sábado, 24 de janeiro de 2015

Sensatez

Um Amigo Espiritual


A maneira mais sensata de viver a vida na matéria é desenvolver a consciência espiritual, razão maior de cada criatura presente no ambiente planetário. O homem só se realizará em humanidade quando estiver convicto de sua filiação divina e compartilhar sua realidade de Espírito com os demais companheiros de jornada. Tal é o sentido da máxima recomendação de Jesus esboçada no "amai-vos uns aos outros".
Enquanto não manifestar essa condição - de espírito imortal estagiando momentaneamente na realidade material -, o homem estará perdido de si mesmo, ainda quando realize experiências no campo da religião.
É necessário, portanto, que as luzes do Evangelho, trazendo para mais perto as doces emanações do Cristo através de suas propostas libertadoras, sejam buscadas, percebidas e sentidas com cada vez mais intensidade, como forma de fazer valer os esforços do Alto em prol da transformação da Humanidade inteira, bem como o empenho de cada um, particularmente, com relação a esse desiderato.
É hora, pois, de apressar os passos...

Anotações sobre a obsessão cibernética

Francisco Muniz


Vi recentemente (em abril ou maio de 2005) o filme “The final cut”, produção hollywoodiana que no Brasil recebeu o título de “Violação de privacidade”, embora sua tradução literal, de conformidade com o tema abordado (“A edição final”, ou “O corte final”) fosse bem mais apropriada. Considerei o filme um tanto mal realizado, por parecer incompreensível e sem substância, além de explorar um tema melhor tratado pelos realizadores de “O show de Truman”, por exemplo. Ainda assim, foi-me útil o bastante para fundamentar estas linhas, para dizer algo que vem ocupando minha mente há algum tempo.

Durante uma boa parte de minha vida atuei, como jornalista que sou, na editoria geral de dois jornais, na função de repórter de plantão. Essa atividade, conquanto seja um modo de facilitar o acesso dos leitores – e da população em geral – a uma resposta qualquer a um problema concreto, no plano material, mesmo que seja de cunho pessoal, algumas vezes descamba para as facetas de um consultório sentimental. Assim foi que uma vez, preparando-me para encerrar a jornada diária, recebi a visita de uma moça, jovem ainda, que acusava visível perturbação psíquica, coisa que se acentuou quando começou a falar. E o que ela disse surpreendeu-me pelo inusitado.

Segundo essa moça, ela tinha consciência de que espíritos obsessores lhe haviam implantado um microchip para que a pudessem controlar ciberneticamente, ou seja, com o uso de um aparelho de controle remoto. Por isso, disse a consulente, ela já não era mais dona de sua vida, que ia de mal a pior. Nessa época, eu já havia iniciado meus estudos no campo do Espiritismo, mas não tinha qualquer noção sobre os meandros da obsessão, de modo que tudo que pude lhe dizer, com o intuito de ajuda-la, foi que procurasse uma casa espírita perto de sua residência, a fim de buscar ajuda especializada. Indo ao jornal, ela pensava que uma reportagem sobre seu “caso” auxiliaria encontrar um médico que a operasse, retirando o chip indesejado.

Bem, morando essa moça praticamente no mesmo bairro que eu – eu a via quase que constantemente andando pelas ruas, esperando o ônibus, às vezes tomávamos o mesmo coletivo e, com o passar do tempo, notei que ela já parecia melhor, pois ia ao trabalho e não deixava transparecer nada que a perturbasse, pelo menos durante o trajeto da viagem. Também não parecia me reconhecer e, interessado em saber de seu real estado, mas sem querer me identificar, para não constrangê-la, um dia, aproveitando que seguíamos no mesmo ônibus, aproximei-me dela e ofereci-lhe um livro de mensagens espíritas, obtendo em troca um simples mas significativo “obrigado”.

Não sei se por coincidência – pois de acordo com as teorias de C. G. Jung coincidências não são mais do que sincronicidade –, dias depois de minha conversa com essa moça um vizinho me confidenciou preocupações semelhantes. Mas também nesse caso meu comportamento foi de bastante reserva, principalmente em função de ser esse vizinho dado ao hábito de ingerir alcoólicos. Mas a pulga já se instalara atrás de minha orelha e por isso fiz algumas inquirições aqui e ali que não resultaram proveitosas, de modo que interrompi a pesquisa.

Há pouco tempo (abril/maio de 2005), contudo, li numa dessas revistas de fofoca que estão na moda hoje em dia (início do século XXI!) uma entrevista da cantora Elba Ramalho em que ela afirmava um dia ter tido interesse por temas ufológicos mas esfriara seu entusiasmo quando soube que “alienígenas do mal chipavam seres humanos”. Ante tantas informações, é natural que sejamos tentados a ligar os fios que acendem a curiosidade e daí passemos a pesquisar um pouco. Assim, com o filme estrelado por Robin Williams é possível tentar somar dois mais dois. Então, vamos lá.

Vale perguntar, inicialmente: há possibilidade de se “chipar” alguém? A resposta é sim, mas não, a princípio, da maneira como a direção inicial deste texto pode fazer supor. É que, com o avanço vertiginoso da ciência, em todas as áreas, principalmente na medicina, o homem tem conseguido realizar façanhas dignas do pensamento futurista de um Isaac Asimov, por exemplo, fazendo com que as antigas fantasias da ficção científica mais não sejam que verdadeiros preâmbulos do que poderemos encontrar num futuro não tão remoto.

Assim é que atualmente, ao menos nos Estados Unidos, os cientistas já realizam implantes de chips em seres humanos com o fim de monitorar e controlar alguns fatores orgânicos passíveis de distonias e evitar o aparecimento de enfermidades. Alguns desses chips podem até mesmo processar substâncias a partir das proteínas e hormônios corporais e liberá-las em forma de medicamentos para a necessidade que se apresente – isto é, atuando sobre o pâncreas, por exemplo, poderiam produzir ou inibir a produção de insulina. Vê-se, então, que tal “chipagem” é revestida de boas intenções. E quanto à oposição? Vejamos.

