sábado, 31 de dezembro de 2011

Mensagem

 – culto do Evangelho no lar – 31.12.11


Ao trabalho que é do Cristo, eia, camaradas! É hora de marchar. Que digo? A hora já vai adiantada, a urgência se faz cada vez mais gritante! “O que tens a fazer, faze-o já”, disse o Cristo a seu apóstolo. A vós também ele, o divino jardineiro, chama para o urgente cuidado do jardim das virtudes. Trabalhai esse terreno que deve já ser fértil, ante tantas revelações que o Alto vos cumula, especialmente nestes tempos do Consolador no mundo. Trabalhai, amigos, que todos sois beneficiários da Divina Solicitude. Eliminai as ervas daninhas do orgulho e do egoísmo. Estimulai os bons pendores, para que o adubo do amor torne belo vosso jardim. Cultivai as flores do bem e colhereis os frutos doces da paz. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

José Petitinga, o apóstolo da unificação espírita

José Florentino de Sena nasceu na Fazenda Sítio da Pedra, margem direita do rio Paraguaçu, termo de Monte Cruzeiro, comarca de Amargosa, no Estado da Bahia, em 2 de dezembro de 1866. Era filho de Manoel Antônio de Sena e de D. Maria Florentina de Sena. Muito moço ainda, aos 11 anos, em 21 de agosto de 1877, mal terminara seus primeiros estudos, abraçava a carreira comercial, em um estabelecimento de drogas e ferragens, onde, pela revelação de seu grande talento e esforço, foi logo escolhido para o serviço de escrita.
Em 29 de novembro de 1895, contraía seu primeiro matrimônio, com D. Francisca Laura de Jesus Petitinga, falecida em 28 de agosto de 1903, tendo deste enlace sete filhos. Em 11 de fevereiro de 1906 contraiu segundas núpcias, com D. Maria Luísa Petitinga, de cujo consórcio não teve filhos. No ano de 1877, quando iniciava sua carreira comercial, deu também expansão á veia poética, escrevendo seus primeiros versos, que pouco a pouco se foram aperfeiçoando na forma e no fundo, até que aos vinte anos de idade dava ao público seu primeiro livro de poesias.
O nome Petitinga foi usado como pseudônimo, nos primeiros artigos que escreveu, para fugir à censura paterna e de seus patrões. Sua estreia na imprensa foi no jornal "7 de Janeiro", que se editava na heroica e legendária cidade de Itaparica. Em face da popularidade do pseudônimo, pelo qual passou a ser conhecido por todo mundo, resolveu adotá-lo como sobrenome, em substituição ao Florentino de Sena, fazendo, para tanto, declaração pública e em cartório.
Em 1887 abraçara as ideias de Allan Kardec, semeando-as e defendendo-as abnegadamente. Mais tarde, fundou a União Espírita Bahiana, da qual foi sempre presidente, por aclamação nos últimos anos de vida, tendo conquistado a simpatia e a admiração de quantos se lhe agregaram na tarefa indefessa da restauração do Cristianismo em Cristo.
José Petitinga, exemplo de verdadeiro espírita, tudo deu se si, material e espiritualmente, para o engrandecimento da referida Sociedade, desempenhando honrosamente sua missão. No dia 25 de março de 1939 desencarnava José Petitinga, jornalista, historiador, humorista e polemista, orador fluente, poeta de estilo, filólogo, matemático, mestre em contabilidade e, sobretudo, um dos principais esteios da Doutrina Espírita no Estado da Bahia.

(Extraído do livro "Grandes espírita do Brasil", de Zêus Wantuil - editora FEB.)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal com Jesus. Qual Jesus?

Francisco Muniz


Soou estranho esse título? Há mais de um Jesus? A julgar pelo modo como o Natal é comemorado atualmente, poderíamos dizer que sim, há outro Jesus diferente daquele apregoado pelos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, um Jesus que enche os olhos e parece estar distante dos corações. Há um Jesus que se confunde nas luzes e vitrines coloridas das lojas, um Jesus vendido a prestações e a peso de muito ouro. E há o Jesus submerso nas consciências, lutando por se fazer presente numa festa que se faz em nome dele e da qual ele raramente participa, pois não é sequer convidado.
E no entanto Ele está constantemente convidando os homens de boa vontade para uma festa inigualavelmente melhor. Uma festa sem troca de presentinhos, mas de incessante doação; sem mesas fartas de apetitosas iguarias, mas plena de pães espirituais para as alma famintas e sedentas de afeto; sem enfeites em árvores artificiais, mas rica de significado para as mentes que se deixam esclarecer pelas luzes da Verdade. Uma festa, enfim, que não se faz apenas uma vez por ano, mas sempre, porque tal é o sentido do Natal: o nascimento e a vivência cotidiana do Cristo na vida de cada um de nós.
Há um Natal lá fora, mas nesse o Cristo não nasce, pois não há coração onde ele possa nascer e viver. O Cristo está afastado das relações comerciais onde prepondera o desejo do lucro e nega as necessidades dos carentes do pão material. Não há Jesus onde as consciências passam ao largo dos problemas sociais e dos dramas individuais vigentes tanto nos casebres miseráveis quanto nos palácios suntuosos. Só haverá Jesus onde a semente da cristandade, plantada há mais de dois mil anos, já germina, produzindo frutos de fraternidade e amorosa convivência entre todos, sejam ricos ou pobres, doentes ou sãos, felizes ou tristes.
"Estou por demais tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender mão segura aos infelizes que, vendo o Céus, teimam em cair no abismo do erro", diz-nos o Cristo, ou o Espírito de Verdade, no capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo. É caso de nos fazer pensar, a nós, que nos dizemos espíritas e, por consequência, verdadeiros cristãos e ainda teimamos em observar tradições que de há muito já não deveriam fazer parte de nosso comportamento. Mas vemo-nos, anos após ano, ensinando a nossos filhos e netos a fantasia de um "Papai Noel" e, assim, ainda negando, como Pedro, o Cristo em nós...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Educação nas pegadas do Cristo

Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues foi, quando encarnada, notável poetisa, professora emérita, escritora consagrada, teatróloga, legítimo expoente cultural das Letras da Bahia. Nasceu na Fazenda Campos, Freguesia de Oliveira dos Campinhos, Município de Santo Amaro da Purificação, Estado da Bahia em 26 de maio de 1861.

