sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sonhos - mensagens espirituais

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 18 - 1999)

O espírito jamais está inativo - informaram a Allan Kardec as entidades superiores que lhe ditaram as respostas às perguntas de O Livro dos Espíritos. Assim é que, enquanto o corpo físico repousa, durante o sono, os liames que o unem ao espírito se afrouxam e este percorre o espaço, entrando em relação mais direta com ous outros espíritos. Podemos julgar dessa liberdade do espírito durante o sono exatamente pelos sonhos, dizem-nos os tutelados do Espírito de Verdade, salientando que então espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília, tendo a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro. Enganamo-nos, muita vez, asseguram os amigos espirituais, quando acreditamos que inexista verossimilhança em muitos de nossos sonhos que consideramos bizarros ou mesmo horríveis (OLE, questões 400 e seguintes).
Fazemos tal intróito para comentar as experiências do confrade João Pinto Bastos da Silva, militante do movimento espírita baiano, com relação aos sonhos premonitórios. Antes de registrá-las, porém, vejamos o que Kardec, devidamente assessorado pelos Espíritos Superiores, diz-nos a respeito das premonições através dos sonhos. Podem ser algumas vezes, tais sonhos - dizem -, "um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar, a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhe está acontecendo? O que são essas aparições, senão a alma ou o Espírito dessas pessoas, que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem a ver com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento, durante a vigília?"
Vamos, então, aos relatos de João Pinto da Silva. No município de Mata de São João, distante 70 km de Salvador, uma irmã deste confrade construiu uma casa e o convidou a ir conhecer o imóvel. Na noite anterior à viagem, João sonhara que se deslocava à referida cidade, vendo, com perfeita nitidez, que toma o trem e, pouco tempo depois, saltava na estação, subia por uma ladeira e, ao chegar à praça principal, olhava à esquerda, deparando-se com a construção que ia visitar, observando-lhe todos os detalhes, inclusive as cores. Quando, no dia seguinte, procedeu exatamente como no sonho, olhando à esquerda ao chegar à praça e após ter subido a ladeira ao sair da estação, tele ele a convicção de que havia ido em espírito a Mata de São João.
De outra feita, o trabalho levou João Pinto a Brasília, conhecendo na capital federal a livraria da Federação Espírita Brasileira, na Galeria dos Estados, além de uma banca de livros espíritas da União Espírita de Brasília, perto da estação rodoviária. João voltou a Salvador com a ideia de instalar na cidade uma livraria fora do centro espírita que frequentava. Depois de muita procura, encontrou uma loja dentro de suas possibilidades econômicas, embora seus recursos fossem insuficientes para a compra imediata. Mas ele tinha, além da caderneta de poupança, também umas ações do Banco do Brasil que poderia negociar, mas ficara em dúvida se se desfaria delas ou não. À noite, entretanto, João sonhara que alguém se lhe aproximava e dizia: "Venda, que vai baixar". No dia seguinte ele procurou um corretor que o orientou a não vender os papéis, alertando para uma provável valorização. Mesmo assim, João preferiu a venda. Dois anos depois, apensa da inflação à época, os títulos tinham se desvalorizado abaixo da metade do valor pelo qual foram negociados. Nisso, a loja tinha sido comprada e a livraria, instalada.
Após sua aposentadoria, João Pinto da Silva adquiriu um sítio perto de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo, onde pôs um trabalhador, Antonio, para tomar conta da roça. Semanalmente, João inspecionava o local, sempre às sexta-feiras. Havia um trecho de um quilômetro, na estrada, que, quando chovia, impedia o tráfego de carros. Para evitar tal transtorno, João comprara dois burros: um, branco e vagaroso, o qual Antonio montava sempre; o outro, marrom, tinha sido adquirido junto a um empregado de uma usina. Aqui deixamo o autor contar a história que ele intitulou "Os quatro burros":
"Compramos madeira para fazer cercas, descarregada no início da estrada lamacenta. Na sexta-feira pedimos a Antonio para pegar os burros e colocar a madeira na roça. Na semana seguinte resolvemos antecipar nossa ida ao sítio para quinta-feira. Na noite de quarta, sonhamos que Antonio estava se afastando da roça montado no burro marrom. Quando chegamos, encontramos a madeira no mesmo lugar e Antonio preparando os animais para levá-la para dentro. perguntamos a ele por que não executara a tarefa, já que ele tivera quatro dias para isso. Antonio respondeu que tinha coisas para fazer fora e não ia ficar aqui dentro. Despedimos Antonio, que, naturalmente, levou suas coisas montado no burro branco. Tempos depois nos aparece um preposto da usina para nos informar que o empregado que houvera nos vendido o burro marrom não podia tê-lo feito, pois ainda não havia pago totalmente o animal. E assim nosso sonho, que fora premonitório, realizara-se integralmente: saíra o burro marrom e Antonio. Temos aí a história dos quatro burros: o branco, o marrom, Antonio, que perdeu o emprego, e..." 

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