Naquela ocasião, aproveitando uma visita do médium, escritor e expositor espírita mineiro Wanderley de Oliveira a Salvador, comentei com ele minhas dúvidas a respeito do tema e Wanderley pediu-me que lhe enviasse por e-mail os questionamentos pertinentes. Em resposta, ele me transmitiu a seguinte resposta:

“Caro Francisco Muniz. Paz e alegria.

Já deixo a indicação da obra "Aruanda" de Robson Pinheiro para sua leitura. Além dela, as obras do Dr. Lacerda sobre Apometria.
Confesso com sinceridade que tenho mais perguntas sobre o tema que certezas.
Procurarei, sem qualquer pretensão, dar alguma contribuição às suas magnifícas perguntas, deixando claro que estamos em uma caminhada muito nova nesse terreno.
Seu projeto é rico de intenção. Que fique claro apenas um ponto: não vejo outro caminho para aprofundamento do tema a não ser pela experimentação em pessoas que necessitam de auxílio, e pelo questionamento dirigido às entidades espirituais. É o que mais temos feito nesse aprendizado e que resulta no pouco que sabemos.
Siga-me abaixo no seu próprio texto.

Wanderley

1. Sendo possível o implante de "chips" nos encarnados, pelos espíritos trevosos, como isso se processa?
WANDERLEY: através de imantações magnéticas no corpo físico ou durante a emancipação pelo sono no perispirito. Em Aruanda existem exemplos mais complexos desses dois pontos.

2. Quais as consequências provocadas por tais implantes?
WANDERLEY: mudança de conduta através da mutação no campo dos sentimentos ou ainda perturbações vibratórias nas moléculas que poderão somatizar como doenças.

3. Como são retirados? Há um tratamento específico?
WANDERLEY: através de técnicas que os espíritos têm nos ensinado. São verdadeiros atos cirúrgicos energéticos nos chacras ou na região onde foram implantados. Tudo feito através do toque no corpo físico, seguido de algumas técnicas de apometria.

4. Como o encarnado se "candidata" a um implante?
WANDERLEY: pela lei mais natural da vida, a sintonia em torno daquilo que ele busca.

Caro Wanderley, espero não tomar muito de seu precioso tempo com minha solicitação e, embora fosse bastante satisfatório obter essas respostas, ficarei contente até mesmo se você apenas me indicar um livro para estudo.
WANDERLEY: Se tiver alguma outra experiência a trocar, estou à disposição.”


A propósito, a leitura do livro Aruanda, bem como de outras obras da autoria de Robson Pinheiro, não me ofereceu o esclarecimento pretendido, porquanto os autores do trabalho apenas relatam o fato e na conclusão não se explica como o tal chip fora retirado ou se realmente fora feita essa extirpação, de forma que permanecemos na dúvida e nas reticências. Além do mais, tanto Robson Pinheiro quanto Wanderley de Oliveira condicionam tais episódios a uma certa "magia" exercitada por aqueles a quem chamam de "magos trevosos". A essa magia eles chamam de "goécia". Se é magia, qual o sentido de utilizarem "chips", quando sabemos, por André Luiz (Espírito), por exemplo, que os inimigos do Bem se valem dos ovóides para consumar seus propósitos maléficos sobre os encarnados que se lhe ofereçam oportunidade de ação? Quanto à apometria, essa técnica curativa está longe ainda de se evidenciar como terapêutica realmente espírita e assim vemo-nos até aqui carentes de luz, ao menos nessa área.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sonho sonhado

Francisco Muniz


Os sonhos são algo muito mais complexo do que imaginam os tratados de psicologia. Para aqueles que admitem a existência e a vida do espírito independentemente da atividade corporal, isto é, do ponto de vista restrito da vida material, os sonhos são a real expressão da emancipação espiritual. As lembranças trazidas dessa experiência - e às quais chamamos de sonhos - são uma pequena parte da atividade que o espírito desenvolve enquanto seu corpo repousa da agitação diária. De acordo com alguns relatos, o sono, muitas vezes, são verdadeiros transes que resultam em cometimentos mediúnicos no plano astral. Em seu livro "Recordações da mediunidade", a médium brasileira Yvonne do Amaral Pereira narra, num dos capítulos, a importância dos sonhos para os estudantes do Espiritismo e pesquisadores dos fatos mediúnicos em geral.

Sonhares

Jorge Luis Borges, o grande escritor argentino, era fascinado por sonhos, como tudo que envolvesse mistérios. Ele como que colecionava, em vários de seus livros, sonhos sonhados por vários povos, num trabalho antropológico de relacionar pontos em comum entre diversas culturas, e isso era como abrir uma janela para pesquisar o sonho da Humanidade. Tal procedimento, entretanto - é bom convir -, só mistificava ainda mais a matéria onírica. É de convir, também, que não poderia ser outro o resultado, se analisarmos que a mística em torno dos sonhos vai direto a sua essência, ou seja, à própria alma. É a alma quem vive a experiência cuja recordação é o sonho. Outros autores, inclusive psicólogos do porte de Carl G. Jung e o "pai da psicanálise", Sigmund Freud, chegaram perto desse entendimento, mas um certo receio os fez interromper a marcha. Jung, ao menos, conseguiu intuir a teoria dos arquétipos, antevendo que a lógica vivenciada nos sonhos é, digamos, diametralmente oposta à que utilizamos na vida de relação, o que nos deixa livres para pensar que a linguagem dos sonhos é quase sempre simbólica - é preciso buscar sentidos ocultos em cada imagem visualizada na paisagem onírica. Enquanto não se chega ao entendimento completo, é fazer como disse Shakespeare: "...deitar, dormir, sonhar, talvez...".

