Falavam alto, gesticulavam, com raiva e violência, apontando para aquele homem corajoso que se manteve calmo e com toda a tranquilidade do mundo passou em meio à turba exaltada, deixando a Sinagoga com seu pequeno séquito e tomando o rumo da saída de Nazaré, recebendo os impropérios e mesmo algumas pedras que atiraram contra Ele. Quando o furor se dissipou, corri para alcançar Jesus e seus seguidores, encontrando-os não muito distantes. Na verdade, andavam tão devagar que era como se me esperassem chegar.
Ele me dirigiu a palavra:
– Demoraste, Joaquim. Se queres, de fato, aprender de mim, que sou manso e humilde de coração, convém te aproximes mais um pouco. Vem conosco, para que teus olhos vejam a Verdade do Reino dos Céus e tua boca a pronuncie no momento certo.
Juntei-me, assombrado, ao grupo dos discípulos e pude assim observar o que Jesus, autonomeando-se o Filho do Homem, realizava em nome de Deus, o Deus de Isaac e Jacó que agora Ele chamava de Pai, propositalmente ignorando que para nós, desde Moisés, esse Deus era o Senhor cruel e vingativo que nos impelia ao extermínio dos inimigos de nossa raça e certamente nos faria expulsar os romanos invasores que nos escravizavam em nossas próprias terras. No entanto, Jesus pregava, em nome desse Deus-Pai, o perdão aos inimigos, que devíamos ter para com eles amor e misericórdia... e eu ainda não entendia.
Eu estava com eles no dia em que Jesus viu-se rodeado por uma grande multidão e, após ter-lhes falado palavras belíssimas do alto de um monte durante várias horas, propôs alimentar aquelas pessoas. Mas quem tinha algo para comer tinha apenas pouca coisa e então prontifiquei-me, oferecendo os dois pães que me restavam. Um dos companheiros de Jesus que era pescador apresentou-lhe três peixes cozidos e conservados para grandes viagens e foi só. Mas aquele homem enigmático aceitou aquelas oferendas e pediu-nos que juntássemos alguns cestos, nos quais ele quebrava os pães e os peixes em pedacinhos e, acreditem!, os cestos ficaram cheios e do conteúdo todo mundo comeu, ficando saciados – eram milhares de pessoas!
De outra feita, caminhava com eles quando um homem cego – de nascença, segundo disseram – foi apresentado a Jesus para que o curasse e ele visse a luz do dia pela primeira vez em sua vida. Sabem o que Ele fez? Cuspiu no chão e depois tomou a terra cuspida nas mãos, misturou-a com um dedo e aplicou a mistura sobre os olhos sem vida daquele cego, mandando-o em seguida que os abrisse. Feito isso, o cego – Bartimeu era seu nome, soube depois – sorriu e chorou, pois via tudo em volta, e assim prostrou-se aos pés de Jesus, agradecido. Quando ele se foi, levando consigo a alegria daquele momento sublime, os companheiros do Rabi – agora eu já podia chamá-lo assim! – o questionaram, perguntando se aquele homem ou seus pais haviam pecado para que ele nascesse cego. Entretanto, Jesus disse apenas que não havia pecado na história, porquanto Bartimeu tinha nascido somente para dar testemunho do Reino dos Céus.
Eu não compreendi essa explicação, mas observei, durante o tempo que caminhei ao Seu lado, que Jesus não perdia ocasião para ensinar, doando-se de boa vontade a quem o procurasse, até mesmo àqueles fariseus pomposos que não gostavam dele e o confrontavam com as tradições de nosso povo, as quais o dito Filho do Homem procurava renovar com o ensinamento do que Ele dizia ser a Verdade: “Ouvistes o que foi dito, eu porém vos digo...” Então não eram verdadeiras as lições e as leis de Moisés e dos antigos profetas de nossa gente? Mas era assim que Jesus ensinava e desejava que entendêssemos. Mas como entender o que ele dizia e fazia? Eram coisas assombrosas, pois até mesmo os mortos ele trazia de volta, como vi com meus próprios olhos em duas oportunidades!
Eu pensava nessas coisas todas, certa noite, meditando nas contradições entre os ensinos novos e antigos, bem como nos prodígios realizados por esse Jesus e naqueles narrados nas Escrituras e protagonizados por Elias e Moisés, quando o Rabi, parecendo ler meus pensamentos, aproximou-se de mim e falou:

