quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Mediunidade a serviço da imortalidade

(Texto extraído da revista O Espírita, de Set./Dez. de 2013.)


O profeta Jereemias (46:18) dá o Tabor como símbolo do poder de Deus. O rei Davi (Salmo 88:13) o exalta no Salmo como referência para a verdadeira alegria. Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas destacaram o fenômeno da transfiguração e da materialização em seus apontamentos, numa das mais impressionantes passagens do Evangelho.
Entre todos, Jesus escolheu apenas três apóstolos: Pedro, João e Tiago para acompanhá-lo ao cume do Monte. Possivelmente, os três eram médiuns de efeitos físicos e colaboraram, sem o saberem, com o sucesso do evento. Lá, as vozes do céu consagraram o cristo: "Este é o filho dileto de Deus".
Moisés e Elias, como legítimos representantes da raça judaica, ali estavam visíveis e o rosto e as vestes de Jesus resplandeciam como o Sol. Pairava uma felicidde tão intensa que Pedro desejou armar três tendas para alojá-los e perpetuar aquele momento: "Senhor, como é bom estarmos aqui." (Mt, 17:4)
Para a comunidade espírita-cristã, além da prova da imortalidade da alma, a transfiguração e a materialização no Monte Tabor sugerem a integração de interesses e sentimentos que devem nortear os nossos atos nos dias que correm. Por que Jesus materializou Moisés e Elias, e não João Batista, que fora seu precursor?
Moisés, Elias e João Batista são o mesmo espírito em encarnações diferentes. A explicação passa pelo fato de que João Batista criticara fortemente as imoralidades de Herodes. Se ele aparecesse no Monte provocaria uma revolta nos poderes dominantes, dificultando a mensagem de Jesus.
Compreendemos como uma atitude de extrema inteligência e sabedoria divina. Ao homenagear duas das mais importantes lideranças do judaísmo, o Cristo deu uma lição de fraternidade em seu sentido mais absoluto.
Fica o exemplo! Quando há tanta inveja nos ambientes religiosos, em que irmãos de fé deveriam se respeitar, promovem a desagregação que campeia em todos os meios, como obra pérfida do espírito do anticristo, como tão bem coloca o Apocalipse. Não servem ao Cristo, servem-se do Cristo, na exaltação da própria vaidade.
Aos que ainda não adquiriram a verdadeira consciência cristã e que se julgam impunes por serem espíritas, bom seria que lessem e relessem a mensagem do Espírito de Verdade, intitulada "Os obreiros do Senhor", que está no capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo. É de estarrecer, pela energia da advertência.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre a importância do passe

Francisco Muniz

Um trabalhador de certa Casa Espírita de nossa cidade é dono de uma vistosa calvície, tão acentuada quanto precoce, ao ponto de sofrer a "perseguição" de um seu amigo, para quem ele ficou careca de tanto tomar passes. Claro, é só por brincadeira que o amigo diz isso. Histrionismo à parte, convém dizermos que o passe não causa malefício algum, antes pelo contrário, sendo bastante significativas as bênçãos que do Alto recaem sobre os necessitados da alma, proporcionando inclusive importantes alterações no estado de saúde dos pacientes enfermos.
Sendo assim, devemos, mais uma vez, perguntar-nos o que é o passe e por que ele produz tais benefícios. O passe é uma transfusão de energias salutares alterando o campo celular dos indivíduos que a ele se submetem. Desse modo compreendemos que, nesse momento, renovando o próprio pensamento, manifestando fé nos poderes celestiais, tudo se modificará conosco. Na assistência magnética os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma.
É forçoso notar que o passe como técnica terapêutica é conhecido desde a antiguidade e Jesus era visto frequentemente impondo as mãos para beneficiar enfermos do corpo e da alma. O próprio Allan Kardec, quando ainda atendia pelo nome do Prof. Rivail, era seguidor das ideias de Franz Anton Mesmer, criador do processo curativo conhecida como mesmerismo, que preconizava a utilização do magnetismo animal para a cura de muitas enfermidades a partir do século XVIII. Os biógrafos do Codificador atestam que Kardec era um magnetizador dos mais competentes, um dos melhores de Paris em sua época.
As anotações de Kardec relativas ao passe fazem-nos entender que essa terapêutica tem importância notável nas ações da mediunidade de cura. Em O Livro dos Médiuns, diz ele que o fluido magnético, presente em toda e qualquer criatura humana, desempenha importante papel no exercício da faculdade mediúnica curativa, gênero este que consiste, principalmente, no dom que as pessoas dela dotadas possuem para curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação.
Kardec, no entanto, faz uma distinção entre o médium e o simples magnetizador, afirmndo que "todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo". Sim, porquanto a mediunidade é uma faculdade natural e por isso os Espíritos trataram de esclarecer o Codificador relativamente a essa questão.
No tópico referente aos médiuns curadores (cap.XIV), Kardec, sabiamente, submete o assunto à avaliação dos Espíritos Superiores e estes garantem que todas as pessoas dotadas de força magnética são efetivamente médiuns, sendo um erro fazer distinção entre elas. Da mesma forma, independe que tais magnetizadores descreiam dos Espíritos, porquanto eles sempre serão intermediários das potências invisíveis na realização de fenômenos nessa área.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