Qualquer de seus conterrâneos, por mais jovem que seja, conhece a vida dessa extraordinária mulher e seu esforço a fim de atingir os seus ideais. Estudou com o cônego Alexandrino do Prado, em seguida foi aluna dos professores Antônio de Araújo Gomes de Sá e Manuel Rodrigues M. de Almeida. Sua vocação para o magistério era inata. A par disso, matriculou-se no colégio mantido pela professora Cândida Álvares dos Santos e começou a lecionar no Arraial da Lapa. Posteriormente lecionou em Santo Amaro da Purificação por oito anos consecutivos.
Em 1891, graças à sua capacidade para lecionar e ao seu amor à causa do ensino, foi transferida para Salvador e lotada na Escola Central do Bairro Santo Antônio. Um de seus alunos, adolescente ainda, em 1905, foi selecionado para lecionar inglês pelo sistema do filósofo Spencer. Amélia Rodrigues não só o ajudou a compreender o pensamento daquele filósofo, como complementou o seu aprendizado. Disse a ele: "O jovem precisa de educação moral, que é o princípio fundamental da disciplina social; sem apelar para o coração, educar é formar no homem as mais duradouras forças da ordem social."
O pensamento de Amélia Rodrigues se identifica com o pensamento de Fénelon, contido em "O Evangelho Segundo o Espiritismo": "Educar é formar homens de Bem, e não apenas instruí-los". Aposentada, não abdicou de seu ideal de ensinar. Retornou ao magistério de forma ainda mais marcante. Fundou o Instituto Maternal Maria Auxiliadora, que mais tarde transformou-se na "Ação dos Expostos." Dedicou-se ao jornalismo como colaboradora das publicações religiosas "O Mensageiro da Fé", "A Paladina" e "A Voz". Escreveu algumas peças teatrais, entre as quais "Fausta" e "A Natividade". É autora dos poemas "Religiosa Clarisse" e "Bem me queres". Produziu ainda obras didáticas, literatura infantil e romances. Desencarnou em Salvador em 22 de agosto de 1926.
No Plano Espiritual, continuou seu trabalho esclarecedor e educativo, baseado principalmente no Evangelho de Jesus, fonte inspiradora de suas obras quando encarnada. Encontrou na Espiritualidade - seara infinita da imortalidade - maior expansão para seu espírito sequioso de conhecimento e faminto de amor, dando vazão aos anseios mais nobres. Aprofundou-se na mensagem de Jesus e, na atualidade, participa da falange de Joanna de Ângelis, mentora de Divaldo Pereira Franco. Pela psicografia do abnegado medianeiro, vem trazendo páginas de beleza intraduzível, que abordam os mais variados assuntos sobre o Evangelho, seu tema predileto, de onde extrai lições edificantes para aqueles que estão cansados e sobrecarregados, necessitados de orientação e de consolo. O livro “Primícias do Reino” é uma dessas páginas imortais.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Nova Literatura Mediúnica



“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.”
                                                                                                               Paulo (I Co, 14: 29)

José Passini (passinijose@yahoo.com.br)

As palavras de Paulo – inegavelmente a maior autoridade em assuntos mediúnicos dos tempos apostólicos – deveriam servir de alerta àqueles que têm a responsabilidade da publicação de obras de origem mediúnica. A literatura mediúnica tem aumentado de maneira assustadora. Diariamente, aparecem novos médiuns, novos livros, alguns bem redigidos, se observados quanto ao aspecto gramatical, mas de conteúdo duvidoso se analisadas as revelações fantasiosas, que iludem muitos novatos, ainda sem conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame criterioso daquilo que leem.
Muitos desses livros se originam de Espíritos ardilosos que, de maneira sutil, se lançam no meio espírita como arautos de novas revelações capazes de encantarem leitores menos preparados, aqueles sem um lastro de conhecimento doutrinário que lhes possibilite um exame lúcido, capaz de os levar a conclusões esclarecedoras.
Muitas pessoas que conheceram recentemente a Doutrina, antes de estudarem Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e outros autores conceituados; antes de lerem as obras de médiuns como Francisco Cândido Xavier, Yvonne A. Pereira, Divaldo Franco, José Raul Teixeira, estão se deparando com obras fantasiosas, escritas em linguagem vulgar, contendo o que pretendem seus autores – encarnados e desencarnados – sejam novas revelações.
Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, Meimei, Manoel Philomeno de Miranda, Joanna de Ângelis e tantos outros Espíritos se tornaram conhecidos e respeitados pelo conteúdo sério, objetivo, seguro, esclarecedor de suas obras, sempre redigidas em linguagem nobre. Esses Espíritos conquistaram, pouco a pouco, o respeito, a credibilidade e a admiração do público espírita pelo conteúdo de seus escritos, na forma de mensagens ou de  livros, publicados espaçadamente, como que dando tempo a um estudo sereno e criterioso do seu conteúdo.
Nos dias que correm, infelizmente, o quadro se modificou. Muitos médiuns, valendo-se de nomes já conhecidos pelo valor de suas obras, tentam impor-se aos leitores espíritas, não pelo valor das mensagens em si, mas escorados em nomes respeitáveis.
Sabendo-se que nomes pouco importam aos Espíritos esclarecidos, é de se perguntar por que os benfeitores que se notabilizaram através de Francisco Cândido Xavier haveriam de continuar usando seus nomes em mensagens transmitidas através de outros médiuns? Se o importante é servir à causa do Bem, por que essa continuidade na identificação, tão pessoal, tão terrena? Não seria mais consentâneo com a impessoalidade do trabalho dos Servidores do Bem deixar que o valor intrínseco da mensagem se revele, sem estar escorado num nome conhecido? Por que não deixar que a mensagem se imponha pelo valor de seu conteúdo? Por que escudar-se em nomes respeitáveis, quando o texto não resiste a uma comparação, até mesmo superficial, de conteúdo e, às vezes, até mesmo de forma?
Por que essa ânsia insofreável de publicar tudo o que se recebe – ou que se imagina ter recebido – dos Espíritos? Onde o critério, a sobriedade tantas vezes recomendada na obra de Kardec? Será que o público espírita já leu, estudou, analisou, entendeu toda a produção mediúnica produzida até agora?
Ao dizer isso não se está afirmando que a fase de produção mediúnica está encerrada. Sabe-se que a Doutrina é dinâmica, que a revelação é progressiva. Progressiva, e não regressiva, pois há obras que estão muito abaixo daquilo que se publicou até hoje, para não dizer que há aquelas que nunca deveriam estar sendo publicadas. Infelizmente, os periódicos espíritas, de modo geral, não publicam análises dessas obras que estão sendo comercializadas, ostentando indevidamente o nome da Doutrina. Impera, no meio espírita, um sentimento de falsa caridade, um pieguismo mesmo, que impede se analise uma obra diante do público. Essas atitudes é que encorajam médiuns ávidos de notoriedade à publicação dessa verdadeira avalancha de obras, que vão desde aquelas discutíveis a outras verdadeiramente reprováveis.
Nesse particular, é justo se chame a atenção dos dirigentes de núcleos espíritas, sejam centros, sejam livrarias, a fim de que avaliem a responsabilidade que lhes cabe quanto ao que é dado a público em nome do Espiritismo. O dirigente – ou o grupo responsável pela direção de uma casa espírita – responderá perante o Alto, sem a menor dúvida, pela fidelidade aos princípios doutrinários de tudo o que se divulga em nome do Espiritismo, seja na exposição oral, num livro ou simplesmente num folheto. O mesmo se diga relativamente àqueles responsáveis pelas associações intituladas “clube do livro”.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Maria Dolores

