sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Espirito de Verdade

Francisco Muniz
(Artigo publicado originalmente na revista Visão Espírita - Ano 2, n.º 19 - Dez. 1999)


Quando, numa das primeiras edições de Visão Espírita, externei minha ignorância a respeito do Espírito de Verdade, respondendo insuficientemente a uma leitora na seção Tire suas dúvidas, a amiga Maria Antonio Castilho da Silveira, de Maceió (AL), tomou a sábia decisão de puxar-me a orelha, repreendendo minha preguiça em procurar esclarecer-me convenientemente. Primeiro, por telefonema à redação da revista e, depois, a pedido meu, numa simpática e documentada cartinha, a qual utilizo para fundamentar estas linhas, ao tempo em que registro, assim, minha gratidão à veneranda amiga que, do alto de seus 80 anos, soube exemplificar as lições do Evangelho ao jogar luzes sobre as trevas da ignorância, fonte de muitos de nossos males, senão todos.
Com a boa orientação de Maria Antonia, minha confusão a respeito do Espírito de Verdade por fim evanesceu e em seu lugar surgiu o Cristo Jesus, a luz de todo entendimento espiritual. O mais impressionante é que, mesmo perpassando os olhos pelas página de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde o Espírito de Verdade se revela inteiramente, sem dar margem a dúvidas (só depois admiti!), ainda assim a venda continuou tapando minha vista, porque evidentemente eu anda lia. É que até então eu me prendia à "letra que mata", em detrimento do "espírito que vivifica", ao ter em mente que o Espírito de Verdade era tão-somente o Consolador prometido por Jesus.
No entanto, no próprio O Evangelho Segundo o Espiritismo, nas "instruções dos Espíritos" referentes ao capítulo VI (O Cristo Consolador), tudo se esclarece em definitivo e somente os corações ainda endurecidos não se darão conta disso. Ali, no tópico intitulado "Advento do Espírito de Verdade", eis que este, sem se nomear, revela-se como o Messias que pisou o chão do mundo há dois mil anos: "Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis!" (início da mensagem recebida em Paris, em 1860).
Consubstanciando sua carta, Maria Antonia refere-se a um artigo de Kleber Halfeld, citando por sua vez mensagem do Espírito Erasto na Revista Espírita de fevereiro de 1868: "MArchai, pois, imperturbavelmente em vossa estrada, sem vos preocupar com as troças de uns e o amor-próprio  ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito de Verdade, nosso e vosso Mestre". Ela cita, ainda, passagem do livro Missionários da Luz (André Luiz/Francisco C. Xavier), à página 99 do capítulo 9, na qual o mentor Alexandre, nimbado de "fios irisados de brilhante luz", conduzia uma palestra: "Mediunidade - prosseguiu ele, arrebatando-nos os corações - constitui 'meio de comunicação' e o próprio Jesus nos afirma: 'Eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens'! Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor?"
É bom recordar, como bem orienta Maria Antonia, que o próprio Cristo deixou patente que nunca nos deixaria órfãos, posto que recebeu do Pai todo o poder sobre o céu e a Terra e que assim cuida de nós desde todos os tempos, do mesmo modo como coordenou o aparecimento de seu Consolador prometido. "Ah! Este assunto... Como é bom conhecer melhor nosso Senhor Jesus-Cristo!", pondera a amiga alagoana, acrescentando que aqueles desejosos de se aprofundarem no estudo devem meditar sobre o que se encontra em João 14, versículos 16 a 18 (os grifos são meus).

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vozes do Brasil: o médium espírita(*)

(*) Esse foi o título que o jornalista inglês Gibby Zobel, integrante da equipe do jornal The Guardian, deu à entrevista feita em 2013 (provavelmente) com o médium baiano Divaldo Pereira Franco, matéria essa republicada pela revista Presença Espírita em sua edição do bimestre julho-agosto de 2014 e reproduzida abaixo. O vídeo traz uma interessante palestra proferida pelo médium baiano, sobre o tema "Quem é você?".