E viva o professor!

Edinice Ataíde dos Santos

(Durante recente evento comemorativo do Dia do Professor, realizado pelas turmas do Grupo de Estudos Espíritas Irmão Jerônimo, do C. E. Deus, Luz e Verdade, em Salvador (BA), a companheira Edinice leu o texto seguinte, de sua autoria, após agradecer a Deus, ao Mestre Jesus, aos Instrutores espirituais, a Allan Kardec, insigne pedagogo, ao Mentor da Casa, Irmão Jerônimo, bem como a sua equipe, além dos dirigentes encarnados.)



O grande escritor e poeta Rubens Alves afirma que a educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Diz ele que, sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido, e que a educação deve ensinar a ver, educar os olhos, porque o ato de ver não é natural, precisa ser aprendido; ele afirma ainda que há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem: "Os olhos são janelas do corpo, aparecem refletidas dentro da gente". E prossegue Rubens Alves: "Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como uma criança, jamais será sábio".
Com muita razão, ensinou o Mestre galileu: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus é para aqueles que a eles se assemelham". E mais: 'Ninguém pode ver o Reino de Deus se não não nascer de novo".
E Rubens Alves aconselha:

"Ama a simplicidade,
ama a vida,
ama a beleza,
ama a poesia,
ama as coisas que dão alegria,
ama a natureza e a reverência pela vida,
ama os mistérios,
ama a Deus."

O eminente educador francês André Morin destacou os quatro pilares da educação com base no autoconhecimento do ser e vejam a conclusão a que ele chegou: 1.º - aprender a conhecer; 2.º - aprender a fazer; 3.º - aprender a conviver; e 4.º - aprender a ser.
A nobre mentora Joanna de Ângelis, na sua obra Educando os Sentimentos, psicografia de Divaldo Franco, analisando os valores destacados por Morin, afirma que esses valores encontram-se embutidos na pedagogia de Jesus, porque o Mestre Incomparável sempre se preocupou com a nossa auto iluminação, retirando o ser da ignorância, da rebeldia, mostrando-lhe os caminhos novos do amor, porque pregava pelo exemplo, motivando relacionamentos saudáveis, realizações nobres e dificantes, evitando assim a maledicência, os rancores, os ciúmes, as disputas insensatas que provocam mal estar, e esses ensinamentos Jesus apresentava de maneira didática em oportunidades especiais na companhia dos discípulos ou na proximidade dos fariseus.
E prossegue o nobre Espírito: "É o amor o grande elixir tonificante para a saúde do corpo e do espírito. O amor é a solução para todos os problemas, enfermidades do corpo da alma e que a educação não deve ser apenas formal, aquela que apenas transmite conehcimentos científicos, mas deve se aplicar na transmissão dos valores morais". Não foi esta a pedagogia do jovem galileu?
Aqui, nesta Casa, apendemos grandes lições para que sejamos "relativamente" perfeitos: dos orientadores do Plano Espiritual. orientadores do plano material, dos dirigentes da Casa, dos coordenadores das turmas e demais grupos de estudos.
Aqui vai nossa gratidão ao nosso coordenador Chico Muniz, que por seu jeito de ensinar as lições evangélicas de Jesus e as lições das histórias de vida, por seu companheirismo, sua humildade e seu jeito amigo de ser, nos encoraja com alegria para prosseguirmos na caminhada;
- a Fátima Sales, por sua dedicação, procurando sempre ampliar os nossos espaços de conhecimentos, tanto do Evangelho de Jesus quanto de outras áreas, nas visitas a museus, convites para viagens, histórias de outros povos, outras gentes etc.;
- a Anemaura, outra facilitadora dedicada, por seu companheirismo fraternal nas histórias sobre o passado para compreender o presente, para que também compreendamos as lições evangélicas, buscando sempre, continuamente, a etimologia das palavras, para nosso crescimento.
Somos gratos por sua amizade e carinho.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Três vezes três verbos