– Ainda não compreendes, Joaquim? E, no entanto, tu bebeste daquele vinho em Caná. Aprende que foi para isto que vim ao mundo, por ordem de meu Pai, para dispensar um vinho mais saboroso a todos os homens, a fim de que despertem para o sentido da vida em razão do futuro que os aguarda como filhos bem amados de Deus. Vê bem, Joaquim: os homens vivem perdidos nas trevas da própria ignorância, pois não compreendem o que veem e o que escutam, negando a verdade diante de seus olhos pelo costume do passado. Dia virá em que maldirão terem desprezado estes momentos preciosos de minha presença junto a eles. Mas é necessário que assim seja, para que se cumpram as profecias e todos entendam, enfim, que eu venho da parte de meu Pai para oferecer mão segura àqueles que, vendo a luz do Alto, teimam em permanecer no abismo das sombras. Aprende, ainda, que eu vim trazer a água viva que dessedenta por completo, para que os homens, insaciáveis, possam por si mesmos transformá-la no vinho bom que tornará mais saborosos os relacionamentos, fortalecendo-os no poder do amor que liberta e conclama à união das almas em torno da Vontade do Altíssimo...

domingo, 3 de julho de 2016

Tudo bem?

Francisco Muniz



Então pergunto, ao pessoal da Casa Espírita:
- Vocês estão bem?
A resposta vem positiva: "Sim!"
Estimulado, volto a inquirir:
- E está tudo bem com vocês?
Novamente a confirmação: "Sim!"
É o momento de expor minha curiosidade:
- Por quê?
Sim, por qual razão nos sentimos bem e percebemos que tudo está bem conosco?
Notemos que faço duas perguntas distintas, embora muito semelhantes, posto que podemos nos sentir bem mesmo quando tudo em volta parece desmoronar.
Mas em geral as pessoas não sabem responder a esse por quê e então recordo de um mantra aproveitado por Arthur Riedel e colocado em seu livro "Hei de Vencer": "Todos os dias, sob todos os aspectos, sinto-me cada vez melhor."
Assim, quanto repito as perguntas iniciais, todos já sabem o que responder e citam o mantra, o que me deixa à vontade para interrogá-los:
- Por quê?
Novo silêncio se faz e digo que não temos motivo algum para nos sentir mal, nem ver que as coisas em volta estão desmoronando, porque estamos amparados por Deus a todo momento, recebendo continuamente Suas bênçãos - e a resposta a esse por quê passa a ser um outro mantra aprendido na Casa Espírita:
- O poder de Deus flui sobre mim!
É preciso não só compreender essa verdade, mas estarmos convencidos dela, porquanto somos filhos bem-amados do Pai Criador que nos oferece a todo instante os recursos de que nos devemos servir para socorrer misericordiosamente o próximo e assim sentirmo-nos em completo bem-estar.
"O que você quer para si mesmo faça-o primeiramente ao próximo" - ensinou-nos o Cristo.

sábado, 2 de julho de 2016

A alegria do pastor

Francisco Muniz

“Se me amais, guardai meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco.” 
(João, 14:15 a 17 e 26)