Aos oitenta e seis anos e com uma aparência que não chega aos 60, Divaldo Franco é o médium espírita mais importante do Brasil, tendo vendido mais de 10 milhões de livros mundialmente. Seu lar fica na periferia de Salvador, no bairro de Pau da Lima, onde é considerável o índice de criminalidade e violência. Mas o mundo de Divaldo é sereno e pacífico.
Encontra-se inserido na concretização física da obra de toda sua vida, a Mansão do Caminho - uma instituição que proporciona alojamento, educação e cuidados para crianças e jovens. Localizado onde antes havia um grande depósito de lixo, a Mansão é um vasto e ultramoderno complexo comunitário. O edifício é tido como intocável pelos traficantes de drogas, uma vez que muitos deles, ou suas famílias, fazem uso de seus serviços.
Centenas de mães deixam seus filhos diariamente na creche gratuita. Calcula-se que mais de 30.000 crianças tenham passado pela Mansão durante os últimos 60 anos. Grande parte dessa obra é financiada pela venda dos livros de Divaldo. Ele afirma que se comunica com os Espíritos, e que transcreve suas palavras através de um método chamado "psicografia".
Tudo isso resultou de uma visão que ele teve em 1948, aos 21 anos de idade. "Vi grande número de crianças e um senhor idoso", ele lembra. "Dirigi-me ao senhor idoso. Ele se voltou para mim, e me dei conta de que era eu na velhice. E uma voz me disse: 'Isto será o que você fará de sua vida'".
Mais tarde ele foi apresentado à Doutrina Espírita, codificada pelo sábio e educador francês Allan Kardec, em 1857, que crê na existência e comunicabilidade dos Espíritos através de médiuns. "O Espiritismo está crescendo no Brasil porque atende às necessidades culturais, emocionais e espirituais da sociedade", diz o médium Divaldo.
Com o passar dos anos, Divaldo adotou mais de 600 crianças abandonadas, muitas das quais agora têm seus próprios filhos e netos, e o médium está otimista em relação a essa geração mais nova.
"Vivemos em tempos notáveis", diz ele. "O país acordou para suas responsabilidades, e as pessoas aos poucos estão conquistando seus direitos de cidadãos, movimentando-se na direção das liberdades democráticas e da justiça social. O país tem se preparado de maneira consciente para 2014, quando o mundo inteiro estará acompanhando o futebol, para mostrar que o país tem valores que vão além do carnaval ou mesmo do futebol, e que é uma nação forte, pronta para lidar com o aqui e o agora".
Apesar da idade, o resistente Divaldo ainda apronta sua própria mala e viaja pelo mundo sozinho, assim como tem feito há décadas, proferindo centenas de palestras. "Estas viagens abrem as portas para aqueles que virão no futuro", diz ele. "A minha mensagem é de amor, esperança e caridade. De dizer às pessoas que nossas vidas têm significado, e que não estamos na Terra para sofrer".

domingo, 9 de agosto de 2015

Surpresas e ensinamentos de uma reunião mediúnica

Edilton Costa Silva

 