Sobre sonhos e sobressaltos

Pesadelos. Sonhos que causam extremo e mediano incômodo. Embora os fisiologistas disponham de um arsenal de justificativas para casos assim, preferimos a explicação espírita para tais fenômenos. Dizem os Espíritos (vide O Livro dos Espíritos) que, uma vez que somente o corpo necessita de repouso, o sono nada mais é que a oportunidade que o espírito (a alma dos seres viventes na Terra) tem de se libertar um pouco, indo ao encontro de outros que lhes sejam afins. Como os sonhos são a lembrança desses (re)encontros, os pesadelos indicam a qualidade das experiências realizadas pela alma durante o sono corporal. Melhor explicando: há um axioma, entre os espíritas, que diz que semelhante atrai semelhante; sendo assim, se tenho um pesadelo, logicamente encontrei-me com aqueles com quem tenho afinidade. Mas, então, por que o incômodo? Para entendermos essa peculiaridade será preciso saber que gênero de afinidade une os espíritos. Mais que os gostos, trata-se de uma afinidade moral, isto é, o estado mental/espiritual a condicionar os encontros - noturnos ou não -, sem levar em consideração o desejo, muitas vezes sincero, de se melhorar que o sonhador abriga intimamente. Mas justamente por isso, frequentemente, este terá pesadelos, até que o(s) outro(s) perceba(m) que o sonhador (espírito encarnado) está seguro de suas intenções e firme em seus propósitos de renovação e talvez por isso o deixe(m) em paz.

Ilusão, fantasia e sonho

Muitas pessoas fazem confusão entre essas três instâncias da mente. Melhor seria dizer, em vez de instâncias, inconstâncias. E aqui tomamos o sonho segundo a (falsa) interpretação da palavra, para não incorrermos em mais confusão. Mas podemos pôr as três palavrinhas no liquidificador da realidade e a sopa que resultará disso será tão-somente a ignorância, o desconhecimento acerca dos fatos conscienciais que fazem o homem alhear-se de si mesmo, de sua essência mais íntima, porque não sabe quem é, efetivamente. Então vive a sonhar, perdido em fantasias e mergulhado na ilusão do que pensa ser. É necessário, pois, passar essa sopa pela peneira (ou filtro) do discernimento, para que a ignorância transcenda à sabedoria. O homem esclarecido saberá, então, que, nesta acepção, o sonho é a perpetuação de antigos desejos que não pode realizar, os quais sua mente elabora fantasiosamente e ele como que vive imerso nessa condição ilusória até que a verdade faça desmoronar seu castelo de areia. É bom sonhar, dizem, esquecidos (porque intimamente talvez saibam) de que "sonhos" são etapas de planejamento de uma condição futura. E planejamentos não são necessariamente concretizados, principalmente quando faltam bases sólidas. Sonhar, então, em casos assim, poderá ser mera perda de tempo. É preciso envidar esforços em realizações concretas e alvissareiras, em benefício não apenas de um só, mas de todos, de modo que aqueles que sonham com primazias e benesses estão dando vazão apenas a sua condição egóica e carente de sentido.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Se você pensa... pense bem!

Francisco Muniz


Se você pensa que dar cabo da própria vida, cometer suicídio porque sua vida não está indo pelo caminho que lhe poderia parecer mais atraente, pense bem: a morte não o livrará dos problemas; pelo contrário, você terá, fugindo da vida, um problema a mais na consciência. Problema é para ser resolvido - não adianta fugir. Nesse caso, a solução, cada vez que é adiada, vai ficando sempre mais difícil.
Pense bem.
Porque a verdade é que a vida não acaba, ela não tem fim. O que morre é o corpo e o corpo não é a pessoa, que encontra sua real expressão na alma imortal. Você não tem uma alma, sua alma é você mesmo! Portanto, se você é imortal, viverá sempre, de modo que seu comportamento aqui condiciona seu estado “lá”, do outro lado da vida.
Pense bem, porque a vida é uma questão de bom senso. Use a razão: não fuja dos problemas, pois, se eles são seus, ninguém pode resolvê-los por você. E se você ainda não sabe solucionar as questões mais tormentosas da vida, aprenda! A vida é um eterno aprendizado e você veio à Terra para aprender.
Pense bem!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sempre o perdão

Francisco Muniz


A cada vez que abrimos o precioso livro que é O Evangelho Segundo o Espiritismo, uma lição nos salta ao entendimento, embutida em cada um dos tópicos elaborados por Allan Kardec sob a assistência dos bons Espíritos: "Perdoai para que Deus vos perdoe". O doce apelo do Cristo nos remete à mais bela e proveitosa ação caritativa - a prática do perdão incondicional, como forma de fazermos valer nossa presença na Terra como espíritos reencarnados necessitados do reajustamento perante as divinas leis.
Perdoar, assim, é tarefa da primeira hora e para tanto a Misericórdia Divina nos oferece a todo instante as oportunidades de bem a executarmos, seja nas experiências difícies no ambiente familiar, seja nas diversas situações da vida relacional. Encontramo-nos spresentemente num mundo de provas e expiações compatível com nossa condição evolutiva e por isso não podemos fugir a esse desiderato, uma vez esclarecidos a tal respeito.
Há que perdoarmos, portanto, a todos que de alguma forma nos ofenderem, maltratarem ou atentarem contra nós por qualquer meio; devemos perdoar a todas as pessoas indistintamente, por qualquer coisa que nos façam, para que depressa transitemos da condição inferior para o padrão imediatamente superior de nossa jornada em prol do crescimento espiritual.
Pelo exercício do perdão somos instados a cumprir a Lei de Deus, observando que a cada reencarnação temos ocasião de desculpar os erros do próximo e também pedirmos desculpa para os equívocos que nós mesmos cometemos. Compreendemos que a observância da Lei de Amor não prescinde do perdão e que por ele desenvolvemos os caracteres da perfeição a dim de nos tornarmos homens de bem.
Do mesmo modo, enxergamos nessa prática o móvel da missão do homem inteligente na Terra, entendendo que o perdão se faz tanto a encarnados quanto a desencarnados, a amigos e pretensos inimigos, especialmente aos criminosos, como a mais sublime forma de caridade apregoada e exemplificada pelo Cristo Jesus.
Por esse impositivo o abnegado instrutor espiritual Bezerra de Menezes nos dá esta orientação, através da abençoada mediunidade de Divaldo Franco: "Espíritas, o tempo urge. Amai. Se não puderdes amar, perdoai. Se o perdão encontrar obstáculo, desculpai; se houver dificuldade em desculpar, tende misericórdia de vossos irmãos".
Como se percebe, o perdão é atitude de subida importância na economia do Espírito e sua necessidade se prende ao nosso anseio, mesmo inconsciente, de evoluir. Não percamos tempo, então, e façamos o imprescindível exame de consciência, ampliando-a para a compreensão dos divinos desígnios, e ao mesmo tempo abramos o coração para incluirmos todas as criaturas em nossa aventura no rumo do infinito...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A prosa da poesia