Francisco Muniz


Em sua função na intimidade da Sala Mediúnica, o médium espírita especializado na tarefa do esclarecimento tem por diretriz a observação de três verbos, necessários para o sucesso de sua atuação junto às entidades sofredoras trazidas a tratamento na Casa Espírita. São eles os verbos ouvir, diagnosticar e tratar. À semelhança da anamnese realizada nos consultórios médicos do mundo, a conjugação consciente desses verbos garantirá a eficácia da participação do doutrinador, desde que, durante sua atividade, ele esteja atento à inspiração dos mentores espirituais.

Ouvir, portanto, corresponderá à necessidade de se estabelecer a empatia com a entidade comunicante, devendo, para tanto, o médium colocar-se no lugar daquele que desabafa seus dramas e quer como que apenas o colo do acolhimento sincero. Ouvir o outro, suas queixas e angústias, é uma arte que precisa ser aprendida especialmente no âmbito da seara espírita, uma vez que o Espiritismo é uma doutrina eminentemente consoladora e aqueles que a professam devem estar imbuídos da responsabilidade de reacender a chama da esperança nos corações aflitos, especialmente nos encarnados que perderam contato com a própria imortalidade.

Somente ouvindo o desabafo das entidades sofredoras é possível identificar os reais motivos dessas lamentações e assim oferecer-lhes o lenitivo a que fazem jus. Desse modo se fará o diagnóstico da verdadeira "enfermidade" que acomete nossos irmãos da erraticidade que buscam junto aos médiuns o socorro espiritual para suas dores morais. Para tanto, os esclarecedores deverão estar suficientemente treinados, tanto teórica quanto empiricamente, isto é, pelo exercício disciplinado, sério e constante a que a prática do Espiritismo nos convida, a fim de sermos verdadeiramente úteis na ação benemérita empreendida pelos Espíritos Benfeitores.

Uma vez feito o diagnóstico da problemática apresentada pelo comunicante - e para isto o doutrinador conta com um tempo por demais exíguo e no entanto suficiente para a empreitada -, convém oferecer-lhe a condução que seu caso requer. Ainda aí, importa ter o médium a mente sintonizada com o Alto, de modo a fazer corresponder suas palavras às orientações dos integrantes da Equipe Espiritual que dirige a reunião mediúnica. É nesse momento que se utilizará a terapêutica indicada ao desfazimento das ideias fixas, mostrando a realidade do Espírito enfermo, bem como o apontar rumos para sua recuperação, enfatizando, o quanto possível, a verdade de que nenhum dos filhos de Deus está ao desamparo.

O estudioso do Espiritismo interessado em seu crescimento espiritual também precisa ter em mente outros três verbos que em muito o auxiliarão nesse tentame: observar, aprender e partir. O iniciado na Doutrina sabe que, além de estudar, isto é, consultar as obras esspíritas, precisa mais ainda estudar-se, de forma a poder consolidar sua pretendida reforma íntima. É nisto que consiste a observação: prestar atenção a si mesmo para corrigir desvios e preencher lacunas no quesito dos valores que deve desenvolver com vistas a ser cada vez melhor aos olhos de Deus, fazendo o bem o quanto possa.