Ele se recordava... Fazia, sim, muito tempo, desde que era um rapazote e pastoreava ovelhas nas cercanias pedregosas de Belém. Vivia despreocupado então, atento unicamente ao cuidado que devia ter para com o pequeno rebanho de seu pai, do qual provinha o sustento da família. Sim, muito tempo se passou. Hoje ele tinha sua própria família: tivera mulher que lhe dera três filhos e agora também se alegrava com a companhia serena dos dois netinhos que eram a razão de sua viuvez. Deus achara por bem lhe tirar a esposa, vitimada por uma doença estranha que nem mesmo os feiticeiros conseguiram debelar, mas o premiara com o encanto do sorriso de duas lindas crianças que a todo momento o solicitavam chamando-o de “vovô”, principalmente quando queriam ouvir histórias antigas. E ele então recordava...
Naquela noite, os animais pareciam indóceis, agitados por algum motivo que ele não compreendia. Já deveriam estar dormindo, como de costume, mas algo os inquietava e, percebendo que os balidos não cessavam, ele dirigiu-se ao redil e espantou-se vendo que as ovelhas olhavam para o alto. Ele fez o mesmo e, coisa estranha!, havia no céu uma como estrela diferente das outras: seu brilho parecia escorrer na direção da terra; reparando bem, era como se ela apontasse para algum lugar na terra que era ali mesmo, em Belém. O que significaria tudo aquilo? Assim como os animais, ele também se assustara e instintivamente abriu a portinhola do cercado e as ovelhas de seu pai precipitaram-se para a frente, num movimento que o fez despertar de seu breve torpor, seguindo atrás delas, que não poderiam perder-se ou ele sofreria a fúria de seu pai.
Os animais só pararam na estrebaria do velho Joaquim, um homem bondoso que a todos tratava com gentileza. Ali, ao lado de alguns jumentos, bois e vacas, suas ovelhas reuniam-se em torno de uma das manjedouras e ele aproximou-se, curioso, tanto mais porque um homem e uma mulher se ajoelhavam ao lado de um recém-nascido que dormia placidamente no cocho improvisado como berço. Uma força inexplicável o fez ajoelhar-se também e ele orou a Deus, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, os pais espirituais de seu povo. Ele recordava esse episódio com a mesma emoção experimentada naquela noite e seus netinhos viam as lágrimas caírem de seus olhos e, a cada vez que isso acontecia, eles faziam a mesma pergunta:
– Vovô, você está chorando com saudade de Jesus?
“Sim”, ele respondia, acrescentando ter sido dos primeiros a testemunhar o nascimento do Messias, uma vez que, morando muito perto da estrebaria, pôde oferecer alguma colaboração aos pais do menino, Maria e o carpinteiro José, e até mesmo observou os três visitantes estrangeiros que também foram prestar homenagem ao Salvador do mundo.
– Naquela noite, meus filhos – ele voltava a confidenciar às crianças muito amadas –, a Terra inteira se iluminou quando nosso Deus derramou a expressão mais eloquente de seu amor por cada um de seus filhos rebeldes, que somos todos nós, porquanto pudemos ouvir, os que estávamos lá, vinda das esferas celestiais, a voz que até hoje ecoa não nos meus ouvidos, mas na região mais profunda de minha consciência: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”...
– Mas por que Ele morreu, vovô? – as crianças se referiam a Jesus, sobre quem o ancião falava e que havia sido crucificado alguns anos antes.
– Não é só saudade desse bondoso Amigo, meus queridos filhos – tentava explicar o velhinho. – Choro principalmente condoído de nossa condição moral, pois fomos, aqueles de nós que O expulsamos daqui, incapazes tanto de ver a grande Luz que Ele nos trazia, compadecido, por Sua vez, de nossa cegueira espiritual, quanto de reconhecermos a mensagem de paz de que era portador, da parte do Deus infinitamente grande em seu amor pelos homens.
– E agora, vovô, o que será de nós? – voltavam a questionar os pequenos, demonstrando receio pelos dias que viriam.
– Confiemos, meus filhos, pois Jesus nos deixou a esperança ao dizer que não ficaríamos órfãos após Sua partida. Haveremos de ser consolados um dia, conforme Ele nos prometeu. E enquanto esse dia não chega para a redenção de nossas almas sofredoras, direcionemos a Deus o apelo em favor de nós mesmos e de todos os nossos irmãos, através da prece que Ele nos ensinou.
E assim, contritos, avô e netos rezaram em voz alta o “Pai nosso”, sem se aperceberem de que suas palavras, singelamente pronunciadas, ressoavam no espaço como música cariciosa que se elevava aos Céus:
– Senhor Deus, nosso Pai que estais em toda parte, seja vosso nome reverenciado em todo o Universo que criastes; que a vossa santa vontade faça-se em nós, conduzindo-nos pelos caminhos do mundo, tanto quanto nos amparando quando daqui partirmos; que o vosso Reino de amor e justiça acerque-se de nós e cresça em nossos corações ansiosos de paz; dai-nos o pão da vida e ensina-nos, Senhor, a perdoar aos homens que nos ofenderem como desejamos que Vós nos perdoeis os pecados; mas não permitais, Senhor, que novamente cedamos à tentação dos erros, para que não nos aconteça o pior. Assim seja!


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Orientações de Manoel Philomeno de Miranda

