sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os espíritos curam?

Francisco Muniz
(publicado na revista Visão Espírita n. 14 - 1999)

Tem a revista IstoÉ (em 1999!) uma seção intitulada "Polêmica", na qual fatos estimuladores da opinião pública são comentados parte favorável e parte desfavoravelmente. Na edição de 27 de março de 1996, dois médicos externavam sua concepção a respeito das curas espirituais. "Os espíritos curam?", perguntava a revista. O primeiro profissional da Medicina, Luiz Augusto Queiroz, defendia o "sim", enquanto Bráulio Luna Filho negava o fato. Queiroz ocupava, na época, a presidência do Lar Frei Luiz, instituição espírita do Rio de Janeiro, ao passo que Luna Filho fazia parte do Conselho Regional de Medicina de São Paulo.
Para o conselheiro, as pessoas acreditam que a medicina espiritual funciona porque grande parte das doenças tem um forte componente emocional, ressaltando que a literatura médica mundial atesta que até 30% das recuperações de doenças, inclusive as muito graves, podem ser atribuídos ao efeito placebo, técnica utilizada nas pesquisas para comprovar a eficácia de certas drogas. "As pessoas imaginam estar tomando certos medicamentos, mas não estão de fato e mesmo assim se curam. Como explicar esse fenômeno? Não há dúvida de que a confiança em um médico ou em um tratamento, além da disposição emocional de melhorar, está intimamente ligada a essa regressão espontânea."
Luna Filho, porém, revela que "a medicina ainda não sabe explicar exatamente como acontecem as recuperações aparentemente milagrosas", referindo-se a casos de pacientes com câncer que se recuperaram totalmente desse mal, depois da medicina tê-los desenganado. "Quando isso acontece fora do meio médico", disse ele, "evidentemente, vira milagre". Milagre é o termo usado quando se depara com algo que a Ciência não consegue explicar, o que não é o caso quando se procura estudar os fenômenos de curas espirituais do ponto de vista do Espiritismo. Nesse ponto abrimos espaço para o médico Luiz Augusto Queiroz.
Segundo o então presidente do Lar Frei Luiz, "apesar da negação de alguns, hoje, no mundo inteiro, pesquisadores isentos procuram trabalhar em busca de respostas que ajudem a humanidade a avançar um pouco mais. Com os novos paradigmas da ciência, como a holografia, a mecânica quântica e a relatividade, estamos munidos de um instrumental teórico que torna perfeitamente possível aceitar que a vida se estenda a outras dimensões. Mais alguns dias e a convivência com o mundo dos espíritos poderá ser matéria comum do dia a dia. Em alguns lugares, para quem quiser ver, assim já é".
Abrimos parênteses para Léon Denis, que em seu livro Depois da Morte, no capítulo tocante aos médiuns, procura esclarecer: "Digamos ainda que uma multidão de sensações inexplicáveis provém da ação oculta dos Espíritos. Alguns médiuns servem também de intermediários aos Espíritos para transmitirem aos doentes e valetudinários eflúvios magnéticos que aliviam e, algumas vezes, curam esses infelizes. É uma das mais belas e úteis formas da mediunidade". Fecha parênteses.
Para Queiroz, "a medicina espiritual, mesmo para aqueles que não acreditam que seus efeitos são provocados pela intervenção dos espíritos, abre porta a conceitos muito mais profundos, evidentemente com mais perguntas que respostas. Nessa ótica ampla, o conceito de saúde supera o da doença. Procura-se não só a moléstia física, mas o ser humano por inteiro".
O médico lamentou que alguns de seus colegas se mostrem cegos para essa realidade: "É triste ver que ainda hoje, n o limiar do século XXI, quando a própria ciência se surpreende com o que a natureza apresenta aos olhares atônitos de físicos e químicos, possa haver num campo tão importante - pois lida diretamente com o sofrimento humano - médicos que neguem por negar e dogmatizem como se fossem donos da verdade, à semelhança das autoridades religiosas da Idade Média".

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