Nascida Maria de Carvalho Leite, na cidade sertaneja de Bonfim de Feira (BA), no dia 10 de setembro de 1900, Maria Dolores era filha de Hermenegildo Leite, escrivão da prefeitura, e da doméstica Balmina de Carvalho Leite. Em Bonfim passou a infância junto com três irmãos e duas irmãs. Em 1916, diplomou-se professora pelo Educandário dos Perdões, sendo considerada pelas colegas e professores como adolescente prodígio, graças à rara inteligência.
A poesia, começou a senti-la na cidade natal, ainda quase criança, a transformar-se, mais tarde na poetisa de bons versos que todos conhecemos.
Reuniu alguns de seus poemas no livro “Ciranda da Vida”, sendo reconhecida na Capital do estado por sua arte, passando a escrever nos jornais “Diário de Notícias” e “O Imparcial”. Neste último, ocupou o cargo de Redatora-Chefe da “Página Feminina”. Durante 13 anos, escrevera nos jornais citados, mostrando um mundo de ternura que trazia dentro de si, adaptando o pseudônimo de “Maria Dolores”. Dolores lecionou no Educandário dos Perdões e no Ginásio Carneiro Ribeiro, em Salvador. Daí entendermos seu modo todo especial de ensinar, através dos versos, às almas aflitas. Mas sua vida não poderia ser somente flores: estava-lhe reservada uma prova de sofrimentos morais.
Casara-se com o médico Odilon Machado. Suportando infeliz consórcio durante alguns anos, finalmente deu-se a solução pelo desquite. Não houve filhos desta união, como nunca os teria Maria Dolores. Em sua peregrinação, morou em várias cidades da Bahia, e foi em Itabuna que conheceu Carlos Carmine Larocca, italiano radicado no Brasil; tornou-se sua companheira ajudando-o, ombro a ombro, em suas atividades.
Notamos nos seus versos o quanto sofrera, buscando algo que não encontrava: a complemen-tação afetiva, tal como fora planejado pela providência, para que buscasse o Amor Maior, que ela soube encontrar um dia - Jesus!
Tanto sofrimento não foi capaz de torná-la indiferente ao sofrimento humano. Na imprensa, falava dos direitos humanos e do sofrimento dos menos felizes. Não foi compreendida: tacharam-na de “comunista”, tendo de responder sobre as acusações que lhe faziam, pois fora intimada.
Em menina, fora católica; em adulta, o sofrimento fizera-lhe conhecer a Doutrina de Allan Kardec e veio a consolação, a aceitação do sofrimento. Tornou-se membro integrante da Legião da Boa Vontade, com o seu espírito aberto e cheio de ideais. Fazia campanhas, prendas para os bazares realizados em sua própria casa. Fundara um grupo que se reunia em sua residência todas as semanas, quando saíam para distribuir, nos bairros carentes escolhidos, farnéis, roupas, remédios... Chamavam-se “As mensageiras do Bem”. No Natal, faziam campanhas e distribuíam donativos, assim como no Dia das Mães. Dolores costurava enxovais, vendia o que era seu ou empres-tava; às vezes, fazia dívidas para si, a fim de ajudar alguém.
Trazia em si um grande sentido maternal e, como não lhe foi dado o direito da maternidade, adotou seis meninas. Carlos (o esposo) estava na Itália quando Dolores adoecera, a pneumonia manifestara-se de uma forma violenta. No dia 27 de julho de 1958 ela partia de volta à Pátria Espiritual, de lá enviando seus versos à Terra, em mensagens consoladoras através da psico-grafia de Francisco (Chico) Cândido Xavier e Divaldo Franco.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ninguém é (nem seja) coitadinho!


Nascido em Ituiutaba-MG, a vida do médium Jerônimo Mendonça (1939-1989) foi um exemplo em superação de limites. Totalmente paralítico há mais de 30 anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de 20 anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, ele era levado por mãos amigas pelo Brasil afora, para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado de “O Gigante Deitado” pelos amigos e pela imprensa.
Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar:
- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para se despedir de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.
- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.
Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde Chico trabalhava. Naquela hora ele não estava, pois participava de um trabalho de peregrinação e visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes. Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse:
- Olha só quem está nos visitando. O Jerônimo. Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não despetalar.
Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.
Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida veio a explicação:
- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?
- Não, Chico.
- Foi porque você aceitou o coitadinho. Coitadinho do Jerônimo, coitadinho. Você desenvolveu a auto-piedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.
Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se ele, portanto, igual aos sadios.
Jerônimo sobreviveu quase 30 anos após a hemorragia e venceu o coitadinho. Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de auto-piedade e esmorecimento.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O médium cristão consciente


Francisco Muniz



"É impossível ser feliz sozinho." 
A frase é verso de música de um conceituado compositor brasileiro e mostra uma verdade que não se resume à relação de um casal apaixonado. Pelo contrário, esse conceito é observável em todos os aspectos da atividade humana, pelo fato de um homem só se realizar através de seus semelhantes, em suas necessidades evolutivas, considerando que todos somos espíritos em crescimento. Por isso nascemos em família, vivemos em grupo, convivemos em sociedade e nos encontramos na Humanidade. Só assim é possível experimentarmos o que se chama felicidade.
Nesse aspecto, a experiência como cristãos exige de nós uma responsabilidade considerável, porque se trata de irmos bem além do rótulo. Ser cristão implica bem mais que adotarmos esta ou aquela religião pautada nos ensinamentos do Cristo. Significa, em verdade, cumprirmos em nós mesmos as determinações de Jesus quanto à convivência em grupo, já que não vivemos sozinhos e precisamos uns dos outros para, nesse processo de interdependência, identificarmo-nos com a essência divina e assim termos sucesso nos relacionamentos todos que fazemos pela vida a fora.
Convém-nos, primordialmente, focalizar nestas reflexões o cristão-espírita, chamado mais diretamente a considerar e vivenciar sua condição de trabalhador consciente de sua condição nas esferas de atividade em que se vê convidado a colaborar, nas lides do Cristianismo Redivivo. A esse respeito, importa avaliarmos profunda e convenientemente nosso papel de médiuns, seja na Casa Espírita, seja nos vários setores da vida prática, a fim de construirmos e manifestarmos a necessária condição de seres conscientes da realidade que nos é própria.
Recordemos, a propósito, que a faculdade mediúnica, mercê da misericórdia divina, decorre de um compromisso em prol da auto iluminação, razão pela qual o estudioso da Doutrina Espírita, principalmente, não deve malbaratar os esforços da Espiritualidade em seu benefício, desprezando as ocasiões de serviço caritativo. Segundo o benfeitor espiritual Emmanuel, a mediunidade é “oportunidade de progresso e de redenção” para quantos recebam seus influxos, posto que os médiuns são os “filhos misérrimos” de Deus. Daí se entende por que é preciso aceitar a tarefa e desempenhá-la com responsabilidade.
É preciso entender, também, que essa conscientização guindará o médium à condição de mediunato, posto que, como trabalhador, ele tem uma missão da realizar no mundo, como instrumento dos Espíritos. É necessário, portanto que ele se aprimore sabendo que sua vida de devotamento será o mais das vezes um calvário, pelas lutas que será chamado a enfrentar. "Quando o médium atinge a plenitude de seu desenvolvimento mediúnico, começam as verdadeiras dificuldades", avisa o Espírito Vianna de Carvalho, colaborando para a consciência dos sensitivos em atuação na esfera do Consolador: "Esse é o momento em que ele, mais do que nunca, precisa de conselhos, de prudência e experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe vão ser preparadas". 
Eis porque não dá para sermos felizes sozinhos. É necessário recorrermos uns aos outros, os mais incipientes apelando para os mais experientes e estes reciclando continuamente seus conhecimentos e aprimorando suas habilidades, a fim de que todos colaborem para a grande obra de regeneração da Humanidade, consoante os propósitos do Evangelho e da Doutrina dos Espíritos. Nesse sentido, o benfeitor Vianna de Carvalho alerta aos médiuns, especialmente àqueles que estão iniciando sua jornada de trabalho: “Se o médium pretender muito cedo voar com suas próprias asas, não tardará em ser vítima de espíritos mentirosos, que não se descuidarão de lhe explorar a presunção”. É imperioso, portanto, refrear os ímpetos e, amparados na prudência, buscarmos uma postura mais humilde e fazermo-nos instrumentos seguros e dóceis dos Espíritos do Senhor, recordando o convite do Cristo: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Honrar pai e mãe