Com tal procedimento, o espírita sincero assegurará seu aprendizado, tornando-se um verdadeiro cristão, um homem de bem consciente de suas potencialidades e limitações, desenvolvendo ainda mais aquelas e tentando superar estas últimas. Somente assim se evidenciará seu progresso no rumo da Evolução, como meio de reduzir o ciclo das reencarnações, significando assim a conjugação do verbo partir, porquanto nossa presença no planeta é e deve ser compreendida como uma etapa de nosso crescimento espiritual.

Por fim, outros três verbos se apresentam ao entendimento do aprendiz em razão do objetivo a ser alcançado. São eles: aumentar, diminuir e manter. Os três estão vinculados ao exercício de autoaprimoramento e por isso o espírita atento a seus deveres compreenderá ser preciso aumentar sempre mais as aquisições de virtude, tanto quando deve ampliar sua percepção de espírito comprometido com todo o Universo a partir das ações abnegadas no plano terreno. Assim também, precisa diminuir o conjunto das próprias imperfeições e, de igual modo, manter as conquistas realizadas. Como se percebe, a expressão "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" utilizada pelo evangelista João pode ser tomada além de sua dimensão meramente mística...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Retorno ao Evangelho

Bezerra de Menezes
(psicografia do médium Divaldo Franco, recebida em setembro de 2013)


Eis que vos foi dito: "Amareis aqueles que vos amam e odiareis aqueles que vos odeiam. Eu, porém, vos digo: Amareis aqueles que dos odiarem", para que estejais perfeitamene integrados no espírito da solidariedade.
Meus filhos, o Evangelho de Jesus tem regime de urgência na intinidade de nossos corações. Este é o século da tecnologia de ponta, da ciência, na sua mais elevada postura, mas haverá de ser também o século do amor. Devemos atrair o sentimento de amor para que ele produza a sabedoria em nosso ser.
Sereis muitas vezes hostilizados pela brandura de coração; sereis discriminados pela conduta rígida no cumprimento do dever; experimentareis ironia e descaso pela fidelidade a Jesus. Crede, é transsitório o carro carnal, e quando dele nos despojarmos a consciência irá conduzir-nos ao país do remorso ou ao continente das bem-aventuranças.
Vivei de tal forma que podereis olhar aqueles que vos criam embaraços nos olhos sem abaixardes as vossas vistas. É necessário muita coragem para esse logro. Assevera-se que aquele indivíduo que é bom, que é humilde, é um covarde. É necessário, porém, muita coragem para beber-se a taça da amargura, sem reprimenda, sem reclamação e transformá-la em licor que dê energia e vitalize a existência.
Não foi o acaso que vos convocou para o encontro desta hora em que a sociedade estorcega na impiedade, na loucura, na sexolatria, na toxicomania. Sede vós pacíficos e pacificadores. Produzi em vossos lares o reino dos céus, construí-o no aconchego da alma que está ao lado da vossa alma, dos filhinhos que vos foram confiados, cuja conduta será consequência da educação que lhes administrardes, em forma de paz.
...E encontrareis aa razão de viver nesse sentimento do amor pulcro e penetrante que irriga a vida de alegria, que ilumina as ansiedades com paz.
Filhas e filhos da alma: não desperdiceis o tempo que urge, e ele se chama agora. Não postergueis a vossa oportunidade de autoiluminação. Jesus já veio ter conosco. Hoje espera-nos e manda à Terra os Seus embaixadores para que nos levam de volta ao Seu doce aconchego e repita suavemente: "Vinde a mim e eu vos consolarei".
Ide de retorno a vossos lares, mansos e pacíficos, porque será assim que se dará início à era da regeneração, que vem sendo trabalhada desde o dia em que a Codificação chegou à Terra, quando o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte; quando os rosais colocaarão as suas pétalas para dentro dos lares; quando as sombras forem clareadas pelas estrelas luminíferas que fazem parte da divina corte.
Amai! O amor redime a criatura humana. E depois, discípulos de Jesus, o Mestre nos espera.
Muita paz!
Que o Senhor de bênçãos vos abençoe.
São os votos do servidor humílimo e paternal,

Bezerra.