sábado, 8 de agosto de 2015

Peculiaridades do verbo amar

Francisco Muniz

No primeiro culto doméstico do Evangelho de agosto em nossa residência, com a participação dos netinhos, perguntei a Pedro e a Laura o que é Evangelho. A resposta oferecida correspondeu ao que eles observam semanalmente nesse momento sagrado em que a família se reúne em torno de O Evangelho Segundo o Espiritismo para louvar a Deus e pedir amparo e proteção ao Cristo Jesus: "Evangelho é rezar!"
A resposta não é estranhável, porquanto muitos de nós ainda nos prendemos a conceitos primários do religiosismo que nos identifica. Entretanto, o conhecimento espírita que nos atesta o amadurecimento psicológico exige de nossa parte um entendimento compatível com esse aprendizado, a fim de adotarmos o comportamento consequente às lições de Jesus.
Eis que lemos nas páginas da terceira obra da Codificação o Espírito João Evangelista proclamar que a Doutrina Espírita vem nos exortar à ação viril, uma vez chegados os tempos de cumprimento das promessas do Senhor. A conclamação do Apóstolo inserida na obra de Allan Kardec reafirma a madureza ao menos intelectual da Humanidade, preparada para recepcionar a Terceira Revelação das Leis de Deus.
É oportuno recordar que o grande objetivo do Espiritismo, revivendo a pureza da doutrina de Jesus, é o melhoramento moral da Humanidade, o que se conseguirá pelo desenvolvimento das virtudes que jazem latentes em cada ser humano. Fica subentendido que esse objetivo será alcançado mediante os esforços que cada um saiba empreender no sentido da auto-superação e no da dedicação à tarefa da caridade, no cumprimento das ordenações do Cristo: amar ao próximo como a si mesmo, incondicionalmente, e fazer ao outro o que se gostaria que este lhe fizesse.
Desse modo entenderemos que Evangelho tanto pode significar rezar, ou seja, dirigirmo-nos em pensamento amoroso ao Deus além dos homens, quanto significa amar, isto é, correspondermos à ação concreta de amar a Deus em meio aos nossos semelhantes. É dessa maneira que o Cristo nos ensina, em seu roteiro de felicidade a nós dirigido, a viver sua proposta de reintegração ao Pensamento Divino, numa retomada do endereço do Pai Supremo, que havíamos perdido ao longo de nossa jornada multimilenar através do tempo e do espaço.
Essa longa trajetória espiritual está perto de ser comprovada pela Ciência materialista da Terra, que já admite ser nosso DNA muito mais antigo que o próprio planeta, ao ponto de um cientista declarar, num desses documentários exibidos pela TV fechada, que "somos gerados pelas estrelas". Assim sendo, nossa origem também é nossa destinação. Em O Livro dos Espíritos, lemos que a jornada evolutiva dos seres criados por Deus é feita nos diversos mundos que povoam o Universo, iniciando-se naqueles mais primitivos e prosseguindo nos mais adiantados conforme se dê o aprendizado do princípio espiritual.
Perguntando-se qual a finalidade desse aprendizado, chegaremos à conclusão de que por ele é que nos especializaremos na prática do amor. E será somente por esse comportamento, nos moldes do ensinamento do Cristo, que reencetaremos nossa caminhada de volta para casa, qual seja nossa reunificação em Deus, consoante as palavras de Jesus: "Estais na Terra mas não pertenceis a ela" e "Eu e o Pai somos um". Haveremos de também ser um com esse Pai amoroso, tão logo procedamos de acordo com a crística recomendação: "Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem".

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