Mensagem do dia 15.novembro.2011

(a propósito da lição de O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre “honrar pai e mãe”)


Teus filhos, meu filho, tanto quanto teus pais, fazem o quanto podem e sabem a fim de explicitarem o que já conseguem compreender das recomendações divinas, consoante aquilo que chamamos desígnios de Deus. Há que compreendê-los, aceitá-los e estimulá-los na tarefa, que eles exercitam muitas vezes inconscientemente. Há que apoiá-los, pacientemente, sabedor de que, se ainda dormem para a verdade de si mesmos, um dia despertarão e farão melhor, assim como pensas já estares fazendo.
É certo que há muito a ser feito para a instalação definitiva do Reino de Deus na Terra, transformando a face escura do planeta numa filial das luminosidades celestiais. Mas, como bem explicam os textos santos, há um tempo propício para tudo. Há um tempo pra esperar e fazer; para calar e dizer; para ensinar e aprender. É tarefa de cada um observar seu tempo e comportar-se de acordo com o que já tem condições de compreender.
No entanto, a boa cooperação é imprescindível para que seja cada vez mais breve o tempo do entendimento e nesse aspecto aqueles que já detêm o conhecimento são mais exigidos. Trabalha, portanto, pelo bem comum, atendendo aos apelo silenciosos dos teus semelhantes, e silenciosamente operando para a harmonização coletiva, em teu lar e fora dele, a fim de que vivas em paz.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Chico Xavier e a educação de crianças birrentas

A psicologia aplicada à educação tem exercido grande influência, nas últimas décadas, nos métodos de orientação e educação da infância, algumas das escolas chegando ao ponto de recomendarem a total eliminação dos castigos às crianças, por mais moderados que sejam, sob o argumento de que inibem o completo desenvolvimento físico e mental delas.
Marlene Rossi Severino Nobre, em seu livro Lições de Sabedoria, retransmite-nos fato muito interessante que lera ou ouvira de Fernando Worm:


“Ao final da sessão em que o médium Luiz Antonio Gasparetto, em transe, pintou telas com assinaturas de Picasso, Manet, Modigliani, Tissot, Delacroix, Van Gogh e vários outros, Chico Xavier submeteu-se a uma espécie de sabatina acessível às centenas de pessoas presentes à reunião do Grupo Espírita da Prece.
“Por exemplo, discutia-se o problema de meninos integrantes de lares bem postos que cedo se mostram ineducáveis, seduzidos por viciações e estilos de vida que por vezes os levam ao suicídio entre a idade de 12 a 14 anos. Uma educadora participante fazia colocações do problema, abrangendo desde Freud até as modernas conquistas pedagógicas nesse campo. Depois de ouvi-la, Chico Xavier fez o seguinte comentário:
“Vocês, de certo, conhecem a lenda indu do marajá que não permitia fossem contrariados os desejos de seu filho de seis anos? Não conhecem? Então vamos lá! Certo dia, esse menino manifestou desejo de montar num elefante, no que foi prontamente atendido pelos servos do poderoso marajá. Sucedeu que uma vez montado, não quis descer do lombo do animal. Os servos lhe serviram ali mesmo o café e as demais refeições e, à noite, como se negasse a descer da montaria, arranjaram uma cama para que dormisse como melhor lhe apetecesse. No dia seguinte, preocupado com a permanência do filho naquela situação, mandou chamar um médico, um psicólogo e um professor, mas estes não conseguiram que a criança arredasse pé dali. Finalmente, já aflito, o marajá mandou buscar às pressas um velho tibetano que vivia na montanha e tinha fama de muito sábio. Ali chegando, o ancião, inicialmente, pediu uma escada, no que foi atendido. Tendo subido, cochichou meia dúzia de palavras ao ouvido da criança. Foi o bastante para que esta de pronto descesse do animal. Encantado com o notável feito, perguntou o marajá: ‘Mas, afinal, o que é que o senhor disse ao meu filho que fez com que ele descesse tão depressa?’
“’Disse-lhe’ – retrucou o sábio montanhês – ‘que se não descesse dali imediatamente, iria lhe aplicar uma boa surra de vara’.”

Livro:  O Apóstolo do Século XX – Chico Xavier. Weimar Muniz de Oliveira. FEEGO - Federação Espírita do Estado de Goiás.

domingo, 6 de novembro de 2011

Quando...

No recente IV Congresso Espírita da Bahia, o médico, pesquisador e expositor espírita Luiz Barreto, tratando do tema "Fecundação e reencarnação", citou trecho de uma mensagem do médium e escritor espírita Rubens Romanelli. Interessado em reproduzir aqui as belas palavras pronunciadas na ocasião, recorri ao Google e encontrei a mensagem completa, que deixo à reflexão de quem se dispuser a fazer conexão com esta Alma... A mensagem se intitula "Quando" e retirei-a do site "Mensagens do Coração" (http://semgrilo.zip.net/), de onde vem também a ilustração.

***

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos Busca-Me: eu sou Aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas. 

QUANDO te julgares incompreendido pelos que te circundam e vires que em torno a indiferença recrudesce, acerca-te de Mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos. 

QUANDO se te extinguir o ânimo, as vicissitudes da vida e te achares na eminência de desfalecer, chama-Me: eu sou a Força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidade do mundo. 

QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de Mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito. 

QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te julgares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-Me: eu sou a PACIÊNCIA que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis. 

QUANDO te abateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por Mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos. 

QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a Mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à fraqueza de tuas atitudes e à excelsitude de teus ideais. 

QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por Mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior. 

QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para Mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e acalenta os sonhos. 

QUANDO a impiedade se recusar a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-Me: eu sou o PERDÃO, que te eleva o ânimo e promove a reabilitação de eu espírito. 

QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre a Mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te reabilita para a conquista da felicidade. 

QUANDO já não aprovares a sublimidade de uma afeição sincera e te desiludires do sentimento de seu semelhante, aproxima-te de Mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo. 

QUANDO, enfim, quiseres saber quem Sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da Vida e a harmonia da Natureza; chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito. Estende-Me, pois, a tua mão... alma filha de minha alma que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do infinito, sob a luz brilhante da ETERNIDADE.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A sombra e a luz

Por mais densas que pareçam, as sombras não conseguem ofuscar a luz, assim como as negras nuvens das borrascas não apagam a luz do Sol. Aprendei a tirar o véu de trevas de vossos olhos e compenetrai-vos do amor de vosso Pai para com todos. Ide sem medo à luta santificante, em favor do movimento libertador das consciências, a começar da vossa mesma, a fim de que a Humanidade se beneficie dos pequenos mas intensos esforços de cada um de vós, refletindo a ação misericordiosa de Deus em socorro de vossas fraquezas.
O mundo exige vossa colaboração nestes tempos tormentosos. Os bons espíritos que em nome do Senhor laboram para a transformação da face escura do planeta em estância luminosa, esperam a cooperação cada vez mais estreita dos homens de boa vontade, dispostos a tomar a charrua do Evangelho e disseminar na Terra as sementes de bem-aventurança.
O Cristo deu-vos esta missão e também espera que sejais pródigos de amor para fazer com que os dias sejam cada vez mais luminosos e os homens, nas esferas de suas responsabilidades, se ocupem da difusão da Verdade consoante as mensagens de esclarecimento e consolação depositadas no coração de todos. Ninguém está afastado do dever se ser, na Terra, um representante de Deus junto a seus irmãos e por isto formamos todos uma grande família destinada às alegrias imperecíveis da imortalidade.
Como irmãos, deveis engrandecer esse propósito e estender as mãos amigas para que todos, cada vez mais, possam entender a extensão da Divina Providência. Coragem, amigos, a luta é árdua, mas a vitória não é só uma possibilidade ante a luta: é certeza que deve ser concretizada pelo amor à ação. O movimento é do Cristo e vós sois seus colaboradores. Coragem!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mensagem de liberdade

