quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Um livro para estudo

Francisco Muniz


O Espírito Emmanuel, mentor do médium Francisco (Chico) Cândido Xavier, encontrou um meio tão prático quanto útil de se estudar “O Livro dos Médiuns”, a obra monumental em que o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, oferece-nos os conceitos científicos necessários à compreensão e vivência eficaz do intercâmbio espiritual através da mediunidade. Em “Seara dos Médiuns”, contudo, Emmanuel transcende a simples conceituação científica exarada por Kardec e a aprofunda em pontuações morais, porquanto é por sua evangelização que o médium encontrará a simpatia dos bons espíritos e manifestará autoridade sobre as entidades endurecidas. Fazem sentido, assim, os “estudos e dissertações em torno da substância religiosa de O Livro dos Médiuns” enfeixados no volume publicado pela editora FEB, da Federação Espírita Brasileira, em 1961.
É dessa data o prefácio do livro, também de autoria do referido Mentor, no qual ele justifica a importância e necessidade de seus apontamentos, feitos no ano anterior, durante as reuniões de estudo acerca do intercâmbio mediúnico realizadas por Chico Xavier e seus correligionários da Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba (MG), em torno de O Livro dos Médiuns. Informa-nos Emmanuel que os textos examinados na obra de Kardec – epigrafados em Seara dos Médiuns – “foram escolhidos pelos companheiros encarnados” e só mereceram suas considerações, após os comentários efetuados, quando “fomos compelidos a deslocar do tema proposto, à face de acontecimentos eventuais, surgidos nas assembleias”. Com isto, Emmanuel contextualizava suas intervenções, oferecendo vertentes interpretativas concernentes às necessidades momentâneas dos participantes daquelas reuniões. São, para nós, valiosos ensinamentos que nos tiram da frieza da letra e nos impulsionam para a área mais abrangente do intercâmbio, fazendo-nos cientes de que o médium atua, mesmo, 24 horas por dia. É, em suma, o entendimento do que Chico Xavier dizia : “Na Casa Espírita vivemos o Espiritismo prático; lá fora devemos vivenciar a prática do Espiritismo”.
Com sua modéstia, o nobre mentor do inesquecível médium mineiro informa-nos, ainda no prefácio de Seara dos Médiuns, que seu único motivo na realização de semelhante trabalho “é apenas o de encarecer o impositivo crescente do estudo sistematizado da obra de Allan Kardec – construção basilar da Doutrina Espírita, a que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo oferece a cobertura perfeita – a fim de que mantenhamos o ensinamento espírita indene da superstição e do fanatismo que aparecem, fatalmente, em todas as fecundações de exotismo e fantasia”. Eis porque cabe ao médium proceder a tais estudos com a finalidade de se esclarecer e preservar-se de perigos, com a convicção de que apenas os livros não responderão por sua qualificação perante o intercâmbio, sendo imperioso o processo de autoeducação pelo conhecimento de si mesmo, o que leva à reforma íntima. É preciso, pois, que o médium espírita estude e estude-se, para que seja um fiel instrumento junto às equipes espirituais de cujas atividades de auxílio fraterno às entidades sofredoras seja chamado a participar.
No prefácio de Seara dos Médiuns, Emmanuel não se peja de referir-se a si próprio como alguém sem a devida capacidade para emitir “contribuições mais claras e mais eficientes em torno da palavra imperecível do grande Codificador”, uma vez que ele dissera, certa vez, a seu tutelado, que se afirmasse algo que contradissesse Allan Kardec, esquecesse Chico suas palavras e ficasse com os conceitos codificados pelo sábio de Lyon. Mas no dito prefácio, o Mentor assegura que “os campos da Ciência e da Filosofia, nos domínios doutrinários do Espiritismo, são continentes de trabalho a se perderem de vista”, exigindo empenho de muita gente disposta e sensível o bastante para oferecer contributo a novas interpretações – e aqui nos lembramos do esforço dos integrantes do projeto Manoel Philomeno de Miranda, que trouxeram a lume o utilíssimo “Estudando o Livro dos Médiuns”. Por isso, diz Emmanuel, “aqui ficamos em nossa tarefa de apagado expositor da religião espírita, que é a religião do Evangelho do Cristo, para sublimação da inteligência e aprimoramento do coração”.

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