terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Como a ti mesmo...

Irmã Rafaela



Abençoa teus pés trilhando os caminhos da tua redenção, porque nem sempre os preferiste, embrenhando-te nos desvios da estrada segura até que por fim caíste nos despenhadeiros da loucura ignominiosa...
Abençoa tuas mãos dedicando-te aos trabalhos de doação, porquanto nem sempre realizaste o bem, preferindo ocupá-las nas obras de rapina, em detrimento da necessidade alheia...
Abençoa teus braços emprestando tua força ao soerguimento dos moralmente fracos, a despeito de no passado te comprazeres na tortura da muitos que te procuravam por confiança em teu amparo...
Abençoa tua cabeça dirigindo teus pensamentos e tuas ideias para ações que promovam a inteligência, desprezando as insinuações das mentes refratárias que coibem a livre manifstação dos pendores das almas em redor.
Abençao teus olhos, ouvidos e boca, controlando teus impulsos acostumados a denegrir, voltando-os agora à tarefa da paciente compreensão ante  aqueles que te deem causa às amarguras, posto que ontem foste capaz de ver o mal onde este não havia; de escutar as vozes do opróbrio despezando os bons conselhos; e emitir sentenças condenatórias quando podias decidir pela libertação de muitas mentes escravizadas ao erro, assim consolando muitos corações e pacificando tua consciência...
Abençoa, enfim, todo o teu corpo, recordando que é ele o templo de tua alma e perfeita criação do Pai misericordioso, que o conce a seus filhos bem amados para que estes se aperfeiçoem na senda evolutiva do Espírito imortal.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Amizades espirituais

Francisco Muniz


Diz Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, que os melhores medianeiros são aqueles que se enganam menos, por simpatizarem mais com os bons espíritos. Tal simpatia, parece óbvio, é ao mesmo tempo semente e fruto de verdadeiras amizades que se espraiam nos dois lados da vida. Por isso, merece especial atenção a relação entre os médiuns e os espíritos elevados, qual a que envolveu a médium Yvonne do Amaral pereira e o Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, cujo aniversário de renascimento na carne, ocorrido em 1831, no Ceará, comemora-se no dia 29 de agosto. Eis uam razão para prestarmos uma humilde homenagem a esse valoroso trabalhador do Bem, que a Terra é reverenciado tanto como "o Kardec brasileiro", pelo muito que fez em prol da Doutrina Espírita, quanto "o médico dos pobres", por motivos evidentes.
Do ponto de vista do exercício mediúnico, a parceria entre Yvonne e Bezerra produziu valiosos exemplares da literatura espírita, que em muito enriqueceram o panorama intelectual do movimento espírita brasileiro, tanto pela beleza da expressão literária de cada obra quanto por seu conteúdo doutrinário. Pelas mãos da médium fluminense, nascida no municcípio de Valença (RJ), hoje rebatizado como Rio das Flores, e desencarnada no Rio de Janeiro, em 1984, surgiram preciosos trabalhos da lavra do prestimoso instrutor espiritual, a exemplo de Dramas da Obsessão, A Tragédia de Santa Maria e Nas Telas do Infinito - este, em conjunto com o Espírito Camilo Castelo Branco, também autor do clássico Memórias de um Suicida.
Mas além de ditar essas obras, Bezerra colaborou com Yvonne Pereeira supervisionando várioss trabalhos psicográficos, como os livros Devassando o Invisível (assistência do Espírito Charles, mentor da médium), A Família Espírita, Evangelho aos Simples, A Lei de Deus, Contos Amigos e O Livro de Eneida (assistência de Charles e Léon Tolstoi).
Talvez tenha sido o nome venerando de Bezerra de Menezes o facilitador da carreira literária espírita de Yvonne, uma vez que Nas Telas do Infinito foi seu primeiro livro publicado pela Federação Espírita Brasileira - editora de todas as suas obras -, antes de Memórias de um Suicida e Amor e Ódio. Conforme a médium relata nas páginas de abertura de À Luz do Consolador, sua submissão à FEB deveu-se a conselhos de "meus amados Guias Espirituais Bezerra de Menezes e Charles". Tais Espíritos, conta Yvonne,  lhe diziam: "Somente à Federação Espírita Brasileira confia as tuas produções literárais mediúnicas. Se, um dia, alguma delas for rejeitada, submete-te: guarda-a, a fim de refazê-la mais tarde, ou destrói-a. Mas, não a confies a outrem".
Por tal razão, Yvonne jamais doou nenhum livro que tenha psicografado às editoras que lhe solicitaram publicações, até porque, conforme relata no livro citado, ela amava e respeitava a Casa-Máter do Espiritismo no Brasil "desde a minha infância".
Não era por acaso o conselho espiritual, uma vez que Bezerra havia sido, quando encarnado, presidente da FEB em duas gestões diferentes, em 1889 e 1895, respectivamente, havendo desencarnado em pleno exercício do cargo. Em seu livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes (Ed. LAKE), o autor Ramiro Gama registra uma mensagem de nosso homenageado recebida através de Chico Xavier, outro médium que soube honrar sua amizade com os Espíritos. A mensagem, dirigida aos medianeiros, é uma verdadeira receita de estreitamento dos laços de amizade, pela prática da caridade. Nela, o "médico dos pobres" recomenda: "Quem deseja a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procura a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência".
Assim se acumularão tesouros no céu da consciência, consoanta a lição de Jesus, o Amigo Maior.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bons instrumentos e intépretes

