sexta-feira, 30 de março de 2012

Inimigos internos e o autoperdão

Francisco Muniz

"(...) E o homem terá por inimigos os de sua própria casa." Estas palavras de Jesus, contidas no Evangelho de Mateus, costumamos interpretar direcionando-as a nossos familiares, condicionados pela postura espírita a partir das informações reencarnacionistas, fazendo-nos entender que já convivemos anteriormente com aqueles que nos são caros, mas essa convivência nem sempre foi harmoniosa, o que explicaria as dificuldades de relacionamento observadas na atualidade, merecendo, da parte dos envolvidos, o necessário esforço que propiciará o pretendido reajustamento, mercê das sábias leis divinas.
É certo, contudo, que essa interpretação não está desprovida da veracidade que se procura no entendimento das questões aflitivas que o homem enfrenta, em busca de resoluções que levem à harmonização com o outro e consigo mesmo. No entanto, haverá mais sucesso se nessas avaliações o investigador focalizar a si mesmo em vem de especular a condição de outrem. Ainda que as experiências em conjunto venham a se concretizar em ganhos ou prejuízos individuais, é justamente em razão dessa consequência que os problemas devem ser vistos pelo prisma pessoal.
Entendemos que Jesus falava, quando aqui esteve, há mais de dois mil anos, para cada espírito imortal e não para as personalidades formadas pelos valores do mundo - e desse modo deveremos compreender que nossas questões são a priori individuais e como tal deverão ser consideradas, mesmo que tenham vinculação com A ou B. Assim, somos chamados a concluir que ninguém tem nada a ver com as razões de nossa problemática pessoal, do mesmo modo como não somos responsáveis diretamente pelo drama de ninguém. Compete, pois, a cada um, de per si, envidar os esforços imprescindíveis ao reequilíbrio, se não se quer perpetuar-se na atitude passiva perante a vida, ficando-se apático enquanto tudo em volta se renova e progride, a despeito dos ais de quem quer que seja.
Eis, então, que se faz urgente e inadiável o entendimento e a consequente assunção das responsabilidades pelos próprios atos, deixando de culpar os outros pelo que se nos acontece, mas, ao contrário, perdoando a todos que de alguma forma julgamos terem contribuído para nossa transitória infelicidade, pela simples compreensão de que fomos nós mesmos que quisemos assim, por nos permitirmos falir, iludir, menosprezar a oportunidade do refazimento e da corrigenda, dando vez aos verdadeiros inimigos nossos - os defeitos resultantes de nossa postura egoística e orgulhosa perante a vida.
Esse perdão, que em suma vem a ser doação de amor, deve ser facultado principalmente a nós mesmos. É, o autoperdão, medida profilática e terapêutica que devemos adotar para cura de nossa enfermidade mais profunda e também para evitarmos intercorrências nesse processo, tornando a cura efetiva. O autoperdão, assim, configura o ensinamento do Cristo que preconiza amar ao próximo como a si mesmo, o que quer dizer libertarmo-nos individual e coletivamente das injunções perniciosas das armadilhas criadas pelo ego. É preciso, nesse sentido, transcender a própria condição transitória, renunciando, como propõe Jesus, à personalidade enganadora, para que venha à tona a verdadeira condição de cada um, a permanente, a do espírito imortal, destinado à perfeição enquanto efetua sua romagem terrena...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Júbilo

Francisco Muniz

Rejubilai-vos, vós que sois trabalhadores do Cristo e desenvolveis na Terra a tarefa da caridade. É das mais proveitosas no mundo a atividade em prol dos sofredores, dos carentes de toda sorte, porquanto assim o cristão digno desse nome se desveste de si mesmo e do que o faz grande perante o mundo para se tornar o maior ao olhos de Deus.
Nós nos alegramos ao ver-vos assim, amigos, trabalhando unicamente para que o bem e o amor sejam a tônica das expressões do homem na Terra. É um exercício que requer coragem e dedicação e por isso vos louvamos a disposição. Trabalhai muito, trabalhai confiando no Senhor, que Ele vos cumulará de bênçãos.
Muita luz em vosso caminho.

