segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Três vezes três verbos

Francisco Muniz


Em sua função na intimidade da Sala Mediúnica, o médium espírita especializado na tarefa do esclarecimento tem por diretriz a observação de três verbos, necessários para o sucesso de sua atuação junto às entidades sofredoras trazidas a tratamento na Casa Espírita. São eles os verbos ouvir, diagnosticar e tratar. À semelhança da anamnese realizada nos consultórios médicos do mundo, a conjugação consciente desses verbos garantirá a eficácia da participação do doutrinador, desde que, durante sua atividade, ele esteja atento à inspiração dos mentores espirituais.

Ouvir, portanto, corresponderá à necessidade de se estabelecer a empatia com a entidade comunicante, devendo, para tanto, o médium colocar-se no lugar daquele que desabafa seus dramas e quer como que apenas o colo do acolhimento sincero. Ouvir o outro, suas queixas e angústias, é uma arte que precisa ser aprendida especialmente no âmbito da seara espírita, uma vez que o Espiritismo é uma doutrina eminentemente consoladora e aqueles que a professam devem estar imbuídos da responsabilidade de reacender a chama da esperança nos corações aflitos, especialmente nos encarnados que perderam contato com a própria imortalidade.

Somente ouvindo o desabafo das entidades sofredoras é possível identificar os reais motivos dessas lamentações e assim oferecer-lhes o lenitivo a que fazem jus. Desse modo se fará o diagnóstico da verdadeira "enfermidade" que acomete nossos irmãos da erraticidade que buscam junto aos médiuns o socorro espiritual para suas dores morais. Para tanto, os esclarecedores deverão estar suficientemente treinados, tanto teórica quanto empiricamente, isto é, pelo exercício disciplinado, sério e constante a que a prática do Espiritismo nos convida, a fim de sermos verdadeiramente úteis na ação benemérita empreendida pelos Espíritos Benfeitores.

Uma vez feito o diagnóstico da problemática apresentada pelo comunicante - e para isto o doutrinador conta com um tempo por demais exíguo e no entanto suficiente para a empreitada -, convém oferecer-lhe a condução que seu caso requer. Ainda aí, importa ter o médium a mente sintonizada com o Alto, de modo a fazer corresponder suas palavras às orientações dos integrantes da Equipe Espiritual que dirige a reunião mediúnica. É nesse momento que se utilizará a terapêutica indicada ao desfazimento das ideias fixas, mostrando a realidade do Espírito enfermo, bem como o apontar rumos para sua recuperação, enfatizando, o quanto possível, a verdade de que nenhum dos filhos de Deus está ao desamparo.

O estudioso do Espiritismo interessado em seu crescimento espiritual também precisa ter em mente outros três verbos que em muito o auxiliarão nesse tentame: observar, aprender e partir. O iniciado na Doutrina sabe que, além de estudar, isto é, consultar as obras esspíritas, precisa mais ainda estudar-se, de forma a poder consolidar sua pretendida reforma íntima. É nisto que consiste a observação: prestar atenção a si mesmo para corrigir desvios e preencher lacunas no quesito dos valores que deve desenvolver com vistas a ser cada vez melhor aos olhos de Deus, fazendo o bem o quanto possa.

Com tal procedimento, o espírita sincero assegurará seu aprendizado, tornando-se um verdadeiro cristão, um homem de bem consciente de suas potencialidades e limitações, desenvolvendo ainda mais aquelas e tentando superar estas últimas. Somente assim se evidenciará seu progresso no rumo da Evolução, como meio de reduzir o ciclo das reencarnações, significando assim a conjugação do verbo partir, porquanto nossa presença no planeta é e deve ser compreendida como uma etapa de nosso crescimento espiritual.

Por fim, outros três verbos se apresentam ao entendimento do aprendiz em razão do objetivo a ser alcançado. São eles: aumentar, diminuir e manter. Os três estão vinculados ao exercício de autoaprimoramento e por isso o espírita atento a seus deveres compreenderá ser preciso aumentar sempre mais as aquisições de virtude, tanto quando deve ampliar sua percepção de espírito comprometido com todo o Universo a partir das ações abnegadas no plano terreno. Assim também, precisa diminuir o conjunto das próprias imperfeições e, de igual modo, manter as conquistas realizadas. Como se percebe, a expressão "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" utilizada pelo evangelista João pode ser tomada além de sua dimensão meramente mística...

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