(comentário ao livro “Poemas ecológicos”, ainda inédito, de João Fernando Gouveia)
Francisco Muniz



Talvez, somente os iletrados não saibam do poder penetrante da poesia, de sua capacidade inclusive de promover transformações sociais, numa revolução silenciosa que acomete povos, culturas e nações Humanidade a fora. Um belo exemplo do que falamos é o Sermão do Monte, obra prima da poética celestial pronunciada pelo Cristo, que a escreveu nos ventos que ainda sopram sobre nós, cativando-nos pelo poder do Amor.
A poesia – e aqui falamos tão somente da arte poética, e não de seus produtos de manifestação, os poemas, embora não tenhamos nenhuma autoridade para tanto – é meio de comunicar ideias sentimentais, tanto quanto a música, que talvez seja a forma de poesia mais sublime de que o homem seja capaz para aproximar-se da dimensão divina.
Nesse sentido, João Gouveia sabe muito bem como arranjar as palavras, os versos e as imagens de sua mente esclarecida e de seu coração sensível para nos transportar às paragens de mundos diáfanos só percebidos ou pela imaginação ou pela transcendência, quando a alma eleva-se do chão do planeta e alcança os alicerces do próprio Céu...
No entanto, a deste livro é uma poesia diferente, pois tem o condão de nos transportar daqui para... aqui mesmo! Dizemos melhor: João, com seu sábio dizer, coloca-nos ao rés do chão do planeta e, deste cantinho do Brasil, redescobre o país pela cartografia das imagens, fazendo a costura esmiuçada do caleidoscópio das paisagens e, numa toalha estendida sobre a maciez da relva, executa seu primoroso bordado, sob a luz tênue do alvorecer...
Poesia é arte divina e quem souber descortinar-lhe os mistérios trará para mais perto do chão a harmonia sideral, fazendo os anjos coabitarem com os homens. Talvez pareça fácil juntar palavras aleatória ou planejadamente e assim compor um poema; mas só os poetas verdadeiramente imbuídos desse dom poderão extrair som e cor de palavras despretensiosas e envolvê-las num clima tal que de simples versos ressaltam outros mundos e o que era aparentemente conhecido ganha novos tons, velhos conceitos se redefinem e eis o encanto!

Aqui vemos um João amadurecido em seu amor pela dama Poesia (sim, as Musas o acompanham desde sempre!) e com ela pisando um chão tão seu conhecido sem precisar de mapas, pois é ele quem os faz para o viajante leitor. O amor pela Vida, pela Natureza, pela Mãe Terra é a bússola cuja agulha imantada atrairá mentes e corações para as verdades que João aponta em seu bordado: o planeta e sua beleza, sua alegria e sua capacidade de doação se esgotam, exigindo dos homens, seus inquilinos, um esforço consciente de renovação em prol de uma convivência mais responsável, para que a Poesia consiga se manter um pouco mais por aqui, sustentada pelo amor de todos, plantas, pedras, bichos, gente...

De bem com a vida

(texto das orelhas do livro “Otimismo e atitude sempre”, de João Fernando Gouveia)
Francisco Muniz



Cremos que o humor seja a maneira mais expressiva de o homem manifestar seu posicionamento perante a vida. O fato de podermos rir de nossas angústias ou das situações mais estapafúrdias revela nossa disposição em levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima toda vez que cairmos. Ainda que por vezes alguém, mal humorado, teime em se manter no chão, com a falsa crença de que assim evitará nova queda...
William Ward cunhou um aforisma: “O pessimista se queixa do vento; o otimista espera que ele mude; o realista ajusta as velas”. Vemos nele uma verdade holística. Afinal, o realista parece abarcar mais amplamente a dimensão das coisas e das circunstâncias, ajustando suas condições à realidade dos fatos, transcendendo a horizontalidade da situação meramente material. É que, nesse caso, o realista vê mais longe do que permite o momento presente. Sua percepção alcança o patamar cósmico e ele compreende sua própria dimensão transpessoal, procurando posicionar-se no hoje que é também amanhã, é futuro, ou seja, o passado transmudado em conhecimento pelas lições que deixou no presente que se aproveita convenientemente, sem espaço para tergiversações: ele constrói sua vida, influenciando outras, da melhor maneira possível, do modo mais proveitoso e estimulante que consiga.
Será desnecessário comentar a posição do pessimista, preso no negativismo da incompreensão que o afasta daquela dimensão cósmica da vida, mesmo que momentaneamente, pelo simples desconhecimento de si próprio.
Falemos, pois, do otimista para consubstanciar esta introdução ao trabalho de João Fernando Gouveia, ele também um otimista incorrigível, graças a Deus, pelos motivos que traçaremos a seguir.
É do otimista o manter-se na expectativa vibrante do melhor, na certeza nem sempre consciente, porém, de que tudo vai melhorar. É mesmo um sentimento quase instintivo, pois sabemos  que tudo tende ao progresso, ao aperfeiçoamento, ainda que aos olhos imediatistas tudo pareça estar indo a pique. O otimista, então, tem esperança, uma fé inquebrantável num futuro feliz. Sabe, lá no íntimo, que é preciso navegar, muitas vezes em meio à tempestade, porque os desafios são parte importante da vida e superá-los sempre é viver.