Francisco Muniz

Que é mesmo a mediunidade e qual é de fato o papel do médium, detentor dessa faculdade? Todo aprendiz da Doutrina Espírita que realmente se interesse por viver essa condição com consciência e responsabilidade deverá, ao menos, pensar nessas questões, de forma a se sentir estimulado a frequentemente consultar as informações de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores na tentativa de encontrar as respostas mais pertinentes.
Isto quer dizer que o importante não é tanto encontrar as respostas, mas procurar por elas, ou seja, querermos e buscarmos continuamente as instruções e esclarecimentos que nos farão conhecedores dos assuntos que nos digam respeito, instrumentalizando- os como os bons intérpretes que devemos ser dos abnegadoss Instrutores espirituais e também bons instrumentos junto às entidades necessitadas da boa assistência.
Assim, pelo estudo sério e metródico e pela prática consciente e eficaz é que os médiuns se desenvolvem, capacitando-se para as tarefas grandiosas do futuro. Os aprendizes da mediunidade que se especializam nesse conhecimento pelo aprendizado do Espiritismo têm o dever de atentar para não apenas uma, mas várias tarefas que lhes pesam sobre os ombros, quando se trata de se educarem para tão nobre quanto complexo compromisso.
O médium, desse modo, há que estudar e estudar-se, quer dizer, além de consultar os livros que lhe vão instruir quanto à ciência, precisa observar o próprio comportamento nos três níveis de manifestação pessoal: emocional, físico e intelectual, isto é, na esfera dos pensamentos. Para tanto, é mister o medianeiro tanto se instrua quanto se moralize, através da assimilação, compreensão e vivência dos postulados evangélicos explicados pela Doutrina dos Espíritos.
Dessa forma é que se tornará intérprete fiel das orientaçoes dos bons Espíritos, candidatando-se a maiores encargos no futuro, consoante as palavra do Cristo exaradas no capítulo 24, versículos 45 a 51 do Evangelho de Mateus: "Bem-aventurado aquele servo a quem o seu Senhor, quando vier, achar assim fazendo. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens".


Jesus na cruz

Irmã Rafaela

Tirem Jesus da cruz
essa não é boa rima
Ele quer estar cá embaixo
e vocês o põem lá em cima?

Ele caminha conosco
nossos passos Ele conduz
é um favor a nós mesmos
retirar Jesus da cruz!

A cruz fica melhor
se nela estamos pregados;
não fica bem pra Jesus
mantê-lo crucificado.

Modifiquemos a conduta
trocando trevas por luz;
valorizemos a luta
tirando Jesus dessa cruz.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um pouco de boa vontade

Francisco Muniz



“Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade.” 

Naquela noite inolvidável do nascimento de Nosso Senhor na face escura do planeta a luz revelou-se à Humanidade cansada de estorcegar nas trevas da própria ignorância. A luz do Alto vinha aquecer os corações angustiados e iluminar a mente e os caminhos daqueles que ansiavam pela Verdade. Estes os homens de boa vontade, predispostos a ouvir e atender aos apelos dos Cimos a fim de se elevarem no concerto espiritual, correspondendo à Vontade do Senhor: paz na Terra.
O homem é senhor de sua vontade e importa mantê-la livre dos empeços que atrapalham a boa jornada no rumo da evolução, procurando fazer unicamente o bem. No entanto, a vontade do homem é ainda tíbia, porquanto ele se deixa levar por interesses outros, dando vez a vontades outras incompatíveis com suas necessidades de espírito imortal, quando tudo quanto deveria fazer seria ceder sua vontade à Vontade maior, a do Pai misericordioso, soberanamente justo e bom. Tal é a mensagem do Cristo em todo o Evangelho, indicando a natureza da vontade de Deus: “Que vos ameis uns aos outros”.
No homem, a vontade é o impulso da alma para a realização dos grandiosos propósitos da Divindade. Com sua consciência adormecida para as “coisas do Pai”, o homem necessita de estímulos tanto internos (a dor que corrige) quanto externos (as vicissitudes que freiam) a fim de aprender a conduzir sua vontade de acordo com as determinações espirituais. Por tal motivo Jesus pede que tenhamos bom ânimo, isto é, que nossa alma se deixe cativar pelos valores imperecíveis da Realidade Imortal para enfim instalarmos o Reino dos Céus no próprio coração.
Sem esse esforço, como experimentar uma existência de paz? O homem se ressente da falta de paz por ter esquecido de quem é, por ter perdido o endereço de Deus e adotar um estilo de vida marcado pelo materialismo, em detrimento de sua herança divina. O resultado é o permanente conflito em que se encontra, consigo próprio e com os demais, manifestando perturbação onde se encontre por estar em constante desequilíbrio.

Esse estado doentio, no entanto, é passível de cura e eis que o Divino Médico das almas desce ao mundo para curar os enfermos ao mostrar-lhes o caminho da renovação íntima: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e eu vos aliviarei”.  Há que se ter a boa vontade de atender ao dúlcido apelo do Cristo, renovado todos os dias junto àqueles necessitados do lenitivo e ansiosos por conhecer a verdade que liberta, para que então o mundo viva em paz e os homens, finalmente, glorifiquem o Pai nas alturas celestiais de si mesmo...