Ah, quantos querem ser livres nesse mundo onde o homem constrói todos os dias vínculos de dependência doentia, esquecidos de que, espíritos imortais que são, devem esforçar-se para romper os grilhões da matéria. Ah, quanto ainda há a crescer, a se modificar, para realmente aproveitar a força abençoada que se chama liberdade!
O homem nasceu, foi criado para a liberdade, pois o espírito sopra onde quer, como bem disse o Cristo. Mas, encarcerado na prisão do corpo, ele pouco percebe de sua condição essencial, vendo-se e identificando-se verdadeiramente como filhos do Altíssimo, criados para os altos voos da alma liberta da escravidão material. Deus, o Pai amoroso, assim o quer, que seus filhos enxerguem os planos mais altos que devem conquistar e libertarem-se enfim da prisão que eles mesmos criaram.
A liberdade será assim a grande conquista daquele que busca a renovação de si mesmo, compreendendo a grande necessidade de ser quem verdadeiramente é, libertando-se da ilusão que o afasta da integração com a Divindade, vivendo sua relação com o Mais Alto em completa integridade.
A liberdade é não só o fim como também o meio de se alcançar semelhante benefício, desde que o filho compreenda a vontade de seu Pai e envide os esforços necessários no sentido da libertação. E só sendo livre é que o homem se encaminhará para as alegrias da liberdade.
Há que se perseverar nesse caminho, discernindo erros de acertos, equívocos de possibilidades de realização. Há que lutar em meio às dificuldades todas para que haja sentido nas conquistas que se almeja. Há que se esforçar diuturnamente, incansavelmente, para retirar de si o quinhão de imperfeição e moldá-lo com as luzes e energias transformadoras que farão nascer as qualidades imprescindíveis ao homem renovado, candidato às perenes alegrias celestiais.
O esforço é individual, cabendo a cada uma das criaturas de Deus empregarem seu tempo e sua vontade na realização da grande obra de transformação íntima, para que se dê, enfim, o progresso coletivo tão anelado pela Humanidade, sequiosa de paz e infinita alegria, que é o bem estar experimentado pelas almas conscientes de seus deveres a cumprir, a bem de todos.
Deus, o Senhor da Vida, espera de cada um e a todos oferece as oportunidades de trabalho. Os de consciência desperta aproveitarão os recursos e se porão em campo, agindo responsavelmente, enquanto outros ainda se encontrem à margem, desprezando as benesses dos Céus. Mas o exemplo falará mais alto e os filhos ingratos um dia se envergonharão de sua negligência e, não encontrando espaço para sua inação, recorrerão à Casa Paterna, implorando as bênçãos que jamais lhes faltaram.
Coragem, amigos! Trabalhai, o Cristo é convosco. E nós também!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Paciência

(Retirado do perfil de Antonio Celso Poltronieri no Facebook.)

A doente se queixava em desespero, a senhora que lhe velava o leito perguntou:
 - Permite que eu leia para seu reconforto algum pequeno trecho de Allan Kardec?
 - Deus me livre! - gritou a enferma, cuspindo-lhe aos pés.
 Ainda assim, as mãos abnegadas da companheira continuaram ajeitando-lhe os lençóis...
 - Quero água! - exigiu a doente.
 A amiga trouxe-lhe água pura e fresca.
 De copo às mãos, a enferma, num ímpeto, atirou-lhe todo o líquido à face, vociferando:
 - Água imunda!... Como se atreve a tanto? Quero outra!
 Paciente e humilde, a senhora enxugou o rosto molhado e, em seguida, trouxe mais água.
 - Quero chá.
 E o chá surgiu logo.
 - Chá malfeito! Chá frio! O conteúdo da taça foi projetado ao peito da outra, ensopando-lhe a blusa.
 - Traga chá quente! Foi a ordem obedecida.
 - Você aceita agora o remédio? - indagou a assistente.
 - Que venha depressa.
 Ao tomar, contudo, a poção, a dama inconformada agarra a colher e vibra um golpe no braço da amiga.
 Surge pequeno ferimento, mostrando sangue.
 E a enferma cai em crise de lágrimas.
 Chora, chora e depois diz:
 - Anália, se a religião espírita que você abraçou é o que lhe ensina a me suportar com tanta calma, leia o que quiser.
 A interpelada sentou-se.
 Tomou "O Evangelho segundo o Espiritismo" e leu a formosa página intitulada A Paciência, no capítulo IX, que começa afirmando:
 "A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos..."
 Acalmou-se a doente, que acabou aceitando o socorro do passe e o benefício da água fluída.
 Conversaram ambas.
 A enferma, asserenada, ouviu da companheira os planos que arquitetava para o futuro, em benefício dos meninos abandonados à rua.
 No dia seguinte, ao despedir-se, a obsidiada em reequilíbrio beijava-lhe as mãos e dava-lhe os primeiros dois contos de réis para começar a grande obra.
 Essa enfermeira admirável de carinho e devotamento era Anália Franco, a heroína da Seara Espírita paulista, que se fez sublime benfeitora das criancinhas desamparadas.

***

Hilário Silva - Psicografia de Chico Xavier
Extraído do livro "A Vida Escreve"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A música das esferas (I)