Francisco Muniz

De autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, “Reencontro com a Vida” é um dos livros que estudaremos ao longo deste ano no Aprimoramento Mediúnico. Trata-se de uma obra peculiar na vasta produção psicográfica do médium Divaldo Franco, oferecendo profundos ensinamentos aos trabalhadores da mediunidade interessados em compreender as condições dos espíritos comunicantes, a fim de melhor aplicar-lhes a psicoterapia necessária, bem como prepararem-se para os
cometimentos do futuro, no retorno ao plano espiritual, com a morte do corpo físico. Nesse livro, o autor espiritual salienta que “em tudo vige a providencial presença de Deus, que trabalha em favor da felicidade e do progresso em todas as dimensões do Universo”, de forma que suas criaturas, uma vez despertas para a Realidade do Espírito Imortal, devem participar desse propósito divino engrandecendo o quantum de universo que lhes cabe observar em si próprias.
Para que entendamos bem a razão do título da obra, recordemos que o poeta Vinicius de Moraes observou, num de seus poemas famosos, que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, levando-nos a refletir, com Manoel Philomeno, que esse desencontro é motivado pelos distúrbios a que os Espíritos encarnados se entregam por não saberem ou conseguirem desenvolver os processos de superação da condição enfermiça que os trouxeram à reencarnação, agravando-os no retorno ao Plano da Verdade, quando a consciência passa a executar seu “papel” de júri e juiz. Daí a proposta do reencontro com a vida, uma vez que os seres atormentados consciencialmente recebem nova oportunidade de correção, vindo outra vez à dimensão
física para as ações de reparação e reajuste, retomando enfim o rumo para o encontro da própria felicidade.
Os temas abordados em cada capítulo falam-nos das condições enfermiças a que estão sujeitos os Espíritos desprevenidos ante os impositivos da Vida, recebendo de Manoel Philomeno de Miranda títulos como “Induções hipnóticas obsessivas”, “Perturbações psicológicas”, Exorcismo inútil”, “limpeza psíquica”, dentre vários outros. O autor também apresenta conceitos em torno da “Preparação para a morte” e “O despertar para a realidade”, mostrando que o que se delineia no plano
material concretiza-se no mundo espiritual de acordo com a condição mental ou consciencial das criaturas de Deus.
Dissemos que se trata de um livro peculiar e esta característica vamos observar na forma como foi idealizado: estruturado em duas partes, na primeira o autor espiritual se vale da oportunidade em que Entidades espirituais sofredoras se comunicam nas reuniões mediúnicas de que Divaldo Franco participava, no C. E. Caminho da Redenção, para oferecer as páginas elucidativas correspondentes aos diversos casos ali abordados. Na segunda parte, além das mensagens de Philomeno de Miranda são relacionadas também comunicações selecionadas desses Espíritos atendidos que, à semelhança do que Allan Kardec fez no livro O Céu e o Inferno, narram suas desventuras, assim colaborando para as reflexões de devemos fazer para a renovação de nossas atitudes, sob pena de nos vermos ainda marcando passo em nossa jornada evolutiva, contrariando os propósitos divinos.
Mas tanto na primeira quanto na segunda parte do trabalho, Philomeno busca nos fazer considerar a importância desse reencontro com a vida através do prisma da morte física, uma vez que a vida não sofre solução de continuidade com a derrocada do corpo perecível, dada a imortalidade do ser pensante. Assim, diz o autor espiritual que “a morte a nada e a ninguém poupa. Desde que se trate de um ser senciente, seu gume lhe ceifa a vida, seja na câmara uterina, na infância rósea, na juventude risonha, na idade adulta...”, de modo que, nesse livro, “o leitor aprenderá que a morte, apesar de inspirar medo e pavor, é a grande mensageira da realidade que a todos aguarda, e que morrer não significa extinguir-se, mas simplesmente passar de uma situação vibratória para outra”.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Se você pensa... pense bem!

Francisco Muniz


Se você pensa que dar cabo da própria vida, cometer suicídio porque sua vida não está indo pelo caminho que lhe poderia parecer mais atraente, pense bem: a morte não o livrará dos problemas; pelo contrário, você terá, fugindo da vida, um problema a mais na consciência. Problema é para ser resolvido - não adianta fugir. Nesse caso, a solução, cada vez que é adiada, vai ficando sempre mais difícil.
Pense bem.
Porque a verdade é que a vida não acaba, ela não tem fim. O que morre é o corpo e o corpo não é a pessoa, que encontra sua real expressão na alma imortal. Você não tem uma alma, sua alma é você mesmo! Portanto, se você é imortal, viverá sempre, de modo que seu comportamento aqui condiciona seu estado "lá", do outro lado da vida.
Pense bem, porque a vida é uma questão de bom senso. Use a razão: não fuja dos problemas, pois, se eles são seus, ninguém pode resolvê-los por você. E se você ainda não sabe solucionar as questões mais tormentosas da vida, aprenda! A vida é um eterno aprendizado e você veio à Terra para aprender.
Pense bem.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Comportamento em crise: O espírita, a hipocrisia e a atitude de amor

