domingo, 1 de setembro de 2013

A "máquina de fazer doido" está descontrolada

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 4 - Ano I - Julho de 1998)

É notório que a televisão é o mais poderoso e influente meio de comunicação que o homem já inventou. Em apenas meio século (data do final dos anos 40 sua invenção), ela passou a ser um forte indicativo do progresso entre todas as camadas sociais. Até o começo da década de 1980, quem não possuía um aparelho de TV não estava integrado à sociedade (de consumo, como se definiu depois). Hoje, essa integração está tão disseminada que qualquer barraco, por mais humilde que seja, exibe um televisor (os preços caíram muito desde 1960), muitas vezes o único responsável pelos momentos de lazer e diversão de famílias inteiras.
E é esse poder de penetração da TV, principalmente junto às camadas menos esclarecidas da população, que torna esse sistema de comunicação tão útil quanto perigoso. Questionados a respeito do progresso material, os Espíritos responderam a Allan Kardec que toda invenção é boa desde que os homens façam bom uso dela. Perguntamos, por nossa vez, se temos feito bom uso da televisão, um instrumento de comunicação instantânea que deveria, segundo entendemos, propiciar meios de educação coletiva, esclarecendo mentes e diminuindo de modo gradativo as disparidades sociais.
O que se vê, ao contrário, são emissoras generalizando e banalizando os aspectos mais grotescos e menos instrutivos do comportamento humano. Cenas de violência, sexo, hábitos insalubres e barbarismo são comuns, atualmente, nas telas de TV (a "máquina de fazer doido", na definição do escritor e humorista Sérgio Porto, já desencarnado e reconhecido pela alcunha de Stanislaw Ponte Preta), influenciando principalmente crianças e adolescentes. Recentemente, um programa infantil japonês causou distúrbios psicopatológicos em várias pessoas - tanto crianças quanto jovens e adultos - devido aos efeitos produzidos pela manipulação de cores e luzes.

Influência espiritual

Há algum tempo, a psicóloga transpessoal baiana Ruth Brasil Mesquita - atualmente diretora do Departamento de Assuntos Doutrinários da Federação Espírita da Bahia (FEEB) - referiu-se, numa palestra ao público espírita, à influência dos espíritos fascinadores sobre as pessoas encarregadas de coordenar a programação das estações de TV e também ,sobre os donos dessas emissoras. Segundo Ruth, tais espíritos, que se incluem facilmente no primeiro degrau da escala espírita elaborada por Kardec ("espíritos impuros"), se encarregam de tornar os programadores menos criteriosos na hora de suscitar a criação local e de comprar filmes e programas estrangeiros, priorizando o que tenha mais apelo popular. O principal critério seria, então, o da excitação dos sentidos, ou dos instintos mais primários.
A tese de Ruth explicaria, em parte, o volume de informações sobre o qual se debruçam educadores, psicólogos, sociólogos e "comunicólogos" (estudiosos do processo de comunicação), na tentativa de enxergar a natureza dos efeitos da TV no comportamento humano. Atitudes éticas, pautadas no bom senso, poderiam talvez evitar que crianças, procurando imitar ídolos criados pela TV (e pelo cinema), saíssem armadas para intimidar colegas e professores e até matá-los, como aconteceu em março (de 1998), nos Estados Unidos.
Quem detém um poder como o da televisão - e no Brasil ele é uma concessão governamental -, capaz de manipular consciências, tem responsabilidades muito grandes. Um programa de TV, antes de ser apenas entretenimento, deve promover o ser humano e não tratá-lo ao nível de animais, como é visto hoje em dia. Não é por acaso, portanto, que programas religiosos tenham que comprar espaços pra exibir suas mensagens e muitas vezes só conseguem uma faixa de horário em que boa parte do público ainda está dormindo. É claro, alguns religiosos conseguem ter sua própria emissora e até mesmo uma rede de TV.

Exceções

Quanto aos espíritas, já é possível ter alternativas, mesmo na chamada TV comercial. Quem deseja ver e ouvir as mensagens do verdadeiro e único Espiritismo encontra opções principalmente na Rede Globo e na TV Bandeirantes. E emissora carioca, que já produziu novelas com temáticas espíritas e pelo menos três vezes por ano (até então) realiza reportagens sobre mediunidade, veicula(va) toda quinta-feira, cinco minutos antes do Telecurso, a mensagem de "bom dia" da Federação Espírita Brasileira (FEB). A Band, por sua vez, transmite (não mais), em Salvador, o "Visão Social", programa conduzido nas manhãs de sábado pelo médium José Medrado; no Rio de Janeiro, no mesmo dia e horário, vai (ou ia) ao ar o "Despertar do Terceiro Milênio", com apresentação de Joel Vaz, um dos diretores da Globo.
Correndo por fora, o "Espiritismo via Satélite", transmitido diretamente de Salvador para todo o Brasil e América do Sul, desempenha há mais de dois anos a tarefa de divulgar a Doutrina Espírita para, pelo menos, cinco milhões de pessoas, principalmente onde a TV comercial não tem presença muito forte e os aglomerados populacionais carecem de atividades de entretenimento educativo. Com seu programa, o apresentador Alamar Régis Carvalho tem procurado dissipar, todos os domingos, o véu de misticismo que cerca o Espiritismo por este Brasil afora, tentando livrar as consciências da ignorância e do apego a pensamentos e valores que não condizem mais com o adiantamento moral e intelectual que se exige da Humanidade.

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