Por isso, o otimista é o preâmbulo, a etapa anterior do realista. A ele compete içar as velas, manter o leme firme no rumo traçado e aproveitar o vento: navegar, conforme ressalta o escritor Luiz Gonzaga Pinheiro, “que a casa do navegador é o oceano”. É disso, dessa força impulsionadora do vem viver, que João Fernando Gouveia fala neste seu novo livro, da possibilidade concreta de modificar as situações adversas, através do escorço consciente e da vontade determinada. Todos somos capazes de realizar grandes feitos, podemos deixar de nos arrastar no chão e alcançar as estrelas e saber disso nos torna verdadeiramente otimistas e, mais que isso, prazerosamente realistas.

A Bíblia como ela não é

(prefácio ao livro “A Bíblia à moda da casa”, de Paulo Neto)
Francisco Muniz

 


Nos anos 1970 do século XX, o escritor Terça-Feira Lobsang Rampa, pseudônimo de um médico inglês que se dizia a encarnação de um monge tibetano, fez bastante sucesso com uma série de livros em que apresentava conceitos científico-filosófico-religiosos assaz interessantes ao ponto de mobilizar a opinião pública. Se hoje seus ensinamentos – que Rampa considerava verdadeiros (e compete-nos a todos analisá-los fria e profundamente para se chegar a essa conclusão) – estão esquecidos, é que grande parte do mundo ocidental se pauta, lamentavelmente, por critérios materialistas que bem pouco ajudam no entendimento dos temas próprios da espiritualidade.
Um desses conceitos defendidos “cientificamente” por  Lobsang Rampa é justamente a reencarnação, princípio que muitos se recusam a aceitar, principalmente os religiosos sistemáticos, sob o argumento de que certas passagens bíblicas apontam para rumo contrário a esse entendimento. “Ao homem foi ordenado morrer uma só vez”, dizem, sem atentar para o fato de que, apesar da ordem de morrer uma única vez, é forçoso também renascermos tantas vezes sejam necessárias para nosso aperfeiçoamento espiritual. Mas é uma questão de tempo até todos estarmos de acordo em relação a esse ponto.
Voltemos a Rampa, que em seu livro Luz de Vela (Record, 1973, 6ª ed.) diz textualmente: “Cristo também ensinava a reencarnação e, se as pessoas que leem a Bíblia a lessem de espírito esclarecido (grifo nosso), entenderiam todas essas coisas”. Muitos outros autores, leigos ou não, têm dito a mesma coisa, mas citamos Rampa justamente porque em sua obra ele, sem ser espírita, toca num aspecto há muito martelado pelos estudiosos do Espiritismo, para o qual os religiosos sistemáticos fecham olhos e ouvidos: o da sucessiva transliteração do chamado “livro sagrado” ao longo dos tempos, atendendo a interesses de grupos poderosos em detrimento do ensino da Verdade.
No mesmo trecho de seu livro citado, Rampa pondera: “Também deviam levar em consideração o fato positivo de que a Bíblia agora não é como originariamente, nem era para ser. A Bíblia foi traduzida, retraduzida, mal traduzida, refeita e publicada em milhares de edições”. Cegas e surdas aos apelos esclarecedores, as pessoas se deixam levar pela fantasia criada por quem as quer no caminho do atraso e da ignorância e, qual rebanho sem condutor firme, seguem quem está à frente em direção ao abismo. “A Bíblia”, diz Rampa, “deveria ser considerada uma declaração geral de política e não um relato detalhado do que aconteceu. É um livro bastante bom, mas a pessoa tem de usar o bom senso ao ler um livro que é tão velho e tão diferente, em concepção, do que foi planejado originariamente”.
Se Lobsang Rampa não serve aos propósitos de esclarecimento, pelo peso religioso (ou místico, diriam alguns) de seus escritos, observemos os leigos. A revista Superinteressante (Ed. Abril) de agosto deste ano [2000], em reportagem intitulada “A doutrina do deserto”, sobre os essênios, trata do trabalho do pesquisador húngaro Edmond Szekely, que em 1923 obteve permissão para revolver os arquivos secretos do Vaticano. Szekely “estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado, vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre”. Suponhamos que tais documentos tenham feito parte, algum dia, da Bíblia original...
A mesma reportagem cita ainda a alegria do reverendo inglês Gideon Ouseley, que em fins do século XIX (1880, mais exatamente) encontrou num monastério budista da Índia um manuscrito chamado O evangelho dos doze santos, escrito em aramaico – a língua que Jesus falava. “Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Jesus era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo.” Sem defender a informação acerca do envolvimento de Jesus com os essênios, seita judaica existente ao tempo do Messias, é bom frisarmos que, conforme o artigo, o reverendo pagou um preço muito alto por sua descoberta: em plena era vitoriana, suas palavras desagradaram os conservadores e este atearam fogo em sua casa, destruindo o original daquele “evangelho”.
Tudo isso mostra a dificuldade em se jogar luzes sobre a Verdade, o que o Espiritismo tem por missão realizar.
Eis aqui, pois, uma colaboração ao entendimento de temas religiosos dos mais necessários. A compreensão que se espera ter da Bíblia é pré-requisito indispensável nos questionamentos feitos no âmbito dos grupos de estudo espíritas, nos quais parte dos frequentadores é oriunda ou influenciada pelos conceitos gerados nos grupamentos católico e protestante e, por isso, ainda condicionados a uma visão peculiar a respeito do chamado livro sagrado.