Florêncio Anton
Enfermeiro e pedagogo
A evolução do pensamento científico sobre o comportamento humano define-o em tempos modernos como um processo dinâmico que responde pelo diálogo e influência recíprocos de diversos fenômenos , como: cultura, sociedade e seus papéis, expectativas, desejos e experiências. Esses fenômenos que relacionam-se entre si de forma ordenada e coerente geram um padrão especial de organização que chamamos personalidade.
Mc David e Harari ,(1980) apontam que este padrão organizado de cada indivíduo é em grande parte um produto da socialização e afirmam ainda que a formação genética do ser humano, que é única, bem como a sequência da aprendizagem de experiências durante o curso do desenvolvimento do berço á idade adulta que é também única, gera a organização única da personalidade do adulto. Junte-se a esta visão o fato de que ser espiritual em experiência humana, o homem traz consigo a bagagem de outras existências como diz Herculano Pires(1985):
“ Cada ser traz consigo, para cada existência, os resultados do seu desenvolvimento anterior, em existências passadas. Esses resultados se encontram em estado latente no seu inconsciente, mas desde os primeiros anos de vida começam a revelar-se nas suas tendências e no conjunto das manifestações do seu temperamento...”
A socialização bem como os seus agentes que se definem nas figuras parentais, professores, autoridades, códigos culturais e até mesmo forças “sobrenaturais” surgem como elementos de controle para a moldagem do comportamento de maneira a que os indivíduos que se definem dentro de uma mesma cultura possam apresentar padrões de comportamentos homogêneos. Sendo assim, embora esse não seja o único processo da socialização, é de demasiada importância perceber o que a psicologia social chama de comportamento imitativo e contágio de comportamento como uma espécie de influência interpessoal onde um dado indivíduo apresenta-se como modelo a ser copiado pelo outro e o outro( para evitar a exclusão ou marginalização) de forma espontânea , não necessariamente deliberada iguala seu comportamento ao do modelo.
A engrenagem social depende de padrões de comportamento que se institucionalizam em determinado grupo associando-se a um conjunto de crenças e expectativas comuns a todos os membros e gera posições, lugar ocupado em determinado grupo assim como papéis, padrão de função de comportamento designado pela posição que o membro ocupa como resultante da interação de características pessoais ( personalidade) e a posição momentânea em que se situa.
As posições e os papéis ( fartamente reproduzidos nas brincadeiras de infância) são extremamente importantes para uma determinada sociedade por que estabilizam relações e se mantém através de normas que regulam os procedimentos no âmbito individual ou coletivo.
Ocorre que em dias de século XXI ,momento de avanço e imposição de novas tecnologias, globalização, guerras, estertores geológicos ,as posições e papéis que nas” sociedades tradicionais eram marcados por uma certa regularidade” como aponta Trasferreti(2007) hoje movem-se no estardalhaço de uma crise comportamental avassaladora e começam a ser questionados uns, mantidos outros.
Essa crise nasce do dilema gerado por um lado pela necessidade do capital aqui representado não somente como dinheiro mas também como prestígio, domínio, prazer, trânsito livre no grupo em que se encontra e onde, conforme o pensamento de Joanna de Ângelis/Divaldo Franco(2007 )” os avanços científicos e tecnológicos apressados e as ambições individuais ou coletivas na busca do acúmulo e do desfrute dão espaço ao vazio existencial e por outro pela necessidade cada vez mais premente de ouvir a consciência e assenhorear-se da herança de Deus.”
Parece-nos que o defendido discurso da ética, da amizade, da fraternidade, da solidariedade, do respeito dentro do axioma cristão do “ não façais ao outro o que não gostaríeis que vos fizessem” afundou-se no lodaçal dos interesses e dos jogos sutis do poder e o que se percebe é o ressurgir de uma política pessoal absolutista, ainda que disfarçada, secundada pela “(...) astúcia , crueldade, e manipulação de circunstâncias...” onde os “fins justificam os meios” conforme defendia Maquiavel em seu polêmico livro “O Príncipe”analisado por Incontri e Bighetto (2008).
Desse modo o raciocínio descamba para o fato de que o cerne dos grandes conflitos, viciações e infelicidades humanos , de ontem e de hoje repousa no egoísmo. “ O egoísmo é a fonte de todos os vícios ...” argumenta Allan Kardec (2006) e sendo assim é de se esperar encontra-lo nas atitudes , ações e procedimentos hipócritas adotados por alguns religiosos e também por religiosos espíritas a despeito do conhecimento que possuem sobre os princípios da ética defendida e vivida pelo Cristo.
As conjunções sociais conflitantes da modernidade por que nascentes no próprio homem em crise, alimentam e retroalimentam o comportamento e é de se esperar , embora não sem tristeza, que sejam reproduzidas em nossos arraiais. A hipocrisia sorrateiramente instalada acusa, maldiz, destrói e afasta os indivíduos das possibilidades de viverem o que pregam em “espirito e verdade” como dizia Jesus.
O Espiritismo que aponta o raciocínio como sustentáculo da fé sem dogmatismos é defendido em seus princípios mas, infelizmente, em alguns setores do movimento espirita, a partir da ótica de uma uniformização de pensamentos e ações numa verdadeira conspurcação do direito ao livre pensar e ao pensar diferente e o diferente é excluído. Numa corrida infrene para o proselitismo esquece-se de que a vivência do AMOR em seus próprios caminhos é a melhor propaganda que se pode fazer da Doutrina porquanto como diz Kardec “somente através do exemplo é que se conseguirá mudar a sociedade.” Uniformização é pretender que todos pareçam iguais ,união é aceitação do outro como ele é na sua diferença, é agregar o diferente para fomento de aprendizagem em complemento de faculdades já que “não nascemos com as faculdades completas e é pela união social que elas se completam umas as outras...”Kardec (2006)
Nesse instante de revisão de valores é preciso ceder espaço á reflexão de que quanto mais se assume o que se é, embora não sem dor , abre-se caminho para a felicidade. Pois autoconhecimento e educação devem ser os instrumentos do espírita para a conquista de si mesmo. Conquista de si mesmo é conquista de felicidade.
O Movimento Espírita, formado por homens espíritas, como Instituição Social que é ,por sua vez é convidado , em tempos pós- modernos, à mudança... é preciso renunciar as estratégias de controle assim como ressignificar posições e papéis. As pregações moralistas recheadas de disseminação do medo , da punição, da culpa devem ceder espaço a pregações CONSCIENTIZADORAS com base no pensamento de que a “ própria teologia moral precisa renovar-se para acompanhar a evolução do mundo. Ela precisa tornar-se uma moral positiva que fale do amor com gratuidade, que compreenda os limites do humano, que liberte o ser humano em função do seu crescimento cada vez mais livre e aberto à sua própria construção e a Deus. Precisamos estimular uma moral voltada para a pessoa na sua totalidade; que julga a vida no seu complexo modo de ser e não somente através de normas e regras desenraizadas do seu cotidiano; que integra socialmente a dimensão histórico-social na pessoa e sua corresponsabilidade para com a sociedade e consigo mesma.” ( Trasferretti,1997)
Isto por que “(...) faz-se necessário buscar o novo. Há sinais de que estamos entrando numa nova fase da história. Muitos a chamam de pós-modernidade. Esta vem marcada por uma crítica á modernidade e exige a delimitação de novas bases sustentadoras do humano...” (Agostini,1997)
Destarte uniremos ação e discurso, atitude e discurso, pensamento e discurso sentimento e discurso pois é necessário renunciar o lugar de suposto saber, esse lugar de arrogância e vaidade muitas vezes vestido de purismo no entendimento de que “ a vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno que prenderá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial. E a doutrina será sempre a mesma quanto ao fundo, para todos os que receberam comunicações de Espíritos superiores.” ( São João Evangelista et alli in O Livro dos Espíritos, 2006)