Aquela comunicação mediúnica chamou-nos particularmente a atenção. O Espírito comunicante se expressava como alguém que, na condição humana, tornara-se um assassino frio, endurecido e indiferente em relação ao valor da vida. A médium, uma jovem que durante o transe transfigurara-se parcialmente, externando expressões verbais e aspectos faciais assustadores e vulgares durante o diálogo com o encarregado do atendimento, que se pode resumir mais ou menos assim:
- Me paguem qualquer coisa que eu mato qualquer um.
- Mas você sabe que matar o semelhante é crime. É erro grave perante as leis dos homens e, pior ainda, perante as leis de Deus.
- Que é que tem? Eu já matei minha mãe, quanto mais os outros que nem conheço.
- Você sabe para que foi trazido aqui?
- Não me interessa. Eu vim porque quis. Ninguém me leva aonde eu não quero ir.
- Você se engana, meu irmão. A vinda até aqui se deu pela misericórdia divina, para mudar sua forma de pensar e de agir, para você respeitar a sua vida e a dos seus semelhantes...
A esta altura, o doutrinador percebia o evidente endurecimento emocional daquela entidade que parecia impermeável a qualquer tentativa de sensibilização para as verdades divinas, no que diz respeito à valorização da vida humana, o que se confirmou com as afirmações intimidatórias e, por que não dizer, ameaçadoras:
- Você tem sorte porque está falando em nome de Deus e tem muita gente aqui observando...
A seguir, o dialogador começou a aplicar a bioenergia ou passes e, à medida que o processo tinha sequência, o ser espiritual passou a reclamar de dores no corpo e externar certa preocupação com a morte que se aproximava.
Foi o único momento durante o contato entre o Espírito e o dialogador em que este percebeu algo de mais humano naquele que procurava bloquear completamente suas emoções, seus sentimentos.
Pergunta-se: o que teria acontecido em um passado distante com aquele nosso irmão para levá-lo a tamanha condição de insensibilidade, transformando-se num criminoso frio a ponto de assassinar a própria mãe? Não nos foi permitido saber.
O doutrinador, por sua vez, sentiu-se um tanto quanto frustrado por não ter alcançado, na sua avaliação, um resultado satisfatório que despertasse aquele irmão para uma realidade melhor do que aquela em que ele se fixava e, conversando com companheiros mais experientes e com a médium, instrumento daquela manifestação, obteve explicações, informações e reflexões altamente significativas.
Em primeiro lugar, mesmo com o desinteresse pelo diálogo, o choque anímico experimentado pelo Espírito comunicante, quando seu perispírito está sintonizado com o do médium, produz nele algum efeito terapêutico associado ao início de seu despertar espiritual...
A referência à mãe e depois a Deus funcionou também como valores que estavam abafados e que, implicitamente, podem ser interpretados como indícios de alguém dando os primeiros passos para sair da sua carapaça e, aos poucos, recuperar a sua condição de humanidade esquecida.
A médium informou que durante a aplicação do passe, enquanto a entidade era atendida, conseguiu sentir e perceber as diferenças vibratórias emanadas do ser espiritual (densas e escuras) e do doutrinador (suaves e luminosas), notando que algo de bom foi assimilado pelo irmão desencarnado infeliz.
Vale a pena ressaltar ainda que as sensações de dor e a preocupação com a morte levam-nos a concluir pelo total desconhecimento a respeito da sua realidade espiritual, portanto, acreditando-se ainda vivo no corpo físico. Certamente a equipe espiritual providenciará os recursos para, no momento próprio, oferecer-lhe o necessário esclarecimento.
Na avaliação de todos, qualquer entidade trazida à comunicação em uma reunião mediúnica séria, com demandas, conflitos, sofrimentos, culpas, remorsos, mesmo que não demonstre, obtém algum benefício, retirando-se do ambiente numa condição melhor do que a em que se encontrava.
Bem-aventurados aqueles que sabem aproveitar os ensinamentos proporcionados pelo Espiritismo, seguro roteiro de luz para a Humanidade.

