quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mediunidade

O autor deste texto não pode ser outro senão Emmanuel...

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Esmagadora maioria dos estudantes do Espiritismo situam na mediunidade a pedra basilar de todas as edificações doutrinárias, mas cometem o erro de considerar por médiuns tão somente os trabalhadores da fé renovadora, com tarefas especiais, ou os doentes psíquicos que, por vezes, servem admiravelmente à esfera das manifestações fenomênicas. 
Antes de tudo, é preciso compreender que tanto quanto o tato é o alicerce inicial de todos os sentidos, a intuição é a base de todas as percepções espirituais e, por isso mesmo, toda inteligência é médium das forças invisíveis que operam no setor de atividade regular em que se coloca.
Dos círculos mais baixos aos mais elevados da vida, existem entidades angélicas, humanas e sub-humanas, agindo através da inteligência encarnada, estimulando o progresso e divinizando experiências, brunindo caracteres ou sustentando abençoadas reparações, protegendo a natureza e garantindo as leis que nos governam.
Desvendando conhecimentos novos à Humanidade, o Espiritismo incorpora ao nosso patrimônio mental valiosas informações sobre a vida imperecível, indicando a nossa posição de espíritos imortais em temporário aprendizado, nas classes da raça, da nação e do grupo consangüíneo a que transitoriamente pertencemos na Terra.
Cada individualidade renasce em ligação com os centros de vida invisível do qual procede, e continuará, de modo geral, a ser instrumento do conjunto em que mantém suas concepções e seus pensamentos habituais. Se deseja, porém, aproveitar a contribuição que a escola sublime do mundo lhe oferece, em seus cursos diversos de preparação e aperfeiçoamento, aplicando-se à execução do bem, nos menores ângulos do caminho, adquirindo mais amplas provisões de amor e sabedoria, é aceita pelos grandes benfeitores do mundo, nos quadros da evolução humana, por intérprete da assistência divina, onde quer que se encontre, seja na construção do patrimônio de conforto material ou na santificação da alma eterna.
É necessário, contudo, reconhecer que, na esfera da mediunidade, cada servidor se reveste de características próprias.
O conteúdo sofrerá sempre a influenciação da forma e da condição do recipiente.
Essa é a lei do intercâmbio.
Uma taça não guardará a mesma quantidade de água suscetível de ser sustentada numa caixa com capacidade para centenas de litros.
O perfume conservado no frasco de cristal puro não será o mesmo, quando transportado num vaso guarnecido de lodo.
O sábio não poderá tomar uma criança para confidente, embora a criança, invariavelmente, detenha consigo tesouros de pureza e simplicidade que o sábio desconhece.
Mediunidade, pois, para o serviço da revelação divina reclama estudo constante e devotamento ao bem para o indispensável enriquecimento de ciência e virtude.
A ignorância poderá produzir indiscutíveis e belos fenômenos, mas só a noção de responsabilidade, a consagração sistemática ao progresso de todos, a bondade e o conhecimento conseguem materializar na Terra os monumentos definitivos da felicidade humana.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Codificador

Francisco Muniz


Allan Kardec nasceu para o mundo no dia 18 de abril de 1857, em Paris, França, na data em que esse nome apareceu pela primeira vez na capa de uma publicação intitulada O Livro dos Espíritos. Tratava-se em verdade de um pseudônimo, porque quem se responsabilizou pela divulgação da obra foi o professor Hippolyte Lèon Denizard Rivail, um filósofo e homem de ciências conhecido em toda a França e em boa parte da Europa como autor de livros de matemática e gramática francesa, nascido no dia 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lyon. Kardec, portanto, já nasceu com 53 anos.
O pai de Hippolyte Rivail era um magistrado chamado Jean Baptiste, o qual, desejando legar ao filho a melhor das instruções, fê-lo estudar na cidade de Yverdun, na Suíça, com o célebre educador Henry Pestalozzi. O jovem Rivail destacou-se a tal ponto nesse aprendizado que logo tornou-se um auxiliar direto de seu mestre, cuidado das turmas quando Pestalozzi precisava de ausentar.
Concluído seu curso, ele se transfere para Paris, capital da França, e abre uma escola onde passa a ensinar jovens alunos com todo o rigor metodológico aprendido com o pedagogo suíço. Essa dedicação seria de importância capital quando, no futuro, ele assumiria o encargo de codificador da Doutrina Espírita, imprimindo um caráter eminentemente educativo aos conceitos trazidos pelos Espíritos Superiores que em nome de Jesus cuidaram da Terceira Revelação de Deus aos homens, trazendo o Consolador à Terra angustiada pela dor e pela ignorância quanto aos problemas do mundo.
Mas quem era esse Espírito, que história ele trazia ao planeta para representar papel tão destacado, embora se ocultasse em sua humilde dedicação às tarefas grandiosas? Contam as crônicas espirituais que ele era a reencarnação de Jan Huss, importante educador e líder protestante na região da Boêmia, na Europa Central. Mas levando em consideração que o Espírito de Verdade não é outro senão o Cristo, Kardec haveria de ser alguém muito próximo ao Mestre de Nazaré e assim vamos identificá-lo com João, o evangelista, aquele a quem Jesus confiou uma tarefa no futuro ao dizer estas palavras: "Importa que João fique até que eu volte."
Sim, o Cristo voltaria como o Consolador Prometido e João/Rivail/Kardec seria seu arauto. Sob o lema "trabalho, solidariedade e tolerância", ele realizaria a obra monumental que é a Doutrina Espírita, que viria restabelecer todas as coisas e complementar o ensinamento do Cristo naquilo em que a mensagem cristã ficou quase inacessível por conta do véu de mistério sobre algumas lições de Jesus. Com a orientação dos Espíritos Superiores, Rivail/Kardec daria a interpretação enfeixada nos livros da Codificação - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese -, com o propósito de a Humanidade aí encontrar as respostas para seus anseios e a diretriz para o aprimoramento moral de todas as criaturas...