terça-feira, 20 de março de 2012

Epifania

Francisco Muniz



Afora o significado religioso proposto pela Teologia, epifania também pode ser conceituada no sentido filosófico, significando uma sensação profunda de realização no sentido de compreender a essência das coisas, tudo que pode estar no âmago das coisas ou das pessoas, isto é, poder considerar que a partir de agora sente como solucionado, completado, aquilo que estava tão difícil de conseguir.

Epifania pode ser ainda um pensamento iluminado, uma inspiração que parece ser coisa de Deus, como que somente ele seria capaz de pensar tal coisa. Os ingleses costumam utilizar muito este termo dizendo: “I just had an epiphany” como eu tive um pensamento indescritível, único.

Muitos religiosos, filósofos, místicos, escritores, cientistas confirmam através de relatos históricos que passaram por algumas experiências epifânicas, como Buda, Móisés que conta as aparições de Deus na Bíblia, Maomé, James Joyce entre outros.

***

Isto é o que nos diz um site da Internet, com o que procuro iniciar uma conversa, quase um monólogo. Comecemos por dizer que todos temos, de vez em quando, uma epifania, um desses momentos em que nos sentimos integrados às dimensões mais elevadas da vida, vibrando na mesma frequência do Inatingível. É certo que isto dura só alguns segundo, mas a sensação perdura na alma e na lembrança quase indefinidamente – e foi o que me aconteceu (não sendo a primeira vez) recentemente. Mas, para chegar ao ponto que nos interessa nesta conversa, é necessário fazer uma longa digressão. Portanto, vamos lá.

Recordemos, a princípio um certo diálogo entre Jesus e alguns fariseus, quando estes solicitaram do Mestre um sinal dos Céus que o confirmassem como enviado de Deus aos homens. Jesus recusou-se a atender àquela “geração má e adúltera”, mas é certo que, conforme afirmara o Cristo, aquele que tem “olhos de ver” saberá identificar esses sinais, que julgamos estarem espalhados e à mercê que quantos se disponham a buscar, posto que quem busca sempre encontrará, como reza o Evangelho.

Assim é que há algum tempo uma companheira do grupo de estudo levou à reunião um maço de impressos com a famosa prece de Francisco de Assis, para distribuição com os demais frequentadores de nossa Casa. Como presto serviço também numa outra instituição, calhou de uma vez distribuirmos uma outra leva dessa mesma prece e inquirimos dos participantes dessa reunião quanto à frase “Senhor, fazei que eu procure mais”, compreendendo que é necessário, na jornada rumo à evolução espiritual, buscar sempre, sem nos contentarmos com o que encontrarmos em meio à caminhada, porque a revelação da Verdade é gradativa, dado o processo educativo dos seres em crescimento.

E como uma coisa leva necessariamente a outra, há pouco tempo adquiri um exemplar do livro O Evangelho Gnóstico de Tomé, do escritor espírita Hermínio C. Miranda, o qual comecei a ler pelo final, justamente o texto do tal evangelho, no qual encontrei várias passagens que confirmam as impressões acerca dos sinais e, mais que isto, sobre o fato de que nossos pensamentos são conduzidos na direção de outros pensamentos, estabelecendo tanto uma sintonia de propósitos quanto a veracidade das informações vindas do Alto.