João Cabete foi um destes tantos lutadores e divulgadores da música espírita. Escreveu mais de 200 composições, interpretadas hoje por vários grupos e corais espalhados pelo Brasil. Entre as mais conhecidas, estão músicas como "Fim dos Tempos", "Além das Grandes Estrelas", e "Alma das Andorinhas".
Filho de imigrantes portugueses e caçula de cinco filhos, Cabete nasceu em 03 de abril de 1919, na cidade de São Paulo (SP), local onde passou sua infância e juventude.
Apesar dos momentos difíceis, principalmente por ter perdido o pai aos 08 anos de idade, a veia musical esteve presente. Desde pequenino, acompanhado de seu inseparável violão, já fazia apresentações em movimentos promovidos pelas rádios da comunidade portuguesa.
Ao longo da vida, João Cabete conquistou muitos amigos e irmãos sinceros dentro da Doutrina Espírita, bem como parceiros musicais, entre eles Welson Barbosa, Rafael Ranieri, Caribe e outros. Este último foi muito marcante, pois foi em sua casa, localizada em São Bernardo do Campo (SP), que Cabete, reunido com outros poetas como Formiga Babete, escreveu um grande número de letras musicais. Mas sua fonte de inspiração verdadeira sempre foi a natureza e Deus em sua grandeza.
A maioria de suas composições foram feitas ao pé do piano, instrumento para o qual nunca estudou, mas que tocava muito bem.
Casado com Ady Lourdes, hoje desencarnada, Cabete teve cinco filhos: Dinazara, Denise Cinira, João Euclides, Domota e Lílian Cristina (filha adotiva). E é Dinazara quem recorda como era o pai. "Falar de meu pai se torna ainda mais difícil, porque ele sempre pensou muito na família, era amoroso e amigo com todos. Até mesmo os netos, que não tiveram a oportunidade de conviver muito tempo com ele, recordam-se nitidamente de sua doce presença", conta.
Além da sua paixão pela música, João Cabete concluiu o curso da Faculdade de Direito depois dos 40 anos de idade, ocasião em que foi orador de sua turma. Tornou-se tabelião na cidade de Cruzeiro (SP), no 20º Cartório de Notas e Ofícios, em 1953. Na mesma década, fundou o Grupo da Fraternidade Carmem Cinira, que iniciou como orfanato e hoje abriga 80 crianças em regime de creche.
Segundo sua família, João Cabete sempre foi uma pessoa muito disposta e que usou seu tempo na terra como algo precioso. Entre as diversas atividades, pertenceu ao Rotary Club (do qual foi presidente) e fundou uma obra social denominada "S.O.S". Dentro do Movimento da Fraternidade, era filiado à "Oscal", da qual foi um dos fundadores e um membro atuante. Entretanto, o coração físico de Cabete infelizmente não comportou tantas atividades e emoções. As palestras que fazia ao violão foram sendo reduzidas e foi impossibilitado de viajar e ver os amigos, sofrendo muito com tal situação.
Em 26 de agosto de 1987, João Cabete desencarnou, vítima de insuficiência cardíaca. Um grande nome da música espírita partiu para o Plano Espiritual, mas as notícias ainda chegam por meio de mensagens psicografadas através de alguns amigos, principalmente por Glória Caribe, uma grande amiga da família.
Cabete não chegou a gravar um cd, mas tinha um amor muito grande pelo coral Scheilla, de Belo Horizonte (MG), e também pelo Coral de Juiz de Fora (MG), tanto que suas músicas foram gravadas e interpretadas por diversos cantores, Grupos e Corais Espíritas. O Grupo Sinfonia do Amor, por exemplo, traz músicas compostas por Cabete nos CDs Soberana Sinfonia, Cabete por Elói Braga, Sinfonia para o amor e Alma das Andorinhas.
Raimundo Santos, presidente do sinfonia do Amor, conta como surgiu a idéia de gravar as músicas de João Cabete: "Uma senhora Telma, que convivia com Cabete enquanto encarnado e reside em Niterói (RJ), comentou comigo que, certa vez, ele havia dito em uma conversa que partiria da terra sem divulgar suas obras. Eu não sei porque, mas no momento em que ouvi isso, respondi logo que iria desenvolver o trabalho e assim iniciamos.
Trata-se de uma tarefa difícil, mas que vale a pena, porque o resultado do trabalho tem beneficiado muitas pessoas no sentido espiritual". Para Raimundo, trabalhar junto com Cabete é uma grande honra, um compromisso difícil, mas maravilhoso. "Ele é alguém de muita importância, é um espírito de Luz voltado para a Paz", analisa.
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo - Especial Música, edição nº 01.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um livro histórico

(Do boletim do Serviço Espírita de Informações, com a chancela do Conselho Espírita Internacional, edição de outubro.2011)


De 1910 a 1959, a cidade mineira de Pedro Leopoldo via caminhar por suas ruas um de seus cidadãos mais ilustres: Francisco Cândido Xavier. Os registros da vida do mais conhecido médium espírita do mundo naqueles tempos estão agora ao alcance de todos graças a um livro lançado em setembro pela Vinha de Luz  –  Serviço Editorial. Em “Pedro Leopoldo vista por Chico Xavier – 1910-1959: 49 anos da presença do maior médium de todos os tempos”, Geraldo Lemos Neto, organizador da obra, reúne dezenas de fotos e documentos históricos que recontam essa trajetória. E o livro realmente resgata muitas preciosidades. Entre elas, a cópia da ficha funcional do médium na Fazenda Modelo e cartas de Chico a pessoas amigas. Com 318 páginas e 20x20cm, o livro pode ser adquirido em www.vinhadeluz.com.br/site/produtos.php, pelo telefone (31) 2531-3200
ou correio informacoes@vinhadeluz.com.br. Custa R$35,00.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A conversão de Coelho Neto



Sobre a conversão do notável e saudoso escritor Coelho Neto ao Espiritismo, eis a entrevista publicada pelo "Jornal do Brasil", de sete de julho de 1923 que ora transcrevemos:

