sábado, 24 de janeiro de 2015

Anotações sobre a obsessão cibernética

Francisco Muniz


Vi recentemente (em abril ou maio de 2005) o filme “The final cut”, produção hollywoodiana que no Brasil recebeu o título de “Violação de privacidade”, embora sua tradução literal, de conformidade com o tema abordado (“A edição final”, ou “O corte final”) fosse bem mais apropriada. Considerei o filme um tanto mal realizado, por parecer incompreensível e sem substância, além de explorar um tema melhor tratado pelos realizadores de “O show de Truman”, por exemplo. Ainda assim, foi-me útil o bastante para fundamentar estas linhas, para dizer algo que vem ocupando minha mente há algum tempo.

Durante uma boa parte de minha vida atuei, como jornalista que sou, na editoria geral de dois jornais, na função de repórter de plantão. Essa atividade, conquanto seja um modo de facilitar o acesso dos leitores – e da população em geral – a uma resposta qualquer a um problema concreto, no plano material, mesmo que seja de cunho pessoal, algumas vezes descamba para as facetas de um consultório sentimental. Assim foi que uma vez, preparando-me para encerrar a jornada diária, recebi a visita de uma moça, jovem ainda, que acusava visível perturbação psíquica, coisa que se acentuou quando começou a falar. E o que ela disse surpreendeu-me pelo inusitado.

Segundo essa moça, ela tinha consciência de que espíritos obsessores lhe haviam implantado um microchip para que a pudessem controlar ciberneticamente, ou seja, com o uso de um aparelho de controle remoto. Por isso, disse a consulente, ela já não era mais dona de sua vida, que ia de mal a pior. Nessa época, eu já havia iniciado meus estudos no campo do Espiritismo, mas não tinha qualquer noção sobre os meandros da obsessão, de modo que tudo que pude lhe dizer, com o intuito de ajuda-la, foi que procurasse uma casa espírita perto de sua residência, a fim de buscar ajuda especializada. Indo ao jornal, ela pensava que uma reportagem sobre seu “caso” auxiliaria encontrar um médico que a operasse, retirando o chip indesejado.

Bem, morando essa moça praticamente no mesmo bairro que eu – eu a via quase que constantemente andando pelas ruas, esperando o ônibus, às vezes tomávamos o mesmo coletivo e, com o passar do tempo, notei que ela já parecia melhor, pois ia ao trabalho e não deixava transparecer nada que a perturbasse, pelo menos durante o trajeto da viagem. Também não parecia me reconhecer e, interessado em saber de seu real estado, mas sem querer me identificar, para não constrangê-la, um dia, aproveitando que seguíamos no mesmo ônibus, aproximei-me dela e ofereci-lhe um livro de mensagens espíritas, obtendo em troca um simples mas significativo “obrigado”.

Não sei se por coincidência – pois de acordo com as teorias de C. G. Jung coincidências não são mais do que sincronicidade –, dias depois de minha conversa com essa moça um vizinho me confidenciou preocupações semelhantes. Mas também nesse caso meu comportamento foi de bastante reserva, principalmente em função de ser esse vizinho dado ao hábito de ingerir alcoólicos. Mas a pulga já se instalara atrás de minha orelha e por isso fiz algumas inquirições aqui e ali que não resultaram proveitosas, de modo que interrompi a pesquisa.

Há pouco tempo (abril/maio de 2005), contudo, li numa dessas revistas de fofoca que estão na moda hoje em dia (início do século XXI!) uma entrevista da cantora Elba Ramalho em que ela afirmava um dia ter tido interesse por temas ufológicos mas esfriara seu entusiasmo quando soube que “alienígenas do mal chipavam seres humanos”. Ante tantas informações, é natural que sejamos tentados a ligar os fios que acendem a curiosidade e daí passemos a pesquisar um pouco. Assim, com o filme estrelado por Robin Williams é possível tentar somar dois mais dois. Então, vamos lá.

Vale perguntar, inicialmente: há possibilidade de se “chipar” alguém? A resposta é sim, mas não, a princípio, da maneira como a direção inicial deste texto pode fazer supor. É que, com o avanço vertiginoso da ciência, em todas as áreas, principalmente na medicina, o homem tem conseguido realizar façanhas dignas do pensamento futurista de um Isaac Asimov, por exemplo, fazendo com que as antigas fantasias da ficção científica mais não sejam que verdadeiros preâmbulos do que poderemos encontrar num futuro não tão remoto.