Procure não criar estereótipos!
Vença o preconceito!
Procure não julgar!
Pague o preço de ser sincero e não se permita cortejar pela hipocrisia!
Ame pois o amor é a essência da vida, tudo mais se deteriora. Civilizações desaparecem,
as instituições caem, os títulos se destróem, posições e papéis sociais mudam mas o Amor somente o AMOR permanece.

Bibliografia
AGOSTINI.N. Teologia Moral. Petrópolis: Vozes,1997
ANGELIS.J.FRANCO.D. Encontro com a Paz e a Saúde. Salvador: LEAL editora, 2006
INCONTRI.D.BIGHETO.A . Filosofia: Construindo o pensar. São Paulo: Escala Educacional,2008
KARDEC.A. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro:FEB,2006
MCDAVID.J.HARARI.J. Psicologia e Comportamento Social. Rio de Janeiro: Interciência,1980
PIRES.J.H.Pedagogia Espírita. São Paulo:Edicel, 1985
TRASFERRETI.J org. Filosofia,Ética e Mídia. Campinas: Alínea editora ,2007. 2.ed.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A nova Polícia Militar da Bahia

​​​Por Divaldo Franco - Professor, médium e conferencista

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 13-08-2015


A Mansão do Caminho recebeu a visita do Exmo. Sr. Cel. Anselmo Alves Brandão, comandante-geral da PM, acompanhado por alguns dos seus assessores, a fim de manter um encontro de esclarecimentos muito úteis para a sociedade.
S. Exa. explicou-nos que a polícia sempre foi vista como um órgão repressor e responsável por alguns excessos em situações graves, lamentando tais ocorrências. A fim de modificar o conceito e torná-la educativa e participativa, chegando à comunidade antes das ocorrências infelizes, através do seu Departamento de Comunicação Social, na Seção de Artes, vem desenvolvendo um excelente programa de teatro, coral e oficinas teatrais, com visitas de militares especializados a hospitais infantis onde se encontram crianças com câncer e portadores do vírus HIV, levando-lhes distrações e apoio, auxiliando nos processos graves de químio e radioterapia, de modo a diminuir o sofrimento dos pequeninos.
Não se resume apenas a esse trabalho, mas também se põe às ordens de instituição do terceiro setor, oferecendo os seus serviços que se estendem a todos quantos desejem ser beneficiados, dando lugar a um intercâmbio saudável e necessário. Trata-se, sem dúvida, de uma valiosa contribuição à sociedade essa aproximação dos policiais militares com o povo, diluindo desconfianças e receios de lado a lado, e dando lugar a significativo espírito de cooperação e participação ao estado de paz e de ordem necessários ao progresso e à tranquilidade de todos.
Deixando a tradição coercitiva, a Polícia Militar da Bahia entra em nova ordem de contribuição em favor da paz entre as criaturas, que voltarão a confiar na sua estrutura ordeira e promotora do equilíbrio entre os cidadãos. Ante a violência que cresce assustadoramente, a providência tomada pelo comando desse órgão de alta responsabilidade é alvissareira e deve ser recebida por todos nós com simpatia e cordialidade, oferecendo-lhe a melhor cooperação possível.

Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.

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Em tempo, o Cel. Anselmo é espírita e integra o quadro de dirigentes do Núcleo Espírita da Polícia Militar da Bahia.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Sob a copa de uma árvore...

Francisco Muniz

A tradicional comunicação que o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, faz no primeiro dia de cada ano foi desta vez marcada pelo inusitado. Além das palavras encorajadoras pautadas pelos exemplos e ensinamentos de Jesus, exortando-nos a perseverar no caminho do autoconhecimento e da reforma íntima, nosso Mentor também declinou, através da médium Bernadete Santana, alguns detalhes de uma de suas últimas encarnações. Ele começou com sua saudação de praxe, pedindo que Deus nos abençoasse, e em seguida recordou as costumeiras caminhadas de Jesus por terras palestinas, indo ao encontro de seres que abençoava, ouvindo os pássaros e observando a Natureza, em que tudo era beleza. Jesus também orava ao Pai no silêncio, pedindo paz aos homens, até mesmo para os que nada queriam.
Sob a sombra amiga das árvores, o Mestre - prosseguiu Irmão Jerônimo - ensinava as belas lições da vida futura aos discípulos, observando que alguns deles ainda se ligavam ao passado, embora outros já manifestassem a coragem de abandonar tudo para seguir o Cristo, a porta estreita, o caminho que leva ao Pai. É importante viver o hoje, o presente, o já, disse o Mentor, ressaltando que Jesus ensinava isso aos discípulos ainda saudosos da família e das respectivas atividades laborais de antes, como a pesca. Jesus foi e continua sendo o Pastor divino, ponderou Irmão Jerônimo. "E continuará!", frisou, "neste planeta que o Pai Lhe confiou, para que o homem saiba o que é a Vida".

Jesus se entristece
O homem veio, pela reencarnação, não para vivenciar a realidade da matéria, informou, acrescentando que Jesus recomendou-nos abandonar a estrada larga, mas "o homem continua sem ouvir, sentindo-se proprietário de tudo e por isso Jesus muitas vezes se entristece". Para o Mentor, "observando a intranquilidade de quem aqui vive, o Mestre sente como se suas palavras não tivessem efeito", ante a arrogância e a ganância de muitos "que conservam a maldade do passado, desejando realizar o que nem sabem; mas voltarão [ao plano espiritual, após a morte do corpo] e vão sofrer, percebendo que nada levaram, porque nem a família lhes pertence".
Os homens se julgam grandes, mas se houve alguém realmente superior, esse é Jesus, comentou o Mentor, salientando que cada um tem seu tempo, pela consciência de cada um. Com isso, Irmão Jerônimo recomendou aos presentes que nos sentíssemos felizes com o que temos e com a família que possuímos, enfrentando a vida com coragem, nessa caminhada para 2016, felizes da vida, porque, disse, felicidade é estado de espírito: "Todos estamos aqui [encarnados] para crescer", afirmou. E esse crescimento passa pela frequência a uma casa como o CEDLV: "Aqui vocês vêm receber energia e ouvir a palavra para ver se entendem o que é dito", observou o Mentor, acrescentando que podemos crescer para Deus e melhorar intimamente: "Você pode, tem capacidade, pode dar as costas para o passado".

Tempo de crescer
Segundo Irmão Jerônimo, Deus dá sempre em acréscimo para a felicidade de seus filhos, mas estes não devem confundi-la com a felicidade do mundo, porquanto o que o Pai supremo oferece é o trabalho para quem quer trabalhar, a saúde para o corpo e para a mente - e esta tem preponderância sobre aquele, devendo sempre ser melhor cuidada. Ele afirmou também que a saúde do corpo não significa falta de doenças, mas a mente em equilíbrio: "É suportar as dificuldades sem queixumes", disse, ressaltando que os problemas fazem parte da vida no planeta, no qual as almas vêm e vão nessa caminhada e assim o homem vai crescendo.
Quem ouve a palavra de Jesus deleita-se com o Evangelho, quando assim desejar crescer, frisou o Mentor, Sobre o novo ano que se inicia, ele perguntou se continuaremos na luta da vida e das perturbações, salientando que na luta sim, com perturbação não! Para Irmão Jerônimo, a mente em equilíbrio vê a beleza da vida em tudo. Assim sendo, o homem consciente faz sua preparação para o trabalho cotidiano sem incomodar a ninguém: "Se você grita e reclama, está sendo uma porta aberta para eles", disse o Mentor, referindo-se aos Espíritos perseguidores, os quais nos induzem a atitudes desagradáveis, atrapalhando a convivência com os outros: "Eles gargalham e vocês não percebem", completou.