"Sim, tens razão. Combati, com todas as minhas forças, o que sempre considerei a mais ridícula das superstições. Essa doutrina, hoje triunfante em todo o mundo, não teve, entre nós, adversário mais intransigente, mais cruel do que eu.
Em casa, onde a propaganda, habilmente insinuada, conseguira fazer prosélitos, todos temiam-me, apesar da minha conhecida tolerância em matéria de fé, porque eu não deixava passar um só dos livros de preparação e opunha-me, com energia, às tais sessões reveladoras. Mas que queres? Não tiveram os cristãos inimigo mais acirrado do que Saulo até o momento em que, na estrada de Damasco, por onde ia para a sua campanha de perseguição, o céu abriu-se em luz e uma voz do Alto o chamou à fé. E de inimigo que era não se tornou, o tapeceiro de Tarso, o mais fervoroso e abnegado apóstolo do Cristianismo, saindo a pregar a Palavra suave ao gentio pagão? Pois, meu caro, a minha estrada de Damasco foi o meu escritório e, se nele não irradiou a luz celestial, que deslumbrou S. Paulo, soou uma voz do Além, voz amada, cujo eco não morre em meu coração.
Sabes que, depois da morte da pequenina Ester, que era o nosso enlevo, a vida tornou-se sombria. A casa, dantes alegre com o riso cristalino da criança, mudou-se em jazigo melancólico de saudade. Passei a viver entre sombras lamentosas.
Minha mulher, para quem a netinha era tudo, não fazia outra coisa senão evocá-la, reunindo lembranças: roupas que ela vestira, brinquedos que a acompanharam até a última hora, entre os quais a boneca, que foi com ela para a cova, porque a pobrezinha não a deixou até expirar.
Júlia... coitada! Nem sei como resistiu a tão fundos desgostos; seis meses depois do marido, a filha.
Pensei perdê-la. Todas as manhãs lá ia ela, para o cemitério, cobrir o pequenino túmulo de flores, e lá ficava, horas e horas, conversando com a terra, com o mesmo carinho com que conversava com a filha. Ia depois ao túmulo do marido e assim vivia entre mortos, alheia ao mais, indiferente a tudo.
Propus mudarmo-nos para Copacabana. Opôs-se. Insistiu em ficar na casa em que fora feliz e desgraçada, mas onde perduravam recordações do seu tempo de ventura.
Temi que a seduzissem para o Espiritismo, que a lançassem ao turbilhão do mistério em que se agitam as almas do nosso tempo, comoendemoninhados da Idade Média corriam ao sabbat, nos desfiladeiros sinistros. No estado de abatimento moral em que ela se achava, seria arriscado perturbar-lhe a razão com práticas nigromânticas.
As minhas ordens, dadas em tom severo, foram obedecidas. Júlia passava os dias no quarto, que fora da pequena, e de fora ouvíamo-la falar, rir, contar histórias de fadas, exatamente como fazia durante a vida da criança.
Tais ilusões dolorosas eram bálsamos que mitigavam o sofrimento da alma, como a morfina alivia as dores. Cessada a ilusão, o desespero irrompia mais acerbo.
Uma noite, minha mulher entrou-me pelo escritório, lavada em lágrimas, e disse-me, abraçando-se comigo, que a filha enlouquecera.
- Por quê?! perguntei.
- Está lá embaixo, ao telefone, falando com Ester.
- Que Ester?
- A filha...
Encarei-a demoradamente, certo que a louca era ela, não Júlia.
Como se compreendesse o meu pensamento, ela insistiu:
- Lá está. Se queres convencer-te, vem até a escada. Poderás ouvi-la.
Fui. Como sabes, tenho dois aparelhos: um no "hall", outro, em extensão, no meu escritório.
Ficamos os dois, minha mulher e eu, junto à balaustrada do primeiro andar.
Júlia falava baixo, no escuro.
Por mais esforço que fizéssemos, não conseguíamos ouvir uma palavra. Era um sussurro meigo, cortado de risinhos. O que me pareceu (por que não dizê-lo?) foi que a conversa era de amor.
Tive ímpetos de violar o segredo de minha filha, mas o escrúpulo do meu cavalheirismo conteve-me.
- Por que dizes que ela fala com Ester? perguntei à minha mulher.
- Por quê? Porque ela mesmo me confessou e não imaginas com que alegria!
Fiquei estatelado, sem compreender o que ouvia. De repente, numa decisão, entrei no escritório, desmontei lentamente o fone do aparelho, apliquei-o ao ouvido e ouvi.
Ouvi, meu amigo. Ouvi minha neta. Reconheci-lhe a voz, a doce voz, que era a música da minha casa... Mas não foi a voz que me impressionou, que me fez sorrir e chorar, senão o que ela dizia.
Ainda que eu duvidasse, com toda a minha incredulidade, havia de convencer-me, tais eram as referências, as alusões que a pequenina voz do Além fazia a fatos, incidentes da vida que conosco vivera o corpo do qual ela fora o som...
Mistificação? E que mistificador seria esse que conhecia episódios ignorados de nós mesmos, passados na mais estreita intimidade entre mãe e filha? Não! Era ela, a minha neta, ou antes, a sua alma visitadora que se comunicava daquele modo com o coração materno, levantando-o da dor em que jazia para consolação suprema.
Ouvi toda a conversa e compreendi que nos estamos aproximando da grande era; que os tempos se atraem - o finito defronta o infinito, e das fronteiras que os separam, as almas já se comunicam. E eis como me converti, eis porque te disse que a minha estrada de Damasco foi o escritório onde, se não fui deslumbrado pelo fogo celestial, ouvi a voz do céu, a voz do Além, da outra Vida, do mundo da Perfeição...
- Ouviste-a ao telefone... E por que não a ouves no ar, como a ouviu... São Paulo, por exemplo?
- Por quê? Porque o espírito precisa de um meio em que se demonstre. Para viver conosco, encarna-se. O próprio Espírito de Jesus encarnou-se. O lume precisa de um combustível para arder e o lume é luz, eternidade: o som precisa de um órgão para vibrar. Todo o imaterial carece de um veículo para agir.
- Uma pergunta, apenas: - Como consegue Dona Júlia pôr-se em comunicação com o espírito da filha? Não me consta que a "Companhia Telefônica" tenha ligação com o Além.
- Respondo-te. Quando Júlia - disse-me ela própria - deseja comunicar-se com a filha, invoca-a, chama-a com o coração, ou melhor: com o amor, e ouve-lhe imediatamente a voz. Falam-se, entretêm-se, continuam a vida espiritual. A que está lá em cima é feliz na bem-aventurança, e a que ficou na orfandade já não sofre, como dantes sofria, porque o que era esperança tornou-se certeza...
- Certeza de quê?
- De uma vida melhor e maior, de vida puramente espiritual, como a claridade, vida sem dores, sem os tormentos próprios da carne, que não é mais do que um cadinho em que nos depuramos em sofrimento para alcançarmos a Perfeição."

Fontes:
Portal do Espírito (www.espirito.org.br)
Revista Espírita Allan Kardec, ano XII, nº 44
Jornal Mundo Espírita, Março de 2001

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

E os gênios continuam surgindo

(Texto de Sérgio Lourenço publicado numa antiga edição (data desconhecida) da revista Presença Espírita.)

Ultimamente, casos de crianças com visíveis provas de reencarnação estão aparecendo no mundo todo. Antes, o assunto ficava restrito a um pequeno meio regional. Atualmente, pela ação dos veículos de comunicação de massa e o acesso do povo a esses recursos, tudo se divulga e se sabe. O que acontece nesse campo, lá do outro lado, aqui chega em poucos minuto. Sinal do avanço da ciência. Apenas um sinal, porque, embora evidente a causa desses fatos, continuam, os homens de saber, tentando ignorar a Verdade.
É o caso de um menino músico, outro desenhista, outro voltado para a adiantada informática, enfim, gênios, fazendo, com pouco tempo de vida, coisas que crianças normais, pela lógica do ensino, necessitariam de vários cursos e de longos e penosos anos de estudo para assimilar.
Só a reencarnação é que pode explicar esses fenômenos. No entanto, ainda são classificados de gênios ou superdotados. É muito cômodo. É muito fácil. E fica tudo como está. A criança é um gênio e pronto...
O mais recente fenômeno dessa natureza nos vem da Inglaterra. O garoto John Adams, de apenas nove anos de idade, se diverte com matemática. É o mais jovem britânico a ter aprovação em um exame aplicado em jovens de dezessete  dezoito anos, antes do ingresso na Universidade. Com nove anos apenas supera o tão temido vestibular.
Seus pais informaram que John começou a ler aos onze meses de idade, e aos três anos já resolvia problemas de álgebra. Seu pai é professor de matemática e sua mãe, especialista em estatística. Diz o garoto que estuda matemática porque acha a matéria divertida... Diz, também, que pretende lecionar quando tiver dezesseis anos... Sem comentários.
Este nato na mão de cientistas preconceituosos terá explicação simplista. Será o inconsciente do pai ou da mãe captado pelo garoto... Tudo muito fácil. Como os pais manipulam o assunto, fornecem meios para que a mente do garoto capte o conhecimentos.
O interessante é que esse inconsciente aculturado dos pais não é captado pela maioria dos filhos. Tem muito intelectual com filhos, lamentavelmente, com QI inferior. É muito fácil dar explicações. O difícil é entender!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entrevista com Cláudio Emanuel Abdala

(Extraída do boletim Leitor EME n.º 25 [agosto.2011], da Editora EME, de Capivari - SP - anunciando o lançamento do livro  "Contos da vida", do escritor e expositor espírita baiano, idealizador e dirigente da Sociedade Espírita Campo da Paz, localizada no Jardim Nova Esperança, em Salvador.)

Como você conheceu o Espiritismo?
Aos 16 anos, a convite de um irmão. Nessa idade, iniciou-e também meu interesse pela literatura.

Qual a importância do Espiritismo em sua vida?
A importância que tem o sangue e o ar para meu corpo físico. É meu norte. Foi a Doutrina Espírita que me apresentou Jesus como todo seu esplendor.

Você é médium? Como a mediunidade auxilia em seu livros e em seu cotidiano?
Sim. Nos livros, é inequívoca a inspiração dos amigos da Espiritualidade. Sinto-lhes a presença, toda vez que me dedico a escrever. Em meu cotidiano, a mediunidade, facilitando meu contato com a Espiritualidade, desde que sintonizado com o bem, deixa-me sereno diante das adversidades. Só não sou mais auxiliado por causa das inúmeras imperfeições que me caracterizam.

