terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A prosa da poesia

(comentário ao livro “Poemas ecológicos”, ainda inédito, de João Fernando Gouveia)
Francisco Muniz



Talvez, somente os iletrados não saibam do poder penetrante da poesia, de sua capacidade inclusive de promover transformações sociais, numa revolução silenciosa que acomete povos, culturas e nações Humanidade a fora. Um belo exemplo do que falamos é o Sermão do Monte, obra prima da poética celestial pronunciada pelo Cristo, que a escreveu nos ventos que ainda sopram sobre nós, cativando-nos pelo poder do Amor.
A poesia – e aqui falamos tão somente da arte poética, e não de seus produtos de manifestação, os poemas, embora não tenhamos nenhuma autoridade para tanto – é meio de comunicar ideias sentimentais, tanto quanto a música, que talvez seja a forma de poesia mais sublime de que o homem seja capaz para aproximar-se da dimensão divina.
Nesse sentido, João Gouveia sabe muito bem como arranjar as palavras, os versos e as imagens de sua mente esclarecida e de seu coração sensível para nos transportar às paragens de mundos diáfanos só percebidos ou pela imaginação ou pela transcendência, quando a alma eleva-se do chão do planeta e alcança os alicerces do próprio Céu...
No entanto, a deste livro é uma poesia diferente, pois tem o condão de nos transportar daqui para... aqui mesmo! Dizemos melhor: João, com seu sábio dizer, coloca-nos ao rés do chão do planeta e, deste cantinho do Brasil, redescobre o país pela cartografia das imagens, fazendo a costura esmiuçada do caleidoscópio das paisagens e, numa toalha estendida sobre a maciez da relva, executa seu primoroso bordado, sob a luz tênue do alvorecer...
Poesia é arte divina e quem souber descortinar-lhe os mistérios trará para mais perto do chão a harmonia sideral, fazendo os anjos coabitarem com os homens. Talvez pareça fácil juntar palavras aleatória ou planejadamente e assim compor um poema; mas só os poetas verdadeiramente imbuídos desse dom poderão extrair som e cor de palavras despretensiosas e envolvê-las num clima tal que de simples versos ressaltam outros mundos e o que era aparentemente conhecido ganha novos tons, velhos conceitos se redefinem e eis o encanto!

Aqui vemos um João amadurecido em seu amor pela dama Poesia (sim, as Musas o acompanham desde sempre!) e com ela pisando um chão tão seu conhecido sem precisar de mapas, pois é ele quem os faz para o viajante leitor. O amor pela Vida, pela Natureza, pela Mãe Terra é a bússola cuja agulha imantada atrairá mentes e corações para as verdades que João aponta em seu bordado: o planeta e sua beleza, sua alegria e sua capacidade de doação se esgotam, exigindo dos homens, seus inquilinos, um esforço consciente de renovação em prol de uma convivência mais responsável, para que a Poesia consiga se manter um pouco mais por aqui, sustentada pelo amor de todos, plantas, pedras, bichos, gente...

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