segunda-feira, 17 de julho de 2017

Problema de sintonia

Francisco Muniz



Parafraseando o antigo provérbio “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, concluiremos que basta a pessoa explicar onde repetidamente está para sabermos que objetivos ela procura e basta notarmos com quem anda para que saibamos com quem essa mesma pessoa deseja se parecer.” (Emmanuel)*



"O ser humano está destinado à glória espiritual, cabendo-lhe desenovelar-se dos terríveis anéis mentais constritores que o mantêm em tormento e frustração”, diz o Espírito Manoel Philomeno de Miranda em seu livro Reencontro com a Vida, no capítulo “Sintonia elevada”, ora em estudo. Para tanto, informa-nos esse autor espiritual, “faz-se indispensável que as mentes humanas diluam as vinculações ancestrais com os círculos morais inferiores dos quais procedem e que predominam nos seus hábitos emocionais e interesses morais”, porquanto estes últimos são “responsáveis pelos vícios e desaires que se prolongam, transformando-se em enfermidades da alma”.

Ou seja: que mudemos a frequência de nossas antenas psíquicas a fim de sintonizarmos somente (o quanto possível) com o Bem, com a Verdade e com o Belo, características do pensamento divino. Segundo Philomeno, escrevendo através da mediunidade psicográfica de Divaldo Franco, “a seleção dos pensamentos a cultivar mediante o esforço da vontade (...) gerará nova conduta psíquica de resultados saudáveis”, uma vez que os pensamentos costumeiros causam-nos perturbações enfermiças. Trata-se, pois, da tomada de ação de natureza curadora e toda cura haverá permanente, de modo que será útil, sempre, ouvir a recomendação do Cristo ao se obter benefícios espirituais nesse sentido: “Vá e não torne a pecar, para que não lhe suceda coisa pior”.

O problema da sintonia é dos mais graves no tocante ao bem-estar físico e mental das criaturas, principalmente no quesito da mediunidade, conforme estuda o Espiritismo, merecendo a atenção cuidadosa dos emissários de Jesus, tais como Emmanuel e o próprio Philomeno de Miranda, porquanto os médiuns são chamados ao esforço de concentração de forma que possam ser bons instrumentos da Espiritualidade no atendimento às entidades sofredoras, bem como para ouvirem as orientações dos Benfeitores. É preciso compreender, pois, que “toda e qualquer concentração mental emite vibrações equivalentes ao teor de que se reveste o pensamento em fixação”, conforme pondera Philomeno.

De igual modo, em Mediunidade e Sintonia, livro este cujo conteúdo já foi objeto de estudo entre nós (trabalhadores do CEDLV), o mentor espiritual Emmanuel vem dizer que “sintonia é acordo mútuo”, porque “mediunidade é força mental, talento criativo da alma, capacidade de comunicação e de interpretação do espírito, ímã no próprio ser”, levando-nos a indagar, junto com ele: “Sintonia para quê e com quem?”. É que o médium é o meio (recordemos o significado da palavra criada por Allan Kardec a partir do latim medium) principal para as comunicações espirituais e sua condição moral nelas se refletirá, abençoando-o ou comprometendo-o conforme a frequência das próprias vibrações.

“Em face de tal resultado, o homem lúcido edifica-se mediante o cultivo de ideias elevadas, graças às quais afina-se com as fontes inexauríveis da vida”, pondera o autor de Reencontro com a Vida. Voltando a Emmanuel, na obra acima citada, já no prefácio, ele afirma que “todo aquele coração que palpita e trabalha no campo dos ensinamentos de Jesus, a Jesus se assemelhará”, apontando qual o caminho que os médiuns esclarecidos pelo Espiritismo devem trilhar se querem, de fato, ser bons cooperadores junto às Entidades Superiores no socorro aos irmãos infelizes, recebendo também o acréscimo de misericórdia de que se façam merecedores.

Como todos somos médiuns, em maior ou menor grau, segundo acentua Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, cabe-nos atentar para os deveres e responsabilidades decorrentes dessa condição e, mais importante ainda, do entendimento acerca desse conceito, de modo a cooperarmos com os esforços do Alto, renovando-nos e ajudando a modificar a face escura do planeta que a Divina Misericórdia nos ofereceu por lar momentâneo.


*Citação tirada do prefácio do livro Mediunidade e Sintonia (Emmanuel-Chico Xavier).

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