Como surgiu a ideia do Projeto Campo da Paz? Quais são os objetivos e quais atividades funcionam atualmente?
O sonho teve início há mais de 25 anos, quando participava da Juventude Espírita Maria Dolores. Temos o objetivo de acolher em tempo integral crianças órfãs com deficiência e, futuramente, idosos socialmente desamparados. Estamos hoje aguardando a chegada das crianças via Vara da Infância e Juventude. Atualmente, em nosso núcleo, realizados estudos sobre as obras de André Luiz e mediunidade, promovendo ainda o estudo sistematizado da Doutrina Espírita. Realizamos também reunião mediúnica. Estamos nos preparando para dar início à construção do salão doutrinário.

Qual a principal motivação para escrever o livro Contos da vida?
Um forte impulso que surgiu em meu coração, um desejo incontido de passar amor em histórias simples.

Alguém o incentivou a desenvolver esse trabalho?
Minha esposa e os companheiros de nossa casa de oração.

Teve alguma surpresa ou dificuldade para realizar o livro? Quais?
Não. Eu sentia a presença dos companheiros espirituais. Via como uma tela cinematográfica e ia escrevendo.

O que deseja transmitir aos leitores com essa obra?
Amor. Desejo entender os meandros da vida, lutando para mudar o possível e resignar-me diante do "impossível", entregando a Deus a nossa vida.

Os contos e as crônicas espíritas têm tanta importância quando os estudos doutrinários?
O maior Espírito que pisou na Terra, o mestre de todos nós, o senhor de nossas vidas, Jesus, iluminou o mundo contando histórias, as espetaculares parábolas. O Espiritismo é inesgotável, dando ensejo a estudos em todos os ramos do conhecimento.

Você aborda uma série de temas atuais. É difícil aplicar o conhecimento espírita em assuntos do dia a dia?
Foi para isso que nos foram ministrados. Toda a dificuldade está em nós. A renovação interior em urgência em nossas vidas, a dificuldade faz parte da jornada, estamos na viagem "do átomo ao arcanjo, que um dia fora átomo".

As drogas têm realmente "adotado" nossas crianças e jovens, sejam pobres ou ricos?
Estamos num momento de transição planetária, e toda transição é dolorosa. Muitas doutrinas comentam sobre a "besta do apocalipse", e a droga pode ser essa besta. Às vezes, a busca desenfreada pelas coisas materiais faz com que surjam os chamados "órfãos de pais vivos", e muitas vezes as drogas ocupam esse espaço. O vazio existencial também conduz a criatura a penetrar esse doloroso caminho.

O Espiritismo tem contribuído para um fortalecimento da espiritualidade em nossa sociedade?
Essa é a grande missão do Espiritismo: provar de forma racional que somos espíritos imortais, filhos de Deus, e que Jesus é o "caminho por onde devem trilhar nossos pés".

Você acredita que, nos dias atuais, é mais presente a solidariedade ou ainda o egoísmo?
O sofrimento é grande na Terra, entretanto, o amor também. Diante das catástrofes, o ser humano consegue exteriorizar o amor que jaz latente nas fibras mais íntimas da alma. O egoísmo ainda é a maior chaga da Humanidade, mas irá desaparecer envergonhado, quando o amor ganhar terreno no coração das criaturas, e se materializar na mais pura solidariedade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O imortal Offenbach

(Transcrito do boletim SEI - Serviço Espírita de Informações, editado pelo Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro. O texto que segue, de Giovanni Scognamillo, é continuação do trabalho iniciado em edição anterior à do número 2.015, correspondente à data de 11 de novembro de 2006.)


"O caro leitor que vem prestigiando este boletim, acolhendo com carinho aquilo que nele é divulgado, tem recebido comentários sobre os enredos de óperas enriquecidos por fenômenos mediúnicos, produzidos por médiuns conscientes ou não; e tomando conhecimento de mensagens, via música, que afirmam a pluralidade das existências e as influências, boas ou más, que exercem os Espíritos obre nós, os encarnados.
No artigo anterior (SEI 2.010, de 7 de outubro), prometemos mostrar o quanto podem Espíritos condicionados ainda ao uso do fumo e do álcool influenciar as pessoas que, por invigilância, se colocam sob sua dependência, convertendo-se em vasos humanos passivos, por mio dos quais aqueles viciados do Além procuram, de alguma sorte, satisfazer a dependência que adquiriram durante a permanência no corpo físico.
Devemos lembrar, por outro lado, que o assédio espiritual dura até o momento em que a pessoa resolve reagir, quer pela oração quer pela modificação de hábitos e, mais ainda, quando apela para a necessária reforma íntima. Eliminada a causa, o efeito desaparece.
Na ópera "Os contos de Hoffmann", de (Jacques) Offenbach (1819-1880), deparamos com uma cena singular, no interior de uma taverna inteiramente tomada por amantes de bebidas alcoólicas, seres humano que ali costumavam encontrar motivações para as suas ilusórias alegrias. Ocorre que, segundo o enredo de Offenbach, uma outra multidão ocupava o espaço não-visível aos olhos dos encarnados: eram os numerosos desencarnados, que ali compareciam para saciar a sede de bebidas e, para tanto, contavam com a colaboração material daqueles festivos companheiro de copo. O libreto da ópera reproduz, com fidelidade absoluta, o que se passa no interior da casa noturna, dizendo: "Vindo dos bastidores, ouve-se um breve coro dos Espíritos da cerveja e do vinho, que entoam louvores às beberagens a eles (os Espíritos) respectivamente associadas como dissipadoras da melancolia dos homens". E basta o uso do bom-senso pra que se aceite esta como uma séria e providencial advertência.
Também remetemos ao prezado leitor, para as devidas reflexões, esta preciosa descrição que faz o Espírito André Luiz, dando detalhes do interior de uma casa noturna onde a moral e os bons costumes estavam ausentes nos que a frequentavam. Cedemos a palavra àquele orientador: "A casa de pasto regurgitava... Muita alegria, muita gente. Lá dentro, certo recolheríamos material adequado a expressivas lições. Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar. Junto a fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectante. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar... outras aspiravam o halito de alcoólatras impenitentes." E, para mais informações, o leitor pode consultar o capítulo 15 da esclarecedora obra desse Espírito amigo: "Nos domínios da mediunidade", psicografada por Chico Xavier e publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Como dissemos, a personagem central do melodrama chama-se Antônia, médium de amplos recursos e que, como um ser humano normal, também passava por dificuldades e problemas. Numa determinada prova, sentindo-se necessitada de amparo, recorre ao Espírito da saudosa mãe, na expectativa de ser atendida pela amorosa entidade, cuja lembrança estava preservada por um retrato que ela cuidava com muita estima. E foi diante da imagem da mãe que ela orou, implorando proteção. Ocorre, então, um singular caso de efeitos físicos, quando o retrato parece adquirir vida e movimento, e a voz da falecida mãe se faz ouvir, chamando a filha pelo nome, advertindo-a e implorando que não deixasse de atendê-la, antes que fosse demasiado tarde. Este fenômeno é conhecido na literatura doutrinária como voz direta.
Sem dúvida, esta valiosa criação operística de Jacques Offenbach, como aquelas outras anteriores, emolduradas por linhas melódicas que promovem a alegria sadia, suas óperas e operetas muito ajudaram na criação de psicosfera receptiva aos trabalhos desenvolvidos por Allan Kardec em sua tarefa libertadora.
Oportuno lembrar: um dos mais lindos e apreciados poemas sinfônicos conhecidos faz parte desta ópera: "La Barcarola" (a pequena barca), que, por si só, já bastaria para imortalizar o nome de Offenbach.