domingo, 29 de novembro de 2015

Mediunidade nos animais: existe?


Francisco Muniz



A
 dúvida é pertinente, porquanto até mesmo Allan Kardec questionou os Espíritos Superiores acerca desse problema. A razão dessa dúvida, desses questionamentos, é o fato de que observamos em vários animais a capacidade de “ver” e “ouvir” Espíritos e mesmo de serem condicionados a obedecer a certas ordens humanas, o que faria deles médiuns. Entretanto, não é assim e, para justificar essa negação, o Codificador se vale de proveitosa análise do Espírito Erasto, que em O Livro dos Médiuns faz ponderações importantes e incontestes em prol de nosso esclarecimento a respeito desse tema.
Para começo de conversa, Erasto explica a Kardec que a condição de médium cabe exclusivamente aos homens, uma vez que os Espíritos se comunicam com seus iguais, porque encontram nos homens o material necessário a essa comunicação. Assim é que no cérebro humano estão as informações de que os Espíritos se utilizam para manifestar suas idéias, o que não pode acontecer no tocante aos animais: “Ora bem! Que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Tem ele ali palavras, números, letras, sinais quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo o menos inteligente?” – questiona o instrutor espiritual.
Outra coisa que Erasto, antigo discípulo do apóstolo Paulo de Tarso, esclarece é que a mediunidade foi concedida por Deus ao homem para este avançar no rumo do progresso espiritual. Nesse sentido, compreenderemos que, conforme diz esse Espírito, os animais, estando ao nosso lado para nos secundar nas tarefas materiais, fazendo-nos companhia e nos alimentando, não estão submetidos à mesma lei de progresso que nós. É o que salienta Erasto em suas considerações na segunda obra da Codificação.
Então, o que há nos animais ao ponto de fazer alguns de nós pensarmos ainda sejam eles médiuns? Pois não percebemos neles um comportamento próprio de quem vê ou ouve espíritos? Os cães latindo para determinado ponto; os cavalos e muares empacando em certos trechos da estrada; os gatos eriçando os pelos ante algo invisível aos nossos olhos não indicam a presença de uma faculdade mediúnica neles?
A resposta é sempre não. O que parece mediunidade nos animais – informa-nos Erasto – mais não é do que manifestação dos instintos. E ainda que alguns de nossos irmãos da ordem inferior na escala evolutiva demonstrem facilidade em cumprir as ordenações humanas, não é possível magnetizá-los a fim de que executem as tarefas próprias dos médiuns, assevera Erasto: “Os fatos mediúnicos não podem dar-se sem o concurso consciente, ou inconsciente, dos médiuns; e somente entre os encarnados, Espíritos como nós, podemos encontrar os que nos sirvam de médiuns. Quanto a educar cães, pássaros, ou outros animais, para fazerem tais ou tais exercícios, é trabalho vosso e não nosso”.

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