Deus em nós 
De acordo com o mentor do CEDLV, chegou a hora de dar um passo mais largo - e essa hora é já, completou, ponderando ser preciso isolar a energia negativa e cruel que ainda permeia em cada um de nós: "Experimente tudo com inteligência, como filho do Deus Perfeito, o Deus que em nós habita nos anima sempre", acrescentou Irmão Jerônimo, estimulando-nos a ter fé: "Vocês podem, desde já, fazer sua mudança interior". Ele também comentou os conflitos familiares observando que "quem está no lar faz parte de seu planejamento (reencarnatório), sem isso ninguém cresceria. Assim, ninguém se revolte nem tema os embates, porque "Deus está em cada um de nós, todos somos luz". Para o Mentor, quem se cerca de forças estranhas ao poder de Deus imagina viver, mas não vive: "Aquele que muito tem não vive feliz, com a mente preocupada com tudo vir a perder.
Em seguida, Irmão Jerônimo pediu-nos reconhecer a presença, no ambiente, dos Mensageiros do Cristo, os quais derramavam bênçãos sobre todos os presentes e nesse momento os corações se sentiam tranquilos, pela força do bem. Foi então que o Mentor encontrou ensejo para falar de si mesmo, recordando talvez sua última encarnação na Terra. Ele contou que costumava descer a ladeira do convento e ficava feliz por ver, lá embaixo, a árvore que o acolhia todas as manhãs: a brisa soprava suavemente naquele amanhecer acariciando as belas flores do caminho. Com uma Bíblia nas mãos, sentava-se sob a copa da árvore via as pessoas que passavam, cumprimentando a todas e brindando-as com uma palavra elevada. Era essa sua rotina matinal, antes de retornar ao convento para as orações habituais, pedindo pelo planeta e pela humanidade.

Vidas paralelas
Prosseguindo nessas reminiscências, o Mentor recordou sua meninice e juventude, considerando que, como espírito encarnado, buscava o caminho que precisava trilhar, embora sua família, rica e poderosa, seguisse outras vias. Ele vivia a época em que as mulheres eram por demais submissas e por isso sua mãe, segundo disse, "não tinha nenhum valor, só o homem tinha". Seu pai viajava constantemente "para recolher cada vez mais bens materiais" e era proprietário de muitos escravos que costumava maltratar. O menino se dispunha a visitar e conversar com essa "gente sofrida", mas seu pai não gostava disso. Um dia ele teve contato com a mensagem libertadora de Francisco de Assis, cuja experiência de vida é bastante similar à desse menino Jerônimo, que passou a refletir: "Se ele [Francisco] teve capacidade para abandonar tudo e caminhar livre, eu também tinha".
"Saí com uma só roupa e busquei os franciscanos, que me acolheram", disse Irmão Jerônimo, acrescentando que, quando seu pai voltou da viagem, encontrou sua mãe chorando desesperada e sua única irmã triste: "Mas me separei e tive uma vida muito feliz", ressaltou, salientando que devemos abandonar o que não nos serve: "Não é o abandono dos familiares, mas o de ser o que você não quer", ponderou. Para o Mentor, hoje em dia não há respeito entre os familiares: "Parceiros de vidas passadas que agora vivem juntos para se amarem, crescerem, mas vivem brigando, falta moral nos pais, que impõem aos filhos o que não fazem". No entanto, "nada melhor que a própria vida", ressalta Irmão Jerônimo, pedindo que agradeçamos a Deus pela vida, embora passageira, "e logo, logo vocês voltarão para a vida verdadeira, a espiritual", disse, acrescentando que o lugar que cada um haverá de ocupar depende de nós mesmos, porquanto a volta tem hora certa.

O fim dos "ismos"
Já perto de finalizar sua comunicação, Irmão Jerônimo pediu que Deus noa abençoasse e declarou que os trabalhos da Casa continuam, só haverá uma parada, como disse, no Carnaval e por esse motivo conclamou a todos a renovar as energias, na ocasião, indo à praia e olhar o mar: "Deus se manifesta naquela água", frisou. E mais: "Que estudem", pediu, salientando, por caridade, que devemos nos aperfeiçoar. Segundo o Mentor, venhamos ao Centro nos instruir, mas não fiquemos insistindo com quem não queira vir e busca outros caminhos. "Não interfira", disse, ponderando que "é melhor cada um seguir seu rumo, desde que siga a Jesus", porquanto os "ismos" vão acabar e se cumprirá a previsão evangélica de haver um só rebanho e um só Pastor - o Cristo.
A respeito dos novos tempos, Irmão Jerônimo afirmou que o que se vê no planeta não é a destruição total, mas um processo natural de transformação: "Cada um tem sua vez e tudo acontece para que hoje só exista um só rebanho e um só pastor", repetiu, concluindo que, "se Jesus é aquele que se transformou, você também pode se renovar agora, deixando tudo para trás, ser um novo homem, com Jesus no coração".