Escrita de maneira notavelmente didática, esta obra de Paulo da Silva Neto Sobrinho – fruto do esforço desenvolvido sob a inspiração do Alto, acreditamos, tal a simplicidade que ele conseguiu imprimir em seu trabalho – em muito contribuirá para a leitura e entendimento da Bíblia de maneira desapaixonada, mas presa ao amor da busca pela verdade que anima o estudioso consciente de suas responsabilidades e da importância do trabalho que tem a desempenhar. 

Pace, pacem, pax

(prefácio ao livro “A paz que precisamos”, de João Fernando Gouveia)
Francisco Muniz



Com o slogan “A paz está em nossas mãos”, a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) celebrou em 2000 o Ano Internacional da Cultura de Paz, iniciativa decorrente da crença da ONU segundo a qual o mundo pode viver sem violência. A paz é sempre possível e a violência evitável, reza a declaração do Programa de Ação pra uma Cultura de Paz, estabelecido durante a 53ª sessão da Assembleia Geral da entidade, no dia 13 de setembro de 1999.
A citada declaração define cultura de paz como um conjunto de valores, atitudes, tradições e modos de comportamentos baseados no respeito à vida, no fim da violência, na promoção e na prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; respeito total e promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; comprometimento com a pacificação de conflitos e uma série de outros fatores propiciadores  dessa cultura de paz.
Essa preocupação com a transformação de valores que levem à adoção de atitudes pacificadoras já alcança todos os quadrantes do planeta e eis por que se intensificam os conflitos belicosos, violentos, como a evidenciar os estertores das forças contrárias ao Bem. O Bem, a rigor, predomina sempre e a Paz é sua filha mais legítima, companheira daqueles que lutam abnegadamente pelo engrandecimento dos ideais de nobreza que devem conduzir a Humanidade a futuro promissor, seja no campo das realizações materiais, seja nas conquistas do Espírito.
Desse modo é que saudamos com alegria as investidas de espíritos valorosos como João Fernando Gouveia, que externa seu compromisso com essa cultura de paz que a ONU agora torna oficial, porque amplamente de acordo com os anseios transformadores da grande maioria silenciosa que reclama de si mesma atitudes em benefício de um mundo melhor.
Sabendo que o mundo não terá paz enquanto as pessoas não se pacificarem a si próprias, cada vez mais homens de boa vontade têm se empenhado em prol de ações concretas dirigidas à formação da cultura de paz na comunidade em que estão envolvidos. É um dos inúmeros exemplos o Movimento Você e a Paz que Divaldo Pereira Franco desenvolve em Salvador, integrando representantes de todos os segmentos da sociedade civil organizada, com o claro propósito de formar multiplicadores da paz.

O livro de João Fernando Gouveia soma-se a tais apelos como um instrumento valioso para reflexão de quantos se interessem em ser mais um fomentador de atitudes pacificadoras, principalmente através da adequação de valores compatíveis com as necessidades da vida comunitária atual, quando tantos padecem agressões resultantes dos conflitos interiores. Um livrinho no tamanho, mas uma obra gigantesca no conteúdo, para aqueles que têm “olhos de ver”, como frisou uma vez um certo Galileu, de cujos ensinamentos estamos todos carentes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Nossas "gotas de realização"

Francisco Muniz


Diz-nos o Intrutor Alexandre, no livro Missionários da Luz (André Luiz - F. C. Xavier), que os esforços da Espiritualidade junto aos ttrabalhadores da mediunidade se concentram mais frutuosamente nos círculos dos desencarnados infelizes, porque os encarnadoss, em grande parte, não se dispõem, "mesmo aqueles que já se interessam pela prática espiritista, ao aproveitamento real dos valores legítimos de nossa cooperação". E ante a perplexidade de André ele explica: "É muito lenta e difícil a transição, entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior. Nesse sentido, há sempre, entre os homens, um oceano de palavras e algumas gotas de ação."
Tais ensinamentos fazem com que observemos com um pouco mais de atenção nosso comportamento de espíritas - e médiuns! - tanto no ambiente de nosso aprendizado espiritual, especificamente na intimidade da sala mediúnica, quanto nos diversos setores da sociedade onde atuamos, muitas vezes perdendo de vista nossa condição, digamos, religiosa.
Estamos sujeitos a todas as vicissitudes do mundo físico, o que quer dizer afetos a todo tipo de tentações, e por vezes nos deixamos levar pela onda de certos acontecimentos, geralmente os mais banais, e sem querer, inconscientemente traímos nossos propósitos de renovação interior. Convém frisar que isso só acontece quando tais propósitos não estão suficientemente lastreados na vontade firme, posto que o conhecimento não nos falta.
Movimentamo-nos, então, no oceano de nossas próprias palavras, produzindo apenas algumas gotas de realizações no bem, o mesmo bem que gostaríamos nos acompanhasse o tempo todo. Mas fica fácil deduzir que o "oceano de palavras" a que se refere o Instrutor Alexandre, em vez de nos plenificar, resultando em convicção acerca de nossas verdadeirs necessidades de espíritos imortais, acaba por nos afogar na ilusão de nós mesmos.
E a causa, como bem salienta o orientador de André Luiz, é a grosseira animalidade em que nos fixamos, quando temos o dever de transitar com alguma urgência para a espiritualidade superior, nas 24 horas de nosso dia, pelo menos.
Ao médium espírita cabem tarefas que ele é chamado a desempenhar o tempo todo, onde esteja e junto a qualquer pessoa, no tocante à incessantes prática da caridade em seus múltiplos desdobramentos. Para tanto ele contará sempre com o concurso dos bons espíritos, desque que se ponha favoravelmente a esse auxílio.
Pois não é a mediunidade propriedade do médium, mas ferramente de que a Espiritualidade se servirá para derramar sobre a Terra todo o acréscimo de misericórdia a que os necessitados da alma fazem jus, mercê da Providência Divina.
Instrumentos dos Espíritos, portanto, os médiuns devem sê-lo o mais conscientemente possível, a fim de nos tornarmos, hoje ainda, verdadeiros missionários da luz. Afinal, como dizia o saudoso Chico Xavier, "Deus nos concede,a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela corre por nossa conta".