sábado, 8 de agosto de 2015

Peculiaridades do verbo amar

Francisco Muniz

No primeiro culto doméstico do Evangelho de agosto em nossa residência, com a participação dos netinhos, perguntei a Pedro e a Laura o que é Evangelho. A resposta oferecida correspondeu ao que eles observam semanalmente nesse momento sagrado em que a família se reúne em torno de O Evangelho Segundo o Espiritismo para louvar a Deus e pedir amparo e proteção ao Cristo Jesus: "Evangelho é rezar!"
A resposta não é estranhável, porquanto muitos de nós ainda nos prendemos a conceitos primários do religiosismo que nos identifica. Entretanto, o conhecimento espírita que nos atesta o amadurecimento psicológico exige de nossa parte um entendimento compatível com esse aprendizado, a fim de adotarmos o comportamento consequente às lições de Jesus.
Eis que lemos nas páginas da terceira obra da Codificação o Espírito João Evangelista proclamar que a Doutrina Espírita vem nos exortar à ação viril, uma vez chegados os tempos de cumprimento das promessas do Senhor. A conclamação do Apóstolo inserida na obra de Allan Kardec reafirma a madureza ao menos intelectual da Humanidade, preparada para recepcionar a Terceira Revelação das Leis de Deus.
É oportuno recordar que o grande objetivo do Espiritismo, revivendo a pureza da doutrina de Jesus, é o melhoramento moral da Humanidade, o que se conseguirá pelo desenvolvimento das virtudes que jazem latentes em cada ser humano. Fica subentendido que esse objetivo será alcançado mediante os esforços que cada um saiba empreender no sentido da auto-superação e no da dedicação à tarefa da caridade, no cumprimento das ordenações do Cristo: amar ao próximo como a si mesmo, incondicionalmente, e fazer ao outro o que se gostaria que este lhe fizesse.
Desse modo entenderemos que Evangelho tanto pode significar rezar, ou seja, dirigirmo-nos em pensamento amoroso ao Deus além dos homens, quanto significa amar, isto é, correspondermos à ação concreta de amar a Deus em meio aos nossos semelhantes. É dessa maneira que o Cristo nos ensina, em seu roteiro de felicidade a nós dirigido, a viver sua proposta de reintegração ao Pensamento Divino, numa retomada do endereço do Pai Supremo, que havíamos perdido ao longo de nossa jornada multimilenar através do tempo e do espaço.
Essa longa trajetória espiritual está perto de ser comprovada pela Ciência materialista da Terra, que já admite ser nosso DNA muito mais antigo que o próprio planeta, ao ponto de um cientista declarar, num desses documentários exibidos pela TV fechada, que "somos gerados pelas estrelas". Assim sendo, nossa origem também é nossa destinação. Em O Livro dos Espíritos, lemos que a jornada evolutiva dos seres criados por Deus é feita nos diversos mundos que povoam o Universo, iniciando-se naqueles mais primitivos e prosseguindo nos mais adiantados conforme se dê o aprendizado do princípio espiritual.
Perguntando-se qual a finalidade desse aprendizado, chegaremos à conclusão de que por ele é que nos especializaremos na prática do amor. E será somente por esse comportamento, nos moldes do ensinamento do Cristo, que reencetaremos nossa caminhada de volta para casa, qual seja nossa reunificação em Deus, consoante as palavras de Jesus: "Estais na Terra mas não pertenceis a ela" e "Eu e o Pai somos um". Haveremos de também ser um com esse Pai amoroso, tão logo procedamos de acordo com a crística recomendação: "Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem".

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Amor imenso

Francisco Muniz


O título fala de uma canção homônima do cantor e compositor pernambucano Nando Cordel (vide letra abaixo), que fala de nossa necessidade de deixar o amor inundar, invadir o mundo a fim de vivenciarmos a paz, essa mesma paz capaz de tornar imenso o amor que queremos a todo tempo experimentar.
Na verdade, a canção é uma carta que o poeta escreve ao Cristo, sem cuja presença é mesmo difícil viver por aqui, neste mundo onde os homens parecem ter perdido o endereço de Deus por desconhecerem a si mesmos.
Com o Cristo o mundo fica colorido, nós somos felizes e o coração já não reconhece incertezas. Mas é preciso que nos esforcemos, fazendo nossa parte purificando nossas almas através da mudança de pensamento e de atitudes ainda contrários ao estado de harmonioso bem-estar que tanto ansiamos.
Esse esforço é imprescindível porque somos nós, cada um de nós, os braços e pernas do Cristo, que precisa de nossa colaboração para levar aos quatro cantos do planeta a mensagem libertadora do Evangelho, esclarecendo as consciências e consolando corações aflitos.

Amor imenso 
(Nando Cordel)

Vem, tá difícil viver sem você por aqui
Vem colorir nosso mundo
e me fazer feliz
Traz teu amor, que é tão
forte e de muita beleza
Meu coração não consegue
viver na incerteza
Abre a porta e deixa entrar
essa paz que faz o amor imenso
imenso
Vamos deixar o amor enramar essa terra
Vamos deixar essa paz enraizar todo o mundo
Vamos deixar a pureza invadir nossos corações
Se transformar em corrente,
em busca de soluções
Abre a porta e deixa entrar
essa paz que faz o amor
imenso, imenso...