sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Música & mensagem - Maracangalha

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 18 - Ano II - 1999)

Maracangalha
Dorival Caymmi

Eu vou pra Maracangalha, eu vou
Eu vou de uniforme branco, eu vou
Eu vou de chapéu de palha, eu vou
Eu vou convidar Anália, eu vou
Mas se Anália não quiser ir, eu vou só
Eu vou só, eu vou só sem Anália
Mas eu vou

***
 Uma das mais difíceis tarefas de quem abraça a Doutrina Espírita é, sem dúvida, a própria transformação moral, a tão falada "reforma íntima", que implica na superação de defeitos, vícios e paixões em favor de bons hábitos e virtudes que distinguem o verdadeiro homem de bem. "O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua mais completa pureza", pondera o Espírito Santo Agostinho no complemento à questão 918 de O Livro dos Espíritos, na qual Allan Kardec pergunta pelos sinais com que se reconhece no homem o progresso real que deve elevar seu espírito na hierarquia espírita, para atingir a perfeição a que se destina.
Podemos, assim, entender a "Maracangalha" de Caymmi como essa perfeição de que o espírito necessita, para elevar-se a Deus. Para tanto, é preciso que ele se liberte de tudo que o prende à Terra, na figura de suas más tendências, do que o faz ainda "material". Em suma, é necessário que ele tenha seu "uniforme branco", representado pela pureza de coração e sincera intenção de acertar sempre, cumprindo os ditames divinos, seja atendendo aos ensinamentos evangélicos, seja seguindo a própria consciência (o "chapéu de palha") no que esta recomenda à prática do Bem.
Nesse processo, é comum nos descobrirmos discípulos do Cristo e seguidores de suas palavras no que ele nos recomenda divulgar a Boa Nova a quantos nos partilham o caminho, e eis por que convidamos "Anália" para nos acompanhar nessa trajetória. Entretanto, esse convite nada tem de impositivo e porque todos têm seu livre-arbítrio, sendo donos da própria vontade, a cada qual é dado o direito de aceitar ou recusar esse convite, o qual, embora o acreditemos irrecusável, diz respeito apenas ao indivíduo, isto é, trata-se do autoconvencimento, que se processa pelo uso da razão. Assim , "se Anália não quiser ir, eu vou só", porquanto quem já se iniciou nessa marcha pela autotransformação dificilmente se desviará desse objetivo, posto que o bom, o belo e o verdadeiro plenificam o ser que não se contenta com o ilusório, com o que só satisfaz aos sentidos físicos.

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