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Hora de descer a ladeira

Francisco Muniz


No dia de Natal, o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do Centro Espírita Deus, Luz e Verdade, fez, como já é tradição, sua comunicação aos trabalhadores e frequentadores da Casa. Em sua mensagem, marcada por forte conclamação à vivência da paz conscientemente, o Mentor convidou a todos a "descer a ladeira", a fim de observarmos os irmãos desvalidos que padecem as agruras dos vícios e os tormentos da indiferença da sociedade para com sua situação. O convite de Irmão Jerônimo se justifica porque o CEDLV fica no alto de uma ladeira e lá embaixo, no vale, grupos de sem teto mendigam e se comprazem no uso de drogas, apresentando aos olhos dos passantes sua condição de promiscuidade social.
Somente descendo a ladeira, simbólica e efetivamente, é que validaremos o Natal de Jesus, a força poderosa cujas luzes resplandecem em energia plasmada sobre todos nós, os homens de boa vontade que assim glorificaremos a Deus nas alturas. Mas, para essa descida, como mostrou o Cristo na mensagem do Tabor, é preciso antes subir, elevarmos a alma à dimensão divina, para que na esfera humana possamos agir com proveito em favor dos irmãos necessitados, colhendo com isso os frutos maduros do trabalho enobrecedor. Afinal de contas, conforme diz Emmanuel, "se a misericórdia divina já te permite pisar na seara espírita, não te limites à prece"...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Assim dizia Paracelso...

A título de esclarecimento, Paracelso, ou melhor, Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, foi um médico, físico, astrólogo, ocultista e alquimista suíço-alemão que viveu no século XV. Como médico, deu continuidade aos estudos de Hipócrates, considerado "o pai da Medicina", e sua contribuição seria aperfeiçoada mais tarde, no século XVIII, pelo alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann, a quem se deve a criação da Homeopatia. 
De acordo com o escritor espírita brasileiro Hermínio Miranda, essas três personalidades vestiram o mesmo Espírito, porquanto o próprio Hahnemann declarara,numa evocação na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, através da mediunidade de Madame W. Krell, ter sido outrora Paracelso, cujo pensamento reguarda uma preciosa filosofia de vida, de modo que as orientações seguintes são um primor de reflexão espiritual. 
Segundo Hermínio concluiu, sendo quase impossível que um Espírito missionário qual Hipócrates realize uma obra tão monumental quanto a ciência médica numa só encarnação, ele retorna para complementá-la em sucessivas reencarnações. 
Desse modo, Hahnemann consolida na era contemporânea o que o sábio grego iniciou na Antiguidade e Paracelso continuou na Idade Média...


I

"Se por um espaço de alguns meses observares rigorosamente as prescrições que se seguem, ver-se-á operar, em tua vida, uma mutação tão favorável que nunca mais poderás esquecê-las. Mas, meu irmão, para que obtenhas o êxito desejado é mister que adaptes tua vida à estrita observância destas regras. São simples e fáceis de seguir, mas é preciso observá-las com a máxima perseverança. Julgarás que a felicidade não vale um pouco de esforço? Se não és capaz de pores em prática estas regras, tão fáceis, terás o direito de te queixares do destino? Será tão difícil a tentativa de uma prova? são regras legadas pela antiga Sabedoria e há nelas mais transcendência do que simplicidade, como parece à primeira vista.

II

"Antes de tudo, lembra-te de que não há nada melhor do que a saúde. Para isso deverás respirar, com a maior frequência possível, profunda e ritmicamente, enchendo os pulmões, ao ar livre ou defronte de uma janela aberta. Beber quotidianamente, a pequenos goles, dois litros de água, pelo menos; comer muitas frutas; mastigar bem os alimentos; evitar o álcool, o fumo e os medicamentos, salvo em caso de moléstia grave. Banhar-se diariamente é um hábito que deverás à tua própria dignidade.

III

"Banir absolutamente de teu ânimo, por mais razões que tenhas, toda ideia de oessimismo, vingança, ódio, tédio ou tristeza. Fugir como da peste ao trato com pessoas maldizentes, invejosas, indolentes, intrigantes, vaidosas ou vulgares e inferiores pela natural baixeza de entendimento ou pelos assuntos sensualistas, que são a base de suas conversas ou reflexos dos seus hábitos. A observância desta regra é de importância decisiva: trata-se de transformar a contextura espiritual de tua alma. É o único meio de mudar o teu destino, uma vez que este depende dos teus atos e dos teus pensamentos. A fatalidade não existe.

IV

"Faze todo bem ao teu alcance. Auxilia a todo infeliz sempre que possas, mas sempre de ânimo forte. Sê enérgico e foge de todo o sentimentalismo. Esquece todas as ofensas que te façam; ainda mais, esforça-te por pensar o melhor possível de teu maior inimigo. Tua alma é um templo que não deve ser profanado pelo ódio.

