sexta-feira, 27 de abril de 2012

Noticiário do Além


Francisco Muniz

As pessoas “comuns”, isto é, aquelas que se pautam pelo pragmatismo nas questões do mundo, dizem, ao se reportarem às coisas transcendentais, especialmente no tocante à vida além da morte física, que “ninguém nunca voltou para dizer como é”. Com isso atestam seu ceticismo e, pior, sua ignorância acerca da própria vida, que nos convida a um exame mais acurado de todos os seus aspectos. Afinal, informações há de sobejo à disposição de quem queira pelo menos ilustrar-se no conhecimento da Verdade, principalmente para quem deseja mudar de ideia a respeito das próprias convicções.
Ora, o “correio do Além”, se assim podemos nos expressar, jamais esteve inativo e a história da Humanidade é pródiga a esse respeito. É certo, portanto, que “eles” voltam para contar como é “lá” e, se não vêm, recepcionam quem se disponha a buscar notícias na fonte, a exemplo do poeta renascentista italiano Dante Alighieri, os gregos iniciados nos mistérios de Elêusis, o sueco Emmanuel Swedenborg e tantos outros que devassaram o véu do Invisível e se fizeram narradores especialíssimos dos panoramas e ocorrências referentes a um mundo tão nosso conhecido, o qual julgamos, contudo, não nos pertencer, ao ponto de o chamarmos de “outro”.
Coube ao pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail tornar patente a realidade da vida extrafísica, revelando-a, através do concurso dos habitantes do Mundo Espiritual, como o conhecimento mais proveitosa de encetarmos as modificações de mente e caráter (disposição moral) de que necessitamos para nos sentirmos sempre bem (bem se vê que aqui transcendemos a simples questão de saúde física e/ou mental). Com o pseudônimo de Allan Kardec, o pesquisador francês tornou-nos possível, desde o século XIX, rasgar o véu do “outro mundo” ao nos apontar a todos na condição de médiuns, ou seja, detentores da “chave” que abre as portas da realidade transcendental. Na qualidade de médiuns, entramos em contato com seres não tão desconhecidos de nós mesmos, descobrindo que eles já estiveram aqui com conosco, assim como procedemos de “lá”. A mediunidade, então, é o “xis” que soluciona o problema.
Foi com essa incógnita que o mineiro Francisco Cândido Xavier, então com 17 anos de idade, deparou-se um dia, ele que desde cedo já experimentava ocorrências próprias de sua condição de médium. Adolescente, ele conheceu os amigos encarnados – o casal Perácio – José Hermínio e Carmem – que o iniciariam nas lides do intercâmbio espiritual a partir do conhecimento da Doutrina dos Espíritos. Fato semelhante também aconteceu com o baiano Divaldo Pereira Franco, com a fluminense Yvonne do Amaral Pereira e muitos outros médiuns no Brasil e alhures, chamados a desempenhar um papel preponderante na disseminação das verdades relativas à imortalidade do ser, dando prosseguimento à tarefa de anunciar a Boa Nova do Reino executada por Jesus há mais de dois mil anos.
É imperioso, assim, que saibamos atentar para a praticidade desse “correio”, aumentando nossa percepção acerca da Vida, uma vez que o intercâmbio entre os dois mundos propõe por finalidade a transformação moral dos homens. A praticidade está em não só fazermo-nos condignos desse intercâmbio com os Espíritos, através da adoção de posturas responsáveis em benefício de nós mesmos e dos outros – “eles”, inclusive –, mas sobretudo precavendo-nos quanto às surpresas desagradáveis que por desventura nos assaltem no pós-vida, em razão de nossa indiferença para com os deveres morais/conscienciais, que nos exortam a praticar o bem.
Vemos, assim, na mediunidade uma ferramenta pedagógica que, se bem utilizada, fará de seu portador tanto um bom canal a serviço dos missivistas do Além, quanto um autêntico representante de Jesus na Terra, retransmitindo incessantemente a Boa Nova do Reino dos Céus, a fim de que cada vez mais tenham os homens a possibilidade de reencontrar o caminho para Deus.

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