Assim é que atualmente, ao menos nos Estados Unidos, os cientistas já realizam implantes de chips em seres humanos com o fim de monitorar e controlar alguns fatores orgânicos passíveis de distonias e evitar o aparecimento de enfermidades. Alguns desses chips podem até mesmo processar substâncias a partir das proteínas e hormônios corporais e liberá-las em forma de medicamentos para a necessidade que se apresente – isto é, atuando sobre o pâncreas, por exemplo, poderiam produzir ou inibir a produção de insulina. Vê-se, então, que tal “chipagem” é revestida de boas intenções. E quanto à oposição? Vejamos.

Naquela ocasião, aproveitando uma visita do médium, escritor e expositor espírita mineiro Wanderley de Oliveira a Salvador, comentei com ele minhas dúvidas a respeito do tema e Wanderley pediu-me que lhe enviasse por e-mail os questionamentos pertinentes. Em resposta, ele me transmitiu a seguinte resposta:

“Caro Francisco Muniz. Paz e alegria.

Já deixo a indicação da obra "Aruanda" de Robson Pinheiro para sua leitura. Além dela, as obras do Dr. Lacerda sobre Apometria.
Confesso com sinceridade que tenho mais perguntas sobre o tema que certezas.
Procurarei, sem qualquer pretensão, dar alguma contribuição às suas magnifícas perguntas, deixando claro que estamos em uma caminhada muito nova nesse terreno.
Seu projeto é rico de intenção. Que fique claro apenas um ponto: não vejo outro caminho para aprofundamento do tema a não ser pela experimentação em pessoas que necessitam de auxílio, e pelo questionamento dirigido às entidades espirituais. É o que mais temos feito nesse aprendizado e que resulta no pouco que sabemos.
Siga-me abaixo no seu próprio texto.

Wanderley

1. Sendo possível o implante de "chips" nos encarnados, pelos espíritos trevosos, como isso se processa?
WANDERLEY: através de imantações magnéticas no corpo físico ou durante a emancipação pelo sono no perispirito. Em Aruanda existem exemplos mais complexos desses dois pontos.

2. Quais as consequências provocadas por tais implantes?
WANDERLEY: mudança de conduta através da mutação no campo dos sentimentos ou ainda perturbações vibratórias nas moléculas que poderão somatizar como doenças.

3. Como são retirados? Há um tratamento específico?
WANDERLEY: através de técnicas que os espíritos têm nos ensinado. São verdadeiros atos cirúrgicos energéticos nos chacras ou na região onde foram implantados. Tudo feito através do toque no corpo físico, seguido de algumas técnicas de apometria.

4. Como o encarnado se "candidata" a um implante?
WANDERLEY: pela lei mais natural da vida, a sintonia em torno daquilo que ele busca.

Caro Wanderley, espero não tomar muito de seu precioso tempo com minha solicitação e, embora fosse bastante satisfatório obter essas respostas, ficarei contente até mesmo se você apenas me indicar um livro para estudo.
WANDERLEY: Se tiver alguma outra experiência a trocar, estou à disposição.”


A propósito, a leitura do livro Aruanda, bem como de outras obras da autoria de Robson Pinheiro, não me ofereceu o esclarecimento pretendido, porquanto os autores do trabalho apenas relatam o fato e na conclusão não se explica como o tal chip fora retirado ou se realmente fora feita essa extirpação, de forma que permanecemos na dúvida e nas reticências. Além do mais, tanto Robson Pinheiro quanto Wanderley de Oliveira condicionam tais episódios a uma certa "magia" exercitada por aqueles a quem chamam de "magos trevosos". A essa magia eles chamam de "goécia". Se é magia, qual o sentido de utilizarem "chips", quando sabemos, por André Luiz (Espírito), por exemplo, que os inimigos do Bem se valem dos ovóides para consumar seus propósitos maléficos sobre os encarnados que se lhe ofereçam oportunidade de ação? Quanto à apometria, essa técnica curativa está longe ainda de se evidenciar como terapêutica realmente espírita e assim vemo-nos até aqui carentes de luz, ao menos nessa área.

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