sábado, 31 de agosto de 2013

Implosão da moral na Torre de Babel

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 6 - Ano I - Setembro.1998)

Pressionado pela opinião pública e, certamente, pela direção da Rede Globo, o autor da novela Torre de Babel (em cartaz naquele ano), exibida no horário das 20 horas, decidiu eliminar parte de seus personagens, incluindo aqueles mais polêmicos. Numa explosão do shopping center que ambientava algumas cenas foram embora o par de mulheres homossexuais, o pai do presidiário, a velhinha da cadeira de rodas, o filho do dono do shopping, viciado em drogas, e vários figurantes.
A pressão dos telespectadores se deveu à forte carga de amoralidade presente na novela, chamando a atenção não apenas das pessoas comuns como daquelas comprometidas com a formação de crianças e jovens, a exemplo do próprio cardeal do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, um dos primeiros a demolir verbalmente a "torre" da Globo. A partir de então, entidades representativas de vários setores, principalmente religiosos, também passaram a bradar.
Sob o argumento de que a realidade muitas vezes supera a ficção, não poucos escritores se ocupam de fatos reais para compor suas obras, dando vazão a ideias que muitas vezes chovam o senso comum. É bem verdade que, hoje em dia, esse senso, indicador do nível moral da sociedade, anda meio vilipendiado, mas ele deve sempre prevalecer como parâmetro das relações humanas. A novela começou recheada de tipos moralmente desajustados e embora esteja se depurando, por força das pressões, ainda incomoda muitas pessoas.

Babel moral

Talvez incomode por retratar a realidade - e é aí que Torre de Babel choca. É certo que todos estamos expostos a situações por vezes embaraçosas mal pomos os pés na rua. No entanto, pensamos sempre estar resguardados de tais episódios no recesso do lar, onde a TV é o passatempo mais frequente, nestes tempos, malgrado os programas jornalísticos invadirem nossas casas com todas as cores e sons da violência praticada no mundo. A novela, que deveria ser um refrigério após tantas imagens da miséria cotidiana, em vez de trazer-nos entretenimento reforça o horror.
Mais grave é que as cenas atinjam também a mente em formação das crianças, que têm seu senso de moral deturpado pela "naturalidade" com que certos conceitos são colocados, seguramente em desacordo com o ensinamento da maioria dos pais. E num país, como o Brasil, em que as pessoas pouco têm acesso ao sistema formal de educação, vez que a exclusão predomina entre o povo, é até mesmo cruel ficarmos entregues aos critérios e/ou falta de critérios de quem comanda a programação televisiva.
Mas sempre recebemos da misericórdia divina o que merecemos e necessitamos. Sendo assim, a "torre" da Globo só faz retratar a babel moral em que se tornou a vida moderna, de forte competição pelas conquistas sociais, revelando nosso grau de merecimento, já que pensamos não necessitar daquele tipo de mensagem.
Podemos, então, dividir a sociedade atual em duas camadas: a primeira, formada pelas pessoas interessadas em colaborar para a elevação do senso comum, pautando suas atitudes pela ética, o que significa seguir sempre o caminho do bem; a segunda, composta por quem pretende tirar partido da fraqueza alheia para auferir benefícios próprios, que deseja conquistar o melhor da vida sem se importar com os meios utilizados para isso, ou seja, vendo no semelhante um obstáculo e não um parceiro nessa conquista.

Experimentar Jesus 

Cremos ser pertinente, agora, relatar uma história real que muito bem pode explicar a razão por que a humanidade (em muitas coisas, nós, brasileiros, repetimos e assimilamos a condição de vários outros povos) se encontra nesse caos moral.
Ao final da Segunda Grande Guerra, quando o mundo se ocupava da reorganização da vida em cada país, uma revista de grande circulação nos Estados Unidos lançou um concurso para saber das pessoas de que forma seria possível estruturar as sociedades de tal maneira que pudessem superar os conflitos. Oferecia, em troca, uma elevada soma em dinheiro.
Terminada a fase de sugestões, os promotores do concurso passaram à apuração das milhares de ideias enviadas à redação da revista. Para surpresa dos leitores e dos próprios organizadores, os jurados resolveram premiar o autor de uma frase simples, elaborada com apenas duas palavras. Dizia a sugestão vencedora: "Experimentem Jesus".
Apenas isso, bastava experimentar Jesus, ou seja, vivenciar as lições do Mestre contidas em seu Evangelho de amor, para que a face do mundo se transformasse, pela própria transformação moral das pessoas. Era só seguir os exemplos do Cristo para deixarmos a barbárie e começarmos a atingir a condição de santos e, depois, dos anjos. Bastava sermos instrumentos da paz para que as guerras fossem abolidas, irmanando-nos finalmente num grande e único rebanho sob a direção do amoroso Pastor.
Entretanto, em vista do estágio em que ainda nos encontramos, aquela sugestão vencedora do concurso citado acima não foi aplicada a contento e eis-nos fazendo parte dessa babel onde a decadência moral em quase tudo faz lembrar os fariseus que, ao tempo do Cristo, aborreciam-se com a palavra rigorosa de Jesus, que não transigia com os hipócritas que por fim o levaram à cruz, mancomunados com os doutores da lei. O mundo precisa, mais do que nunca, do Evangelho, precisa experimentar Jesus e seus ensinamentos, para que o caos enfim resulte em ordem.

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