O resultado é que ao final dessa leitura, feita numa viagem de ônibus entre Salvador e Feira de Santana, adormeci e, meio sonhando, meio em transe, vi seres passando a minha frente, mulheres em sua maioria, e uma delas aproximou-se e depositou-me um beijo na testa. Teria sido nada demais se eu não tivesse sentido materialmente esse beijo, que deixou em minha pele como que uma faísca elétrica no local beijado, deixando-me completamente enlevado. Considerei isto uma epifania...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reforma íntima

Francisco Muniz

Inevitável a reforma íntima, a transformação interior, naquele que já despertou para sua condição de espírito e se comprometeu quanto á vivência consciente de sua imortalidade. Inevitável porque não há outro caminho senão a mudança dos velhos hábitos, dos valores arcaicos, dos conceitos equivocados que distorcem a compreensão da verdade.
Em que consistirá, pois, essa reforma, essa mudança ou transformação senão na renovação dos princípios norteadores da boa caminhada? O homem muito conhece a respeito das coisas, mas bem pouco acerca de si mesmo - e é nesse aprendizado que ele deve se especializar a fim de que consiga ter sucesso nas transformações que é chamado a fazer em sua alma.
Quando o Cristo veio convidar a todos para o conhecimento da Verdade, foi nesse sentido que falou. Conhecer a Verdade a fim de que o Homem se veja livre, pois enquanto  isso não acontece ele está escravizado: é escravo da própria ignorância e da matéria que o embrutece. Urge, portanto, que se envidem os esforços em prol do autoconhecimento, para que o Homem, em se encontrando, reconheça-se filho do Altíssimo e passe a se comportar de acordo com essa condição representativa da Verdade imortal e absoluta.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O problema do mal


Léon Denis, o poeta-filósofo do Espiritismo, trata desse tema em seu livro "O problema do ser, do destino e da dor". O engraçado é que Denis divide sua obra em três partes: 1ª. - o problema do ser; 2ª. - o problema do destino; a terceira, esperava-se que fosse naturalmente o problema da dor, para fazer jus ao título e à proposta do livro, mas o arguto escritor explora "as potências da alma" no encerramento de seu trabalho. E é na segunda parte que ele considera o problema do mal, deixando claro, ou implícito, pelo menos, para nós que o problema do mal está na alçada da dor. Como preâmbulo de suas considerações, Denis inicia tratando da justiça e da responsabilidade, mostrando que é preciso estabelecermos as bases morais de nosso comportamento, ou de nossa passagem pela Terra, na compreensão das Leis Divinas, que nos impõem deterministicamente a necessidade de colhermos tudo o que plantarmos, ceitil por ceitil, como disse o Cristo.

domingo, 4 de março de 2012

Transformação

Francisco Muniz

Por que fazer poesia
neste mundo, mundo velho
se lições do Evangelho
são lições de todo dia
que renovam com alegria
a disposição para o trabalho?

Com o arado, rasga a terra,
aduba o solo e semeia
planta o amor fundo na areia
rega o bem que nunca erra
deixa a alma sempre cheia
das benesses das virtudes.

Pondera tuas atitudes
vê o que precisas melhorar
vive a vida sem esperar
que um dia o mundo te mude
viver é se autotransformar
sob o buril da vontade.

Proclamação

Francisco Muniz

Proclama, amigo, o amor
de teu Senhor
na jornada rude em que te
encontras
a fim de fazer-te merecedor
das glórias celestes.

Reparte o bem de que és
senhor
com aqueles que o necessitam
e verás quão grande será
teu galardão nos céus...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Um espírita retorna para a pátria espiritual

Desencarnou o médium baiano Newton Lima Simões Filho, vítima de um infarto fulminante no dia 24 de fevereiro. Fundador e coordenador mediúnico do Instituto Espírita Boa Nova, localizado no bairro de São Cristóvão, em Salvador, Newton Simões sempre teve a preocupação de levar esclarecimento sobre a Doutrina Espírita e auxiliar, incansavelmente, todos aqueles que buscavam ajuda espiritual na Casa. Sua passagem aconteceu aos 53 anos e seu corpo foi sepultado no cemitério Jardim da Saudade, após homenagem da família, amigos e assistidos. O Instituto Espírita Boa Nova retoma suas atividades neste sábado, 3 de março, às 16 horas.