Francisco Muniz
Nos livros de História do Brasil de antigamente tentavam nos fazer acreditar que os primeiros donos desta terra, por eles chamada Pindorama, eram um povo "sem fé, sem lei e sem rei", apenas porque na língua tupi-guarani não havia os vocábulos/morfemas "fe", "le" e "re" (gutural).
Certamente, essa foi a impressão que tiveram principalmente os jesuítas, reveladora de que aos olhos do europeu "descobridor" das terras de Santa Cruz os ditos "selvagens" não cultuavam nenhuma religião, não dispunham de um código de normas de justiça e sequer apresentavam as pompas representativas de um soberano ao estilo dos monarcas da Europa.
No entanto, o que seria, perguntamos nós, a fé dos índios segundo a visão estrangeira da época? Deveria ser como a fé "cristã" que eles esposavam? Mas essa fé, imposta pela visão centrista da Santa Madre Igreja, era a mesma que criou as Cruzadas e o Tribunal do Santo Ofício, instrumentos de perseguição e morte de quem não seguisse as determinações de Roma.
Que seria, de igual modo, a lei que eles deveriam seguir? A que os portugueses forasteiros impunham, forçando a submissão com violência para garantir a exploração daquela gente simples? Entre os índios reinava tão somente o direito natural, esboçado na posse dos territórios conquistados muitas vezes através da guerra entre as tribos: ao vencedor cabiam os despojos e só.
Igualmente, que modelo de rei os índios deveriam ter - o dos déspotas europeus, capazes de trair e explorar seus súditos barganhando alianças políticas criminosas? Não observar tal comportamento entre os nativos faria deles um povo incivil?
O fato, porém, é que a visão eurocêntrica de civilidade sobrepujou a simplicidade indígena e os índios, agora "povos originários", foram aos poucos perdendo terreno e importância, quando poderiam ter auxiliado mais e melhor na formação do povo brasileiro. E agora, tristemente, eles só têm o dia 19 de abril, conforme a música de Jorge Benjor...
Sim. Infelizmente, hoje eles lutam pela posse de algum território e pelo direito de adequar a sua gigante cultura ancestral aos parâmetros da contemporaneidade do século XXI. Todavia, há a " cobrança" de quê para serem indígenas devem permanecer de tanga e subjugados pelas determinações dos " civilizados"!
ResponderExcluirUma canção de Chico Buarque e Pablo Milanés diz que "a História é um carro alegre cheia de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue..." Assim se faz o progresso.
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