sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Amor aos criminosos

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

O Evangelho do Cristo nos ensina a não julgar ou condenar os atos de quem quer que seja, porque pela medida que julgarmos seremos julgados. O próprio Jesus, segundo nos conta o relato bíblico contido no Novo Testamento, isentou-se de julgar a mulher adúltera que lhe apresentaram, por se reconhecer sem esse direito. À turba enfurecida, simplesmente argumentara: "Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra". Um por um, todos foram embora e o Cristo, que rabiscava na areia, alteia os olhos amorosos e, vendo que os acusadores já não estavam ali, dispensa a pecadora: "Se ninguém te acusa, eu também não te condeno. Vai e não peques mais".
Fazemos esse preâmbulo para falar do homem que a imprensa, naquele ano, rotulou de "maníaco do parque", autor de crimes bárbaros contra mulheres jovens da cidade de São Paulo. De acordo com a psiquiatria e a psicologia, ele certamente se enquadra nas descrições dos tipos tidos como psicopatas, portador de distúrbios que o impedem de se relacionar bem com as mulheres, no caso em questão. Conforme declaração da mãe desse rapaz, ainda no vigor de sua juventude, ele jamais mostrara algum traço de anormalidade, portando-se em casa conforme o que se espera de alguém social e moralmente sadio.
Então, como avaliar suas confessadas atitudes criminosas a não ser do ponto de vista da obsessão, estado psicopatológico responsável por uma variada gama de tragédias que têm acometido muitas pessoas em todas as partes do mundo? Trata-se, evidentemente, de uma mente em desequilíbrio sintonizada com outra(s) mente(s) também desequilibradas. Eis por que ele teria dito, já na prisão, que, se fosse posto em liberdade, iria "engolir viva uma mulher". O transtorno mental, agora, se escancara porque já não há necessidade de mistificar ou se esconder: o criminoso foi descoberto e ele já não tem nada a ganhar fingindo, pelo contrário, seu ego carente de atenções chama para si os holofotes.
A obsessão guarda suas origens no recôndito da alma, perdendo-se nas incontáveis experiências vivenciadas pelo Espírito nas múltiplas existências. Os criminosos de hoje são tanto algozes (aos olhos do mundo) quanto vítimas de sua própria condição espiritual, inferiorizada pelas más tendências, que os obsessores se encarregam de explorar.
Os Espíritos Manoel Philomeno de Miranda, André Luiz e Bezerra de Menezes, dentre outros, traçam, em livro como Loucura e Obsessão (psicografia de Divaldo Franco) e Libertação (por Chico Xavier), as paisagens dessa psicopatologia. paralelamente, ensinam que a terapia do perdão sincero e do serviço nas obras beneméritas são o remédio mais eficaz para superação dos dramas que afetam famílias e superlotam manicômios, hospitais, sem que os médicos sequer entendam o que acontece. Alguns, mais sensatos, recomendam que o paciente recorra a um centro espírita, que, sendo sério, poderá ajudar bastante.

Compaixão

Embora os criminalistas vejam esse homem - o "maníaco do parque" - apenas como um assassino frio e cruel, é preciso ver nele também e principalmente um espírito perturbado e merecedor de piedade, justamente por ter se deixado enveredar pela senda criminosa. Como um obsesso que certamente é, foi levado, por invigilância, aos caminhos nefastos que os apelos do sexo tornaram-lhe irresistíveis. Desse modo, convém sempre não fazermos eco às acusações que lhe pesam, porque, além da justiça terrena, ele também responderá perante os tribunais de sua própria consciência.
É o que nos ensina o Evangelho do Cristo: se devemos amar-nos uns aos outros, por que motivo esse amor não deveria abarcar também aqueles que se transviaram no caminho, preferindo trilhar as sombras? Não somos todos semelhantes, filhos do mesmo Deus? As ovelhas desgarradas também são do interesse do pastor e ele as quer de volta ao aprisco.
Sobre esse tema, o Espírito Elizabeth de França, tal como relatado por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, reforça: "Amai-vos, pois, como filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre vós, para vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados à prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências".

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