segunda-feira, 1 de abril de 2013

Neutralidade?


"Tendes aprendido que foi dito: olho por olho, dente por dente. - Eu vos digo para não resistirdes ao mal que se vos quer fazer; mas se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra; - e se alguém quer demandar contra vós para tomar vossa túnica, abandonai-lhe ainda vossa capa; - e se alguém quer vos constranger a fazer mil passos com ele, fazei ainda dois mil. - Dai àquele que vos pede, e não repilais àquele que quer emprestar de vós." 
Palavras de Jesus no Evangelho de Mateus (5:38-42). Coloco-as a propósito da frase atribuída ao bispo sul-africano Desmond Tutu, segundo a qual a neutralidade em situações de violência e injustiça configura tomar o partido do agressor. Não penso assim, caso contrário estaria negando o ideal cristão que abraço com muita responsabilidade. A violência é um mal e resistir a ela, recalcitrando, reclamando, brigando, altercando... é dar força ao mal. O Cristo nos esclarece que bem melhor é perdoar a todos por tudo que nos façam.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos, no capítulo XII, intitulado "Amai os vossos inimigos", o tópico "Se alguém vos bate na face direita, apresentai-lhe também a outra", informando-nos que "os preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar o ponto de honra dão essa suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e da exaltação da personalidade, que leva o homem a restituir injúria por injúria, insulto por insulto, o que parece a justiça para aquele cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrestres (...)".
É sempre oportuno pensarmos um pouco mais profundamente, destituídos das paixões que nos fazem perder a medida do comedimento e do equilíbrio, manifestando atitudes das quais só muito tempo depois vamos nos arrepender. Por isso o comportamento equilibrado é muitas vezes confundido com neutralidade que nesses casos tais pessoas entendem como indiferença, querendo sempre que lhe deem razão em seus momentos de desvario emocional, somente porque se acham "com razão"...
Mas se recordássemos, pelo aprendizado sincero e consequente, as lições de Jesus, agora bela e eficazmente interpretadas pelo Espiritismo, meditaríamos as palavras de Allan Kardec, que nos pede: "Dirigi vossos olhares para a frente; quanto mais vos eleveis pelo pensamento, acima da vida material, menos sereis magoados pelas coisas da Terra".

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