V

"Recolhe-te todos os dias a um lugar onde ninguém te vá perturbar e possas, ao menos durante meia hora, comodamente sentado, de olhos cerrados, não pensar em coisa alguma. Isso fortifica o cérebro e o espírito e por-te-á em contato com as boas influências. Nesse estado de recolhimento e silêncio ocorrem-nos sempre ideias luminosas que podem modificar toda a nossa existência. Com o tempo, todos os problemas que parecem insolúveis serão resolvidos vitoriosamente por uma voz interior que te guiará nesses instantes de silêncio, a sós com a tua consciência. É o demônio de que Sócrates falava. Todos os grandes espíritos deixaram-se conduzir pelos conselhos dessa voz íntima. Mas, não te falará assim de súbito; tens que te preparar por algum tempo, destruir as capas superpostas dos velhos hábitos, pensamentos e erros que envolvem teu espírito, que embora divino e perfeito não encontra os elementos que precisa para manifestar-se.

VI

"A carne é fraca. Deves guardar, em absoluto silêncio, todos os teus casos pessoais. Abster-se como se fizesses um juramento solene, de contar a qualquer pessoa, por mais íntima, tudo quanto penses, ouças, saibas, aprendas ou descubras. É uma regra de suma importância.

VII

"Não temas a ninguém nem te inspire a menor preocupação o dia de amanhã. Mantém tua alma sempre forte e sempre pura e tdo correrá e sairá bem. Nunca te julgues sozinho ou desamparado; atrás
de ti existem exércitos poderosos que tua mente não pode conceber. Se elevas o teu espírito, não há mal que te atinja. Só a um inimigo deves temer: a ti mesmo. O medo e a dúvida no futuro são a origem funesta de todos os insucessos; atraem influências maléficas e estas, o inevitável desastre. Se observares essas criaturas que se dizem felizes, verás que agem instintivamente de acordo com estas regras. Muitas das que alegam que possuem grandes fortunas podem não ser pessoas de bem, ams possuem muitas das virtudes acima mencionadas. Demais, riqueza não quer dizer felicidade: pode se constituir em um dos melhores fatores, porque nos permite a prática de boas ações; mas a verdadeira felicidade só se alcança palmilhando outros caminhos, veredas por onde nunca transita o velho Satã da lenda, cujo nome verdadeiro é Egoísmo.

VIII

"Não te queixes de nada e de ninguém. Domina os teus sentidos, foge da modéstia como da vaidade: ambas são funestas e prejudiciais ao êxito. A modéstia tolherá tuas forças e a vaidade é tão nociva como se cometesses um pecado mortal contra o espírito santo. Muitas individualidades de real valor tombaram das altas culminâncias atingidas em consequência da vaidade; a ela deveram certmente a sua queda Júlio César, aquele homem extraordinário que se chamou Napoleão e muitos outros. Oxalá sigas sempre estas poucas regras para a tua felicidade, para o tem bem e a nossa alegria."

O fenômeno Chico Xavier

Luiz Carlos D. Formiga


De tempos em tempos surgem fenômenos, raros e surpreendentes, que nos deixam atônitos. No início de 2010, 2 de abril, ocorreu um deles. Somente em 1931, após a publicação do primeiro livro, é que o fato inusitado viria a público maior. De lá para cá, centenas de autores voltariam aos livros por seu intermédio. E, pasmem, milhões de exemplares foram vendidos em todo o mundo. Foram traduzidos em diversas línguas estrangeiras. Ele, no entanto, chegou apenas ao quarto ano primário. Conta-nos que só foi promovido através de "cola paranormal", difícil de ser surpreendida por um "professor normal". Segundo seu depoimento, recebeu inspiração de espíritos para redigir uma composição na prova final.
Apesar de altamente lucrativos, nunca aceitou qualquer dinheiro dos livros e nem mesmo admite a sua autoria. Tudo é revertido em benefício de obras de caridade.
Por que recebeu essas mensagens? "Um dia, eu perguntei ao Emmanuel por que é que recebia essas mensagens, como e por que as recebia. Ele então me disse assim: - "Eu vou te dar uma resposta possibilitando o teu entendimento. Se uma laranjeira fosse interpelada, por um botânico, quanto ao processo de fabricação da laranja no íntimo dela, laranjeira, ela talvez ficasse confusa e nunca mais daria laranjas."
Qual o significado de tantos anos de mediunidade "em tempo integral e dedicação exclusiva"? Chico nos informa: "Um amigo espiritual, em se comunicando aqui, numa página que considero muito interessante, contou que um guia espiritual perguntou a um mentor das esferas mais altas o que significam 60 anos de trabalho espiritual ininterrupto, e o outro respondeu que para Jesus significaria seis minutos."
Divaldo Franco identifica-o como "o apóstolo dos tempos modernos": "É aquele que representa o que Gandhi tanto lutou - o homem da paz. É o homem símbolo, caridade, luz. É o homem que se notabilizou pela renúncia e que se santificou pelo amor. E que, vivendo, vem morrendo em favor de um mundo melhor. Mesmo quando venha a desencarnar, viverá inatingível na memória daqueles que o conheceram. Sempre glorioso, ficará na memória daqueles que o conhecerão através de sua vida de abnegação, de bondade e de exemplos continuados."
Conclui Divaldo: "Este é, para mim, Chico Xavier, e para todos que tivemos a honra de viver no século em que ele nasceu e realiza o seu mediunato em nome de Jesus."
A este "homem chamado Amor" Emmanuel advertiu para a ordem que convém ao funcionamento regular de uma organização, para a observância de preceitos e normas e, ainda, para a relação de subordinação do aluno ao instrutor: "Disciplina, disciplina, disciplina." André Luiz complementou: "Se você não acredita em disciplina, observee um carro sem freios."
Lecionando humildade, a virtude que nos dá o sentimento da nossa insignificância, comentou os elogios a seu respeito: "Cada carta, cada mensagem, que criam destaques em todno de meu nome, é um convite a que eu seja o que ainda não sou e que devo ser, que preciso ser, e que peço a Deus ser algum dia."